segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Facebook, Paris e Nóis Depois


Querido diário:

Retomemos a espetacular denúncia que fizeram Cotrim e Fernandes (COTRIM, Gilberto & FERNANDES, Mirna (2010) Fundamentos de filosofia. Editora Saraiva, página 303), conforme pudemos ler em minha transcrição do dia 11 na conta do Facebook. Como pensei que não era, penso agora que chegou a hora.

Aqui tá ela novamente:

A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução de recursos e uma maciça extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entr ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

E aqui comento:

Primeiro: o vilão, em minha opinião, é o pessoal incapaz de criar tecnologias de produção e consumo que não devastem o meio-ambiente. Segundo: acho uma pouca vergonha que os benefícios do progresso existente não sejam distribuídos, por exemplo, com a turma da República Democrática do Congo, a espantosamente mais pobre do mundo, e objeto -diz-se- de negócios de nosso luminar Eduardo Cunha. Terceiro: injustiça, pobreza e ignorância e conflitos violentos (inclusive espancamento de mulheres, destacando fração substantiva dos países árabes): horrível. Quarto: já foi tabu -na ditadura militar- sermos favoráveis à contenção demográfica. Vencemos a ditadura. Pensemos que agora isto é uma necessidade, atribuível ao governo mundial (políticas implementadas por enfermeiras, sabidamente as profissionais mais honestas do espectro sanitário). E a ação mais eficiente é levar os pobres a ficarem ricos, pois é sabido que rico tem menos filho que pobre!

E no parágrafo que não citei tem algo para render, já que também sou especialista (doctor of philosophy, sem redundância) na ciência econômica. Dizem os autores na mesma página que citei no outro dia: "o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais."

Como sabemos, a Esquerda A (da qual sou um dos raros representantes) tem enorme simpatia pela teoria da escolha do consumidor racional. Como trocar aquele negócio de ter por ser? Temos que ter algo, não é? E ser? Vem economês: a função utilidade diz que quanto mais consumimos melhor ficamos: U = f(q), sendo q uma lista de bens e serviços. E como fica aquele 'ser'? É um subgrupo da lista, por exemplo, idas ao teatro, meditação transcendental e cendental (hehehe). E por aí vai.

DdAB
Imagem; vi a notícia no Facebook:
Fui investigar. Vi que a fonte é a revista IstoÉ, para mim, finada há muitos anos. E olhei mais: a reserva lá da imagem de cima. Não estamos falando da suíte presidencial, claro. É um hotel caro, claro. Mas será mesmo aquela cifra? Não negligenciemos: sou contra o impeachment e contra a Dilma. E a favor de certa isenção nestes tempos de radicalismo só igualado pelo grenalismo gaúcho.

sábado, 28 de novembro de 2015

A Cult como Diálogo Dois


Querido diário:

No outro dia, postei aqui uma postagem sobre a matéria de capa da revista Cult, n. 206, ano 18, out/2015. Fiquei tão impactado que decidi ler e reler algumas vezes, refletindo praticamente sobre cada sílaba e seu correspondente fonema. Pois então. Passo batido pelo artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira, por já haver catalogado boa parte de minhas divergências com sua visão sobre o Brasil/2015, em especial, a "reindustrialização".

Pois então. Das páginas 42 à 44, lê-se o artigo "O Descompasso entre República e Democracia", de Maria Abreu. Vou citar trechos que, espero, não distorçam a intenção globalizante da autora.

[... o] governo liderado pelo PT agiu de forma limitada em duas frentes: (1) colocou como prioridade a democratização econômica por meio de uma renda básica e o acesso ao consumo, sem tocar em postos cruciais da desigualdade, como os benefícios obtidos pelo sistema financeiros e a tributação dos mais ricos, e (2) ampliou a participação social no interior do próprio Executivo, sem atuar em outros campos sociais de modo a transformar valores sociais e reduzir a cisão social entre ricos e pobres, privilegiados e desprivilegiados - de modo amplo - o que talvez viabilizasse inclusive uma representação legislativa diferente. [...] Com a crise econômica e o esgotamento de inclusão adotado, o quadro que se formou foi de repulsa ao governo pelos segmentos mais ricos, porque perderam alguns referenciais de sua distinção, e por parte dos segmentos mais pobres porque não foram, de fato, incluídos. Agora, com a ameaça de cortes financeiros inclusive nos programas sociais, o governo corre o risco de perder também a sua base social mais sólida. [...] O fracasso do PT no governo, no sentido da consolidação republicana do país, é necessariamente o de todos os governos que o antecederam.

Entendo o fracasso da política, pois parece-me que o sucesso econômico requereria precisamente força política especialmente para mudar o imposto de renda. Não se precisaria de mais de uma alíquota de 35% para o imposto de renda para, digamos, quem ganha mais de R$ 10 mil por mês. Ademais, já deixei bem claro que jamais perdoarei Lula e Dilma por não terem transformado a bolsa família em renda básica.

Pois então. Páginas 46 a 49 - artigo de Ruy Braga, intitulado "Contornos do Pós-Lulismo" e destaco uma passagem devastadora:

Além da absorção de milhares de sindicalistas às funções de assessoria parlamentar, cargos em ministérios e chefias de empresas estatais, parte da burocracia sindical ascendeu a posições estratégicas nos conselhos dos grandes fundos de pensão das estatais administradas como fundos de investimento, assumindo, em acréscimo, posições nos conselhos gestores do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Assim, o sindicalismo lulista trnasformou-se não apena em um ativo administrador do Estado burguês, mas em um ator-chave da arbitragem do próprio investimento capitalista no país. Por meio da ocupação de postos nos conselhos dos fundos de pensão e dos bancos públicos, a alta burocracia sindical 'financeirizou-se', isto é, fundiu seus interesses de camada social privilegiada ao ciclo de acumulação do capital financeiro. Desta forma, o petismo militante nas greves e nos movimentos sociais dos anos 1980 e parte dos anos 1990, afastou-se de suas origens, tornando-se um sócio menor do bloco do poder capitalista no Brasil. 
[...]
Vale destacar que, ano após ano, o número de acidentes e mortes no trabalho cresceu e a taxa de rotatividade do emprego aumentou, dois indicadores claros de deterioração da qualidade do trabalho criado durante o lulismo. E como seria diferentes se os principais motores do atual regime de acumulação [itálico original] pós-fordista e financeirizado são a indústria da construção pesada e civil, a agroindústria e o setor de serviços? 
[... o] governo Dilma Rousseff decidiu atualizar o regime de acumulação priorizando a estratégia da espoliação social. O país está vivendo uma transição na qual o velho ainda não morreu, mas o novo não tem força para nascer[grifo meu]. Os contornos desta era pós-lulista ainda não estão totalmente definidos. No entanto, algo parece claro: o momento atual anuncia o fim da relativa pacificação social eque marcou a última década na história brasileira. Em síntese, entramos em uma nova era de luta de classes na qual o centro da vida social deslocou-se para os extremos do espectro político. Tempos interessantes nos aguardam.

Pois então. Como evitar a espoliação social? Primeiro, a renda básica universal, segundo, o emprego no serviço municipal, atraindo aqueles que desejam trabalhar, com ganhos cumulativos sobre a renda básica. Terceiro: expandir a construção civil geradora de emprego de baixa qualificação (Minha Casa, Minha Vida). Quarto: acabar com a baixa qualificação via educação. E por aí vai a vida.

DdAB
Peguei a imagem do site oficial do conjunto Plebe Rude. E lembrei especialmente do último autor que citei, com a expressão do samba de Billy Blanco.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Valores Supremos: brigada ambiental mundial


Querido diário:

Coloquei isto no Facebook:

Olha só esta:
"[...] as massas muçulmanas [viraram] as costas para os governos laicos e se voltaram cada vez mais para as mesquitas em busca de assistência social e sentido da vida. [... Varrer o EI do mapa] não significará o fim do jihadismo se não houver uma mudança substancial nas atitudes do Ocidente. [...]"
A verità é que isto não foi feito lá na África ou Oriente Médio nem na própria Europa, desde sempre. Creio que nem na Alemanha a migração turca recebeu cuidados, embora haja milhares de descendentes de turcos ocupando posições de muito prestígio na vida cotidiana.
Parece óbvio que eu mesmo sei que exagero as virtudes da sociedade igualitária e, infelizmente, nossas ciências sociais ainda estão gatinhando em matéria de experimentos de laboratório (diriam alguns 'felizmente'), so that não podemos dizer que minhas loas trariam eficácia à sociedade igualitária. Mas imagina aqui comigo se:
.a. houvesse a renda básica universal
.b. houvesse aquele meu esquema da aba do blog de três horas de ginástica, três horas de aula e três horas de trabalho comunitário por dia, 
se com isto não estaríamos na maior paz da história humana.
De onde vieram os trechos entre aspas? Carta Capital. Página 28 do número 877, de 25/nov/2015, de autoria de Antonio Luiz M. C. Costa, com título e subtítulos registrados como "Cem anos de preparação. Estado Islâmico. As raízes do caos no Oriente Médio começaram a brotar em novembro de 1915."

DdAB 
P.S. postagem espelhada do Facebook.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ambiguidades da Esquerda A


Querido diário:

Ser da Esquerda A implica:

.a. ser contra a destrambelhada campanha do colega (economista, hehehe) Aécio Neves pelo rompimento da ordem institucional pacífica (impeachment é golpe? suicídio, como o de Varges também?, renúncia como a de Jânio é uma droga? E o impeachment de Collor melhorou o Brasil?),

.b. ser contra também o jovem Obama (decepção generalizada) e o velho Lula (decepção generalizada, em especial aquele recorte de não mudar a herança maldita de FHC, que elevou a idade da aposentadoria por idade para 75 anos, que não converteu a bolsa-família em renda-básica).

DdAB
Esta imagem retirei-a daqui. E é minha homenagem:
.a. às eleições argentinas (e a todas as demais eleições)
.b. à profa. Geni de Sales Dornelles que problematizou este tópico aqui, às 1h59mon de 21/nov/2015.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Barraqueiro que Ama



Querido diário:

Talvez eu deva declarar-me -in due time- também um especialista no livro "Rayuela", de Julio Cortázar, respondendo em português por "O Jogo da Amarelinha" (que os gaúchos deveríamos pronunciar 'O Jogo da Sapata', a 11a. acepção do termo no Aurelião) e, em Portugal por "O Jogo do Mundo". Já o faço com a primeira sentença de O Capital ("A riqueza das sociedades humanas em que rege o modo de produção capitalista...) e a de "Ulysses" ("Majestoso, o fornido Buck Mulligan achegou-se à gávea da escada...).

Agora começo os estudos da primeira sentença deste "Rayuela". Na edição Alfaguarra de fev/2008), lemos: "?Encontraría a la Maga?". Quem seria esta Maga? Não respondamos. E nunca li "O Jogo da Amarelinha", nem pretendo fazê-lo. Em compensação, estou lendo (que achei o original um tanto puladinho...) a tradução do português de Portugal da editora Cavalo de Ferro. A primeira sentença rola como: "Encontraria a Maga?" Bem simples, né?, pois, como sabemos, 'encontrar' é um verbo transitivo direto no contexto que nos prende.

Em compensação, nesta edição Cavalo de Ferro, vi na página 173, uma discussão entre caña e grappa e que chegou a intrigar-me:
-O que é a caña? - perguntou Gregorovius. -É a mesma coisa que grappa?
-Não, é mais parecido com o barack. [...].

Gelei: Barack, um biritão? Obama, um obtuso que ama? Um barraqueiro que trama? Não era. Procurei um tanto na internet e cheguei na Wikipedia em inglês, e tudo se esclarece: uma bebida destilada de origem húngara, evocando o abricó. Degelei.

Aproveite o fim-de-semana. Se beber, faça brindes!

DdAB
Esta postagem veio do Facebook. Imagens de livraria e da Wikipedia. E busquei lá mesmo o substantivo caña e rolou tanta confusão que decidi traduzir para cachaça e ingerir uns goles de minha garrafa.

P.S. Não posso deixar de registrar meu protesto com a capa deste "O Jogo do Mundo", conforme a foto lá de cima. Dá-se o crédito ao prefaciador José Luis Peixoto, sem dar crédito (o que, claro, é feito dentro do livro) ao tradutor Alberto Simões. E que vemos no Prefácio de José Luis Peixoto? "Prefácio dispensável". Muito depois de ter trocado a mercadoria livro pela mercadoria dinheiro,escrevi: "Dispensável? Então por que:
.a. escreveu?
.b. não fez Posfácio?"
E hoje acrescento: mas isto não está nesta edição de julho de 2014. Acho que o José tinha alto "Quem Indica", não é mesmo?

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Cult como Diálogo


Querido diário:

Não é que vim a ler pela primeira vez a revista Cult apenas há menos de um mês? Adquiri-a por não ver nada melhor na banca (IstoÉ, Veja, aqueles horrores, não que minha Carta Capital seja melhor...). E de onde tirei o título desta postagem? Do editorial da Cult: "A Cultura como Diálogo Público". É que gostei tanto da revista e li-a com exação. Este número (tomara que todos os demais) tem um tema centralizador de vários artigos ("dossiê"), respondendo pelo título geral de "Estruturas da Crise Política". Vou falar bastante nela/s nos próximos tempos.

Do próprio editorial da página 4 já rola o que pensar:

[...] estamos em um momento muito específico da vida pública brasileira, aquilo que Gramsci identificou como um interregno da esquerda, quando o modelo velho ainda não morreu e o novo ainda não nasceu. Nessa visão, estar a favor ou contra o PT é irrelevante, pois o que importa é termos a humildade, a generosidade e a inteligência crítica de apostarmos na inovação política."

De minha parte, adorei aquele "o velho ainda não morreu e o novo ainda não nasceu". Pois é exatamente isto que entendo quanto a minha crença anterior de que o PT era o verdadeiro caminho para a social-democracia no Brasil. Não é mais, o PSDB nunca foi. Penso ter humildade e generosidade, mas falta-me -como penso com tristeza- ao coletivo brasileiro contemporâneo, a inteligência crítica capaz de gerar a inovação política.

Há tempos acolhi o apelo de Rosana Pinheiro-Machado para botarmos o pé no barro (refiro de passagem aqui e, pelo próprio título, torna-se claro que, quando agora digo ser contra o impeachment e contra a Dilma, estou no mesmo diapasão). Acho que esta é a única saída. Procurando aquele link, andei aqui e ali em meu blog e vi algo estarrecedor que agora concordo. Alguém afirmou algo como "a esquerda precisa convencer-se de que é minoria neste país". Parece óbvio que o novo não nasceu. Talvez nem seja um partido político. Talvez, mais provavelmente, seja isto mesmo.

Parece que já falei (a memória é curta...) que há dias li a biografia de Elis Regina escrita por Arthur de Faria. Um resumo resumidíssimo do que pensei é que fiquei imaginando (então eu já leva a Cult) que hoje em dia o país precisa de uma pessoa como ela, uma pessoa que ajudou substantivamente a revolucionar diversas dimensões da vida societária em que ela se inseriu. E "O Bêbado e a Equilibrista" parece ter mesmo ajudado a derrubar a ditadura!

Então, a Cult. Aquele dossiê começa na página 16, com uma introdução geral de João Alexandre Peschanski. Olha o terceiro parágrafo:

   Os sentidos estruturais da crise da política são ao mesmo tempo a crítica e a reinvenção da esquerda. A batalha da esquerda no ciclo do petismo está perdida - há tempos, dirão alguns. Isso não sugere que o governo Dilma ou o próprio PT tenham de ser perseguidos ou erradicados - a posição impeacheira (sic, sic, isto é, temos esta palavra em itálico) é uma afronta à democracia, pois justifica o fim do governo por conta de sua incompetência, o que constitucionalmente é inválido e nos lembra que, para as elites, a democracia é sempre vista como uma concessão que pode ser eliminada a bel-prazer. O PT como instrumento de inconformismo e avanços sociais tornou-se irrelevante ou, pior, contraproducente.

Aí o Peschanski fala em cada item do dossiê. Inicia falando em Bresser-Pereira. Se eu não tiver uma síncope antes, prometo comentar a parte dele em uma postagem específica. Tome cachaça!!! Segue Peschanski:

O sociólogo Daniel Bin identifica a continuidade da financeirização neoliberal nos governos Lula e Dilma e aponta perspectivas do pós-neoliberalismo, enfatizando a possibilidade de formação de frentes sociais amplas. A cientista política Maria Abreu revela um dilema fundamental na trajetória do petismo: a aceitação eleitoral das regras do jogo da democracia formal deu-se à custa do abandono de um compromisso republicano basilar e aponta para o risco de um retrocesso considerável na garantia de direitos sociais e possibilidades de participação social no Estado. O sociólogo Ruy Braga confronta a evolução da política partidária da esquerda a partir do prisma da luta de classes, analisando a estrutura social da reviravolta pós-lulista; ele  acredita que se encerra um consenso pacificador construído no governo Lula e, com isso, o Brasil deve viver um acirramento das disputas entre elite e espoliados (negrito meu). [...]

Peschanski cita Przeworski:

[...] as regras do jogo eleitoral determinam a estratégia de compromissos espúrios e expurgos dos radicais internos que partidos outrora revolucionários precisam atravessar para tentar ganhar as eleições. O debate sobre as perspectivas de reformas numa estratégia social-democrática está profundamente associado à tradição marxista. De certo modo, iniciou-se com discussões que envolveram os próprios Marx e Engels sobre se partidos socialistas deveriam ou não participar de eleições no capitalismo e gerou rupturas irreconciliáveis na esquerda. O espectro dessas rupturas ronda os instrumentos políticos da esquerda desde os primórdios e, de certo modo, os grupos que mais se fortaleceram no campo progressista foram aqueles que justamente surgiram em um contexto onde não existia a possibilidade real ou remota de participar de eleições, como na Rússia czarista, no contexto da Revolução Russa. Fora desses casos extraordinários, o enredo mais comum é o de uma encruzilhada para a esquerda. Talvez na realidade a trajetória forjada pela competição eleitoral seja de fato inexorável, o que não resolve o cerne da questão: o que fazer uma vez que se ganhou.
   Os dilemas que surgem para os social-democratas na condução de uma estratégia eleitoral que pretende alcançar o governo são de tipo diferente da decisão à qual se confrontam uma vez que ganharam. Na lógica de Przeworski, a escolha crucial para a esquerda que chega ao poder é: transição para o socialismo ou aperfeiçoamento do capitalismo. E, mesmo s existir uma alternativa melhor ao capitalismo, essa alternativa é racionalmente inacessível. A transição para  o socialismo envolve uma comparação entre aquilo que existe e o que poderia existir e os custos para passar de um modelo a outro. Assim, por mais que seja melhor estar no socialismo do que no capitalismo, sem as condições apropriadas para uma transição de baixo custo é racional preferir 'melhorar' o capitalismo a 'criar' o socialismo. Em geral, passar de um modelo a outro eleva níveis de incerteza e desorganiza o funcionamento institucional estável. Os grupos poderosos no modelo dominante podem aumentar ainda mais esses custos, pois controlam pelo menos em determinado momento as bases da produção presente e futura e, com isto, a população, mesmo a que tem o maior incentivo a viver em outro modelo, tem por um tempo acesso às condições de sua sobrevivência inferior ao que tinha no contexto do modelo dominante. O horizonte de que, no futuro, a situação vai efetivamente melhorar - a promessa do socialismo - não é necessariamente um alívio, quando, no presente, se tem dificuldade de garantir a sobrevivência. Políticas efetivamente radicais, no sentido de uma transição para o socialismo eram pouco possíveis em 2003 e nos anos seguintes, mas, independentemente dos compromssos feitos na campanha eleitoral, o PT teve o poder de contribuir para uma eventual possibilidade histórica futura e dela abdicou.

Aqui faz-se obrigatório fazer uma parada e dizer umas coisas:
.a. Gerônimo Machado já me disse e canso de repetir aqui que o blim-blim-blim não é fazer o socialismo, mas contentar-nos com reformas democráticas que conduzam a ele,
.b. pode ser que o sentido na existência de empresas públicas seja levar relações de trabalho decentes para o mundo da produção, conforme disse-me há muitos anos o prof. Stuart Coupe,
.c. tem aquele socialismo de que nos fala Andrew Glyn (juro que li em exemplar de minha propriedade, juro que não o encontro e nem encontro referências na internet, nem no verbete dele na Wikipedia): se o governo desapropriar as 100 maiores empresas do país, ele controla uma fração tão expressiva do PIB que já dá para chamar de socialismo.
.d. eu não quero os items b. e c., claro. Tenho-me declarado da Esquerda A, por contraste à Esquerda Um. Mas, mais consentaneamente com uma classificação que coloca na esquerda muito nacionalismo, prefiro declarar-me fundador de uma esquerda que defende a existência do estado mínimo.

Sigo citando Peschansky:

   A estratégia mais plausível de aperfeiçoar o capitalismo, no sentido de dar-lhe um viés redistributivo real, não está em oposição direta a estabelecer os fundamentos para uma virada radical. Os ingredientes para a contribuição para um socialismo futuro são conhecidos e devem nortear a atividade no governo social-democrata desde o primeiro dia: teoria da transformação de base social. A ideia de que, uma vez no governo, os políticos da esquerda serão capazes de transformar sem dificuldades as instituições é implausível, entre outros motivos porque, mesmo se o quisessem, tenderiam a confiar nas formas conhecidas de organização e assim reproduziriam o sistema dominante. Aliás, os socialistas adotam geralmente uma postura ingenuamente voluntarista sobre a alternativa que almejam: científicos em relação a sua crítica ao capitalismo, normalmente desconsideram a necessidade de elaborar a teoria das instituições novas a serem implementadas. A ampliação e o aprofundamento realista de possibilidades institucionais futuras formam uma teoria da transformação - e estar no governo pode ser um privilégio para esse esforço de planejamento de alternativas. 

Neste ponto, devo compartilhar com meu leitor a crítica que fiz (anos depois, infelizmente) à Administração Popular da cidade de Porto Alegre e que chegou ao poder bem quando eu dela saía rumo ao doutorado em Oxford (orientado pelo já citado mr. Andrew Glyn). O que hoje espero de administrações populares, ergo, de esquerda, é que se democratize a administração pública, os cargos públicos de dirigentes devem ser resultado de eleições nas repartições cabíveis.

Sem falar na frase "substituir o governo dos homens pela administração das coisas." Nesta linha, penso que aquela discussão da base teórica da transformação institucional deve ser feita na sociedade e não no governo.

Segue Peschanski:

As políticas implantadas num governo social-democrata devem ser capazes de construir a base social para torná-las estáveis e contínuas, mesmo se e quando surgirem condições circunstanciais pouco favoráveis. Isso é especialmente importante para políticas sociais, geralmente em risco em momentos de recessão .Essa base social torna-se garantia e motor do aprofundamento democrático e eventualmente do empoderamento social. Há indicações de que as políticas mais efetivas para a construção dessa base social de apoio são as universais, que não reforçam fraturas sociais e estabelecem laços de solidariedade. O ciclo lulopetista [DdAB: prefiro falar, como André Singer, em lulismo. E até andei falando em III, VI, V e VI governo FHC...] encerra-se sem contribuição real e a crise político-econômica encontra uma esquerda desestruturada.

E eu? Digo que sou contra o governo Dilma, como também sou contra o que se passou no governo Lula, por várias razões práticas:
.a. não regrediu a regra criada por FHC de elevar a idade para a aposentadoria do trabalhador para 75 anos,
.b. deu solução vergonhosa para o dinheiro aplicado no FGTS,
.c. não transformou a bolsa família em renda básica.

E como conclui Peschanski?

No contexto da crise, as revoltas sociais ocorrem - e devem alastrar-se - e, nesse sentido, é preciso reinventar a conexão entre luta social e política de esquerda. Em nossa conjuntura, a esquerda tal qual a conhecemos anda a reboque , pois o esforço de significação da luta política depende de abandonar o clico de esquerda moribundo -  rompendo com o corporativismo confortável em relação aos instrumentos políticos que conhecemos e reproduzem o modelo dominante - e entender e constriur uma fase de luta política, que necessariamente surgirá das estruturas do ciclo que se esgota. Entender as estruturas da crise brasileira e as possibilidades de reinvenção é o objetivo principal deste dossiê.

Que digo? Santo dossiê.

DdAB

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Easy Life


Querido diário:
Por que tanta americanização até no título desta postagem? Não tenho medo de ser tachado de lacaio do imperialismo, afinal. Ontem, tive longa e agradável conversa com dois amigos legais. Encontrei-os no Shopping Moinhos de Vento, sabidamente localizado em um bairro da cidade que abriga gente de classe média alta, alta e altíssima. E muita gente da classe alta média alta, média-média, média-baixa e baixa prestando serviços, desde papeleiros até psicanalistas, para ficar na letra 'p'.

E por que esta imagem do 99Taxi? Primeiro, porque meu telefone desregulou e não consigo mais chamar o EasyTaxi, pioneiro em minhas conquistas eletrônicas. Segundo porque não sei se o "sistema" ou o próprio sr. Ricardo, driver, tomaram a iniciativa de enviar-me o recibo da corrida.

E que rolou da conversa? Novas tentativas de minha parte de convencer meus interlocutores de que sou um homem de esquerda.

Agora tenho batido no argumento (o mais consentâneo deles é o igualitarismo) do governo mundial. Não considero da Esquerda A (conjunto complementar da Esquerda Um, a dos atropelos) os nacionalistas, estes são... nacionalistas. Não considero da Esquerda A os que hoje ainda relutam em condenar a desigualdade em boa medida responsável pelo arcaísmo institucional da -como têm chamado- "cultura muçulmana", expressão aliás que me desagrada (pode-se chamar uma religião de 'cultura'?).

Quem fez este "99Taxi"? Quem fez o EasyTaxi"? Será que aquela turma nacionalista que quer a "reindustrialização" do Brasil não entende que a política industrial deveria dar lugar à política de "reeducação", pois aí o Brasil poderia inventar uma rede mundial de cafeterias, outra de biju de mandioca, outra de aplicativos para celulares. E deixaríamos de ser menos colonizados por essa turma. (Meu argumento não é nacionalista, mas igualitarista, não está claro?).

DdAB

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Cansei de Estrabismo


Querido diário:

Título provocativo. Evoco, a partir dele, o artigo assinado de hoje da página 39 de Zero Hora. Seu autor é Wesley C. Cardia. Não que discorde em mais de 10% de todo  o texto, mas há uma passagem que me deixa de cabelo em pé e denuncia o estrabismo conceitual e empírico do autor.

Vamos à passagem glosada. Antes dela, há uma pergunta retórica da qual compartilho completamente: "Que raio de sociedade é essa que não se dá conta de que o Estado não tem dinheiro?"

Mas prossegue, com estrabismo conceitual e empírico:

Governo não produz riqueza. Consome. E quase sempre atrapalha quem quer produzir. Nós, trabalhadores e empresários, é que pagamos a conta desse descalabro.

Parece que o descalabro (com o qual concordo) é que o ladrão de carros Dieguinho, figurinha carimbada do bairro Moinhos de Vento, atua livremente por aquela zona. Mas parece que a miopia surge em sua cabeça precisamente por não entender que ele queixa-se precisamente de uma omissão da ação do governo, a falta de segurança pública (aliás, compartilhada por praticamente o mundo inteiro).

Primeiro, depende de como conceituamos riqueza. Claro que governo produz riqueza pela contabilidade da renda nacional, por exemplo, ao gastar na promoção da justiça ou da diplomacia. Segundo, aí temos problemas, pois estamos falando do conceito de bem público, algo que não pode ser provido pelo mercado. Justiça atrapalha quem que produzir? Terceiro, claro que não, ao contrário, a insegurança jurídica é uma das causas do baixo desenvolvimento econômico de montes de países.

O que parece uma confusão comezinha é pensar que o lado alegre do governo é a provisão de bens públicos e meritórios (no Brasil, até centenas de bens de demérito, como é o caso indubitável do automóvel de passeio) e que para fazê-lo não é necessário arrecadar impostos. Já não estou centrando minha crítica em Wesley C. Cardia, claro. É que tem gente que pensa que "estado minimo" é "estado nulo". E eu, que nem concordo com estado mínimo, ou melhor, penso que é papel das sociedades civilizadas proverem uma fração crescente dos bens meritórios (pra não falar nos bens públicos) da estrutura de consumo da população.

DdAB
A imagem é daqui.

domingo, 8 de novembro de 2015

Industrialização e Diversificação: ponto para pensar


Querido diário:

No outro dia, caiu-me uma ficha sobre a intuição que tive há anos sobre a relevância da industrialização como instrumento de desenvolvimento e, como tal, como merecedora de salamaleques em matéria de políticas públicas. Primeiro: nos tempos em que eu estudava economia (organização) industrial, vim a entender que a principal forma de uma empresa crescer é diversificar-se. E depois cheguei a entender que o ápice da diversificação é mesmo a entrada no setor financeiro, na linha de James Clifton e sua interpretação sobre a evolução do capitalismo no século XX.

O que eu nunca me dera conta é que, quando falamos na matriz de insumo-produto, tem gente que pensa que a diversificação é uma grande virtude. Acho que está-se transpondo um conceito relevante no nível da investigação microeconômica para a mesoeconomia. Claro que a transposição é complicada e talvez irrelevante ou mesmo errada.

Um setor diversificado não existe: que quereria dizer isto, que a química produz químicos e biológicos? As restrições para a delimitação de um setor mesoeconômico excluem possibilidades de diversificação: muito diferente é outro setor. E uma economia, para criar novos setores, estará caindo na ilusão proporcionada pela lei de Say, no sentido de achar-se que a oferta é que cria sua demanda.

DdAB
Imagem daqui. Pedi ao Google Images apenas "diversificação" ele deu-me esta maravilhosa seleção para uma sopinha de domingo de noite...

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Notas sobre Método (ou algo parecido)


Querido diário:

Seguem-se reflexões que retirei de um paper cuja única referência que tenho é bastante pessoal: marcas de cafezinho na primeira página e na página 238 lá dele. Isto não deixa de revelar minha gratidão, pois -sem ele- não haveria estas reflexões e -ipso facto- notas.

Primeiro: de onde emana a sabedoria econômica? Da disseminação pela sociedade dos vínculos estabelecidos pelos homens com a intermediação da produção de bem-estar material.

Segundo: não existe mundo sem teoria, sem interpretação. Quando penso que estou digitando é porque criei um modelo que, ao ouvir um barulhinho emanando-se do teclado que suponho estar a minha frente, etc., suponho estar existindo, digitando, respirando, etc. Neste caso, ao sabermos que o preço de uma mercadoria específica e sua quantidade variam inversamente, então estou considerando um modelo em que, se o preço aumentar, a receita total pode cair. Qualquer pessoa encarregada de registrar as vendas de uma empresa saberá disto, basta olhar a regularidade que ter-se-á observado em momentos prévios. Isto é, ex post, poderei identificar as condições em que isto ocorre. E, no caso, diremos, no devido tempo, que isto ocorreu porque o trecho relevante da curva de demanda era inelástico.

Terceiro: tem outro tipo de teoria que é chamado de axiomatização. Vejamos dois exemplos. A curva de demanda por compras (que é um exercício de sala de aula que inventei, indagando aos alunos quanto gastaram -digamos- na última semana, dando-lhe faixas de preços e solicitando o número de transações de cada faixa. O que se constatava é que havia mais transações de coisas baratas, digamos, bilhetes de ônibus, refri no recreio e menos transações de coisas mais caras, uma roupinha nova, um jantar com a noiva...) é um exemplo especial. Foi fácil de convencer a turma que havia uma regularidade empírica poderosa. Mas o salto é que podemos pensar que, por trás dela, há outra regularidade: trocamos as coisas mais caras pelas mais baratas quando seus preços relativos (a que estávamos habituados) mudam. Depois disto, surgem axiomas que levam a previsões novas, como consequência -por exemplo- dos postulados da aditividade e da preferência pela diversificação, respectivamente, sobre o crescimento econômico e o comércio intra-indústria, e por aí vai.

Quarto: entendo que Karl Marx tinha no fundo da cabeça o mesmo modelo de equilíbrio geral que depois foi aprofundado por Walras, Leontief e Johansen. Primeiro, ele via na concorrência o mecanismo fundamental das economias capitalistas, talvez sua mais importante lei de movimento. Em especial no volume 2 de O Capital estas coisas são razoavelmente bem elaboradas (o processo de circulação do capital). Marx via na lei do valor a solução simultânea das contabilizações dos trabalhos sociais e devotados aos diferentes ramos produtivos, remunerando alguns de acordo com a média, outras, acima e outros, abaixo dela, além de negar-se a aceitar como tendo criado o valor aquela empresa em alguma mercadoria que não desse seu 'salto mortal', isto é, que não encontrasse demanda.

Quinto: realismo dos supostos. Podemos fazer "engenharia reversa" e dizer que, uma vez que observamos aquelas realidades empíricas da curva de demanda por compras e dos resultados úteis dos modelos de equilíbrio geral computável, então os indivíduos estão agindo de acordo com a teoria do consumidor. Neste caso, eles devem comportar-se de tal ou qual modo quando o preço de uma mercadoria varia, ou a sua renda, ou o nível de propaganda, etc. Para que a curva de demanda seja negativamente inclinada, só pode ser que o agente decisor respeitou os axiomas, ou melhor, não os violou. Se violar, precisaremos refinar o programa de pesquisa e talvez até abandoná-lo, mas não antes de se criarem bons substitutos.

Sexto: sobre as comparações intertemporais de utilidade, temos a frase arrasadora de Hargreaves-Heap e Varoufakis no livro de introdução à teoria dos jogos: Bina e Dino hão de concordar que ambos preferem passar as férias em Veneza a serem fritos em óleo quente.

Sétimo: uma crítica pueril à relevância para a construção das teorias do uso do conceito de equilíbrio é substituir esta palavra por "aparência de equilíbrio".

Oitavo: a grande questão é se o economista fala ou não do mundo e se ele explica melhor que outros especialistas. O próximo passo, se aquiescermos na qualidade de sua explicação, consiste em buscar entender em que segmentos sua explicação é melhor que a dos demais investigadores.

Nono: ao criticarmos a taxa de juros do Brasil contemporâneo, devemos investigar se ela é da magnitude corrente por maximizar os lucros dos bancos. Ou apenas maximizadora da remuneração dos dirigentes? E podemos expandir esta reflexão para o subsídio às importações de bens industriais em virtude do câmbio baixo.

DdAB
Imagem daqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Novembro Azul


Querido diário:

Ontem, primeiro de novembro, falei coisas sobre a casmurrice de Arthur Schopenhauer. Eu queria falar apenas daquela idiossincrasia de não dividir a mesa de refeições para não ter que conversar com -diria Billy Blanco- a plebe rude. Queria falar talvez até de algo pior: lá nos Parerga e Paralipomena, ele tem aquela história sobre cabelos longos e ideias curtas. Tudo isso é passado e felizmente tudo isso estava ficando para trás na história da humanidade. E pode ser que fique para frente, caso os gastos em educação permitirem o messianismo brasileiro contemporâneo e a assunção de pastores a cargos de representação política.

Em compensação, hoje, com um dia de atraso, decidi comemorar o mês do azul sanitário. Ou seja, o mês que serve para lembrar os homens que eles também têm seu "câncer de mama". E cheguei a ouvir que "todos os homens longevos terão câncer de próstata". A saída é cuidar escrupulosamente, pois

.a. é um câncer que se desenvolve lentamente, quando o faz e

.b. é um câncer que pode ter uma evolução rapidíssima e aí sim é que pode metastasear e matar em poucos anos.

A boa notícia é que a ameaça é pertinente, pois todos seremos longevos.

DdAB
IKmagem daqui.

domingo, 1 de novembro de 2015

Outubro Rosa...


Querido diário:
Todos sabem que me declaro especialista em "introdução à filosofia", não é mesmo? Tudo começou quando passei a declarar-me especialista no ensino de "introdução à economia", ou melhor, a partir daí é que comecei a ler coisas... E veio, por indicação de Carlos Henrique Horn, o livro "Dialética para Principiantes", de Carlos Roberto Cirne-Lima, que -para entender algo- já li umas cinco ou seis vezes.

Em compensação, hoje no café da manhã, fiz duas citações sobre a vida (e obra) de Arthur Schopenhauer. Queria dizer apenas a segunda, mas saí-me com a frase do filósofo alemão e que já foi atribuída a Johnny Halliday:

.a. as mulheres são animais de cabelos longos e ideias curtas (falei nisto em preparação do espírito dos ouvintes para a segunda bizarrice) e

.b. contam que ele, ao almoçar regularmente em um restaurante que não tinha lugares marcados, mesmo as mesas eram ocupadas coletivamente, pagava dois almoços -regularmente- de sorte a impedir que outro comensal sentasse a sua frente e puxasse conversa.

DdAB
Postagem espelhada do Facebook. A imagem é óbvia: o disco de Johnny Hallyday.
P.S. intessante é que vemos o mr. Halliday portando o que, na época, se consideravam cabelos longos. Procurei agora na internet e os mais longos que vi foram os da seguinte imagem:
Parece que longos o suficiente...