terça-feira, 31 de março de 2015

O Governo e a Desigualdade


Querido diário:

O Brasil vê sua distribuição da renda elevar-se quase que de modo monótono desde, pelo menos, 1950. São muitas as causas da dispersão do leque salarial no período, havendo indícios de que foi o próprio setor público que começou a esgarçá-lo para estamentos como o dos juízes, dos políticos e o de dirigentes das empresas estatais e bancárias. Com uma renda per capita de US $ 1,250 anuais modestamente comparado com a remuneração de um representante parlamentar, evoca-me o que acabei de ler no jornal sobre a remuneração de um desses dirigentes da Petrobrás. Dono de um patrimônio de R$ 100 milhões e -segundo dizem- não despertou suspeita de enriquecimento ilícito, ele -dirigente- ganhava R$ 100 mil por mês. Ou seja, a cada oito anos, poderia (vivendo encostado na esposa...) reunir esta invejável cifra.

O salário mínimo representa no máximo a metade da renda per capita e recebeu um atrelamento grotesco: a indexação dos proventos da aposentadoria. Se o salário mínimo é um freio à incompetência empresarial (quem não pode pagá-lo que feche), qual seria o papel reservado à indexação? Como é que aposentado pode contribuir para a produtividade da economia?

Sendo mesmo a renda per capita nacional dos US$ 1,25 mil acima referidos, criar empregos de mais de R$ 2.000 mensais implica a elevação da desigualdade. Criar auxílio moradia no valor do dobro da renda per capita -no caso dos juízes e colaterais- é pedir encrenca com as gerações futuras, especialmente aquelas que serão abatidas a facadas ou tiros pelas que não terão acesso à educação e gozarão da mesma impunidade que hoje cerca o país inteiro.

Não há saída, a não ser reduzir o leque de rendas por meio de:

.a. imposto de renda
.b. gasto público
.c. descolar os aumentos do salário mínimo dos pagamentos do INSS.

No setor privado também a discrição é uma virtude a ser cultivada. Lucros superiores ao da média da economia são indícios de ineficiência alocativa, devendo ser penalizados, pois resultam da contenção da oferta que expandida faria preços e lucros cair.

No setor público, o pudor deveria ser maior pois se trata do dinheiro disponibilizado pela tributação a que teria fins alternativos mais humanitários que financiar o consumo suntuário de meia dúzia de estamentos.

DdAB
Imagem aqui.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Construindo o Roteiro Preliminar de um Ensaio


Querido diário:
No outro dia, indagaram-me como fazer o roteiro preliminar de um trabalho quando estamos na situação de nada saber sobre o tema. O tema, o de cá, é sutil. Se nada sabemos sobre o tema -pensei- primeiro devemos estudar e depois pensar se existe alguma coisa que possamos fazer pelo progresso da ciência.

Claro que uma das funções das revisões bibliográficas -as surveys da literatura- é precisamente oferecer ao novato uma visão geral dos achados mais significativos da área, os grandes autores, os temas assentados, os temas controversos, tudo, tudim.

Então sigamos na abstração de que alguém pouco ou nada sabe sobre um tema -digamos, a origem da honestidade nos políticos brasileiros- mas deseja nele expressar-se, saber mais e deixar saber aos que sabem o que já aprendeu. Pode? Claro, bastando seguir o roteiro que compus não sei bem quando que nos encima.

DdAB

domingo, 29 de março de 2015

O Governo e o Consumidor


Querido diário:

Sabe quem é José Galló? Nas páginas 8 a dez desta Zero Hora deste domingo, há uma baita entrevista com ele. Trata-se do presidente das Lojas Renner, com toda sua ascendência, ele (familiar) e ela (comercial). E não quero estender-me, não li a entrevista com exação. O que me traz a falar sobre o governo e o consumidor é a chamada de capa para a longa entrevista cedida ao jornalista Caio Cigana. Diz a capa: "Governo precisa reconquistar a confiança do consumidor".

Pensei: tá faltando leitura de teoria da escolha pública. Tá faltando a leitura de Jean Jacques Rousseau, ao esclarecer a diferença entre indivíduo e cidadão. Não há como aceitar que o governo se relaciona com "consumidores", por contraste ao envolvimento com cidadãos. É o fetiche, fetiche do mercado, fetiche do governo, fetiche da vida social.

DdAB
A imagem veio daqui. Procurrei no Google Images apenas "fetiche" e claro que vieram centenas de fotos relacionadas aos 50 tons de cinza, que parece tratar-se do sr. Gray. Com "fetiche da mercadoria", veio a turma do Marx.

sábado, 28 de março de 2015

A Justiça, este Extraordinário...


Querido diário:

... ninho de incompetência, corrupção, leniência, maldade, vagabundagem, morosidade, e por aí vai (e uma que outra bola dentro, raras raríssimas) fez mais uma, de acordo com a página 23 do jornal Zero Hora de hoje. Diz a manchete: "UFRGS terá de reintegrar alunos, determina Justiça".

"UFRGS, justiça", pensei eu: esta é boa de ler. A notícia prometia, pois era capitulada por um "EDUCAÇÃO | POR FALTA DE JUSTIÇA", em caixa menor, em verde... A bebida, minha eterna companheira ao falar de política, ler jornal, olhar o noticiário econômico, já buscou minha boca.

Os alunos foram afastados em resposta ao "mau desempenho acadêmico ou a excesso de faltas." A justiça diz que não houve direito de defesa aos réprobos. "Réprobos", quem falou isto foi a garrafa... Eu pensei: "não haveria melhor direito de defesa do que o boletim escolar", que deve apontar as notas do réprobo e seu comparecimento às aulas.

Aquela churumela sobre sobre autonomia universitária fica devendo explicação à juíza que deu ganho de causa para as notas baixas e a abstinência. Eu apoio o autodidatismo, mas sabe-se lá... Quando eu era professor da vetusta universidade, tomei a liberdade de promover a autoavaliação da frequência dos alunos, de sorte que a prova seria ainda mais insofismável: quem tivesse falta ao longo do semestre não preenchia a planilha pertinente e, como tal, seria reprovado por falta. Nem pensei em direito de defesa, pois não há defesa para o vácuo: não tem nada ali e fim. E quanto à reprovação? Sempre que um aluno tinha mau desempenho, havia formas de tentar recuperar o malfeito. E depois, a prova era a prova, isto é, havia como prova um exame.

Minha garrafa disse: cala a boca. Mas eu insisto: temos que contratar uma empresa júnior de alguma universidade dinamarquesa para administrar a justiça no Brasil

DdAB
Imagem aqui. Pedi ao Google Images "os ricos da Dinamarca". Aquele guri em disparada deve ser o reitor da universidade de Copenhague, o juiz da suprema corte, sei lá.

P.S. Eu, que estudei um ano inteirinho de direito na faculdade de economia desta mesmíssima universidade, bem posso julgar a juíza Thaís Helena Della Giustina Liemann que -data vênia- não entendeu que o conceito de "direito de defesa" não se presta ao uso neste caso.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Hai-Kai n. 111


Querido diário:

O hai-kai de hoje produzido por MILLÔR:

POR QUE LUTAM OS BRAVOS?
QUERER LIBERDADE
É COISA DE ESCRAVOS

Planeta 23:

É coisa de escravos:
sofrer sem receber
decentes desagravos.

DdAB
Imagem aqui.
E aqui o golpe foi meter um "s" no "escravo" do hai-kai milloriano.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Hai-Kai n. 110


Querido diário:

Já sabemos que minha intenção é "fazer postagens diárias ou quase", como explicito em meu site. Quando não posso, nada fazia, até que me dei conta de inventar as trovas de que já veremos um exemplo, pois agora tomei o hai-kai 110 de MILLÔR:

SE SÓ OUVIR
EU NUNCA VOU
ME REPETIR.

Planeta 23:

Me repetir:
comer coruja,
soltar a rã.

DdAB
Tirei a imagem daqui e não sei se é mesmo um quarteto acorujado.


terça-feira, 24 de março de 2015

Hai-Kai n. 109


Querido blog:

Para o hai-kai n. 109 de MILLÔR vemos:

A ÁGUA DO CHAFARIZ
BUSCA A BELEZA
REFLETE UM TRIZ.

Planeta 23:

Reflete um triz
Que então verás
o belo e bom rapaz.

DdAB
P.S.: não posso ver falar em triz que me ocorre o que ouço atribuírem ao Barão de Itarará: "atrás há três, atriz atroz", que ele teria dito quando uma atriz atroz ingressou no bonde, acompanhada de duas pessoas que procuravam três assentos.

Imagem aqui.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Gira...


Querido diário:

Para Teresa Amaro

Em Portugal, aprendi duas palavras relevantes para "A Volta ao Dia em Oitenta Mundos" de que já falei aqui e aqui:

CORTÁZAR, Julio. A volta ao dia em 80 minutos. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2009. (Impresso na Itália), [Tradução de Alberto Simões].

A primeira clarifica a natureza da postagem. A segunda fica inconclusiva, ou quase. Não sei se conseguirei explicar tudo.

Gira, no aurelião, é "pessoa adoidada, amalucada". E também falou na gira da Umbanda (que lembra "fazer uma bahiana"), que tá até na wikipedia.  Em Portugal quer dizer algo muito especial, interessante, charmoso, desejável, correto, invejável, escorreito.

No Dicionário Informal (clicar no azul), temos para gira: 
louco demente legal massa azoratado avenado adoudado amalucado biruta abilolado leso estoirado aveado esbilotado lunático esmaniado destrambelhado adoidado aloucado desabotinado aluado irado mais... Antônimos: chato sem graça sensato assissado equilibrado ajuizado careta mais...


Então, "piroso" é gira, pois leva-nos a viajar, mas não é bem gira... No sentido mais próximo, piroso lembra "pirose", ou, mais comumente, "azia". Assim, algo piroso é de dar azia. No mesmíssimo Dicionário Informal:

Significados de Piroso :
Por GoAlex (Portugal) em 26-01-2009:
S. m., adj.,
de mau gosto ou má qualidade, segundo o gosto popular: "Falando de casacos, o seu casaco é extraordinariamente piroso! Com tanta piroseira hoje em dia, o que é que não é piroso?"


Segue-se logicamente que Cortázar fala em "piroso" em -que contei, talvez haja mais- três passagens de sua "Volta ao Mundo", aliás, definição e Brasilzão antigo, uma marca de camisa que popularizou-se e, diria a elite, virou pirosa.

Cortázar 1 na página 132, falando contra gente do clube da baixaria:

Que fique assim entendido que também aqui se fala desses escritores que, no seu quinto ou sétimo livro, são capazes de escrever: 'Disse-lho uma manhã na leitaria, com os nossos cotovelos apoiados sobre o mármore frio', como se fosse possível apoiar no mármore os cotovelos da nossa bisavó ou como se o mármore das leitarias normalmente estivesse em estado de ebulição; de escritores que se permitem displicências com Borges ao mesmo tempo que produzem coisas como 'o tácito consentimento do ancestral e peremptório vindo ao de cimo pela sua natureza áspera e conceptiva', ou piroseiras onde um rosto se acende com 'o fogo indomável do rubor', para não falar dos que explicam como 'ao tomar a sua cara com as duas mãos', etc., delimitação que permitiria deduzir que há pessoas capazes de a tomarem com três ou com oito. 

Cortázar na página 200, num mundo em que falará em Lesama Lima e da crítica escabelada que lhe fazem certos "intelectuais":

Se estou a escrever estas páginas, é porque sei que parágrafos como o citado pesam mais na avaliação dos preceptores do que a prodigiosa invenção que Paradiso oferece ao mundo. E se cito a frase sobre o jovem Fronesis, é porque também me incomodam essa e muitíssimas outras piroseiras, mas também na medida em que me pode incomodar uma mosca pousada num Picasso ou uma miadela do meu gato Teodoro quando estou a ouvir a música de Xenakis.

Cortázar na página 322, começando o capítulo intitulado "CASA DO CAMALEÃO, na primeira seção que leva o título de "Sobre o sincrónico, o ucrónico ou anacrónico dos oitenta mundos":

-Minha senhora -digo-lhe eu, - não espere muita coerência desta volta ao dia. Alguns dos meus oitenta mundos são velhos e pequenos planetas a que cheguei em dias já distantes, um pouco como o principezinho de Saint-Exupèry, tão vilipendiado pelos duros da literatura e tão comovente para os que continuam fiéis a City Lights, a Jelly Roll Morton, a Oliver Twist. Por volta dos anos 40, vivi amplamente num desses mundos que parecem pirosos e antiquados aos jovens e que não é bom tom evocar hic et nunc: falo do universo poético de John Keats.

DdAB
P.S. ainda fico devendo-me pensar um pouco mais sobre piantado e seus cronópios, famas, esmeraldas, essas coisas que já se vão por outros mundos, outras histórias, outras viagens. E com aquele hic et nunc até no livro "A Ilha" de Aldous Huxley.

P.S.S. O gira-gira lá de cima é daqui.

domingo, 22 de março de 2015

Ulysses: David Harvey interpretando Karl Marx


Querido diário:

Ulysses, de James Joyce, é o mais afamado livro do século XX, segundo centenas de comentadores e mesmo do público em geral. Dizem alguns comentadores que, no Ulysses, encontramos um verdadeiro painel estilístico, cada capítulo sendo conduzido de uma forma diferente das demais. Lembro, para ilustrar, o capítulo das perguntas e respostas, o capítulo em forma de teatro e o capítulo cheio de citações. Mas Joyce não foi o único, nem mesmo o primeiro, a usar a técnica do mosaico estilístico. Digamos que estamos lendo a página 46 do livro de David Harvey intitulado

Para entender O capital; Livro I. São Paulo: BoiTempo, 2013.

David Harvey está falando naquilo que, em minha opinião, é a parte mais importante dos três volumes do Capital, a seção 4 do capítulo 1. Claro que Marx escreveu o resto, pois eu mesmo, se não tivesse lido tudo e voltado inúmeras vezes, não entenderia assim. Nesta seção, fala-se do fetichismo da mercadoria: pensamos estar trocando uma camisa por três potinhos de açúcar, quando o que trocamos mesmo é nossas horas de trabalho por horas de trabalho de outrem*.

E o que lemos?

   Esse item é escrito num estilo completamente diferente, quase literário - evocativo e metafórico, imaginativo, lúdico e emotivo, cheio de alusões e referências a máximas, mistérios e necromancias. Ele contrasta com o sóbrio estilo explanativo do item anterior. Isso é característico da tática empregada por Marx ao longo de O Capital; ele alterna os estilos de acordo com o assunto abordado. Neste caso, a alternância pode criar confusão quanto à relevância do conceito de fetichismo no conjunto da argumentação de Marx (uma confusão agravada pelo fato de que esse item foi transferido de um apêndice da primeira edição para a posição atual - assim como o item 3 - somente na segunda e definitiva edição d'O Capital
[...] 

Meu leitor então entenderá que:

.a. sou especialista não apenas na primeira sentença de Ulysses, de James Joyce,

.b. estou ficando um verdadeiro especialista nos trabalhos dos comentadores e já avancei tanto, que até começo a ver interpretações do Ulysses onde há comentadores de trabalhos de terceiros, como no caso, Harvey e Marx.

Também devemos lembrar que me declaro especialista na primeira sentença do Capital de Marx, algo como "A riqueza das sociedades humanas em que rege o modo de produção capitalista é caracterizada por uma imensa acumulação de mercadorias." E, se é para citar de memória, ocorre-me uma versão aziaga da tradução de Antonio Houaiss: "Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan debruçou-se no alto da escada, portando na mão um potinho com espuma de barbear onde jaziam um espelho e uma navalha entrecruzados." Não era bem assim, né?

DdAB
A imagem veio daqui, um site realmente esplendoroso, com uma postagem de primeira qualidade.

*Nota: isto ocorre na sociedade em que não existem transações interinstitucionais, contrariamente ao caso geral que vemos nas matrizes de contabilidade social planetárias.

P.S. Ainda que um tanto redundante, aquele negócio de navalha cruzando espelhos deveria ser acolhido como "... uma navalha jazia deitada sobre um espelho."

sábado, 21 de março de 2015

O Cachorro também é um ser Humano


Querido diário:

Quem não lembra daquela velha tirada do sindicalista e ministro de Fernando Collor, o sr. Antonio Rogério Magri? Os mais jovens talvez não lembrem, claro. Suas tiradas geniais nem são tão geniais assim. Sobre o título da postagem, certa vez descobriram que ele tratava seus cães a pão-de-ló, quero dizer, a filé minhom. Magri considerou a pergunta capciosa e fez sabermos de seu ponto de vista: "o cachorro também é um ser humano". Claro que, anos antes, Eduardo Dusek já fizera a crítica deste tipo de pensamento: "troque seu cachorro por uma criança pobre".

Mas mais: já não sei se foi Magri que, naqueles tempos em que a corrupção ainda/também se fazia presente nestas paragens, outro rapaz foi indagado: "Ministro, o sr. roubou?". O ministro, não se dando por achado, iniciou seu raciocínio com "Veja bem...". Veja bem. Veja agora o que disse o governador do Rio Grande do Sul na página 8 do jornal Zero Hora de hoje:

RUÍDO NA COMUNICAÇÃO
   Uma pergunta feita ao governador José Ivo Sartori no programa Gaúcha Atualidade [da Rádio Gaúcha do mesmíssimo grupo jornalístico do jornal e da TV e de milhares de outros jornais, TVs, rádios, jornalzinhos de bairro, e o que mais vier], sobre o uso de recursos dos depósitos judiciais, que ele tanto criticou na campanha [eleitoral do final de 2014], mostrou que há ruído na comunicação entre o Piratini e a Secretaria da Fazenda. Confira o diálogo:
   O senhor sempre foi um crítico do uso dos depósitos judiciais, dos empréstimos, do seu antecessor, mas seu governo, para pagar salários e a dívida nos primeiros meses, teve que usar parte dos depósitos...
   Eu não teria tanta certeza assim de que os depósitos judiciais foram usados nesse período.
   O seu secretário confirmou, governador.
   Ainda assim, eu não seria tão enfático nessa realidade.
   Nós recebemos a confirmação dele de que foi usado para pagar a dívida.
   Essa questão que fica: a tua palavra contra a nossa.
   Mas é a palavra do seu secretário, governador.
   São detalhes que não ajudam o conjunto. O que é certo é que ou nós fazemos um pacto de unidade no Rio Grande e trabalhamos todos juntos para construir uma nova realidade. Porque, com humildade e com serenidade, nós precisamos de todos.

Naturalmente, achei que a história do cachorro humanizado ("Bate aqui"!, ali em cima) pouco deve àquela "Ainda assim, eu não seria tão enfático nessa realidade." E mais ainda: "São detalhes que não ajudam o conjunto."

Veja bem. Achei que o melhor mesmo era eu substituir o iogurte que tomo com ervas medicinais e outros remédios cabalísticos por ervas de cheiro depositadas dentro de minha garrafa de cachaça, não desperdiçando o líquido excipiente.

DdAB
Imagem daqui.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Paulo Paim e o PT


Querido diário:

Até pessoalmente já vi o senador Paulo Paim, no momento em que ele era um sindicalista articulado (falou na FEE, quando eu lá fazia retiradas mensais e dava inputs qualificadíssimos, segundo penso) e nem lembro se candidato a deputado ou senador. O fato é que ele vem-se reelegendo senador do Rio Grande do Sul com uma perda de ímpeto de fazer inveja até ao agora aposentado Pedro Simon.

Pois vejo há dias que Paulo Paim começa a articular-se para deixar o PT. Pois considero-o um mau senador, um defensor de medidas que não seriam aprovadas pelo mais iniciante estudante de economia, que dizer de uma assessoria que ele deve ter aos magotes de economistas formados. De que falo? De sua mania de querer que os aposentados ganhem reajustes precisamente idênticos ao crescimento nominal do PIB, um troço assim. E nem sei se aquela "Força Sindical" que margeia a página do sindicato dos aposentados (sindicato?, pelos deuses!, um sindicato de aposentados, só no Brasil, só com a força sindical, só com o Paim... Será que ele sabe que os rendimentos do aposentado não são renda?).

E acho que sair do PT hoje em dia é uma prova de bom-gosto. Mas sair do PT por não encontrar espaço para nova candidatura a senador é piada. E até compromete o que de bom ele terá feito nestes anos todos (que nem sei o que foi, dada sua colagem na esteira dos votos dos aposentados. E outras estrepolias populistas).

DdAB

quinta-feira, 19 de março de 2015

Terramoto e Terror


Querido diário:

Meu temor, nas horas de pouca bebida, é que os "evangélicos", como o presidente da câmara dos deputados, sr. Eduardo Cunha (que responde a 20 processos na justiça), tomem conta do Brasil, de Portugal, de Roma e botem na roda nova e Santa Inquisição. Isto implica que gelei ao ler o que segue bem aqui, na página 129 e a nota na página 130:

SHRADY, Nicholas (2014) O dia do fim; ira, ruína e razão no Grande Terramoto de Lisboa de 1955. Alfragide: LeYa.

O terramoto [ocorrido em 1o. de novembro de 1755 em Lisboa] tornou-se assunto de comentários, histórias admonitórias, especulação e debates acalorados nas igrejas, salões, universidades, instituições civis e nas ruas. Para complementar as narrativas carregadas de terror do desastre que iam surgindo na imprensa, depressa começaram a ser incluídas imagens - na sua maioria, gravuras em cobre - que mostravam claramente a tragédia com um pormenor arrepiante, ainda que nem sempre rigoroso. A maior parte das gravuras, sem identificação de autoria, publicadas em jornais por toda a Europa, principalmente em Inglaterra, França, Holanda e Alemanha, foi produzida por gravadores a soldo em tempo recorde para satisfazer o apetite do público por uma referência visual de uma calamidade que parecia ultrapassar qualquer descrição. O rigor na representação da arquitetura ou da paisagem natural lisboetas pouco contavam. Uma imagem publicada na Boémia em 1755, por exemplo, mostrava os edifícios de Lisboa num estilo claramente barroco da Europa Central.  Porém, a fidelidade, dificilmente teria alguma relevância. Bastava mostrar edifícios em ruínas, o rio revoltoso, labaredas a saltar e multidões em pânico para transmitir ao público - grande parte do qual era analfabeto - uma noção das dimensões da catástrofe*. Somente o gravador francês Jacques Philippe Le Bas (1707-1783) procurou conferir um certo realismo ao seu trabalho, mas dispunha da vantagem significativa de trabalhar a partir de desenhos efetuados pelos artistas Paris e Pedegache, que estavam em Lisboa no momento do sismo.
*O assunto gozou de uma longevidade notável. Continuavam ainda no final do século XIX e começos de XX a ser encomendadas gravuras para ilustrar a hecatombe, tendo em vista um público que, nessa altura como agora, manifestava uma atração mórbida por catástrofes.

Quando cheguei na atração mórbida por catástrofes - nessa altura como agora - pensei: é mesmo. Parece que a turma é mesmo chegada nos desdobramentos de catástrofes, acidentes e quebra-quebras. O que me parece bastante promissor é a mudança de atitude que cercou nosso mundo (Brasil, Portugal, all over?) com relação à causa das catástrofes. Da punição divina aos pecados do mundo que floresceu na tragédia portuguesa, chegamos hoje à visão de que morar em planeta é perigoso, sem implicações transcendentais relativas à origem dos descontroles.

Meu medo, como já apontou em 1995 meu colega catarinense Lois Roberto Westphal, o grande perigo são os evangélicos heterodoxos. Agora, eu que comecei falando em Eduardo Cunha e seus 20 processos legais, ouvi dizer que ele -himself- está liderando nova mudança na constituição da combalida república para que ela assegure a seus leitores que a família é esteiada num par homem-mulher. Ou seja, não pode home/cum/home nem muié com muié.

No caso presente, abandonando as crendices, as eduardices, deveríamos ter quatro tipos de família:
.a. homem com mulher
.b. mulher com mulher
.c. homem com homem
.d. qualquer outro arranjo entre humanos (também não me venham com sodomias ou pedofilia).

DdAB
P.S. Já falei a respeito de uma família mais iluminada que a simples homem-mulher aqui, inclusive a imagem.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Entreguismo ou Sabedoria


Querido diário:

Haverá alguém mais contrário e contrariado com o deputado Aldo Rebello e seu filhote gaúcho, deputado Raul Carrion? Falo apenas nas diatribes contra os estrangeirismos no português brasileiro. Segue-se logicamente que ao ler, dias atrás, a seguinte passagem em

SHRADY, Nicholas (2014) O dia do fim; ira, ruína e razão no Grande Terramoto de Lisboa de 1955. Alfragide: LeYa.

fiquei meditando, eu que me declaro americanófilo, japanófilo, argentinófilo, uruguayófilo, francófilo, italianófilo, malasianófilo. E até indianófilo e sinófilo.

Estamos na página 79:

[...] os Lusitanos, apesar de terem oposto inicialmente uma resistência feroz aos invasores romanos, depressa apreenderam as vantagens sociais, económicas e intelectuais da romanização. Olisipo [o nome que a turma deu lá no pretérito perfeito a Lisboa] foi elevada ao estatuto de municipium e Júlio César conferiu-lhe o sonante epíteto de Felicitas Julia, ou seja, 'a Alegria de Júlio'. A Lusitânia, como os romanos chamavam à Ibéria ocidental, forneceu a Roma sal, cereais, peixe seco, mármore, minerais e cavalos muito apreciados. Em troca, os habitantes obtiveram os frutos concedidos por Roma, incluindo o direito romano, a administração e as práticas fiscais romanas, as obras públicas romanas, de estradas e banhos públicos e aquedutos, um panteão de deuses romanos e arte e literatura romanas - numa palavra, civilização.

Sempre me pergunto se a Eritréia não mereceria uma invasão destas. E o Brasil, meu chapa, e o Brasil? Pelo que concluí de muitos anos vivendo do lado de baixo daqueles cavalos exportados a Roma, houve alguns desvios equinos e muares e eles foram mandados ao Brasil, onde proliferaram como políticos e cargos em comissão.

DdAB
Falei em burros e cavalos? Na condição de latino-americano, decidi colocar lá em cima um toque oriental: uma lhama origamizada, originando-se daqui.

terça-feira, 17 de março de 2015

Trocando Nomes para o Bem do Brasil


Querido diário:

O título de hoje fala sutilmente nas manifestações de domingo passado. A Zero Hora de hoje permite-me reproduzir algumas características do manifestante modal: educação superior, ganhando mais de dez salários mínimos. É a burguesia? E se for? Se for, torna-se claro que há os burgueses abilolados, como os que desejam o retorno dos militares, nada de Deodoro ou Hermes, mas Castelo e Costa. Só bebendo. Mas também digo "só bebendo" para aqueles que pensam que haverá alguma salvação para um país de instituições tão frágeis que não conseguiu estruturar um sistema judiciário decente que impedisse a ladroagem de 515 anos de existência e a invasão por oportunistas de tudo que é meandro do poder e, especialmente, esta pérola da democracia que são os partidos políticos de hoje e de antanho.

Falando neste lado elitista das manifestações, citei no título da postagem aquela história de 1964 que criou-se o slogan de "dê ouro para o bem do Brasil". Muita gente deu, dentes, alianças, broches e tudo ou quase tudo foi mesmo é roubado por ancestrais dos ladrões de hoje mesmo. (Esta vírgula antes dos dentes é legítima, senhoras editoras.) E trocar nomes significa achar um, unzinho, que lidere um verdadeiro projeto nacional, alguma brecha para uma aliança de classes.

Em compensação, adquiri em Lisboa e estou lendo

SHRADY, Nicholas (2014) O dia do fim; ira, ruína e razão no Grande Terramoto de Lisboa de 1755. Alfragide: LeYa.

O "dia do fim" é, talvez, metafórico para dizer que o terramoto (sic) converteu-se no final de uma era, especialmente o domínio do clero sobre a sociedade portuguesa, de alto a baixo. E, em especial, a queda do poder dos jesuítas. Desses tempos, o que eu sabia era que o (futuro) Marquês do Pombal (*1699, +1782) expulsara os jesuítas de Portugal, o que acarretou a expulsão desses rapazes das Missões localizadas nas cercanias de Três Passos, Cruz Alta, aquela região semi-abandonada mesmo nos dias que correm.

Já que falei em política, sigo falando em economia política e cito a interpretação do britânico autor do livro sobre o terremoto do dia de todos os santos sobre o ideário de Sebastião José de Carvalho e Melo (o futuro Marquês do Pombal):

[ele] percebeu a importância do poder como garante (sic) da ação independente, da necessidade de promover uma classe dinâmica de negociantes e comerciantes, e o papel predominante da finança na sobrevivência de um Estado moderno. Como Maria Teresa e seu chanceler Wenzel Anton von Kaunitz, Sebastião José aprendeu acerca de reformas administrativas modernas, das bençãos da centralização e da necessidade de desencadear a Igreja dos assuntos da governação.
   Sebastão José de Carvalho e Melo estava, contudo, bem ciente de que a tarefa da reforma em Portugal seria penosa porque o país estava agrilhoado em quase todas as frentes. Os problemas, já com a idade de séculos, das comunicações obsoletas, indústria insuficiente, défices comerciais, estagnação social e um sistema educativo antiquado, tudo isso eclipsado pelo resplendor ofuscante do ouro, estavam a impedir Portugal de tomar o seu lugar de direito entre as nações civilizadas da Europa. Chegara o tempo de um plano abrangente de reforma e Sebastião José era provavelmente o único homem do reino que conseguiria levá-lo até o fim.

E não há como deixar de pensar que dificilmente virá da classe alta a determinação para acabar com a lassidão que toma conta do tecido empresarial brasileiro. Atrevo-me a sugerir que a moda dos manifestantes educados e ricos seria mesmo de políticos, seus parentes, os cargos em comissão e, finalmente, os estamentos bem aquinhoados da administração pública. E que ainda temos que esperar pela "classe dinâmica".

E com isto não quero dizer que não haja roubalheira no país, o que é um problema essencialmente do sistema judiciário, o que -por certo- inclui tanto a polícia federal, estadual e municipal, como a turma do imposto de renda que ainda não entendeu como fiscalizar a sonegação e o enriquecimento ilícito!

DdAB
Imagem daqui. Obtive-a ao consultar no Google Images a expressão "resplendor ofuscante do ouro". É um clímax ou anticlímax? O ouro ali não resplandece, mas o site é mesmo a apologia do poder monopolístico/mercantilístico da República Popular da China.

domingo, 15 de março de 2015

Eles Apoiam o MP. E eu?


Querido diário:

Hoje é dia de grandes manifestações contra o governo. O governo Dilma, o PT. Eu fico rindo. Vi cartazes na TV, logo eu que pouca TV vejo e menos ainda nos domingos matinais. E fico rindo, pois vi cartazes querendo o impeachment e outros defendendo a Petrobrás, uns querendo justiça e outros afirmando apoiar o ministério público.

Eu rio porque costumo dizer que há um problema que envolve a solução de todos os demais problemas e que é precisamente a ineficiência de todo o sistema judiciário, o que envolve não apenas os policiais que vigiam os manifestantes, como a conta do imposto de renda deles, policiais e manifestantes, os deputados, seus impostos de renda, a morosidade dos juízes em julgarem o que quer que seja, para não falar nos crimes dos deputados, senadores e vereadores. A soda cáustica no leite, as merendas infantis roubadas, a evasão fiscal ilegal, os meninos de rua, os mendigos sedentários, toda essa encrenca.

Simetricamente aos que apoiam o ministério público, orgulho-me de desejar o fechamento de todo o sistema judiciário e substituí-lo por empresas juniores contratadas dos centros acadêmicos de universidades europeias decentes.

DdAB
A imagem é do jornal O Estado de São Paulo. Tu viu que tem até um pedido de intervenção militar naquele pano branco?

P.S.: são 19h37min deste mesmo domingo. Tenho a triste missão de registrar que meu querido amigo Jesiel de Marco Gomes faleceu hoje em torno das 13h00.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Zero Hora, as Drogas e a Teoria do Valor


Querido diário:

Parece que foi ontem e até acho mesmo que foi... Li em Zero Hora algo que me intrigou. Mais ou menos: diz-se que o PIB do Rio Grande do Sul caiu ou cairá em virtude de dois fatores: preços menores para a produção agrícola e custos maiores na atividade. Sempre que alguma notícia fere meus dois sentidos (sentido do sim e sentido do não), penso que foi mesmo a proverbial Zero Herra.

Por falar em Zero Hora, omitindo a Zero Herra, não registrei com fanfarras a mudança de posição do jornal no que diz respeito à legalização da maconha. Na condição de intrinsecamente reacionário, é claro que o jornal era intrinsecamente contrário à medida. Mudar para a posição a favor é um progresso. Claro que há muita coisa, muitos consideranda, que permite ao leitor atento entender que eles são mesmo é o jornal conservador que leio por teimoso.

Os leitores do Planeta 23 sabem que há anos defendo:

.a. discriminação a consumidores suspeitos de serem crianças, criminosos ou loucos,

.b. definição de bens públicos, de mérito e de demérito (e, claro, bens regulares),

.c. considerar a maconha, o cigarro, a cachaça, etc., como bens de demérito simples, o que permitiria a alguém vendê-los, com restrições à publicidade persuasiva (a informativa até que é boa), arrecadando impostos e impondo a eles o mesmo tipo de política que hoje norteia o combate ao tabaco,

.d. por fim, drogas pesadas como a venda de órgãos humanos, o crack, etc., devem ser sumariamente proscritos. Quem precisar de transplante, de uma fumada, etc., deve recorrer ao SUS, que fará a provisão gratuita. O SUS, se não for bobo, requererá contrapartidas. Por exemplo, do rapaz requerendo transplante, que fique disciplinadamente esperando sua vez, no caso de haver fila (só loucos recorrem à justiça, a fim de burlar a fila e apenas advogados anti-sociais -como seria o caso do juiz Alexandre, ops. não era Alexandre...- é que tentam os embargos infringentes, aquele palavrório, para furar a fila. O rapaz querendo um "tapa" deve sujeitar-se a fumadas limpas, ou seja, de banho tomado, quem sabe até de barriga cheia, essas coisas que caracterizam o indivíduo como não-criminoso, não-criança e não-louco.

.e. esclarecendo: considero do mais alto interesse da segurança nacional que as drogas pesadas, que comprometem a saúde física e mental da população de modo agressivo, devem ser distribuídas gratuitamente, sob a supervisão das enfermeiras.

E a teoria do valor? Diz ela em todas as correntes econômicas que, quanto maior a produtividade do trabalho, menor será o preço. Então pensei na relação entre a queda do preço dos produtos agrícolas gaúchos e os óbvios ganhos de produtividade. Mas também pensei no conceito mais mundano de valor, em especial, valor adicionado:

V = P*Q - p*q,
onde V é o valor adicionado, P é o preço do produto agregado, Q é sua quantidade, p é o preço dos insumos agregados e q é sua quantidade. A pergunta é: que acontece com V quando P cai e quando p*q sobe.

A primeira parte é mais fácil de responder: se a demanda pelo agregado dos produtos (agrícolas) gaúchos é elástica (e deve ser, não deve?), então queda no preço provoca queda na receita total (com um aumento contrarrevolucionário em Q), ergo, queda no valor adicionado. Ponto para Zero Hora, no caso em que a demanda é mesmo elástica. Se for inelástica, tudo vale ao contrário e temos Zero Herra... O mesmo raciocínio vale para p*q. A demanda por insumos só pode ser elástica ou inelástica. Se p*q aumenta e os preços dos insumos são crescentes, então concluímos que a demanda é inelástica, mas aí as quantidades é que serão decrescentes.

Ou tudo isto é ficção, uma vez que bem sabemos que a demanda de qualquer bem y é função de x1, x2, x3 e xis etc. Como simplificamos o mundo com y e x1 apenas, então Zero Hora conta com outro tipo de informação que não compartilhou com seus leitores mais diligentes.

DdAB
Imagem daqui. Alcancei-a como a segunda imagem oferecida ao digitar no Google Images "drogas pesadésimas". Um tanto estranho, não é mesmo?

quinta-feira, 12 de março de 2015

Hai-Kai n. 108


Querido diário:

O hai-kai de MILLÔR é:

DEMOCRACIA É UM ESPETO!
PARA MIM, É PRETO NO BRANCO
PARA ELE, É BRANCO NO PRETO.

E o deste humilde planeta é:

Para ele, é branco no preto
Para mim, é preto no branco:
democracia é um espeto.

DdAB
P.S. meu hai-kai lembra bem lembradinho o de Millôr. A propósito chamo a atenção de quem acha que me falta imaginação para as rimas paupérrimas que identifiquei em Jorge Luis Borges e Luis Vaz de Camões. E cito o que me inspirou: "o preto no branco dos olhos da preta... silêncio na praia de Copacabana" e por aí vai.

E a imagem de apetitoso espeto como seja politicamente incorreta é daqui.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A Social-Democracia na Corrupção


Querido diário:

Os jornais falados e escritos de ontem e hoje falam e escrevem, festivamente, nos vetos presidenciais e nas insistências parlamentares na correção da tabela do imposto de renda, para dar vezo à inflação. Ou melhor, o vezo é da inflação e a correção da tabela pode ajudar a raiz quadrada...

O governo queria uma correção na tabela no valor de 4,5%, ou seja, pilhas de pontos percentuais aquém do verdadeiro índice de preços. O congresso não queria. Fizeram acordos de sorte que quem ganha mais de R$ 2 mil é que começa a cair nas tabelas de desconto do imposto na fonte ou isenções. Pois bem: isto é o dobro da renda per capita do país. Lado bom. O lado mau é que apenas o auxílio moradia dos juízes de R$ mil é quatro vezes a renda per capita. Então que ganhamos? Os juízes terão esses 4,5% e o sr. José Little People terá a correção de 6,5%.

Um estrondoso movimento de justiça distributiva, como diz Vinicius, reparou como é que ando sutil demais?

DdAB
A imagem é do dormitório Múcio Teixeira, esquina com a Av. Ganzo, tudo no progressista bairro do Menino Deus, em Porto Alegre. Lá no fundo, há um casal que poderia -otherwise- ser o violonista principal e a técnica em manutenção de teclados da Orquestra Municipal. Mas eles estão mesmo é condenados à morte prematura.

terça-feira, 10 de março de 2015

Esqueci que Ela é Inteligente...



Querido diário:

Quem me lê diuturnamente terá visto há meses e meses que costumo dizer que não é absoluta mentira que Dilma Rouseff foi minha estagiária na FEE. Pelo menos, ela fez uma ou duas tabelas para mim, nos mutirões de trabalhos urgentes. Isto terá sido em 1974. E de lá e depois de lá ficou-me a crença de que ela é uma das mulheres mais inteligentes que o Brasil já viu.

Mas seu governo tem feito tanto atropelo, com um congresso de fazer chorar e outro poder judiciário pedindo fechamento, que nem sei mais o que dizer. Neste caso, passo a palavra a ela:

Eu acho que há que caracterizar 
razões para o impeachment 
e não o terceiro turno das eleições.

Li na página 8 de Zero Hora de hoje, coluna Política +, de Rosane de Oliveira.

Tou com ela: no atual estágio da quadratura, impeachment dá bode.

DdAB
Imagem aqui.
P.S. Um amigo que encontrei casualmente no Baixo Chiado, ou melhor, na Cidade Baixa, lera a postagem e falou em tempos verbais. Disse que melhor eu teria feito se tivesse escrito que eu esquecera ser Dilma inteligente. Argumentou que se eu esqueci, pretérito perfeito, ação terminada, eu não poderia estar falando nisto. Não adiantou eu disser que o vi almoçando, pois ele disse que almoça todo dia, mas o almoço de ontem acabou ontem mesmo. Então: esquecera que ela é inteligente. E esquecera, pois tenho visto tanta falta de estratégia, a menos que eu mesmo é que seja caprino e tudo respeite um vigoroso plano que ainda dará certo durante meu horizonte de vida.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O Mundo no Diário Gaúcho


Querido diário:

Em, que sofro quase que diariamente, lendo Zero Hora e Carta Capital, no dia 3 de março de 2015, ou seja, há menos de uma semana, voltei minha atenção ao Diário Gaúcho, um integrante com cargo de dirigente no Clube da Baixaria.

Então li que, em Alvorada, progressista município da Região Metropolitana de Porto Alegre, ocorreu uma "chacina" em que pereceram quatro jovens. Um deles, de 16 anos, se chamava Bryan. Mais abaixo, ficamos sabendo que o "novo camisa 9 do Grêmio se chama Braian. Fiquei pensando: então é a mesma coisa. Não satisfeito com o conteúdo filosófico (o todo é igual a si mesmo) desta semelhança, pensei nos deputados Aldo Rabelo (federal) e Raul Carrion (estadual) que odeiam este tipo de gente: eles querem proibir o povo de dar a seus rebentos os nomes que -a seu ver, dos pais- lhes possibilitará ganhar a vida com honestidade. Esta díspar dupla deveria ser chamada de, respectivamente, Zé e Pelé, não é?

DdAB
Imagem aqui. Os deputados ficariam doidos com tanta língua estrangeira, não é mesmo?

domingo, 8 de março de 2015

Hai-Kai n. 107


Querido diário:

Agora temos o hai-kai de

MILLÔR:

NO FIM TUDO DESTRAMBELHA
NINGUÉM GANHA
NESSE JOGO-DA-VELHA.


Planeta 23:

Neste jogo-da-velha
Vemos jovens
Que veem de esguelha.

DdAB
P.S. aquele jogo da velha lá de cima, para quem não sabe, mostra os cinco blocos a matriz de contabilidade social mais simples possível! Coloque, na ordem, em cada bloco, os nomes dos Produtores, Fatores e Instituições. Convencione que as linhas representam créditos e as colunas, débitos. E fica tudo certinho!

sábado, 7 de março de 2015

Corrupção: e o caso geral?


Querido diário:

Hoje a festa foi a lista de 54 políticos que afanaram ou são suspeitos de o terem feito dinheiro do povo. Temos agora a chamada "Lista de Janot", por analogia à de Schindler e dela constam mais de 200 milhões de políticos vinculados ao PP do Rio Grande do Sul. Diz um deles:

(...) destas empreiteiras, não recebi nenhum centavo.
[Jerônimo Goergen]

e

não tem 'nada a ver com quaisquer ilícitos relativos à Petrobrás.
[José Otávio Germano].

Outros também dizem coisas, mas o caso geral, que é o de não ter recebido dinheiro de nenhuma empreiteira ou ilícitos relativos, digamos, ao Banco do Brasil, parece não ter sido alcançado pelos dois próceres que tenho a honra de citar.

DdAB
Imagem: aqui.

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Binário da Azenha


Querido diário:

Quem não sabe que azenha significa moinho de roda tangido pela água de uma sanguinha? E sanguinha, quem não sabe que é um riachinho? E riachinho? E Rua da Azenha, que é uma movimentada avenida que desliza pela cidade de Porto Alegre?

Sobre ela, pudemos ler, ontem, o devastador artigo de Juarez Fonseca, da p.27 de ZH que fala do Binário da Praia de Belas-Borges, permitindo que se questione a qualidade da engenharia de tráfego da cidade. Sua veemência suscita a discussão de outros casos de ação ou omissão. Alguns deles fariam a diferença entre a vida e a morte de homens e cães - no dizer borgeano (o escritor argentino, não o caudilho sul-riograndense). Uma engenharia de tráfego discutível tem a ambição de ajustar o comportamento da população a seus desígnios. Tal é o caso do trecho da Rua da Azenha entre o quaternário também integrado pelo trio Princesa Isabel-Bento-Oscar Pereira e a rua do Estádio Olímpico.

Na Rua da Azenha pintou-se uma faixa amarela com razoável sucesso no que diz respeito a impedir o “jogo do covarde” encetado entre os motoristas que vão e os que vêm em sentidos opostos pela mesma pista: quem aguenta a pressão e não desvia? São raros os acidentes automobilísticos fora da linha, o mesmo não se podendo dizer quanto às dezenas de pedestres que por infelicidade precisam cruzar a rua de poucos semáforos e uma frota de ônibus, caminhões, automóveis, motocicletas, etc.

Diria o Analista de Bagé que, se a EPCT der uma meia dúzia de telefonemas, ela poderá educar toda a população que passará a evitar a travessia perigosa. A cidade estará à beira do nirvana, configurando-se o que se chama de estratégia populacional de lidar com assuntos de políticas públicas. Por contraste, enquanto a educação não for alcançada por um número mesmo que discreto de transeuntes, seria sensato que o poder público adotasse a chamada estratégia de alto risco, alcançável por meio de um simples canteiro, destes que foram construídos às pencas na Praia de Belas-Borges. Com um canteiro central, teremos na Azenha o segundo binário da capital.

DdAB
Imagem daqui. Os personagens não pisam a Rua da Azenha, mas outro canto do universo.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Sociedade Pós-Industrial e Nacionalismo Antediluviano


Querido diário:

Quem faz o navio? Claro que a indústria naval, a indústria de material de transporte. A mesma que faz automóveis e tratores. No Brasil, a negadinha preferiu automóveis, o que implicou um atraso de no mínimo 50 anos para sua modernização. Claro que os tratores poderiam ter sido importados, da mesma forma que os automóveis. O que aconteceu é que a ladroagem da política criou incentivos de tal monta (isto é, preços relativos escabeladamente favoráveis) que passou-se a produzir tanto automóvel no Brasil que nem te conto.

E se tivessem criado os mesmos incentivos para tratores, dando direito a cada trator de cultivar propriedades de, digamos, mais de 100 ha? Teríamos, a cabresto (linkages, meu chapa) mais desdobramentos da indústria do material de transporte, serviços às empresas na manutenção dos tratores, tornearia e metalurgia de algumas peças, e por aí vai. Mas não, o Brasil tinha que industrializar, porque os países centrais assim fizeram.

O custo de oportunidade, bem sei, e descobri ao estudar para o trabalho que referencio no P.S. é o desamparo da infância, a falta de poder judiciário, essas coisas. A rigor, bens públicos e bens meritórios. E daí? Esta é a sociedade pós-industrial: trator não produz engenheiro, mas engenheiro produz trator. A pós-indústria é educação para todos, educação de qualidade, humanização, produtividade, capital humano! O passado é pensarmos em produzir automóveis sem tratores, produzir chips de alta tecnologia no país dos meninos de barriga dágua. E não se gerar valor adicionado nem na produção dos navios nem nos fretes de nossas riquezas.

O Brasil tem uma estonteante vantagem comparativa na produção de alimentos e minérios (setor primário, indústria extrativa mineral e agro-indústria). E poderia ter também, se tivesse educação, vantagens na condução de navios, navios de gente e de carga.

A pergunta é: "que tipo de maldição apossou-se dos economistas conselheiros dos governantes que insistem que o financiamento governamental deve alcançar os capitalistas made in Brazil e não os kids made at this very place.

DdAB
Imagem: aqui.
P.S. .a. versão alongada:http://www.americaconsultoria.com.br/site/arquivos/280412_074528primario_contemporaneo.pdf 

.b. versão resumida:

http://www.americaconsultoria.com.br/site/arquivos/280412_075633duilio_e_joal.pdf

quarta-feira, 4 de março de 2015

Faço parte da elite: não sou fã ardoroso do Brasil


Querido diário:

Li no jornal Zero Hora (que me deu esta imagem) esta maravilhosa crônica de Martha Medeiros. O título da postagem está lá no meio da crônica. Não sei se irei à passeata do dia 15, pois a terceira idade não pode fazer manifestações violentas. E eu iria, talvez, chamar os 54 políticos denunciados pelo procurador geral da república, entre eles, nada mais nada menos que o presidente da câmara dos deputados e o presidente do senado da república, de vacas.

DdAB

Opinião

Martha Medeiros: autocrítica

A colunista escreve às quartas-feiras em ZH

04/03/2015 | 05h04
Nunca fui fã ardorosa do Brasil. Suas lindas praias, sua música, sua irreverência, nada disso jamais foi suficiente para superar meu desgosto profundo por ter gente morrendo em corredor de hospital, por professores ganharem uma merreca de salário, por não podermos andar com segurança pelas ruas e demais indignidades com que convivemos dia sim, outro também.
Desde que passei a ter o mínimo de consciência política, entendi que ética não era o nosso forte. Quando o PT apareceu, simpatizei, mas não cheguei a acreditar em salvadores da pátria porque a minha descrença estava bem sedimentada. Ainda assim, dei meu voto lá no início, era uma possibilidade. Que se cumpriu até certo ponto, mas o partido se revelou vulnerável como qualquer outro e o resto da história está aí. A roubalheira, que sempre existiu, tomou conta da maior empresa estatal do país e o vexame ganhou proporções monumentais.
O quadro geral é de tristeza. Porém, o que tenho visto é uma alegria perversa entre os caçadores de bruxas. Parece que as pessoas estão salivando diante dos escândalos, satisfeitas por poderem satanizar à vontade os dirigentes do país. Não acho que corruptos mereçam absolvição, estamos sob o comando de maus gestores e péssimos exemplos de cidadania, e torço pela punição de todos aqueles que saquearam o Brasil. Estarei nas ruas no dia 15 de março porque acredito que o povo precisa se expressar, mostrar que está vigilante, mas a raiva contida em muitas declarações contra os petistas não me representa.

Uma coisa é se manifestar – inclusive com humor – a fim de pressionar pelo fim da impunidade. Demonstra amadurecimento da população. Mas, no momento em que chamamos a presidente de vaca, fazemos brincadeiras sórdidas alusivas ao rosto de Cerveró ou culpamos o PT pelo espirro do cachorro do vizinho, trocamos a maturidade da nossa indignação por um bullying coletivo que mais revela nossa pobreza de espírito do que grandeza como nação.
Faço parte da elite e me sinto à vontade para fazer uma autocrítica: sim, os elitistas talvez estejam, consciente ou inconscientemente, vingando-se de uma suposta perda que imaginaram que teriam com a ascensão de um partido popular ao poder. No fundo, torceram para que desse errado e, agora que o castelo de cartas ruiu de fato, há uma comemoração evidente. Uma desforra. Um clima de final de campeonato, como se o gol da vitória tivesse finalmente sido marcado.
No entanto, só vejo perdedores nesse jogo. Uma grande nação de perdedores. Nada de engraçado está acontecendo. A única vitória possível se confirmará caso, num futuro próximo, a impunidade já não for dada como favas contadas e uma nova classe política nascer dos escombros e reinventar o país.
E se a ética vier a ser o nosso forte, em todas as camadas da sociedade.
[sic]

segunda-feira, 2 de março de 2015

Borges por Cortázar e o Japão pela Economist


Querido diário:

Primeiro vejamos o que Julio Cortázar disse de Jorge Luis Borges, não que esta seja a sentença final do primeiro sobre o segundo, nem que ele desejasse que seu conhecimento disto e daquilo passasse essencialmente por esta sentença (páginas 140-141):

[...]

Já me aconteceu dar-me na cabeça perder uma noite em San Martín e Corrientes ou num café de Saint-Germain-des-Prés, tendo-me entretido a ouvir alguns escritores e leitores argentinos embarcados nessa corrente que pensam "comprometida" e que consiste grosso modo em ser autêntico (?), em enfrentar a realidade (?), em acabar com os bizantinismos borgeanos (resolvendo hipocritamente o problema da sua inferioridade face ao melhor de Borges através da falácia usual de se valerem das suas tristes aberrações políticas ou sociais para diminuir uma obra que nada tem a ver com elas). 

[...]

Sigo, bem percebemos, no espírito de:

CORTÁZAR, Julio. A volta ao dia em 80 minutos. Lisboa: Cavalo de Ferro, 2009. (Impresso na Itália), [Tradução de Alberto Simões].

Simplesmente fiquei lendo dezenas de vezes, vezes sem conta, aquela parte das "tristes aberrações políticas ou sociais". Que é isto? Por exemplo, I presume, a de simpatizar com as ditaduras do cone sul, a milicada de fala castelhana. Por coincidência, comecei a ler este Cortázar em Lisboa, cidade em que há três anos ou quatro, postei isto aqui, que nem reli agora, mas se me lembro, deixo bem claro que uma coisa é o Borges intelectual e outra é o puxa-saco autoritário. E lembro/lembrei (?) daquilo que Marx disse de Balzac: seu humanismo transcende o reacionarismo.

E é de reacionarismo que desejo falar sobre a Economist. Naturalmente esta é uma revista "flor de reacionária", como digo eu já que estou de volta aos pampas gaúchos. Estou na página 59 da edição de 14 de fevereiro, onde vemos um box sobre o Japão:

Finance and economics
Inequality in Japan
Tokyo
The problem is not the super-rich

Depois de todos estes salamaleques, vem a notícia que envolve desigualdade e Piketty. A revista se inquietou que seu livro já vendeu 130 mil cópias naquelas bandas:

[...]

Many argue that what Japan really needs is a lot more inequality, but of  a different kind. Its employment system still tends to reward seniority and status rather than performance, in what Japanese call akyu byodo or 'bad egalitarianism'. If people were paid for what they accomplish, argues Robert Feldman of Morgan Stanley, the economy would grow faster. And Japan's chronically low levels of business creation mean that there is worryingly little wealth inequality of the sort created by entrepreneurs who become billionaires by dreaming up wexciting new products and services.

[...]

Então esse "many argue" é o sr. Robert Feldman! E qual sua teoria do valor? Pagar ao trabalhador pelo que este realiza? E como calcularia isto? Preços de mercado? E se estes são distorcidos pelo poder de monopólio, como é caso do afamado porteiro do edifício sede da Petrobrás na Av. Rio Branco na BelaCap?

E será que os spectacular rewards de que nos falou Schumpeter têm mais a ver com o discreto Japão depois do salto desenvolvimentista ou com a China e sua turma de jornadas de trabalho infantil de 14 horas diárias? Não estamos falando de tristes aberrações políticas e sociais dessa turma da Economist? Será que não entendem o que é sociedade igualitária? Mesmo sem defender o Japão e seu Gini = 0,378, apavora-me um crescimento chinês que em 30 anos levou a um Gini = 0,55. Bem sabemos que esta altura de Gini de mais de meio metro é o estilo brasileiro.

DdAB
Tem no mínimo mais uma postagem eletrizante sobre a "categoria" aqui. E a imagem veio daqui.

domingo, 1 de março de 2015

Zero Herra: digo e desdigo


Querido diário:

Hoje em iria postar a 107a. trova de hai-kais com Millôr Fernandes. Mudei de ideia, pois ainda ontem eu andei falando mal dela e da Capital dos Carta, a revista criada por Mino Carta já adentrado em sua terceira idade. A ambos leio regularmente.

E falo agora de Zero Hora, o gigante de informação e qualidade! Pois bem, que digo? Digo que o caderno PrOA tem matéria da jornalista Letícia Duarte sobre impeachments. Já achei revolucionário colocarem o tema na capa do caderno esposando um ponto de vista alheio à simpatia. Eu não disse "antipatia". Vejamos a manchete da capa: O eterno retorno do impeachment.

Gostei, pois parece mania, parece artifício pueril da oposição, qualquer oposição. "Hay gobierno? Soy contra!" Mas quem é contra o governo sou eu e não os dromedários que defendem o impeachment, os impeachments. Lembro de Tarso, mal FHC fora reeleito e tomado posse, o causídico dos pampas já estava pedindo o impeachment, se não me engano, porque a gestão econômica de seu governo desvalorizara o câmbio. Cada uma!

E há números arrasadores para desmoralizar a palavra, sem falar em Collor (que ela refere no mesmo parágrafo de onde retirei os seguintes dados):

Enquanto Dilma já recebeu dez pedidos de impeachment, Lula teve 34 eu seus dois mandatos, e Fernando Henrique, 17.

Eu já lera em outros tempos também declarações de um prócer de oposição (a quem, meu Deus?) dando uma espécie de check list do impeachment. Começa-se a falar e, se começa a colar, fala-se mais e se a falação transforma-se num efeito bandwagon, bola prá frente e pinta o processo judicial. E tentei ridicularizar as tentativas do impeachment da profa. Yeda Rorato Crusius da governança do estado gaúcho (aqui).

DdAB
E tem os exagerados, como os da imagem daqui, que já querem logo a milicada. Quer mais posições do Planeta 23 sobre o impeachment em geral? Procure no motor de busca do blog. Verá copiosas citações ao MAL*, o movimento que prega a anistia a todos os ladrões e que comecemos vida nova a partir de primeiro de janeiro do próximo ano. Como sabermos, Nei Lisboa tem uma canção chamada de "Refrão". E na introdução da canção ouvimos um refrãozinho baixinho: "Militar, não. Muito obrigado!"