sábado, 31 de dezembro de 2011

Regularidades 2011

querido blog:
sempre que faz seca do tipo que a que agora acossa a gauchada, o pessoal da Zona Sul diz: "daqui nasce a chuva, a fartura, a alegria de viver". sempre que chove em excesso, o pessoal da Zona Norte diz: "aqui a chuva nunca começa". usei a palavra "seca" no sentido de falta dágua, no sentido de Luiz Gonzaga. não a usei no sentido de "corte no suprimeito de drogas ilegais". estas, como sabemos, têm a oferta mais regular do que a própria precessão dos equinócios. um negócio de deixar os néscios cônscios de sua implícita propriedade da verdade.

por estar trancado em um consultório médico (esperando a consulta, não me interpretem mal), li - por inteiro, tesconjuro - o artigo de J. R. Guzzo das p.24-25 da revista Veja de 28/dez/2011. então lembrei-me da chapa Serra-Dilma, de que eu mesmo falava há um ano e pouco. obviamente houve avanços na trajetória do nacionalismo/1950 no encaminhamento do problema crônico da diferença de renda per capita entre este país e aqueles que melhor vivem neste vale em que falta de chuva. até a metade do artigo, estou com Guzzo. não me é frequente ver este paradoxo do otimismo de gente oito vezes mais pobre, em média, do que os bem-de-vida planetários.

mas o interessante de termos uma revista reacionária como a Veja é que ela esforçou-se para achar pontos negativos na chapa Serra-Dilma, o que é um progresso. eu nunca vira tão clara exposição do dualismo brasileiro, termo - aliás - banido em toda discussão moderna sobre o desenvolvimento econômico brasileiro. aliás, nem se fala tanto em desigualdade. é fato que a maioria absoluta da população brasileira e mundial considera que o Brasil é um sucesso. Guzzo e eu achamos que é preciso lembrar também dos desvalidos, entre eles os milhares de desmpregados que acham - aqui e no mundo - que tudo está bem.
DdAB
p.s. o jornalista Guzzo trata o ex-presidente Lula como "ex-presidente", sem declinar-lhe o nome. é o que sempre chamei de mau jornalismo, como exemplifiquei sutilmente ontem com a foto amplamente circulada em que flagraram o controverso político Jader Barbalho com o filho às carantonhas. é como se eu, que não leio Veja regularmente por detestar o tom permanentemente reacionário passasse a chamá-la de Cega... tudo é relativo... (com isto, faço o ano acabar com três pontinhos, logo após o final destes parênteses)...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

30/dez/2011

querido blog:
faço hoje uma postagem para homenagear o dia de hoje. por que haveriam de homenagear-me, diria ele, se ainda nem terminei? eu diria: é que ontem vi algo que evitaste. o quê?, indagaria, de volta lá ele, o dia. para mim, seguiria argumentando eu, é a foto da capa do jornal zero hora com o filho do senador, ergo, reputação ilibada, Jader Barbalho.

a cadeia não é seu destino, nem do dia nem do filho nem do senador. mas o fracasso nem é do tal poder judiciário, nem da tal lei da ficha limpa, nem dos meninos de rua. aparentemente, fracassa toda a sociedade brasileira, especialmente os colegas do senador: políticos, ergo, acolherados com o dinheiro do povo.

por que eles não deram um jeito nos casos de corrpução? o dia, volta o diálogo, respondeu-me: por razões óbvias.
DdAB

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Inesquecível Ano de 1931

querido diário:

Em 1931, [... o astrônomo Subrahmanyan Chandrasekhar] conseguiu demonstrar que há uma deaterminada massa crítica (limite de Chandrasekhar) além da qual uma [estrela] anã branca não pode existir, uma vez que nesse ponto o fluido eletrônico não é capaz de suportar o peso, não importa quanto essse fluido esteja comprimido. O núcleo de tal estrela deverá simplesmente desabar. 

[...]

Nâo seria impossível, mas a verdade é que todas as anãs brancas estudadas mostrarm possuir massa inferior ao limite de Chandrasekhar, e quanto mais estrelas desse tipo são descobertas, mais correto parece o limite estabelecido. 

parece a profa. Brena Fernandez falando! ela diria algo na linha do que acima transcrevi, da p.108 do livro de Isaac Azimov, intitulado "O colapso do Universo", São Paulo: Círculo do Livro (c.1980): não se pode provar, mas qualquer evidência que surja e conteste o -agora familiar- limite de Chandrasekhar terá acabado com a farra. o que eu acho é que tanta evidência um dia suscitará uma formulação teórica mais potente que permitirá dizermos que se trata de uma verdade absoluta. como é o caso de sabermos que Sócrates é mortal, essas coisas.


DdAB
e a imagem é daqui.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Um Caso de Escolha Envolvendo Risco

querido diário:
se bem entendi, o deseho que segue não é bem desenho, mas um esquema. um dia transformá-lo-ei em um tipo de arte que será chamada de arte/planilha. esperemos. tem paciência, espera.

temos ali o confronto (confluência) de uma ruazinha com um avenidão. um pedestre deseja cruzar a ruazinha da esquerda para a direita. da ruazinha não se vê movimento. mas um pobre carrinho de quatro rodas quer ingressar à esquerda na ruazinha. o pedestre vê que ele está sinalizando, ainda em movimento. mas o próprio pedestre também vê o enorme caminhão circulando em linha reta pelo avenidão (em alta velocidade, como é costume dos veículos de carga nas cidades brasileiras). o pedestre pensa: como ele não está sinalizando que quer entrar à direita, posso concluir que ele quererá seguir em frente e o pobre carrinho não é loque e freará, ficará esperando a passagem do ilustrado motorista do caminhaozão.

é o elogio da teoria da escolha racional: o motorista do pobre carrinho, na visão do Pedestre Racional (que, como não estou usando o marcador "Vida Pessoal", é outrem...), estancará, segurará seu carro, freará, temendo o atropelamento. um pipoqueiro que por ali vegetava ouviu a explicação e acrescentou: "a verdade é que existe alguma incerteza para ser enfrentada pelo Pedestre Racional, pelo motorista do pobre carrinho e pelo condutor do Enorme Caminhaozão. e ela pode ser eliminada por meio de cálculos de probabilidade que serão submetidos aos programas de inteligência artificial implantados nos relógios dos três agentes. em resumo, o pobre carrinho estancará, o Enorme Caminhão prosseguirá em linha reta, o mesmo procedimento (atravessar a rua em linha reta) sendo adotado pelo Pedestre Racional.

repito: como nada tive a ver com esta cena, despeço-me afanosamente.
DdAB

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mudanças Racionais

querido diário:
sigo atento ao hedonismo da ação humana. sigo atento a pequenos traços da vida cotidiana que mostram que os indivíduos estão mais propensos a escolher racionalmente do que menos. pelo menos, falo dos indivíduos equilibrados, hehehe.

como sabemos, ou deveríamos não saber?, tenho dirigido usualmente um carro automático. em outras palavras, associo-me a meia dúzia de indivíduos que ajudam a poluir o planeta por meio do transporte de rodagem individual. ou mehor, o transporte de quatro rodas para um indivíduo. não deixa de ser escolha racional da turma que criou a roda, pois um automóve baseado em triângulos ou icosaedros irregulares para a rodagem seria menos prático.

pois bem, mal faz um par de anos que dirigo o tal carro automático e, mesmo assim, parece que minha memória dos carros movidos a solavancos e engrenagens hostis foi-se na surdina, hehehe. ou seja, várias vezes, ao dirigir o automóvel convencional que me foi emprestado gentilmente, nestes últimos dias, errei a marcha, esqueci de fazer a mudança, confundi a marcha à ré com a primeira (ou a segunda) do sistema de câmbio VolksWagen. que quero dizer? que o racional mesmo seria estar mais atento. mas ainda mais racioal mesmo é escolher algo que minimiza o esforço, o trabalho humano. ou algo parecido.
DdAB
imagem: aqui.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natais Maiúsculos

querido diário:
como sabemos, participo da campanha "Ateus, saiam do armário". em momentos críticos, lembro de uma frase de um amigo revisto recentemente: só acredito quando posso. eu não posso dizer o mesmo: nem tento acreditar, não tento problematizar esta questão. sinto-me bem na campanha, anyway, pois acho um tanto estranha a importância que a turma dá para a religião, especialmente nas horas de infortúnio. também acho que é encrenca certa a negadinha que quebra o mandamento de "não tomar seu santo nome em vão", dando graças a Deus por ter assassinado um inimigo, ou metido a mão no dinheiro público.

é que no outro dia, vi a crônica de Luis Fernando Veríssimo, falando em Deus, com maiúsculas, hábito que conservo, em homenagem às pessoas de boa vontade, as forjadoras do futuro melhor para todos. mas ele - Veríssimo - dali a pouco falou em algo tipo "Sua presença". e aí achei já um certo exagero. parece que a turma que fala em "Estado" e "Presidente" está com a bola (de natal) pronta para quebrar-se.
DdAB
imagem: procurei com "adeus", pode?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Osman e a Indução

querido blog:
o Osman de que falo é Osman Lins. o livro de que falo é "Nove Novena", uma ediçãozinha Guanabara, 1987. o original, diz-se, é da Martins, de São Paulo, em 1966.

o de que falo é da p.47:

Precisei lutar, em casa, contra a resistência dos mais velhos: afirmam que os papagaios trazem para a terra micróbios de bexiga [varíola], soltos na altura. Parecem ter razão, eu mesmo já os vi; e é sempre em outubro, depois das pandorgas, que surgem na cidade os bexiguentos, a febre, outras doenças.

não é uma lógica escorreita, admirável?  a diferença é que, naqueles tempos de um pouco depois de 1966, falava-se que não se deve confiar em ninguém com mais de 30 anos. ou seja, quem nasceu a partir de 1981 safa-se por um aninho...

não resisti e botei na ilustração desta postagem o link para o maravilhoso site do romance "Avalovara". parece que o primeiro conto do livro "Nove Novena" (ou seja, "O Pássaro Transparente") é um prenúncio do que viria a ser o maravilhoso e cerebral romance.


e a ilustração é de lá mesmo.
DdAB

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Sinuosidades na Salvação da Saúde

querido blog:
se é que são vias sinuosas, bem entendido. o jornal de ontem, na p.20 "Economia" fala nos planos de saúde privados (mas não usa a palavra "privados" e indago-me: 'será que o SUS é um plano de saúde? e digo: óbvio, plano governamental, um serviço universal, ainda que volta e meia e na maior parte das vezes quebre o princípio da universalidade, por probleminhas banais de compreensão o que é isto da parte dos juízes 'R$ 30mil').

depois diz: "Consultas agora têm prazo máximo de espera".

e apresenta uma tabela de resoluções da Agência Nacional de Saúde - ANS determinando que os planos, digamos o Plano Vida Paga, devem oferecer a seus prestamistas (?) a possibilidade de, não havendo hora disponível no consultório do profissional selecionado (digamos, por férias ou excesso de clientes), terem atendimento por parte de outro profissional indicado pelo plano.

pois achei isto a redenção. sempre fiquei estupefato ao saber da enorme delegação de poder ao doente, no sentido de que este é que definirá sua doença (diagnóstico) e, como tal, procurará um profissional médico que o referende e dê o tratamento. eu mesmo já me diagnostiquei com vários problemas, o mais sério deles sendo o da língua ferina.

o contraste do sistema atual brasileiro com o britânico - de que fiz parte ativa - é marcante. ao chegar a Brighton e anos depois a Oxford, uma das primeiras medidas que me impuseram foi inscrever-me no NHS (National Health Service). Em Sussex, havia um centro médico (uns barracões) dentro do próprio campus. Em Oxford, na Jericoh Road, estava o centro. lá fui e lá inscrevi-me. e lá voltei algumas poucas vezes para consultar. sempre o médico que me fora indicado, exceto precisamente uma vez em que adoeci durante suas férias e fui atendido por uma médica que o substitiu.

claro que o sistema brasileiro (da política à coleta resíduos de unhas cortadas a bebês) é deficiente. somos deficientes. a gente somos inútil. este tipo de medida da ANS pode ajudar a encaminhar um dos problemas: o governo ajudando o setor privado a ajeitar-se. os planos de saúde interessados em maximizar suas vendas começarão a credenciar clínicos gerais que farão a triagem que, hoje em dia, fica por conta do doente, um agente, como sabemos, adoentado e, como tal, incapaz de tomar decisões plenamente racionais, como a que agora me avassala e encerro.
DdAB
saúde? repouso? inúteis?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Futebol Racional: Barcelona 4x0 Santos

querido blog:
não vou abrir novo marcador, gente. vou falar sobre futebol, gente? claro que não, pois pouco ou nada entendo. por exemplo, vi o segundo tempo do jogo e não percebi que o Barcelona se move pelo sistema 3-7-0, ou seja, não tem atacantes. se não é paradoxo hidrostático, é paradoxo do mesmo jeito: como é que pode um time sem ataque fazer quatro gols? ah, podia ser quatro gols contra, só que não foi. o primeiro tempo foi jogado sem meu conhecimento, mas vi-me pessoalmente carregado pelo segundo tempo do jogo. ou seja, eu sabia que o domingo teria futebol japonês, mas nem pensara em inserir-me na festa.vi três registros no jornal de hoje, o Zero Hora, a hora zero.

o primeiro foi Moisés Mendes, na p.4. ele diz algo óbvio, principalmente, depois que foi dito. e, para ser dito, precisou de uma verdadeira demonstração de superioridade inconteste da arguementação comportamentalista: um show de bola do novo sobre o velho:

"Tente copiar a fórmula do Barcelona e forme então um time imbatível. Os dois cérebros, Iniesta e Xavi, não correm, troteiam. Durante metado do jogo, andam de ré em busca do melhor espaço, muitas vezes um minifúndio de dois palmos. Deslocam-se, marcam. Ninguém grita, ninguém ergue o braço pedindo bola. Não caem, não levam trombada, raramente encostam em alguém. Não tentam apitar a partida com o dedo em riste e nem pedem pênalti."

achei genial, especialmente aquele traço dos barcelonetos de não tentarem apitar a partida. e sobre erguer o braço, também me comove o levantamento dos dois braços simultâneos, em defesa regulamentar, significando: "não tenho nada com estes gemidos do adversário, que caiu sozinho".

depois, na p.5, tem Abrão Slavitsky:

"A Espanha mudou o jeito de vermos futebol, está provando que o craque diferenciado não resolve sozinho. Afinal, o Messi vai para a seleção da Argentina [... e a Copa do Mundo fica com a Espanha...]."

e ainda depois, na p.15, tem a charge de Iotti. vemos o jogador Neymar (com seu penteado fundamental para a prática do esporte bretão, como se dizia. e que declarou que o Santos teve uma extraordinária aula de futebol) sentado num banquinho, assistindo a uma aula dada pelo jogador Messi do Barcelona. este aponta para o quadro verde, onde se lê: "Menos balaca. Mais futebol coletivo!".

também vi contra-exemplos, ou contra-notícias. gente que acredita que o Vasco da Gama do Rio de Janeiro não teria sido abatido com tanta facilidade. eu pensei, claro, no Bandeirantes de Futebol e Regatas, de Jaguari, agremiação que ajudei a fundar...

mas, mais importante do que evocar os áureos tempos do Bandeirantes, acrescentei à lista de Moisés Mendes o traço de trocar os treinadores dos clubes de futebol a cada três meses, o que me parece de estirpe criminosa: contratos custam dinheiro e distratos também custam. alguém está ganhando mais indenizações do que determina o regulamento.

de tudo isto, o que fica é:

.a. precisamos ter um sistema judiciário decente
.b. precisamos ter uma lei do orçamento decente
.c. precisamos ter uma administração pública decente.

DdAB
p.s.: a foto é óbvia: a construção de Gaudì, o maior arquiteto da história. postada sobre Barcelona, a maior cidade da história, postada sobre a Catalunha, a maior região mediterrânea da história. a história, por seu turno, é a maior história da história. e assim por diante.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O Portão Lá de Casa

querido diário:
primeiro, no filme "A Hora e a Vez de Augusto Matraga", diz-se: "o terreiro lá de casa não se varre com vassoura, varre com ponta de sabre e bala de metralhadora." acho (afinal, não sou psicanalista) que era isto o que me ia pela cabeça ao selecionar o título da postagem acima. e que diabos de portão é este? é o portão que abre as portas do conhecimento, que abre, diria Aldous Huxley, as portas da percepção. abre as portas do conhecimento e do saber, da alegria de conhecer e do alto baixo astral que é ver a inguenorâncea vencer.

pois bem, não que eu seja um sábio, mas garanto que existem três e apenas três métodos que geram o conhecimento seguro. dois deles não me são caros, próximos, o outro é o método indutivo, tão próximo a David Hume, que o esculachou. o método indutivo, com efeito, já deixou muita gente louca, como Weber e Nietszche, para não falar em Hume himself. no livro de Ferguson e em outros milhares de livros, diz-se que indução é gerar conhecimento novo a partir de traços colhidos em instâncias particulares da vida fora da mente ("do particular ao geral"). por contraste, o método dedutivo ruma do geral ao particular. o método dedutivo, dizem alguns, não é mais do que o elogio do deja vu, ou seja, nada há de novo em dizermos que Sócrates é mortal, se soubermos que todos os homens são mortais de qualquer jeito. por contraste ao contraste, ir do particular ao geral despertou o ódio de Karl Popper, que parece que toma o sentido literal de tudo muito literalmente.

tenho dito que respondo à crítica de Hume dizendo que muitos métodos é o método (como ensinaram-me as profas. Bianchi e Fernandez. elas talvez não concordem que eu concorde com elas neste quadrante. seja como for, acabo de dar uma demonstração para o cachorro que eu levara a passear sobre a validade da indução. disse-lhe, em latim, claro, que, assim que eu apertasse um botão de uma caixinha preta que eu retinha em mãos, o portão iniciaria a abrir-se e teríamos tempo de ingressar edifício a dentro, safe and dry, expressão que provavelmente seria usada pelos usuários do portão da imagem de hoje.

se Popper achava que eu iria degolar meu cachorro, dando-lhe uma pista fria sobre o comportamento de eventos futuros com base nas regularidades empíricas do passado, muito ter-se-ia engadado: o portão funcionou direitinho. e assim seguirá funcionando pelo resto da eternidade, com a probabilidade de 1% de falha, garantida pelos fornecedores e avalizada pelo prefeito da cidade, que deu "habite-se" para a firma lá deles, os fornecedores. os fornecedores, por sinal, garentem que, em caso de falha do alarme ou do portão, socorrem-nos antes que o cão perca o fôlego...
DdAB
este portão, que não é meu, não, veio daqui.

sábado, 17 de dezembro de 2011

EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO ECONÔMICA


senhor blog:
Na segunda metade do século XX, o mundo fez-se consciente da existência do subdesenvolvimento. Na América Latina, o clamor pela industrialização induzida pelo capital público tornou-se uma religião. Em outras palavras, achava-se que a “política industrial” poderia trazer “renda e emprego”, o que resolveria todos os problemas da vida societária. O Brasil passou do diagnóstico à recomendação, fazendo um esforço industrializante, ainda que com um PIB gerado no setor serviços já maior do que a soma dos produtos agrícola e industrial.  Ainda assim, a vitória do desenvolvimentismo foi marcante, tendo investimentos e mecanismos creditícios chancelados pelo governo.

Uma vez que, na época, os recursos não eram menos escassos, sacrificou-se, por exemplo, uma rede de distribuição serviços de educação e saúde, que geram capital humano e talvez desenvolvam a indústria do mobiliário ou a dos instrumentos de precisão. Este tipo intangível de “capital” é made in Brazil, não sendo normalmente exportado em forma direta, mas na forma de produtos tecnologicamente mais avançados como os automóveis e a soja tropical. O festejado investimento estrangeiro serviu para dinamizar setores da economia brasileira, inclusive a chamada elite operária de São Paulo. A soja tropical dinamizou mais ainda a conquista do oeste brasileiro, ainda que ambos os processos tenham ceifado vidas.

O desenvolvimento do capital humano ajudaria a reduzir ambos os morticínios. Mas não é apenas isto: empregos de professores e cuidadores, médicos e enfermeiros contribuem para o PIB dos serviços e para a demanda que estes podem exercer sobre os setores agrícola e industrial. Sua contribuição mais importante é para a formação do capital humano, que pode gerar um trânsito mais desenvolvido e um tratamento ambiental do mesmo porte. No sábado passado, Rosane de Oliveira comentou a iniciativa do Ministério da Saúde em direção à criação de centros comunitários em que serão oferecidos à população serviços de exercícios físicos. Caso a eles sejam acopladas ainda a campanhas de reeducação alimentar e de combate ao tabagismo, eleva-se o padrão sanitário nacional, ipso facto, deixando-o mais próximo ao da sociedade igualitária. Saúde para todos é mais igualdade, permitindo o funcionamento eficiente do mecanismo de mercado.

DdAB
imagem do interessante site abcz. parece o Bibines.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Equilíbrio e o Fetichismo das Mercadorias

querido diário:
se o marcador usado para esta postagem ajuda a amenizar o atropelo do título, então estamos ingressando, equilibradamente, no melhor dos mundos. os desequilíbrios são a tônica da vida. e os reequilíbrios também. prá frente é que se anda, teria dito o Coríntians de Futebol e Regatas, ou algo parecido. obviamente, para termos uma trajetória prafrentex, precisaremos, volta e meia, dar meia-volta, inclinar-nos à direita ou à esquerda. subir, descer. três direções, seis sentidos.

não fosse isto, não teríamos minha tradução, a seguir, da epígrafe do capítulo 8, de Samuel Bowles, do afamado livro de microeconomia. trata-se de um trecho que ele encontrou em Léon Walras e usou para contextualizar seu capítulo intitulado "Emprego, Desemprego, e Salários", em inglês.

vai lá, Walras:

Aceitando equilíbrio, podemos inclusive ir tão longe a ponto de abstrair o papel dos empreendedores e simplesmente considerar os serviços produtivos como sendo, em certa medida, intercambiados (exchanged) diretamente entre si.
(Elements of Pure Economics, 1874).

como, obviamente, estamos carecas de saber, o que Karl Heinrich Marx chamou de "fetichismo da mercadoria" é a sensação que nós -clube da carne-e-osso- tem de olhar para as mercadorias e pensar que elas trocam-se umas pelas outras. e por que fetichismo? pois -ao vermos o mundo desta forma- estamos olvidando que o que é trocado são horas de trabalho, precisamente as horas de trabalho socialmente necessário para a produção de cada uma delas, as mercadorias. e não foi isto, precisamente, o que disse Walras, ao "aceitar equilíbrio"? é pouco?
DdAB
o pior de tudo é que ante-ontem, falei o seguinte. somos descendentes de bactérias sedentárias que, um dia, decidiram tornar-se móveis. depois, seus pósteros começaram a trocar mercadorias e chegaram a gerar o presidente do Banco Central Mundial. ninguém aplaudiu, mas tampouco desmaiou.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Pivô do Caso do Pivô


querido diário:
a postagem com o título acima:
.a. não tem erro de embaralhamento
.b. tem tudo a ver com o marcador que a -com certa redundância- identifica, ou marca.

sabemos que há pelo menos dois sentidos para a palavra pivô. o primeiro, meu velho conhecido, origina-se do jargão dos jogadores de basket-ball e suas posições na quadra. que fazem eles tanto tempo? não sei.

o outro é um chuveirão usado para irrigar as lavouras. ele gira, lança jatos de água. estes descrevem trajetórias parabólicas e, com estas duas peculiaridades, encharcam o terreno que ficaria -otherwise- seco.

segue-se logicamente que, um dia destes, a mesma personagem do fato que narrei ontem contou-me que caminhava pelas ruas do aprazível bairro Menino Deus da aprazível cidade de Porto Alegre, quando percebeu à distância a ação de um pivô, destes proibidos em épocas de seca - como é o caso. o pivô molhava as plantas, comme if faut, mas também jogava água na calçada. então o mendigo, que não estava para banho nem respingos ("já chega os da chuva", confidenciou-me ele), declarou-me ter calculado "mais ou menos" até onde a água poderia ir sem molhá-lo e adotou precisamente a trajetória que nasceu em seu cérebro e que o livraria da molhaçada, inclusive de pisar na poça que a água já fizera na calçada (que havia um buraco não sanado pelo prefeito da cidade).

disse-me ele que isto nada mais é do que explorar a teoria da escolha racional em todo seu explendor.
DdAB

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Racionalidade da Economia Monetária

querido blog:
esta postagem bem que poderia estar localizada num marcador "Mal-entendidos", que nunca criarei. seja como for, o título que criei para ela é enganador. não quero falar sobre a economia monetária, ainda que queira fazê-lo sobre racionalidade.

é que no outro dia, vi um mendigo receber uma moedinha de R$ 1,00. também vi que, ao tentar inseri-la em seu porquinho da caderneta de poupança, ele fez-se trêmulo e a derrubou sobre a via de rolamento da avenida. aí é que pintou o substantivo "racionalidade" do título da postagem. e se trata, a meu ver, de racionalidade substantiva, no sentido de otimização de alguma função que lhe habita/va a cabeça.

creio que, na intenção de minimizar o tempo desperdiçado em reparar o tresloucado ato de jogar dinheiro ao chão (o que não foi, alegou, depois, no bar, ele, para mim mesmo ou meus prepostos), ele - ao soerguer-se, depois de ter empalmado (?) a moeda - ia colocando-a no orifício do afamado porquinho da poupança.

se isto não é racionalidade substantiva, pensei, minha avó é bicicleta.
DdAB
a bicicleta é daqui. o contraste entre os trajes do mendigo e os do estudantezinho oxfordiano não poderia ser mais iluminador.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Ameaça Chinesa e a Ameaça Popular

querido blog:
o mar não está para peixe, hoje é domingo, pede cachimbo. só bebendo. cada vez que me organizo para fazer uma postagem complicada, fico pensando que estes lugares comuns (pelo menos aqui pelo Planeta 23) são utilíssimos para quebrar o gelo. naquela postagem da sra. do Tapa na Pantera (aqui), falei que o Banco Central Mundial (a ser criado pelo povo armado) é que deve organizar a Brigada Ambiental Mundial (e contratar o povo em processo de pacificação, pagando-lhe uma renda maior do que a renda básica universal, que também ingressará no orçamento desta nova e já vetusta instituição).

volto a referir a reportagem da Carta Capital de 7/dez/2011, às p.98-101, retirada da Economist, respondendo pelo título de "Estrada da perdição", no catalogador "Nosso Mundo". é dele que falo, de nosso mundo, o mundo que é dominado pelo ser humano e muito ser humano tomou a liberdade de ser dominado por outros seres humanos. na Idade Média, a agiotagem era punida até com a morte, executada pela Igreja ou pelas populações revoltadas. o homem sempre teve a mania de resolver seus conflitos a ferro e fogo. hoje mesmo esta metodologia é aplicada em centenas de focos de revoltosos e revolucionários.

trata-se dos PIIGS, trata-se da falência do modelo europeu? claro que a União Europeia é a maior invenção da história da Europa: se evitar novas guerras, ter-se-á pago mil vezes. trata-se, isto sim, da falência de um modelo de divisões perniciosas das finanças mundiais entre estados nacionais. a saída é o governo mundial. a saída é o governo mundial, sô. a saída é a reciclagem dos povos, dando-lhes novas perspectivas de vida e, como tal, de combate à destruição do meio-ambiente. hoje, parece ridículo querer tomar conta dos jacarés, crocodilos, elefantes e micos-leão, pois o garoto etíope, o da Vila Cruzeiro, o boliviano, o neto de porto-riquenhos de Nueva York Central, encontram-se em situação de mais carência do que os pobres bichinhos. tão ou mais pobres são estes espécimes humanos, relíquias da crueldade planetária do início do século XXI.

fala-se que a desigualdade pode ser curada por meio dos incentivos à mobilidade. obviamente, este é o maior elogio das ações igualitaristas, pois só se pode pensar em mobilidade com a democratização das oportunidades. e só se pode pensar em democratizar, digamos, o ensino, com crianças banhadas, alimentadas, descariadas, desviolentizadas, essas coisas. por isto, tenho dito que a função social de cada grupo de seis a oito meninos de rua é dar emprego de um dia a um psicólogo, um assistente social, um dentista, e por aí vai, por dia. se o coeficiente é de oito, então cada cinco magotes de meninos dará emprego de uma semana inteirinha para essa turma. a turma, otherwise, manter-se-á desempregada, desenvolvendo seus potenciais de revolta ou revolução.

retomo, agora, a citação que fiz no dia do Tapa na Pantera. era: diz a Carta, na p.98: "[...] Os governos prometem cortes de orçamento cada vez mais severos na esperança de pacificar os mercados de títulos. [...]"

agora fica:

[...] A intensificação da pressão financeira aumenta as probabilidades de uma moratória desordenada de um governo, uma corrida para depósitos no varejo em bancos com pouco caixa ou uma revolta contra a austeridade que marcaria o início da ruptura.

[...] Os bancos europeus liquidam os títulos dos menos dignos de crédito, e outros ativos, na tentativa de conservar capital e melhorar o fluxo de caixa enquanto paira a ameaça de uma crise financeira total. Os governo prometem cortes de orçamento cada vez mais severos na esperança de pacificar os mercados de títulos. O resultado direto dessas mexidas é um esmagamento do crédito e um aperto na demanda agregada que empurra a Europa para uma recessão.

parece óbvio: os "investidores" querem escravizar o planeta. cumpre-se, portanto,  levar-lhes uma luta mortal e colocá-los em seu devido lugar: cidadãos como todos os demais. cumpre-se, portanto, declarar já nossa independência. independência ou morte (a eles)!.
DdAB
a imagem veio deste caprichadíssimo blog. estarão pensando nos futuros empregos na Brigada Ambiental Mundial!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sonho de Valsa

querido diário:
Sonho de Valsa não é um pássaro. nem um avião, nem um supercruzador sideral (como o Galactica). nem um bombom, uma barra de chocolate, uma esfera perfeita. Severiana Rezende Pereira (ver) chamou-a, para simplificar o diálogo com Salviano Salvador do Solstício, de nave. Sonho de Valsa, portanto, é uma nave. ainda assim, não é uma nave convencional, pois rola como uma gota de mercúrio e é fluida com a esteira de uma patrola deslizando sobre azeite de oliva de 0,001% de acidez. tão harmônica quanto um concerto para cordas de Mozart ou uma natureza morta de Cézanne. Sonho de Valsa não é deste mundo, viaja a velocidades estonteantementes maiores do que a da luz e nem precisa de luz para mover-se, pois usa um código de dois bilhões de dígitos que a faz como que "ver" seu presente, passado e futuro. este, claro, sempre associado a probabilidades, que -sabe-se bem- o universo é acomodado pela teoria dos 50%-50%, ou seja, "tudo pode ser, mas apenas uma coisa é, ou foi, ou está sendo."

ao meio-dia, Salviano e Severiana encontraram-se para almoçar. ele trajava cores simbólicas e ela usava um gorro que a fazia parecer-se como se vinda de não-se-sabe-de-onde. seus robôs encarregaram-se daquela tradução implausível há dois ou três bilhões de anos, mas perfeitamente fluida naquele momento. ou seja, suas ações comunicativas, além das aclimatações e estabilizações constantes das

...
DdAB
p.s.: o texto concluiu-se assim, abruptamente, como a soma de 2+2.
p.s.s.: a imagem é, claro, da Galactica.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Duas Teses para Abalar: China Lá, Bancos Cá

querido diário:
hoje acabo de viver uma experiência extraordinária. tive meu computador novo instalado e tive conversas altamente criativas com o responsável. disse-lhe que postaria mais ou menos o que agora faço. disse-lhe que iria estudar algumas coisas depois e complementar estas duas teses que hoje revelo. trata-se de minha contribuição para a teoria da grande conspiração.

em outras palavras, existe, comprovadamente, uma conspiração entre banqueiros internacionais e dissidentes do Partido Comunista Chinês cujo objetivo é colocar as economias européia e americana em recessão. com isto, abalam-se as exportações chinesas, a China entra em crise, desbanca-se o Partido Comunista, instaura-se a democracia e... pluft!, seremos felizes.

mas ainda mais séria do que esta visão idílica da miséria a que serão lançadas (estão sendo) milhares, milhões de vidas é a frase que li na Carta Capital de que falei no outro dia e que carrega o -presumo- último artigo do jogador Sócrates, falecido no outro dia.

diz a Carta, na p.98: "[...] Os governos prometem cortes de orçamento cada vez mais severos na esperança de pacificar os mercados de títulos. [...]"

eu disse para meus botões: a Brigada Ambiental Mundial que proponho na lapela deste  blog é algo que se faz mais necessário do que nunca. quem financiará? só pode ser o Banco Central Mundial, a ser criado e a ser encarregado de pagar uma renda básica a todo cidadão terráqueo maior do que, digamos, 24 anos e complementar os rendimentos daqueles que se habilitam a trabalhar na Brigada Ambiental Mundial. dado o adiantado da hora, deixo os maiores detalhes para outro dia.
DdAB
imagem: aqui. e a abundância de marcadores se deve ao inusitado instaurado pelo tema.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Primeiro Silogismo do MAL*

querido blog:
neste dia de 24 horas (exceto para os habitantes do Planeta 23), não custa evocar o primeiro silogismo do MAL* (o afamado Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela, isto é, os políticos brasileiros, instando-os a fazerem legislação que force a honestidade daqui a 50 anos, se é que não da de fazer em 2012 mesmo), à propos dos anúncios da barganha iniciada pelos cargos que serão reposicionados pela presidenta Dilma. negociando com seus "aliados", ela -como sugeri- negocia com "eles".

vamos ao silogismo:

Premissa Maior: todo político é ladrão
Premissa Menor: todo ladrão é político
Conclusão: logo todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco.

corolário (concatenação): segue-se logicamente que dá vontade de beber por constatar que tão cedo não vai ter este tipo de anistia, relegando nossa crença em mudanças de construção de um futuro melhor para mais adiante. mais adiante?
DdAB
e a imagem: abcz.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Lições de Altruísmo: revezamento

querido blog:
ontem vivi uma experiência extraordinária. conversando com a dra. Carmem Daudt (médica e paraquedista), cheguei a mencionar

na postagem de 28/nov/2011, cheguei a mencionar, de modo brincalhão, algumas coisas:

.a. "por que um velho se preocupa com o futuro? eu, de minha parte, acho que é que estamos interessados em ver aonde nos mandam nossos modelos." com esta piadinha mais desenvolvida, postei ontem uma definição para a realidade objetiva.

.b. menos piadisticamente, sugeri: "acho que a sociedade igualitária é a panaceia, mas como não a vejo possível em meu horizonte de vida, já vou jogando a responsabilidade para a outra geração."

mas a dra. Carmem Daudt mudou-me a perspectiva, sugerindo que o que vemos é o resultado de uma enorme corrida de revezamento, em que muitos de nós -os participantes, ou seja, os nascidos vivos e talvez muito mais do que estes-  nos entendemos como parte de uma história interessantíssima. fomos treinados para viver e também somos treinadores. treinamos nossos filhos e, muito além deles, os filhos de incontáveis outros (alunos, pacientes, clientes, fornecedores, e por aí vai). como tal, queremos que eles se deem bem, ainda que não saibamos os detalhes do restante de sua viagem/corrida/revezamento.

e daí entra novamente o papel do indivíduo na história, do jeito que o vejo: transitamos do culto aos antepassados mais diretos àqueles que viveram há muitas e muitas gerações, por serem ou nossos ancestrais diretos ou por termos com eles ancestrais comuns. Sócrates -que, como soubemos no domingo passado, era mortal- ou era meu parente direto ou, se não o era, tinha ascendentes comuns comigo, nem que fosse há 10 mil anos. em certa medida, também se liga a este assunto a possibilidade de que tudo gira em torno de nossa percepção de que perderemos de modo absoluto nossas memórias. neste caso, queremos deixar o maior número possível de traços que favoreça o resgate de nosso verdadeiro "ego".

em resumo: viver bem significa dizer que precisamos estar preparados para fazer um belo papel neste revezamento. é altruísmo querer preparar bem os futuros participantes que poderão "resgatar-me"?
DdAB
a imagem, que nos evoca o capitalismo japonês, veio do seguinte veio.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Definições, hehehe

querido diário:
vim a entender, durante este fim-de-semana -que acabamos de deixar para trás- que o mundo real é um artefato tetradimensional (pelo menos) criado precipuamente para favorecer a calibragem de modelos estocásticos e às vezes até os determinísticos.

de sua parte, a letra "M" (cuja minúscula é "m") tem peculiaridades que a levaram inexoravelmente (deterministicamente) a formar a décima terceira posição do alfabeto.
DdAB
imagem: mais notória do que o punho em riste que nos ficará eternamente na memória com a vida de Sócrates, o jogador de futebol e médico e cronista da Carta Capital, que -por sinal- assinou a coluna que sairá na próxima quarta-feira e que eu pude ler talvez nos momentos finais de sua vida.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Kirchner x Prebish

querido diário:
há pouco li estupefato na p.3 do caderno Dinheiro de Zero Hora que a presidenta Cristina Kirchner teria dito:

"Não queremos importar nem um prego. Queremos que tudo seja produto argentino."

pensei: claro que ela não disse bem assim, claro que este negócio está sendo citado fora de contexto. claro que é difícil de dizer o que passa pela cabeça de um governante. eu sempre dediquei um afeto especial à cultura de los hermanos (Argentina e Uruguay) e sofro com suas desditas políticas.

no que diz respeito à economia, pouco ou nada sei sobre suas economias, a não ser a tragédia que lhes ocorreu na década final do século XX. se bem lembro, o PIB de ambos chegou a cair uns 40%, o que não ocorrera nem na depressão americana de 1929. claro que, sob o ponto de vista da ciência econômica, sei um pouco mais, especialmente graças ao nome de Raúl Prebish, o grande pensador estruturalista latino-americano. seu famoso artigo está publicado numa Revista Brasileira de Economia lá dos anos 1950s.

parece-me que a questão deste desenvolvimentismo e do novo estava intrinsecamente mal colocada: afinal, o que queremos, o protecionismo eterno ou o livre comércio? preciso reler o artigo de Prebish para repensar se ele estava propugnando pelo protecionismo eterno.

e agora esta. nem digo que fosse mesmo a intenção da presidenta botar abaixo não apenas o Mercosul, mas também qualquer ideia de livre comércio. o problema que me trouxe a esta postagem é precisamente o fato de que há gente que pensa assim, que pensa em protecionismo como política de estado.

a frase de Zero Hora é ridícula: se não importarmos, que faremos com nossas exportações? ou a presidente estaria pensando que vale a pena exportar os produtos do agronegócio argentino e importar serviços? botar a turma a passear pelo mundo, com hospedagem nos mais sofisticados hotéis? ou mandar seus filhos estudarem em Harvard, Sorbonne e Cambridge? surfar em Bali?

ou, mais refinado, seria fazer um fundo financeiro no exterior constituído pelo superavit do balanço de transações correntes de uns 50 anos e depois viver de rendas. ou seja, produção apenas para o mercado doméstico e depois, os dividendos eternos. mas como rimar ausência de importações com produção local e riqueza? faria sentido enviar toda a população local ao exterior, pois ninguém iria produzir localmente e, como as importações estariam proibidas, todo mundo passaria o tempo inteiro viajando, a fim de pelo menos fazer lá suas três refeições por dia.

e deixar o país vazio?
DdAB
a simpática imagem do resumo declaratório da presidenta veio de abcz.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Novo Marcador: TER Equilíbrio

querido blog:
hoje começo a dar nome específico a postagens que se relacionam com a teoria da escolha racional, o postulado da racionalidade e a relevância do conceito de equilíbrio para a estruturação da teoria econômica. a primeira história runs as follows. estava eu sentado na sala, lendo Azimov's New Guide to Sciences, quando tropecei na palavra "slit". eu a conhecia da descrição do tempo: nem chuva nem neve, mas caindo do cosmos ao chão do planeta. mas este sentido não dava sentido à frase que li. na p.58, Azimov explicava o experimento de Joseph von Fraunhofer em 1814 que levou à invenção do espectroscópio.

levantei-me, fui ao escritório pegar o dicionário e à medida que ia voltando já ia procurando o que queria. aí observei que a cortina, deslocando-se ao ritmo do vento, praticamente caía dentro do aquário. prendi-a, protegi-a. comecei a busca por slit já pegando osalegados 20% finais, pois sei que "s" não está "no começo". na primeira tentativa, caí em self-registering. foi uma boa tacada, não é?

voltei a sentar-me no sofá e achei o que é slit: fresta, fenda, algo assim. feita entre duas ou mais chapas de metal. mas não é este meu tema. nem o aquário, nem o sofá. que queri dizer então? que agi racionalmente o tempo inteiro. tinha um objetivo em mente: "investigar palavra importante para compreender o assunto". no livro de Mesoeconomia, diz-se a certa altura que o dicionário é o melhor amigo do homem. e que a passagem da condição de júnior à de sênior reside na capacidade de identificar -num relance- a diferença entre o termo técnico e o termo de um padrão de fala mais refinado.

o fato de ter um objetivo em mente e estar-me esforçando para alcançá-lo não me impediu de cometer erros. o primeiro foi o "self-registered", ao invés de ir direto ao "slit". apenas após três ou quatro tentativas é que cheguei ao termo desconhecido. ainda mais, aninhei outro objetivo inesperadamente: salvei a cortina de molhar-se  os peixes de serem sufocados por ela, sei lá. mas fui voltando, voltando e retornei à leitura. muito boa, por sinal. outro dia falarei mais sobre método e usarei uma passagem ultra interessante deste mesmo livro. ao lê-lo fico entendendo que conhecer a história da ciência é praticamente tão importante quanto conhecer a teoria.
DdAB
fonte da imagem: aqui.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Positivo x Normativo

querido blog:
o corte positivo x normativo é mais velho do que a ciência econômica, pelo que li num papelzinho um dia destes. e também lera, há mais tempo, no livro de microeconomia de Samuel Bowles que os evolucionários são mais inclinados a fazerem análises positivas, ao passo que os desenvolvimentistas pensam mais em engenharia social.

por quê? creio que os evolucionários acham que não vale a pena interferir, pois não se pude mudar nada substancialmente. um tanto austríacos, na verdade. mas acho que a política econômica, como a de Pol-Pot (?) no Cambodja, pode fazer a diferença, remetendo gente diretamente para o inferno. por outro lado, este negócio de engenharia social também cheira a autoritarismo.

parece que foi um grande pensador que falou, mas li em Fernando Gabeira (ndo tempo da tanguinha de tricô) que o problema com a revolução é que, depois de criado o exército, ninguém mais é capaz de desarmá-lo. e também ouvi, de gente mais qualificada, que o problema com os comitês de defesa da revolução é que eles defendem a revolução e outros interesses menos altruísticos.
DdAB
imagem do site a que se chega, além de incontáveis outros caminhos, clicando aqui.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Significado de Dialética

querido diário:
no outro dia, vi postado no blog Bípede Pensante (ver link à direita) uma -digamos- diatribe contra o "método dialético". eu vi o desmonte deste método de ciência e retórica feito pelos marxistas analíticos há 20 anos. os analíticos argumentam que a contribuição substantiva de Marx não foi o método, mas precisamente os achados resultantes de sua pesquisa. no soy tanto, como teria cantado Chico Buarque a paratir da canção cubana, ou seja, não consigo entender adequadamente estes aspectos. entendo que o marxismo tem contribuições importantes, e a mais marcante é a "lei da centralização do capital". agora, se isto é dialética, conjetura, falsificacionismo, então sou incapaz de decidir...

ao mesmo tempo, tempos depois, o tempo consagrou-me como proprietário do livro "Dialética para Principiantes", de Carlos-Roberto Cirne Lima, mais citado aqui até mesmo que o Bípede Pensante. pois, depois bemdepois de ter lido o "Bípede", caiu-me nas mãos mais uma vez, incontáveis vezes o próprio Cirne-Lima. e ele fala coisas maravilhosas.

mas vou destacar apenas uma, aplicada ao direito. o assunto começa com as "partes", ou seja, os contendores de uma disputa sobre direitos. então o juiz deve "ouvir as partes". cada parte exibe um interesse, cada parte terá seus argunentos para justificar ter recorrido à justiça. será assim a dialética o ataque e a defesa de qualquer tese defendida por uma parte correspondentemente defendida e atacada pela outra parte. naturalmente, não sou capaz de dizer o que é um método para se chegar à verdade, epa, à justiça e o que é retórica. mas Cirne-Lima sabe...
DdAB
imagem: olímpica. é o próprio Monte Olimpo, foto retirada, como observamos, da Wikipedia ponto pt.
p.s.: esta postagem é a de número 268 de 2011, alcançando este récord batido em 2010. se eu postar amanhã, e depois, e depois, terei novo récord com relação a todos os blogs. este, com seus três anos e os demais que somam mais quatro, total = sete, como o número de orifícios que o homem tem na cabeça.

p.s.s.: às 22h22min de 3/dez/2011, complementei: falei na lei da concentração. mas, para mim, a mais interessante "lei" descoberta por Marx é a versão econômica da filosofia hedonista: o capitalismo volta-se a transformar trabalho vivo em trabalho morto. e esta é sua maior contradição, pois -ao fazê-lo- eleva a produtividade do trabalho. e aí se manifesta a lei do valor: quanto maior a produtividade, menor é o valor. isto significa que economizar trabalho vivo reduz a lucratividade das empresas. mas quem não economiza, perde a corrida da produtividade e não consegue cobrir os custos quando os preços caem.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ciência e Arte: Serge Latouche et al.

querido diário:
no início dos anos 2000, apresentei um paper sobre a evolução do pensamento clássico e cepalino sobre a relação entre produção, distribuição e consumo na Associação Italiana de História Econômica (o otra cosa come questa...). o debatedor que me honrou com comentários inteligentíssimos foi o economista francês, prof. Claude Latouche. já na época, havia em seu redor um ar ecológico, conservacionista. a cidade do evento era Lecce. ele criticou inteligentemente e eu me defendi como pude. hoje, depois de outros detalhes pessoais e "escritos", vou falar sobre um texto dele -Latouche- saído na p.6 do suplemento "Nosso Mundo", de Zero Hora de hoje. ele poderá defender-se, se o desejar...

escritos: uma pessoa que, em inglês, chama-se Elisabeth Oak pode ser traduzida? traduzem-se pessoas com a nova ortografia? Beth Carvalho? pois juro que li esta declaração, já na Contracapa do 2o. Caderno do já carimbado jornal: "Isso tudo tem a ver com a CIA, que quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura." pensei: "Isso tudo?, tudo o quê?". mas segue-se que a CIA quer acabar com o samba. esta eu não sabia! e acho que todos devem ter preservado o direito de dizerem o que bem quiserem, até os políticos. a restrição que seria feita aos direitos destes seria a de não roubar. acho difícil. mais fácil é a CIA prender o Zorro, sei lá.

bem, antes de alongar-me com o mr. Latouche, vejamos a p.21 do caderno main stream: "[...] é importante que os custos da rastreabilidade [do rebanho bovino] não recaiam exclusivamente sobre os produtores. O investimento [para viabilizar a rastreabilidade] não é pequeno e tem de ser dividido por toda a cadeia produtiva." pensei: e o mecanismo de preços não faz isto automaticamente? ou haverá, na visão do articulista do "Olhar do Campo", o sr. Irineu Guarnier Filho), uma ineficiência generalizada do sistema de preços no Brasil, por causa da distribuição da renda escandalosamente desigualitária? se for, eu diria que é um economista essencialmente economista, como poucos, que não pensam no conflito distributivo como a questão central da economia política. o que quero dizer? que o sistema de preços é melhor do que palpites individuais. e que o sistema de preços também tem suas distorções (bens públicos e agora afirmo que a distribuição também, como sabemos) que devem ser sanadas antes de deixá-lo agir a mil. nunca esquecerei que o senador Aécio Neves recusou-se a fazer um teste de mensuração de seu nível de álcool no sangue, pagando multa de -parece- R$ 1000, dois salários mínimos, o que sustentaria, na riqueza, a maioria das famílias brasleiras! como é que poderíamos dizer que "uma multa é um preço", se é um preço ridículo para a honra do senador?

ok. o mr. Latouche. rima com o que falei ontem sobre o planeta água. ele é o que alguns chamam de neo-malthusiano, achando que precisamos consumir menos ou tudo vai-se acabar. ele tem 71 anos. por que um velho se preocupa com o futuro? eu, de minha parte, acho que é que estamos interessados em ver aonde nos mandam nossos modelos. acho que a sociedade igualitária é a panaceia, mas como não a vejo possível em meu horizonte de vida, já vou jogando a responsabilidade para a outra geração. aí ele falou da pegada ecológica e a definiu com uma informação: "Ela é calculada em mais ou menos dois hectares de espaço bioprodutivo por habitante. [...] O Brasil está com 2,5 hectares por habitante." e isto é um problema, 25% acima do "desejado". em minha maldade, pensei que, se reduzíssemos a população em 25%, então chegaríamos no índice que ele deseja. ou seja, ingressei (e já saí) rapidamente (saí mais rapidamente ainda) no clube que acha que gente é problema, que tem que reduzir o número de pessoas, porque elas dão muito trabalho (requerem postos de trabalho), elas destróem o meio ambiente, elas fazem e acontecem.

para concluir seu artigo e esta postagem: "Eles [a negadinha do Forum Social Mundial de 2002, a que ele compareceu] lutavam por uma outra mundialização, enquanto nós pregávamos a desmundialização." e eu pensei: não é que não é? não estou dizendo?

DdAB
a imagem desta oliveria veio daqui. o que mais me impressionou em Lecce foi a oliveira da praça central, com -disseram- 450 anos de idade.

domingo, 27 de novembro de 2011

Água em Israel

querido blog:
se hoje é mesmo 27/nov, então é domingo. e se é domingo, nada melhor do que falar de cachaça e seu antônimo, a água. há muitos anos, aprendi que a América (Sul a Norte) é o continente dos alimentos, par excellence. e entendi que o Brasil, por estas próprias razões e ainda outras é o país da água. tanto é que já fizemos a canção "o planeta água será terra".

fizemos? pois acho que ninguém fez.

.a. no blog da dra. MdPB, postei algo falando nisto. o fato concreto é que o que achei como esta busca foi o Guilherme Arantes. era ela, era ele, era ela, não era.

.b. confusão.

começa a explicação:
.a. tem mesmo o que ouvimos ao clicar na imagem acima, que aprendi, sob o patrocínio da profa. Brena (aula em EAD) a ligar com o YouTube. ela escreveu um manual para seus alunos de terceiro tipo (meu caso). por outro lado, se clicares na imagem abaixo, verás o que confundi lá na postagem da Da Paz com "o planeta água será terra". seria minha audição ou a dicção do 14Bis (conjunto que adorei, a própria canção, o são, pois as palavras não, ou melhor, as palavras também, ainda que com erro de não mais de 1%, bicaudal). com imagens do YouTube, entram propagandas pagas sei lá de quem e eu é que não ganhei nadicas. dois pontos:


pois bem, agora bem. então chego ao título da postagem. retomo o economês. o otimismo. eu digo que os dois maiores mananciais de capital brasileiro são os de água e os de gente. e ambos precisam de cuidados para frutificar. a frutificação de gente aparece por meio de poemas e outras manifestações da vida humana, como o jogo de pelota e a culinária italiana, o cantiga de roda e a manifestação pública (a mob americana...). resumo: o Brasil podia tentar gastar mais em formação de capital humano e social e menos em capital físico, não acha? deixaríamos o capital físico para o setor privado e o governo seria apenas provedor de bens públicos e meritórios, como tenho discursado há anos por acá.

pois bem número dos: há anos ouvi  dizer que um navio de luxo, Eugênio de Tal, por nome, utiliza toda a água que sua enriquecida população consome retirando-a (a população foi retirada de seus habitats em terra firme, lógico) do mar. e, antes de devolvê-la -pútrida e fétida- recicla-a, reutiliza-a de -pelo que entendi- joga ao mar apenas peixinhos, sabe-se lá.

e já sabia há mais tempo que o estado de Israel (não confundir com a pracinha do mesmo nome que é onde inicia minha rua de moradia de coração) domestica seus desertos, transforma pedra (pedra ou areia?) em água. pois hoje, no caderno Dinheiro de Zero Hora, p.6-7, fala-se em "A Corrida do Século XXI" e que a China e Israel unem-se "pela água", e que Israel pode dar ou vender tecnologia de manipulação de mananciais de águas ou esgotos ou areias ou pedras, em benefício da coletividade. claro que vibrei. e claro que jurei que haverá problemas para a integração econômica internacional do futuro modelo societário brasileiro quando as vantagens comparativas do Brasil (baseadas na água, lógico) ruirem, por exemplo, por causa da exploração da agricultura no antigo deserto do Sahara. e claro que será muito melhor para a humanidade que o Sahara seja agricultável do que não o seja, não seja, digo, não é?

o que há de errado, pensando otimisticamente, é este modelo de existência de estados nacionais. o que precisa acabar é pensarmos que, se a água é de todos, se os mares são de todos (exceto, infelizmente, da Bolívia), não há razão para que o ar tampouco o seja e que tampouco outros condicionantes da vida.
DdAB

sábado, 26 de novembro de 2011

Vocabulário: enriquecendo o meu

querido blog:
o que não está no vocabulário da gente não está no mundo? às vezes está. por exemplo, tenho um sentimento de afeição a certos sabiás muito peculiar que ainda não recebeu dicionarização (pois ainda não foi nem  gravado, exceto em ligações telefônicas). em outras palavras, este sentimento (bondoso, by the way) é inócuo sob o ponto de vista de enriquecimento lexical do brasileiro (vou tentar não falar em "português"). mas haverá outras palavras, até mesmo termos técnicos, que me fogem ao completo controle.

no caso, trata-se menos de "substantivos", mas de "conceitos". o primeiro, que juro ainda tratar num futuro remoto, é o de paridade do poder de compra e o cálculo do PIB. no outro dia, voltando a olhar as estatísticas de Geary & Khamis (?), percebi que, em 2008, o PIB chinês, mensurado em dólares americanos, era praticamente igual ao dos USA. ou seja, mais dois ou três aninhos e a China seria a primeira economia do mundo, sob o ponto de vista da geração de valor adicionado por unidade de tempo. eu previra há anos que isto, il sorpasso (?), ocorreria em 2012, o ano que não terminou, nem iniciou e outros anunciam que terminará é o mundo...

resumo: nada falarei sobre o que falei. mas falarei sobre tradeables e non-tradeables. também quereria falar sobre stakanovismo. a grafia não batia, mas achei o seguinte na wikipedia italiana: http://it.wikipedia.org/wiki/Stacanovismo. quer olhar? copie e cole.

anti-resumo: e os tradeables? ocorre que tenho calculado que o coeficiente de abertura (exportação/pib) da economia brasileira, em 2008, foi de (chuto agora) 16%. acabo de entender, por dialogação com o prof. Joal de Azambuja Rosa que esta cifra é enganadora, pois devemos considerar no denominador, para certos efeitos analíticos, não o pib propriamente dito, mas apenas a fração de tradeables. no caso, se o pib é 100, as exportações são 16 e se os tradeables são 50 (agropecuária, indústria, alguns transportes, exportação de energia, sei lá), então o coeficiente de abertura A é 32%. e daí?

bem, daí que sempre fui invocado -na condição de neo-heterodoxo- com a fragilidade da economia brasileira ao setor externo, pois o coeficiente foi, digamos, 12% uma boa parte dos últimos 50 anos. e agora entendo um pouco mais: claro que abertura de 1/3 é um monte. claro que qualquer coisa que represente um terço de outra requer cuidados analíticos apenas passíveis de serem administrados por economistas de bom gosto.
DdAB
o gato é daqui. fiquei imaginando o que aconteceria se contratássemos gatos caseiros para fiscalizarem a execução da lei do orçamento. e se aquela estrelinha azul lá dele é a da Chrysler (que, em brasileiro, se pronuncia 'craisler') ou de algum outro destruidor de vidas e poluidor do meio-ambiente.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Victor Ramil Lá em Casa

querido blog:
pode-se ouvir o original aqui. entendi o seguinte:

Esteira, esteira
fica sempre asssim
parada, parada
bem longe de mim.

DdAB
e a imagem é daqui.
p.s.: ontem previ que haveria uma liminar mantendo privilégios. parece que errei. nada vi no jornal, a não ser que a oposição denuncia o governo que está aumentando em R$ 50 milhões sua folha de pagamentos ao oferecer novos incentivos aos funcionários da secretaria da fazenda estadual.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Previsão para Amanhã

querido blog:
as previsões econômicas são efêmeras: em geral não duram tanto quanto o autor desejaria. em geral, quando prevemos algo, distanciamo-nos do futuro no momento do "palpite". pois hoje testo meus conhecimentos teóricos de escolha pública e "governo".

o jornal de hoje divulga que 101 funcionários da Assembléia Legislativa do estado do Rio Grande do Sul terão salários cortados, pois receberam, em oito anos, cerca de R$ 32 milhões em vantagens irregulares. quase sic. quem mandou foi o tribunal de contas.

minha previsão: amanhã o tribunal de justiça dará uma liminar aos "ofendidos", garantindo-lhes a irredutibilidade dos vencimentos. quer apostar?
DdAB
imagem: azul de brigadeiro para essa macadada? ou partir para a bicada contra as aves de rapina?
p.s.: sempre disse que a solução para este tipo de desmando é o imposto de renda, com uma tabela de progressividade decente, ou seja, começando, digamos, em R$ 5 mil mensais e chegando (e ainda subindo) a 90% para quem ganha mais de, digamos, R$ 20 mil, subindo, subindo, de sorte que os juízes pagariam uma fortuna em imposto de renda e a ave da foto não precisaria voar baixo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Brasileirinhos e a Esfinge

querido blog:
quer imagem mais linda? é a Baby Consuelo cantando "Brasileirinho" num espetáculo que capturei do YouTube. quer mais segredo do que os velados por aqueles olhos? negros, como a asa da graúna, era isto? quer mundo mais decente que aquele idealizado por ela? quer reviravolta na música como a dos Novos Baianos? quer reviravolta na reviravolta como a revolução egípcia? tente cantar "Egipciozinho".
DdAB
P.S.: aos 1/12/2012, temos novamente o YouTube aqui.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Egito: mais do mesmo

querido diário:
vejo estupefato que tudo mostra que as eleições do Egito são apenas manobras para desmobilizar o povo que volta a se insurgir. entendo bem, a exemplo do que aconteceu na Argentina com a Guerra das Malvinas, que há insatisfeitos (com a guerra de cá) e insatisfeitos (com a mesmíssima guerra, tudo ao mesmo tempo). claro que no Egito os protestantes não são todos. mas também é claro que uma junta militar que comandou o exércioto e a polícia do governo deposto manter-se no poder é o mesmo que deitar as raposas (políticos brasileiros) à porta do galinheiro (tesouro da república) para cuidar das galinhas (impostos, receita da petrobrás e outras fontes de enriquecimento ilícito).

mas nem só de oriente médio vive o oriente. dizque o Brasil voltou a se abster no voto de censura que a ONU fez ao governo do Irã - nada tendo a ver com produção de bombas de hidrogênio ou o que lá seja. e sim com desrespeito aos direitos humanos: corta mão, apedreja, tortura, faz julgamento sumário. uma baixaria.

DdAB
imagem: tentando elevar o astral, procurei "sublime" e o que de melhor achei foi esta dica para fazer tricô.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Alvíssaras: as professorinhas e a Dilma

querido blog:
as professorinhas entraram em greve no Rio Grande do Sul. pelo que ouvi dizer, são umas quatro ou cinco, um pouco mais, um movimento que se arrasta como a famosa procissão do ministro Gilberto Gil. esta greve de fim-de-ano é precisamente para prejudicar os alunos que gostariam de ter suas notas, seus conceitos de aprovação, para desfrutarem de férias com seus familiares, como fizeram seus ancestrais por incontáveis gerações. as professorinhas, ou melhor, as lideranças sindicais das professorinhas, deram-se conta de que podem levar as famílias à fúria se não derem as notas, se impedirem seus filhos diletos de se inscreverem para os exames vestibulares, para mudarem de estado ou país, ou cidade, ou escola, bairro, sei lá.

as famílias furiosas, bem devo admitir que ficam, agem de duas maneiras:
.a. não fazem nada
.b. tomam seus rebentos amados e diletos e os encaçapam em escolas alheias à rede pública.

30 anos desta prática no Rio Grande do Sul acabaram de vez com a educação. poderia ter dito: 30 anos de governos escabelados é que fizeram isto. é a mesma coisa. a educação é a causa do mau governo e o governo é a causa da causa de sua estrutural faceirice, o patrimonialismo e toda a sorte de pouca vergonha que faria corar o sr. Bocaccio lá em seu livro decameronesco.

as professorinhas não se deram conta de que escolheram uma forma de luta (luta?) que contribuiu para destruir inapelavelmente a educação e, com ela, a chance de termos políticas decentes. persistir no erro é burrice, e esta negadinha simplesmente faz isto há 30 anos. 30 anos, quando a primeira professorinha da primeira greve já poderia estar aposentada.

ok, ok. por falar em negadinha e aposentadoria, desejo também comentar o que diz o jornal que diz a Dilma. parece que ela não se deu conta de que o problema das finanças públicas federais não é propriamente a longevidade da população mas alguma outra coisa. nesta linha de raciocínio, decidiu-se encaminhar ao congresso nacional, esse invejável local de veraneio, um projeto que equipara as aposentadorias dos funcionários públicos com as do setor privado. claro que isto não é uma medida de benesse, em homenagem aos estrondosos ganhos de produtividade que ocorreram na economia brasileira, digamos, nos últimos 30 anos.

o que se quer é reduzir os proventos da aposentadoria dos funcionários públicos, para que estes alcancem os pagos pelo INSS. pode? claro que o argumento é que tem gente que ganha R$ 30 mil mensais (não era 30 mil por 30 anos, mas batidinhos, mês após mês). e claro que não é legítimo que essa macacada passe o resto da vida ganhando nababescamente e ainda por cima adote o filho ou o neto, para que este siga campeando esta milenar quantida monetária.

meus dois recados:

.a. às professorinhas: garra de trabalhar e usa a cabeça para bolar uma forma de valorizar a educação, tua profissão e larga de fazer um troço que 30 anos mostraram que só serve para dar cobertura a governos estupidificantes.

.b. à presidenta Dilma: garra de abrir mão de diagnósticos estúpidos sobre as finanças públicas. e se for realmente calamitoso pagar pensões de 60 salários mínimos a políticos e correlatos, a solução não é equiparar com o setor privado per se, mas criar um imposto de renda decente neste país. Gini altíssimo com imposto de renda de 27,5%? só no Maranhão, de onde veio a ideia, e no resto deste combalido povo, pois não tem escola.
DdAB
imagem: daqui. simplesmente caí no site do PPS, este partido que faz o justificado orgulho de seus integrantes e seus cargos em comissão. não sei de que prconceito eles falam. eu falei de dois:
.a. nem toda greve é algo que conduz ao socialismo. nem toda professorinha quer destruir a escola.
.b. devemos cuidar das gerações mais novas e das mais velhas. devemos dar-lhes tratamento decente. aula para uns e proventos para a vida digna dos outros.