quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Hai-Kai n.20

Querido diário:

Millôr:

A VIDA É BELA
BASTA SALTAR
PELA JANELA.

Planeta 23:

Pela janela
Vislumbro o vulto.
É da mãe dela.

DdAB
Imagem daqui.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ambos os Milhares

Querido diário:
Como sabemos, temos:
"É uma mocetona, disseram ambos os dois."

Eu:
Ficaram degustando ambos os três movimentos do Concerto de Aranjuez.

Eu II:
Ficaram degustando ambos os quatro pratos da refeição prandial.

Eu III:
Ficaram degustando ambos os cinco instrumentos do quinteto (em?) lá do velho Baumol.

Políticos:
Ficaram ambos degustando ambos os bilhões de reais surripiados ao povo brasileiro, por meio de seu representante, o tesouro nacional.

Basta?
DdAB
Imagem: para quem diz que tá tudo errado no Brasil :: aqui.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

200 Anos de Favela

Querido diário:
No outro dia, passei uns dias no Rio de Janeiro. Fiz dois tours guiados, um para lá e outro para cá, mas como o que foi para lá também voltou, já contamos três e, como o de cá também teve retorno, deram-se quatro. Num deles (25%), ouvi o narrador falar das favelas cariocas, cenário absolutamente dominante, além de algumas lumusines que vi pela primeira vez por lá.

O que me deixou maluco, pensando na linha daquilo que ontem falei sobre governo e governantes é que a primeira favela, segundo o guia, já está para completar 200 anos. Antes da libertação dos escravos. E antes da decência na política, que até hoje ainda segue no oposto. E que é favela? Vladimir Lautert indicou-me que teria algo a ver com a cobertura dos morros. Olhei daqui e dali e fiquei na Wikipedia em português. Diz-me ela que o arbusto tem uma semente assemelhada à da fava, o que deu o nome de favela. Foi o melhor que achei.

DdAB
E a linda foto vem daqui: abcz.
P.S.: números redondos - pela segunda contagem do Google, hoje são 1200 postagens!

domingo, 27 de janeiro de 2013

O Governo ou os Governantes

Querido diário:
Sempre penso que tem muita gente que critica o governo por ignorância dos modernos (modernos?) conceitos de falhas de mercado, custos de transação, essas coisas dos livros de microeconomia. Parece-me óbvio que o século XXI verá o governo provendo (não disse produzindo) cada vez mais bens públicos e bens de mérito. O mercado terá, nestes casos, seu papel crescentemente reduzido, cabendo-lhe, como tal, pressão para inventar novos bens que temos chamado de regulares.

E daí? Daí que, em Santa Maria, onde morreram 230 jovens por falha dos governantes (inclusive os afamados CCs, e alguns funcionários menos graduados) que negligenciaram coisas óbvias, a mais estonteante delas sendo que o alvará de funcionamento da discoteca protagonista da tragédia estava vencido desde agosto do ano findo. Pode? Pode a negligência do proprietário não ter providenciado de novos alvarás? Pode o governo, com o alvará vencido, deixar o local disponível para o uso de multidões, como os 500 que lá estavam na noite da tragédia?

DdAB
E a imagem veio daqui (aqui).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Hai-Kai n.19

Querido diário:

Millôr:
PAVÃO DOENTE
MORRE O CÉU
O SOL POENTE

Planeta 23:
O sol poente
há de aplaudir
o devir, nascente.

DdAB
Imagem: aqui.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Eu, Robô

Querido diário:
No Brasil, se alguém lê "eu robô", como escrevi acima, fica-se pensando: o certo não é "eu roubei"? Como os políticos? E é certo escrever certo sobre algo errado? Filosofia, meu chapa, pura filosofia política.

Eu li o livro "Eu, robot", de Isaac Asimov há muitos anos, talvez não mais de 35, talvez até mais. Fi-lo, se não caio no ridículo, em português, livro talvez emprestado de Mauro Oliveira, meu amado amigo e leitor maiúsculo de ficção científica. Não lembro, não se pode lembrar tudo, a menos que se tenha memória de... robô. Pois bem, precisamente no dia 18/jun/2009, comemorando cinco anos em meu novo endereço porto-alegrense, adquiri um exemplar em inglês (Bantam, New York, 2004).

Pois bem. nas p.44-45, estão listadas as três leis da robótica (traduções minhas, agorinhas):

.1. um robot não deve (may not) machucar um ser humano, ou, por meio de inação, permitir que um ser humano se veja ameaçado;

.2. um robot deve obedecer as ordens dadas por seres humanos, exceto quando tais ordens possam conflitar com a primeira lei; e

.3. um robot deve proteger sua própria existência na medida em que tal proteção não conflite com as duas primeiras leis.

Com elas, e com muita inspiração, sempre do lado da ética (ramo da filosofia desconhecido pelos políticos da República Federativa do Brasil), Asimov criou nove histórias fascinantes. E que nada têm a ver (nada?, como pude dizer isto?) com o livro "Nine Tomorrows", que também li originalmente (?) em português e depois encontrei um exemplar no Bric da Redenção, em 1987 ou 1988 e o adquiri e li/reli. Lá está o conto "A última pergunta", que me parece a maior obra de ficção da humanidade. Pois bem, eu lembrava um tanto tenuemente do livro "I, robot", mas tinha a ideia errada de que os dois últimos contos que dele constam dele não eram, se me faço gongórico. O penúltimo chama-se "Evidence" e o último, "The Evitable Conflict". No primeiro entra em ação o robô manipulado por um ser humano, torna-se político e começa a resolver todos os problemas econômicos -e, como tal, da administração das coisas, da escassez- do planeta. E no segundo segue o tema, quando o próprio robô se envolve em tantos cálculos que deixa-se substituir por computadores não-antropomórficos, as Máquinas, com o 'm' maiúsculo. É maravilhoso. É utopia, é linda visão do futuro da humanidade.

Na p.176, temos:

The question of intersellar travel under present conditions of physical theory is ... huh ... vague.

Claro que amei isto: se mudar a física, o que é certo que acontecerá, então tudo poderá ser resolvido. Em outro livro ("Elsewhere, interrogation mark"), li que, num certo futuro, os humanos aprenderão com seres de outra galáxia a viajar em velocidades maiores do que a da luz. O que nos coube foi desenvolver com sucesso a teoria que nos permitiu manter nossa materialidade, bem como a de vários órgãos exossomáticos, como os robôs, os barbeadores, e as panelas de pressão e criar espaço-tempo em qualquer ambiente, por mais inóspito que possa ser. Aventuras como a de A. Square e outras tornam-se possíveis. Tudo porque não podemos negligenciar que a luz leva quatro anos para deslocar-se de Vega até aqui. Isto significa que, com velocidades inferiores a esta (e mesmo de apenas dezenas de vezes superior a esta), estamos mal-arranjados. Mas é certo que resolveremos estes probleminhas.

Na p.264, temos o elogio dos sentidos humanos (os testes organolépticos):

No textile chemist knows exactly what it is that the buyer tests when he feels a tuft of cotton. Presumably there's the average lenght of the threads, their feel, the extent and nature of their slickness, the way the hand together, and so on. -Several dozen items, subconsciously weighed, out of years of experience. But the quantitative (sic) nature of these tests is not known; maybe even the very nature of some of them is not known.

E depois tudo torna-se totalmente cristalino. Depois se tornará, digo.
DdAB
Imagem: esta robozinha bonitinha que não sabia que sabia tocar piano precisa de citar a fonte?
P.S. ediçõezinhas em 6/mar/2017.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Reforma do Judiciário: proposta

Querido diário:
Tenho pensado novamente sobre aqueles escores de 6x5 do supremo tribunal federal. Eles soam tão ridículos que cheguei à seguinte proposta. Sempre que houver este escore, os cinco perdedores são automaticamente aposentados (com vencimentos de professor assistente das universidades federais) e novos cinco são nomeados (com vencimentos de professor titular das mesmas universidades).
DdAB
P.S.: meus dois marcadores 'economia política' e 'besteirol' são extremamente importantes para este caso. A proposta é 'economia política' e os empates ou vitórias magras são 'besteirol', não é mesmo?
P.S.S.: imagem: site 'Cristo é Vida'. Eu, hein?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Hai-Kai n.18

Querido diário:
Millôr:
EU VIM COM PÃO, AZEITE E AÇO;
ME DERAM VINHO, APREÇO, ABRAÇO:
O SAL EU FAÇO.

Planeta 23:
O sal eu faço
Da terra em veio
Nâo me embaraço.

DdAB
Imagem: aqui.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Hai-Kai n.17

Querido diário:
Millôr:
A NUVEM ATENUA
O CANSAÇO DAS PESSOAS
OLHAREM A LUA

Planeta 23:
Olharem a lua?
A lua, ao olhar,
Traz juras de amar.

DdAB
A linda imagem do lindo site aqui.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Inocente Lúdico

Querido diário:
Não posso negar que, ao lado da inquetante estupefação que me acode em centenas de -otherwise- pacatos momentos de leitura de meu jornal, há situações inusitadas que ora me convidam a bocejar e ora levam-me a esbragar-me em gargalhadas.

Veja aqui, de onde também recortei a imagem que nos encima. Diz a p.6 de ZH, na chamada e na manchete: "Só falta uma secretaria. Deputado almeja o Guinness". Claro que fui olhar: deputados, cerveja guiness, só bebendo. Era o sr. Inocêncio de Oliveira, de 74 anos, estando na mesa diretora da câmara dos depuados há 10, período em que ocupou todos os cargos, exceto a quarta secretaria. Se vier a ocupá-la, o que ele está pleiteando et pour cause, ele pensa ingressar no Livro Guiness dos Records. Pensei: e se considerarmos ainda, à la teorema de Bayes, qual a probabilidade de um fazendeiro escravista ocupar esses cargos? Aí sim ele terá seu recorde eternizado. O brasileiro é brincalhão.

Moraleja: Inocêncio é inocente? Foi julgado? E a lei da ficha limpa? Quosque tandem, Catilina?

domingo, 13 de janeiro de 2013

No más

Querido diário:
Ontem vi o filme "No" (aqui). Adorei aquela visão do publicitário René de Cervantes Saavedra, ok, ok, não chegava a tanto, mas que era genial lá isto era. Se tudo entendi nos trinques, ele fora criado fora do Chile -se me não torno ambíguo. Como tal, não tinha aquele ranço dos que sofreram nas mãos de um dos mais cruéis e desavergonhados ditadores do subcontinente.

O mote para o "marketing eleitoral" era contar com a alegria dos homens. Contar que eles poderiam jogar para o futuro as preocupações: mudanças incrementais e sucessivas, o que se obtém apenas com a democracia. E, aliás, nem sempre, como é o caso das ditaduras venezuelanas e o atual sofrimento institucional vivido pelo país dividido, com o presidente num hospital cubano. Fingindo-se de vivo, é o que dizem...

Não ficou bem claro para mim, a memória não ajuda, o que foi feito da lei da anistia criada pelo velho Pinochet. Na linha do Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela (MAL*) e minha posição sobre o revanchismo de uma negadinha que quer, porque quer, punição à milicada envolvida na tortura daqueles chamados anos de chumbo, penso que o importante não é vingar o passado mas pavimentar o futuro. Não implico que se deva esquecer, claro. Apenas que a questão central brasileira contemporânea está muito longe de punir réprobos que não estão envolvidos com o roubo presente (hoje mesmo) do patrimônio social.

DdAB
Campeei esta imagem ao digitar "alegria" no Google Images (aqui). Meus ancestrais é que ficariam satisfeitos com o site que apareceu. Diriam mais: não foi por acaso! E quem sou eu para desdizê-los? Dizer que não há acaso? Dizer que há?

P.S.: claro que, para mim, "no más" não é mais que frase de crupier do cassino de Montevidéu.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Poeta e Fingidores

Querido diário:

Das frases mais divertidas que andei lendo nos últimos anos destas retinas tão fatigadinhas é a que fala em Lula e Chavez:

.a. Lula se finge de morto (à propos do caso Rosemary Nóvoa)
.b. Chavez se finge de vivo (à propos dos casos de quatro cirurgias invasivíssimas)

Creio que não foi "o povo" que escreveu, mas acho que isto vinga-o das pilhérias e pilhagens que os políticos (ergo ladrões) fazem a seu bem-estar.

Para competir com isto, há Fernando Pessoa (para não falar no Drummond acima):

O poeta é um fingidor
Que finge tão verazmente
Que finge sentir na dor
A dor que deveras sente.

Ao mesmo tempo, fiz um teste para minha memória. Vou agora buscar o verdadeiro verso de F.P.

AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Maravilhoso. Isto que eu não lembrava que o título era Autopsicografia. Tudo de acordo com o site aqui, que meu livro de poemas da Aguillar está alla.

DdAB
P.S. Por falar em besteirol, que me diz o vulgo dos dois filhos de políticos cujos pais (os políticos) lutaram como leoas para conseguir sinecuras na Prefeitura a seus rebentos. Só rebentando, digo cá eu. Por isto é que eu lançara há anos a campanha: "Abrace a política: sufoque um vereador", mas não deveríamos aternos apenas à campanha para os edis.

P.S.S. Por falar em politicamente incorreto, tenho outra genial, esta originária do Macaco Simão, quando da visita recente (cinco anos?) de Charles e Camila ao Brasil: morreu a princesa e o príncipe casou com o sapo! Horrívelmente, né?

P.S.S.S. Fora o Noel e seu "teu ódio sincero ou teu amor fingido".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Vida Pensante


Querido diário:
Um tanto regionalista, junto-me às legiões internacionais que festejam no dia de hoje o aniversário da profa. Brena Fernandez, a figura pensante do blog Bípede Pensante.

Por que internacionalistas? Ora, uma das primeiras imagens deste vídeo do YouTube preparado por Pedro Brum, é o Snoopie. Lá adiante, observamos a figura amada de Grande Otelo, o imortal Macunaíma (o filme), nosso herói sem nenhum caráter. Nós, que amamos a postura de olhar o mundo com galhardia, ainda com caráter absolutamente pétreo, não podemos deixar de ver com bonomia as manifestações de carinho e amizade que de nosso coração emanam com relação à existência da aniversariante!

DdAB

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Valorizando o Lado Positivo

Querido diário:
Aqui o lado normativo é o que me interessa, por isto falo em "positivo" no sentido de algo que manda a bola do jogo para frente. Ontem vi uma entrevista de uma senhora na TV. Não vi muito mais, não sei o nome da entrevistada, não sei  o calan e nem lembro se estava sentado no sofá ou numa poltrona, se bebia água ou água que passarinho não bebe, se me é dado usar o lugar comum.

Então veio a frase que capturou minha atenção e que talvez me leve a incorporá-la como um de meus prêt-à-penser preferidos: 

Ai, que vida boa!


Seria uma frase de estilo lugar comunesco não tivesse sido proferida pela senhora a que me referi durante uma sessão de quimioterapia, tratando de seu câncer de mama. Ela comentava a frase que teria chocado uma colega de sessão. E talvez até ela também tenha ficado chocada com o que acabara de falar. Revelou que o sentimento de plenitude de amor à vida originou-se do fato de que ela sentia frio durante a quimioterapia, pediu um cobertor à enfermeira, ganhou-o acompanhado de um café quente. Foi o que bastou.

De minha parte, fiquei pensando no conceito de "otimismo cultivado", que é o esforço que devemos (dever é normativo...) fazer, a fim de sempre termos um alto astral. Até quando? Até a morte? A morte que vá para Odessa, enquanto que eu fico em Moscou (Borges). A morte que se dane!

DdAB
Os temas e a imagem (não diz lá a fonte) retirei-as de meu próprio blog aqui. O broken hart tem causa nobre...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Preços dos Transportes Subintes

Querido diário:
Minha bola da vez é o anunciado aumento do preço dos transportes de carga no Brasil. Quer dizer, um país que desmantelou a rede ferroviári tem na expressão "transporte de carga" como sinônimo de "transporte rodoviário de carga". Isto, por si só, já implica elevações estratosféricas nos custos privados e sociais.

Por falar na diferença, parece evidente haver um estrondoso desvão entre o custo social e o custo privado do transporte rodoviário e o ferroviário. No Brasil e na China, na Europa e na Bahia. Parece óbvio. O que não é óbvio nem está perto do senso comum da macacada é que o transporte rodoviário de passageiros ou carga e o aéreo idem idem deveriam receber um imposto indireto de tal magnitude que orientasse a alocação de recursos para o ferroviário. Ou seja, que as tarifas das ferrovias fossem tão baixas (claro que em havendo benditas ferrovias) que atraíssem a maior parte da demanda. E metrôs, e bondes urbanos. Acho que, a fim de racionar o uso do automóvel, até andei sugerindo elevações substantivas no IPVA. Sempre digo: racionar com preço requer um país com renda razoavelmente igualitária, como bem sabemos naqueles famosos casos do senador Aécio e do deputado Romário (era ele?) que se recusaram a testar o teor alcoólico num vulgar bafômetro e saíram satisfeitinhos da vida com uma ridícula (pare eles) multa de R$ 1.000.

O governo criou uma lei que está entrando em voga proibindo os motoristas de caminhões de trabalharem mais de dez horas por dia. E dizem os sindicatos dos caminhoneiros que isto impactará os custos em 15-30%. Acho razoável, mas acho que o poder de monopólio fará com que vamos aos 30% e a lei não será cumprida in totum. Ou seja, pagaremos pela iniciativa governamental (algum tresloucado deputado) que não sabe como reger uma economia no rumo da eficiência. Claro que, como eficiência rima com decência, já está tudo explicadinho.

DdAB
A imagem (?) de hoje veio daqui.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dilma e Cachoeira: imposto neles!

Querido diário:
No outro dia, fiquei pensando num daqueles argumentos propugnando pela redução do tamanho do governo na economia brasileira, em certa medida, querendo que o Brasil acompanhasse o padrão de gasto de países como a Bolívia e a Bessarábia, quando eu queria Atlantis e Dinamarca. Ok, ok, não era bem isto, nem é bem isto, nem será bem isto. Mas é parecidíssimo.

A primeira coisa que sempre falo na aula do primeiro semestre da faculdade: o chamado teorema do orçamento equilibrado. Se o governo eleva o gasto em D$ 1 e também os tributos em D$ 1, o que acontece é que o orçamento fica equilibrado e a renda tem um impacto (pelo lado da demanda) de D$ 1 para crescer. Claro que, com os juros do modelo IS-LM, este D$ 1 cairá para muitos centavos. E, com preços subindo por causa da expansão da demanda agregada, cai ainda mais. Mas podemos esperar o aumento de renda de alguns centavos, induzidos pelo gasto público (e qualquer outro componente de gasto autônomo) e manter o orçamento equilibrado.

Quando um pinta recomenda redução do gasto público, eu penso na atual realidade europeia. Os dirigentes econômicos sabem que, ao reduzir este gasto, estão condenando a economia à recessão e, como tal, ao desemprego. E o blim-blim-blim do orçamento equilibrado? E o modelo IS-LM da economia aberta e a construção da curva de demanda agregada? E a nova macroeconomia que nunca estudei a fundo, mas que não pode contrariar estas banalidades que o senso comum de milhares de economistas pré-2000 sempre perceberam.

Pois bem, e o título? Dilma e Carlos Cachoeira, uma de feriadão e o outro de lua-de-mel, respiraram os mesmos ares baianos. O sr. Carlos está em liberdade, embora condenado a 30 anos de cadeia. Dilma descansava na Bahia depois de um ano de intenso trabalho. Ambos ganham dezenas de vezes mais do que a renda per capita do país, mais do que o salário mínimo do país. Como restringir seus gastos? Claro que cobrando o imposto de renda progressivo (não esquecer o enquadramento pelo MAL*).

O problema brasileiro, diferentemente do que anuncia uma malta de dromedários, não é o gasto público, mas o desperdício com vencimentos e ordenados elevadíssimos, como os dos deputados e juízes. E este se corrige com o imposto de renda progressivo. Agora entrou na moda, na França, a alíquota de 75% para quem ganha mais de 400.000E. Uns R$ 100.000 mensais, por aqui. Mas, digamos, a partir de R$ 10.000, já se deveria cobrar alíquotas, tornando-as mais agressivas à medida que percorremos este espaço entre os R$ 10.000 e os R$ 100.000. E, depois dos R$ 100.000, que tal alíquotas de até 95%?

Com estes impostos, poder-se-ia financiar um verdadeiro programa de gastos públicos voltados aos serviços, em geral. Seria o paraíso em menos de 20 anos!

DdAB
Imagem de um blog que não pude rastrear. Mas é um paraíso meio plúmbeo. Que seja!

P.S.: reedições profundas às 15h22min do mesmo dia 7/jan/2013.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Hai-Kai n.16

Querido diário:
Número 16:

Millôr
ESNOBAR
É EXIGIR CAFÉ FERVENDO
E DEIXAR ESFRIAR

Planeta 23:
... E deixar esfriar
é sempre um segredo
a cultivar.

DdAB
P.S.: Pedi ao Google Images um troço muito louco, mas ele não ficou desenxavido e deu-me esta linda foto aqui.

sábado, 5 de janeiro de 2013

O Cão, a Lebre e o Rato

Querido diário:

Tudo em 3 de abril de 2012 (aqui).

Estamos falando da possibilidade de civilizações animais. Em meu post scriptum, podemos ler "[até hoje estou procurando uma] referência que juro ter lido sobre ratos do deserto mexicano que trocam -portanto- mercadorias"

Primeiro comentário:
Bípede Pensante:
[...] me disse que tem um tal de "Pack rat", parecido com esse teu rato mexicano que gosta de praticar um escambo. Dá só uma olhada: http://en.wikipedia.org/wiki/Pack_rat


Segundo comentário (já no 7/abr/2012):
Eu myself disse:
Acabo de olhar o link indicado. não estou em casa, mas desejo voltar ardentemente para voltar a manusear meus livros de divulgação da biologia evolucionária, a fim de renovar a busca com mais dados. na Wiki, frustro-me ligeiramente: falar em 'troca' pode ser apenas um exagero humano. mas pode ser que haja outras espécies não-humanas que tenham trocas análogas às nossas: às vezes mercadorias e tantas outras, apenas signos e subjetividade.

Terceiro comentário (ainda no 7/abr/2012):
Volta de Bípede Pensante:
Sabe que eu também achei um pouco de forçação antropomórfica chamar isso que o Pak-ratinho faz de "troca". Pensei que, se ele tivesse quatro patinhas dianteiras ao invés de duas (ou uma mochila, talvez), iria querer carregar as tralhinhas todas consigo... Mas isso por sua vez também é uma interpretação antropomórfica: não tem muito jeito.

Pois hoje, 5/jan/2013:

Zero Hora, só pode! Zero Hora. Tem o Segundo Caderno. Que tem a p.6. Que tem uma coluna chamada Pampeanas. E que o convidado da semana de hoje é Sergio Napp (escritor e letrista). A crônica se chama "Dom Luís" e trata-se do cachorro de Sergio. Vai uma citação longa:

[...] É de vê-lo com a lebre! Ela o provoca se aproximando ao máxino. Ele lhe dá corda aguardando-a deitado. os olhos brilhantes, língua de fora. Num repente, soltam a correr. Em algumas vezes, Dom Luís imobiliza a lebre com seu corpo. Aí, a fareja, lambe, depois a larga, que foge estabanada. Para voltar no dia seguinte e provocá-lo. Já aconteceu de a lebre trazer-lhe uma cenoura de presente, e ele presenteá-la com um pouco de ração.

Está aí! Muito mais que os pack rats mexicanos, temos nos pampas sul-riograndenses casos comprovados (um, por enquanto) do acerto das teorias da antropologia maussiana sobre a inexistência da dádiva, sobre a troca. Não duvido que, em poucos anos, sob a presidência de Sergio Napp, ainda tenhamos o Banco Central dos Bichos Meridionais.

DdAB
Imagem daqui. Estará o Dom Luís dali de cima apenas brincando? E a Lebre Elster sorri?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Caso Genoíno: Ocaso do Judiciário

Querido diário:
Prossseguem no jornal e na TV os espantados com a decisão de José Genoíno de tomar posse como deputado federal, suplente que era do PT, cujo titular garrou uma prefeitura. Até o governador Olívio Dutra considera que teria sido mais sensato Genoíno renunciar ao mandato.

Claro que vemos em ação a lógica da ação do indivíduo diferindo da lógica que move os atos do cidadão. Esta questão entre ética e moral e o que é melhor para quem quer que seja é tíbia. É de natureza pessoal, o que a impede de receber foro público.

O que poderia ser feito? Algúem que, sentindo-se prejudicado, recorresse precisamente ao tribunal que condenou o cara. Ninguém recorreu? Talvez nem precisasse mesmo ser o tribunal, pois talvez um embargo na própria câmara dos deputados poderia fazer o serviço, sei lá, que de mumunhas jurídicas fujo como um político à ética e à moral.

Mas, seja como for, o cara foi condenado. Está condenado. Mas a condenação não vale, poiso judiciário está em férias, algo assim. Então o "transitar em julgado" terá que esperar. A morosidade do judiciário é que é o vilão desta chance que deram ao Genoíno de exercitar um pensamento altruísta e ele fracassou.

O cordão dos puxa-sacos é que dificultam as coisas. Parece que o próprio supremo já se comporta como um programa de auditório, sendo boa parte das questões resolvidas por escores de 6x5. Mas também parece que nestas querelas políticas não interessam conceitos como ética, moral, bem comum, ou melhor, o entendimento das pessoas é que muda de acordo com seus anseios. Desejos determimam crenças com a mesma intensidade que, em outros casos, talvez a maioria, as crenças é que determinem nossos desejos. Eu creio que me sentiria bem num cargo daqueles, o que me faz desejá-lo.
DdAB

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Genoíno e Confissão de Culpa

Querido diário:
Primeiro tem a palavra Genoíno e, segundo, culpa, fora confissão. Vejamos culpa, pois é comum vermos nos filmes anglo-americanos com legendas uns falarem em "fault" e outros jogarem no rodapé das imagens móveis "culpa".

Culpa, no Aurelião, deixa-se ler -editado- como:

 1.     Conduta negligente ou imprudente, sem propósito de lesar, mas da qual proveio dano ou ofensa a outrem.
 2.     Falta voluntária a uma obrigação, ou a um princípio ético.
 3.     Delito, crime, falta
 5.     Responsabilidade por ação ou por omissão prejudicial, reprovável ou criminosa

E tem mais coisa, claro, inclusive a diferença dolo-culpa, tão importante na leitura das páginas policiais.

Genoíno, pela Wikipedia brasileira, tem o próprio José. Também tem genuíno, como sabemos.

E o que tenho eu com isto? Ao ver/ouvir ontem e ler hoje as notícias de sua -dele, Genoíno- posse como suplente de deputado federal, depois de estar condenado pelo supremo tribunal à cadeia, fiquei pensando. Diz que ele diz que os repórteres que lhe indagam sobre seu envilvimento no Mensalão são torturadores. Eu não gosto deste radicalismo, por exemplo, quando um partido político (ninho de ladrões) chama outro de nazista (ninho de víboras).

So what? A razão entre o número de criminosos que aceitam a culpa e o número de criminosos que se declaram inocentes mesmo à vista das mais cristalinas evidências é próxima da unidade. Claro que há gente que se declara culpado, mas são minoria.

Então não surpreende que Genoíno, José Dirceu, e os próprios ministros do supremo, se declarem inocentes. O que me parece complicado no caso de Genoíno -para não ficar falando em todo mundo- é que, mesmo sob fortes indícios da prática de crime, o indivíduo não se flagre que o melhor que pode fazer para o bem comum é declarar-se sob suspeição. Claro que não falo suspeição no sentido de que, a seus próprios olhos, ele seja suspeito. Mas suspeição por parte da sociedade organizada. Neste caso, a contribuição de um homem bom é retirar-se. Falo especialmente de cargos públicos: é muito bom o indivídio ser suspeito de estar roubando, como andei postando no outro dia, e -por não ter sido condenado pela justiça-cágado- achar que tudo bem com ele. E com o aval dos prefeitos, deputados, toda a malta.

DdAB
Imagem: blog do prof. Genivaldo aqui. Ou muito me engano ou o bicho vai cair num alçapão.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Inveja Política

Querido diário:
Nunca se sabe se a ação humana é motivada pela inveja ou por sentimentos mais nobres. Eu, por exemplo, volta e meia, acuso que muitas destas sinecuras que infectam a vida social brasileira provocam em mim o mais profundo sentimento de "também quero". Nesta linha sigo a lição imortal proferida pela Tia Zulmira (tia de Stanislaw Ponte Preta): "Ou todas nos locupletamos ou restaure-se a moralidade". Anos depois, ao ler o conceito de justiça de John Rawls, aprendi que a bondosa e sábia senhora da Boca do Mato (RJ) anunciava e falava do estrito conceito de ordem lexicográfica, ou seja, se não pudermos nos locupletar, então que venha a chatice, a mesmice, mundo caturro.

Pois foi pensando precisamente nisto que fiz a postagem:

O Prefeito e a Perfeita

e bem antes ainda fiz

As Mulheres e os Animais

No primeiro caso, eu clamava: também quero!

Pois o jornal de hoje, o primeiro do ano novo, que o de ontem era comum ao 31/dez/2012, anuncia na inefável Página 10 (hoje na página 12):

Foco na AL
   Primeira-dama de Porto Alegre, Regina Becker negou que vá retornar imediatamente ao comando da Secretaria dos Direitos Animais. Ela afirmou que, no momento, não há decisão sobre o assunto
   Servidora do Memorial da Assembleia Legislativa e, no retorno, se dedicará ao restauro de dois painéis de 1957. O foco, diz ela, está na Assembleia.

Pois é. Meu foco é instaurar-me na folha de pagamento do senado ou na da Petrobrás!


DdAB

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Primeiro do Ano

Querido diário:
O primeiro do ano é um dia que não volta mais. Ao escrever este vibrante e inarredável título da postagem de hoje, preciso acusar que em 2012 bati o recorde de postagens, com 310 sinalizações. Este ano, espero pelo menos 311.

Mas aí lembrei-me que havia gente que, quando eu estava no primeiro ano do ensino fundamental, chamava-me de "primeiro ano, cabeça de pano." Apenas na condição de estudante universitário, mais de uma década após é que me dei conta de que também, ao ser promovido ao segundo, também caberia: "segundo ano, cabeça de pano". E hoje dei-me conta de que qualquer ano rima com pano. Só com hai-kais mesmo, que espero publicar em 2013.

DdAB
A imagem é de Jenny Bitner. Com sua Caperucita Roja, não era assim?