10 julho, 2015

Merkel e Piazzeta


Querido diário:

Em compensação, hoje tem na página 28 de Zero Hora, naquela nova seção de artigos assinados sobre "o mundo dos negócios" (digo cá eu), um escrito por Vinicius Ochoa Piazzeta, presidente da Pactum Consultoria Empresarial. O título é "NOSSA PRÓPRIA TRAGÉDIA GREGA", tudo em caixa alta. Se mistério existe, para mim, é aquele que cerca as razões que levam homens honrados a emitirem opiniões tão secamente distorcidas. Senão vejamos:

O Brasil não é a Grécia e o Mercosul não tem a menor semelhança com a zona do Euro. Somos muito diferentes, mas a raiz do problema nós compartilhamos com os gregos. Basta dizer que ainda compactuamos com um Estado agigantado em sua estrutura, voraz na tributação (30% do PIB lá e mais de 35% aqui), ineficiência na prestação de serviços públicos e até mesmo perdulário em seus gastos.

Naturalmente, eu estaria mais tisnado se ele tivesse dito que os problemas da Grécia e do Brasil fossem provocados pelos aposentados (que, por isto, estariam sendo inconvenientes para a sociedade por existirem). Mas sua primeira diatribe contra os 35% de gastos públicos, de acordo com aquele Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (aqui), uma tolice que inclui taxa de coleta de lixo, praticamente toda ela privatizada no Brasil. Isto é, parte dos tributos brasileiros não são propriamente "gastos públicos", o que deveria reduzir o valor daqueles 35%. E se invocação tenho contra os 35% é que é praticamente tudo imposto de pobre!

Então 35%. Então estado agigantado. Só pensa no que estarão pensando os colegas e parentes daquele menino que ontem foi assassinado na frente de sua escola por rapazes que queriam confiscar-lhe o telefone celular. E nas filas dos postos de saúde, dos demais assaltados, nas demais filas (dos próprios assaltantes para nos colher nas saídas dos bancos). Pensemos na verdadeira bagunça que rege o cotidiano do trânsito, as casas enjauladas, a justiça, aquela piada chamada de justiça. Isto é que faz o estado agigantado? Se forem os juízes, resolve-se com a substituição pela empresa júnior de uma universidade europeia, como vivo dizendo por estas bandas.

Agora não entendo como é que o estado brasileiro poderia elevar sua eficiência se não fosse produzindo mais e melhor, mais serviços públicos, de melhor qualidade. Com menos dinheiro? Sem tributação? Nem aqui nem na China, que dizer da Grécia?

Não seria possível, em minha nave espacial nos confins do universo, estar mais distante desta dupla, Merkel e Piazzeta: sou de opinião que a única solução do Brasil, o começo da solução é aumentar a tributação em 5% do PIB.

DdAB
Imagem daqui.

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