domingo, 31 de outubro de 2010

Chapa Serra-Dilma: semi-final

senhor blog:
o momento é solene! é hoje as eleição. nem todo gauchês é bem-vindo, mas às vezes as circunstância exigem o singular. esta é uma eleição singular. no outro dia, critiquei o nepotismo presidencial argentino, uns dizem que Cristina Kirzner é figura política independente do agora finado Nestor, mas poucos acreditam. agora mesmo, já ungiram o filho para assessorá-la, dada a lacuna familiar que alcançou proporções políticas internacionais.

do lado de cá, não vemos nepotismo. hoje, a esta hora da manhã, quando os trabalhos eleitorais no Brasil mal começaram, os meios de comunicação/internet levam-me a pensar que, da chapa Serra-Dilma, a chapa branca, como sabemos, será ungida a mineirinha aquerenciada a Porto Alegre e que vale-se pouquíssimo de expressões de gauchês. não vemos nepotismo? Dilma não é filha de Sereno Chaise, por seu turno, irmão ou filho de Leonel Brizola? não é este o PDT de esquerda, o PDT que aliou-se nacionalmente ao PT nestas eleições? não, não totalmente, apenas mais ou menos. neste caso, Dilma não é filha de Lula? parece um nepotismo transversal. o fato é que aqueles que conhecem Dilma mais de perto saberão que ela é geração espontânea, ou seja, filha de si mesma.

questão diferente é sabermos se ela manterá sua aliança e lealdade a Lula. em minha opinião, a eleição, às 8h38min desta manhã, não está ganha por nenhum dos candidatos neste jogo de soma zero. em favor de Dilma, há os resultados que me acostumei a ver: recuperação dos votos que se deslocaram para Marina da Silva. contra ela, há alguns vira-casaca, outros associados a erros amostrais calculados e a outros erros amostrais não calculados, pessoas que não foram entrevistadas e que mudariam as proporções alcançadas pelas amostras, o feriadão que pode gerar abstenções mais generalizadas, a desobediência civil (em que me encontro, neste segundo turno, involuntariamente, logo não é bem desobediência...).

não juro, mas acho que a partir desta eleição, vou abandonar a postura de desobediente civil. nos primeiros anos de PT não votei nele, pois pensava no "voto útil". antes do voto útil, andei anulando o voto. nas primeiras eleições a que compareci, em 1966, votei no PCB, ou melhor, num candidato do MDB que, na verdade, era PCB. parece-me que elegeu-se e foi cassado pelos militares. ou nem se elegeu, mas que houve cassações -lá isto houve. o conceito de sociedade justa de John Rawls nem tinha sido publicado... em outras palavras, daqui a sete anos, entrarei na faixa do voto voluntário. mas acredito que já na eleição para prefeito, daqui a dois anos, ano bissexto, eu vote no melhor entre os candidatos. o melhor? claro que estou dizendo que é o menos pior. todo político é ladrão, não esqueçamos. ninguém pode ganhar mais de um salário mínimo por mês ao ocupar um cargo público e ainda declarar-se honesto.

claro que este é um ponto de vista radical, não é mesmo? mas precisavas ver o que é radicalismo, se ouvisses a peroração contra José Serra de um hortifruticultor na quinta-feira passada aqui na feira que habitualmente a prefeitura deixa montar na Praça Estado de Israel.
DdAB
p.s.: para ilustrar esta postagem em homenagem ao furibundo vendedor da feirinha da Praça Estado de Israel, fui ao Google Images e colhi a foto da praça de mesmo nome de Belo Horizonte. nossa pracinha, local em que convivem assincronicamente suarentos petizes e gélidos traficantes de drogas, não tem lá essa areia toda. veja aqui a fonte desta foto.

sábado, 30 de outubro de 2010

Chapa Serra-Dilma: primeiro finale

querido blog:
confesso que, mesmo após ter-te prometido que iria olhar o debate, não o fiz em sua integralidade. não aguentei. achei tudo um tanto artificial. não sou cronista político, o que me isentou de sentimentos de fuga do dever. fui fazer outras atividades igualmente revolucionárias, como promover minha própria higiene oral, investir-me de um pijama e tentar conciliar o sono. tive sucesso: fugi à TV, produzi um bem misto, nomeadamente, usei mercadorias como insumos (creme dental, energia elétrica) e produzi uma utilidade, sem nenhuma intenção de que ela também viesse a tornar-se útil para terceiros.

ainda assim, vivendo em sociedade, estou certo de que a rapaziada que porta mau hálito presta um desserviço maior do que aquele a que nos acostumamos ver como característica dos políticos brasileiros contemporâneos. eu não votarei neste segundo turno de eleições presidenciais no Brasil. pudesse fazê-lo, não hesitaria em sufragar o nome de Dilma, seguindo a estrita ordem alfabética dos nomes dos candidatos, critério que me pareceu isento de ideologias, escondendo minha própria: o homem que criou a bolsa família (o mais próximo arremedo da renda básica universal a que chegou o Brasil) merece cumprir seu terceiro mandato. e -se bem entendo- trata-se do quinto mandato de FHC, um homem cuja virada patrimonial deu-se mesmo quando ingressou na política partidária, no velho PMDB.
DdAB
p.s.: política no Brasil? só bebendo!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dilma, o Papa e a Justiça do Trabalho

senhoras e senhores:
segue a política. estou curioso para ver o debate desta noite entre os candidatos da chapa branca, nomeadamente, Serra-Dilma. quem quer que seja que ganhe o debate deixará a sensação de que perdemos nosso tempo ao vê-lo, ao vê-los. quem quer que seja que venha a ser eleito, deixará a sensação de que deixará muito por fazer ao final de seu mandato. tanto por incompetência quanto por desacertos e ainda por sabotagem do colega de chapa branca. a tentativa mineira (Aécio e Pimentel) de arrancar uma frente de centro-esquerda para dar um rumo de decência à social-democracia brasileira -como lembrou-me recentemente o noticiário mais à esquerda da imprensa e internet- pode ajudar a reverter o caminho das chicanas e maldades.

minha proposta é fácil de dizer:
.a. oficialização do MAL*: esquecer o passado e começar tudo a partir de 1st/jan/2011, claro que mantendo os cinco anos de cuidados com o patrimônio e renda da rapaziada por meio do imposto de renda
.b. conseguir que a Polícia Federal, as Polícias Estaduais e os arrecadadodes de tributos municipais, estaduais e federais façam dossiês de todos os contribuintes para ver quem está em dia, quem está enriquecendo ilicitamente, essas coisas. a democracia não é acabar com os dossiês, mas todos termos nossos patrimônios igualmente esquadrinhados por autoridades públicas decentes. (caso não haja "honesto", podemos mudar o enfoque das aproximações e não mais tentar com os "ernestos" do Brás, mas com os da Suíça. (um dia escrevo uma postagem explicando esta refinadíssima piada...).

qual é o lado alegre do excesso de baixarias? tenho dois exemplos. o da Igreja Católica Apostólica Romana e o do Poder Judiciário e sua Justiça do Trabalho.

pensemos, usando sempre que necessário o Aurelião:
.a. igreja: conjunto dos fiéis ligados pela mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais
.b. católico (com a acepção de "universal"): que abarca toda a Terra, que se estende a tudo ou por toda a parte; mundial; comum a todos os homens, ou a um grupo dado
.c. apostólico: procedente dos apóstolos (Igreja de Pedro, aquelas coisas)
.d. romano (ok, talvez não seja bem neste sentido, mas vá lá): diz-se do estilo derivado da arte grega e helenística, o qual se caracterizou pela introdução do arco na arquitetura, pelo desenvolvimento das construções militares e civis, e pelo realce dado à escultura (de marcante realismo), influenciando as primeiras manifestações artísticas da Idade Média.

pois o Papa é o chefe da Igreja de Roma. a Igreja de Roma passou praticameante os últimos 1.000 anos fazendo tropelias (tropelia: tumulto produzido por muitas pessoas em tropel; efeito de tropel, bulício; inquietação, astúcia, sagacidade, ardil, artimanha, travessura, traquinice, estripulia, prejuízo, dano, maus-tratos). para não falar na assim chamada Santa Inquisição, os tempos modernos viram os padres tirarem suas batinas e, pode não ser puro acaso, abundarem os casos de denúncias de prática de pedofilia. o celibato impede que a mulherada tome conta domesticamente do conflito entre Eros e Tanatos, entre Apolo e Dionísio, entre o bem e o mal, tudo diferente dos bonobos. o Papa quer que a chapa branca Serra-Dilma invista por um caminho completamente reacionário, contra o aborto, contra o casamento homossexual, contra o uso de condoms (a favor da propagação as DST, a favor da destribuição de empregos na indústria de condoms, essas coisas). o papa e seus antecessores, digamos, dos últimos 100 anos, ajudam a destruir esta fonte de poder chamada de Igreja Católica. o Brasil já é uma prova disto. o Papa? cá prá nós. os tempos melhoraram, o que me tira um pouco do medo ancestral de ir para a fogueira, mas não na condição de assador de malévolos churrascos bovinos, ovinos, suínos, caprinos, voadores, nadadores, e por aí vai...

e a justiça do trabalho? primeiro, lembra?, devia ser extinta e transformada em repartição do ministério do interior. e que mais? hoje condenou o McDonalds (esta sagrada empresa multinacional que fará nascer o primeiro sindicato internacional de trabalhadores) a pagar um mês de salário do juiz que prolatou a sentença (se bem entendo, R$ 30 mil) condenando a corporação franquista (?) a pagar um gerente que engordou 60kg em 10 anos de serviço de tanto provar os sanduíches para ver se eles estavam de acordo com o padrão requerido pelos malvados capitalistas à loja franqueada.

tão escandaloso é o viés desses caras em favor das ideias de canário, o afã de promover justiça distributiva que estranchinhou a própria estrutura de formação de preços no Brasil, virou imposto, virou bagunça, virou piada. justiça do trabalho? eu disse "justiça"? entre ser julgado por um macaco bonobo, ou por um juiz que ganha R$ 30 mil mensais, sou a favor da criação de programas de inteligência artificial especializados, como os há em treinamento, como os que vencem os torneios de xadrez de grandes mestres, como os que fazem diagnósticos médicos, como os que fazem análise do crédito bancário.

que que acontece com instituições que se mostram socialmente imbecis? fenecem! vote Dilma. e depois vamos para a rua, requerendo, na base do cacete, se for o caso, que ela faça um governo decente. que substitua o MAL* pelo uso generalizado dos dossiês. de preferência em convênio com a polícia da Noruega ou Suíça, sei lá, a fim de que este troço aqui não vire uma nova República Democrática da Alemanha, onde -ouvi dizer- até cachorro de líder operário tinha ficha na Stassi. acho que era mentira. mas também ouvi falar que um macaco bonobo do Zoológico de Berlim teria respondido a processo de natureza ideológica.
DdAB

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Com Dilma, sem Tarso

querido blog:
pois tem gente que trata a coisa pública como se fosse quintal de sua casa e, como tal, usa certos capachos como capachos. minha modesta percepção identificou há anos este tipo de comportamento em milhões, talvez bilhões de políticos ou apoliticados. talvez por causa deste tipo de desilusão é que criei o MAL* (Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela), com a intenção de clamarmos por moralidade em, pelo menos, 100 anos. convenci-me que -ceteris paribus- tudo ficará igualzinho, ou seja, não será apenas o que desejaríamos manter constante é que assim se manterá. seguiremos tendo "A Voz do Brasil", interferência do estado na vida feminina (intestina, uterina, intrauterina, nada saudável), serviço militar obrigatório, voto obrigatório, impostos concentracionistas, dilema de prisioneiros entre os estados, e por aí vai. além, claro, de salários nababescos (marajoaras?) para governantes de todos os níveis (contei uns oito...).

segue-se logicamente do que acabo de digitar que minha reflexão sobre filosofia política em particular e a política brasileira, em geral, como as flexões abdominais e outras isometrias, deixa-me extenuado. ontem morreu Nestor Kirschner, primeiro-ministro, ou o que seja, de sua esposa, a sra. Isabella Perón, ou o que seja, na Argentina. de nossa parte, o radicalismo da atual campanha política para o cargo de presidente não nos leva a pensar no pior. a chapa-branca Serra-Dilma quer as mesmas coisas, com a diferença de quais serão os capachos usados para gerir a coisa pública. creio que na Argentina, na China e outros países que rimam, o espectro da guerra civil não está descartado. ela -a guerra- é o maior dos males, a ser evitado, como sutilmente sugeriu Platão (ver postagem).

Dilma fala em reformas profundas: o que leio leva-me a crer que, em seu governo, teremos modestíssimos avanços na modernização do país. acredito piamente que ela acabará com a miséria e jogará a turma para cima da linha de pobreza. todavia não creio que seu governo seja capaz de implementar a renda básica unversal nem, menos ainda, et pour cause, a Brigada Ambiental Mundial. mas vai manter "A Hora do Brasil", vai manter a legislação atual sobre o aborto, sobre as drogas, essas coisas que fariam a diferença realmente. desde que, claro, acopladas a enormes pacotes de incentivo à educação de adultos, tudo dentro da BAM. na verdade ela prometeu, além de todos os mundos e os fundos compatíveis, criar um banco do empreendedor. eu achei bom: cursos para adultos fazerem seu plano de negócio (ler, usar planilha eletrônica, aprender a dar tope em gravata, usar a internet). mas confesso que duvido que isto venha a rolar.

e seu ministério? a coalizão de partidos que a levou ao poder não tem um manifesto eleitoral sério. claro que nada foi falado sobre o assunto. o oportunismo eleitoral é tanto que o tema é gerador de enormes auto-enganos: vamos falar sobre isto depois dos resultados das eleições, pois os cargos serão distribuídos conforme o número de deputados que dará sustentação ao programa de governo que, na verdade, não existe. nem o orçamento existe, pois quem definirá tudo serão -oportunamente- as transações destinadas a amealhar votos para os programas governamentais de interesse -sei lá- político do governo.

instaura-se luta pelos cargos como a mais encarniçada luta pelo controle do paiol, na pior das guerras civis, se exagero.e o mesmo ocorre com o noticiário que me chega da montagem do governo de Tarso Genro, substituto do fracasso iediano em reeleger-se. eu cheguei a desejar a derrota de Tarso. depois, retirei-me do processo e apenas me divertia com a derrota anunciada da dupla Focaça-Yeda, dois incapazes politicameante, ainda que nem todos os capazes sejamos passíveis de eleição para deputado, senador, prefeito, governador. luta-se por cargos. no plano federal, esta luta não é explícita, todos os meios levam à busca da vitória no dia 31/out. depois, o butim estará na janela... os partidos aliados não discutem pontos programáticos (estes, aliás, não os houve, pois -aprendi com o prof. Cláudio Accurso- quem considera tudo como prioritário não estla -na verdade- priorizando nada. disputam-se cargos, secretarias estaduais, chefias de departamentos e repartições, cargos em comissão, verbas de publicidade, essas coisas que recheiam de encanto o mundo real para aqueles que estão on the run.

mantenho minhas legendas: Dilma na urna, povo na rua! abrace a política: sufoque um político.
DdAB
p.s.: ainda nem sei o que dizer sobre este blog. é ou não é mesmo o iogurte Sans Souci, de Eldorado do Sul? pois bem, dei uma olhadinha e acho-o espantosamente reacionário. um exemplo é o trecho que segue:
"Quem não é mensaleiro; quem não compra nem vende voto; quem não se aproveita da coisa pública; quem não é companheiro bom e batuta, nada tem a temer da imprensa que já tem o Código Penal brasileiro para julgar seus desacaminhos por tudo que for injúria, calúnia e difamação."  ou seja, ele pensa que há alguém neste país, envolvido em política, que escapa de sua listinha de abomináveis. quererá ele capachos de outras casas?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições e Impostos

senhor blog:
tenho acompanhado as crônicas políticas do prof. Benedito Tadeu César em Zero Hora. hoje na p.5, ele fala em "Reformas estruturais", onde lê-se:


[...]
O número de servidores públicos do governo central no Brasil é inferior às necessidades e fica aquém do padrão internacional. No Brasil, o número de servidores é de 5,32 por mil habitantes, nos EUA 9,82, no Canadá 10,97 e na Coreia 11,75.
[...]
A carga tributária brasileira é mal direconada, além de excessivamente alta. Quanto menor o rendimento do cidadão, mais imposto ele paga.

claro que fiquei pensando em mil coisas. a primeira é minha adição à ideia da renda básica universal e serviço municipal (às vezes designado como Brigada Ambiental Mundial). penso que, na sociedade ideal, todos terão direito à renda básica e a um suplemento para trabalhar no serviço municipal. ou seja, penso que o colchão do desemprego estará alojado no próprio setor público, pagando-se com a prestação de serviços comunitários.


agora, há uma obviedade: a estrutura tributária brasileira, por carregar nos impostos indiretos, onera os mais pobres. tinha que mudar. a chapa Serra-Dilma, assim que eleita, deveria angariar os perdedores, a fim de dedicarem tempo a fazer a verdadeira reforma tributária do país. os governantes deveriam, para tanto, definir qual o nível de gasto que desejam. este nem sequer precisa ficar adstrito aos 100%, do PIB, como vivo afiançando, a partir dos dados do coeficiente de abertura da Malásia. (meu caso é contábil e não mais que isto). hoje a carga tributária, calculada pelo IBGE e o IPEA, seguindo a metodologia da ONU, é de 35%. e muitos enlutam-se por constatar que este ano seu rateio já permite calcularmos que foram gastos R$ 1 trilhão do PIB em impostos.

claro que este número apenas faz sentido, se pensarmos no que se deseja gastar. para mim, um trilhão foi pouco, dado nível de carências que vejo a meu redor nesta maviosa cidade. assaltos, meninos de rua, ambos. por outro lado, a p.26 do mesmo combativo (do lado errado) jornal fala que

As operações de crédito do sistema financeiro tiveram em setembro expansão de 1,8%, na comparação com agosto, informou o Banco Central. Com isto, o total de empréstimos concedidos pelos bancos somou R$ 1,6111 trilhão ao fim do mês passado.


obviamente estas duas estatísticas devem ser consideradas simultaneamente, quando desejamos fazer algum julgamento sério sobre algum tema sério. os tributos são vazamentos ao fluxo circular da renda, ao passo que o crédito representa uma injeção de meios de pagamento no sistema, elevando o montante das transações interinstitucionais e, como tal, como as aposentadorias e outras transferências, exercendo papel positivo sobre a expansão da renda, desde que não se esqueça que M * V = P * Q. quer dizer, tira e bota e tira e bota etc.. o setor público não é grande nem pequeno. depende do que se quer com ele. e, claro, um setor público muito pequeno, nos países pobres e de renda média, é corrupção certa. e grande também, mas o segredo é conseguirmos a varinha de condão do gasto decente. só com o orçamento universal.


e ainda por cima, peguei esta imagem deste site.
DdAB

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eleições!

caro amigo blog:
primeiro pensei em seguir abstendo-me do processo eleitoral, ainda que estivesse acompanhando alguns de seus desdobramentos. depois pensei em votar em Dilma, coisa de desesperado que também foi enganado pelas pesquisas que lhe davam vitória insofismável no primeiro turno. como podemos deduzir, a turma é mesmo do clube dos sofismas... terceiro, não pude, a justiça eleitoral não me dá direito a votar apenas no segundo turno, eu que tive o título eleitoral rebaixado a sei lá que gaveta da repartição pública encarregada deste troço. por fim, pensei que o enfado que me abate há anos relativamente a esta via de mudança na sociedade está coberto de razão. o espaço para entusiasmo deve receber o mesmo grau em minha função utilidade do que, por exemplo, a Copa do Mundo, um programa sobre jacarés em pé ou o Programa do Faustão no domingão.

como é que os Irmãos Metralha vieram parar aqui? a chapa Serra-Dilma não ajuda, o que me fez buscá-los aqui! concluo olimpicamente: abrace a política: sufoque um político!
DdAB

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Responsabilizar é Punir?

amado diário:
no outro dia, meu querido amigo e mestre Eugênio Cánepa lembrou-me de um conceito que aprendi em 1969, a diferença entre responsabilidade e autoridade. naqueles tempos, também estudei algumas noções de direito, tudo inserido na grade curricular de meu curso de graduação em economia. na época nem era economia, mas um ciclo básico daquelas que hoje chamo de ciências empresariais, e nem todas. mas esqueci tudo. e não fosse Cánepa, talvez nem lembrasse hoje desta importante diferença. claro que, digamos, o prefeito dá autoridade para o chefe da polícia enquadrar os corruptores da infância e juventude (quero dizer, meninos de rua), ou mesmo enquadrá-los a eles themselves, se estiverem cabulando aulas.

mas a responsabilidade pela tragédia urbana é indelegável: a responsabilidade é do prefeito e apenas dele. foi ele que pleiteou o cargo, foi ele que obteve o cargo, foi ele que ganhou os estipêdios (nababescos, comparados com os ganhos dos pais dos meninos de rua de que falo) compatíveis com o cargo. ele, prefeito, é o responsável. a vida urbana foi-lhe colocada sob a responsabilidade. civis: civilização, cidadão, cidade, prefeito, não é isto? chez moi, a responsabilidade pelo pagamento das contas mensais é minha. se esqueço, posso pedir perdão, mas não posso dizer que deleguei a um moto-boy ou a quem mais quer que seja a responsabilidade. ter-lhe-ei dado a autoridade, os meios, e ponto.


se Zero Hora é edificante e tem lá suas virtudes, ela também, além das burrices naturais, tem outras, digamos agora, cultivadas. pois não é que hoje, na p.3 do caderno "Meu Filho" (que leio porque tenho prole e serodismo). pois li que existe uma campanha intitulada "Não bata, Eduque", de responsabilidade de uma sra. intitulada Márcia Oliveira. chamou-me a atenção o título da colunata: "Educação sem palmada ou castigo?". pensei: é por isto que o Brasil não vai para frente. dá uma olhada:

A coordenadora da campanha [...] garante que responsabilizar uma criança ou um adolescente por algo é diferente de puni-lo.
-Você pode fazê-lo reparar um dano ou corrigir um erro, obrigá-lo a pedir desculpas por malcriações, limpar uma sujeira que tenha feito. Issso não é punição, e sim reparação - diz.
Mas, quando o assunto é addolescência, o desafio é maior.
-Temos de dar limites. Em casa, toda liberdade deve ter responsabilidade. Caso aconteça algo, tem de existir um castigo. Mas não é preciso usar de violência física - acredita a empresária Denise Sant'Anna, 45 anos, mãe de um adolescente e de uam menina.
Para ela, o castigo somado a um bom diálogo sobre o porquê da sua necessidade é a forma mais eficaz de fazer com que os filhos compreendam náo só os limites, mas também a preocupação que os pais têm com eles. Em vez de castigos, Márcia Oliveira fala em limitações de privilégios, que, na prática, são medidas alternativas ao uso de castigos corporais e podem ensinar a criança a pensar nos prós e contras de obedecer ou não aceitar os acordos.
-Acredito que surtam mais efeito se não são impostas de formma arbitrária e sejam coerentes. Se as regras são claras e foram estabelecidas em conjunto, os resultados do uso de restrição de privilégios serão mais efetivos - afirma.

claro que esta simples colunata deixou-me pensativo sobre os rumos do Universo Amplo. o bem e o mal, o certo e o errado. a sociedade humana e suas peculiaridades, a concepção de que a liberdade é o mais supremo princípio a reger o associativismo humano. e, claro, falando em liberdade, associativismo, convivência, caímos na questão da delimitação dos direitos. na sociedade justa, ninguém avançará sobre minha liberdade, nem eu -by the way- na dos outros.

mas qualquer pessoa tem obrigações educativas para com as demais e estas magnificam-se no caso de pais e professores, além de chefes, militares e milhares de outros exemplos. pensemos em pais e professores, temas que mais se aproximam de meu cotidiano. em ambos os casos, outras gerações utilizarm corretivos físicos. epa, acabei de dizer "corretivos", ou seja, um instrumento de retroalimentação do processo, se este -processo- vier a repetir-se no futuro (se não o fizesse, não falaríamos em retroalimentação). claro que a admoestação (ou o mais brando termo que quisermos usar, conselho, talvez, apelo, sei lá) é um exemplo de feed-back negativo, se e quando funciona. ou seja, se me admoestam por inventar palavras (e levo a sério), deverei reduzir a taxa de palavras inventadas. se, ao contrário, recebo elogios por tal atitude, passarei a esmeraldar-me em sua criação (esta do "esmeraldar-me" é influência de Mia Couto).



houve tempo quem alunos e filhos (para não falar naquela história do "bater na mulher dos outros sem pedir permissão") eram submetidos a pancadas. e ainda hoje tal privilégio é bastante generalizado, como exceção, mas suspeito que seja mais prevalente (%) na classe pobre, por fazer-se acompanhar de baixo nível educacional, de formação cultural, essas coisas, informação sobre elementos elementares de obviedades. no outro dia, vi uma pessoa inspirada traduzir "bullying" por "provalecimento", com o erro de ortografia (ou era nova palavra que inventáramos?) indicando precisamente o fenômeno: neguinho provalecido batia em guria, em menores em peso, altura e idade. uma baixaria inominável. e até hoje bate. e é anti-social, e como tal deve ser punido. punido? adomoestado?

volta e meia insisto no ponto de que não devemos preocupar-nos excessivamente com questões de palavras. meu exemplo de hoje é uma macacada que insirgiu-se contra a prática de se chamar de abobado o indivíduo mentecapto. e acharam que iríamos reduzir o desprezo expresso na palavras ao substituirmos por "excepcional". pois bem, já se vão mais de 10 anos que chamar um neguinho de excepcional tem o mesmo significado: "passa a farinha aí, oh, excepcional!" o carinha passa a farinha com ar de enfado, fingindo que estava pensando em questões filosóficas nas 20 vezes em que -por abobado- não ouviu o pedido do churrasqueiro. para mim, estamos também discutindo a questão do "politicamente correto". minha sinonímia derivada do artigo: responsabilizar, punir, reparar, pedir desculpas, limpar sujeira, castigar, bem dialogar, limitar, adotar medidas alternativas, induzir a obediência, restringir privilégios, tudo é da mesma categoria gramatical: criar feed-backs negativos, induzir neguinho a mudar o comportamento. e mais ainda: a criança que não sente a proteção do adulto é mais ou menos o animal que não sente a proteção do adulto. algo assim.


finalmente: ainda temos a questão da educação baseada em evidência. como é que toda essa turma sabe tudo isto? eu trago algumas evidências empíricas da minha própria experiência, mas muito mais da literatura que andei compulsando, inclusive a leitura assistemática do caderno "Meu Filho", os livros de Spock e Delamare e milhares de outros, nem todos completamente old-fashioned.
DdAB
meu dicionário - cabular: um cábula é um agente que mata aula. aprendi esta palavra lendo a revista "Bolinha" em 1957 ou 1958, em Campo Grande do Matto Grosso. serodismo: substantivo que acabo de inventar e que quer dizer que sou avô extemporaneamente (o que serão mentiras).
ilustração: http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/jornais_e_revistas/index0.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mudar o Mundo: os casos dos gêmeos

 
caras/o amigas/o:
até algumas semanas atrás, eu dizia ainda não ter perdido as esperanças de:

.a. mudar o mundo
.b. ficar rico
.c. não necessariamente nesta ordem.

agora, acho que vou ater-me ao item .a., do jeito que melhor puder. mesmo porque, se eu mudar o mundo -bem mudadinho- venderei um livro, ensinando como fazê-lo e ficarei rico, do mesmo jeito.

então passemos ao segundo ponto, o principal de hoje, o do livro sobre como mudar o mundo. terei que iniciar o trabalho (ou usar como olímpico fechamento) explicando as razões que me levaram a fazê-lo. acho que terei que provar:

.a. inevitabilidade da mudança
.b. a necessidade de que isto fosse feito precisamente por minha geração e, em particular, por mim.

a inevitabilidade da mudança é óbvia: o troço todo está mudando mesmo que eu não queira. ontem mesmo, eu era mais jovem do que hoje, ou seja, tinha outros ideais... mas a necessidade de que eu resgate os ideais de outrora e lute pela implantação imediata da sociedade justa (no sentido de John Rawls) é impelida pelo mal-estar que me acomete sempre que lembro do exemplo que criei: "devemos subornar os meninos rua de hoje para que eduquem seus filhos, de sorte que estes não se transformem em assassinos vulgares a tirar a vida de meus bisnetos que ainda vão nascer..." que estou dizendo? que a condição maleva dos meninos de rua é "nurture" e não "nature"? claro que estou, embora não negue que haverá perversidades transitando em famílias com a mesma serenidade que a cor dos olhos (nature) ou as receitas culinárias (nurture).

por que falar em Rawls? o conceito dele de sociedade justa é arrasador:

.a. cada um deverá gozar da maior liberdade compatível com a dos demais (ou seja, não tenho direito de ver violência contra meninos de rua, pois isto virá a torná-los menos livres, o que fará a sociedade injusta e eu, como tal, também labrego)

.b. haverá a mais ampla distribuição de oportunidades e, se houver desigualdade, esta deverá beneficiar os menos favorecidos. obviamente se todos forem igualmente menos favorecidos, retornamos a um nível de igualdade menos desejável, mas -na sociedade igualitária- seremos felizes a longo prazo, pois ninguém matará meu bisneto (nem a tua bisavó) para comprar pedras de crack, creque, crique etc....

e se um velhinho tipo Dr. Silvana também comprar o livro e também quiser mudar o mundo em seu benefício? nas p.52-53 do livro "In the mind of the machine" (1998), o prof. Kevin Warwick escreveu:

Our genes, our initial start-up program, can have much more of an effect on our lives than we might wish to think. As one individual it is impossible to say, because we do not know exactly [em itálico] what characteristics we had at birth and exactly [idem] how we have been affected by our experiences. Occasionally, however, we hear of 'strange but true' [sic] stories in which twins have been separated at birth and have led completely separate lives in different places until they meet up again years later.

One such case is that of teh twins Jim Springer and Jim Lewis. Both were adopted by separate Ohio families when onlyu a few weeks old, and grw up completely independently in different towns until they met again at the age of 39. On meeting, they found that they drank the same brand of beer and smiled the same brand of cigarettes. Both men had a basement workshop and had built a circular bench painted white around a tree trunk. When youger, both hated spelling but enjoyed mathematics, and both had owned dobs, which they called Toy. On leaving school both men joined the police, got promoted to the position of deputi sheriff, and left afber seven years. Both men married and diveorced women named Linda, then both married women named Betty, with whom they nad sons, although Jim Lewis's son was called James Alan whilst Jim Springer's was named James Allan. Both men took anual holidays at the same time at the same Florida beach, although somehow they never met up. In more recent times they both took a multiple-choice inteligence test and answered the wiestions with almost identical answers.

dá no que pensar! são pilhas de eventos encadeados. a probabilidade de vê-los ocorrer em sequência é fácil de calcular: vai multiplicando as probabilidades individuais. por exemplo, qual é a probabiliade de dois gêmeos serem de mesmo sexo? zero vírgula cinco. e a de serem criados separados? digamos que também 0,5. e de serem criados na mesma cidade? digamos que mais meio. etc. se fossem apenas estes 0,5 x 0,5 x 0,5, teríamos um caso destes a cada oito experimentos. afinal, esta série de acontecimentos dos dois Jims torna-se -não calculei- menor do que um único indivíduo ganhar na loto. ou do que ganhar na loto duas vezes, ou oito vezes, sei lá.

estes dados foram colhidos por Warwick em um programa de TV.este autor é o que alguns da ficção científica chamam de distopista, ao contrário desta postagem, que se insere, creio, no marcador "utopistas". ele faz um silogisminho troxinha:
M: premissa maior: ora, quem é mais inteligente controla o mundo; o homem é o animal mais inteligente, logo controlou o mundo
m: (premissa menor): a máquina que o homem criará será mais inteligente que o homem, logo ela controlará o mundo
C (conclusão): logo,
(tu viu que a premissa menor é -ela própria- um silogismo inteirinho? fui eu que fiz! e não me chamo Silvana!

mas vejamos algo que presumo ter mais pedigree acadêmico:

trata-se agora de:
NEWMAN, Horatio H.; FREEMAN, Frank N. & HOLZINGER, Karl J. (1937) Identical twins reared apart. In: HUDSON, Liam ed. (1970) The ecology of human intelligence. Harmodsworth: Penguin. p.93-111.


e que encontrei ao ler o livro de introdução à psicologia de Fulano Kalot. trata-se de excertos (?) de um livro, um livrão, pois houve trechos até da p.341... eu cito as p.100-101 do Penguin. lá vai:

Twins Edwin and Fred
This is a remarkable case of identical twins, young men of twenty-six years, who were separated in very early infancy and have lived separate lives up to the present.

They were adopted by two different families, both living in the same New England town. The two families were of essencially the same social and economic status. The two boys were brought up as only children. They even went to the same school for a time but never knew that they were twin brothers. They had even noticed the ramarkable resemblance between them, but they were not close companions [Meu caso com Mauricio Valdiri, colombiano, parceiro de Reading, e identificado como meu irmão mais moço; tenho foto!, que não pode ser confundido com meu irmão mais moço, que não tenho...]. When the twins were about eight years old, their families were permanently separated, and the boys did not meet again until they were twenty-five years old, as the results of Edwin beind repeatedly mistaken by strangers for Fred.

Though separated all these years, these twins have led extremely parallel lives. Both have been electricians for telephone companies. Both married at about the same time, the wives being of similar types. Each has a four-year-old son, and they lay stress on the fact that each owns a fox terrier dog named Trixie.

Kalot? comprei o Kalat no dia 19 de julho de 1990, na Dillons of Oxford, em meus tempos de paraíso, não fosse o doutorado... e cheguei a pensar em abandonar os estudos de economia e passar à psicologia. por retardado mental, não pensei na "economia experimental", que florecia naqueles anos. seja como for, concluí o doutorado, estudei outras coisas, mas guardo lembranças indeléveis de Kalat, que insiro no rol de meus livros amados. foi a primeira leitura das três citações em inglês de hoje. na verdade, ele acrescenta informação às colhidas no texto de Newman, Freeman & Holzinger. como o tema presta-se a mistificações, neste momento, ponho-me de orelha em pé (isto que não me chamo Trixie nem Toy), pois tem os mesmos dados do carinha da inteligência artificial. vai lá,

KALAT, James W. (1986, 1990) Introduction to psychology. 2ed. Belmont: Wadsworth. p.60-61:

Monozygotic twins reared apart
Only rarely are monozygotic twins separated at birth and reared in separate environments, but even those who are separated develop some striking similarities One study revealed the following (Lykken, 1982):

* Twins who both wear seven rings on their fingers
* Twins who are both habitual gibblers
* Twins who are both extremely afraid of closed places, who are both compulsive counters of everything in sight, and who both walk into the ocean backward when they go swimming
* Twins who both amuse themselves by sneezing loudly in elevators, to watch how people react.

além desta listagem, à sua direita na p.61, há duas fotos de dois rapazes, com penteados estilo Elvis, um certo "bico de viúva" ou topete, casas de madeira pintada de branco ao fundo, eles encontrando-se ao lado de uma árvore cercada por um banco (um é de metal pintado de branco e o outro é de madeira pintada de vermelho). diz o box adjunto às fotos:

When identical twins Jim Lewis and Jim Springer first met, they discovered both had a wife named Betty, a son named James Allen, and a dog called Toy. A psychologist who studied their different backgrounds and similar interests and abilities said, 'They were like bookends.".

meu dicionário - giggle: casquinada, risinho espremido; sneeze: espirrar; bookend: suporte para livros e, lá venho eu, par de vasos. resumo inquietante: vou ou não vou mudar o mundo?
DdAB
ilustração: http://www.universo42.com/bizarrices/as-11-mais-bizarras-coincidencias/. procurando os nomes dois dois Jims, achei a seguinte, tantas vezes que nem citarei a fonte (e não sei se são eles mesmo):
e também aí já pirei e fui ver na wikipedia. uma loucura:
http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_J._Bouchard,_Jr.:
In 1979, Bouchard came across an account of a pair of twins (Jim Springer and Jim Lewis) who had been separated from birth and were reunited at age 39. "The twins," Bouchard later wrote, "were found to have married women named Linda, divorced, and married the second time to women named Betty. One named his son James Allan, the other named his son James Alan, and both named their pet dogs Toy.". [citation needed]. quer corrigir a Wikipedia? a citação tá acima!

sábado, 23 de outubro de 2010

Mercadoria, singular e plural

senhoras e senhores:
tem substantivos que não têm plural (lápis?), não lembro agora. outros não têm singular. ainda que eu passa falar n'a mercadoria água u n'a mercadoria açúcar, um não existe independente do outro. basta atentarmos para a própria definição. mercadoria é algo transacionado no mercado. se é transacionado, é porque houve troca, uma pela outra. então é impossível que uma sociedade tenha apenas uma mercadoria. ou tem duas (ou +) ou não tem nenhuma (ou menos...)...
DdAB
(a ilustração desta postagem saiu daqui.)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Mercado e Inocentes

senhores blogs:
esta postagem é endereçada. hoje estive conversando sobre assuntos elevadamente filosóficos com um par de amigos, ou -por outra abordagem- um professor e uma colega (nomes mantidos em sigilo, até segundo aviso). além de centenas de assuntos absolutamente fundamentais para o iniciante nos estudos aprofundados de filosofia da consciência, da filosofia do mercado, da filosofia da inocência, da filosofia da vida, da filosofia da morte, da filosofia do tabaco,  da filosofia do trabuco, da filosofia do THC e outras filosofias maiores, iguais e menores, falamos sobre o mercado e a pena de morte.

eu apresentei-lhes meu velho argumento de que não gostaria de -sabendo-me inocente- ser condenado à morte por um desses errinhos judiciários que, certamente, ocupam um número significativo de casos, quando o número de condenações começa a crescer. eu falava da "lei dos grandes números" para jurar que, na China, garanto que -no mínimo- um inocente é remetido ao céu -ou, mais provavelmente, prá baixo da terra- anualmente. por que um chinesinho? porque há oito mil condeções por ano. e, como sabemos, este tipo de teste (condena o inocente, inocenta o culpado) obedece a uma distribuição normal. na rabeira de 0,005 (ou seja, meio por cento), cabem 40 chineses!

então um condenado à morte que merecia penas menos forte é 0,000125, ou 0,0125%, um nadica, se o compararmos com este meio por cento, que é um número ridiculamente pequeno para os testes estatísticos usualmente realizados para chegarmos a conclusões consideradas sérias. este número desagrada, caso seja aplicado a mim. na linha do rompimento do "estado natural hobbesiano", é que penso: prefiro abrir mão de ver um criminoso revoltante ser condenado à morte do que ter o azar de cair naquela rabeira de uma curva que habita livros-texto e perder a vida, sabendo-me inocente.

há duas soluções para os casos em que me sinto vítima desse algoz desprezível (o criminoso revoltante do parágrafo anterior). a primeira é buscar a distinção entre o indivíduo e cidadão. na condição de cidadão, escrevi o parágrafo acima matando a pena de morte. eu mataria, caso tivesse engenho e arte, o criminoso revoltante que meteu a mão comigo. só que não o faria na condição de cidadão. o indivíduo tem direito à vingança, ao passo que o cidadão escora-se na justiça. meu exemplo brando foi: como cidadão, sou a favor das normas de trânsito.

como indivíduo, se tiver que escolher entre chegar na hora na missa de sétimo dia de meu maior inimigo e cruzar um sinal vermelho, apelo para minha condição de indivíduo, sabedor que pode -eu disse pode, pois --no Brasil-- político e ladrão nunca param na cadeia- ser condenado, e mando ver. como cidadão, acho que o maior valor humano é a liberdade, ainda que -como indivíduo- às vezes reduza a liberdade de outros (com o que admito que estou tornando a sociedade menos justa, no sentido de John Rawls).

a segunda linha de argumentação é a seguinte. diferentemente dos juízes brasileiros (que ganham R$ 30 mil por mês), sou favorável à prisão perpétua. o criminoso revoltante deve ser mantido perpetuamente na cadeia, o que nos garante minimizar aquele probleminha de matar um inocente com probabilidades pequenas mas -nos grandes números- tornadas certezas! qual seria o prêmio de um seguro de vida que eu pagaria, a fim de não ser condenado à morte, na condição de inocente, na condição de estar protagonizando mais um desses erros judiciários medonhos? claro que esta é uma questão de mercado, mercado de seguros. e a resposta é: depende da probabilidade que eu tenho de tornar-me suspeito. o preço que eu pagaria, o prêmio deste seguro, é garantir prisão perpétua para todos os criminosos de tipo revoltante. eu acho que vale a pena. no plebiscito da pena de morte (aliás, proibido pela constituição brasileira), eu votaria contra: não pode matar inocentes nunca, nunquinhas. e se tudo apontar para a culpa? infelizmente para alguns e felizmente para outros, neste mundo tridimensional em que fomos colocados de maneira totalmente independente de nossa vontade (lembra da novela "O Direito de Nascer"? pois eu não tenho o direito de não-nascer. nasceu, tá nascido e pronto, tá acabado, ou tudo está iniciado neste sublime ato), não existe such a thing as evidência empírica conclusiva. ou certeza, verdade factual é uma quimera. matou ou não matou? jamais saberemos, nem com a confissão, nem com benzedura, nem com nada, nunca, nunca de núncaras.

este tipo de raciocínio leva-me a pensar que não adianta proibir o consumo de THC, pois as recompensas carreadas por um mercado irregular são tão acentuadas que sempre haverá pessoas que consideram que a probabilidade de serem presos é muito pequena, comparada com os benefícios materiais resultantes precisamente do prêmio de exercerem atividades proibidas.

ok, basta do assunto "inocentes". vejamos agora o outro assunto (que ajuda a dar o título e a imagem da postagem de hoje). eu falara em "mercado e inocentes" e não em "mercado de inocentes". todos sabemos que os mercados se dividem em regulares e irregulares. os irregulares às vezes recebem o nome de "mercados de bens de mérito" e os de "bens de demérito". claro que mercado de assassinatos (os sicários nordestinos e os de todas as demais latitudes do planeta em que caímos). e o mercado de pessoas, escravos, como os que vim denunciando aqui, de políticos brasileiros, nordestinos e -talvez- todos os demais.

mas o que eu queria dizer é corrigir um exagero retórico que pratiquei e não desfiz por falta de memória, inspiração e tempo. sabemos que existe um troço que podemos chamar de preferência coletiva, por exemplo, a macacada prefere McCartney a MacArthur, sei lá... e como sei disto? é que tenho aparatos que medem estas preferências individuais e as agregam, ou seja, existem meios de avaliarmos as preferências coletivas, de agregarmos as preferências individuais. existem pilhas, mas os relevantes para um economista de meu porte, nesta postagem, são três: a comunidade, o mercado e o estado (e acho que surgiram precisamente nesta ordem). pois bem, o mercado agrega preferências coletivas do jeito mais eficiente em matéria de responder a incentivos materiais.

para concluir, lá em cima, eu queria dizer que eu é que sou o melhor juiz encarregado de julgar coisas que me digam respeito, mesmo que abdique de minha condição de cidadão e exerça plenamente minha condição de indivíduo passível de sanções penais por parte de outros que punem com prisão perpétua o assassinato. e acho muito temerário deixar na mão de outros exercerem este papel (principalmente os que ganham R$ 30 mil por mês). e que o merecado de assassinatos, de comércio de órgãos humanos, de seres humanos, estes bens de demérito absoluto, deve ser proscrito. mas não estes mercadinhos trouxas como o de maconha, o de lança-perfume, cocaína, êxtase, crack, creque, crique, croque (monsieur) e por aí vai a vaia.
DdAB








quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dilma, Sarkozy e a Aposentadoria

senhores diários:
Dilma e Sarkozy? se as eleições me preocupam, só imagina as temáticas das aposentadorias. há quatro fronts, pelo menos. a primeira é a revolta da França. o governo Sarkozy quer reduzir a idade mínima da aposentadoria do trabalhador f rancês de 62 para 60 anos. a França pega fogo, mas não tenho dúvida de que vencerá este lado que declaro perverso. em outras palavras, estou certo de que ele conseguirá.

mas também estou certo de que esta medida está longe de resolver qualquer problema sério, qualquer problema que dure mais de uma ou duas décadas. seja como for, esta é uma bela razão para ele tentar adotar esta impopular medida agora: seu governo não durará mais de um ou dois lustros, se tanto. o mesmo aconteceu com Fernando Henrique Cardoso no Brasil: elevou a aposentadoria do trabalhador (que, em média,  vive 68 anos) para 75 anos. ou seja, em média, ninguém se aposenta...

segundo front: Dilma nada falou sobre reduzir idade da aposentadoria, da necessidade de uma radical reforma na tributação em geral e na tributação indireta, em particular. no século XXI, o Brasil vai acabar (aguarde 2099!) com um imposto indireto pequeno e enorme arrecadação devida ao imposto sobre a renda, a riqueza e correlatos. a renda per capita será enorme, a população será idosa e todos seremos mais felizes do que hoje em dia: mais renda, mais educação e mais longevidade! a única certeza que tenho é duas... Dilma vencerá as eleições de 31 de outubro. Dilma vai fazer alguma mudança perversa nesta questão as aposentadorias. uma vez que ela não terá coragem de mexer na estrutura tributária, por exemplo, cobrando imposto de renda numa alíquota de 90% sobre os ganhos superiores a, digamos, R$ 15.000 mensais, a palavra aposentadoria num país de políticos e juízes milionários é realmente comprometedora dos recursos públicos. estes, como resultam majoritariamente dos impostos indiretos, obviamente oneram o trabalhador que, pela outra ponta da corda, deverá reduzir seu tempo de vida pós-mercado de trabalho!

falei em juízes? o terceiro front é deles. bastou falar-se em mudar aposentadorias, os juízes do Rio Grande do Sul já disseram que este assunto é pior do que o aborto: é impedi-los de sustentar netos e bisnetos nababescamente, dar-lhes educação esperada, a fim de que -eles também- ganhem os R$ 30.000 mensais. se o imposto de renda fosse mesmo progressivo, esses R$ 30.000 poderiam reduzir-se a alguma cifra decente. e, escandindo o mote da sociedade igualitária, o salário mínimo poderia chegar a, digamos, R$ 3.000. com isto, a produtividade do trabalho levaria um enorme incentivo para elevar-se. menos trabalho, mais lazer e, ipso facto, bem estar social, não é mesmo?

no quarto front, cito um resumo que acabo de ler no blog de Cristiano Costa. resolve-se o problema com quatro medidas, a seu ver:

Você aumenta o tempo de contribuição (aumentando a idade mínima p/ aposentadoria);
Você aumenta a contribuição dos jovens;
Você faz uma combinação das duas anteriores;
O Governo paga a diferença todos os meses. Mas, aí é dividir a dívida com a população toda através de mais impostos. É uma solução semelhante à 2) mas você inclui os idosos no grupo dos que pagam a conta.



o enrosco é grande, pois -obviamente- estas quatro possibilidades apontam apenas para uma: o teorema que criei há anos (com enorme sabor ricardiano) e que diz que o PIB representa 100% do PIB. seu corolário, para o caso, é que estamos tratando apenas de redistribuições. claro que, se pensarmos numa sociedade arcaica em que a distribuição funcional coincide 100% com a distribuição final, devemos dividir o PIB entre trabalhadores (remuneração dos empregados, inclusive os autônomos), capitalistas (excedente operacional bruto) e governo (impostos indiretos líquidos de subsídios). obviamente o valor atual das aposentadorias já foge a esta equação, pois não constitui transferência de recursos dos produtores às instituições, mas transferências interinstitucionais. no caso, crédito das famílias e débito do governo.

ora, "aposentadoria privada" não é "aposentadoria", mas apenas "ganho de capital", ou seja, "excedente operacional". "aposentadoria, aposentadoria", mesmo, é governamental. mesmo o dinheirinho que ando repassando aos sogros de minha bisavó materna, e que ela chama de "aposentadoria" lá em seu clube de terceira idade, ainda que não seja "aposentadoria", tem esse mesmo caráter de transferência entre instituições: minha família e a família lá dela. e isto é diferente da grana que me repassas o tesouro nacional como proventos de minha aposentadoria na UFSC. ou o INSS como futura aposentadoria como economista (o que, convenhamos, é algo estranho: portando apenas um corpo e uma alma, comporto duas aposentadorias...).

agora, pensemos um pouco mais no item 2) aventado por Cristiano Costa. se a divisão da sociedade é entre jovens e velhos, esquecemos os estupidamente jovens, que não trabalham, logo não podem contribuir com nada. se a aposentadoria é entre aqueles efetivamente empregados e os demais, as coisas já começam a mudar de figura. mas neste caso estamos claramente pensando na distribuição do "valor adicionado na sociedade" em determinado período e não mais em "valor adicionado pelos jovens na sociedade". e, se levarmos a sério, a divisão etária, por que não invocar as gerações passadas? qual a contribuição da alavanca inventada por um antigo africano na construção das pirâmides do Egito que, até hoje, geram receita nos setores de hotelaria, transportes etc. até hoje, até em Jaguari?

a visão da divisão etária é tão precária que não se sustenta como isenta. a modelagem inter-gerações, com todas as limitações que lemos no livro de Auerbach-Kotlikoff, não dá nem nove, mas tem a vantagem de levar-nos à leveragem destas coisas de forma escorreira e pararmos de pensar pela direita. como Sarkozy, como a macacada do ex-PFL.
DdAB
p.s.: no outro dia, calculei em 24% a fração da renda nacional a ser gasta numa renda básica unversal de R$ 600. meu PIB estava errado: se pegarmos os R$ 3,2 trilhões de 2009 e minha cifra de R$ 600, baixa para 18%. claro que não quero isto no primeiro ano. nem quero R$ 600 instantaneamente, nem tampouco os 80 milhões de brasileiros em idade ativa. agora, digamos, ir elevando em 1% ao ano durante 18 anos não é nada complicado. aliás, seriam menos de 18 anos, pois a população cresce a taxa estupidamente menor do que a renda.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Jogos e Arcaísmos Institucionais

caríssimo diário:
a campanha eleitoral para a presidência brasileira causa-me sobressaltos. desde que as paixões tomaram conta da racionalidade da macacada, inclusive da minha, não consigo dormir mais de uma ou duas horas sem sonhar com a Chapa Branca, as decepções que tenho vivido com Dilma. Serra não me decepcionou, pois sempre o soube um desenvolvimentista e agora também vejo-o como demagogo. mas ontem -não juro- pareço ter ouvido Dilma dizer que -ao final de seu mandato- o Brasil será um dos países mais desenvolvidos do mundo. Serra, em compensação, dissera dias atrás que vai -em seu mandato- construir redes de metrô em 50 cidades. pensei: não era 450 o número de cidades arroladas por José Ely da Veiga?

seja como for, o MAL* segue altaneiro: Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela. ele tem um mote claríssimo: vamos começar a controlar -mas controlar mesmo- a partir de 1st de janeiro. não adianta remoer o passado, pois -além do mais- os crimes do imposto de renda, o enriquecimento ilícito, o nepotismo, tudo prescreve em poucos anos. o Brasil é campeão em crimes, em tolerância, em leniência do sistema judiciário. por isto, o MAL* decidiu adotar esta postura radical e pragmática (em gauchês do nordeste estadual): "deixa os ladrão em paz e começa a vida honesta a partir de 2011, tchó".

esta foto dos "Jogadores de Cartas" de Cézanne é de minha autoria... selecionei-a hoje para dar o (gauchês da fronteira) 'traile' do que desejo falar hoje. com esta de MAL*, de Chapa Branca, de Serra-Dilma, de Quinto Governo FHC, de FMI, de CIA, esta geléia geral gilbertogiliana, de minha experiência com o Conselho de Justiça e Segurança do (bairro) Menino Deus, aprendi uma coisa importante: não tem saída para a ação governamental que não passe pela exigência comunitária da cobrança da implantação e cumprimento de uma lei de orçamento universalizante.

um milagre poderá fazer com que as regras do jogo mudem, de sorte a assumirem estes contornos. mas -uma vez mudadas- tudo mudará para sempre. o Brasil poderá -se acoplar-se à Brigada Ambiental Mundial- chegar mesmo a ser um dos países mais desenvolvidos do mundo. a convergência é inevitável num mundo sem estado-nação, sem a ênfase arcaica no discurso favorável ao mercado de trabalho como elo direcionador da distribuição do excedente social. quase tão arcaico quanto o saque ao dinheiro público é o antiquíssimo hábito de se fazerem elogios aos mercado de trabalho, como se criança, velho e rico precisassem trabalhar. é hipocrisia pura. é o que leva -nos dias que correm- à enorme convulsão que vemos na sociedade francesa. lá, querem elevar a idade da aposentadoria de 60 para 62 anos. aqui, ninguém da Chapa Branca deseja reduzir os 75 anos fernandianos para 68.

o que Serra-Dilma prometem é demagogia. a promessa de mexer de um jeito revolucionário no mercado de trabalho é assunto postergado por mais 50 anos. só bebendo!
DdAB

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dilma e SUS, Americanos e Máquinas

querido diário:
ontem, declarei meu voto em favor de Dilma, minha estagiária na FEE, ou melhor, não declarei meu voto (pois sigo em desagradável desobediência civil), nem Dilma Vana foi minha estagiária na FEE. seja como for (1), eu podia ter votado em Dilma -e não o fiz- e ela podia ter sido minha estagiária -e não o foi. seja como for (2), conheci-a proximamente, se é que alguém o fez. sei que ela dizia "neguinho" e me ensinou uma pequena manha relacionada ao índice de Laspeyres. foi minha estagiária? muito aprendi com eles, os estagiários e elas, as estagiárias, mas Dilma não o foi e ensinou-me, do mesmo jeito.

ok, chega de Dilma (mas não esqueça de votar nela...). vamos ao SUS e à p.39 de Zero Hora de hoje, em que se noticia que o sr. Paulo Ricardo Pfeifer da Silva recebeu um transplante cardíaco em março deste ano no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. e que o procedimento custou ao SUS a quantia de R$ 500 mil. e que mr. Paulo não tinha mobília em sua casa. e eu fiquei pensando duas coisas:

.a. muitos me tacham de americanófilo, eu que sou a favor de taxas (mas não de tarifas nem de theft, se meus trocadilhos não me desacompanham). se não sou americanófilo, certamente sou monetarista, no sentido friedmaniano, de quem andei lendo maravilhas ontem. ser americanófilo é amar também a tecnologia lá criada ou por lá desenvolvida como não se imaginava há 500 anos. e há quem não goste, como o site de onde tirei a ilustração de hoje, ao que parece. claro que sou a favor de pessoas artificiais, se me faço entender. ou melhor, sou a favor de rompermos as cadeias que nos deixam com esta vida curta, suja e bruta. se o Universo vai durar mais oito bilhões de anos, nada haveria de errado se as máquinas permitissem que nossas consciências durassem, digamos, uns sete bilhões.

.b. transplantes do coração são campeão! mas, cá entre nós, pensei direto na QALY, ou seja, nos anos de vida ajustados pela qualidade. mas, mais que isto, pensei no que hoje chamam de estratificação do risco, ou seja, o estabelecimento da hierarquia com que os doentes serão atendidos. pensei em Abraham Maslow:


Em 1943, [ele] classificou as necessidades humanas que se costuma resumir em:
a) necessidades fisiológicas (metabólicas),
b) necessidades materiais superiores (segurança e estabilidade),
c) necessidades sociais (reconhecimento e afeição derivados de se pertencer a um grupo), e
d) necessidades superiores (evolução pessoal ligada à busca da verdade e significado da vida).
Alinhadas na seqüência articulada por Maslow, tudo indica que não nos dispomos a trocar um prato de comida pela audição de um poema: apenas de barriga cheia é que teremos aguçada nossa sensibilidade artística.


e pensei no grande clube da baixaria brasileiro -que não juro venha a resolver-se com a Chapa Branca sendo eleita - em que convivem cirurgias delicadas, de R$ 500 milhões e outras mais e menos caras e a prosaica barriga dágua, os médicos treinadíssimos e os professores analfabetos. no dia em que os políticos tomarem doses de baixo preço de vergonha cívica, o orçamento universal começará a disciplinar estes despilfarros de recursos. in the meanwhile, vai votando na Dilma aí, sô!
DdAB

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pela Esquerda

querido diário:
estou postando como "economia política", mas não seria descabido falar em "vida pessoal", que são dois de meus "marcadores". o terceiro chama-se "escritos", como sabemos. na vida pessoal relato fatos, interpretações e reflexões de natureza menos social do que nos demais. nos "escritos", também, mas na "economia política", trago reflexões que me foram impostas pelas lentes (ciência econômica) que escolhi para interpretar o mundo.

andar pela esquerda, talvez, seja uma recomendação "pedestre" para as presentes eleições. não deixo de lembrar que andei falando em:

.a. quinto mandato FHC, que -na verdade- é o mandato permanente do FMI
.b. chapa Serra-Dilma.

ainda assim, hoje estou comemorando, com certo júbilo, dois eventos:

.a. a "neutralidade" de Marina da Silva, donatária de 20% dos votos do primeiro turno. ela foi minha candidata preferida nos debates e detalhes que vi e capturei do primeiro turno destas eleições presidenciais dos Estados Unidos do Brazil (para usar o nome da república consagrado na primeira constituição, do século XIX; Getúlio é que mudou para Brasil e a milicada tascou República Federativa, não foi isto?).  pois bem, em certa medida, os programas do trio Marina-Serra-Dilma não são propriamente programas de direita. mas -menos ainda- são programas de esquerda. o messianismo -talvez autêntico apenas para Marina- é um absurdo. o encaminhamento da questão do aborto dado pelos candidatos (induzidos por suas claques) é melancólico. o moralismo terá o custo de 10 milhões de vidas de mulheres e não de crianças, como criminosamente alguns sugeriram. fetos não são crianças. aborto é uma questão feminina. Dilma e Marina têm direito de opinar, ainda que se espere que não sejam subordinadas a opiniões conservadoras. eu e Serra deveríamos calar a respeito. ou melhor, o aborto não deveria ser obrigatório, caso em que cada mulher deveria sentir-se livre para fazer o que bem entende com seu corpo. aborto é, como andei espalhando num bar da Rua da República, assunto de comadres.

.b. o raciocínio do deputado Chico Alencar (or whatever) do PSol de algum estado brasileiro (não quis levantar-me desta cadeira computacional e buscar o jornal na sala contígua, tudo chez moi). raciocínio irreprochável. ele diz que não podemos sequer pensar em anular votos ou votar em Serra. a aliança se faz pela esquerda e não pela direita. Serra por si só é um desenvolvimentista. o problema com ele é que as forças que foram ativadas por Fernando Henrique Cardoso, fazendo a grande aliança do PSDB pela direita é que são intragáveis. ex-PFL, DEM, Índio Vargas? cá entre nós.

obviamente o critério não é evitar de votar em ladrão. quem sou eu para condenar a gatunagem? llogo eu que, como lembraremos, sou o fundador do MAL*, que é um movimento destinado a recomendar que esqueçamos o passado e comecemos, a partir da lei do orçamento de 2011, a ter administração pública honesta. e que fazer com os ganhos patrimoniais espúrios, como os do sr. Paulo Pretto? tascar imposto de renda neles
ande pela esquerda. use estas placas, sempre que tiver dúvidas. conduza seus amigos pela esquerda. defina o que é esquerda. no caso presente, estaremos mais perto de um governo de esquerda deixando Lula (o representante dos governos FHC III e FHC IV) dar as cartas sobre a inclusão social por meio do Programa Bolsa Família, torçamos (eu, claro, não iria escrever "rezemos") por sua substituição pela renda básica universal e, mais que ela, pela criação da Brigada Ambiental Mundial. ande pela esquerda. vote em Dilma!
DdAB

domingo, 17 de outubro de 2010

Distribuição Ricardiana

querido diário:
ainda sigo pensando no equívoco de arautos do catastrofismo que anunciam que o mundo vai acabar se as pessoas viverem mais. são pós-modernos em seu pessimismo e arcaicos em entender algumas relações econômicas elementares.  primeiro, a produtividade do trabalho humano cresce, ao longo do tempo, como um verdadeiro coete, como as latas de massa de tomate impulsionadas desde dentro acia el infinito por um daqueles rojão de dois pilas.

segundo, o problema segue sendo ricardiano: como distribuir a produção. esta é a famosa terceira questão fundamental da economia. as duas primeiras dizem respeito à apropriação da natureza: o que-quanto produzir e com qual tecnologia fazê-lo. claro que devemos querer a mais avançada tecnologia possível, a mais economizadora de trabalho vivo tecnologia possível, a mais geradora de desemprego possível tecnologia. o que não queremos é ser assaltados com frequência, criar nossos filhos para vê-los assassinados em investidas redistributivas banais, à margem da lei. aliás, nem mesmo queremos socialismo, dados os destrambelhos que acompanharam as iniciativas soviéticas e hoje, para não falar no clube Cuba-Coréia, atenhamo-nos mesmo na China, a letra "c", o viés dos três "c"s. 

o mercado de trabalho acabou, ainda que haja milhões de arautos do funcionamento arcaico, com perda de qualidade. o segredo do sucesso é muito simples: não ter uma sociedade desigual, mas criar incentivos mais que proporcionais àqueles que frequentam -você sabe- o mercado de trabalho. quero dizer, assim, que o mercado de trabalho acabou como sendo o principal instrumento de redistribuição da renda. já falei nos exemplos de desempregados, crianças e velhos que gostariam de seguir alimentando o espírito com refeições e outras amenidades. falo agora dos cálculos elementares que fiz no outro dia

o Brasil crescerá 40% nos próximos 20 anos, pelo menos, se -pelo menos- houver futuro. e a população crescerá apenas 4%. como é que pode haver problema com os "aposentados"?

procurei um título estranho: "distribuição ricardiana" e achei isto aqui. é interessante, evocou "os três 70s" de que falei na tese de doutorado: os anos 1970s, 70% das famílias detinham apenas 25% do consumo e, com a produtividade então vigente, a renda per capita precisaria de 70 anos para duplicar. agora tudo é mais fácil.
DdAB

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Mercado de Arranjos Institucionais

senhoras e senhores:
o mercado de arranjuos institucionais (inclusive os monetários) é algo fundamental para a compreensão do verdadeiro fluxo circular da renda, como tenho postado aqui e escrito ali. procurando a expressão do título desta mensagem no Google Images, achei apenas duas citas a meu próprio blog. tirando o "mercado de", pesquei algumas imagens, inclusive a que nos ilustra hoje, amado diário. claro que já falei sobre o casamento heterossexual, sobre comunidades, gens punaluana, essas coisas de mentes arejadas, mentes que não vêem óbices à livre expressão de suas emoções. casal heterossexual na escada com nota de dólar? não sabemos, mas que parece, parece. subidos no altar do dinheiro? não é impossível, sem Mamón, não haveria Deus. sem dinheiro, não haveria altares, não haveria noivas, noivos, fraques, frufrus. a divisão do trabalho é a mãe da satisfação das necessidades materiais superiores. obviamente existe divisão do trabalho sem capitalismo, mas -encetada a troca- parece que ainda não estamos perto do dia em que a monetização da riqueza verá seus limites. em outras palavras, as economias monetárias ainda têm enorme vitalidade, casamentos, procriação, tanto é que pessoas sensatas não podem atrever-se a sugerir mais do que um simples "reformas democráticas que conduzam ao socialismo".

e que é mesmo este troço de mercado de arranjos institucionais? definindo por negação: não é o mercado em que se transacionam bens e serviços (produtores ofertam, instituições demandam), nem aquele cujo objeto das transações são os serviços dos fatores de produção (produtores demandam e os locatários dos 'fatores ofertam os serviços). ainda assim, este terceiro é um mercado bem azeitadinho, com oferta de arranjos institucionais pelas instituições e demanda de tais arranjos pelos locatários dos fatores. caso não houvesse uma ordem institucional, garantia de direitos de propriedade, não haveria mercado de nada, não haveria civilização, haveria rapina, barbárie e absoluta carência de incentivos para qualquer atividade social distante daquela que vigora entre nossos primos chimpanzés. ou, pior, a ordem do formigueiro, em que a liberdade é praticamente nula, o instinto é dominante.

na verdade, a teia de relações sociais que fez com que os arranjos institucionais, inclusive os monetários surgissem, é bem mais velha do que o próprio dinheiro, do que a própria troca e se associa aos mais elementares passos dados pela humanidade para estabelecer-se como espécie. mas, digamos, depois de certas tentativas e erros, criou-se o dinheiro. e, com ele, surgiram os trechos das páginas 256 e 257 do livro

CLOWER, R. W. ec. (1973) Monetary theory. Harmondsworth: Penguin. Nestas páginas, iniciadas na p.254 e concluídas na p.269, vemos um trecho do livro:

HICKS, J. R. (1967) Monetary theory and history: an attempr at perspective, originalmente publicado em seu Critical Essays in Monetary Theory, do capítulo 9 do livro da Clarendon, às p.155-173.

que trechos são estes? eles falam por si:

Throughout the whole time - back before Ricardo, forward after Keynes - money itself has been evolving. The change from metallic money to paper money is obvious; but there are other things which have gone with that change, of even grearter importance, which are not so easy to recognize and to assess. Even if we say that metallic money has given place to credit money, we are still not gettring to the bottom of what has happened. For credit money is just a part of a whole credit structure that  extends outside money; it is closely interwoven with a whole system of debts and credits, of claims and obligations, some of which are money, some of which are not, and some of which are on the edge of being money. The obvious change in the money medium, from 'full-bodied' coins to notes and bank deposits, is just a part of a wider developlment, the development of a financial system. This has taken the form of the growth of financial institutions, not just banks, but other 'financial intermediaries' as well; it has carried with it a fundamental change in the financial activities of governments. In the course of these changes there has been a change in the whole character of the monetary system. In a world of banks and insurance companies, money markets and stock exchanges, money is quite a different thing from what it was before these institutions came into being. 

This evolution has been going on ever since the time of Ricardo (its beginnings, of course, are much earlier); it clearly called, as it proceeded, for a radical revision of monetary theory. As the actual system changed, the theoretical simplification ought to have changed with it. We can now see that it did not change sufficiently; there was a lag. But the reason for the lag was not just laziness or sleepiness; there was an obstacle to be overcome.

On the theoretical level - in terms of basic principles -the evolution tha was occurring had two aspects. From one of them it was a natural piece of economizing. Metallic money is an expensive way of performing a simple functon; why waste resources in digging up gold from the ground when pieces of paper (or mere book entries) which can be provided, and transported, at a fraction of the cost will do as well? That is the reason why the credit system grows: that it provides a medium of exchange at much lower cost. But on the other side there is the penalty that the credit system is an unstable system. It rests upon confidence and trust; when trust is absent it can just shrivel up. It is unstable in the other directon too; when there is too much 'confidence' or optimism it can explode in bursts of speculation. Thus in order for a credit system to work smoothly, it needs an institutional framework which shall restrain it on the one hand, and shall support it on the other. To find a framework which can be relied on to give support when it is needed, and th impose restraint just when it is needed, is very difficult; I do not think it has ever been perfectly solved. Even in this day we do not really know the answer.

em resumo, foram-se quase 50 anos que Hicks escreveu isto e, claro, ainda não há resposta. neste meio tempo, a literatura da economia das instituições, comportamento e evolução tomou corpo, lançando-se como área autônoma de pesquisa. quando eu comecei a pensar num nome para este mercado de créditos às instituições e débitos aos locatários dos fatores de produção, eu pensava em "arranjos políticos", algo assim, nais de acordo com influências da teoria da escolha pública. mas depois, vim a fixar-me nesta expressão dos arranjos institucionais. torna-se clara a natureza monetária das economias de que estamos tratando, torna-se claro que o mercado -diferentemente da comunidade e do estado- é a forma de agregação de preferências coletivas mais propícia à criação de incentivos materiais para a ação dos agentes. e mais, também influiu sobre minha identificação destas propriedades milagrosas a visão de financeirização crescente das transações, do efeito Excel, aquelas coisas e principalmente a securitização na linha dos mercados generalizados de seguros concebidos por Kenneth Arrow.

para a campanha de um refrigerante ou o que seja que ainda poderá ser lançado: para domesticarmos o futuro, muito mais importante do que pensaqrmos no juro, devemos é fazer nosso seguro.
DdAB

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cálculos Mentecaptos na Previdência Social

querido diário:
estando praticamente eleita a chapa Serra-Dilma, é hora de começarmos a pensar nos salvados do incêndio. não tenho dúvida de que um arrocho previdenciário está por baixar sobre as cabeças do povão. a regra atual da aposentadoria é de 75 anos de idade para o homem brasileiro, cuja expectativa de vida ao nascer é de, se bem lembro, 68 anos. ou seja, quem nasce hoje pode esperar fenecer sete aninhos antes de garrar direito a aposentar-se -por idade.

ou muito me enganam os olhos (que a terra há de comer, como comemorarei...) ou esta ilustração é o velho e impagável trabalho de Gustave Doré, não é mesmo? (não, não é, não! para vê-la; para vê-lo). cheguei a ela por meio da pesquisa "cálculos" + "mentecaptos", pois a junção de meu título deu com os burros nágua. tal é o absurdo da notícia da p.46 de Zero Hora de hoje: "Prazo para expansão. População brasileira deve atingir o pico em 2030". eu, que pensava que este pico ocorreria na década de 2040, já pus as avantajadas orelhas em pé. fui ler. em 2030 seremos (seremos?, sereis?) 206,8 milhões de pessoas. hoje somos 198,739,269 (com vírgulas, pois a fonte é a C.I.A., já que o IBGE queria vender-me este tipo de informação em seu site). ou seja, seremos multiplicados por 1,040559. em outras palavras, um crescimento de pouco mais de 4%. por contraste, nestes 20 anos, não é impossível que cresçamos a uma taxa acumulativa anual de, digamos 3%. isto nos multiplicará o bem-estar (?) por 34%. 

quer dizer, a Coordenadora de População e Cidadania do IPEA, sra. Ana Amélia Camarano, citada por Zero Hora, diz que diz: 

   Ana Amélia afirmou que o envelhecimento da população vai requerer outras medidas, como a uma revisão da idade mínima para a aposentadoria:
-Estamos vendo isso na França, que está praticamente parada, e também é uma tendência para o Brasil.
   Segundo ela, esse tipo de medida é positivo para a Previdência e também para os idosos, que se beneficiariam da maior permanência no mercado de trabalho.

eu fiquei pensando como é que a gente arranja uma boca para trabalhar no IPEA, como é que a gente pode dizer o que quiser, usando o nome de um blim-blim-blim desses governamentais. o que mesmo é que é positivo para a Previdência? a macacada morrer mais cedo? o que também é positivo para os idosos? morrerem as soon as possible? como é mesmo que um indivíduo pode beneficiar-se trabalhando mais, se puder optar por trabalhar menos? apenas no caso de declararmos que o axioma da aditividade sobre o comportamento do consumidor é manobra da C.I.A. e, no mundo de desenvolvimento sustentável, quanto mais cedo morrermos, menos poluição traremos ao planeta, no afã de deixá-lo reciclar-se naturalmente.

em resumo, não sei se o mentecapto é o Sancho, o Gusvave Doré, eu próprio, a Zero Hora, sei lá quem. não sei, enfim, se o mentecapto era David Ricardo que sutilmente sugeria que a economia política tem por objeto estudar a distribuição do excedente entre as classes sociais. e, mais ainda, não sei se foi o Prêmio Nobel de Economia, prof. Richard Stone, que deixou claro para mim que a luta de classes já foi substituída há muito tempo pela luta entre instituições. então, há um estamento de burocrtas governamentais que defendem o intresse dos cemitérios, por contraste a Sancho, Quixote, Rocinante e eu, que defendemos os interesses das classes populares.
DdAB
p.s.: eu insisto tanto neste ponto da luta entre instituições, pois sempre lembro que crianças e velhos não trabalham e os que têm vida mansa recebem transferências de pais etc., fora os que vivem de rendas, que nada têm a ver com os "proventos da aposentadoria". por que é que tem gente que pensa que as crianças e velhos aparentados com os ricos têm direito a uma vida digna e aquelas aquerenciadas aos desmandos demográficos dos pobres têm que pastar ou virar pasto?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Keynes e Iaiá Garcia

senhoras e senhores:
como sabemos, a srta. Iaiá Garcia era filha do sr. Luis Garcia. de sua parte, o sr. John Maynard era filho de John Neville, ambos Keynes. disse Iaiá Garcia, ou sabe-se lá se foi a srta. Estela:

"[...] vaga e pérfida escuridão do futuro [...]."

pensei que esta seria a primeira aula de um curso de macroeconomia moderna.

aviso que esta não é uma postagem de economia política, nem de sabe-se lá... mas que esta ilustração apareceu-me com a epígrafe da postagem, lá isto apareceu...
DdAB

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"os dois ambos machadianos"

senhoras e senhores:
foram-se as eleições e ficaram as preocupações com ambos os dois candidatos. ou melhor, ficaram as preocupações de ambos com os três movimentos a serem impressos ao segundo turno. melhor ainda, aplandiram ambos os três movimentos do quarteto de cordas. melhor ainda: olharam ambos os três quatros (4-4-4) da tábua. por fim, contaram ambos os três 4-4-4-4 cinco vezes. pode? pior é a vida in natura sob o inplacável olho humano: aqui. no outro outro dia, por outro lado, eu citava seus abundantes "ambos eles", seus lá dele, Machado de Assis.
DdAB

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mais sobre o mesmo par de ouvidos

 
senhores blogues:
terei dito que terei ouvido a seguinte e sábia sentença: "a Natureza deu-nos uma boca e dois ouvidos apontando para o fato de que devemos ser mais cautelosos na audição do que na fala, devemos prestar atenção ao que se diz do que propriamente deixarmo-nos assaltar pela vontade de dizê-lo. ao mesmo tempo, muito pior do que ver saírem palavras da boca é adentrarem-lhe fumos cancerígenos (ver) e outros atentados à saúde, como o açúcar. mas também diz-se que "o mal é o que sai da boca", e nunca se disse que o mal ingressa em nossa existência por meio dos ouvidos. eu mesmo, ouvi falar que queriam praticar maldades contra os políticos e não me abalei.


nem bem escrevi estas linhas acima, eis que caiu-me -como um rojão de dois pilas- um trecho da página 401 do primeiro volume das Obras Completas de Machado de Assis (Nova Aguilar, 2008), em pleno romance "Helena", o seguinte manual de filosofia do ser: "[...] tenho os olhos mais inteligentes do que os ouvidos." por isto, evidentemente, é que o Sr. Dérico determinou que usássemos duplamente os ouvidos, em relação à boca.
DdAB

http://douceetfurieuse.blogspot.com/2009_07_01_archive.html

domingo, 10 de outubro de 2010

Como é que se faz para mudar o mundo

caro amigo blog:
ok, ok, é melhor centrarmos no Brasil e não no mundo. aqui é a terra do silogismo de tipo Z, aquele que associa político a ladrão. este problema é sério, severo, fedegoso. mas não é para desanimar, como observamos no final do filme "Tropa de Elite 2", em que o filho do capitão Nascimento, depois de ser baleado num rim, recupera-se, embalado, talvez, pelo discurso de seu pai. este concluiu com uma dose de realismo, dizendo que ainda precisaremos de muitos anos, para vermos este país começar a decentizar-se.
na época da campanha política para o segundo turno, a discussão da agenda volta ao centro da cena, ou melhor, deveria voltar. os factóides e baixarias é que têm marcado a campanha eleitoral. talvez agora o clima torne-se mais ameno, uma vez que a chapa Serra-Dilma é que foi sagrada ao segundo turno.

primeiro: a senadora Marina da Silva, causando inquietação sua decisão sobre quem vai apoiar desta chapa Serra-Dilma, e que farão seus eleitores, lançou o seguinte decálogo:

01 Transparência e ética na gestão pública
02 Reforma eleitoral e política
03 Educação para a sociedade do conhecimento
04 Segurança pública
05 Mudanças climáticas
06 Segurança social, saúde e assistência social
07 Proteção de biomas
08 Gasto público de custeio e reforma tributária
09 Política externa
10 Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural.


de sua parte, o cronista Nilson de Souza, no Segundo Caderno de Zero Hora (p.3), publica uma carta assinada por Francisco Alberto Silveira, pelo que entendo, maratonista de terceira idade, dando sua contribuição para este debate de salvação do mundo, começando pelo Brasil. cito um trecho relevante:

De Sul a Norte, de Leste a Oeste, implementar a onda aeróbia.
Escolas em dois turnos. No primeiro, alongamentos, corridas lúdicas e alimentação saudável para oxigenar o cérebro e com vontade aprender no segundo período. Zero na delinquência infantil, no analfabetismo, nas drogas. Traficantes trocariam de ramo. Investiriam em suplementos alimentares. E, nas próximas olimpíadas, quenianos que se cuidem.
Nas universidades, fábricas, empresas privadas ou públicas, será instituído o momento da corrida. Da corrida saudável. Colegas troteando juntos nas ruas, nos parques, desintoxicando o estresse laboral. Teremos um país mais magro, colesterol baixo, corações felizes, pulmões com fôlego e economia no SUS.
Toda empresa que investir em clubes de corrida, patrocínio a atletas e provas de rua obterá grandes isenções fiscais. Nossos impostos baixarão.
Será instituído o plano do presidiário solidário. Faça de um colega um maratonista. Treine várias horas por dia, que, somente assim, sua pena será reduzida. As polícias Civil e Militar terão grande capacidade física para garantir a segurança.
No Congresso Nacional, haverá a hora da corrida. Os políticos descerão a rampa e percorrerão as ruas de Brasília para sentir o povo, refletir sobre seus atos, criar o hábito diário de ali estar e votar com mente arejada.
Para as famílias que participarem de provas pedestres, será instituída a bolsa-corrida. Ficarão unidas e felizes a cada fim de semana.


de minha parte, tenho quebrado a cabeça para listar tudo o que me parece importante na reforma política (citando trechos de um e-mail do final de julho e início de agosto. é preciso conferir se tudo está em minha lista, ou se sobra algo. o principal é mesmo a extinção da compulsoriedade do voto:
:: voto voluntário
:: voto distrital universal
:: extinção dos estados (todo poder aos municípios), senado (abaixo o bicameralismo) e poder judiciário (incorporado pelo ministério da justiça)
:: parlamentarismo
:: orçamento universal
:: unificação do serviço público (ter apenas um Ministério de Atendimento ao Público, onde faz da C.I. à negativa de justiça do trabalho [que seria extinta...])
:: governo dedicado apenas à provisão de bens públicos e meritórios (produzir apenas o absolutamente indelegável, por exemplo, a representação parlamentar...)
:: impostos majoritariamente diretos.
:: financiamento público da atividade política (pelo menos impedir pessoa jurídica de dar dinheiro para políticos)
:: reforma partidária (redução do número de partidos, fidelidade partidária...),
:: inelegibilidade para cargos públicos
:: reforma do poder judiciário, acabando com os cargos vitalícios de juiz e abrindo espaço para juízes leigos
:: conselhos de fiscalização das repartições públicas (ou seja, de todo o aparato que vive da receita pública)
:: a renda básica universal atende a um dos princípios de organização da sociedade justa citado por David Harvey: todos terão direito a uma fração do excedente, mesmo não tenham participado de sua criação.
DdAB
p.s.: esta lista salvadora do mundo também é uma lista de prioridades, lista de reformas gerais, lista de princípios ordenadores da sociedade decente, lista de reformas democráticas que conduzem ao socialismo. conduzem ou conduzam? é melhor dizer "conduzam", pois também não somos tão fanáticos que batemos pé na etapa do socialismo, sendo que podemos pular para outras formas de organização da propriedade dos meios de produção ainda não imaginadas.
p.s.2: quer salvar o mundo? clique aqui.