domingo, 18 de junho de 2017

O Loteamento de um Cemitério


Querido diário:

Sabemos que um dos traços mais determinantes de nossa condição humana é o respeito aos restos mortais de nossos assemelhados. De fato, o cuidado com os mortos, com os cadáveres, com os restos de tudo é um dos "universals", classificado aqui como "funeral rites" ou ainda "mourning", ritos funerários e pranteamento.

Não é difícil que nos tornemos fúnebres neste momento em que o governo do estado, em sua gestão desabotinadamente neo-liberal, quebrou a pau uma comunidade que se alojara em um prédio público que se encontrava abandonado. Fatos de junho/2017, triste sina do mês do padroeiro do Rio Grande do Sul, o velho São Pedro.

Fiquei imaginando que, com centenas de imóveis de sua propriedade, o governo estadual deveria era usar esses recursos para acomodar populações sem-teto e não vendê-los para "o setor privado". O mínimo dos argumentos é dois: a necessidade de parte da população de rua e, além dele, considerar que, num país de desabotinada concentração da renda e da riqueza, vender próprios públicos significa precisamente discriminar a negadinha sem-teto, em benefício dos abonados de sempre. Incluem-se nesta rubrica os ladrões da geração presente e os herdeiros de rapina em gerações pretéritas.

Pois fiquei pensando que é inconcebível que a geração presente, por problemas de trânsito ou de loteamentos, desative seus cemitérios, mande os restos e lápides de sua ancestralidade para o fundo do mar ou para um buraco num canto ermo da região. Exemplo extremo, óbvio, mas ninguém sabe qual é o limite de um governo insensível às necessidades de uma população detentora de escandalosos níveis de desigualdade.

DdAB
Fúnebre como estou, não surpreende que "o algoritmo" tenha me oferecido, com a busca sobre o título da postagem, aquela turma de Verona, Romeu e Julieta, sem restos mortais...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A Greve e as Greves


Querido diário:

A revista Cult é minha mais nova conquista literária. Há outras de qualidade similar, como a Piauí, e outras que fogem agora. No início de junho, recebi o número de maio, com um artigo de Vladimir Safatle, que bem conheço das páginas da Carta Capital, minha número um que, por afetiva, cognominei de "Capital dos Carta", especialmente por ser mais nacionalista que eu gostaria. Pois Safatle fala no fim da democracia liberal, liquidada pelo neo-liberalismo que tomou corpo a partir do final dos anos 1970. E o ano de 1970, a meu ver, consagrou o fim da União Soviética, quando Nixon, a mando de Henry Kissinger, invadiu a China.

Então o que vou dizer foi pensado antes de eu começar a sofrer com essa nova concepção de que vivemos um tempo de golpe mortal para a democracia. Mas, ainda assim, penso existir uma brecha para a democracia: precisamente o aprofundamento da social-democracia, em novos moldes, sem aqueles ranços nacionalistas que me incomodam na Carta Capital e até sem o pessimismo do Safatle, que aciona apenas muito de leve com o governo mundial ou com o nacional-desenvolvimentismo, as empresas estatais, aquele pesadelo todo que o Brasil vive até hoje.

Então o que quero falar sobre greve/s poderia parecer apenas um arroubo de erudição, pois vou falar nela, greve, em três línguas. A primeira, o português, que incorporou esta palavra, se bem lembro, no século XIX. E a incorporou do francês: grève. E que quer dizer greve no Dicionário Google? Diz:
 substantivo
Rivage.
La grève est couverte de coquillages .
Cessation collective du travail pour la défense d’intérêts communs.
Une grève tournante, une grève générale .
verbo
Faire supporter de lourdes charges financières à.
Des dépenses qui grèvent un budget .
Eu já lera que, em Paris, às margens do Rio Sena, existe uma praia das greves, que é a praia daquelas pedrinhas que os europeus compraram para substituir a areia de nossas próprias praias, as que têm a cobertura correta. Então os trabalhadores desempregados pelas máquinas ou o que seja costumavam reunir-se nesse ambiente inóspito para reclamar da vida e, quem sabe, sair a quebrar máquinas, jogando seus tamancos no meio das engrenagens, transformando-se em saboteurs.

Ou seja, quem tá pra greve não tá pra conversa. E em inglês? Temos strike, dado pelo Dicionário Google como:
substantivo
a refusal to work organized by a body of employees as a form of protest, typically in an attempt to gain a concession or concessions from their employer.
dockers voted for an all-out strike
sinônimos: industrial actionwalkoutjob actionstoppage
a sudden attack, typically a military one.
the threat of nuclear strikes
sinônimos: (air) attackassaultbombingraid
verbo
hit forcibly and deliberately with one's hand or a weapon or other implement.
he raised his hand, as if to strike me
sinônimos: bangbeathitbashwallop
Ou seja, quando a gente strikes o capital é quando fazemos algo que lhe faz mal. O modelo japonês já deixou claro que a cooperação entre o trabalho e o capital pode gerar frutos dourados. Mas os frutos, infelizmente, mesmo douradinhos, apodreceram e hoje o ambiente de relações industriais no império do sol nascente estão mais pra urubu. No livro "Gato Preto em Campo de Neve", Érico Veríssimo falou alguma coisa sobre as greves nos USA: a turma da loja/fábrica se reunia na frente do prédio e pedia à macacada para não entrar, pois os patrões maltratavam os trabalhadores. Ok, ok, Érico é mais sofisticado que eu para contar histórias.

Então, depois de ter estudado a teoria dos jogos (que se expressa também por meio de uma revista chamada "Journal of Conflict Resolution) e, em particular, a teoria da barganha, comecei a pensar que Greve com G maiúsculo é a greve geral e que greve com g minúsculo são as demais greves. Ou seja, Greve, grève e strike. A greve geral é soberana, é a forma central e fundamental com que a classe trabalhadora pode trancar os mal-feitos da classe capitalista e até do governo. Quem entra na greve geral tem consciência de classe e quem não entra pode ter falsa consciência ou mesmo ter problemas psicológicos de tal magnitude que nem a mãe ubérrima poderia conter.

Então que deve ser feito para substituir as greves particulares? O momento não é bom para falar, como sugeri pelo diagnóstico lá de cima de autoria de Vladimir Safatle. Depois que ele, momento, passar, poderei sugerir que se crie uma corte arbitral e uma barganha assistida para cada vez que os trabalhadores de determinada empresa ou setor (mas não de todos, o que deflagraria greve geral) mais explorados que o razoável, peçam a deflagração do processo, que culminará com redistribuição dos ganhos daquela/s unidade/s produtiva/s.

Se houver renda básica universal (rendimento incondicional) e emprego no serviço municipal (rendimento em contraprestação a serviços comunitários), os benefícios para a classe trabalhadora são de tal magnitude que as greves locais tornam-se perfeitamente substituíveis por barganhas arbitradas por agentes reconhecidos por ambas as partes.

Há razões teóricas e empíricas para entender que todos sairão ganhando com essa prática, mesmo sem me elegerem presidente da república em 2018.

DdAB
Não foi por outra razão que não se associasse à salvação da humanidade que a profa. Brena e eu fizemos o livro que nos encima.

Adendo: fica faltando, para salvarmos o mundo, providenciar emprego público para todos os interessados no Serviço Municipal. E, principalmente, ceder a administração das coisas -inclusive as coisas da política- às mulheres. Todas as sociedades matriarcais de que tenho notícia são muito mais pacíficas que as regidas por homens.

Por falar em adendo: disseram-me que alguns cálculos insuspeitos confirmam que apenas 1% de corrupção é algo tolerável e até sensato. E fiquei pensando o que quer dizer "sensato" para um negão do porte do aécio, temer, prisco, gedel, essa macacada toda. Mas dei-me conta de que é bem sabido que a sociedade não se dispõe a pagar o custo que incidiria para chegar naquela tolerância zero, ou seja, nada de corrupção. E que custo seria este? O custo da privacidade quebrada em níveis além do tolerável. Por exemplo, obrigaram-me a exigir a nota fiscal ao comprar meu baseado, sei lá.

domingo, 11 de junho de 2017

Cachorreiros e Cachorreiras


Querido diário:
Um dia, na aula de inglês, no Colégio Júlio de Caudilhos, a professora Umbelina estava ensinando algumas coisas, quando passou pela profissão de empregada [não é que procurei esta profissão na Classificação Brasileira de Ocupações e o sistema não devolveu nada? Por pirraça, procurei "economista" e tem alguma coisa. Só bebendo]. Pois, nos países de fala inglesa tem e é "maid-servant". Então meu colega Gilberto aproveitou o ensejo e indagou: "Professora Neblina: como é o certo, empregadosa ou empregadiana?"
Não lembro se a professora Neblina respondeu, mas é certo que enviou-o a ter uma conversa com o prof. Lovato, assistente da direção para o turno da tarde na modelar escola.
Em compensação, parece que hoje tem maratona em Porto Alegre. E a negadinha passa aos magotes pela Rua Botafogo, perto de chez moi, como dizem. E ainda em mais compensação, os automóveis ficaram trancados na Rua Múcio Teixeira, em fila para cruzar precisamente a Fogão do Menino Deus... E em terceira compensação tinha um velho, cachorreiro, acompanhado devidamente de seu cachorro que queria passar na faixa de segurança, 80% já ocupada por um dos automóveis que, ordenadamente [eu disse 'ordenadamente', só porque ele não atropelou o cachorreiro?], esperava que os carros a sua frente seguissem suas trajetórias dominicais.
Em compensação, fiquei pensando
-Se maid-servant é empregada doméstica e se existem cachorreiros e cachorreiras passeando seus cachorros e cachorras, por que é que eles não fazem uma associação para lutar pelo respeito às faixas de segurança?

DdAB
Conversa retirada do Facebook, ao que acrescentei:
E quero saber o que todos os meus amigos que passeiam cães e gatos pensam de se organizarem e principalmente forçarem os motoristas profissionais (taxistas, ubelinistas, bus drivers, lorry drivers, motoboys, etc.) a passarem a respeitar as faixas de segurança, especialmente aquelas que têm javalis ou cachorros e cachorras passando [para começar, depois podemos pensar em outra campanha para outros bichos e, por fim, o bicho homem e a bicha mulher, além de bixos do primeiro ano da faculdade [[que poderiam ser convidados a ingressar na campanha]].]. Convoco, em particular, Claudio Medaglia e um amigo meu que sei que passeia seu gato aqui mesmo no bairro.

sábado, 10 de junho de 2017

Sabores: Jiu-Jistu, Judô e Karatê


Querido diário:

Pensei que poderia lutar jiu-jitsu, judô ou karatê, circulando, as it were, entre as faixas:

Jiu-Jitsu
Branca, Azul, Roxa, Marron e Preta

Faixas do Judô
Branca, Cinza, Azul, Amarela, Laranja, Verde, Roxa, Marrom e Preta

Faixas do Karatê
Branca, Azul, Amarela, Laranja, Verde, Roxa, Marrom e Preta.

Cansei-me e nada fiz. A não ser evocar os sabores fundamentais, de que falo aqui volta e meia, e que, para minha surpresa nesta era de modernidades mutantes radicais e cosméticas. No caso, é cosmética, ainda que cheiro seja outra categoria:

SABORES
Bitter (caffeine)
Sweet (sucrose)
Salty (sodium chloride)
Sour (citric acid.

Cansei e nada provei.

DdAB

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Negro de Primeira Linha


Querido diário:
As pernas, pelo menos, existem nas cores branca preta e amarela: pelo menos é o que nos informa a terceira estrofe do Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade. Em compensação, fez-se uma grande farra quando um ministro do supremo tribunal (R$ 30mil, fora as vantagens) referiu-se ao negro Joaquim Barbosa, ex-potentado daquele troço, como um negro de primeira linha.
Como sabemos, as linhas se dividem em primeira linha e demais linhas. de sua parte, as cores das pessoas podem associar-se com as brancas, as pretas e as amarelas. Se um cara chama outro de negro de primeira linha e em seguida pede desculpas é que ele ou acha que o objeto de sua atenção é branco ou amarelo, ou ainda, que ele não é das demais linhas. De minha parte, acho não haver nada de errado com qualquer linha e qualquer cor. E, se me dirigir a alguém como branco, preto ou amarelo, o máximo que podemos discutir é se negro é raça ou cor, se branco ou amarelo são raças ou cores. E o que é raça. Preocupa-me mais a minha gente que é reaça.

DdAB
Poema de sete faces
Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Poesia”, livro de 1930 (retirado de http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm1.html)

E lá:

A história é longa: andei sugerindo que, sempre que o supremo tem decisões vencidas pelo escore de 6x5, os cinco derrotados devem ser postos pra rua e eleitos outros cinco, até que cheguem a um consenso sobre como se defende a constituição, pois dificilmente poderemos conceber 11 maneiras diferentes de fazê-lo. Por outro lado, andei lendo o poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado "Poema de Sete Faces", quando ele fala em "pernas brancas, pretas, amarelas". Isto significa -pensei- que as cores das gentes também podem ser brancas, pretas e amarelas.
Precisamente seguindo esta linha de pensamento é que fiquei estupefato quando um dos ministros classificou outro, aposentado, de negro de primeira linha. Aí fiz algumas reflexões no blog, aproveitando para citar ipsis litteris o poema caandrade.


E de volta cá: Caandrade? Clique aqui.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Emprego no Governo: Érico + Graciliano


Querido diário:

Eu queria ter obtido uma foto mostrando a amizade Érico-Graciliano, parece que já vi numa reunião da União Brasileira de Escritores, algo assim, mas não lembro onde (parece que é de Shakespeare a constatação de que "true love never runs smooth"). Não achei no Google Images. É que aqui mesmo já falei de uma das manifestações mais regulares de meu TOC:

.a. ler Érico Veríssimo (um mesmo conjunto de obras, não todas) nos outonos

.b. ler Graciliano Ramos sempre que me der vontade, que der saudades daquelas tramas cerebrais e daquela escrita impecável.

Pois neste outono, estou relendo (já no terceiro volume) o terceiro tomo de O Arquipélago. E, por coincidência, também neste outono, estou fazendo o mesmo com Caetés.

Pois bem: Graciliano é mais velho, Caetés é mais velho e lemos na página 111, quando João Valério ouve a pergunta de Nazaré e prossegue narrando o diálogo:

   -Já sabe? O Xavier foi demitido.
   -Que está dizendo? Isso pode ser? Um funcionário que vem da mnoarquia! Que horror!
   E falei em Xavier filho, há muito tempo estudante de medicina. Luta desesperadamente e não consegue terminar o curso.
   -Que miséria!
   -É verdade, prosseguiu Nazaré. O Evaristo embirrou com ele, e com razão. Tiraram-lhe o emprego.
   -Que razão! Pense na família do Xavier. Mais de dez filhos! Bandalheira.
   -Mais de dez filhos, é exato. Quanto a isto ninguém tem culpa, que a filharada foi ele que fez, ou alguém por ele. Era necessário colocar na Secretaria da Prefeitura um sobrinho do Evaristo.
   -Outro? Deve ser como o promotor. Boa amostra.
[...]

Então era um emprego para um parente? Nepotismo. Então: Érico é mais novo que Graciliano, O Tempo e o Vento é mais novo que Caetés e lemos na página 156, numa daquelas rodas de discussão entre o Dr. Rodrigo, à beira da morte, e o estancieiro Terêncio, que diz:

Jamais se roubou tanto e tão descaradamente nas esferas governamentais do Brasil como na era getuliana, em que imperou, como nunca em toda a nossa história, o empreguismo, o nepotismo, a advocacia administrativa, o peculato, o suborno, a malversação de fundos públicos... 
[reticências no original e itálico de DdAB]

De repente, em minha propaganda pela sociedade igualitária, caiu outra ficha, uma vez que:

.a. na sociedade igualitária, tem empregos para todos

.b. o setor de mercado da agregação das preferências sociais é incapaz de gerar empregos para todos, pois uma das leis imanentes do capitalismo é a transformação de trabalho vivo em trabalho morto

.c. então resta ao governo gerar estes empregos que os srs. Evaristo e Terêncio jogam na parada.

Evaristo cria emprego para um parente, à custa de um funcionário cumpridor de suas obrigações. Terêncio critica o governo Vargas.

Qual é a solução? Parece óbvio: é preciso que o governo acolha todos os cidadãos que não têm empregos no mercado de trabalho. Deixá-los à míngua? Os dez filhos do sr. Xavier? A turma do Catete e seus aparentados? É preciso democratizar o emprego, ainda que pagando a essa turma do governo, digamos, no Serviço Municipal, menos que ganhariam se estivessem no setor de mercado.

DdAB
Meu Érico Veríssimo:
.a. Clarissa (1933)
.b. Música ao Longe (1935)
.c. Caminhos Cruzados (1935)
.d. Um Lugar ao Sol (1936).
.e. Olhai os Lírios do Campo (1938)
.f. O Resto é Silêncio (1943).
.g. O Tempo e o Vento (1949-62)
     ** O Continente
     ** O Retrato
     ** O Arquipélago
.h. O Senhor Embaixador (1965)
.i. Incidente em Antares (1971).
[Fora os livros de viagem, que também adoro]

Meu Graciliano Ramos:
.a. Caetés (1933)
.b. S. Bernardo (1934)
.c. Angústia (1936)
.d. Vidas Secas (1938)
.e. Infância (1945)
.f. Insônia (1947)
.g. Memórias do Cárcere (1953).

De repente, caiu-me a ficha: a única chance que temos de impedir os políticos de cultivarem o nepotismo é oferecer emprego público para todos os interessados. E ter um leque salarial estreito, sem os disparates de R$ 1.000 para uns e R$ 400.000 para outros.
O prof. Conrado comentou. E eu escrevi: grato pela atenção e silêncio (hahaha). Talvez o livro que mais reli em minha existência tenha sido "O Senhor Embaixador". E gosto de relê-lo, com certo diferimento no tempo. Se bem lembro, a primeira leitura foi lá por 1968. Depois, digamos, em 1975 li pela segunda vez e extasiei-me, especialmente por lembrar da leitura anterior, evocar momentos daqueles tempos e aprender desdobramentos que me fugiram na primeira. Depois, como não poderia deixar de ser, os acontecimentos se sucederam... E, neles envolto, creio que voltei a ler "O Senhor Embaixador" apenas em 2008. E foi por essa época que o TOC me garrou de vez. Então reli no outono-inverno de 2014 e novamente, pingando o ponto final na leitura em 20/jun/2016, com a anotação "madrugada fria de segunda-feira".

E acrescento: Érico Veríssimo voltou a minha vida depois de 2001, meses depois do retorno de minha segunda viagem aos Estados Unidos. Voltei com ganas de reler "Gato Preto em Campo de Neve", que lera, digamos, em 1965 ou 1966 e amara, e lembro de uma referência de Érico à visita que fez à Fundação Rockefeller, testemunhando a efervescência da vida dos estudantes estrangeiros bolsistas. Naquele tempo, pensei que adoraria estudar no exterior (Reino Unido). E agora calculo que o fiz em pouco mais de dez anos após aqueles desejos.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Virtudes Intelectuais Vitais Aristotélicas


Querido diário:

Diz-nos Cecile Soriano:

Em uma de suas obras principais, Ética a Nicômaco, Aristóteles considera a técnica como umas das cinco virtudes intelectuais vitais para que o ser humano atinja a verdade, a saber: techné, epistemé, phronese, sophia e noûs (ARISTÓTELES, 2001; EN, 1139B15).

A técnica (Techné) é a virtude do “reto saber fazer” e não difere muito da perspectiva de Platão. O conhecimento científico (Epistemé) é o conhecimento imutável e possível de ser demonstrável e comunicável mediante o ensino e difere de techné porque esta possui viés prático e não teórico. Na techné a ênfase é o produto e o valor predicado a ele. A prudência (Phronesis) é a virtude do “saber agir”; o entendimento (Noûs) é responsável por aprender os primeiros princípios do conhecimento científico; e a sabedoria (Sophia) que envolve o existente entre o conhecimento científico e o entendimento. 
E que mais poderia dizer eu myself?

DdAB

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Beatles, Berni e Bouquiniste


Querido diário:

Não são poucos meus entrecruzamentos com os Beatles. Mas esta é a primeira vez que fico entre eles e a Livraria Bouquiniste (Rua André Puente, 357, em Porto Alegre). A primeira audiçã devo a minha irmã. Às primeiras danças, fechou-se a infança. Depois veio Sgt. Pepper's Lonely Hart Club Band, mas não foi imediato. Daquele 1o. de junho de 1967 (eu estaria prestes a fazer meu primeiro vestibular para o curso de arquitetura. Arquitetura? Uma sequência de -sei lá- umas dez reprovações no 'vestiba', um dia conto o final) até, digamos, a aquisição do disco no segundo semestre, em curta estada como vice-auxiliar-de-escriturário no Banco Agrícola Mercantil, talvez já incorporado pelo até hoje conhecido Unibanco/s. No capitalismo, tudo vira mercadoria, então comprei e paguei o disco a um colega do banco, cujo apelido era Alemãozinho, que também podia ser um descritor de meu fenótipo.

Ato contínuo (pero no mucho) vi-me como que dividindo o palco com Paul McCartney, em um seminário que apresentei em Floripa/UFSC e ele -Paul- um show na quarta-feira, 25 de abril de 2012, muito concorrido, tomando o Estádio da Ressacada. Até hoje não foram liberadas as comparações entre o número de ouvintes de um e outro eventos. De minha parte, garanto que minhas diatribes contra o neo-desenvolvimentismo e o fetiche da industrialização como setor chave para o alcance do desenvolvimento econômico e da sociedade igualitária deixaram a semente n'algum canto do jardim, dos jardins pantanosos do campus da UFSC, mais perto do Centro Sócio-Econômico que da reitoria...

Mais perto daquela memorável noite florianopolitana, hoje mesmo, na tarde de hoje, haverá outra conjunção entre as ações de minha vidinha e a trajetória da humanidade, as a whole. É que vou apresentar um seminário intitulado "Ulysses 22-96" na Livraria Bouquiniste (André Puente, 357). Hoje, hoje, hoje, hoje: 50 anos do lançamento do disco, it was twenty years ago today, ou seja, pela aritmética, 20 + 50 aproximadamente igual a 70. Em outras palavras, em poucas semanas, completo meus 70. E disseram que os rapazes de Liverpool viriam para tocar na reunião dançante que fiz (eles não aparareceram) da festa dos 20. Então trata-se mesmo de caminhos cruzados, com longos trechos em paralelo. James Joyce caprichou na concepção de seu Ulysses. E eu capricharei na exposição de alguns meandros encontrados ao longo da estrada real, a que leva ao conhecimento supremo que a humanidade pode alcançar. Se é que já não me perdi neles.

DdAB

DdAB

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ulysses 22-96


Querido diário:

Já foi ouvido e comentado que amanhã entro em campo às 16h30 para falar sobre a primeira sentença de "Ulysses", de James Joyce? Explicarei por que sou especialista apenas nesta frase, pois não consegui ler o resto do livro!

DdAB

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Diretas Já: dejà vu pra nóis se rebelá


Querido diário:

Tem hoje em dia uma palavra de ordem que requer minha rebelião. "Diretas Já", no tempo da ditadura, com a candidatura de Paulo Maluf, essas coisas, era uma coisa. Hoje, pedir diretas já, com essa composição da câmara dos deputados em que 367 fizeram declarações escalafobéticas que os levaram a aprovar a instauração do processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Se capássemos um por dia num ano bissexto, como foi o caso em 2016, ainda sobraria um para o primeiro de janeiro do ano corrente!

Pois houve 137 votos contra o processo. E esses 137 também contam com um subconjunto de mediocridade desabotinada.

Então temos possibilidades de mudar a constituição para abrigar as diretas já ou manter a constituição e ter indiretas já. Em qualquer caso, a corja é a mesma, esses 367 e os 137, fora outros encantadores de portadores de falsa-consciência [1], perfazendo os 513 rapazes e 'gals'. Não é brinquedo?

Então, lembram do que falei sobre o plebiscito das armas? Sou contra perguntar, sou contra portar armas e sou contra proibir armas. Sou contra o governo.

E sobre o impeachment? Sou contra o impeachment e contra o governo.

E agora? Sou contra eleições diretas e contra eleições indiretas. Sou contra o Michel Temer.

Eleições hoje, amanhã ou depois? Com o voto obrigatório, com o voto proporcional puro, sem parlamentarismo? O voto tem que ser periódico! Parece que nós, the left, nunca aprenderemos. O que deveríamos fazer era mesmo agir em dois fronts:

.a buscar um programa comum
.b meter o pé-no-barro (como li uma conclamação de Rosana Pinheiro-Machado há uns bons meses).

Minha proposta para unir a esquerda -e que já mostrou uma boa meia dúzia de simpatizantes e outra boa meia dúzia de antagonistas, é:

.a luta pela implantação do governo mundial
.b voto universal, secreto, facultativo, periódico e distrital
.c república parlamentarista.

Sobre meu pé no barro: faço o que posso. Mas posso ser convencido a fazer mais.

DdAB
Lá em riba, vemos o Carequinha, em homenagem que faço a ele mesmo, a mim mesmo e ao Raul Seixas mesmo ("um palhaço que come lixo", e queremos pedir-lhe que vote!).

[1] Ver Corina Dick no Facebookde 24 de maio corrente, às 22h24min:
Dissonância cognitiva: quando existe uma incoerência entre as atitudes ou comportamentos que acredita ser o certo com o que é realmente praticado... Ou seja, favor aliar seu discurso à prática. Facilita a vida e, melhor ainda, facilita a leitura facebookiana... Porque é difícil entender o que as pessoas esperam de uma nação em colapso, de um povo sofrido e abusado e... É difícil entender o que as pessoas entendem por VANDALISMO. Eu tenho assistido um vandalismo "institucional" que tem me envergonhado imensamente. Este "vandalismo" é o que me fere. As manifestações são pacíficas perto da barbárie a que somos submetidos. Pensem nisso!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Desprezo ao Neoclacissismo


Querido diário:

Primeiramente, fora Temer! Em segundo lugar, gente que muito prezo e muito, muitíssimo qualificada, tachou-me um par de décadas atrás de ser um neoclássico de esquerda. Anos depois, ouvi de um ex-aluno dileto no primeiro semestre da faculdade e intelectual politicamente ativo a frase: "quem, senão o Duilio, iria ensinar 'marginal' e 'mais-valia'"? Frase curta que penso ter feito a melhor radiografia de minha própria vida intelectual enquanto economista.

Tive dois grandes mestres a ajudar-me a equacionar essa questão de

.a entender o funcionamento e a evolução dos modos de produção nas sociedades humanas
.b contribuir para sua regulamentação, buscando a maior eficiência (produtiva, alocativa e distributiva) possível.

Escrevi no próprio blog em 22 de julho de 2015:

O primeiro artigo é de Oskar Lange:

HOROWITZ, David, org. (1972) A economia moderna e o marxismo. Rio de Janeiro: Zahar. p.66-83. Reproduzido da Review of Economic Studies, junho de 1935.

E o segundo é:

WORLAND, Stephen T. (1972) Radical Political Economics as a Scientific Revolution. Southern Economic Journal, v.39 n.2 October. 

E daí que, quando vejo a nova forma de discriminação de preço na indústria de transporte de passageiros por avião, quando se abandona o princípio da formação do preço do carregamento de bagagem pelo custo médio e passa-se a cobrar pelo custo marginal, ou o que o valha, pareceria estarmos buscando eficiência alocativa. Mas o que estamos vendo é nova manobra monopolística, assessorada pelo próprio órgão governamental que deveria regular e tributar os lucros extraordinários.

E a diferença entre custo privado e custo social? Parece que estes conceitos são dados no primeiro dia de aula da faculdade de economia e, se não o for, devem ser dados quando se estuda, lá pelo quilômetro 5 ou 6 de um curso elementar de microeconomia, a teoria dos custos. E qual a relevância disto para um neoclássico de esquerda? É termos presente, por exemplo, no estudo do funcionamento do mercado de trabalho, que quanto menos emprego -mantido o mesmo nível de produção- melhor. E que, quando se fala em 'gerar emprego e renda', o que se está fazendo é passar adiante um discurso reacionário, pois estas duas variáveis econômicas não estão ligadas: o bebê de qualquer porte não tem emprego e absorve parte do valor adicionado. E o velhinho dos ricos também: come, bebe e dorme, mas não trabalha.

DdAB
Eficiência alocativa - quando o custo marginal é nulo, quero dizer, é igual ao preço.
Eficiência produtiva - quando o custo médio é mínimo.
Eficiência distributiva - quando o custo médio é igual à receita média, ou seja, o lucro extraordinário é nulo.
Existe alguma estrutura de mercado teórica que autoriza este alcance simultâneo de eficiência? Teórica, sim, prática, provavelmente, não, e é a concorrência perfeita (e até mesmo a pura). E qual a diferença entre concorrência pura e a perfeita? O grau de informação disponível pelos agentes ser parcial ou total.
E toda a macacada dos economistas de esquerda sabe isto? Estou praticamente certo de que não sabe, não!

Olha só: escrevi aqui no blog e fui ao Facebook de 26/maio sexta-feira tipo 10h00. Lá recebi o seguinte comentário do prof. Hélio Henkin:
Duilio De Avila Berni, não sei se não captei algo, ou se tu estavas falando de produtos cujo custo marginal é zero ou tendem a zero, mas creio que no texto do blog acima citado a condição de eficiência alocativa deveria ser "disposição a pagar por uma unidade do produto ou preço devem ser iguais ao custo marginal" e não que "custo marginal=zero". (Pode ser também que o meu trabalho atual de gestão orçamentário-financeira-administrativa esteja me atrapalhando no raciocínio microeconômico.....hehehehe) Aproveito para indagar se o teu neoclassicismo de esquerda consideraria a eficiência inovativa........(provocações de um shumpeteriano social democrata...hehehe).

E respondi assim:
Obrigado, Hélio: leitura atenta leva a diagnóstico de erros. Falei mesmo aquilo de CMg = 0, quando queria dizer CMg = preço, ou, para usar tuas palavras, "disposição a pagar por uma unidade do produto ou preço devem ser iguais ao custo marginal". Para simplificar a exposição de Frederick Scherer, seleciono apenas estas três situações ilustradas por aquele desenho tradicional do equilíbrio de longo prazo na concorrência pura. Mas claro que, quando chamado às falas, vou logo acrescentando que, ao falar em eficiência produtiva, estou pensando num ambiente dinâmico em que as empresas que não inovarem ficarão para traś. Diria o velhinho da mais-valia: produzirão a um preço menor que o valor, cedendo a liderança a outras mais eficientes inovativamente.

Vou já pra lá no blog arrumar este erro que juro ser apenas desatenção, mas não falta de compreensão da relação entre disposição a pagar e o custo de obtenção da unidade adicional do produto.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Um, Dois, Três, Todos no Xadrez


Querido diário:

UM
Governo: "Aprova o ato adicional que instituiu o parlamentarismo?"
Povo: "Com o lápis na mão, vamos dizer que não, não e não."
Era um tempo diferente, Jânio Pictures renunciara, Jango Cambará fora impedido de assumir a presidência da república, pelo que sei, por ter bebido cerveja no penico de um bordel na cidade de São Borja (afinal, se o capitão e o doutor Rodrigos Cambarás o fizeram no vizinho município de Santa Fé, qual o constrangimento?). Achou-se que a solução seria manter Jango como presidente, estilo "rainha da Inglaterra", mas dar o governo a Tancredo Snower, nosso primeiro primeiro ministro dos tempos modernos. [Ver minha opinião no capítulo TRÊS].

DOIS
A Sucessão de Emílio Garrastazu Médici
Mesmo sabedores que o computador estava cansado com os erros que cometia sucessivamente, inclusive ao apontar Emílio como candidato dos militares para representar a junta governante, o povo brasileiro voltamos a consultá-lo, tendo como resposta: "Honesto não tem, mas por aproximação podemos procurar um Ernesto", quando a plutocracia autóctone, atuando no congresso nacional, elegeu Ernesto Chiru Geisel.

TRÊS
Parlamentarismo Já
Como não querer parlamentarismo? Tem gente que acha que o parlamentarismo seria implantado para tirar Lula. Eu acho que era para botar Tancredo. E acho que, se tivéssemos conseguido alguma aura luminosa a nos inspirar e criado o parlamentarismo lá no calhamaço de 1988, poderíamos ter tido três governos FHC, sem compra de deputados, quatro de Lula sem ter sacrificado a presidenta Dilma e uns 25 de Aécio Snowing, que os infernos o traguem.

Quando, em 2015, começou-se a falar mais insistentemente no impeachment da presidenta Dilma, tudo instigado pelo senador Aécio Melting, passei a usar a seguinte consigna: "Sou contra o governo e também contra o impeachment". Achava que abalos institucionais não se resolviam com maiores abalos institucionais. Agora acho o mesmo: o presidente é ladrão, remove-o, bota quem está na linha sucessória apontada pelo calhamaço de 1988, muda o regime e já joga o país nos braços tépidos e eficazes do parlamentarismo. E, aparentemente é o caso, devemos cuidar para não colocar nesse mandato tampão de presidente da república até a eleição do final do próximo ano

QUATRO
Tá derretendo, sô
De que forma fui capaz de conceder, no capítulo TRÊS 25 mandatos de premier a para o senador Aécio Melting? Resposta: lembrei que "no capitalismo, tudo vira mercadoria, inclusive a honra". Ele iria comprar até seu finado tio.

QUINTO
O clube do lugar comum
Todos sabem do apreço que nutro pelo jornal Zero Hora, tão, mas tão íntimo me sinto a ele que costumo cognominá-lo de Zero Herra, Zerro Herra, Zero Burra e até Zero Hurra. Tem pobrema de tudo que é geito e um dos que mais me fere remete aos lugares-comuns praticados aqui e ali, mas centrados na coluna antiquíssima que trata de temas econômicos. Pois hoje tem um característico do pobrema que refiro:

Fome de lucro
Hamburgueria de Porto Alegre apimenta o molho do faturamento
Entre janeiro e abril, negócio lucrou 90% a mais do que no mesmo período de 2016*
*
[o site é misterioso, troquei pela digitação de toda notícia da página 17 de meu jornal]

MOLHO NO FATURAMENTO
   A Mark Hamburgueria, de Porto Alegre, colocou molho no faturamento entre janeiro e abril, quando abocanhou cerca de R$ 300 mil, alta aproximada de 90% em relação ao mesmo período de 2016. Dono do negócio -gerencia e cozinha-, o chef Mark Bandeira lembra que, quando sua hamburgueria foi inaugurada, em outubro de 2014, havia outras três na cidade. Hoje, diz, o número engordou para cerca de 20.
   -Foi um tiro certo. As pessoas criaram o hábito de jantar em hamburguerias - afirma.

SEXTO
E assim caminha a humanidade. E até parece mesmo, dados meus recorrentes anglicismos nesta postagem, que o título em inglês também é super válido: Gone with the wind.

DdAB
Fonte da foto e de parte da notícia do capítulo QUATRO está aqui. É ou não é um dia apropriado para o consumo de pizzas, hamburgers e mesmo -como nos será empurrado goela abaixo- humbugs (farsas, empulhação). E pra deixar a negadinha confusa, parece que o editorial do combativo newspaper também proclama o parlamentarismo como solução, nem li. Azar.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Os Moros (pai e filho) e a Bola Fora (só minha)

Querido diário:

Minha postagem de ontem aqui e chamada para o Facebook deu o que falar, colocando-me numa situação embaraçosa. Fiz e recebi alguns comentários que transcrevo:

Duilio De Avila Berni Esta certidão veio do mural de Conrado Abreu Chagas. Lá escrevi: Olha, isto é tão escalafobético que nem posso acreditar. Seja como for, com este aviso de alerta, vou compartilhar.
Duilio De Avila Berni Fiquei tão estupefato com essa notícia como me chegou que não aguentei e, para poder recuperá-la, que não sei fazer isto aqui no Facebook, decidi postar isto:
http://19duilio47.blogspot.com.br/.../so-pode-ser...
Josevaldo Duarte Gueiros Duilio, esse é outro.
Ricardo Holz Minha recomendacao:
A imagem pode conter: bebida
Duilio De Avila Berni Ótimo ponto, Ricardo! Parece que dei um tiro nágua. A cautela, despida de álcool, é insuficiente, nos dias que correm!
Duilio De Avila Berni Digo o mesmo que falei para Ricardo agora ao Josevaldo!
Ricardo Holz Este da foto esta a venda, mestre. Preco especial
Paulo Roberto Nunes Ferreira Olá, professor. O juiz da Justiça Federal que julga acusações da Lava Jato se chama Sérgio Fernando Moro
Duilio De Avila Berni Então o negócio em que me envolvi é ainda pior que fakenews, pois aparenta seriedade. E o pior é que eu já ouvira falar nisso.
Edward Neves Monteiro De Barros Guimarães Não pode ser verdade... Ele no partido do Aécio e do Dória? Isso deve ser montagem do "Lula", perseguição dos "petralhas". Ele é neutro como a "escola sem partido"... Ele trata todo mundo igual perante a lei. O Sergio Roberto Moro deve ser muito amigo do famoso Juiz Sérgio Moro... Será que são irmãos gêmeos?
Duilio De Avila Berni Oi, Edward: mantenho minha posição anterior: é incontestável que o cachorro do juiz é do PSDB, hahaha.
Ricardo Holz House of Cards respira
Ricardo Holz A imagem pode conter: 3 pessoas, texto
Ricardo Holz A imagem pode conter: texto
Ricardo Holz Bom dia, professor!
Duilio De Avila Berni Ok, ok. Vamos à segunda garrafa!
Carlos Paiva Este é o pai dele! Ele foi fundador do PSDB no Paraná. A esposa foi assessora do PSDB. E ele é amigo do Aécio e do Dória. Só isso. Mas ele mesmo é totalmente apartidário. São coincidências e o povo sai falando mal.
Duilio De Avila Berni É, meu!, fakenews engana mesmo os melhores detetives...
Sonia Unikowsky Teruchkin Confusão de nomes Duilio De Avila Berni De AvilaBerni https/www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=/amp/www.e-farsas.com/o-juiz-sergio-moro-e-filiado-ao-psdb-do-parana.html/amp&ved=0ahUKEwiLl_f_tPTTAhXDSSYKHUI7AGUQFggoMAE&usg=AFQjCNGOAaOdBd7SJXbybFooxAZU0bmnMA&sig2=5NzOk1_qpn4mwtKgj8Fu0g
Duilio De Avila Berni Obrigado, Sônia. Cautela e caldo de galinha...
Marilia Verissimo Veronese Não é ele, ´e o pai, né?
Duilio De Avila Berni Vim a saber ser mesmo o pai dele. Ou será outra fakenews? Mas confirmo que o cachorro dele foi flagrado numa reunião do PSDB, hahaha.
Carlos Paiva É o pai sim.
Paulo Alexandre Spohr Caro colega Duilîo você tem conhecimento suficiente para saber que nenhum juiz tem filiação partidária. Um Dr. esclarecido não deveria contribuir para propagar mentiras. Não te parece?
Duilio De Avila Berni Claro que me parece, Paulo. Seja como for, arrojado por arrojado, meu erro pode até ser comparado com tua pressa em valorizar-lhe a falha: não leste minha retratação lá em cima. E por que não o fizeste? Atrevo-me a responder: parece que te choca ver colegas rezando por uma cartilha essencialmente diversa da tua e, especialmente, sendo de esquerda.
Sigamos analisando as burradas recíprocas, Paulol. Ainda estou em dúvida se leste o que escrevi. O fato concreto é que nunca afirmei que em 1999 o filho do homônimo fosse fosse juiz. Afirmei?
E fazendo blague com teu elogio (?) a minha titulação, não sou doutor, mas doctor of philosophy.
Ricardo Holz Nao era PhD em artes?
Duilio De Avila Berni Não, Ricardo, aquilo era do mestrado: Magister in Artibus, ou master of arts, ou ainda, M.A.
Ricardo Holz 👍
Jonas Moreira Tal pai tal filho...
Duilio De Avila Berni Genial, Jonas. Teríamos que ver o que meu ex-aluno e ex-colega de UFRGS , o prof. Paulo Alexandre Spohr pensa deste inarredável condicionamento genético.
Paulo Alexandre Spohr Duilîo, desculpe, nunca fui teu aluno, fomos contemporâneos de UFRGS.
Duilio De Avila Berni Nem na disciplina de montagem do projeto de mestrado em 1978 ou 1979, Paulo? Ingrato!
Carlos Sérgio Rota Pequenas confusões,,,,ou,,,,premeditado...
Descoberto o "fora", achei que meus reparos nos comentários não seriam suficientes para alertar minha turma. E fiz uma postagem independente:

DEPOIS DE TODOS OS COMENTÁRIOS QUE ACABAMOS DE VER, FIZ UMA NOVA POSTAGEM:
Minha gente: aquela postagem que fiz às 23h40min de ontem em meu blog e aqui no FB sobre a estupefaciente notícia de que Sérgio Moro fora do PSDB mostrou:
.a que não fui capaz de investigar suficientemente o tema, mas que fiquei chocado, lá isso fiquei. Um juiz, claro, não pode ser julgado pelos valores de seu pai. E nem podemos provar que pais influenciam filhos. Mas que fiquei, fiquei!
.b isto não me impede, obviamente, de achar que o juiz Moro é um enviesado, age apressado e comete erros, muitos deles avalizados pela tal segunda turma.
.c recebi uma meia dúzia de comentários, um ou outro de teor mais acusatório que considero sensato, especialmente se esse um ou outro usa meu erro como um sinal de fraqueza em minha postura esquerdista. Houve, felizmente, um ou outro comentário brincalhão e um ou outro comentário de amigos/as queridos/as chamando minha atenção para minha mancada.
Que mais posso dizer, a não ser recomendar que leiam meu blog? Digo tchau!

E os comentários a ela:
Ricardo Holz Peço desculpas.
E digo mais: vamos tomar um whisky?
Duilio De Avila Berni Querido amigo! Não deves pedir desculpas. Estás na parte: "Houve, felizmente, um ou outro comentário brincalhão e um ou outro comentário de amigos/as queridos/as chamando minha atenção para minha mancada."
Ricardo Holz E o whisky?
Duilio De Avila Berni Primeiro: acho mais sensato usarmos cerveja, pois os distribuidores do produto estão cada vez mais refinados. Segundo: acho que tem que ser pra já! Sugiro que dês as primeiras coordenadas.
Maria Susana Bighelini
Duilio De Avila Berni Obrigado, querida! É uma lição para nós todos/as, prática que, aliás, certamente exerces em nossa maviosa cidade!

DdAB

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Só Pode Ser Fakenews: "Juiz Moro" é oximoro!


Querido diário:

A vida no Facebook tem lá das suas! Hoje vi uma piada no mural de minha amiga Veleda Fisch: Freud comentando o dia das mães dizia algo como: "amar sua mãe é nunca esquecer de levar um casaquinho ao sair de casa". E depois vi, no mural de Conrado de Abreu Chagas o atestado que nos encima.

Parece fakenews, não é mesmo? Eu sempre ouvi dizer que o cachorro de Moro é que era do PSDB e agora vejo que não era verdade. O dono do canino é que era, é que foi, que fora. Que fora! Como poderei saber a verdade, sem ser jornalista nem policial? Neste caso, também teria que contratar um detetive particular para saber sobre aquelas acusações de arquivamento de um processo de remessa ilegal de dinheiro ao exterior.

Só bebendo, o que vou fazer imediatamente, pois não quero beber na terça-feira, o que me exige ser rápido para aproveitar o dia que agora se encerra.

DdAB
Sérgio Moro, "Juiz Moro" é oximoro.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tecnicalidade sobre a Sem-vergonhice


Querido diário:

Meu telefone celular tinha o prefixo 8, indicando que a vendedora dos serviços era a empresa Oi (que o inferno a trague). Com a inteligente mudança de colocarmos o dígito 9 na frente de todos os demais, passei, logicamente, a iniciar a enorme digitação com 99. É que há anos troquei outra telefônica de envergonhar o país, passando a Oi, de sorte que, ao invés daquele 99, devo discar 98. Por quê a ligação, para mim, de um telefone da Oi para outro da Oi deve custar menos?

A única explicação lógica, fora da outra de até maior lógica, a saber, o poder de monopólio conferido pelo governo, é que o custo marginal de uma ligação para a outra dentro da própria telefônica é baixíssimo ou mesmo provavelmente nulo.

Mas a hipótese da prática de preços monopolísticos por parte desta e das demais telefônicas fica fortalecida, quando consideramos que outros serviços de espantosa banalidade são cobrados. Por exemplo, e este é um exemplo devastador para uma certa via de esquerda, quando a telefônica era propriedade do governo do RGS, cobrava-se até de um ponto de linha telefônica adicional dentro de casa. Como sabemos, ou até foram eles mesmos que nos ensinaram a mandar o setor privado colocar a linha, digamos, do quarto para a sala, o custo marginal de fazer uma ligação pelo telefone n. 2 é praticamente ou efetivamente nulo.

Ok, ok, temos preços de monopólio e eles são inevitáveis tanto com a administração governamental quanto com os serviços privados. Mas a questão revolucionária volta a se colocar: que fazer com os lucros extraordinários resultantes do exercício do poder de monopólio? E a resposta reacionária dada pelos governantes do Brasil é: deixa como está.

DdAB

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Como poderia dar certo?


Querido diário:

Um país pode dar certo ou dar errado. Acemoglu e Robinson ("Por que as nações fracassam") falam em instituições políticas e econômicas inclusivas ou extrativistas, requerendo também a destruição criativa de que nos fala Schumpeter (novos produtos ou novos processos arrasando práticas ou hábitos anteriores).

Eu vejo o mundo a partir de meu umbigo, claro. Mas não apenas dele, óbvio. Minha principal fonte para ficar ao par do que vai pelo mundo (Art Filmes...) é, de manhã, ler o jornal, de noite, os jornais da internet e - por pura ironia - o que melhor me serve é o El País em português. Às vezes, olho o Washington Post, o Guardian e a Economist.

Pois hoje, há duas notícias que, conjugadas, deixam-me aturdido. Nem estou falando no ponto de vista de direita que percola todo noticiário do depoimento de Lula para Moro. Falo da página 6 da Zero Herra, falo da cronista Rosane de Oliveira, falo de um drops como segue:

NA MOITA
   Um mês depois de o PDT aprovar a saída do governo Sartori, os filiados que ocupam cargos de confiança nos escalões inferiores seguem na moita|: ninguém pediu demissão. Até os coordenadores regionais de educação seguem nos postos.
   O PMDB e os demais partidos aliados que seguem com o ônus de ser governo não aceitam que o PDT decida ser oposição sem abrir mão do bônus.

Não é crível que se pense nestas linha, em um país cuja infração sistemática ao item "os cargos públicos serão abertos a todos" da definição de sociedade justa de John Rawls. A jornalista Rosane de Oliveira dá um tom e teor a sua notícia que parece que o comportamento mais natural do mundo é mesmo a troca de cargos na administração pública por apoio parlamentar. Obviamente, estamos falando de instituições distorcivas (extrativistas), maculando tanto a democracia quanto a qualidade da administração pública. Digamos que um daqueles detentores de CC fosse competente (o que me surpreenderia, pois -se o fossem- não estaríamos no mesmo desvão de baixa produtividade), então seria defensável retirá-lo do cargo? Quem deveria surgir em primeiro lugar, o emprego de partidários ou a eficiência do trabalhador?

O inferno é infinito, como dizíamos em Jaguari. Como tal, a página 10 está falando que aquela psicopatia dos governantes gaúchos quer prender e arrebentar a administração indireta estadual. Mas a constituição do estado requer a realização de plebiscitos, buscando auscultar as preferências do eleitorado em meia dúzia de assuntos. O governo tentou fazer uma lei mudando a constituição, sei lá em detalhe, na tentativa de contornar esse "auscultar". Digamos que estivéssemos no caminho certo quando o governo deu-se conta de que o melhor mesmo seria cumprir a constituição estadual e não dar-lhe um golpe com novas iniciativas legislativas que viessem a burlar aquele "auscultar". Neste caso, para o plebiscito, passou-se a discutir se o voto deveria ser obrigatório ou facultativo. Do jeito que vejo o mundo, o voto deveria ser facultativo, pois quem quer votar vota e quem não quer votar não vota: Rawls novamente - todos terão direito à maior liberdade possível compatível com a dos demais. Não vejo, como tal, de que jeito meu voto (presente ou ausente) pode prejudicar o bem-estar do governador Sartori ou de meu vizinho de estacionamento na garagem do centro da cidade, ou de quem mais lá seja. Parece que a dupla falha da turma reside no seguinte parágrafo dessa desditada página 10:

   Interlocutores do Palácio Piratini vinham trabalhando com a hipótese de que a consulta seria facultativa, porque 2017 é ano não eleitoral. O entendimento era de que, sem a exigência de comparecimento às urnas, aumentaria a probabilidade de que entidades de classe contrários à privatização dominassem a votação.

Segue-se logicamente que o que interessa não é eficiência do funcionário público nem o desejo de ouvir o que a população acha sobre a iniciativa do governo. O que interessa é, num caso, agradar aos partidos aliados e, no outro, anular a possível mobilização das entidades de classe.

Tá ou não está explicado que tipo de gente nos fixa tão rigidamente nas cadeias do inferno? Como é que um país com políticos desta estirpe pode fazer para dar certo? (Resposta no item .b no que segue).

É por isso que:

.a eu bebo e

.b eu penso que a saída não é tão simples quanto pensar apenas em educação para o povo. Acho que também cada vez mais se mostra importante formarmos uma rede de esgotos: saneamento para tudo quanto é dejeto -humano ou não- que infesta o país.

DdAB
P.S. Com educação, serão criados empregos para neguinhos alfabetizados, limpinhos e cheirosos, ao passo que, com a criação de esgotos, serão empregados os analfabetos, os desdentados, os despossuidores de máquinas de lavar roupa e que, como tal, exibem aquele característico cheiro de roupa suja.

sábado, 6 de maio de 2017

Texto Devastador de Marcos Rolim

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Querido diário:


Um senhor Aires Frederico Echenique Becker escreveu uma diatribe contra "o governo do PT", ou algo parecido. Escandalizei-me e aproveitei o espaço da postagem de Moisés Mendes em seu mural (14 horas atrás) e escrevi:
Aêee, Aires. O que vou citar de Marcos Rolim (p.24 de ZH de hoje), a meu ver, não justifica os mal-feitos que a presidenta Dilma prometeu (e não lhe permitiram) erradicar:
O curioso é que o atual governo só fez agravar a recessão e o desemprego, acumulando o maior déficit orçamentário da história da República. No idioma temerista, um governo definitivamente 'sem marido'." [...] Imaginem como o mundo recebe a notícia de que o atual governo possui oito ministros investigados por suspeita de corrupção e o próprio presidente é figura habitual em delações de mafioso s (apenas Cláudio Melo Filho - lembram? - citou Temer 43 vezes). Um governo do tipo não pode contar com a menor credibilidade. Mas, no Brasil, qual o significado de um governo formado por uma quadrilha? Aparentemente, nenhum. Os governo do PT agenciaram os seus esquemas delituosos e formaram as suas quadrilhas. Uma parte dos bandidos -seguramente a mais profissional-, abrigada no Planalto desde sempre, operacionalizou o impeachment e formou outro governo apoiado por grande parte da mídia e pelos grandes grupos econômicos. Ainda que a nova configuração mafiosa não tenha qualquer apoio popular, se mantém por conta de uma maioria parlamentar, tão desqualificada quanto ávida por cargos e verbas, e por uma elite empresarial movida pelos mesmos valores morais e pelo mesmo descompromisso com o Brasil. O governo Temer, entretanto, virou paisagem. Faz parte do cenário que se imagina inalterável e com o qual devemos conviver como se, de fato, tivéssemos um governo. Tudo em nome do rentismo, a começar pelas reformas que são concebidas para que nada seja alterado no andar de cima.
Retomo: além do mais, se fosse capaz de fazer um bom governo, uma vez que ele é inelegível, condenado que foi pela justiça eleitoral de São Paulo, teríamos -de qualquer jeito- que votar em Lula (hehehe).

DdAB
Texto do Facebook. E acrescentei um comentário:
  E que posso dizer de um subconjunto de meus colegas economistas que consideram que as reformas propostas por este presidente citado pelo menos 43 vezes em denúncias de corrupção própria e de terceiros tem alguma chance de modificar o comportamento dos agentes econômicos, induzindo-os a promulgar intenções de promover a ordem e o progresso? Tá aqui o que digo: hahahaha.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

200 - 1 :: Duduzinho, Marx e Engels


Querido diário:

05.05.1818. Como não gravar esta data? Hoje são 199 anos do nascimento de Karl Henrich Marx, que vemos na foto de Berlim, sentadito no más, ao lado de seu fiel amigo Friedrich Engels. Numerologicamente, o zero cinco zero cinco não teria calado em minha memória, não fosse o dezoito dezoito. Em 1838, Marx fez 20 anos e foi o momento em que Augustin Cournot publicou seu livro hoje saudado como o homem que antecipou o conceito de equilíbrio de Nash. Nos meus tempos imemoriais de professor de microeconomia prévios a meus estudos da teoria dos jogos, eu amava lecionar seu modelo (ajustes pelas quantidades) e comparar com o de Joseph Bertrand, com o artigo escrito em 1883 (ajuste nos preços). Pimba, o ano da morte de Marx. Então enfileirei essas datas: 1818, 1838 e 1883. Com isso fiquei com o 05.05.1818. 199 anos, uma data.

Prevejo que no ano que vem, e talvez começando hoje mesmo, haverá pilhas de homenagens por parte de um bom número de intelectuais, incluindo os acadêmicos. Marx nunca foi unanimidade, mas tem seu fã clube muito bem estabelecido. Eu sou seu admirador e nem consigo avaliar o montante da contribuição que ele deu para a humanidade e, em especial, para as ciências sociais.

Vendo tudo isso criticamente, inclusive meu estar-no-mundo há quase 70 anos e os mais de 50 de minha simpatia com o marxismo e meus menos de 30 de desilusão com o "comunismo soviético", declaro-me um igualitarista social-democrata, divergindo dele ao renegar a revolução como instrumento de levar os menos aquinhoados a alcançar o poder.

DdAB

terça-feira, 2 de maio de 2017

Zero Urra!


Querido diário:

Parece que sempre que falo em Zero Hora preciso explicar-me: tinha que ler um jornal em papel com notícias sobre o dia-a-dia da cidade em que vivo. Por azar na meia-dúzia de cidades em que vivi, li jornais que nunca me agradaram plenamente: ou não falam da vida local ou não falam da política com um ponto de vista assemelhado ao meu.

Pois então. hoje, na capa do nanico local comecei a rir da política nacional: há uma óbvia chantagem do governo sobre os mal-fadados deputados que não querem votar a "reforma da previdência". Primeiro, os deputados nomearam os cargos em comissão. Depois, não há pessoas envolvidas, mas apenas votos no congresso. Terceiro: não havendo pessoas, não deixam reputação de bons trabalhadores, o que faz com que as próprias chefias não os validem enquanto trabalhadores e suas demissões podem acontecer num just-like-that de arrepiar as mais azaradas malas de louco. Moral da história: não há democracia com muito CC. Foi por acreditar nisto que fiquei quase dois meses sem tomar banho quando a Dilma, minha ex-estagiária, mandou uma lei ou decreto criando mais uma boa centena de CCs na CC, isto é na casa civil.

Pois mais então ainda. A Rosane de Oliveira, como poderia ser outra pessoa? Pois é, o mundo não é puro preto-e-branco. A jornalista tem um 'drops' citando Olívio Dutra, um líder que me faz vê-lo volta e meia como preto e outras vezes como branco. Ele não é cinza, claro, e nem sempre concordo estrondosamente com suas visões da vida. Mas cada vez mais me alinho a ele em sua compreensão do que vai pelo mundo. Falamos agora das reformas trabalhistas. Como o mundo não é preto-e-branco, como já informei, tem algo bom: que é acabar com o imposto sindical, aquele dia do mês de março que a negadinha é forçada a abrir mão em favor do sindicato que foi criado -muitas vezes a sua revelia- para representá-la. Pois a Carta Capital acha que o imposto não deve acabar. Olimpicamente, Olívio e eu achamos que passou da hora. Outros dois meses afastaram-me do chuveiro lá de casa quando, durante o governo do PT, essa reforma foi recusada.

[Acrescentei isto às 13h24min] A mesmíssima Rosane de Oliveira, na mesmíssima página em que dera o título de "Voz da Razão" para o ponto levantado por Olívio Dutra, em outro 'drops', agora intitulado com "Aliás" diz outro daqueles absurdos que me fazem rir:

A pesquisa Datafolha mostra uma contradição: a maioria dos entrevistados concorda com a necessidade de reformar a Previdência, mas rejeita a proposta que está no Congresso.

Comecei listando todas as reformas da previdência possíveis:
.a Reforma da Previdência 1
.b Reforma da Previdência 2
.c Reforma da Previdência 3
.d Reforma da Previdência 4
.e Reforma da Previdência 5
...
.z Reforma da Previdência n

Cheguei à conclusão que existem "n" (com "n" menor que infinito, mas que pode ser grande pra burro, beirando os 200 milhões, com cada brasileiro dando seu pitaco) e que a macacada está rejeitando a reforma da previdência da escandalosa dupla Temer-Meireles.

É por isso que eu bebo.

DdAB
* Tudo o que escrevi acima saiu de minha cabeça e dos dez dedos com que, desenvoltamente, digito, ou seja, li a Zero Herra, li a Capital dos Carta, fugi da poltrona, assumi a cadeira e...
** Não sei se os dados da figura que o Google me ofereceu ao digitar "imposto sindical" são legítimas, o fato é que, se forem, trata-se da ração de uma pelegada de dar alergia.
*** Parece óbvio que, se quisermos algo sério nas eleições, Olívio deve ser candidato a presidente da república.

sábado, 29 de abril de 2017

Zero Burra e a Interpretação de Textos


Querido diário:

Ontem, a greve geral foi um sucesso. Mas tem gente que fez mediações. Lendo uma destas, da jornalista Rosane de Oliveira em seção na página 9 de Zero Hora de hoje, entendi que uma das razões que me leva a ler o jornal e a cronista é sua capacidade de manter-se durante um bom tempo no mundo das contradições insolúveis. Vejamos:

Tópico frasal, falando da greve de ontem:

Nem o sucesso alardeado pelas centrais sindicais, nem o fracasso apregoado pelo governo de Michel Temer.

Início do parágrafo seguinte:

   A greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária foi a maior desde a redemocratização do Brasil.

Hai-kai interrogativo
Que mais posso dizer?
É sem-vergonhice?
Ou apenas burrice?

A moral da história é que aprendi a conviver com estes atropelos à lógica praticados por um jornal intrinsecamente atuando pela direita.

DdAB
P.S. Eu começara escrevendo isto, e mudei de lugar agora, 14h01:
Ante-ontem, ouvi na TV, incauto, "outra barbaridade", como disseram "Os Mirins". Os juízes do supremo declararam que eles próprios, médicos, economistas e outros podem desobedecer (e quem não o fazia até três dias atrás?) a regra que estabelece um teto de recebimentos em dinheiro para os funcionários públicos. Como os juízes já desobedeciam esse teto, com uma legislação do imposto de renda vergonhosa (por exemplo, bolsa de estudos não é considerada "provento de qualquer natureza", não há grandes novidades. Mas qual a justificativa daquele anteontem? É que o juiz e outros apaniguados podem acumular seu cargo regiamente recompensado com o de professor. E haverá milhares de outros tipos de acumulação permitida. Se se não houver milhões, novas leis permissivas serão criadas, a fim de que nada mude. Ou seja, agora, um juiz que também é professor pode por mais razões ainda receber acima do teto.

P.S.S. E olha esta montagem que retirei do mural de Elvis Santos no Facebook, ironizando que a grande imprensa nacional considerou o assunto de segunda importância:


P.S.S.S. Uns comentários no Facebook:
Elisabete Otero Continuo admirando tua tolerância com este pseudo jornal, me ajuda a rir .
Duilio De Avila Berni Para mim, Betty, esta de hoje foi uma das melhores. Mas tem mais: aquele jornalista da página 2 (Túlio Milman) escreveu longamente sobre sua tese de que a greve de ontem (a maior desde a redemocratização, segundo a colega dele) foi contra Lula.
Elisabete Otero Seria uma competição de asneiras ? os prêmios devem ser muito bons.
Maria Lucia Sampaio eu li, rsrsrsrs
Vera Goldim Fantástico!
Duilio De Avila Berni Querida!
Corina Dick Dondo, te adoro!
Duilio De Avila Berni Querida!
Glaucia Michel de Oliva Juro que não entendi o Milman ????????

Duilio De Avila Berni Oiee, Gláucia: na página 2 do jornal correspondente a 29 e 30 de abril, situa-se o "Informe Especial", de responsabilidade de Tulio Millman. Seu artigo de fundo de hoje intitula-se "A greve, na verdade, também foi contra Lula". Trata-se de um desabotinado ataque contra o ex-presidente Lula, sustentando que "nada disto começou agora". Ao contrário "tudo" (tudo o quê?) começou com Lula. Nem consigo comentar, nem vale a pena. Fosse o jornalista (como houve tantos outros que foram) meu aluno em cursos de introdução à economia, eu teria que dar-lhe nota de reprovação. Até uma cacofonia (tradução apressada de commodities boom) tem na linha de tiro do radical de direita.