quarta-feira, 30 de abril de 2014

Teoria dos Jogos: o livro, a Brena!


Querido diário:

Por apenas R$ 47,20 você pode adquirir o novo e grande sucesso literário da dupla Brena e myself. Clicando aqui, você chega no site da Editora Saraiva que acaba de lançar esta obra-prima. Cuja referência está aqui:

BÊRNI, Duilio de Avila e FERNANDEZ, Brena Paula Magno (2014) Teoria dos jogos; crenças, desejos, escolhas. São Paulo: Saraiva.

Dizem os editores:

Sinopse
Dentro das Teorias da Decisão, a "Teoria dos Jogos" é um ramo da matemática aplicada que procura encontrar estratégias racionais em situações em que o resultado depende não só da estratégia própria de um agente e das condições de mercado, mas também das estratégias escolhidas por outros agentes que possivelmente têm estratégias ou objetivos diferentes. Teoria dos Jogos é uma ferramenta da estratégia empresarial, e esta obra oferece uma visão moderna e acessível do tema por meio da apresentação de exemplos e aplicações da teoria, além de contar com exercícios extra como material de apoio.
Características detalhadas
I.S.B.N.: 9788502220553
Cód. Barras: 9788502220553
Reduzido: 7437665
Altura: 23 cm.
Largura: 16 cm.
Profundidade: 1,5 cm.
Acabamento : Brochura
Edição : 1 / 2014
Idioma : Português
Número de Paginas : 304


Digo eu: Breninha e eu estamos de parabéns! E muito felizes! O leitor dos blogs (dela e meu) haverão de observar algum material que recolhemos e colocamos em letra redonda.

DdAB
Nos próximos dias, haverá outras postagens sobre Teoria dos jogos; crenças, desejos, escolhas.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Automóveis e Mendigos


Querido diário:

Edificante marcador este que eu uso, "Lixo Urbano". Estas pessoas, que não me levem a mal, a meu ver, fazem parte daquela fração doentia da cidade que precisa ser removida. Não gostaria de ser mal-interpretado, como o foi aquele rapaz (Carlos Lacerda) que governou o Rio de Janeiro nos tempos em que eu lia os jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil e que veio a ser chamado de mata-mendigos. Minha visão é mais humana: os dois rapazes da foto (um deles candidamente dormindo sobre seu butim, um saco de plástico cheio de latinhas de cerveja, refrigerantes e mesmo água mineral) bem que mereciam ser agraciados com a pensão da renda básica universal, para começarem a pensar em poesia e squash. E ainda serem convidados a fazer cursos de empreendedorismo no Serviço Municipal, ou Brigada Ambiental Mundial, de sorte a receberem da educação o que de mais nobre ela pode dar:

.a. ajudá-los a descobrirem seus objetivos na vida
.b. dar-lhes energia para lutar por eles.

O dia de hoje é importante não apenas por causa desta maviosa foto que eu mesmo capturei. Também marcará sua pata na história a nova iniciativa do governo de expandir os prazos de financiamento do automóvel, pois suas vendas não andavam muito bem desde janeiro. Cai a produção, cai o emprego. Cai o prestígio dos dirigentes sindicais. Fecha-se o círculo. Faz-se a tragédia. E a comédia.

Em minha visão de mundo, esta medida de proteção à indústria deveria ser sumariamente abolida. Em minha visão, o IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos automotores, uma piada) deveria ter um valor escorchante, digamos, 200 ou 300% do valor da viatura. Para racionar, para equilibrar o custo privado com o custo social. Parece que estou na contramão, não é mesmo?

DdAB
P.S. ainda solidário com os mendigos, moradores de rua, gostaria de lembrar minha diatribe contra a má distribuição da renda, que faz com que Aécio Neves tenha pago multas para evadir-se do bafômetro que poucos brasileiros ganham em um mês de trabalho.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Realocações: usar a força ou usar contratos

Querido diário:

Faço hoje uma série de digressões que poderiam levar-nos ao paraíso.

Inicio com um texto que parece ter sido inspirado em uma postagem de Cláudio Shikida que, tendo acabado de ir-lhe ao blog, não consegui identificar (e talvez de sua/lá/dele autoria):

A economia neoclássica encaminha soluções ótimas ao processo decisório em um ambiente de direitos de propriedade bem definidos. O mercado político oferece a moldura analítica para que se compreendam as forças que determinam as mudanças na estrutura dos direitos de propriedade. No ambiente anárquico, seguindo Edgeworth, Shikida diz (onde, meu deus?) que os grupos de interesse usam a violência (guerra, para Edgeworth) e não a lei (contrato, para o founding father inglês), a fim de realocar os recursos.

Concluo que daí é que podemos concluir ser importante entendermos os fundamentos da ordem anárquica, os mecanismos que transformam a anarquia em ordem. Claro que estudos adicionais levar-me-iam de volta ao artigo de Martin Bronfenbrenner (no livro editado por Laura Randall) e a toda a economia do conflito.

BRONFENBRENNER, Martin (1955) The appeal of confiscation in economic development. Economic Development and  Cultural Change. Traduzido em: AGARWALA, A. N. & SINGH, P. orgs. (1969) A economia do subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Forense.

DdAB
Imagem: aqui.

domingo, 27 de abril de 2014

Pedro Simon e a Análise de Custo-Benefício


Querido diário:

Diz o jornal ZH de hoje que Pedro Simon está praticamente inclinado (ele nunca se decide...) a desistir de recandidatar-se a senador, cargo que ocupa há 32 anos. Ele diz-se desiludido com a campanha que fizeram em detração a sua jubilosa pessoa. Mas deixa claro: quer que seu filho Thiago seja eleito deputado estadual, nada menos do que isto, um herdeiro herdando seu patrimônio eleitoral.

E que fez a imprensa que o desagradou? Disse, se bem lembro, que ele gastou com dentistas o equivalente ao implante de 250 dentes (em cada arcada, ou seja, mais de 500, hehehe) com o dinheiro que lhe deu o Senado Federal. E mais: disse que isto ainda é pouco, pois economizou para o país R$ 2,7 milhões em algum tipo de diária ou contribuição de melhoria (do orçamento doméstico) prolatada pelo senado da república. Pensei: então estamos ganhando: R$ 67 mil dentuços contra esses milhões em diárias, etc.

Fico a indagar-me se, quando ele fez o afamado caminho de compostela, representava-me e aos demais brasileiros.  :-(

No wonder dois terços dos brasileiros ouvidos no outro dia pelo ibope preferiam nem votar nesta encrenca.

DdAB
Imagem daqui. Em compensação esta foto é uma das maravilhas da geometria espacial!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Hai-Kai n. 60


Querido diário:

MILLÔR disse:

MARAVILHA SEM PAR
A TELEVISÃO
SÓ FALTA NÃO FALAR.

Planeta 23, amargo:

Só falta calar
o rádio repórter,
sem censurar.

DdAB
Imagem aqui.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Convenções


Querido diário:

Tenho para mim que as convenções (sociais e mesmo as demais) exibem tanto o caráter positivo (sei que hoje em dia dois amigos ou amigas cumprimentam-se dando apenas um beijinho, como parece-me que há décadas fazem os argentinos; deixa-se de lado assim a sequência de dois beijos ou mesmo a pouco prática sequência de três beijinhos) quanto caráter normativo (declarando-me moderno, passo a dar apenas um beijinho de cumprimento, sabendo que meu amigo ou amiga também assim o fará e não ficaremos a indagar-nos se somos ou não modernos).

Em resumo, as convenções regulam toda a vida social. E aí elas estão prontinhas para se tornarem normas.

DdAB
Quer saber mais? Olhar aqui. E a imagem? Aqui.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Doutrinação Linguística


Querido diário:

Estava pensando agora mesmo em escrever sobre a diferença entre "excepcional" e "colaborador". Para mim, colaborador é o neologismo recente (menos de 20 anos, presumo) que assim intitula o que os antigos chamavam de trabalhadores, funcionários, essas coisas. Por contraste, esqueci (foi o que estou denunciando, uma doutrinação linguística, uma lavagem cerebral) como é que se dizia antes o que as crianças de hoje chamam de "dão", mas lembrei: um deficiente.

E que se espera de melhor se realmente colar esta substituição de deficiente por excepcional e trabalhador por colaborador? Hoje já é ofensa mesmo chamar uma pessoa de excepcional, quando os próprios chamam-se de "gente". E assim será no futuro: colaborador vai significar "pé de chinelo".

DdAB
Imagem daqui.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cortinas Demográficas: a Veja e as Burras

Querido diário:
A figura que nos ilustra não é grande coisa, mas em seu esplendor, encontra-se aqui, ao se campear entre as "Séries mais usadas". Que vemos? A tabela que eles juntam logo abaixo da figura permite-nos ver que, por exemplo, em 1900 (certo início do século passado), o PIB per capita a preços de 2012 era de R$ 0,71 mil, ou R$ 710. Quer dizer, se pudesse comprar telefones celulares, nosso bisavô -representante do brasileiro médio- lá em 1900, levaria dois ou três com o que ganhou durante todo o ano. Em compensação, se ele quisesse viver de arroz (R$ 2,00 por quilo em 2012, com 180 quilos) e feijão (R$ 5,00 por quilo no ano passado, com 70 quilos), estaria -digamos- alimentado, reservando ainda um troquinho para a bebida.

Em 1965, a renda per capita real medida a esses mesmíssimos preços de 2012, alcançou R$ 3.720. Passou-se muito tempo (quase todo meu horizonte de vida, by the way), mas ela também cresceu (e a minha também, hehehe). Dividindo 3.720 por 710, chegamos a 5,24. Extraindo a raiz de ordem 65 desses 5,24, chegamos a 1,0265. Pronto, a renda per capita cresceu 2,65% ao ano entre o início do século passado e 1965.

Em 2012, o brasileiro médio passou a ganhar R$ 11.610 durante todo o ano, quase R$ 1.000 por mês. Dá para comprar montes de celulares, arroz e feijão, pagando os preços de 2012, quando o feijão, sabidamente, já se tornara um produto da mesa dos ricos e o telefone celular, um quadradinho do bolso dos pobres. Sobra ainda dinheiro para a bebida. E uma camionete Brasília, um Corcel ou um Corsa se não os três. Dividindo 11.610 por 3.720 e fazendo a raiz 47, agora a encrenca cresceu 2,45% a.a. Perdeu dinamismo, mas acumulando tantos baixinhos, hemos chegado a um gigantinho. E a média entre 2,45 e 2,65? A aritmética, claro, 2,55% a.a., e a geométrica é 2,53% a.a. Se aqueles 2,55% a.a. fossem -não aritméticos, mas- geométricos, a renda per capita teria sido R$ 11.913,87 no ano passado: um ou dois telefones celulares per capita. Tudo isto são ganhos reais: melhor comer mais feijão do que menos, ter mais celulares que do menos.

Em números absolutos, temos, talvez, mais clareza:
.a. a renda per capita cresceu 3,12 vezes entre 1965 e 2012
.b. quer dizer, agora são necessárias menos pessoas para gerar ainda mais bens e serviços do que em 1965.

Aprendemos que, em 1965, cada grupo de 100 trabalhadores sustentava a si e a mais 90 mandriões. Esta cifra baixou para 100 trabalhadores sustentando apenas 50 lá pelo ano passado.  E ela vai subir novamente. O computador central (ver Isaac Azimov) vai sustentar toda a turma, que não precisará trabalhar, ou seja, dia chegará em que os indivíduos terão empregos de apenas alguns segundos durante seu curso de vida. E as máquinas lhes darão sustento, inclusive imprimindo novas naves espaciais, sempre que uma turminha decidir deslocar-se da grande família moradora de outra nave.

Quando uma janela, demográfica ou não, recebe uma cortina, o que se vê é bem o que o dono da cortina quer: menos sol ou até distorções relativamente ao que ficou para ser visto do lado de fora da janela.

Em compensação, a Veja (revista do Clube da Direita Raivosa) de 23/abr/2014, nas páginas 59-62 tem uma reportagem de Giuliano Guandalini e Bianca Alvarenga que começa mal: não sabe Shakespeare: "Todo está bem quando acaba bem, diz o ditado." Ditado? Just Shakespeare! Mas se fosse apenas isto, tudo acabaria mal, não é mesmo? É que eles escreveram algo debochado sobre o Brasil: "Velho antes de ficar rico". E dizem que rumamos para a ruína, pois gastamos excessivamente em assistencialismo, indo além do que (na p. 61) classificam como "assistencialismo necessário" (ainda que nada definam, mas alinhem os R$ 24 bilhões do Programa Bolsa Família (50 milhões de mandriões) a outros programas, como Farmácia Popular e Saúde não tem Preço, Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Renda Mensal Vitalícia, Pronaf, FIES, Prouni e Bolsa Pescador. Cá entre nós, são R$ 167,2 bilhões de um PIB de R$ 4,84 trilhões (aqui), ou seja, o preocupante gasto social do governo é de 3,5% do PIB!

Haverá alguma coisa oculta que nem o governo nem a Veja sabe o que é que faz com que o número por ela apresentado para as "Despesas da 'grande folha' (funcionalismo, previdência e assistência social em % do PIB)", que chega a 13,7% em 2013. Ou seja, o funcionalismo e a previdência social representam apenas 10% do PIB. E aí vem o golpe: se nada mudar, esta cifra sobe para 28,5% do PIB em 2040 (ano em que o crescimento vegetativo da população passa a ser negativo). Mas pode-se salvar a pátria com a reforma, quando estes gastos alcançarão modestos 13,1% do PIB. Cá entre nós, a incompetência e a má fé são algo estonteantes!

Se meus 3,5% do PIB estão certos (pois temo ter sido induzido ao erro pelas cifras da Veja (e emburreça), o grande problema de 2040 será que não teremos maiores problemas. Mas, sem a reforma, a Veja é que poderá estar em maus lençóis, pois os beneficiários de seu lobby, essas coisas, é que estarão sem chances de promover excessiva "previdência privada".

E que seria do Brasil se parte da despesa pública se destinasse à renda básica universal? Digamos que fossem R$ 800,00 mensais por brasileiro. Vejamos 12 x 800 x 200.000.000 divididos por 4.840.000.000.000, o que dá 40%, ou seja, com o milagre da renda básica universal, ainda sobram 60% do PIB para outras coisas! Temos então duas opiniões antagônicas:

.a. eu - com 40% do PIB destinado à renda básica universal, rapidamente alcançaremos o paraíso

.b. Vito Tanzi (citado por Veja na p.62): "Segundo o economista, gastos públicos ao redor de 35% do PIB são suficientes para alcançar os objetivos realisticamente esperados de um governo em uma economia de mercado."

Por que a divergência? É o conflito bem-mal. O bem vê possível a ampliação dos atuais ridículos 3,5% do PIB para até 40% do PIB. Já falei neste blog diversas vezes: o primeiro teorema do PIB diz que o PIB é igual a 100% do PIB. Devemos ter presente que esses 40% dão renda a todos, todinhos os brasileiros, bebezinhos, velhinhas, trabalhadores, capitalistas, e tudo o que pudermos pensar na condição de gente brasileira. Muitos destes pagam algum imposto de renda e deveriam pagar até mais. Com isto, abateriam seus R$ 12.000 anuais do imposto devido e ainda assim a arrecadação poderia subir, pois aqui existe uma concentração da renda desgraçada. E pensar em usar os padrões mentais de Vito Tanzi para organizar o futuro do Brasil é o mesmo que colocar na mão da família Civita a chave do cofre do sr. Patinhas!

DdAB
P.S. 1 Há umas diferencinhas nos números devido à adoção de dois anos para os cálculos. Os do IPEA versus os da revista Veja e jornal Estado de São Paulo.
P.S.2 Acrescento 12 horas depois da postagem: aquele gráfico da página 62 com os gastos públicos explicando o IDH de diferentes países é um elogio da falta de critério dos 35% do velho Vito. Os maiores IDHs são da Austrália, EUA, Japão, Alemanha, Suécia e Itália, todos com shares públicas superiores a35%. Outro altão IDH com gasto público de, digamos, 22% é a Coréia do Sul, a única exceção, o único dos "países invejáveis" atendendo ao critério Tanzi.
P.S.3 Idem: tem muita gente burra que pensa que há problemas insolúveis nas burras governamentais enquanto estiver em vigor o primeiro teorema do PIB. Não podemos esquecer que, na Malásia, as exportações representam mais de 100% do PIB, né?

domingo, 20 de abril de 2014

Hai-Kai n. 59

Querido diário:

MILLÔR diz:

E EU TAMBÉM, CONSORTE,
NÃO ESTOU CONDENADO
À PENA DE MORTE?

Planeta 23:

A pena de morte
Eu, tu ele, nós, vós.
Só é bom para "eles".

DdAB
Esta imagem daqui é do Monte Pascoal.

sábado, 19 de abril de 2014

Goleiros e Médicos

Querido diário:

Quem me conhece sabe que andei por Santa Maria e lá voltarei, mas hoje estou em Três Passos, a terra da moda. Quando falo em goleiro, naturalmente, neste mundo de crimes, refiro-me ao goleiro Bruno, que parece ter sido condenado pelo assassinato da noiva, oslt. E agora o pai do menino assassinado e enterrado na cidade de Frederico Westphalen, que é um médico de enorme prestígio em Três Passos, não tem sido chamado de médico. Não sei se há conspirações em ação.

O que bem sei é que houve enormes falhas da ação governamental em diversas dimensões que levaram ao trágico desenlace do drama local. E também vejo falhas comunitárias, que no Brasil são absolutamente comezinhas, pois o país não tem educação, mesmo.

E talvez algum dos envolvidos no crime ainda pudessem ter refreado seus impulsos de crueldade se a justiça não fosse uma quimera, ou seja, se o preço do crime fosse mais alto. Já se fala em fazer novas leis, que em nada funcionarão, pois o problema não é a lei, mas quem zele por seu cumprimento, o sistema judiciário nacional.

DdAB

Hai-Kai n. 58


Querido diário:

MILLÔR disse:

O VELHO COELHO
SÓ SE REPRODUZ
NO ESPELHO.

Ao que respondi pascal e etereamente:

No espelho,
olhei o tempo,
Empório nu.

DdAB
Imagem: aqui.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Hai-Kai n. 57


Querido diário:

MILLÔR diz:

A GAVETA ABERTA
TEM EXPRESSÃO
LIBERTA.

E o Planeta 23 articula:

Com expressão liberta
Mostrava-se nua
A prima Gerta
(pronuncia-se "guerta").

DdAB
P.S.: Meu hai-kai soa meio abstruso, não é mesmo? Mas os três versos canônicos estão presentes, claro. Ainda assim, aqueles parênteses bem que poderiam estar afastados do hai kai por um espaço, não é mesmo? Afinal, o ponto final não deveria estar depois de "Gerta"?
Imagem: daqui.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hai-Kai n. 56


Querido diário:

MILLÔR disse

VIÇO?
EU JÁ PASSEI
POR ISSO.

E o Planeta 23 trovou:

"Por isso eu já passei"
Às nuvens disse
O astro rei.

DdAB
Parece que pus-me um tanto meteorológico, não é mesmo. E tirei a imagem daqui. Se bem entendi, pediram para tirar um rodapé em que dava os créditos do site que acabo de linkar.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Hai-Kai n. 55

Querido diário:

MILLÔR:

O SILÊNCIO GELA A CUCA
NO SEGUNDO EM QUE O BARBEIRO
RASPA A NUCA.

Planeta 23:

Raspa a nuca
O sem pudor
Do zelador.

DdAB
Imagem aqui.

domingo, 13 de abril de 2014

Noção e Contexto: IRPJ



Querido diário:

Frases fora do contexto sempre podem dar interpretações errôneas:

Não podemos pagar 34% de Imposto de Renda aqui enquanto em outros países, como no Oriente Médio, se paga 10%.

Abílio Diniz, presidente do conselho de administração da BRF, afirmando que a pesada carga tributária brasileira trava ganhos de produtividade.

Onde li este troço? Na p. 3 do Caderno Dinheiro de Zero Hora de hoje. Que podemos dizer? Primeiro: é fora de contexto, só pode ser fora de contexto. Ninguém pode seriamente falar uma coisa destas. Primeiro, não podemos transferir o Brasil para o Oriente Médio, pois as placas tectônicas nos impediriam. Segundo, mesmo que criássemos uma tecnologia que o permitisse, acho que poucos de nós, especialmente as mulheres, recusariam. Castigos físicos e lapidações não justificam alíquotas de imposto de renda da pessoa jurídica mais elevadas. Terceiro: parece que o absurdo dos absurdos mesmo é a diferença entre a alíquota única do imposto de renda da pessoa jurídica (como, naturalmente, deve ser, para não criar vantagens de tamanho pequeno) e o da pessoa física, que chega a meros 27,5% para quem ganha mais de R$ 1.500, algo assim. E, claro, quem ganha este valor deveria ser isento! E quem ganha mais de R$ 30.000 (políticos, outros ladrões, empresários do bem, profissionais liberais tanto do bem quanto do mal.

Quando tirada do contexto, uma noção sem noção pode soar como originária de um cérebro privilegiado ou de outro...

DdAB
Imagem: daqui. Editei-a.

sábado, 12 de abril de 2014

Macroeconomia e Leonardo Padura

Querido diário:

É certo que não estragarei a história de "El Hombre que Amava a los Perros", de Leonardo Padura se disser-lhes que na penúltima página (a de n.760), ele dá nova definição de macroeconomia, parecendo-se àquela daqui. Vejamos:

[...] como todas las [...] criaturas cuyos destinos están dirigidos por fuerzas superiores que los desbordan y los manipulan hasta hacerlos [nada].

Aqui parece devidamente óbvio: há forças superiores que dirigem nossos destinos. É, pensando bem, parece que a definição do livro "Mesoeconomia, etc. e tal...", lá na página 69,é mais elucidativa:

A macroeconomia é a parte da teoria econômica que estuda os fatores que se sobrepõem à decisão de cada agente individual e que resultam da agregação dos resultados de inúmeras decisões destes agentes e dos processos de cooperação ou competição que eles encetam em torno de suas interações. Assim, ela trata tanto as variáveis econômicas agregadas quanto os mercados econômicos agregados e as relações que mercados e variáveis guardam entre si, e a evolução destas ao longo do tempo. A macroeconomia está preocupada essencialmente com três variáveis agregadas: o valor adicionado, o emprego e o nível geral de preços. Ainda que o conceito de emprego não exija maiores desdobramentos, precisamos dizer uma palavra sobre os demais.
Mais ainda: em outras passagens próximas do livro , tudo fica muito mais claro, cabendo ainda entender a micro e a mesoeconomia. Quer ver? Veja!

DdAB
Imagem de um borzoi aqui.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cilindros, Cunhas e Lei da Anistia

Querido diário:

No dia 7/abr/2014 (aqui), falei no artigo de Marcos Rolim (o que rola é cilindro?) em que ele aborda a questão da anistia de maneira absolutamente diversa da presidenta Dilma. E pego-a como "marco zero", pois parece-me que seu envolvimento com o assunto é maior que o meu e o dele. Hoje a página 18 do mesmo jornal tem um artigo de Luiz Cláudio Cunha, de pedigree assemelhado ao dele, uma cunha seria um objeto para abrir, figuradamente, mentes obtusas?

Ele, Cunha, começa bem, pois este blog já comentou várias vezes declarações de Paulo Brossard em seus artigos de segundas-feiras nesta mesmíssima Zero Hora. Em geral, diagonalizo o artigo de PB, mas li-o integralmente esta semana. E a ele se direciona Cunha, ainda no primeiro parágrafo:

Ao criticar a revisão da Lei de Anistia da ditadura, o experiente ex-ministro do STF Paulo Brossard tropeçou neste espaço (ZH, 7 de abril): 'A bomba do Riocentro estilhaçou os segredos e, num dado momento, o governo percebeu que a ele também interessava a anistia e, mediante transigências, ela foi aprovada'. Errado, ministro! [...] Brossard esqueceu que o ato terorista armadn pelo DOI-Codi do governo Figueiredo aconteceu em 30 de abril de 1981, 19 meses após a sanção da Lei n. 6683.

Então o velhinho enganou-se? E eu nem me dera conta? Para mim, Brossard segue sendo um empedernido reacionário cuja baba faz pensar na decrepitude da vida e na coerência de certas mentes com seu passado colaboracionista. Mas Cunha também tem os dados a que me referi by and large. Cito dois pares:

.a. a Câmara dos Deputados tinha 221 cadeiras da Arena contra 186 do MDP

.b. a votação passou com 206 votos a favor e 201 antagonizando-a.

Aritmeticamente, não sem bem que números são estes, pois houve 407 "cadeiras" e 407 "votos". Mas pensemos nos "votos". Houve 15 votos que fizerem o trespassing, isto é, aparentemente (se é que todos os demais votaram alinhados com seus respectivos partidos), 15 direitistas votaram contra a lei cuja data era desconhecida por Brossard de Souza Lima.

E daí? Cunha tem mais:

Cita novamente Brossard:

Agora, repetindo o que aqui escreveu em 2010, Brossard invoca a paz para defender a fossilização de uma autoanistia desenhada sob medida pelos quartéis: 'Anistia pode ser mais ou menos injusta, mas não é a justiça seu caráter marcante. É a paz'. [...]

E prossegue adiante, no outro parágrafo:

Certamente não é a paz de cemitério dos mortos pela tortura, nem a paz de espírito dos parentes de desaparecidos políticos, muito menos a paz da consciência de quem sobreviveu aos suplícios e aos gritos de dor nas masmorras.

Só que daí não se segue que aquela lei deva ser repensada. Primeiro, tem aquele trenzinho oba-oba que já ganhou dinheiro com os referendos, os plebiscitos, as consultas, as vaquejadas, os restos mortais de João Goulart, tudo aquilo. Depois tem a declaração de uma coroa devidamente torturada:

Assim como reverencio os que lutaram pela democracia, também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização.

Tá lá na outra postagem! Era a Dilma. Eu insisto que os meninos de rua é que são os verdadeiros necessitados de revisão das leis hoje em dia. Ou até menos: revisão dos empregos daqueles que deveriam zelar por elas, os promotores, os juízes, os governadores, os assessores, aquela turma toda. Moral da história: viva a bebida. Viva a contradição. Voto no Cunha, voto no Rolim (se é que já não o fiz), não voto no Brossard (se que já não o fiz, parece que ele era meu senadorzinho do PMDB), mas não apoio a revisão da lei, ainda que seja a favor da verdade, da tentativa dramática de ver a verdade dos fatos restabelecida onde eles foram falseados. E, no caso, é mais importante pensarmos no futuro dos meninos de rua do que no passado dos torturadores.

DdAB
P.S.
Danéris, Marcelo Danéris. É o sr. Marcelo Tuerlinckx Daneris, candidato a vice-prefeito pelo PT na eleição de 2008 naquela cidade de Porto Alegre? Este senhor  assina um artigo na página 19 de Zero Hora de hoje. Seu tom ufanista deixa-me contrafeito. Mais ainda fico quando o ufanismo (não se discutia naquele tempo que as matas são mesmo verdes, o céu é azul) usa informação ridiculamente distorcida para tecer escabelados elogios ao governo que o emprega. Ele diz, sobre o Rio Grande do Sul, que "O crescimento do PIB foi de 5,8% em 2013 [...]", quando sabemos que foi mesmo, mas esta não é uma taxa substantiva em si (dobra em 10 anos apenas quem cresce 7,12% a. a.) e se acoplou a outra taxa razoavelmente negativa. E ainda tem coisa pior:

O Diário Financeiro, do Chile, comparou as taxas de crescimento do RS ao ritmo de crescimento asiático. Segundo a publicação, se fosse um país, seria a 60a. economia do mundo, definindo como uma pequena China no sul do Brasil. Isso é reflexo das ações ativas do governo estadual e do alinhamento com o projeto federal de desenvolvimento.

Pensei: só bebendo! Sendo ele o secretário-executivo do CDES-RS (que é isto?), imagino que haveria por lá algum economista com quem discutir estas ideias, este ufanismo e a isenção e maiores fundamentos daquele jornal que fala em uma pequena China!

P.S.S.:
aqui, escrevi:
[by the way, sempre fui contrário à constituinte, ao plebiscito sobre monarquia e ao referendum sobre porte de armas: apenas maneiras de dar dinheiro a sinecuristas que imprimem títulos eleitorais, cédulas, programas de computador, tráfico de influência, corrupção, essas coisas] [[by the way, nunca pensar que o MAL* pode ter-se originado em minha antipatia contra essas campanhas de voltar a reviver 'as taras da ditadura' e voltar a processar a milicada anistiada]. dizem uns que quem esquece o passado não tem futuro. eu não discordo, acrescentando que esse troço de brincar de pegar milico no século XXI por crimes do século XX é contemplar a história que se descortinou como tragédia e revivê-la como comédia! já temos uma indústria da anistia: pensões milionárias, muita entrevista na imprensa, eleição de políticos engajados no eleitorado dos descendentes das vítimas, livros com denúncias cada vez mais escabrosas, chantagem emocional prá cima da Ministra Dilma, grupos de interesse, uma tragédia.
Lembra do MAL*? O Movimento pela Anistia aos Ladrões. Um dia ele deverá ser extinto, mas este dia associa-se à inexistência de novos ladrões. Um dia, teremos decência e justiça. E aí o MAL* se cala.

Imagem: aqui, um cilindro decomposto em pilhas de cunhas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Martha Medeiros e a Macroeconomia

Querido diário:

Li atentamente a crônica de Martha Medeiros publicada na p.2 de Zero Hora de hoje. O título é "Inclusão" e diz respeito à sensação que temos quando nos encontramos entre pares, por exemplo, os pares de torcida num jogo de futebol, ou -no caso- da inauguração do estádio do Internacional, que ocorreu no sábado de noite. Pois não é que havia algo bastante inspirador para definirmos macroeconomia? Vejamos:

[...] os encontros entre amigos, as festas de aniversário, tudo o que interrompe a monotonia do cotidiano a fim de celebrar quem fomos ontem e quem somos hoje, valorizando os sucessos e fracassos adquiridos pelo caminho – tudo o que nos constitui.

Dois pontos:

Vale para pequenos eventos particulares e grandes eventos públicos. Sair de casa vestindo uma mesma camiseta, de uma mesma cor e com um mesmo propósito é uma forma de deixarmos nosso narcisismo em casa para fazer parte de algo maior, algo que existe além de nós, ainda que nosso também: aquilo que nos representa.

No livro de contabilidade social que editei conjuntamente com Vladimir Lautert (aqui), lemos na página 70:

A possibilidade que temos de representar estas forças resultantes do comportamento de milhões de agentes resulta da estabilidade estrutural produzida por feixes de variáveis micro e mesoeconômicas colocadas em relação ora harmônica ora dissonante. Estas relações abrigam os resultados totalizantes, mas não necessariamente premeditados, que seguem a ação intencional dos agentes. Trata‑se de uma totalidade constituída por partes. Deste modo, os movimentos da totalidade resultam dos movimentos das partes, mas, uma vez que a totalidade é constituída, ela irá alcançar certa autonomia com relação às próprias partes que lhe deram origem. Assim, este novo todo influencia as partes que o constituíram, referendando posições ou induzindo os agentes econômicos individuais a revê‑las.

A macroeconomia estuda isto. É ou não é precisamente a mesma coisa?

DdAB
Tirei a imagem de uma conferência de Aloísio Biondi (jornalista conhecidíssimo, aqui) daqui.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Ulysses: inspirações semânticas

Querido diário:

Ainda falarei aún más. É que estou lendo o estonteantemente maravilhoso, revolucionário, instigante e desafiador "El Hombre que Amaba a los Perros", do cubano Leonardo Padura (aqui), com tradução brasileira aqui (é a Boitempo, meu, é a Boitempo!). E portuguesa aqui. Nem queria falar tanto nisto agora, pois pretendo fazê-lo voluminosamente em outros momentos. É que a história da primeira sentença do Ulysses recomeça: o brasileiro é "O Homem que Amava os Cachorros" e o português se intitula "O Homem que Gostava de Cães".

Fuere como fuese (estou citando a página 242 de minha edição em espanhol, hecha en Mexico, cuja capa está lá em cima), o que eu queria dizer é que na página 118 tem uma expressão que fez eclodir em minha mente uma realidade semântica de que poucos têm notícia. Falo da expressão "arrobado por la passión", e não vou dizer quem é o sujeito nem quem é o objeto. O que me interessa destacar é que há duas expressões correlatas, no norte e no sul do Brasil:

.a. em Floripa, além de ter ouvido e amado expressões pitorescas como "Falta?", quando se chega a certas lojas, ou "fazer a feira", também sempre amei ouvir "fulano (um político, em geral) está arrombado". E, claro, este "arrombado" evoca -daí o político- aqueles enormes cofres de Tio Patinhas e os irmãos Metralhas tentando arrombá-los e

.b. em Pernambuco, a turma falava em "fulano (outro político?) está lascado. E, no caso, sempre me vem à mente um cano daqueles trabucos que fazíamos com canos de guarda-chuva.

DdAB
A imagem é pública, eu mesmo poderia ter fotografado a capa de meu livro adquirido en Mexico, hecho pela Editora TusQuets. Tenho informantes que dizem que a capa do livro editado em Cuba é diferente. Esta capa (um homem, dois cães, um stick, um lash) dará o que falar!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Casos de Polícia: hoje temos dois ou três

Querido diário:

Desejo falar de dois, talvez três casos de polícia, o que poderia mesmo envolver uma declaração intermediária da dona Dilma, minha ex-bolsista ou estagiária (afirmação que, como sabemos, não é de todo verdadeirinha, aqui). Inicio com o artigo de Marcos Rolim, na p. 12 de ZH de ontem, cujo título é "O Sono dos Justos". Primeiro, ele transcreve um diálogo que já lera aqui ou ali (ZH ou CC):

P - Quantas pessoas o senhor matou?
R - Tantas quantas foram necessárias.
P - Arrepende-se de alguma morte?
R - Não.
P - Quantas pessoas o senhor torturou?
R - Difícil dizer, mas foram muitas.

E prossegue:

Assim como Ustra [o afamado coronel Brilhante Ustra], ele [o coronel Paulo Malhães] dorme com a consciência tranquila.

Indaguei-me se Marcos Rolim é o psicanalista (leigo?) do coronel reformado. Como alguém pode saber que o outro dorme com a consciência suja, tranquila, azulada, enfermiça, esquisofrênica? Hoje em dia há aparelhos para tudo...  Aí, ele, Rolim, pega pesado:

O tema a merecer análise e que deveria mesmo preocupar é que tantos, ainda hoje, justifiquem a tortura, relativizem crimes contra a humanidade e se alinhem ao discurso dos golpistas.

Pensei: está metendo a mão comigo, que acho que estes temas de exumação dos restos de João Goulart, plebiscito sobre monarquia ou república, armas, essa bobajada, serve apenas para desviar a atenção dos verdadeiros problemas da geração presente do Brasil. Não quero dizer que a dupla Ustra-Malhães mereça elogios, aliás, acho mesmo que eles não merecem nem ser ouvidos em qualquer comissão de respeito. Pensei mais: ele está mesmo é metendo a mão com a presidenta da república que, num drops ao lado de seu artigo, diz:

Assim como reverencio os que lutaram pela democracia, também reconheço e valorizo os pactos políticos que nos levaram à redemocratização.

Diz o jornal que ela está "dando a entender que não apoia a revisão da Lei da Anistia". E um dia fiquei aperreado com o escore que aprovou a lei, algo como 54-46 ou mesmo 51-49. E isto mesmo é que valida a fala da presidenta: sempre soubemos que houve uma corte de puxa-sacos a viabilizar moralmente o governo militar. E foram precisamente estes que negociaram a "distenção lenta e gradual", e era o que de melhor se dispunha naquele tempo. Se a censura é crime imprescritível, mais ainda acho eu que o é a manutenção na rua da amargura de mais ou menos 20% da população, eternamente, desde o descobrimento da república federativa do Brasil, ou como quer que se chamava naquele tempo cabralino. Já a palavra descobrimento escondeu uma fraude.

Então já estamos com um ou dois casos de polícia? Vamos ao terceiro, na p.33 do mesmo e carimbadíssimo jornal. A promotora Maria Tereza Uille Gomes, secretária da justiça e cidadania direitos humanos do Paraná é, porque é, a favor do regime de detenção de presos chamado de semiaberto:

Zero Hora - Por que a senhora é a favor do semiaberto?
Maria Tereza Uille Gomes - Defendo a importância porque hoje, no semiaberto, temos os percentuais mais elevados de escolarização e trabalho. No semiaberto, é possível promover os percentuais de ressocialização almejados.

Pensei: mesmo com 60% de rapazes que fogem? E uma fração destes assalta e assassina? Mas prossegui a leitura:

ZH - O que fazer para evitar as fugas?
Maria Tereza - Esse é um problema de gestão. A fuga, na maioria das vezes, acontece quando o semiaberto está centralizado. O preso acaba escapando para ficar próximo a sua família. É preciso descentralizar as unidades para o interior dos estados.

Pensei: a promotora é sem noção. Felizmente, logo abaixo daquela entrevista esfuziante, fala o juiz e doutorando Luís Carlos Valois: "O semiaberto não serve para nada".

Zero Hora - Por que o senhor é contra o semiaberto?
Luís Carlos VAlois: Esse regime foi criado em uma época em que se acreditava que a prisão podia melhorar uma pessoa. Na história do direito penal, isso é tido como humanização. Foi um tiro no pé, as cadeias são lugares horríveis. O semiaberto não serve para nada. [Adito: claro que serve!]

Zero HOra - Qual é o melhor sistema que existe?
Valois - O que prende menos, que prende apenas os necessários, os mais perigosos. Estamos encarcerando traficantes pequenos como homicidas, como criminosos gravíssimos.

Resumo: quantos serão os casos de polícia enrustidos nesta postagem? Fico tradicionalmente dando a preferência à questão dos meninos de rua. Eles é que realmente precisavam ser anistiados e seus algozes, penalizados.

DdAB
Imagem carimbadíssima daqui.

domingo, 6 de abril de 2014

Hai-kai n. 54

Querido diário:

MILLÔR:

MILLÔR, NÃO ENTENDES NADA,
DIZ, E REPETE,
A BADALADA

Planeta 23:

A badalada,
Sozinha, embala
A madrugada.

DdAB
Imagem: razoavelmente pública (eu fora...)!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Clima Pré-Eleitoral: baixaria no tribunal


Querido diário:

Por coincidência, no momento em que eu fazia a postagem de ontem, entrava na pauta do supremo tribunal novamente o expediente sobre o financiamento público das campanhas políticas das próximas eleições. Ele saíra da pauta, pois o ministro Teori Zavaski (oslt) pedira vistas e, como suas vistas são fatigadas, precisou de três meses para avistar-se. Pois ontem deu o voto: por ora ganha a proibição de misturar poder econômico e poder político do desavergonhado jeito brasileiro por 6 x 1. Mas o ministro Gilmar Mendes também decidiu avistar-se com o expediente. Mais três meses. Só bebendo.

DdAB
A imagem é daqui. E o contrafactual é o seguinte: se cada ministro pede três meses para julgar cada processo do supremo tribunal, são 33 meses por assunto, não é mesmo? No wonder, Brazil is a lawless club.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Clima Pré-Eleitoral: a baixaria brasileira

Querido diário:

Os livros-texto de teoria da escolha pública (e talvez os de ciência política, que não li todos) falam em coalizões partidárias como instrumento de organização da tomada do poder. Creio que apenas o mais desastrado dos autores pensa que a base das negociações para a divisão do poder, seu elemento principal, é o tempo que o partido tem para utilizar nos programas eleitorais na TV. E outro tipo de desastre é pensar que o primeiro elemento é a divisão de cargos que são criados precisamente para atender às demandas dos "aliados" nesta gincana eleitoral.

Some-se a isto o financiamento das campanhas de qualquer beletrista por empresas privadas e teremos a baixaria brasileira assinada com todos seus efes, esses e erres. E para que dinheiro a rodo? Para fazer bons programas. De TV... Em outras palavras, ao invés de acordos calcados nas semelhanças programáticas, o que temos são acordos para animar os programas de TV!

DdAB
A imagem daqui é dali: a suspeitíssima e carimbadíssima revista Veja (e Leia).