quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Leão e a Mão

querido blog:
algum tempo atrás, li umas partezinhas do livro de Ernest Mayr intitulado "O Que é Evolução". a que mais me interessou foi uma parte recheada, declaradamente, de especulação sobre os passos da transição do macaco africano para o chimpanzé e seus derivados, nossos ancestrais. longe do livro, faço minhas próprias especulações, que talvez fossem apoiadas pelo autor, caso ainda estivesse vivo, lesse em português, e -sobretudo- lesse este blog. mas já ia começar dizendo algo que não é meu. deste modo, ninguém, a não ser que consulte o original, saberá o que é dele e o que é meu.

imaginemos o dia em que a floresta africana foi destruída (epa, não estou falando da Amazônia) e substituída por uma savana. neste caso, os macacos, que tinham certa vida mansa (que digo?) circulando entre o solo e o cume das árvores, passaram a viver terrores insondáveis, pois a vida no chão tem ameaças diversas e até mais letais. na verdade, águias e leões eram inimigos terríveis para aquela turma. e até hoje, desarmados e desprevenidos, podemos sucumbir a umas e outros. imaginemos um leão, muito chegado a carne de macaco que tinha como que um rebanho lá numa zona árida. pois todo dia o leão saía à busca de seu jantar, selecionava um macaco e ia colhê-lo. muito macaco dançou nesta façon. mas é possível imaginarmos que alguns, declarando-se perdidos, ainda assim, decidiram jogar um punhado de areia (ou cinza, sei lá) sobre os olhos do leão.

leões naquele tempo não usavam óculos, de sorte que o macaco do dia conseguiu alguns segundos, ou até minutos, para evadir-se (não sei para onde, pois não estava lá). isto poderia estar virando rotina, os macacos sabidos aprenderam com o "mutante" como se comportar face ao ataque de um leão. aí outro macaco passou a, depois de deixar o leão fora de domínio visual do terreno, acossá-lo com um galho de arbusto de 1,85m de comprimento. numa dessas, um macaco desses conseguiu matar o leão. tudo num misto de deliberação e sorte. mas tantas vezes houve sorte que a tecnologia de defesa (e ataque) tornou-se patrimônio da horda, mais lanças (já assim batizadas) foram feitas, delas surgiram os arcos para lançar "lancinhas menores", as flechas, e assim por diante. e depois, as facas, os fuzis-metralhadora, e tudo o que hoje conhecemos, deslocado do combate aos leões ao combate entre macacos de diferentes tribos.

claro que, entre a lança e o lança-chamas, houve enorme variedade de atividades envolvendo o binômio mão-cérebro que o próprio macaco original abandonou sua condição, passando a intitular-se macaco derivado, chegando ao homo sapiens sapiens em poucos anos, ou em poucos milhões de anos, dá no mesmo.

quem teria sido o grande responsável por esta mudança? a linguagem? o food-sharing? o tabu do incesto? não é impossível que a troca de bens e serviços tenha exercido um papel maiúsculo no sentido de ampliar as conexões entre a mão e o cérebro, favorecendo a geração de excedentes que permitiriam mais trocas, até a criação do banco central. não é impossível que Ernst Mayr concordasse com algumas destas coisas, não apenas as que dele retirei, mas algum arrojo de minha parte.
DdAB
e a imagem, manja, gente, é daqui.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Irene, a Sociedade Igualitária e os Limites do Possível

querido blog:
já andei espalhando que morar em planeta é muito complicado. cada vez que ocorrem essas grandes tragédias, evoco estes pensamentos lúgubres. não temos saída, não tão cedo. a ficção científica já nos ajudou a pensar em alternativas. uma das primeiras tentativas será mandar uma plataforma espacial a Júpiter. vai demorar. outra está alinhada com o filme Blade Runner. nesta película, se bem lembro, apenas os pobres e os saudosistas é que permaneciam na Terra, a elite tendo-se mudado para um local, se bem lembro, não identificado. acho que apenas "as estrelas". imagino que as plataformas espaciais interestelares.

quando vi as últimas notícias do furacão Irene, viajando -ele- para Nova York, ficaram para trás 12 mortos. fiquei pensando no tradicional problema de se estabelecer valor para a vida humana. se é pensamento neoclássico, então seu preço é o custo marginal, não muito difícil de calcular. se é a tradição judaico-cristã que moldou a Europa e assemelhados, então uma vida vale, digamos 50 aviões. 12 vidas x 50 aviões = 600 aviões.

que fazer com eles?customizá-los para lidar com furacões e talvez cinza de vulcão e ainda outras tragédias que requerem tecnologias aéreas. esta frota, da brigada internacional anti-tragédia, agiriria no mundo inteiro. que faria? sugaria a farinha de vulcão e as gotículas de água do furacão e as transformaria em, por um lado, tijolo e, por outro, chuva ou gelo. no caso do furacão, se formar gelo não é simples e menos ainda armazená-lo sem detonar cidades visitadas pela trajetória, deste modo, declinante do furacão, então pode-se bombardear o furacão com nitrogênio líquido, algo assim, fazendo com que a conversão do vapor em gelo leve instantes. as pedras de gelo assim formadas devem ser depositadas sobre o mar. o dano ecológico é menor do que a varredura sobre a fauna terrestre.

este tipo de medida é internacionalista e igualitário, não é mesmo?
DdAB
imagem aqui.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Portas Trocadas

querido blog:
no outro dia, hospedei-me num hotel e, a certa altura das subidas e descidas a minha chambre, entrei no andar errado, abri a porta errada, e deparei-me com a cena errada. ou melhor, tudo estava certo para quem -como era meu caso- estava errado. pelo menos isto arguiriam os senhores Lebnitz e Laplace. ou ainda o amado prof. Pangloss. se nada li da dupla de matemáticos do elogio absoluto do determinismo absoluto, tudo o que se atribui ao prof. Pangloss foi lido por mim, ou seja, todas as tiradas e referêcias a tão ilustre pensador lá no Cândido, de nosso queridíssmo Voltaire. já que estamos no assunto, será que hospedei-me verdadeiramente num hotel nos dias que recém passaram? se o fiz, será que bati em porta errada, será que foram mesmo Leibnitz, Laplace, Pangloss e Voltaire? não seria apenas Jacques Monod com sua obra "Acaso e Necessidade"? não seria tudo fruto do verdadeiro acaso?

pois bem, seja lá como for. o que é verdade verdadeira e puramente verídica é que hoje cruzei novamente a linha do Equador, como o fizeram milhares de vezes milhares de portugueses nos mais diversos tipos de meio de transporte, inclusive -juro- Eça e os camelos... (juro, mas não garanto...). tendo cruzado o Equador, tudo rolou harmonicamente para mim. nenhuma de minhas malas perdeu-se: Porto Alegre-Lisboa-Londres. uma façanha, especialmente se considerarmos o transborto econômico em Lisboa. já me aconteceu antes. não aconteceu desta vez. o que vi, pois tampouco tocou-me contar-te, foi a troca de portão de embarque do não-sei-quê para o 14, ou algo assim, dos passageiros da TAP (que me transportou dry and safe), com destino a Amsterdam ou algo assim.

pela sociedade igualitária: sou de opinião que a autoridade monetária, digo, aeroviária mundial deveria meter uma multa de US$ 1^10^6 a cada chefe de aeroporto que autoriza a troca de portões por qualquer que seja o motivo. criar confusão não é igualitário, não é com este tipo de reforma absolutamente banal e circunstancial que chegaremos ao socialismo!

se não me engano, muitos leitores acharão que nefelibata sou eu mesmo por estar misturando assim os furacões.
DdAB
imagem: e pode um vereador destes?

sábado, 27 de agosto de 2011

Desigualdade e a Igualdade na Cachaçaria

querido diário:
um país desigual tem das suas comicidades. dias atrás, como sabemos, o senador Aécio Neves foi flagrado (termo de página policial), carregando a suspeita de carregar uma dose excessiva de álcool no sangue. contrabando. instado a fazer o uso do aparelho conhecido nas rodas do crime como bafômetro, ele houve-se por bem recusar-se, sob a alegação de que poderia pagar aquela merreca de multa que não chega a dois salários mínimos. alegação minha, diga-se a bem da verdade. um pândego esse senador, como sou levado crer, inclusive por causa de algumas incriminações que lhe fizeram -também dizem-me- num dossiê associado à candidatura de José Serra à presidência da república no ano passado. Aecinho, como é chamado, ganha dezenas de vezes mais do que esses dois ambicionados por 80% dos brasileiros salários-mínimos, de sorte que, para ele, a multa não tem qualquer poder de "penalizar". dá pena ver um país com tal grau de desigualdade.

pois não é que é no caso do jogador Romário que vemos um caso idêntico? também convidado a dar à sociedade conhecimento de seu estado etílico ao dirigir veículo automotor. também recusou-se, também levou esses dois salários mínimos de multa.

provavelmente ambos serão reeleitos. Aécio pode ser candidato a presidente da república e, claro, Romário poderá ser seu vice. and i love you so, cantou frank, dirigindo-se ao brésil.
DdAB

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Hobbesianas

querido diário:
assistindo à aula de primeiro socorros cardio-vasculares, um executivo das finanças internacionais de terceira idade passou a sentir-se mal, exibindo inequívocos sinais de estar sendo acossado por um objeto do curso, ou seja, um ataque especulativo, digo, um ataque cardíaco. vivendo com estipêndios acima da média de qualquer grupo ao qual jamais pertenceram, todos os presentes sentiam-se como que manipulando a vida em seu melhor proveito. antes disto, falavam da tática de avestruz utilizada pelo povo terráqueo, que não observava atentamente as manobras ocultistas (ocultação de patrimômio privado originário do setor informal). uns diziam que o avestruz, ao esconder a cabeça, nada via, nada ouvia e, como tal, nada sentia. outros contra-argumentavam que o povo enfurecido bem que poderia lançar uns balaços sobre o corpo bafejado pelas luzes ambientes. a vítima do ataque cardíaco -não esqueçamos, o executivo- pediu ajuda e um dos enfermeiros -que alcançara o cargo de enfermeiro chefe do gabinete de um político. este bradou para apagarem as luzes. estupefatos, todos o olharam com suspeição, mas ele ainda argumentou que isto iria totalmente de acordo com a filosofia hobbesiana da natureza e da própria mente: o que os olhos não veem o coração não sente.

DdAB
a imagem veio deste lindo e conteudístico blog. texto transcrito, mutatis mutandis, da antepenúltima página de Zero Hora.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Política Industrial x Política Familiar


querido blog:
a discussão permanente - e que deveria ser inexistente - sobre política industrial no Brasil deixa-me mais inquieto do que o afamado gato (da postagem de ontem) em dia de faxina. invariavelmente indago a meus interlocutores o que exatamente pensam a respeito do livre-comércio. àqueles que acham que o livre comércio é fria, ainda indago: fria apenas hoje ou mesmo daqui a 50 anos? um restritíssimo subgrupo que acha que livre comércio é fria em qualquer prazo, que ele servirá como instrumento da burguesia para expandir a exploração do proletariado. a estes digo: é exatamente o contrário. e digo: o problema mais importante a receber nossa atenção deve desviar-se deste tópico da montagem da política industrial para os sabores das sopas encorpadas de inverno e dos gaspachos refrescantes de verão.
àqueles que -mais racionalmente- acreditam que a longo prazo não se justifica qualquer argumento contra o livre-cambismo, aplico o golpe da indução para trás. se, em 50 anos, não mais teremos política industrial (e por que não falar em 500 anos?), também é concebível que não a tenhamos em 49 anos (ou 499). e em 48 anos, etc.. parece que tá na cara que o ajuste não pode ser instantâneo. nem no caso da legalização das drogas ajustes instantâneos terão efeito positivo inequívoco. neste caso, prevejo uma guerra de quadrilhas, com agressões às populações civis. no primeiro, haveria um desajuste no sistema que poderia levar a resultados muito indesejados, no caso de ocorrer instantaneamente. já sabemos o que isto significa: inflação (com sorte, pois poderia haver deflação, o amigo do dragão) e desemprego.
pois bem, aceitando que devemos rezar pela retirada do governo da montagem de política industrial qua industrial, então torna-se importante saber haverá alguma política do governo. e aí é que começa. a política industrial, sob o ponto de vista da matriz de contabilidade social, ingressa na conversa essencialmente "pelo lado da oferta", ou seja, vai-se fazer alguma coisa, pensando em expandir a oferta doméstica de algumas coisas. em outras palavras, privilegia-se a ótica do produto de mensuração do valor adicionado, ainda que esta política receba contornos de orientação via linhas de crédito ou compras governamentais dos setores selecionados. nem quero falar em rent-seeking.
estar-se-ia falando basicamente em formação de capital físico. por contraste, a política aplicada às instituições gera renda e permite falarmos em elevação dos gastos em educação, por exemplo, comprando um tênis, uma pasta de couro (pobres bois, porcos e cabras), um computador, uma caneta, um birô, e por aí vai, por estudante. estar-se-ia falando da ótica da despesa da mensuração do valor adicionado. e estar-se-ia -ao gastar em educação, saúde e  transportes- moldando uma economia cujo crescimento é orientado pela demanda. demanda de insumos para a formação de capital humano. ou seja, transformações feitas no âmago da instituição famílias. ou seja, a política familiar!
dizer que os rapazes que defendem a política industrial são os verdadeiros amigos do proletariado é o mesmo que dizer que certos sindicalistas criticados por Marx também o eram. e que, para alegria do Cidadão Weston, estaríamos querendo produzir colheres menores, ao invés de produzirmos de vez mais sopa. DdAB

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Gato na Tuba

querido blog:
tem gato na tuba? parece que a canção animadíssima era de meus tempos mirins. gato entrar dentro de uma tuba em dia de coreto de jardim é estranho. falha de cuidados do tocador de trombone, ou o que seja. e gato que entra em equipamentos de subestações transmissoras de energia elétrica e deixa parte da cidade às escuras por várias horas?

parece que faltou algum tocador de tuba que botasse uma telinha bem lá no lugarzinho por onde o gato começou suas deletérias estrepolias. falha de governo? não é no sentido vulgar do termo. trata-se de uma vulgar falha dos governantes, que não têm rotinas, pensando que a lua é um queijo, como se diz...

esta era a p.29 de Zero Hora de hoje. na p.21, ou seja, antes, havia a mais trágica notícia de que uma senhora foi assassinada pelo telhado de sua casa, que projetou-se sobre sua cabeça impelido por uma árvore que fora derrubada por três funcionários da prefeitura de Caxias do Sul. pois pensei que todo mundo sabe que precisa tencionar uma árvore com um cabo no sentido em que se deseja vê-la despedaçar-se. para evitar de cair sobre fios elétricos (uma árvore equivale a mil gatos...). uma tragédia, um Brasil desejoso de políticas industriais, talvez para produzir os cabos e as telinhas que faltam.

e mandar a negadinha para a escola? talvez, segue a Zero Hora, houvesse menos roubos de carro: há uma indústria de flanelinhas e outras de ladrões. não seria de duvidar que se poderia fazer uma indústria dos zeladores decentes.
DdAB

domingo, 21 de agosto de 2011

Dois Bons Rapazes

querido blog:
hoje é domingo. parece que, quando não tenho assunto, começo assim minhas postagens dominicais. eu nunca dissera: hoje é segunda-feira. mas Vinicius de Morais disse, ante-ontem: "hoje é sábado, amanhã é domingo".

mas tenho um assunto bem interessante, o qual diz respeito a tantas questões da filosofia da vida da gente que nem sei por onde começar. mas começo resumindo tudo em duas sentenças:

.a. Leonardo da Vinci, disse-me a Internet, teria dito acreditar profundamente em inspiração e já ter aproveitado milhares delas, pois -sempre que elas chegavam- ele já estava trabalhando.

.b. e o tenista campeão (lembro de verso de Juca Chaves na canção "Presidente Bossa-Nova", que era Juscelino Kubitschek) também teria dito: "quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho".

como anexo temos: "quem não tem sono deve trabalhar até cair dormindo de tão cansado". por isto, talvez, é que achei que minha descrição de adorador do homo faber tem mais a ver com meu desprezo aos políticos do clube do homo sapiens sapiens, setor dos predadores.
DdAB
imagem: abcz. por coincidência, no dia em que citei o poema recitado por Vinicius de Moraes no disco "Vinicius e Caymmi no Zum-Zum", também achei para ilustrar a postagem uma variante do que ele por lá disse, se é que o fez: hora de comer, comer; hora de beber, beber, etc., e horaa de trabalhar, pernas para o ar, que ninguém é de ferro. acho que foi dele que ouvi pela primeira vez e, volta e meia, faço paráfrases, como parece haver uma em meu site.

sábado, 20 de agosto de 2011

Necessidades Ilimitadas

querido blog:
quando a gente lê numa crônica "[...] a insaciável ambição humana.", como eu li na p.5 do Segundo Caderno da Zero Hora deste sábado, é legítimo entender que se está falando de alguma condenável condição humana? obviamente Nilson de Souza, o articulista, não falava nada disto. eu é que comecei a pensar na ética, no futuro, nas de mordomias que as gerações presentes desfrutam, se comparadas com as de nossos antepassados de um milhão de anos atrás.

vivemos bem, vivemos melhor do que eles. eles com o mal e nós com o bem. que falácia será esta de confundir "bem viver" com "viver para o bem"? será ético abandonarmos o planeta para o usufruto dos animais? será ético comermos todos os animais antes de um milhão de anos? será ético, insisto, nessa questão de abandono do planeta, ou -que não o seja- de levas migratórias para o elsewhere and beyond?ou seja, pensar no um milhão de anos daqui para frente?

há duas doutrinações sobre a cabeça do jovem economista. não é meu caso, já fui doutrinado singularmente e doutrinei tanta gente quanto pude sobre ela. os errados são os que dizem que as necessidades são criadas em um desagradável complô entre as classes dominantes, o império industrial e os rapazes das agências de publicidade. este é o desvão da esquerda incompetente (ou, o que é pior, da direita infiltrada, ou seja, diz que Marx disse cada descalabro que qualquer leitor de bem há de concluir que ele era um abobado).

as necessidades são ilimitadas, como sabem os rapazes a agência de publicidade e, mais que eles, os psicólogos e os cientistas sociais que capturam algo essencial da natureza humana: o hedonismo. este, traduzido na linguagem de Marx, poderia significar algo como "substituição do trabalho vivo por trabalho morto". jogar squash com os amigos é mais difícil do que com robôs. os amigos têm disponibilidade parcial, os robôs de minha propriedade são meus escravos. é ético ter robôs como escravos? não mais do que ter escovas de dentes e tesourinhas como escravas.
DdAB
p.s. imagem: daqui. eu, obviamente, tenho necessidade de possuir um robô destes, só que muito mais humanóide. parceiro no jogo de squash, despertador e enfermeiro nas horas das medicações compatíveis com a terceira idade, datilógrafo, manobrista, pedicure, e sabe-se lá que mais.

p.s.s.: durou pouco: o deputado Mendes Ribeiro, ministro da agricultura substituindo um ministro acusado de medonhas irregularidades, nomeou um vereador -ou o que seja- do RGS que estaria em acúmulo ilegal de cargos. demitiu-o? claro que não, era do PMDB, partido que, como sabemos..., pedindo-lhe apenas que opte por uma das posições, eis que em uma já embolsara R$ 150 mil. a notícia não diz o que será feito ao dinheiro. e eu não digo o que penso da política brasileira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um Novo Blog: um velho tema

querido blog:
viste o seguinte blog? Um Novo Blog: Bípede Pensante (clique sobre a imagem para ampliá-la). pensaste bem? tem! a primeira postagem é de hoje mesmo, supostamente as 3h15min da madrugada. quem não o vir recebe direto a indicação de site sobre falácias lógicas. afinal, era para ser pensante ou um galináceo qualquer? 

a primeira falácia rola oomo, ipsis litteris:

Falso dilema
Definição:
É dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas duas), quando de fato há mais. O falso dilema é um uso ilegítimo do operador “ou”.
Pôr as questões ou opiniões em termos de “ou sim ou não” gera, com frequência (mas nem sempre), esta falácia.
Exemplos:
(i) Estás por mim ou contra mim.
(ii) América: ama-a ou deixa-a.
(iii) Ou suportas Meech Lake ou o Quebec separa-se.
(iv) Uma pessoa ou é boa ou é má.
Prova:
Identifique as opções dadas e mostre (de preferência com um exemplo) que há pelo menos uma opção adicional.
Referências: Cedarblom e Paulsen: 136.

e eu -que nem sei o que é o "operador #ou#" - pensei que, em economês, podemos pensar em algo como:

ou temos equilíbrio orçamentário do governo
ou temos inflação

e tá na cara que não é isto ou aquilo. é um falso dilema.  neste exemplo economês, depende de como ele é financiado e, mais que isto, da fase do ciclo econômico em que se fala nisto. ao contrário, parece óbvio que não existe nenhum conjunto de circunstâncias que requeiram que tudo o que foi arrecadado seja igualzinho a tudo o que foi gasto. esta igualdade é apenas fortuita, minoritária. diferente, óbvio da contabilidade de uma empresa, para quem tudo o que foi vendido por ela iguala tudo o que foi comprado por seus clientes. 

tanto é que a lei do orçamento (peça literária brasileira) fala em "orçar a receita" e "fixar a despesa". claro que podes dizer: não comprarei aviões da França (não são eles que vivem caindo?). mas não posso dizer: vamos jogar 5% do PIB num programa de renda básica porque haverá um superavit arrecadatório desta magnitude. 

se um velhinho que estava suposto de trabalhar adoece então o IPI lá da firma dele não é gerado, pois não terá havido produção e o desequilíbrio entre T (taxes) e E (government expenditures) rolará. ou seja, este negócio de querer absoluto equilíbrio orçamentário é um negócio falacioso, um negócio de políticos. de políticos de direita. e de esquerda, que são todos um tanto quanto iguais, o que me levaria de volta a mais falácias...

DdAB

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ladrões e Grevismo

querido blog:
um fantasma assusta a Europa. naquele tempo, era o fantasma do comunismo. desde então a Europa mudou, o marxismo mudou, ou melhor, há um neo-marxismo que mudou algumas coisas e reteve outras. comme le nouveau newtonisme ou mesmo o neo-einstenianismo. programss de pesquisa científica.

um fasntasma, ou melhor, dois fantasmas me assuntam, nestes dias em que tenho escrito pouco nestas páginas. o primeiro é a pressão que os ladrões estão fazendo sobre o governo Dilma. é inconcebível que a desfaçatez tenha chegado a um ponto tão... inconcebível. o segundo fantasma, pode ser que eu esteja enganado, achando que tudo é pura coincidência, é o grevismo. um governo não consegue lidar com uma onda prolongada de greves, especialmente a dos funcionários públicos.

não lembro mais se inaugurei o quinto governo Dilma com esta crise do ministério da agricultura. o fato é que achei um erro a nomeação do sr. Celso Amorim para ministro das forças armadas e outro escolherem o deputado gaúcho Mendee Ribeiro para ministro da agricultura. não que um deles deixe de entender de guerra nem o outro de alimentos, falo das injunções políticas que estão levando a presidenta a escolher tão esdrúxulos auxiliares. no lugar dela, eu escolheria um, digamos, peemedebista da esquerda nordestina e outro idem da paulista. haverá pelo menos um? neguinho aqui não sabe responder.

DdAB
ops: nem peixes estão para o mar nem este está para aqueles. isto implica logicamente que a ilustração da postagem de hoje não tem origem... seja como for, meu velho silogismo (figura ZZZ), ou seja "todo político é ladrão, ora todo ladrão é político, logo todo político e todo ladrão é farinha do mesmo saco" precisa de um argumento ampliativo: grevismo!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O MAL* Levado a Mal

querido diário:
como sabemos, o MAL* é o Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela e está em polvorosa com as tentativas do governo de acabar com a corrupção e as tentativas do governo de impedir o governo de fazê-lo. o MAL* quer moralidade um dia, quanto mais cedo melhor. os governantes não conseguem alinhar-se de maneira consistente com o lado do bem. penso que a solução para este tipo de rapina é o imposto de renda e o imposto sobre heranças. mas principalmente cadeia!
DdAB
imagem é daqui. e quero dizer que tem gente que diz que descrer da política é de direita. e que eu acho que quem acha que há algo para tirar da política brasileira que se habilite. estou certo de que o Brasil prospera e prosperará, mas ficaria mais satisfeito se tivéssemos uma comunidade mais participativa, mas a causa da passividade fecha o círculo, pois está ela própria na política de emascular as mentes locais

domingo, 14 de agosto de 2011

Impunidade na Guerra Civil

querido diário:
quase que este domingo pode dar-se por acabado. mas achei que seria o caso de denunciar a impunidade, denunciar o maior convite ao crime. e nem falo na política. falo do trânsito. hoje, como de hábito, andei pouquíssimo de automóvel particular. e vi tantas e frequentes infrações que fiquei pensando nesta questão da impunidade e rimando com o que falei ontem sobre a destruição do emprego. e principalmente a criação de emprego em atividades que atam seus detentores à rede social do trabalho (falei em geléia geral do trabalho social, em homenagem a Gilberto Gil).

Brazil, Brasil, guerra civil?
Se fosse com "z", a guerra seria zivil?
the vil? the thorpe? politics?

não seria mais simples criar incentivos para os desempregados trabalharem como guardas de trânsito, policiais, professores, essas coisas? inté!
DdAB

sábado, 13 de agosto de 2011

Tinha Mais na Carta

querido diário:
hoje chegou a Carta Capital da próxima quarta-feira 17/ago/2011. diferentemente das revistas acadêmicas brasileiras (que às vezes chegam a atrasar mais de 50 ou 100 anos), as magazines -no dizer de la France- chegam antes do tempo. são visionárias. mas também citam o pretérito perfeito de algumas coisas. na capa desta, anuncia-se uma entrevista com a presidenta. ou muito me engano, ou ela andou submetendo-se a cirurgias estéticas, o que não favoreceu -digamos- a capa da revista.

pois bem, no número anterior, ou seja, o número que deve estar cobrindo a semana até a terça-feira (?), tinha mais, além do comentário que fiz sobre dois comentários. dizia que uma empresa coreana iria substituir 1,2 milhões de trabalhadors de sua sucursal chinesa por 1,0 milhão de robôs. como sabemos, robô é a palavra tcheca que tomou o mundo pela via da ficção científica e quer dizer precisamente isto: trabalhador. ou não sabemos? "mais um milhão de pessoas dedicadas integralmente ao lazer?", vibrei. ou, mais igualitariamente, a distribuição deste lazer pelos demais milhões de trabalhadores, por exemplo, encurtando-lhes a jornada de trabalho, o período de férias anuais, o tempo de exposição ao mercado de trabalho. "afinal", conjeturei, "o lazer não é nada mau como substituto do trabalho". mas em seguida, ficou clara a motivação do capital coreano: é que os custos do trabalho na república popular (novilíngua?) tornaram-se escorchantes. então a negadinha vai mesmo é para a rua da amargura: o beco sem saída do desemprego não-remunerado!

então, bota na rua. então bota fogo no mato, então bota fogo na loja Debenhams no Reino Unido. então queima centenas de automóveis na França, então baixa o sarrafo na garotada do Chile, então prende e arrebenta. o século XXI retém como maior inovação institucional a criação da renda básica universal, o sepultamento do estado nacional, a salvação da humanidade pela integração das populações à geléia geral do trabalho social por meio do serviço municipal, uma organização comunitária destinada a prover serviços pessoais e ambientais para as populações e ambientes comprometidos.

DdAB
imagem: abcz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Rebelião dos Aliados de Dilma

querido blog:
o sistema político brasileiro é uma vergonha apenas atenuada pelas mazelas que se sobrepõem a ele. estas dirão respeito a ditames mundiais. que mais? siderais. que mais? de tudo o que podemos conceber como sendo a chave da resposta a todas as questões, é na política que reside a mais potente. é no processo de escolha coletiva, é na forma como as preferências sociais são articuladas, é no estilo com que a própria sociedade se expressa ao lidar com caroneiros.

se fosse eu, chamava novas eleições para renovar o congresso, dado o impasse institucional que está criado em torno de princípios sobre como roubar o tesouro nacional. parece mentira que haja homens (de bem, rsrsrs) que vejam alguma legitimidade em pressionar a presidenta Dilma (como lembramos, integrante vitoriosa da chapa Serra-Dilma que foi eleita a menos de um ano e começou a governar a pouco mais de meio ano) para liberar suas emendas.

ou seja, não se fala em "cumprir a lei do orçamento", mas em emendas à lei. pode? minha estupefação chega aos píncaros, quando vejo que a p.6 de Zero Hora de hoje reproduz opiniões e temas do impasse instituional que hoje o país vive. os aliados querem dar um susto em Dilma (agora é o pick-a-boo institucional). Lula voltou a Brasília para domar insatisfações (é mensalão novamente?), a oposição quer nova CPI (e o governo, por que não a quer?). só bebendo.

disque o movimento destes brilhantes líderes brasileiros, legítimos represantantes do que há de melhor nos covis das hienas de zoológico, consideraram adequado fazer "uma rebelião branca", ou seja, assinar o ponto e não dar quorum às sessões daquelas duas casas fantasmatizadas de Brasília. só bebendo. e o que fiquei pensando é naquele negócio das faltas remuneradas, dos jetons pagos de qualquer jeito. só bebendo.

obvio que o povo não é o vilão: o povo é a vítima. a causa da causa é que os políticos não gastam em educação e saúde, não têm orçamento, não obedecem a lei. e mantêm os privilégios de suas pessoas, famílias e apaniguados ano após ano. só bebendo!

DdAB
os aliados de dilma: http://avesdejundiai.blogspot.com/2010/03/urubus-de-cabeca-preta-coragyps-atratus.html.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Carta Capital: 10 x 0

querido amigo:
a Carta Capital de 10/ago/2011 tem três registros que me trazem a atenção. um na p.18, outro na 22 e o terceiro na minha mente mesmo. o primeiro é na seção Rosa dos Ventos, assinada por Maurício Dias. ganhou nota zero. trabalha com a teoria da grande conspiração para dizer que o ex-presidente FHC "conclamou a oposição a apoiar a faxina que Dilma supostamente promoveria ao longo de uma cruzada pelas virtudes." supostamente, meu chapa? ela não prometera isto no discurso de posse? e lá vem ele: "A equação é simples assim: a base oposicionista empurraria  Dilma contra a base governista, levando adiante denúncias sem provas [...] Até mesmo as pesquisas, que apontavam a aprovação da sociedade, tornam-se perigosas aliadas neste momento." cara, já estava gelado ao chegar a este ponto. mas havia mais.

diz lá na p.18 mesmo: "O 'golpe moralista' é identificável por mito barulho por nada. E sempre promove a inversão de um dos princípios básicos da justiça democrática: a inversão do ônus da prova passa do acusador ao acusado." parece que o articulista é que andou invertendo princípios de justiça democrática, não é mesmo? só posso usar a sabedoria infinita da música popular brasileira: "se alguém gritar 'pega ladrão', não fica um meu irmão!" precisamos qualificar: não pode que haja tanta corrupção no Brasil e ninguém seja responsável. reputação ilibada significa que neguinho não tem "rabo preso". se começam a aparecer indícios, um, apenas um, claro, de afanação do dinheiro público ou não, tem que investigar. para isto haveria o sistema judiciário.

e agora, para acabar de completar: "A corrupção é uma epidemia mundial. Por aqui, [...], há o sentimento de que o mundo ppolítico é só corrupção e contamina todos os níveis de poder [...]. Talvez seja. Afinal, essa semente germina na própria sociedade. É regada por corruptos e corruptores." agora fiquei a indagar-me o que Dias quer dizer com "sociedade". não é sobre mim que fala, não é sobre os meninos de rua que vejo em ação quase que diariamente, não é sobre milhares de brasileiros que saem de casa em condições de circulação péssimas, a fim de trabalhar, a fim de ganharem o que determinam seus contratos. tampouco é verdade que a corrupção é marca mundial. bastaria olhar os índices das ONGs de diferentes países.


pois bem, nem tudo é baixaria sempre. neste exemplar, Mino Carta cita indiretamente o velho comunista Enrico Berlinger: "A questão moral não se exaure no fato de que, em havendo ladrões, corruptos e concussores nas altas esferas da política e da administração, torna-se necessário identificá-los e prendê-los. A questão moral (...) coincide com a ocupação do Estado por parte dos partidos da maioria. A partir do governo, os partidos da maioria ocuparam o Estado e todas as instituições (...) as empresas públicas, as autarquias, os institutos culturais." conclui Mini: "Haverá quem diga: eis aí, é também a história do PT, o partido que esqueceu os trabalhadores". claro que eu digo.

mas eu responsabilizo é o sistema judiciário, este que deveria ser o responsável pelo ordenamento institucional dos países, do mundo.

DdAB
aqui a foto: abcz :: para encher os bolsos?

domingo, 7 de agosto de 2011

Novolíngua: o Detran, Otávio Germano e a Lei

querido blog:
hoje Zero Hora festeja-se com uma reportagem sobre aquele escândalo do Detran, uma gotinha dágua dado o que iria aparecer desde então. se bem lembro, o Detran valeria dois palotes, ou seja, R$ 40 milhões. mas a novidade de hoje (eu esquecera do assunto, pois achei que o MAL* - Movimento pela Anistia aos Ladrões, associado a uma nova lei do orçamento, poderia sanar todos os males da nacionalidade) é que o deputado Otávio Germano foi denunciado pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal. ao ouvir o advogado do deputado de cuja imunidade parlamentar está sendo pedida a quebra, Zero Hora disse que ele disse algo assim. considerando que as evidências que incriminam o cliente foram obtidas ilegalmente, ele não é culpado de nada. não precisam nem se incomodar em investigar.
DdAB
imagem: abcz.

sábado, 6 de agosto de 2011

O Cipó da Aroeira não é na Voz de Izabel L'Aryan


querido blog:
segue o affaire “punir o governo” e a já superada ameaça de prisão do artista Tonho Crocco pelo político Giovani Cherini (teria dito este que o primeiro não fez um crime que o interesse por mais de seis meses). Zero Hora de hoje, na p.11 informa que o Sindicato de Compositores do Estado do Rio Grande do Sul prolatou uma carta aberta aos gaúchos, o que me atinge, em alguma medida, pois moro aqui desde o segundo mês de idade, para cá fui trasladado com menos de 60 dias de alegre (?) existência. seria uma questão legal saber se sou gaúcho ou enxerto. eu voto em gaúcho, ou melhor, não votei em Arthur da Costa e Silva para presidente da república, mas bem lembro, na Av. João Pessoa, 52, em dezembro de 1968 (disque era o dia 13, final do segundo semestre de meu curso de graduação; o centro acadêmico dos estudantes de ciências econômicas já mudara o nome para diretório acadêmico de economia, contabilidade e administração não se preocupou, pois já era presidido pelo, se bem lembro, sargento Joaquim, ou seja, direita mesmo; e nós o "ganhamos" em setembro de 1970, se bem lembro; 'o ganhamos' quer dizer ganhemo as eleição do daeca e não o sargento), a proclamação do ato institucional número cinco. naturalmente, era para proteger a democracia e os bons costumes, alegadamente em sua exposição de motivos. a imagem veio daqui e foi recortada por mim. e já estamos a quase 43 anos de distância.

em 1968, havia indícios de que o Brasil poderia voltar a cair em uma democracia (como terei visto nas piadas dos humoristas da época que desembocaram por criar o Pif-Paf e o Pasquim). o A.I.5 acabou com a farra. havia o castigo com cipó de aroeira e sua volta. esta ocorreu com a canção de Geraldo Vandré que não é cantada no YouTube por Izabel L'Aryan.

uma vez que está na moda tirar do ar o site da Assembléia Legislativa, e que ele, como tal, pode voltar a sair do ar imediatamente, transcrevo abaixo o que achei em:
http://www2.al.rs.gov.br/premios/Not%C3%ADcia/tabid/3450/IdOrigem/1/IdMateria/254137/Default.aspx

observa-se que Tonho Crocco não ganhou nada naquela premiação, nem com o rap – afinal, feito em 2011 –, mas a cantora sindicalista Izabel L’Aryan estava na comissão julgadora. e, claro, ela -canção- poderia ter concorrido e ganho uma das láureas, uma vez que ela -Izabel- poderia ser voto vencido, inclusive divergindo da opinião de seu colega sindicalista e compositor gaúcho Airton Pimentel (opiniões aliás que desconheço).

será que inefavelmente comissión rimará com jeton? também meu bloguismo não é tão investigativo assim. observe-se que a matéria do site da Assembléia Legislativa em anexo fala que a lei de autoria de, who? -você estará adivinhando-, Giovanni Cherini, o denunciante, por puras circunstâncias da política que declarei punida com o rap de Tonho Crocco, também presidente da Assembléia Legislativa precisamente no ano em que Izabel L'Aryan contribuiu para a premiação de várias pessoas físicas e jurídicas que presumo serem artistas e correlatos, como é o caso – no offense intended – à trovadora Chiquinha, ao Jornal do Nativismo ou ao CTG Aldeia dos Anjos.

tudo, tudo, tudo está em Zero Hora, disse Hermes Aquino, em propaganda de há muitos anos, que eu tanto prezei e sei cantar par coeur (a moça de tanga na praia, deu zebra na loteria, zero hora, e por aí vai). nada do que segue está em Zero Hora. pouco achei sobre a jornalista que fez a matéria do site da Assembléia Legislativa. por puro acaso, mais uns clicks e – pimba! no site

http://fsindical-rs.org.br/links.html,

vemos nosso destemido sindicato de compositores do estado (não era para substituir o governo dos homens pela administração das coisas e destruir o estado?) arrolado no site da Força Sindical em seus links. de acordo com a Wikipedia:

A Força Sindical é uma organização sindical brasileira, de trabalhadores. Fundada em 1991 tinha o objetivo de fazer frente a outra central já existente que era ligada ao PT, a CUT. A Força Sindical não tem em seus princípios ser contra o Capitalismo mas um suposto sindicalismo de resultados. Seu primeiro presidente foi Luiz Antônio Medeiros, posteriormente deputado federal e hoje Secretário das Relações de Trabalho no governo federal. Seu atual presidente, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, também é ligado ao mundo da política, sendo filiado ao Partido Democrático Trabalhista, pelo qual foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2004.
(capturado há pouco no link http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7a_sindical)

ou vejo coincidências ou o Partido Democrático Trabalhista é o mesmo PDT que hoje abriga o deputado Giovani Cherini como deputado federal, representando o estado (estado? não queria eu que os estados, o senado e o poder judiciário fossem extintos?) do Rio Grande do Sul, onde estou inscrito como eleitor, depois de ter feito festejada desobediência civil a ponto de ter sido excluído do sistema eleitoral brasileiro.

DdAB
lá vai o Anexo:
HOMENAGEM
Prêmio Vitor Mateus Teixeira será entregue nesta noite
Simone Fernandes MTB 12893 - 1/12/2010 - 09:28
Distinção, criada em 1997, homenageia Teixeirinha
Os 19 vencedores da edição deste ano do Prêmio Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, serão homenageados nesta quarta-feira (1º) em cerimônia no Teatro Dante Barone, a partir das 19h30. Das 16 às 18 horas, acontece a distribuição de senhas para a entrada no evento, mediante a doação de alimentos não-perecíveis.
A cerimônia começa com um show dos artistas César Oliveira e Rogério Melo. Também haverá uma participação surpresa, não divulgada no folder da premiação, da família Teixeirinha. Durante a solenidade, acontecerá o lançamento da publicação anual do Prêmio, que traz o seu histórico e informações sobre os agraciados.
O objetivo do prêmio é reconhecer artistas e veículos de comunicação que valorizam a cultura do Rio Grande do Sul. Foi instituído pela Mesa Diretora da ALRS em 1997, por iniciativa do deputado Giovani Cherini (PDT), e sua primeira edição aconteceu em 2005. As indicações dos concorrentes foram feitas pelos deputados, e os vencedores escolhidos por uma comissão formada por representantes de entidades musicais do Estado.
A distinção também homenageia Teixeirinha, o artista mais popular do estado, falecido há 25 anos. Teixeirinha nasceu em 3 de março de 1927 e morreu em 4 de dezembro de 1985. Tornou-se popular no Brasil todo com a música "Coração de Luto", em 1961. Teve mais de 700 canções gravadas, 69 LPs e um acervo de mais de 1.200 composições. Também foi produtor de filmes e ator, contribuindo para a expansão da indústria cinematográfica gaúcha.
Comissão julgadora
Neste ano, a comissão julgadora foi formada pelos seguintes integrantes: Adair Batista Antunes e Luiza Helena de Lima Rode, pelo Sindicato dos Músicos Profissionais do RS – Sindimus/RS; Hélio dos Santos Ferreira, pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG; Izabel L’Aryan e Airton Pimentel, pelo Sindicato dos Compositores Musicais do Estado do Rio Grande do Sul – Sicom/RS; Décio Magalhães Duarte, representante do Departamento de Relações Públicas e Atividades Culturais, Divisão de Prêmios, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.
Vencedores
Os escolhidos para receber o Prêmio Vitor Mateus Teixeira na próxima quarta-feira são:
* Cantor: Marco Araújo
* Cantora: Shana Müller
* Declamador: Dorval Dias
* Declamadora: Adriana Braun
* Trovador: Jadir Oliveira
* Trovadora: Maria Iraci Ramires Cavalheiro (Chiquinha)
* Compositor: Paulinho Pires
* Instrumentista: Chico Brasil
* Arranjador: Raul Quiroga
* Pajador: Paulo de Freitas Mendonça
* Produtor musical: Nelcy Vargas
* Capa de disco: Navegador do Rio Esperança (Paulinho Pires)
* Veículo de divulgação de artista gaúcho: Jornal do Nativismo
* Grupo de show: Grupo de Danças do CTG Aldeia dos Anjos
* Grupo de baile: Os Monarcas
* Grupo de dança gaúcha: Grupo de Danças do CTG Aldeia dos Anjos
* Bandinha típica alemã: Banda Chopão
* Conjunto ou intérprete de música teuto-rio-grandense: Os Montanari
* Conjunto ou intérprete de música ítalo-rio-grandense: Jaime Pastre recebe pelo grupo Canzone D´Arte (de Serafina Corrêa).


mas tem mais: verbete acima citado da Wikipedia sobre o ato institucional número cinco:

Em 1968 reações mais significativas ao regime militar [sic] começaram a surgir.
O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi a contra-reação. Representou um significativo endurecimento do regime militar. Foi editado no dia 13 de dezembro, uma sexta-feira que ficou marcada para a história contemporânea brasileira. Este ato incluía a proibição de manifestações de natureza política, além de vetar o "habeas corpus" para crimes contra a segurança nacional (ou seja, crimes políticos). Entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968. O Ato Institucional Número Cinco (Ai5), concedia ao Presidente da Republica enormes poderes, tais como: fechar o Congresso Nacional; demitir, remover ou aposentar quaisquer funcionários; cassar mandatos parlamentares; suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer pessoa; decretar estado de sítio; julgamento de crimes políticos por tribunais militares, etc.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

As Mulheres e os Animais

querido blog:
a mulher é o negro do mundo. o negro, coitado, é o quê? o negro passa mal, o pobre passa pior, nem todo negro é pobre e o negro pobre é duplamente discriminado. a mulher é ainda mais discriminada mulheres negras, no mercado de trabalho, ganham menos do que mulheres brancas. de sua parte, a mulher (o negro do mundo, wremember?) ganha menos que os homens negros e estes ganham menos do que o homem branco.

nascer gente ou bicho é uma questão de sorte. há um pouco mais de determinação na escolha do sexo e até na cor da pele (quero um filho alvíssimo? que tal achar cônjuge eslavíssimo?; quer um filho de olhinho achinesado? passe a mão no chinês ao lado!), mas basicamente, sob o ponto de vista do nascituro, é uma questão de sorte nascer homem/mulher, pobre/rico, branco/negro, e por aí vai. mais que isto, é uma enorme sorte que um indivíduo de meu porte reconheça nesta maravilhosa dádiva que recebeu a condição de homem, ou melhor, a condição de gente. há gente que preferiria ter nascido bicho, dado o contraste entre o tratamento dado, em certos ambientes, a estes dois tipos de seres vivos. os exagerados até dizem que ter-se-iam saído melhor se fossem plantas.

por exemplo, planta de estufa não passa frio, planta carnívora de zoológico é bem tratada até pelos insetos onívoros. por exemplo, disse Eduardo Dusek: "tem muita gente por aí que tá querendo levar uma vida de cão", dado o tratamento relativo que recebe, em comparação ao melhor amigo do homem.

pois o prefeito de Porto Alegre andou lançando a proposta de se criar a secretaria de defesa dos direitos animais, cuja secretária, por pura coincidência, seria sua insuspeita esposa. eu pensei que também toparia o CC deste cargo e até iria dedicar esforços hercúleos para ver a animalada bem tratada. mas eu faria desvios de verbas, a fim de ver a mulherada bem tratada. não que o cavalo, o cachorro e o gato, a tartaruga, o peixe e o coelho sejam dispensados de bons tratos.

mas mulher, meu chapa. mulher deveria ter prioridade. parece que este não é o caso, de acordo com a denúncia que Roberto Arriada Lorea fez no artigo "O sofrimento das mulheres" publicado na p.14 de Zero Hora de hoje. diz ele que

A Lei Maria da Penha, que completa cinco anos, propõe a criação de um Centro de Atendimento Integral e Muldidisciplinar para Mulheres. [...] Em Porto Alegre, ante a resistência da prefeitura em criar um Centro de Atendimento às Mulheres, a Delegacia de Polícia aparece como referência, ocasionando inquéritos que não traduzem a necessidade dessas mulheres e, consequentemente, conduzem à frustração de suas expectativas quando chegam ao Judiciário.

como é que pode um negão antropocentrista de meu porte querer colocar as mulheres como prioridade relativamente aos animais? ver os direitos da mulher resguardados e, apenas então, passar a dar moleza aos animais, logo eu - que não faço mal a uma mosca. parece que fiquei tocado pelos conceitos de sociedade justa de John Rawls e de hierarquia das necessidades humanas, de Abraham Maslow (ver Box 1.1 e 2.1 do estonteante livro "Mesoeconomia").

mais que isto, desejo ordem no galinheiro da política (demissão das raposas), o que apenas poderá ser feito por meio da lei do orçamento. e esta deve ser universal. e seu descumprimento, como o da Lei Maria da Penha, - temo dizer - é avalizado pelo sistema judiciário que, no Brasil, é campeão!
DdAB
imagem que editei: aqui.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Punir o Governo

querido blog:
ontem foi impressionante. escrevi o título da postagem como "sangrar o governo" e me referia ao estilo de oposição que me deixa maluco: os demagogos da maior parte dos partidos (ou seja, praticamente todos os políticos de todos os países deste terceiro planeta de Sol) não fazem oposição: querem sangue. querem o poder, mesmo à custa de perda de tempo, de sabotagem institucional ao governo instituído. mas o próprio governo instituído não é lá essas coisas. refiro-me, claro, menos à Noruega do que à Nigéria, menos à Bélgica do que à Bolívia. quando falei que a oosição sangra o governo não quis negar, como digo sempre, que toda essa macacada é governo, no sentido de que seus estipêndios derivam-se de impostos cobrados à população.

ontem mesmo vi no jornal outro capítulo vergonhoso da política brasileira. hoje o tema voltou à capa de Zero Hora e tem noticiário espantoso na p.6. o assunto é: o compositor Tonho Crocco, indignado, em dezembro de 2010, com o aumento de vencimentos que se estabeleceram os deputados (36 entre 55 deles votaram a favor de subir de R$ 11 mil para R$ 20 mil), fez um rap, se bem li, em que cita estes 36 vilões nominalmente. a canção chama-se Gangue da Matriz, nome que diz duplamente aos porto-alegrenses: a praça lindeira à igreja da matriz, a catedral metropolitana dos católicos e a famigerada gangue da praça, parece-me que integrada por filhos de desembargadores, que espancou até à morte um indivíduo humano.

pois o deputado Giovanni Cherini, na época exercendo o cargo de presidente da Assembléia Legislativa do RGS (e já eleito deputado federal, esperando apenas a hora de empalmar a nova prebenda), processou o compositor, alegando justa causa, sei lá. parece que Cherini pertence ao velho mundo, ao tempo antigo, ao tempo das prebendas, das sinecuras, das veniagas, das tranquibérnias. e parece que o mundo novo puniu o governo de maneira exemplar: hackers, benditos hackers, tiraram do ar o site da Assembléia Legislativa no dia de ontem. o governo foi punido, simbolicamente. o governo foi punido! parece que realmente está chegando a hora de vermos a potencialização do poder político da internet, das redes de relacionamento.

consta que o cantor deverá comparecer a um audiência de conciliação com o deputado (agora de ganhos federais) no próximo dia 22. e parece que há uma confirmação de presença de cidadãos na referida audiência de quatro mil pessoas! chegaremos a 40 mil, chegaremos a 400 mil, chegaremos aos milhões de descontentes com a vergonha que indivíduos, milhares deles, em todo o Brasil, levaram à política. punir o governo, eis o começo do tema.

o toque ridículo do episódio também é estampado nessa p.6 de Zero Hora. o deputado Edson Brum, que declarou-nos o jornal ter feito parte dos 36 votantes em causa própria, manifestou-se:

Liberdade de expressão jamais pode ser libertinagem. Mas não me sinto ofendido, até porque continuo achando que ganho pouco.

DdAB
p.s.: aqui dá cadeia. cadeia para eles. mais punições!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Sangrar o Governo

querido blog:
nem tenho andado falando de economia política, dado o desânimo que deixou-se abater sobre meu ânimo. isto não são confissões pessoais, apenas o atestado de desespero que estou passando, para fins de direito. eu, que tudo atribuo à desigualdade social brasileira, não posso deixar de rejubilar-me (epa, o que eu disse?) com o caos que tomou conta da política brasileira, incluindo nela todos os agentes monteirenses: eleitores, burocratas, políticos, juízes, e o que o valha.

não sei bem quando comecei a perceber que a política é uma imitação menos divertida e mais malévola do que os programas de auditório. nunca deixarei de lembrar a traição perpetrada pelo PDT contra o PMDB há alguns anos. firmaram um acordo para dividir a presidência da Assembléia Legislativa deste desditoso estado, dois anos por cada, como teria lido no próprio documento. pois quando chegou a vez do voto do PDT no PMDB, o primeiro disse que o segundo ficaria em terceiro.

depois temos as comissões parlamentares de inquérito, que não são feitas para "parlamentar", mas para sangrar o governo. da mesma forma, quando se fala em tributação, quem sai perdendo mesmo é sempre o cidadão eleitor. a saída? a saída é a bebida? a saída é um elenco infindável de inovações. precisamos inventar um jeito de forçar o poder judiciário a cessar de conviver com a impunidade, acelerar-se para fazer julgamentos em tempo decente, essas coisas.

a mais nova é a iniciativa de que nunca mais ouvi falar do governador de São Paulo, Geraldo Alkmim, que falou em montar um governo paralelo: oposição construtiva que prepara o partido para tomar o poder com projetos positivos, propositivos e não da linha de sangrar o governo.
DdAB
imagem: daqui.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quatro Bogagens Nefelebatescas

querido blog:
Primeira:
.a. te apresento meu amigo X21B9
.b. de onde que ele vem?
.c. de outro planeta
.d. de que que ele se alimenta?
.e. só de neve preta.

Segunda:
.a. te apresento meu amigo X21B10
.b. de onde ele vem?
.c. lá dos asteróides
.d. de que que ele se alimenta?
.e. das obras do Fróide.

Terceira:
.a. te apresento meu amigo X21B10bis
.b. de onde é que ele vem?
.c. dos anéis de Saturno
.d. de que que ele se alimenta?
.e. do leite seco diúrno.

Quarta:
.a. te apresento meu amigo X22C9
.b. de onde é que ele vem?
.c. dos montes de Vega
.d. de que que ele se alimenta?
.e. da paz de sua nêga.

pode um troço destes?
DdAB
ops.: imagem daqui.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Q. I. a Mil

querido blog:
quando a escasssez passar a ser administrada por programas de computador e as regras de distribuição da demanda final passarem a ser decididas democraticamente, então a humanidade vai alcançar suas plenas condições de desenvolvimento. enquanto seres resultantes de um processo evolucionário, não é temerário afirmarmos que, lá por aquele tempo, a humanidade terá gerado mutantes muito in0teressantes (e será que também perversidades inauditas?). a "condição humana" deixará de ser algo sequer a ser preservado em museus. alcançaremos formas superiores. o primeiro desafio, wremenber, será lidar com o começo do fim da estrela Sol da Via Lactea. depois, com a Via Lactea e depois com tudo aquilo que hoje chamamos de universo conhecido.

se hoje um quociente de inteligência extraordinário nem sequer chega a 150, que pensar de um computador pensante que seja treinado para responder aos testes de inteligência? quem faria o teste? talvez outro computador especializado em fazer questões apenas alcançáveis por intelectos (não orgânicos) superiores. a medição é difícil, pois o fenÔmeno é complicado, multifatorial. mas aceitando que teresmos máquinas muito mais inteligentes do que o homem, que esperar delas?

na linha do dr. Silvana e do moderno jovem norueguês, há um clube da baixaria que deverá esbarrar em máquinas guardiãs, que usarão uma racionalidade substantiva, não permitindo que o ideal da libierdade humana (ou dos sucessores) seja conspurcado por associados do clube da baixaria, como é o caso dos políticos brasileiros contemporâneos. e eugenia? claro que vai ter gente que vai lançar-se à produção do "humano puro", uma quimera absurda por definição.
DdAB
imagem: aqui.