quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Relativismo Cultural e Governo Mundial: o caso da esfinge

Querido diário:

Em 4/fev, 18/fev e 22/nov/2011, falei do Egito, se o buscador deste blog não é infiltrado por militares... Talvez os próprios, o governo egípcio, as demais forças do mal ou a associações do CMAL* (Federação das Associações Internacionais de Combate ao MAL*) tenham impedido que o buscador do Google exibisse mais postagens. O MAL*, como sabemos, tenta enganar a atual geração de políticos (id est, ladrões), liberando-os para se locupletarem até vomitar, pois no próximo dia primeiro de janeiro, a moralidade será restaurada with full gas.

Há razões para inquietações.

E mais ainda, a negadinha fica ouriçada quando me ouve falar:

.a. nutro um profundo ódio aos defensores do relativismo cultural

.b. nutro o maior amor aos abnegados e heroicos defensores do Governo Mundial.

Que se pode fazer no caso do país da esfinge com aquele viés autoritário que faz com que facções radicais (seguir cortando a mão do ladrão, seguir apedrejando mulheres que garraram nojo do casamento, seguir proibindo os hereges de manterem sua fé na descrença, essas coisas que transformam uma sociedade num inferno)? Penso que é dar a mesma solução que proponho para o caso brasileiro: vamos contratar uma empresa júnior europeia, a fim de administrar o judiciário do país! E no caso do Egito, que quer ser decifrado por nós ou devorar-nos, parece que a solução é simples: outra empresa júnior europeia, ou uma federação delas, para substituir não apenas o judiciário, mas também toda a administração pública, o exército, os serviços industriais de utilidade pública, e todo o resto. Ter um projeto de tornar o Egito de, em 20 anos, ser mais agradável do que a própria Suíça (mesmo sem ir lá esculhambar a terra do queijo furadinho).

DdAB
Escolhi esta imagem daqui pensando que ela poderia levantar o astral não apenas dos 80 milhões de sofredores locais, mas também da coletividade integrante do Governo Mundial, a fim de não perdermos a esperança, em virtude de nossos últimos revezes.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Racionalidade Animal

Querido diário:
Pelo título, esta postagem poderia parecer inserir-se no marcador "Economia Política", mas o que ela é mesmo não é equívoco: "Besteirol". Estamos na p.24 do jornal Zero Herra. Fala-se das chuvas que assolam este pedaço de terra, que tem-se caracterizado temperaturas de deserto. Estivemos a 2 graus centígrados há dias e em breve teremos 30 graus. A chuva cai célere, estragando a Exposição de Animais anualmente realizada numa cidade da Região Metropolitana (são tantas que já esqueci o nome de umas 60%). E que pode ser feito para evitar chuvas no futuro? Bela pergunta: contratar curandeiros africanos? Diz o jornal:

Mesmo se for aprovado na Assembleia projeto que repassa áreas do parque para entidades dos setores mais sensíveis à enchente - máquinas e cavalos crioulos, que fariam obras preventivas -, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi avalia que alagamentos podem ser atenuados, mas não resolvidos:
-Se chover como neste ano, vai se repetir o problema.

Imaginei uma máquina falando com um cavalo crioulo:
-Tu me puxa direito que eu preciso devastar aquele barranco que está impedindo o escoamento.
E o cavalo:
-Mas não era tu que ia resolver o pobrema na origem, impedindo a água de evaporar e, portanto, não cair.

Só bebendo!

DdAB
Imagem: aqui.


sábado, 24 de agosto de 2013

Produtividade: o clube dos sem-noção

Querido diário:
Disse-me o Aurelião, conforme transcrevo in fine desta postagem, várias coisas para começarmos a entender o que se quer dizer, em língua vernácula, quando se fala em "produtividade". O quinto sentido que ele dá ao termo, caso seja usado por um estudioso/trabalhador das ciências empresariais, só pode qualificar este ser complexo como sem-noção, sem noção das posições que nos carregam ao ridículo e sem noção do que mesmo é que estamos tratando, ao ler (ZH, p.3, concorrida coluna de Túlio Milman):

Uma pesquisa da Universidade de Seul constatou que menos horas de trabalho não fazem os empregados mais felizes. Depois da implementação de uma política que diminuiu a semana, os coreanos ficaram mais estressados. Apesar de trabalharem menos, a pressão aumentou muito, já que as demandas continuaram as mesmas.

Esposando as quatro primeiras definição do Aurelião, pensei: só mesmo a turma sem-noção é que pode tornar-se mais feliz ao devotar mais horas de seu dia ao trabalho e não, por exemplo, à cachaça, à contemplação de obras de artes ou mesmo ao jogo de pelota. Repensei, pegando o que me parece o cerne da notinha: "menos horas de trabalho não fazem os empregados mais felizes". Descontando a relação que poderíamos -estando devidamente alcoolizados- considerar que, também na Bolívia, quanto menos os trabalhadores se esfalfarem, mais infelizes eles vão declarar-se. Quero dizer: a amostra da Universidade de Seul talvez não valha nem mesmo para Seul. Com a usual margem de erro de 2%, sabemos que, a cada 50 amostras, uma não vai funcionar. Mas não é isto o que quero enfatizar.

Formalizando e expandindo a frase lá de cima, podemos dizer que a felicidade de um trabalhador individual F é uma função do número de horas trabalhadas H, da pressão sobre o trabalhador considerado exercida, digamos, pela mulher dele M, da pressão exercida pelo patrão P (que quer que ele produza mais no mesmo tempo) e das demais pressões a que o indivíduo terráqueo contemporâneo é submetido em seu dia-a-dia D, e ainda de outros fatores que encapsulo em e. Esta sentença permite escrevermos o seguinte modelo empírico:

Equação 1   F = f(H, M, P, D, e).

E aí começa o estudo das respostas que as variações nestas quatro variáveis (ou as cinco) H, M, P e D (incluindo também e) impõem a F. Aposto que a pressão que a mulher (ou a sogra) do trabalhador entrevistado exerce sobre ele é muito maior do que o número de horas trabalhadas, deixando de lado o exame científico das demais variáveis da equação.

Caso isto fosse verdade, estaríamos vendo nada mais do que apenas um caso especial do caso geral da teoria do comportamento do consumidor (trabalhador, sinecurista, o que seja), de como ele divide seu tempo entre renda e lazer (supondo que renda é sinônimo de horas trabalhadas...).

Voltando à frase em destaque, chegamos a seu final. Ao lê-lo, torna-se claro que o fator que tirou o bem-estar dos trabalhadores com menores jornadas de trabalho de Seul não foi a redução. Quem o fez foi a variável P de nosso modelo empírico (chamo-o assim, pois ele pode dar lugar a digamos uma equação linear e ter seus parâmetros estimados por meio de métodos quantitativos adequados). Ter que dar conta do mesmo volume de trabalho em menos tempo pode ser estressante (para não falar que ter mais tempo disponível para comer carne de cachorro dá baixo astral). Mas, ao mesmo tempo, trabalhar menos é o que a humanidade vem fazendo (mesmo em tempos pré-capitalistas) sempre, sempre, sempre.

Meu exemplo preferido é a urgência que os cruzados europeus tinha em obter armas para dar combate aos turcos (ou sei lá quem mais) em Jerusalém. E os armeiros de então, com produção artesanal, não davam conta de tanta fé religiosa, precisando, assim mesmo, elevar a produção por dia, por hora, por segundo. E elevaram, tanto é que hoje, com tecnologias espantosamente diversas das que vigoravam naqueles tempos, produz-se tanta arma que o próprio planeta Terra poderia ser explodido milhares de vezes. E muito mais baratas. Pois produtividade alta é inimiga de preço alto. Não é impossível que porosidades durante o processo de implantação de mais capital possam implicar que o trabalhador deve usar mais tempo, mas é certo que isto não durará. Os incrementos na produtividade são algo perfeitamente característicos de amebas e homens. Mas só o homem transforma a natureza, e se transforma junto.

Outra consideração relevante é pensar quantas horas trabalhava-se há 100 anos e quantas horas se trabalha hoje. Claro que podemos sugerir que, na China, ainda se trabalham as mesmas 25 horas diárias. Mas devemos, neste caso, considerar que a China não é propriamente um mar de direitos trabalhistas, a classe trabalhadora não vive num paraíso, nem nunca viveu. Agrada-me pensar, para estes fins, mais na Finlândia e menos na Bolívia.

Então pensemos num trabalhador brasileiro, digamos, numa das fazendas em que ainda vigora a escravidão. Que preferiria ele, trabalhar quatro horas por dia ou manter-se nas 16 ou 20?

Há outra questão, ainda. No livro sobre felicidade, o prof. Richar Layard tem um capítulo específico discutindo o que parece levar o homem contemporâneo a ser menos feliz do que seus tetravós. Apenas os sem-noção é que vão meter a culpa no maior ócio. A hipótese que eu costumo sustentar (e que ainda não foi falsificada, no sentido de Karl Popper) é que todos os males do mundo, presentes, passados e futuros, se devem à má qualidade dos políticos brasileiros.
DdAB
Imagem: interessante blog aqui.

AURELIÃO:
[De produtivo + -(i)dade.]
S. f.
 1. Faculdade de produzir.
 2. Qualidade ou estado de produtivo.
 3. Econ.  Relação entre a quantidade ou valor produzido e a quantidade ou valor dos insumos aplicados à produção; eficiência produtiva.
 4. Rendimento (4).
 5. E. Ling. Uso regular de determinados padrões ou mesmo de afixos específicos na formação de palavras.[O sufixo -ção, p. ex., pode ser aposto a inúmeros verbos para criar um derivado que indique 'o ato de, o processo de', etc.]

u Produtividade do capital.  Econ.
 1. Quantidade produzida por unidade de capital investido.

u Produtividade do trabalho.  Econ.
 1. Quantidade produzida por unidade de trabalho.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Hai-kai n. 31 (lembrando que o anterior foi o 30B)

Querido diário:
Disse-nos Millôr na p.37 de seu livro de Hai-Kais:

O UMBIGO
DEVIA SER
SÓ PRO AMIGO.

E diz o Planeta 23:
Só pro amigo
Fiquei fiador.
É caso antigo.

DdAB
E há inegável influência das rimas do 30B sobre este 31, não é mesmo? Que fazer? Trova é trova.
Imagem: peguei daqui.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Umbigo Tributário

Querido diário:
Li hoje naquele meu jornal tradicional:

[...] personalidades gaúchas se reuniram para debater o futuro do país na abertura da 32a. edição da Expoagas ontem [...]

Uma das personalidades disse:

Os jovens chegam ao mercado sem ter um minuto só de qualificação profissional no Ensino Médio.

Era Heitor Müller, presidente da federação das indústrias local. Pensei: "será que este senhor votaria num programa de "todo incentivo do governo apenas para a educação?" Ou "praticamente todo", "a parte absolutamente substantiva"? Teve, claro, outros oradores. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercado - AGAS, lá da Expoagas, senhor Antonio Cesar Longo fez um

[...] discurso de abertura [...] bastante crítico em relação à carga tributária do país.

E foi mais longe:

[...] solicitando a redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS para bebidas à base de soja e a inclusão do suco de uva com alíquota diferenciada na cesta básica.

Ou o governador Tarso Genro ou o jornal (fui incapaz de identificar) disse à p.24:

Logo depois de assumir o microfone, Tarso elogiou o nível político de Longo, mas se ateve a falar sobre as perspectivas de bom desempenho da indústria nos próximos meses. Atualmente, comércio e indústria divergem sobre a cobrança da alíquota de fronteira, que deixa os produtos vindos de fora do Estado cerca de 5% mais caros.

Tarso Genro não proferiu uma palavra sequer contra os 25% do ICMS da telefonia ou da conta de energia elétrica. Seus assessores não sabem que este cancro horroroso corrompe todas as cadeias produtivas da economia local.

Fico apenas rindo e pensando na dificuldade que teremos em consagrar o governo mundial, pois se nem o nacional é infenso aos arroubos regionalistas. Esta política tributária baseada em impostos indiretos para compensar desequilíbrios regionais é bem mais provável de provocar mesmo é distorções em todos os cantos, ainda que não distribuídas de modo homogêneo.

Moral da história: esta macacada, em matéria de tributos, só pensa no próprio umbigo. Nunca aprenderam a diferença entre custos sociais e custos privados. E são os primeiros a desejar a independência de seus estados da federação brasileira.

DdAB
Imagem: aqui.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Hai-Kai n. 30B

Querido diário:
O hai-kai de Millôr é:

REZAR, HOJE, É UMA FADIGA
INÚTIL. DEUS
É UMA COISA ANTIGA.

Planeta 23:
É uma coisa antiga:
Fingir que não ama
A melhor amiga.

DdAB
Imagem: aqui.
P.S.: Quando pulei do hai-kai da p.20 para o da p.21 (de 6/jan/2013), simplesmente pulei do n.14 para o 16. Ou seja, as páginas ímpares do livro cessaram de ter minhas trovas com números ímpares. Problemas infantis com a matemática... No próximo hai-kai, teremos a volta da sincronia entre o número dos poemas e o número das páginas que abrigam os originais millôrianos. Claro que estamos falando do livro da L&PM.
P.S.S.: Desnecessário dizer que este diálogo apareceu 11 dias antes dele próprio: de 20 a 31 de agosto.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Haverá Aprovação Conradiana?

Querido diário:

Tem aquela questão das novas regras gramaticais e que tais brasileiras de 2011, une vergonhe, como diria um mau francês, ou um mau brasileiro, uma vergonha. Mudam a ortografia, levando à demência precoce (!) nossos dicionários, nossas aventuras do Pequeno Príncipe bem sublinhadinhas, a antologia poética de Carlos Drummond de Andrade, e tanta outra coisa.

Pois tem uma diferença que a lei idiota não conseguiu meter a mão, nas seguintes sentenças:

.a. Antes de eu entrar em férias

.b. Antes de o acadêmico entrar em férias.

Claro que, no caso, "o acadêmico" não se refere aos professores universitários e sim àquela macacada da academia brasileira de letras, fora os dezenas de editorezinhos e que são fornecedores do MEC.

DdAB
Imagem: aqui.
P.S.: dá uma olhada lá para o fim da postagem daqui.

domingo, 18 de agosto de 2013

Aviso de Utilidade Pública

Querido diário:
É domingo, não é? Nos dias 22 e 23 de agosto, vai apresentar-se em Porto Alegre o ator Gregório Duvivier, exibindo-nos a peça "Uma Noite na Lua". Não vou, pois isto me cheira a propaganda enganosa!
DdAB
Imagem pretty public que tirei daqui.

sábado, 17 de agosto de 2013

Marx e a Escolha Racional

Querido diário:
Tem gente que odeia a teoria da escolha racional, tanto quanto, hehehe, a burguesia odeia o proletariado. Nem falo, creio, da relevância do conceito de equilíbrio ou do modelo de formação do preço da empresa em concorrência perfeita (no caso, sabemos que a empresa colará seu preço no custo médio, ou -que seja- no custo marginal). Mas não deixa de ser a mesma coisa que quero falar agora, pois estes dois termos -concorrência e equilíbrio- fazem parte intrínseca do pensamento econômico de Marx e Engels, para tristeza de muitos autores auto-intitulados heterodoxos (e por isto é que me intitulo neo-heterodoxo).

Quero ligar a teoria da escolha racional com os supostos de maximização, especialmente, a maximização do lucro monetário por parte dos produtores de mercadorias. Por aqui, registro que há uma discussão menos relevante no presente contexto, mas importantíssima em outros. O tema foi clareado -para mim- pelo prof. João Rogério Sanson. Trata-se agora da maximização do lucro médio total (o que equivale maximizar o lucro médio) ou da taxa de lucro. É o diferencial da taxa de lucro entre um setor e outro que faz os capitais se moverem, mas vejamos o caso da massa de lucros:

The will of the capitalis is certainly to take as much as possible.

Quem falou isto? Foi Karl Heinrich Marx na p. 2 de meu exemplar de "Wages, prices and profits." Vou dar uma campeadinha para ver a cita em português. Aqui está o livreto a que acabo de me referir em português. Não achei esta frase, mas ele fala em "máximo" milhares de vezes.

DdAB
Imagem daqui.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O Dia do Economista:o dia seguinte

Querido diário:
Ontem falei para um grupo (talvez pudéssemos chamar de "aula" ou "seminário") sobre a profissão do economista. Reproduzo agora os traços gerais dos slides:

A. O Surgimento da Profissão de Economista e sua Regulamentação
:: tudo iniciou nas faculdades de direito
:: começam nestes tempos antigos a surgir os cursos de comércio e finanças
:: o ensino padrão tinha por base os mestres do direito e a bibliografia francesa (tipo Charles Gide)
:: isto implicou uma visão jurídica ou financeira como dominante nos anos iniciais da profissão, falando em uma fictícia média brasileira.
:: Apenas nos anos 1960 e 1970, com os programas de treinamento no exterior da Capes e CNpq é que começaram a chegar os "verdadeiros economistas", principalmente os formados nos Estados Unidos, mas também coadjuvados pela formação francesa mais moderna.
:: o Visconde de Mauá (*1813; +1889, que morou na Inglaterra, fala em Adam Smith em seu tratado que juro que li, mas não tem referência na Wikipedia brasileira
:: mas eu estou falando num tempo bem posterior, quando o próprio Alfred Marshall já estava sendo superado e, nos Estados Unidos, emergia a economia industrial
:: em 1951, a profissão foi "regulamentada" no Brasil e o livro texto iria, ainda naquela década, ser o de Paul Samuelson, de sua parte um dos autores da "grande síntese neoclássica". E seus "imitadores" americano (Campbell & McConnel) e inglês (Stonier & Hague).

B. O Problema do Emprego do Economista
:: mesmo com a abundância de empregos criada a partir do governo Lula, há ainda certa escassez de bons empregos para economistas, descontadas as vagas obtidas por meio dos concursos públicos milionários
:: falo mais do economista convocado para atuar na empresa de pequeno ou médio porte
:: neste sentido, não há emprego estável para ninguém
:: a grande questão é se a aceleração do crescimento econômico no Brasil (estagnado há 35 anos com uma taxinha de crescimento de 3,5% a.a.) poderá em algum momento relançar a absorção de mão-de-obra, especialmente na empresa privada de todos os tamanhos
:: a relativa escassez de bons empregos de economista não é uma singularidade brasileira, ao contrário
:: é nos países capitalistas avançados que, primeiro, os serviços cresceram em participação na geração do valor adicionado, mas que a produtividade, ou seja, a substituição de trabalho vivo por trabalho morto, alcançou dimensões espantosas, impedindo que o emprego acompanhe sequer o crescimento do PIB. Nâo podemos deixar de dar destaque aos crescentemente eficazes programas de inteligência artificial, já campeões de torneios de jogos de salão, diagnósticos médicos, previsões econômicas, e tantas outras áreas.

C. O Mundo do Futuro
:: neste mundo de desindustrialização, os empregos nos setores produtores de bens é que sofrerão verdadeiramente o baque dos ganhos extraordinários na produtividade do trabalho, mesmo o trabalho técnico
:: talvez a própria relação de emprego é que venha a perder importância na distribuição do valor adicionado pela sociedade
:: a dominância do setor serviços tem a vantagem de que serviço precisa ser produzido simultaneamente ao consumo
:: por isto, parece que é nele que se alojará a massa da população economicamente ativa, ainda que torne-se cada vez mais necessária a criação de mecanismos distributivos, como é o caso da renda básica universal. Isto, na verdade, não distinguiria o economista de um profissional em qualquer outra área.
:: por tudo isto, mostra-se absolutamente reacionária a mudança impressa no governo FHC e referendada pelos governos Lula e Dilma de forçar a idade da aposentadoria do trabalhador braçal a 75 anos de serviço. Isto é confundir equilíbrio das contas públicas com políticas de modernização da sociedade. O aumento de exposição do trabalhador ao mercado de trabalho é algo profundamente destrutivo para a vida social.
:: pela formação não muito afeita à teoria da escolha pública, os governos citados não têm clareza sobre o fato de que este déficit público (da previdência) é o irmão siamês do superávit do setor privado, que pode ser redistribuído
:: a flexibilidade que a formação na ciência econômica oferece ao economista, nesse mundo do futuro, não lhe dará um lugar de importante destaque no mercado de trabalho. Parece evidente que haverá economistas detentores de habilidades especiais que terão destaque, mas tal vai também acontecer em diversas outras áreas do trabalho societário.

DdAB
Imagem: do simpaticíssimo blog daqui.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O Governo e a Cadeia: mais sobre a prefeitura

Querido diário:
Hoje o assunto começa na capa de Zero Hora: "Desvio na Procempa pode ser de R$ 50mi", querendo dizer 50 milhões! É estarrecedor, estupidificante. Especialmente pelo que se lê no cerne do jornal. Estamos falando do governo municipal, da administração das coisas da vida comunitária porto-alegrense. Estamos falando da coalizão de partidos que empalma o poder (no caso desta "processamento de dados do município de porto alegre", adivinho eu) e, com a culpa neste cartoriozinho milionário, o Partido Trabalhista Brasileiro.

Pois bem, o presidente já demitido da Procempa foi, assim que de lá saiu, convidado a assessorar o vice-prefeito da cidade. Só bebendo, para que o vice-prefeito tenha um quadro de assessores, possivelmente todos CCs, como é/foi este caso. Este senhor (como diria o papa) assessor fez inegáveis serviços para a causa da moral e da ética. Ele guardava em casa armas e dinheiro (e sei lá que mais). Ao perceber que a polícia iria dar-lhe um "mandrake", jogou pela janela um pacote dentro do qual a polícia contou R$ 46 mil, se a cifra não me confunde. Em casa! E cheques acima de R$ 100 reais devem ser nominais!

E o outra eminência (sem alusão ao citado papa) também tinha dinheiro e armas em casa. O dinheiro era R$ 65 mil (caso de memória também pede vênia) e algumas armas, inclusive uma (ou duas?) de uso exclusivo das forças armadas. Que planejava?

Que planejavam?

Não podemos esquecer que o poder judiciário também é governo. E que com a impunidade por ele garantida à sociedade brasileira não há maiores incentivos a se evitar o crime de todos os quilates. A saída, bem sabemos, é conseguirmos um aladim que faça o governo gastar em educação. Se Tony Blair não tivesse feito mais nada, mereceria notoriedade pela legenda (mais hagiografia...) "Education, education, education".

DdAB
Imagem: daqui.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mensagens do Dia do Economista: a profissão e o anel

Querido diário:
Sabe-se que o dia 13 de agosto é o dia em que a primeira lei que regulamentou a profissão de economista no Brasil foi aprovada. Se bem lembro era lá por 1951 ou 1953 (escrito na carteirinha e não na memória da época). O pior desta parada é que apenas quem é inscrito no conselho de economistas é que pode designar-se economista. Não lembro onde (ah, memória...), mas li que o próprio Karl Marx se declarou economista. Juro que li. E acharei a fonte um dia, a julgar por aquela história de "ao transformar a natureza, diferentemente dos demais animais, o homem transforma sua própria natureza".

Lê-se na p. 29 de ZH de hoje a mensagem desse conselho:

Seja qual for o seu motivo, faça o mundo com mais Economia. Parabéns, economista!

E gelei: tenho amigos, leitores deste blog, conselheiros dessa "entidade". Será que não foi lá um deles que inventou esta mensagem? (Sobrou um artigo no pronome, o que retive, mas faltou uma vírgula, que inseri). E tenho uma amiga que faz aniversário hoje! Parabens, economista.

Mas tive também pensamentos mais profundos, sob o ponto de vista da economia política. Que significará dizer "fazer o mundo com mais Economia", com aquele ezão maiúsculo? Sabemos, lá do velho paradoxo da parcimônia, que a renda de equilíbrio numa sociedade de agentes frugais será menor do que a de agentes gastadores. Isto é mau e bom. Hoje em dia, parece que um grande problema existe precisamente por causa da visão dos economistas e dirigentes financeiros que a única forma de se restabelecer um equilíbrio de longo prazo nas contas públicas (falo do mundo inteiro, mas particularmente da Europa) é reduzir a demanda agregada. E não se pensa em elevar a oferta agregada, pois isto geraria emprego, criaria produto, renda e despesa e -segue-se nesta visão que reputo de errada- inflação.

Fora aquela história de confundir
.a. economia com o lado econômico do mundo mundano
.b. economia como a ciência que estuda o lado econômico do mundo mundano.

Eu faria a mensagem um tanto diversa:

Seja qual for o motivo, insistamos no viés igualitário da sociedade. Sem ele, o tetraneto de um menino de rua contemporâneo pode, se deixado aos cuidados do beleléu, lastimar um de nossos ainda não existentes bisnetos.

DdAB
Imagem daqui. É muito importante deixar claro que sou dos poucos economistas que conheço possuidor de um anel como aquele da esquerda de nossa imagem de hoje. E que, como sabemos, fui funcionário da Câmara de Vereadores local. Lá havia uma tradição que seguiu em meu caso de, quando um colega se graduava, os demais colegas, fortemente ($$$) coadjuvados pelos vereadores, regalavam-lhe esta joia. Eu já o usei em uma que outra ocasião festiva, mais para exibir a relíquia e evocar os bons momentos da Câmara do que propriamente para mostrar-me como um pernóstico portador de joias ou de arrogância pessoal ou profissional.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Contos, Crônicas e Conrado!

Querido diário:

Eu ansiava por novas postagens no blog de Conrado de Abreu Chagas (o que o ocrreu aqui). Saudoso que estava, li sofregamente. Não entendi a natureza da natureza. Reli. Reli. E, claro que, desde a primeira leitura, em que eu buscava a intangível natureza da natureza, estava amando o que meus olhos engolfavam. Escrevi-lhe revelando minha dificuldade em catalogar o texto como conto ou crônica. Pois è vero que já li em outras épocas outros crônicas e contos muito desafiantes, enternecedores ou ambos. Então ele respondeu com o texto que segue e que leva-nos a novo marcador Conradiano:

Se conto ou crônica, não sei ao certo. Juro que não pensei nisso. O crítico literário Massaud Moisés escreveu, de modo bastante didático, mas bem aprofundadamente, sobre esses e outros "gêneros literários". Ele parte dos três grandes gêneros da Antiguidade Clássica, sobretudo a grega, claro: 

(1) narrativo (epopeia)
(2) lírica (ode, écloga, etc.) 
(3) drama (tragédia e comédia)
Já sabemos que, a não ser talvez por Aristóteles (cujos escritos são, em muitos casos, notas de aulas, e muitas vezes de seus alunos), mesmo os cientistas e filósofos escreviam em versos. A literatura (e tudo escrito era literatura) era, assim, em versos. Aristóteles escreveu sobre literatura, e o título de seu livro é, justamente, A Poética. (Infelizmente, o trecho que restou trata apenas da tragédia; o resto teria se perdido no incêndio da grande biblioteca de Alexandria. Umberto Eco, aliás, brinca com isso em seu O Nome da Rosa, em que os assassinatos no mosteiro beneditino têm sua motivação no fato de o irmão bibliotecário querer esconder dos olhos da cristandade a parte sobre a comédia n'A Poética, por nociva...)
A partir dos gêneros clássicos, nos ensina Massaud Moisés, é possível entender os atuais.

O romance, a novela, o conto seriam, assim, herdeiros do epopeia, já que neles se trata de uma terceira pessoa.

A poesia que hoje se produz, e que, ao que tudo indica, anda atualmente quase à beira da morte, é eminentemente lírica, pois trata da primeira pessoa, do chamado "eu-lírico". E é lírica, também, interessantemente, a crônica, sobretudo a crônica que se produz no Brasil, tão peculiar. Nela, ainda que se fale de terceiras pessoas, é sobretudo a primeira que se sobrepõe. Em linhas gerais, o cronista começa falando de si, de um dia particular em sua vida, de um acontecimento anódino qualquer para, no final, tirar conclusões gerais. De fato, são textos que, mais do que reflexivos, instigam a emoção dos leitores, e o fazem a partir do "eu" do autor.
O gênero dramático nos deu não apenas as comédias e tragédias (os dramas) do teatro, mas também aquilo que se vê no cinema e na televisão (as telenovelas, as séries e tudo mais).

Se levarmos em conta essas considerações de Massaud Moisés, ou o que delas me recordo assim de imediato, o texto será antes uma crônica do que um conto. 

Que pude eu pensar depois de tudo isto? Pensei no texto, no dentista, nos presidiários que recebem tratamento de primeira classe por terem meios obtidos ilicitamente para pagar por eles. O crime, numa terra de impunidade, bem que compensa. E não será também criminoso aquele cidadão de bons costumes que pode gastar um salário mínimo ou mais por dia?

DdAB
A imagem veio daqui.

sábado, 10 de agosto de 2013

Hai-Kai n.30

Querido Diário:
Disse Millôr:

MEU SONHO É MIXO;
TER A FELICIDADE
QUE OUTROS PÕEM NO LIXO.

E diz o Planeta 23 nesta véspera de dia dos pais:

Que os outros põem no lixo?
Sua viva felicidade?
Ou é quando viram bicho?

DdAB
Imagem: pedi ao Google Images o seguinte: "Hai-Kai n.30", ou seja, o título da postagem de hoje, que ainda não existia. Ele, Google, respondeu com o site a que vocês chegarão se clicarem aqui. É um blog ultra-interessante e que homenageia Millôr de várias formas e conteúdos! Sob a imagem que nos encima, vemos o seguinte hai-kai e pedido de vênia para a publicação:
É meu conforto
Da vida só me tiram...
Morto.
Bem vimos na postagem do dia 7/ago/2013 que este é o hai-kai 29 do livro que tenho usado (Coleção L&PM Pocket, 27).

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Valor e Previdência

Querido diário:
Já voltei ao tema algumas vezes: odeio quando ouço/leio os rapazes que consideram que temos um problema muito sério com o déficit do INSS em pagamento de pensões e aposentadorias. Eles têm uma visão excessivamente fiscalista, achando que, na sociedade ideal, o débito é obrigatoriamente igual ao crédito. Explico-me, de acordo com o princípio das partidas dobradas, claro que o débito é igual ao crédito. Mas, de acordo com a teoria do valor que eu esposo, "o valor adicionado é adicionado pela sociedade". Em parte da parcela, isto significa meu descontentamento com uma visão estreita da teoria do valor trabalho. Em boa medida, parece óbvio que existe apenas uma fonte do valor: o trabalho, claro. Mas, se não fosse a vida societária, não haveria valor nenhum, não haveria preços das mercadorias, não haveria qualquer sentido em falarmos em trabalho assalariado, capital, essas coisas todas.

Pois no outro dia, dei-me conta de mais aspecto que nunca referira. Se é mesmo que a sociedade é que gera o valor e, com os preços de 2012, o PIB per capita era de US$ 3,72 mil em 1965 e passou a US$ 11, 61 mil em 2012, é óbvio que cada brasileiro adiciona mais US$ 7,89 mil do que seu co-patriota de 1965. Jovens e velhos, trabalhadores e sinecuristas, filósofos e presidiários, todo mundo tem sua forma de elevar o valor adicionado per capita, uns gerando-o, outros dele apropriando-se e transferindo às instituições que irão absorvê-lo.

DdAB
Fonte da imagem: aqui. Simplesmente um blog maravilhoso.

Nota de abertura da tabela do IPEA de onde tirei estes dados:
PIB per capita (preços 2012)
Frequência: Anual de 1900 até 2012
Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Unidade: US$ de 2012 (mil)
Comentário: Elaboração IPEA. Série estimada utilizando-se o PIB preços de 2010, a taxa de câmbio real (R$) por dólar americano (US$) comercial (venda) - média de 2010 e a população residente em primeiro de julho. Para 2010: resultados preliminares estimados a partir das Contas Nacionais Trimestrais - Referência 2000.
Atualizado em: 26/03/2013.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Hai-Kai n.29

Querido diário:

Disse Millôr:

É MEU CONFORTO
DA VIDA SÓ ME TIRAM
MORTO.

Só me tiram morto
Deste punhado de terra
Ou se me pegam absorto.

DdAB
P.S.: tecnicamente é uma trova esdrúxula, não é mesmo?
Imagem: daqui.

domingo, 4 de agosto de 2013

Consumidores e Sequestrados

Querido diário:
Há pouco menos de 30 anos, quando ainda se escrevia "seqüestrados" (não mais, felizmente, pelos militares), a Editora Abril lançou a coleção "Os Economistas", com obras clássicas das maiores legendas do panteão econômico. Assim que vi a propaganda do primeiro número (se a memória não falha, era o "Princípios de Economia", de Alfred Marshall, na velha tradução de Rômulo de Almeida), pensei: qual é a fração de meu orçamento que esta editora vai apropriar-se de agora em diante por quatro anos? Era pouco, claro, mas não era nula. E talvez eu tenha cumprido 100% essa meta, ou seja, adquirido todas as 50 obras (e, se não falha a memória, há alguns que até hoje não li...).

Em outras palavras, houve uma fração de minha renda que foi "sequestrada" pela Editora Abril. Hoje, ao usar meu quase indefectível protetor solar Sundown ("abaixo o sol", na tradução da turma excessivamente branquela), também pensei: A Johnson & Johnson também sequestrou uns R$ 60 por bimestre ou trimestre de minha renda, pois não abro mão dele. Prefiro-o a qualquer dos concorrentes.

Claro que "sequestro" de meu rico dinheirinho nem se compara com o verdadeiro sequestro que me impinge o governo ao cobrar impostos indiretos líquidos de subsídios sobre livros, remédios, alimentos, e tantas outras mercadorias que deveriam ter alíquota zero. Como sou favorável a alíquotas positivas apenas para bens de demérito, como o automóvel, o cigarro e a cachaça, só posso concluir num tom dominical: só bebendo!

DdAB
Achei que esta imagem daqui associa adequadamente os dois itens essenciais da postagem de hoje: Alfred Marshall e bloqueador Sundown, com certo exagero...

sábado, 3 de agosto de 2013

Necessita-se de Manifestações

Querido diário:
Não manjo tanto de português, como o faz nosso Ci vedo dove sono (aqui), ainda que bem saiba que "vendem-se flores" é uma coisa e "precisa-se de escravos" é outra. Pois bem. Há dois arranjos escabelados que li hoje.

O primeiro é a iniciativa do senador Paulo Paim (de quem não duvido mais nada) querendo tornar a pesquisa histórica monopólio de pessoas que façam um curso de graduação numa universidade aprovada pelo governo. Diz o jornal. Eu não acreditei, especialmente depois que houve aquela decisão do supremo tribunal (juízes a modestos R$ 30 mil?) sobre os jornalistas: qualquer pessoa que queira "mexer" com notícias deve ser considerada jornalista. Eu, por exemplo. Por que diabos de razão dever-me-ia ser negado o direito, por exemplo, de possuir uma TV? Só o poder econômico.

O segundo, vi-o ao examinar a revista do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul. Identificam a revista os seguintes dados: Ano 44, n. 3/2013, julho 2013, p.26-7. Então o CD (cirurgião dentista) Bernardo Fróes Godolphim, credenciado como Presidente da Comissão de Convênios e Credenciamentos do CRO/RS, tem um artigo cujo título é "Operar Cartão de Desconto é crime; eles representam risco assistencial grave.". Claro que a primeira coisa que me passou à cabeça foi a iniciativa igualmente heroica do senador Paim. Pensei: que crime haveria em eu dispor de um cartão que me garanta descontos? Achei que o primeiro parágrafo serve para deixar o tema completamente estropiado, pois até hoje sigo apenas pensando que gosto de descontos e que me desgostam fraudes de vendedores de cartões fraudulentos:

Os cartões de descontos são meros intermediários dos serviços a serem prestados. Eles atuam sem qualquer compromisso solidário de qualidade ou responsabilidade civil, e são uma afronta [às] normas dispostas no Código de Defesa do Consumidor, uma vez que não oferecem garantia à população que contrata os serviços disponibilizados.

Em outras palavras, li o restante do artigo e não consegui atinar em que é mesmo o diabo do cartão de desconto. E concluo olimpicamente que precisamos de novas manifestações, a fim de acabar com este corporativismo que grassa hoje no Brasil. Se alguma proteção uma sociedade deve dar a seus integrantes certamente é a atenção aos desvalidos. E isto se faz com três medidas:
A. lado da despesa pública
.a. gasto público universal
.b. renda básica universal.
B. lado da receita pública: imposto de renda progressivo.

E por que não temos isto no Brasil contemporâneo? Eu diria que, basicamente, é porque a população escolhe políticos do tipo "lemmons". E o faz porque os lemmons são sabidos e nada fazem sobre este ABC da sociedade igualitária.
DdAB
P.S. a imagem é daqui. E deixa-nos pensando quem foi o criminoso que sacou a foto, se é que não era formado em história. E se o dentista não se estaria apenas vingando do indigitado paciente, que não teria usado o cartão de desconto aprovado pelo conselho dos odontologistas do rio grande do sul.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Notícia Devastadora: mais besteirol

Querido diário:
Tenho razões para crer que um número expressivo de meus leitores exibe especial predileção pelas postagens que chamo de "Besteirol". Hoje quero registrar outro, muito importante, ainda que devastador. É que eu me proponho a fazer no blog "postagens diárias ou quase". Pois bem, ocorre que a partir de hoje faltam cerca de 150 dias para o ano acabar. Se eu postar em dois a cada três dias, ainda assim, não chegarei ao número de postagens que fiz no primeiro ano cheio do blog, que foi 2009. Sem falar no recorde que bati em 2012, com 310 postagens (aqui).

DdAB
Imagem daqui.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quem Não Tem Mais Cão...

Querido diário:

Hoje ouvi algo extraordinário, enquanto caminhava nas cercanias da "praça dos quatro poderes" do Rio Grande do Sul (nomeadamente, o clero e sua catedral, o executivo e seu palácio, o legislativo e seu palácio e o judiciário e seu palácio, no wonder os dirigentes ganhem tão bem...).

Disse um velhinho (digamos, 75 anos) a um jovem (digamos, lá seus 35):

Não caminho mais. Agora tenho gato.

Fiquei maravilhado com a qualidade presente (certamente 66 anos) de minha audição. Lembrei-me de Rorty e o camelô (postados aqui). Disse o segundo: a experiência é o espelho da realidade. Mesmo tendo dito isto depois do livro do primeiro, parece que esse inspirou-se neste (eita, língua dolorosa). E mais ainda, fiquei pensando em que tipo de implicação havia: anteriormente, ele caminhava com um cachorro? E que fim teria levado o cão?A filosofia é o espelho da natureza...

DdAB
Imagem aqui.