quinta-feira, 29 de junho de 2017

Emprego Público e Desigualdade


Querido diário:

Acabo de postar este blim-blim-blim aqui no Facebook:

Queridas, queridos:
A idade ainda far-me-á (como disse o rapaz que deveria era mesmo praticar um harakiri) esquecer todos os meus pecados (nenhum deles requerendo harakiri). No caso, não consegui rastrear um comentador do mural de Juarez Fonseca que referiu-se a informação constante da Wikipedia sobre a participação do emprego público no emprego total em diversos países do mundo.
A aposentadoria não me requer apresentar matérias com caráter científico, ainda que não me proíba fazê-lo. No caso, decidi correlacionar essa 'share' do emprego público com o índice de desigualdade de Gini, também disponível na Wikipedia para vários países do mundo.
Aposentado, esqueci como fazer gráficos no Excel (eu, que já fizera milhares) e em meu amado atual Ubunto, nem se fala. Pedi ajuda ao prof. Adalmir Marquetti, que fez o gráfico que vemos em seguida, mas pediu detalhes que passar-lhe-ei (Fora Temer) assim que possível.
Seja como for, quem acredita em mim saberá que, pareando o Emprego (E) com a desigualdade (D), pensei na equação D = f(E), ou seja, a desigualdade é uma função da participação do emprego público no emprego total. Minha expectativa teórica era que esta relação seria inversa, ou seja, baixo emprego público seria um preditor de alta desigualdade na distribuição da renda. E consegui parear 74 países, no que o Michelzinho, no futuro, vai chamar de amostra de conveniência.
Parece óbvio que podemos esperar mesmo que mais emprego público deve reduzir a desabotinadamente escandalosa desigualdade que perpassa a sociedade brasileira. Parece óbvio que não será com o governo (fora) Temer que teremos algo parecido com o aproveitamento dessa informação.


DdAB
P.S. Campeei um pouco mais e achei: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_public_sector.
E o índice de desigualdade de Gini está aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_income_equality.

P.S.S.: Comentários

Corina Dick: Fato!

Duilio De Avila Berni: Eureka: tá lá no mural do Ju, publicado às 19h30min de 24 de junho. E o autor da informação sobre a informação (hehehe) é José Antonio Meira da Rocha.

Jorge Maia Ussan: Está no Planeta 23?

Duilio De Avila Berni: Grande (enorme) prof. Jorge: publiquei aqui e passei para lá. Estou tentando chantagear o prof. Adalmir para trabalharmos seriamente no tema e fazermos um artigo acadêmico. O gráfico, bem notaste, trocou os eixos, invertendo a causalidade que proponho, pois falei que a desigualdade é explicada pelo baixo emprego público.

Jorge Maia Ussan: Pois é, as variáveis não estão ali. Não reclamo, isso é prerrogativa da aposentadoria...

Álvaro Magalhães: Com a EC 95, que congela os gastos públicos (essa sim uma jabuticaba venenosa), a relação entre emprego público e população iria diminuir e reverter a queda de desigualdade de renda verificada até 2014. Em 2015, com o ajuste fiscal, inicia a reversão de tendências nessas curvas. Não foi imposto por nenhum FMI da vida. É suicídio mesmo.

Duilio De Avila Berni: Quando digo que os governistas praticam a mais escalavrada desfaçatez não quero excluir simpatizantes que pensavam que a simples deposição da presidenta Dilma iria ajudar o Brasil a melhorar. Penso muito no harakiri a que uma turma de economistas deveria devotar-se. Mas o que mais me surpreende é a diferença de visão sobre o maior problema do país: uns acham que é gerar "emprego e renda", o que depende das "reformas" dos encastelados no poder, quando outros acham que é mesmo a desigualdade, o que requer mais setor público:
.a com a tributação progressiva
.b com o gasto público regressivo.
Aquele negócio de congelar o gasto público por 20 anos é uma piada de mau-gosto, pois é impossível que a recomposição da vida social brasileira (por exemplo, com mais segurança pública) possa ser alcançada sem profunda mudança na estrutura tributária, reduzindo drasticamente os impostos indiretos e metendo imposto de renda nas costas da turma (a macacada que ganha mais, digamos, de R$ 5 mil por mês, que parece representar 94% de todos). E gasto: gasto em educação, gasto em saúde, gasto em segurança, gasto em administração pública. Sabe-se lá que mais, Álvaro.

Paulo Roberto Nunes Ferreira: Se me permite, professor, proponho que junto a este futuro estudo, haja uma tentativa de correlacionar renda per capita com a participação do emprego público. Talvez também haja relação inversa. Obs.: sou servidor público. Grande abraço!

Álvaro Magalhães: Paulo: colega, se tu me indicares um único país de renda per capita alta com estado fraco, já seria um começo.

Paulo Roberto Nunes Ferreira: Álvaro Magalhães, humildemente, estou propondo o estudo nos mesmos moldes exatamente para ver se a minha percepção faz sentido quando olhada para o todo. Pelo que percebo em meu país (no meu dia a dia de trabalho), haveria também esta correlação inversa.

Duilio De Avila Berni: Assim faremos [, Paulo]. Minha intuição já vai dizendo haver relação direta, uma variante da chamada lei de Wagner.

Guilherme de Oliveira: Prof.: Pareando países semelhantes em todas as dimensões e contrando por outros fatores que podem explicar as variacoes da desigualdade, será que a intuição sobrevive? Abcs.

Duilio De Avila Berni: Como disse antes, Guilherme, espero chantagear o prof. Adalmir para responsabilizar-se pela seriedade acadêmica da pesquisa. Obviamente a realidade humana é mutável, de sorte que resultados empíricos simplesmente não podem garantir sólidas conclusões para a implementação de profundas mudanças econômicas.
No caso, minha intuição vale-se de muitos anos de estudo da desigualdade e de minha visão de que seu principal antídoto é mesmo o emprego em geral. Um país com uma parte substantiva da população desfrutando de empregos formais (empregos decentes, na linguagem da OIT) tende a exibir melhores indicadores de desenvolvimento. Meu ponto é que muito emprego significa, por exemplo, que um sargento da força pública pode ter evoluído (como foi o caso de Erechim no RGS) da situação de menino de rua. E aí começa o círculo virtuoso da geração de igualdade via emprego: o filho do sargento pode ter aulas de piano com uma professora que, otherwise, estaria desempregada. A filha da professora, como presente de 15 anos, ganharia uma viagem à Disneilândia. O agente de viagens terá o filho consultando um dentista. O dentista terá o filho estudando economia. Os professores de economia é que deveriam ganhar aumento...

Juarez Fonseca: Me desculpem, mas não entendo essas contas...

Duilio De Avila Berni: Creio que nem a maior parte da audiência da Rádio GreNal, hahaha.

Ricardo Holz: Emprego publico ehnso concursado? Ex: politicos e terceirazafos dos correios entraram na amostragem?

Ricardo Holz: Funcionarios do dmlu estao nessa?

Duilio De Avila Berni: Meu vigilante amigo Ricardo: ficou sem dizer que não fui capaz de verificar exatamente o conteúdo da informação (emprego público e mesmo o Gini) dos diferentes países. Em particular, o caso do emprego precisa mesmo dessas qualificações, em particular, se é apenas administração direta. Parece-me óbvio -hás de concordar- que emprego na Petrobrás ou no Banco do Brasil não deve ser considerado como emprego público, nem com nepotismo, empreguismo e sindicalismo.

Ricardo Holz: Perguntei de curioso. Sao questionamentos q me vieram a cabeca na hora...

Duilio De Avila Berni: Ricardo Holz : mas isto não exclui elogios para tuas intuições. E não falei por não gostar de "palavrões": o diagrama de dispersão poderia estar exibindo um problema para a estimação dos parâmetros de uma curva chamado de heteroscedasticidade. Parece que a variância das informações com menores níveis de emprego (eixo horizontal) é maior do que a média de toda a amostra de conveniência que compus.

Paulo Kronbauer: Duilio, competente professor da PUCRS. E, o origami, Mestre Duilio?
Abrcs

Duilio De Avila Berni: Querido Paulo: sabes que ainda ontem mexi na lista daqueles 100 exercícios de "teoria elementar do preço" cujas respostas determinaste? E mexo sempre. O origami macroeconômico encontra-se aqui:
http://19duilio47.blogspot.com.br/.../ontem-na-fadergs.html


abcz

domingo, 25 de junho de 2017

Externalidades Ambíguas

Querido diário:

Quando fiz o mestrado em economia no atualmente chamado PPGE/UFRGS, em 1975, tive um extraordinário professor em duas ou três disciplinas. Meu querido Aaron Dehter ficou um tanto movido a nos dar algumas noções do que já naquele ano eram conceitos super incorporados ao cerne da teoria econômica, ainda que não tivessem chegado aos livros texto de microeconomia, o que fizeram, por exemplo, no livro de Robert S. Pindyck e Daniel L. Rubinfeld. A figura que nos encima dá uma bela ideia dos conceitos, permitindo-nos aprofundar intuições, que não quero entrar em definições formais por hoje, por ora, agora.

Ocorre que, no outro dia, senti um motivador cheiro de comida na casa do vizinho precisamente às 11h31min. Sendo motivador e um ótimo cheiro, ele nos conduz a sentir apetite, ativando nossa fome antes da hora habitual.

Moral da história: minha função de utilidade foi abalroada por eventos não capturados por ela, uma externalidade. No caso, trata-se do fenômeno ambíguo, pois gostei do cheiro, mas não gostei de mover-me a passar o dente em algo que não me era lícito deglutir.

DdAB
A imagem super eloquente veio daqui.

sábado, 24 de junho de 2017

O Craque, o Creque, o Crique, e por aí vai...


Querido diário:

Cara sra. Lya:
Como sempre, li com atenção seu artigo da Zero Hora de hoje. E decidi contar-lhe uma historinha, pois não me parece que a sra. considere relevantes dois pontos para o "tratamento" do problema das drogas ilegais:

.a o conceito de consumo recreativo
.b o contrafactual da legalização.

Prolegômenos: sou professor de economia aposentado e costumava dizer em sala de aula que "adoro drogas", querendo salientar que pessoas sensatas devem se dedicar -caso cheguem a tanto- ao consumo recreativo.

Nesta condição, criei um problema de economia matemática (elementar) que, com as tradicionais curvas de oferta e procura, o simples estabelecimento de um imposto sobre o consumo fazia a quantidade de drogas (talvez apenas maconha, já não lembro) recuar.

Lição: bem entendo que aquele exercício de sala de aula sobre a incidência de impostos indiretos não é capaz de resolver completamente o problema das drogas. Este, naturalmente, é multi-dimensional, mas -erroneamente- o lado médico é praticamente o único pensado para a solução. Costumo dizer que a lei da oferta e procura é mais imponente que a lei da gravidade. A segunda puxa os aviões para o solo, ao passo que a primeira é quem os mantém voando... O prêmio que os ofertantes absorvem precisamente devido ao risco envolvido num negócio ilegal dá-lhes incentivos irrestíveis a se manterem como negociantes.

Viajação: na linha daquele "adoro drogas", penso que uma solução para acabar com a oferta por parte de traficantes é sua distribuição gratuita: dado nível de criminalidade dos governantes brasileiros, convidaríamos uma sociedade benemerente suíça (norueguesa está na moda...) para administrar salas de consumo em que o diálogo viciado-traficante seria substituído pelo viciado-enfermeiro.

DdAB
E-mail endereçado à sra. Lya Luft (lya.luft@zerohora.com.br) por seu escrito "As cracolândias da vida", da página 3 de Zero Hora de hoje.
Aquela perturbadora imagem lá de cima veio daqui. Seja como for, ela deixa claro que minha intuição retórica sobre a imponência absoluta da lei da oferta e procura é poderosa. E o isqueirinho bic também deveria ser vendido livremente.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Bolsonaro e a 'Causa Causans'


Querido diário:

Zero Hora, sempre ela. Depois de ter lido muitos desatinos, cheguei a um ponto de vista sensato. Na página 25, num artigo da dra. Rosane Fürst, psicanalista, rosane@ffurst.com, intitulado " 'Toda nação tem o governo que merece' ", tratando-se claramente de uma citação, entre aspas, como podemos ver.

A autora fala algumas coisas e sentencia: "A corrupção não está somente num ou noutro partido político. Ela está no ser humano." Mas acho que, ao lado da corrupção presente na ação humana, há outras comunalidades, como o altruísmo, a proteção aos mais fracos e uma pilha de atributos invejáveis. O pobrema é que nenhum destes é universal, há exceções em todos. No caso da corrupção, é óbvio que o problema a que me refiro tem nos eleitores a responsabilidade de ungir um subconjunto de políticos ao poder. Como sabemos, o prof. Jorge Vianna Monteiro faz uma lista de boa meia dúzia de agentes da política, sendo -obviamente- os mais importantes precisamente o eleitor e o político, .

Pois então. A gente vota no político e como a gente não é de nada, elege políticos que tampouco são de algo. Mas a gente vota em quem não é de nada porque os rapazes da nulidade não nos auxiliam a formar nossa consciência política e votar em políticos decentes. A causa é nóis, a causa da causa é eles.

Pois bem. Segue a dra. Rosane:

  Então não temos solução?
 Buscar a solução pode ser uma tarefa difícil. Talvez o fundamental nessa tarefa seja combater o mal, ou alguns males da nossa cultura, como por exemplo: a misoginia, a corrupção, o racismo, a homofobia, a cultura do estupro, a cultura do medo e muitas outras culturas opressoras.

Pois em primeiro eu gostaria de ter o restante da lista. Será que meus amigos do Facebook podem colocar lá seus acréscimos? Talvez a lista completa possa emergir do manifesto eleitoral a ser lançado pelo sr. Jair Bolsonaro para as eleições de 2018, no qual estou apostando que constará a lista da dra. Rosane. O Brasil, por não ter causa da causa decente, vai realmente dar super importância à candidatura desse senhor. Michael Moore disse, oito meses antes das eleições, que Donald Trump seria eleito. Eu juro que Bolsonaro não será eleito, mas ainda faltam 16 meses para o fechamento das urnas.

DdAB

domingo, 18 de junho de 2017

O Loteamento de um Cemitério


Querido diário:

Sabemos que um dos traços mais determinantes de nossa condição humana é o respeito aos restos mortais de nossos assemelhados. De fato, o cuidado com os mortos, com os cadáveres, com os restos de tudo é um dos "universals", classificado aqui como "funeral rites" ou ainda "mourning", ritos funerários e pranteamento.

Não é difícil que nos tornemos fúnebres neste momento em que o governo do estado, em sua gestão desabotinadamente neo-liberal, quebrou a pau uma comunidade que se alojara em um prédio público que se encontrava abandonado. Fatos de junho/2017, triste sina do mês do padroeiro do Rio Grande do Sul, o velho São Pedro.

Fiquei imaginando que, com centenas de imóveis de sua propriedade, o governo estadual deveria era usar esses recursos para acomodar populações sem-teto e não vendê-los para "o setor privado". O mínimo dos argumentos é dois: a necessidade de parte da população de rua e, além dele, considerar que, num país de desabotinada concentração da renda e da riqueza, vender próprios públicos significa precisamente discriminar a negadinha sem-teto, em benefício dos abonados de sempre. Incluem-se nesta rubrica os ladrões da geração presente e os herdeiros de rapina em gerações pretéritas.

Pois fiquei pensando que é inconcebível que a geração presente, por problemas de trânsito ou de loteamentos, desative seus cemitérios, mande os restos e lápides de sua ancestralidade para o fundo do mar ou para um buraco num canto ermo da região. Exemplo extremo, óbvio, mas ninguém sabe qual é o limite de um governo insensível às necessidades de uma população detentora de escandalosos níveis de desigualdade.

DdAB
Fúnebre como estou, não surpreende que "o algoritmo" tenha me oferecido, com a busca sobre o título da postagem, aquela turma de Verona, Romeu e Julieta, sem restos mortais...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Greve e as Greves


Querido diário:

A revista Cult é minha mais nova conquista literária. Há outras de qualidade similar, como a Piauí, e outras que fogem agora. No início de junho, recebi o número de maio, com um artigo de Vladimir Safatle, que bem conheço das páginas da Carta Capital, minha número um que, por afetiva, cognominei de "Capital dos Carta", especialmente por ser mais nacionalista que eu gostaria. Pois Safatle fala no fim da democracia liberal, liquidada pelo neo-liberalismo que tomou corpo a partir do final dos anos 1970. E o ano de 1970, a meu ver, consagrou o fim da União Soviética, quando Nixon, a mando de Henry Kissinger, invadiu a China.

Então o que vou dizer foi pensado antes de eu começar a sofrer com essa nova concepção de que vivemos um tempo de golpe mortal para a democracia. Mas, ainda assim, penso existir uma brecha para a democracia: precisamente o aprofundamento da social-democracia, em novos moldes, sem aqueles ranços nacionalistas que me incomodam na Carta Capital e até sem o pessimismo do Safatle, que aciona apenas muito de leve com o governo mundial ou com o nacional-desenvolvimentismo, as empresas estatais, aquele pesadelo todo que o Brasil vive até hoje.

Então o que quero falar sobre greve/s poderia parecer apenas um arroubo de erudição, pois vou falar nela, greve, em três línguas. A primeira, o português, que incorporou esta palavra, se bem lembro, no século XIX. E a incorporou do francês: grève. E que quer dizer greve no Dicionário Google? Diz:
 substantivo
Rivage.
La grève est couverte de coquillages .
Cessation collective du travail pour la défense d’intérêts communs.
Une grève tournante, une grève générale .
verbo
Faire supporter de lourdes charges financières à.
Des dépenses qui grèvent un budget .
Eu já lera que, em Paris, às margens do Rio Sena, existe uma praia das greves, que é a praia daquelas pedrinhas que os europeus compraram para substituir a areia de nossas próprias praias, as que têm a cobertura correta. Então os trabalhadores desempregados pelas máquinas ou o que seja costumavam reunir-se nesse ambiente inóspito para reclamar da vida e, quem sabe, sair a quebrar máquinas, jogando seus tamancos no meio das engrenagens, transformando-se em saboteurs.

Ou seja, quem tá pra greve não tá pra conversa. E em inglês? Temos strike, dado pelo Dicionário Google como:
substantivo
a refusal to work organized by a body of employees as a form of protest, typically in an attempt to gain a concession or concessions from their employer.
dockers voted for an all-out strike
sinônimos: industrial actionwalkoutjob actionstoppage
a sudden attack, typically a military one.
the threat of nuclear strikes
sinônimos: (air) attackassaultbombingraid
verbo
hit forcibly and deliberately with one's hand or a weapon or other implement.
he raised his hand, as if to strike me
sinônimos: bangbeathitbashwallop
Ou seja, quando a gente strikes o capital é quando fazemos algo que lhe faz mal. O modelo japonês já deixou claro que a cooperação entre o trabalho e o capital pode gerar frutos dourados. Mas os frutos, infelizmente, mesmo douradinhos, apodreceram e hoje o ambiente de relações industriais no império do sol nascente estão mais pra urubu. No livro "Gato Preto em Campo de Neve", Érico Veríssimo falou alguma coisa sobre as greves nos USA: a turma da loja/fábrica se reunia na frente do prédio e pedia à macacada para não entrar, pois os patrões maltratavam os trabalhadores. Ok, ok, Érico é mais sofisticado que eu para contar histórias.

Então, depois de ter estudado a teoria dos jogos (que se expressa também por meio de uma revista chamada "Journal of Conflict Resolution) e, em particular, a teoria da barganha, comecei a pensar que Greve com G maiúsculo é a greve geral e que greve com g minúsculo são as demais greves. Ou seja, Greve, grève e strike. A greve geral é soberana, é a forma central e fundamental com que a classe trabalhadora pode trancar os mal-feitos da classe capitalista e até do governo. Quem entra na greve geral tem consciência de classe e quem não entra pode ter falsa consciência ou mesmo ter problemas psicológicos de tal magnitude que nem a mãe ubérrima poderia conter.

Então que deve ser feito para substituir as greves particulares? O momento não é bom para falar, como sugeri pelo diagnóstico lá de cima de autoria de Vladimir Safatle. Depois que ele, momento, passar, poderei sugerir que se crie uma corte arbitral e uma barganha assistida para cada vez que os trabalhadores de determinada empresa ou setor (mas não de todos, o que deflagraria greve geral) mais explorados que o razoável, peçam a deflagração do processo, que culminará com redistribuição dos ganhos daquela/s unidade/s produtiva/s.

Se houver renda básica universal (rendimento incondicional) e emprego no serviço municipal (rendimento em contraprestação a serviços comunitários), os benefícios para a classe trabalhadora são de tal magnitude que as greves locais tornam-se perfeitamente substituíveis por barganhas arbitradas por agentes reconhecidos por ambas as partes.

Há razões teóricas e empíricas para entender que todos sairão ganhando com essa prática, mesmo sem me elegerem presidente da república em 2018.

DdAB
Não foi por outra razão que não se associasse à salvação da humanidade que a profa. Brena e eu fizemos o livro que nos encima.

Adendo: fica faltando, para salvarmos o mundo, providenciar emprego público para todos os interessados no Serviço Municipal. E, principalmente, ceder a administração das coisas -inclusive as coisas da política- às mulheres. Todas as sociedades matriarcais de que tenho notícia são muito mais pacíficas que as regidas por homens.

Por falar em adendo: disseram-me que alguns cálculos insuspeitos confirmam que apenas 1% de corrupção é algo tolerável e até sensato. E fiquei pensando o que quer dizer "sensato" para um negão do porte do aécio, temer, prisco, gedel, essa macacada toda. Mas dei-me conta de que é bem sabido que a sociedade não se dispõe a pagar o custo que incidiria para chegar naquela tolerância zero, ou seja, nada de corrupção. E que custo seria este? O custo da privacidade quebrada em níveis além do tolerável. Por exemplo, obrigaram-me a exigir a nota fiscal ao comprar meu baseado, sei lá.

domingo, 11 de junho de 2017

Cachorreiros e Cachorreiras


Querido diário:
Um dia, na aula de inglês, no Colégio Júlio de Caudilhos, a professora Umbelina estava ensinando algumas coisas, quando passou pela profissão de empregada [não é que procurei esta profissão na Classificação Brasileira de Ocupações e o sistema não devolveu nada? Por pirraça, procurei "economista" e tem alguma coisa. Só bebendo]. Pois, nos países de fala inglesa tem e é "maid-servant". Então meu colega Gilberto aproveitou o ensejo e indagou: "Professora Neblina: como é o certo, empregadosa ou empregadiana?"
Não lembro se a professora Neblina respondeu, mas é certo que enviou-o a ter uma conversa com o prof. Lovato, assistente da direção para o turno da tarde na modelar escola.
Em compensação, parece que hoje tem maratona em Porto Alegre. E a negadinha passa aos magotes pela Rua Botafogo, perto de chez moi, como dizem. E ainda em mais compensação, os automóveis ficaram trancados na Rua Múcio Teixeira, em fila para cruzar precisamente a Fogão do Menino Deus... E em terceira compensação tinha um velho, cachorreiro, acompanhado devidamente de seu cachorro que queria passar na faixa de segurança, 80% já ocupada por um dos automóveis que, ordenadamente [eu disse 'ordenadamente', só porque ele não atropelou o cachorreiro?], esperava que os carros a sua frente seguissem suas trajetórias dominicais.
Em compensação, fiquei pensando
-Se maid-servant é empregada doméstica e se existem cachorreiros e cachorreiras passeando seus cachorros e cachorras, por que é que eles não fazem uma associação para lutar pelo respeito às faixas de segurança?

DdAB
Conversa retirada do Facebook, ao que acrescentei:
E quero saber o que todos os meus amigos que passeiam cães e gatos pensam de se organizarem e principalmente forçarem os motoristas profissionais (taxistas, ubelinistas, bus drivers, lorry drivers, motoboys, etc.) a passarem a respeitar as faixas de segurança, especialmente aquelas que têm javalis ou cachorros e cachorras passando [para começar, depois podemos pensar em outra campanha para outros bichos e, por fim, o bicho homem e a bicha mulher, além de bixos do primeiro ano da faculdade [[que poderiam ser convidados a ingressar na campanha]].]. Convoco, em particular, Claudio Medaglia e um amigo meu que sei que passeia seu gato aqui mesmo no bairro.

sábado, 10 de junho de 2017

Sabores: Jiu-Jistu, Judô e Karatê


Querido diário:

Pensei que poderia lutar jiu-jitsu, judô ou karatê, circulando, as it were, entre as faixas:

Jiu-Jitsu
Branca, Azul, Roxa, Marron e Preta

Faixas do Judô
Branca, Cinza, Azul, Amarela, Laranja, Verde, Roxa, Marrom e Preta

Faixas do Karatê
Branca, Azul, Amarela, Laranja, Verde, Roxa, Marrom e Preta.

Cansei-me e nada fiz. A não ser evocar os sabores fundamentais, de que falo aqui volta e meia, e que, para minha surpresa nesta era de modernidades mutantes radicais e cosméticas. No caso, é cosmética, ainda que cheiro seja outra categoria:

SABORES
Bitter (caffeine)
Sweet (sucrose)
Salty (sodium chloride)
Sour (citric acid.

Cansei e nada provei.

DdAB

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Negro de Primeira Linha


Querido diário:
As pernas, pelo menos, existem nas cores branca preta e amarela: pelo menos é o que nos informa a terceira estrofe do Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade. Em compensação, fez-se uma grande farra quando um ministro do supremo tribunal (R$ 30mil, fora as vantagens) referiu-se ao negro Joaquim Barbosa, ex-potentado daquele troço, como um negro de primeira linha.

Como sabemos, as linhas se dividem em primeira linha e demais linhas. de sua parte, as cores das pessoas podem associar-se com as brancas, as pretas e as amarelas. Se um cara chama outro de negro de primeira linha e em seguida pede desculpas é que ele ou acha que o objeto de sua atenção é branco ou amarelo, ou ainda, que ele não é das demais linhas. De minha parte, acho não haver nada de errado com qualquer linha e qualquer cor. E, se me dirigir a alguém como branco, preto ou amarelo, o máximo que podemos discutir é se negro é raça ou cor, se branco ou amarelo são raças ou cores. E o que é raça. Preocupa-me mais a minha gente que é reaça.

DdAB
Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Poesia”, livro de 1930 (retirado de http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm1.html)

E lá no Facebook:

A história é longa: andei sugerindo que, sempre que o supremo tem decisões vencidas pelo escore de 6x5, os cinco derrotados devem ser postos pra rua e eleitos outros cinco, até que cheguem a um consenso sobre como se defende a constituição, pois dificilmente poderemos conceber 11 maneiras diferentes de fazê-lo. Por outro lado, andei lendo o poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado "Poema de Sete Faces", quando ele fala em "pernas brancas, pretas, amarelas". Isto significa -pensei- que as cores das gentes também podem ser brancas, pretas e amarelas.
Precisamente seguindo esta linha de pensamento é que fiquei estupefato quando um dos ministros classificou outro, aposentado, de negro de primeira linha. Aí fiz algumas reflexões no blog, aproveitando para citar ipsis litteris o poema caandrade.


E de volta cá: Caandrade? Clique aqui.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Emprego no Governo: Érico + Graciliano


Querido diário:

Eu queria ter obtido uma foto mostrando a amizade Érico-Graciliano, parece que já vi numa reunião da União Brasileira de Escritores, algo assim, mas não lembro onde (parece que é de Shakespeare a constatação de que "true love never runs smooth"). Não achei no Google Images. É que aqui mesmo já falei de uma das manifestações mais regulares de meu TOC:

.a. ler Érico Veríssimo (um mesmo conjunto de obras, não todas) nos outonos

.b. ler Graciliano Ramos sempre que me der vontade, que der saudades daquelas tramas cerebrais e daquela escrita impecável.

Pois neste outono, estou relendo (já no terceiro volume) o terceiro tomo de O Arquipélago. E, por coincidência, também neste outono, estou fazendo o mesmo com Caetés.

Pois bem: Graciliano é mais velho, Caetés é mais velho e lemos na página 111, quando João Valério ouve a pergunta de Nazaré e prossegue narrando o diálogo:

   -Já sabe? O Xavier foi demitido.
   -Que está dizendo? Isso pode ser? Um funcionário que vem da mnoarquia! Que horror!
   E falei em Xavier filho, há muito tempo estudante de medicina. Luta desesperadamente e não consegue terminar o curso.
   -Que miséria!
   -É verdade, prosseguiu Nazaré. O Evaristo embirrou com ele, e com razão. Tiraram-lhe o emprego.
   -Que razão! Pense na família do Xavier. Mais de dez filhos! Bandalheira.
   -Mais de dez filhos, é exato. Quanto a isto ninguém tem culpa, que a filharada foi ele que fez, ou alguém por ele. Era necessário colocar na Secretaria da Prefeitura um sobrinho do Evaristo.
   -Outro? Deve ser como o promotor. Boa amostra.
[...]

Então era um emprego para um parente? Nepotismo. Então: Érico é mais novo que Graciliano, O Tempo e o Vento é mais novo que Caetés e lemos na página 156, numa daquelas rodas de discussão entre o Dr. Rodrigo, à beira da morte, e o estancieiro Terêncio, que diz:

Jamais se roubou tanto e tão descaradamente nas esferas governamentais do Brasil como na era getuliana, em que imperou, como nunca em toda a nossa história, o empreguismo, o nepotismo, a advocacia administrativa, o peculato, o suborno, a malversação de fundos públicos... 
[reticências no original e itálico de DdAB]

De repente, em minha propaganda pela sociedade igualitária, caiu outra ficha, uma vez que:

.a. na sociedade igualitária, tem empregos para todos

.b. o setor de mercado da agregação das preferências sociais é incapaz de gerar empregos para todos, pois uma das leis imanentes do capitalismo é a transformação de trabalho vivo em trabalho morto

.c. então resta ao governo gerar estes empregos que os srs. Evaristo e Terêncio jogam na parada.

Evaristo cria emprego para um parente, à custa de um funcionário cumpridor de suas obrigações. Terêncio critica o governo Vargas.

Qual é a solução? Parece óbvio: é preciso que o governo acolha todos os cidadãos que não têm empregos no mercado de trabalho. Deixá-los à míngua? Os dez filhos do sr. Xavier? A turma do Catete e seus aparentados? É preciso democratizar o emprego, ainda que pagando a essa turma do governo, digamos, no Serviço Municipal, menos que ganhariam se estivessem no setor de mercado.

DdAB
Meu Érico Veríssimo:
.a. Clarissa (1933)
.b. Música ao Longe (1935)
.c. Caminhos Cruzados (1935)
.d. Um Lugar ao Sol (1936).
.e. Olhai os Lírios do Campo (1938)
.f. O Resto é Silêncio (1943).
.g. O Tempo e o Vento (1949-62)
     ** O Continente
     ** O Retrato
     ** O Arquipélago
.h. O Senhor Embaixador (1965)
.i. Incidente em Antares (1971).
[Fora os livros de viagem, que também adoro]

Meu Graciliano Ramos:
.a. Caetés (1933)
.b. S. Bernardo (1934)
.c. Angústia (1936)
.d. Vidas Secas (1938)
.e. Infância (1945)
.f. Insônia (1947)
.g. Memórias do Cárcere (1953).

De repente, caiu-me a ficha: a única chance que temos de impedir os políticos de cultivarem o nepotismo é oferecer emprego público para todos os interessados. E ter um leque salarial estreito, sem os disparates de R$ 1.000 para uns e R$ 400.000 para outros.
O prof. Conrado comentou. E eu escrevi: grato pela atenção e silêncio (hahaha). Talvez o livro que mais reli em minha existência tenha sido "O Senhor Embaixador". E gosto de relê-lo, com certo diferimento no tempo. Se bem lembro, a primeira leitura foi lá por 1968. Depois, digamos, em 1975 li pela segunda vez e extasiei-me, especialmente por lembrar da leitura anterior, evocar momentos daqueles tempos e aprender desdobramentos que me fugiram na primeira. Depois, como não poderia deixar de ser, os acontecimentos se sucederam... E, neles envolto, creio que voltei a ler "O Senhor Embaixador" apenas em 2008. E foi por essa época que o TOC me garrou de vez. Então reli no outono-inverno de 2014 e novamente, pingando o ponto final na leitura em 20/jun/2016, com a anotação "madrugada fria de segunda-feira".

E acrescento: Érico Veríssimo voltou a minha vida depois de 2001, meses depois do retorno de minha segunda viagem aos Estados Unidos. Voltei com ganas de reler "Gato Preto em Campo de Neve", que lera, digamos, em 1965 ou 1966 e amara, e lembro de uma referência de Érico à visita que fez à Fundação Rockefeller, testemunhando a efervescência da vida dos estudantes estrangeiros bolsistas. Naquele tempo, pensei que adoraria estudar no exterior (Reino Unido). E agora calculo que o fiz em pouco mais de dez anos após aqueles desejos.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Virtudes Intelectuais Vitais Aristotélicas


Querido diário:

Diz-nos Cecile Soriano:

Em uma de suas obras principais, Ética a Nicômaco, Aristóteles considera a técnica como umas das cinco virtudes intelectuais vitais para que o ser humano atinja a verdade, a saber: techné, epistemé, phronese, sophia e noûs (ARISTÓTELES, 2001; EN, 1139B15).

A técnica (Techné) é a virtude do “reto saber fazer” e não difere muito da perspectiva de Platão. O conhecimento científico (Epistemé) é o conhecimento imutável e possível de ser demonstrável e comunicável mediante o ensino e difere de techné porque esta possui viés prático e não teórico. Na techné a ênfase é o produto e o valor predicado a ele. A prudência (Phronesis) é a virtude do “saber agir”; o entendimento (Noûs) é responsável por aprender os primeiros princípios do conhecimento científico; e a sabedoria (Sophia) que envolve o existente entre o conhecimento científico e o entendimento. 
E que mais poderia dizer eu myself?

DdAB

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Beatles, Berni e Bouquiniste


Querido diário:

Não são poucos meus entrecruzamentos com os Beatles. Mas esta é a primeira vez que fico entre eles e a Livraria Bouquiniste (Rua André Puente, 357, em Porto Alegre). A primeira audiçã devo a minha irmã. Às primeiras danças, fechou-se a infança. Depois veio Sgt. Pepper's Lonely Hart Club Band, mas não foi imediato. Daquele 1o. de junho de 1967 (eu estaria prestes a fazer meu primeiro vestibular para o curso de arquitetura. Arquitetura? Uma sequência de -sei lá- umas dez reprovações no 'vestiba', um dia conto o final) até, digamos, a aquisição do disco no segundo semestre, em curta estada como vice-auxiliar-de-escriturário no Banco Agrícola Mercantil, talvez já incorporado pelo até hoje conhecido Unibanco/s. No capitalismo, tudo vira mercadoria, então comprei e paguei o disco a um colega do banco, cujo apelido era Alemãozinho, que também podia ser um descritor de meu fenótipo.

Ato contínuo (pero no mucho) vi-me como que dividindo o palco com Paul McCartney, em um seminário que apresentei em Floripa/UFSC e ele -Paul- um show na quarta-feira, 25 de abril de 2012, muito concorrido, tomando o Estádio da Ressacada. Até hoje não foram liberadas as comparações entre o número de ouvintes de um e outro eventos. De minha parte, garanto que minhas diatribes contra o neo-desenvolvimentismo e o fetiche da industrialização como setor chave para o alcance do desenvolvimento econômico e da sociedade igualitária deixaram a semente n'algum canto do jardim, dos jardins pantanosos do campus da UFSC, mais perto do Centro Sócio-Econômico que da reitoria...

Mais perto daquela memorável noite florianopolitana, hoje mesmo, na tarde de hoje, haverá outra conjunção entre as ações de minha vidinha e a trajetória da humanidade, as a whole. É que vou apresentar um seminário intitulado "Ulysses 22-96" na Livraria Bouquiniste (André Puente, 357). Hoje, hoje, hoje, hoje: 50 anos do lançamento do disco, it was twenty years ago today, ou seja, pela aritmética, 20 + 50 aproximadamente igual a 70. Em outras palavras, em poucas semanas, completo meus 70. E disseram que os rapazes de Liverpool viriam para tocar na reunião dançante que fiz (eles não aparareceram) da festa dos 20. Então trata-se mesmo de caminhos cruzados, com longos trechos em paralelo. James Joyce caprichou na concepção de seu Ulysses. E eu capricharei na exposição de alguns meandros encontrados ao longo da estrada real, a que leva ao conhecimento supremo que a humanidade pode alcançar. Se é que já não me perdi neles.

DdAB

DdAB