quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Eleições : último dia para propaganda eleitoral :: não vote em ladrão!

senhoras e senhores!
o momento é grave. a propaganda eleitoral está por um fio. parece que a bebida também. não pode até o encerramento das eleições no próximo domingo. eu, que me recuso a participar da pantomima, posso beber escondido em casa, mas parar de fazer propaganda contra a farsa, contra a irresponsabilidade, contra a conivência e contra os ladrões.

Richa conseguiu impedir que divulguem as pesquisas eleitorais no Paraná, porque elas apontam sua derrota. tem gente que acha que as pesquias deviam ser proibidas. com células tronco, com a teoria do valor, com o que quer que seja que lhes contrarie o interesse. tem gente que acha que o único limite para a liberdade de terceiros é a própria liberdade. tou com estes, sou deste time! para mim, Richa está derrotado por ser um opiniático. mas não é só ele que foi derrotado. o escabelado ministro do supremo, herr Gilmar Mendes, depois de ver uma eleição para a proibição de voto a quem não apresenta dois papéis emitidos por empresas contratadas pelo governo (título eleitoral e cédula de identidade), pois -se pudesse usar apenas um- vender-se-iam menos papéis ao governo e seus apaniguados, os políticos, pediu "vistas ao processo", prometendo devolvê-lo hoje. estou apostando que ele não comparecerá à sessão do supremo por falta de quorum, ou de qua-qua-ra-qua-quá, sei lá. ou entrará contra uma liminar contra o pneu furado, sei lá.

tentei capturar uma foto de um político honesto no Google Images. pedi "não vote em ladrão", vieram 368 imagens. mudei para "vote em ladrão", aumentando em apenas 10 unidades a oferta. num paíse em que o voto é obrigatório, legislatura após legislatura, não é possível deixar de votar em ladrão (das liberdades civis). como é que esses caras não mudaram isto? como é que podem pensar que haverá eleições decentes com votos obrigatórios? como é que alguns apelidaram a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (nome dado pela ditadura militar eletiva) de "constituição cidadã"?

Richa, Roriz, Collor, uma turma, uma turba.precisamos pensar mais profundamente nesta questão de não votar em ladrão. primeiro: tem 20 mil presos que votarão. e se eles votarem em ladrão? e se eles requererem o direito de serem votados? queriam cancelar a candidatura de Tiririca (em Sampa), que ele fará um milhão de votos e não sabe ler. mas não deram o direito de voto ao analfabeto? e por que, então, impedi-lo de ser eleito? com tanto ladrão na política, qual o problema de elegermos presidiários, do PCC, cuja motto é algo como "ordem e liberdade", sei lá?

esta questão dos 20 mil presos com direito a voto é uma vergonha nacional. na linguagem da epidemiologia, existem dois tipos de estratégias para tratamento de moléstias disseminadas na população:

.a. high risk strategy (estratégia para combater o mal instantaneamente)
.b. population strategy (estratégia para eliminar as causas do mal)

é claro que um indivíduo retiro na prisão sem ser julgado é um problema, que não se resolve em absoluto com a libertação para votar, mas com a aceleração dos julgamentos. e se há provas para mantê-lo preso, ainda que esperando o julgamento dali a 24 horas, não pode votar. preso não pode votar, e pronto! para não favorecer que sigamos votando em ladrões.

e cadê a lista de todos os políticos que estão fora da cadeia por falta de julgamento, por morosidade do poder judiciário? tentei capturar a foto de um político honesto e apareceu apenas a moldura... nada houve para ser enquadrado, pelo que suponho (with a little help from my friends).

política no Brasil? não vote. mas, se tiver que votar, anule o voto!
saudações democráticas
DdAB

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Descalabros Judiciários Brasileiros

senhoras e senhores:
mais um manifesto eleitoral. o dia é feio em Porto Alegre, não vemos cerração, mas tampouco vemos algo de útil, pois há uma espécie de cerração, mais espessa, que não chegou a ser promovida a chuva, como o foi o filho do rapaz ca Coreia do Norte, que hoje vim a saber ter ganho o título de general de quatro estrelas. não sei qual o máximo permitido pela ONU, mas achei quatro exageros.

e não foram os únicos. dos descalabros do título, busquei "orgulha de ser brasileiro", para contrastar com "descalabro", que gerou a imagem abaixo e que evocou-me Gonzaguinha. vergonha de ser brasileiro? claro que não tenho, claro que enatendo que há vergonhas pelo Brasil, a principal é o desleixo com que a sociedade escolhe seus governantes e o descaso com que estes tratam a infância. a foto das margaridas sorridentes veio de http://espacohumanitas.blogspot.com/, ilustrando a postagem "Sobre a Felicidade". quem deveria ter vergonha de ser brasileiro era mesmo para ser o caso dos políticos. essa corja oportunista, que muda de opinião de tal maneira que impede que o observador independente dedique-lhes o mais ínfimo resíduo de respeito.
de que falo? de todo o jornal, de tanta notícia estressante sobre as eleições. inclusive um juiz, na página de ZH dos artigos assinados, que defende o direito de presidiários ainda não condenados em sei-lá-quê-instância votar. se é preso, não vota. se não é culpado, não é preso. se é suspeito com risco de repetição do crime ou fuga ou sei-lá-o-quê e precisa ficar preso, não vota. no outro dia, um rapaz falou em um milhão de presos. hoje o jornal -independentemente da opinião do rapaz que referi, fala em menos de 500.000. pedi, antes, para comparar com a Bolívia e a Noruega. baixamos para 0,25% da população: um progresso (se não conivente com a impunidade...).

e qual meu criminoso do dia? o poder judiciário do estado do Paraná. tinha lá um político Fulano Richa, não lembro bem como era isto. pois ele teve um filho, que chamou de um nome que leva ao apelido de Beto. então, Beto Richa, na tradição nespostista (?), candidatou-se ao cargo de governador do Paraná. e parece que as pesquisas eleitorais passaram a retirar-lhe a preferêcia eleitoral (entre os entrevistados, claro, e o problema da inferência estatística apenas afetou mister richa agora, isto é que me deixa descalibrado). e ele, Richa, ingressou com uma causa judicial requerendo que estes resultados de pesquisas não sejam mais divulgados.

na minha maneira de avaliar o poder judiciário, que retém pilhas de presos com direito a voto e não a julgamento, não era o caso do juiz julgar estas alegações do mister richa e, em caso de fraude da parte dos realizadores das pesquisas, puni-los ou em caso de fraude da boa educação dada por seu pai, punir o rapaz das richas? este blim-blim-blim justifica a linha da vergonha de ser brasileiro. mas eu me ufano! e explico. ufano-me porque Beto Richa não requereu que a justiça determine à maioria dos entrevistados que mudem de opinião e comecem a preferir o requerente. no Rio de Janeiro, tem um bairro chamado "Cascadura", o que me lembrou de um animal que conheci em Jaguari e que portaria "casca grossa". não era o único.
DdAB

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Muares

amadíssimo blog:
seguimos em ritmo de eleições. eu é que me tornei mais terno, por assim dizer, ao procurar ilustração no Google Images para "muares", que era o título que eu queria -e dei- a esta postagem. pois dias atrás andei falando (andei?) em Surabaya Johnny, que parece constituir a expressão original (se é que há original) para a personagem central d'A Ópera do Malandro, de Chico Buarque e Zizi Pozzi, sei lá... pois vim a entender que "Surabaya" é uma cidade da Indonésia. agora, vim a saber que Muar é uma cidade da Malásia. quem nasce na Malásia era malaio, agora foi promovido a malasiano. quem nasce Muar jamais será um lumpurense, sei lá II.

pois bem, caiamos no assunto das grandes burradas da humanidade. na Zero Hora de hoje, há três referências que me comoveram. na p.2, já começou. o Dr. Marcelo Schroeder, veterinário de São Gabriel escreveu uma notinha intitulada "Capitalismo sem capital", que me soube reacionária. ou burralda. furioso com o fato de que a Petrobrás está vendendo ações por conta de um petróleo localizado a 5km da superfície do planeta. em média, claro, pois se o blim-blim-blim está em alto mar e este muda de nível a cada segundo do dia, por causa do romantismo da Lua e suas fases e marés. pois bem, ele, depois de falar em galináceos, ele negou a importância do crédito para o desenvolvimento capitalista, o que o coloca na posição de esquerda (bem entendido, zero à esquerda...) absolutamente pré-capitalista. é evidente que capitalismo se faz com capital, mas não precisa ser o capital administrado pelo proprietário (sendo-o pelos gerentes), como ensinaram-nos Marx, Berle & Means, Djacir Menezes e milhares de outros. acho que ele está mesmo invocado com a Petrobrás por causa da avalanche eleitoral provacada pelo que tenho lido nos blogs como "lulismo".

diferentemente de Hugo Chavez, parece-me que Lula não é ditador do Brasil. não que Chavez o seja, mas -you know. nem o seriam os rapazes legitimamente eleitos, mas também não sejamos burros para pensar que tudo o que é ditador não faz lá sua pantomima de eleger-se. no Brasil, creio que até Dom João VI elegeu-se presidente da república. ou seja, uns dizem que a Petrobrás fez uma jogada momumental, conduzida por nosso Grande Timoneiro. isto também já é burrice. eu não me toco: quinto governo FHC, chapa Serra-Dilma, política no Brasil?

mas seja como for, somos levados a pensar, pois é melhor ter parlamento do que não tê-lo, como o atesta a burrada eleitoral dada há alguns anos pela oposição venezuelana. recusando-se a participar das eleições, a rapaziada permitiu a Chavez que usasse toda sua corda para enforcar-se. ele ainda não o fez, mas acho que não há dúvida que uma inflação de 30% a.a., nos dias que correm, é incomodação certa. o dinamismo da economia venezuelana já é caso de livros de história e o petróleo dura, mas não basta.


política no Brasil? passemos à p.3 de ZH. da pantomima eleitoral, chamou-me a atenção a materiazinha paga por Juliana, candidata a deputada estadual pelo PDT, o partido que seu avô criou para ser presidente da república na repescagem. não conseguiu. mas deixou descendentes, como é o caso de Juliana Brizola e do já deputado pelo Rio de Janeiro cujo nome foge-me agora, como burro descolorido. nada haveria de errado em alguém dizer: "compre o livro de física do neto de Albert Einstein". ou "não perca o novo CD da filha de Gilberto Gil, ministro da Cultura do Governo Lula", ou ainda "o novo romance do filho de Georges Sand está de arrepiar". claro que seria estranho, mas ainda mais é a Juliana dizer: "VOTE NA NETA DO BRIZOLA". neta? fez DNA? e que interessa isto? grande programa de governo para um deputado, uma romancista, como Georges: ser neto de quem se é! eu, em particular, sou neto de meus dois avós, um de pai, outro de mãe, que naqueles tempos a família ampliada não permitia proliferação de parentescos.

política no Brasil? nepotismo? transferência de prestígio, carona nos nomes da família? e que tal um general de 28 anos de idade? claro que pode, nos velhos tempos. hoje em dia, com os exércitos profissionais, este tipo de fenômeno bélico está escasseando. mas não na Coréia do Norte, uma monarquia comunista, como já andei lendo algumas vezes. o mesmo que Cuba. comunismo, meu chapa? só bebendo.

então que têm a ver os generais da Coréia do Norte, os rapazes que podem vir a ter uma bomba atômica para usar como auto-defesa, isto é, transformável em ataque no devido tempo. pois a p.38 do jornal de que falo diz que o filho mais jovem do presidente da república foi eleito general, a fim de poder sucedê-lo, garantidamente nas próximas eleições.

serão eles os sabidos? quem são mesmo os muares?
DdAB

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Luta de Classes x Luta de Instituições: Marx e Garaudy

senhoras e senhores:
segue a política, estamos na última semana de circo/2010. a expectativa da semana é se a chapa Serra-Dilma será eleita no primeiro turno, representada por Dilma, ou se teremos mais desperdício de tempo e dinheiro. vemos uma campanha eleitoral que é um verdadeiro documento atestando a condição periclitante da política brasileira contemporânea. o histórico da foto que ilustra esta postagem é curto:

.a. procurei no Google Images a expressão "luta de instituições", que usei no título de um paper publicado pela revista "Textos de Economia" (da UFSC), mas também já falara nela em outro paper da revista "Análise" (da PUCRS). dias atrás, rememorei um e outro. um dia, trabalharei mais sobre o assunto, organizando incontáveis anotações.

.b. pouco ou nada achei de interessante. então procurei "luta de classes" e, sem maiores delongas, divisei sta foto. espantosa. o site é até mais, interessante mundo, este, o da Internet. cheguei a ele e já o elegi como "favorito", disposto ao lado. vejamos por quanto tempo.

com esta ilustração e texto acima, chego a meu ponto. dias atrás referi o livro de Roger Garaudy, "Perspectivas do Homem", em que ele faz um balanço de três escolas filosóficas que -diz- marcaram o século XX: existencialismo, marxismo e catolicismo, algo assim. na primeira vez que li o livro há milhares de anos, achei dificílimo. agora, achei facílimo, mas lendo mais acuradamente, encontrei o caminho do meio, nem tão fácil nem tão difícil. eu nem iria ler tudo sobre o marxismo, mas decidi fazê-lo e vi algo que me ajudou a justificar todo o esforço (e bendizer o acaso) despendido no projeto.

ocorre que, Mr. (pronuncia-se 'monsieur') Garaudy, à p.228, traz um argumento como um dos maiores elogios que pode dar ao marxismo: ele inovou ao vincular a ideia socialista ao movimento operário. nunca fui muito bom nos temas de história econômica e história do pensamento econômico. minhas leituras sobre o socialismo utópico são perfunctórias e, como tal, não sei se é verdade que Marx inovou mesmo neste ponto. se o fez, posso associar seu nome sagrado a uns desmandos que a macacada andou fazendo desde então. e principalmente o que se faz hoje em nome desta visão. no caso, uma generalização e aceitação por parte de  toda a sociedade que toda a distribuição da renda deve relacionar-se ao funcionamento do mercado de fatores de produção (em particular para os marxistas apenas o mercado de trabalho, proibindo a existência de mercado para serviços de outros fatores, como a terra).

primeiro: o conceito de justiça de David Harvey começa o assunto dizendo que, na sociedade justa, todos receberão uma fração do excedente, mesmo se não tiverem trabalhado. eu sempre invoco o exemplo das crianças e dos velhos que não trabalham e comem (ok, ok, uma parte expressiva deles o faz, especialmente os filhos e pais dos ricos). segundo: trabalhador desempregado também deverá ter direito a seu quinhãozinho de comidinhas e outras amenidades vinculantes do corpo à alma. criminosos também (desde que não sejam eleitos deputados e senadores e vereadores e prefeitos e vice-prefeitos e governadores e o que mais seja), tampouco eles são de ferro. e a turma dos loucos, claro, também é filha dos céus (veja o admirador do Movimento Ateus, Saiam do Armário) que ao dizer que alguém é filho dos céus não estou afirmando que é filho de Deus, mas apenas que somos filhos das estrelas que morreram.

nos modelos elementares de gerações superpostas, trabalhou-se o caso de indivíduos que têm filhos como bens de consumo e que, ao verem-nos alcançarem a idade economicamente ativa, fenecem (isto é, morrem...). claro que são modelos e são elementares. no mundo real, vemos muito mais vínculos entre diferentes gerações. isto significa que as tranferências de renda relevantes não são exatamente as que os locatários dos fatores de produção transferem a seus proprietários (as instituições famílias), mas as transferências interinstitucionais, ou seja, as levadas a efeito entre as famílias (filho que sustenta pai, pai que sustenta filha, amigo que sustenta amigo, e por aí vai), e aquelas que têm efeito entre o governo e as famílias.

quer dizer, um modelo estilo renda básica unversal não é compatível com aquelas concepções de que os produtores devem empalmar 100% do produto! quer dizer, a luta de classes é importante, mas -mais que ele- é importante que as regras da definição do produto entre os diferentes indivíduos (ou classes, no sentido estatístico) sejam democratizadas por meio de reformas democráticas que conduzam ao socialismo.
DdAB
p.s: obviamente o guri da foto não está enfrentando a classe capitalista, nem ele pode ser chamado de classe trabalhadora.

domingo, 26 de setembro de 2010

Francelino e o Bom Julgador

senhoras e senhores:
nem todos os tempos de eleições reservam-se para assuntos 100% eleitorais. ainda assim, a economia política é uma presença em nossas vidinhas, queiramos ou não. o MAL* (Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela) tem-se posicionado a favor de mudanças radicais, reduzir o preço a ser pago pela geração presente para salvar a geração futura. anistiemos todos os ladrões e comecemos o jogo para valer apenas no dia primeiro de janeiro do ano entrante. (não sei se assim tão em cima resolveria, mas podemos ajustar este prazo para, digamos, antes de 2222. o ano de Gilberto Gil).

meu problema com as atuais instituições, com as críticas da situação e da oposição, ou seja, de todos os governantes, é que eles não são sérios, eles mudam de posição, de princípios, assim que as circunstâncias do momento sugerem manobras oportunísticas. e isto vale para os três poderes. dos três, o que mais me encanzina é o judiciário, esse ambiente de cidadãos dotados de elevadíssimo senso de baixo altruísmo, esses indivíduos que ganham R$ 30.000 por mês e se arvoram o direito de julgar os recebedores de R$ 600. dias atrás, tornou-se claro o absurdo desta situação. o Sr. Francelino de Tal, aquele que era caseiro da casa em que o Dr. Antonio Palotti realizava atividades extra-curriculares e dedurou-o para não-se-sabe-lá-quem-o-fato-é-que-dedurou-mesmo. no afã de calar os governantes da oposição, os governantes da situação foram testar a hipótese de que o Sr. F teria levado bijuja dos denunciantes do Dr. A.

a metodologia utilizada para o caso pareceu inoportuna para o poder judiciário que condenou a Caixa Econômica Federal (que teria violado o sigilo bancário do caseiro) a pagar-lhe R$ 500.000. pensei: bom julgador julga os outros por si mesmo. segui pensando: um juiz que recebe R$ 30.000 por mês tem como unidade de conta a cifra de 500.000/30.000, ou 50/3, não é isto? então, ele garrou de pensar: R$ 500.000 não dá para nada, nem um carrinho destes mais modernos... ato contínuo, achou que uma punição de 17 unidades não seria um descalabro, algo assim como os rendimentos de um ano e picas-licas.

neste caso, condenou a CEF a pagar a F um carrinho. claro que o correspondente, mutatis mutandis, seria os R$ 600 que a economia de mercado reservou ao caseiro vezes 17: R$ 10.200, ou seja, um carro de segunda mão. o Sr. F saiu ganhando porque o juiz J julgou-o com base em suas próprias preferências, ensinadas que foram por seus estipêndios mensais. ou muito me engano.
DdAB
p.s.: uma notinha de R$ 500.000, Mário de Andrade? é o país de Macunaíma, mesmo!

sábado, 25 de setembro de 2010

Dois Documentos: Clube da Baixaria Chega às Eleições

senhoras e senhores:
segue a campanha eleitoral, seguem as provas insofismáveis da existência de
.a. lobbies para os contratos de emissão de títulos eleitorais,
.b. macabra movimentação contrária às facilidades da vida trazidas por um número de identificação único para o cidadão (chamado, pelos conservadores, de "cidadão número", como se os meninos de rua tivessem algum...)
.c. explicação funcional para a circunstância de, com frequência, os desejos moldarem as crenças.

falamos, claro, de notícias eleitorais veiculadas pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, cidade que, como sabemos, existe. na p.8 -seção 'Política'-, vemos:
Regra dos Documentos
Ação petista questiona exigência para votar.
e segue-se uma notícia relativamente curta sobre demanda apresentada pelo diretório nacional do Partido dos Trabalhadores ao Supremo Tribunal Federal, a fim de que este não leve a sério a decisão de seus pares, do tribunal de tal, e permitam que eleitores que não portam títulos eleitorais nem carteira de identidade, mas portadores de sua identidade comprovada por sua pessoa física, possam votar. dizem os postulantes que as águas das enchentes levaram todos os pertences de pilhas e pilhas de brasileiros e brasileiras e que estes poderiam ser impedidos de votar não apenas porque o voto é obrigatório mas principalmente porque não seria obrigatório as águas passarem justo na gaveta em que os documas estavam encaçapados. ok, ok, as coisas não são bem assim...

depois da enchente, aparentemente, já que a lei tem um ano, o PT deu-se conta de que as águas poderiam carregar seus votos:

A exigência conjunta de dois documentos, além de causar previsível confusão, afronta a razoabilidade, a proporcionalidade e a eficiência, ao impor infundada restrição a um direito de cidadania, com riscos e prejuízos para o conjunto do eleitorado.

pensei comigo já há muito tempo (talvez tendo feito mesmo alguma postagem nestes últimos seis anos sobre o assunto em alguma dessas eleições (2004, 2006, 2008 e agora)) que seria maravilhoso a Editora GangeS ganhar a "licitação" para vender ao governo os títulos eleitorais de 135 milhões de neguinhos obrigados a tirar os títulos, ou até que nem o fossem. e mais 135 milhões de carteiras de identidade, e mais 135 milhões de cartõezinhos do CPF e mais 135 milhões de declarações de imposto de renda, outras de outros e mais outros e outras e assim por diante. ad infinitum. daria papel para embrulhar o próprio planeta. calculo, se forem 10 destes documentos impressos em folhas A4 divididinhas em oito papeizinhos, cerca de 350 mil pacotes, a R$ 10 -por cada, disse lá em outros tempos o jornal-, dá um faturamentozinho de fazer inveja à brava Editora GangeS que me levou à falência (emocional).

claro que estou dando uma explicação funcional: o menino de rua não tem lá seu número de cidadão número por que vale a pena segregá-lo e dar milhares de números a outros cidadãos, de sorte a montar-se um lobby para montar uma empresa que faturará R$ 3,5 milhões a cada dois ou três anos. de modo análogo, é funcional dizer que a enchente levou os títulos eleitorais e, assim, devemos facilitar a vida do eleitor que, otherwhise, é mesmo obrigado a votar.

tampouco posso deixar de comentar esta iniciativa petista. claro que ele/s tomou/aram conhecimento da lei que, presumo, diferentemente da lei do orçamento público, andou de boca em boca... naquele momento, as crenças em lisura no processo eleitoral, inceitivada pela "minirreforma", que não mexeu em coisas realmente importantes (como o voto distrital, o voto voluntário, o financiamento das campanhas exclusivamente por pessoas físicas, essas coisicas), deram lugar a desejos de ver mudanças. agora, ao contrário, os desejos de ver votos na urna transformaram as crenças: a lei era absurda. assim que eu postar este ensaio sobre economia política das eleições de 2010, vou conferir quem votou na lei, lá no site do
DdAB

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Política Baseada em Evidências

senhoras e senhores:
chegou a hora do acerto final. o paciente requer cuidados (clicar). o guardião é avesso ao exame das evidências. o paciente é dois, os erros de concordância é um...  o paciente dorme, nós também. escrevemos dormindo, votamos dormindo, vigiamos dormindo, recusamo-nos a ver a evidência. os governantes neste país, nunca dantes na história dele, e também sempre dantes, nunca mudou nadicas de nicas de nada, ou as mudanças são perfunctórias, sob o ponto de vista de que os erros permanecem estruturalmente os mesmos.

falo, claro, do atendimento médico, falo, claro, da administração da justiça, falo, claro, da fiscalização da lei do orçamento público, falo claro? falo com clareza? falo, claro, de Zero Hora, o nanico escolhido por mim para ajudar-me a acompanhar o cotidiano universal contemplado pela "lúpula" de um clube porto-alegrense da festa pobre, da festa dos ricos, da festa dos pobres, de quem ficou na porta estaconando os carros. precisamos saber "o nome do teu sócio", precisamos saber quem matou Cazuza.

no acerto final, a chapa Serra-Dilma está eleita. em Porto Alegre, ela elegeu/elegerá Tarso Genro como governador geral. o Saltimbanco Fogaça (fica santitando de um partido a outro...) criou condições para uma das mais fragorosas derrotas desde a de Ulisses Guimarães, candidato a presidente em 1989 pelo finado PMDB. finado? finado? que digo? o partido do vice-presidente da república? o partido da chapa branca?

que digo? digo duas coisas sobre a política, inspirações profundíssimas. originárias de minha leitura de hoje do Luminar dos Pampas, a Zero Herra. na p.18, Tarso propôs o "pacto republicano gaúcho". fosse o pato publicano de la gauche, minha surpresa não seria menor: 

O plano é reunir as esferas da máquina estadual envolvidas com a Justiça, segurança pública, direitos humanos e defesa do consumidor, entre outros, como o objetivo de melhorar a prestação desses serviços à população.

esta pérola literária é, talvez, originária do plano de governo ou de declarações. penso que que segue também sejam declarações de Tarso Genro:

Este pacto é o aporte aqui para o Estado (com 'e' maiúsculo) de uma experiência já realizada n país, quando o Ministério da Justiça, o Supremo Tribulan Federal e o Congresso fizeram um acordo para garantir a tramitação de leis, a adoção de programas em defesa dos direitos humanos....

pensei direito, pensei direto naquele negócio da medicina baseada em evidência de que falo em meu site (às folhas tantas). creio que por lá mesmo eu lançara o programa de pesquisa chamado de "filosofia baseada em evidência", que podemos fazer rimar com a filosofia política baseada em evidência e, pequeno passo adiante, com a política baseada em evidência. no caso, precisaríamos indagar se os resultados apontados por ele  e destacados pelo combativo (...) jornal são relevantes:

 Entre os avanços conquistados, segundo Tarso, estão a nova lei orgânica da Defensoria Pública, a interiorização da Justiça Federal e a garantia de direitos para detentos que já haviam cumprido penas.

claro que isto não interessa, não é mesmo? avaliar o crescimento dos insumos ou do produto? o que seria relevante no caso associar-se-ia à indagação sobre o número de prisões, o número de julgamentos, o número de crimes comparativamente aos do sistema anterior. o Ministério da Justiça? é vilão, claro, quantos cargos haverá baseados no nepotismo? e o Supremo Tribunal Federal? deveria ser fechado e suas atribuições atribuídas ao Ministério da Justiça, como tenho argumentado. o Congresso? também deveria ter fechado o Senado, ficando apenas a Câmara dos Deputados. defesa dos direitos humanos? não começariam eles precisamente na infância e nas condições prévias a sua sagração (quero dizer, o cuidado pré-natal)? e tudo isto não seria enfeixado por um decente programa de educação infantil e de adultos?

não basta, não é mesmo? a segunda reflexão que digo (digno ou genuflexo?)endereça-se à p.23, a dos artigos assinados. complementa-se, como a mão e a luva, às considerações feitas pelo futuro governador. trata-se da página dos artigos assinados. trata-se do artigo "Voto dos presos: avanços e desafios", do advogado Rodrigo Puggina. lembro-me da campanha de alguns meses atrás, casuística, pois querem fazer do Brasil "a maior democracia do mundo", calculada pelo número de cidadãos suspeitos de poderem votar, os do voto obrigatório complementados da turma do voto voluntário (analfabetos, adolescentes e macróbios).

pois diz o Dr. Rodrigo que 

Continuam sem voz no processo eleitoral brasileiro quase 1 (sic) milhão de pessoas, um número que supera o total do eleitorado de Estados ('e' maiúsculo no original) como Acre ou Amapá. Se não permitirmos que eles se manifestem através (querendo dizer 'por meio de'?, ou uma lupa, sei lá) da ferramenta democrática que é o voto, vamos esperar que se manifestem como? Atrvés de rebeliões ou facções criminosas?

naturalmente, meu primeiro pensamento foi de incredulidade. temos um milhão de presos? meio por cento da população. isto é muito? quantos por cento estão no xilindró da Bolívia e da Suíça? temos uma fração de presos que deverão ser mesmo recolhidos às barras da lei, pois são criminosos. a sociedade não deve garantir direitos plenos a crianças, criminosos e loucos, não é mesmo? adolescente vota? esquisofrênico vota? pera aí, né, meu senhor do bonfim, tem gente que não pode votar, não é mesmo?, bebezinhas e hebifrênicos!

deveríamos ter um sistema judiciário decente, com trabalhadores decentes, garantindo ao cidadão um julgamento em, no máximo, digamos, 24 horas depois da realização da prisão. neste julgamento, a autoridade do policial que fez a prisão deveria ser investigada, as evidências da criminalização do preso pesadas, tudo baseado em evidência. se o juiz (que não deveria ganhar R$ 30.000 por mês) achasse que faz sentido mesmo que o preso seja declarado suspeito, ele deveria ser trancafiado e submetido, digamos, em mais sete dias, a um julgamento justo. esse negócio de termos um milhão de presos não é orgulho nacional, nem o é o fato de termos 135 milhões de pessoas em idade de votar. isto não faz nossa democracia melhor do que a do Zaire.

as perguntas retóricas do Dr. Rodrigo são siderais. respondo: se não permitirmos que os presos se manifestem por meio do que quer que seja, não interessa. o que interessa é que ele tenha bom comportamento enquanto estiver detido pela sociedade por ter exercido mau comportamento. durante o período de punição ao mau comportamento o que se espera é bom comportamento, não é mesmo? incentivar rebeliões, criação ou administração por telefone das facções criminosas e outros descalabros não deveriam ter apoio de ninguém, não é mesmo?, pois conceitualmente devem ser aceitos como mau comportamento.  mas ele não parou por aí:

Todos nós, ao votar, legitimamos que determinadas pessoas nos governem. Ou seja, o nosso direito ativo de votar é que legitima os políticos a atuarem em nosso nome.

não são muito diversas destas (simetrizadas) as razões que me levam a não votar ou anular o voto. considerando que eu não voto, torna-se claro que ele não fala de "todos nós", e, mais ainda, que nem todo votante legitima desgovernos, o roubo, o nepotismo, essas ações criminosas que qualquer tribunal internacional condenaria. naturalmente os políticos do Brasil contemporâneo não falam em meu nome. como um rapaz que rouba merendas a crianças iria representar-me? como outro que ganhou dinheiro escuso, ou dinheiro clarmaente sujo, ou dinheiro manchado de sangue iria representar-me?

eu não legitimo político nenhum. eu não legitimo criança, criminoso ou louco votando. eu não legitimo qualquer preso votando ou sendo eleito! eu não legitimo qualidade para a imprensa brasileira. eu não legitimo decência no processo político brasileiro. eu não legitimo o estilo de governar do "rouba mas faz" (ainda que prefira os que fazem e não os que se cingem apenas ao roubo). eu não legitimo nem mesmo o direito de nos desesperarmos. o que eu legitimo é a busca desenfreada das reformas democráticas que conduzam ao socialismo temos que começar tudo de novo!
DdAB

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O MAL* E O NEPOTISMO

O MAL* do Nepotismo
senhoras e senhores:

seguimos em tempos de eleições. Dilma segue na perspectiva de vencer no primeiro turno, Serra atém-se ao denuncismo pueril (o pior de que ouvi falar foi ele ter dito -disse?- que a economista é incompetente, pois não conseguiu administrar, em 1994, uma lojinha de vendas de R$ 1,99). Brasília é a capital do nepotismo, a charge de Nanini vale como uma reportagem maravilhosa e pode ser encontrada aqui.

ouvi dizer que que a lei anti-nepotismo pintou no dia 7 de junho. claro que a lei não previu que, no dia 25, a filha de David Matos (que seria nomeado para presidente dos Correios e Telégrafos [?]), Ms. Paula Damas de Matos, foi nomeada para precisamente a Casa Civil, onde recém tomara possa Ms. Erenice Guerra, de tão alardeados feitos, nos dias que correm. a tal lei do nepotismo terá tantas alíneas e circunlóquios que seria difícil enquadrar uma pessoa como realmente aparentada ao nomeante. e mais ainda a lei deveria ser fiscalizada pela Controladoria Geral da União das Repúblicas Federativas do Brasil, um troço assim.

isto, claro, é manifstação mais simples e evidente do nepotismo. aprendi tudo sobre o tema durante minha recente campanha na Itália:

nipote [ni-pó-te], antiq. nepote, n.m. e f. [pl. -i]
1 figlio, figlia del figlio o della figlia; figlio, figlia del fratello o della sorella: mio nipote; la nostra nipote dim. nipotino, nipotina, accr. nipotone, nipotona
2 il coniuge del nipote o della nipote; il figlio, la figlia del cugino o della cugina
3 (spec. pl.) discendente, postero: i nipoti d’Adamo, il genere umano
? Lat. nepote(m)
© 2005, De Agostini Scuola S.p.a. - Garzanti Linguistica

a ingenuidade (no sentido de singeleza) da chapa Serra-Dilma é que eles (ou apenas seus eleitores?) pensam que podem resolver tudo, desde que sejam eleitos, como o serão com 100% de chances! um deles. as alianças entre eles não surgirão, mas quem duvida? talvez surjam, intermediadas pelos Sr. Fernando Pimentel e Aécio Neves. o MAL* requer anistia aos ladrões estrela, determinando a honestidade para um horozinte de tempo que permita à sociedade organizar-se, inclusive enganando os políticos cabíveis nos xilindrós, para que eles pensem que o assunto não é com eles.
DdAB

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Restaurantes Russos... (festa de inauguração)

senhoras e senhores:
 tempos de política. mas nem todos os escritos devem atender por "economia política". há escritos que podem classificar-se, singelamente, como "escritos". sempre que um "escrito" é feito à mão, ele chama-se de "manuscrito". sempre que um político passa a mão, ele chama-se de "manuseio". falar mal de políticos pode ser atividade do economista político (em meu caso, com a invensão de novo tipo de silogismo que não ocorreu nem mesmo a Aristóteles de Eçtagira, a não ser confundido com o de Eçmirna, de sobrenome Onassis, ok, escritos são escritos... e reticências são reticências, e três pontinhos são três pontinhos e por aí vai. etc...., o que já faz uma série de quatro pontinhos).

mas hoje usei o título enganador de "restaurantes russos" para descrever um fenômeno do ambiente da política, sob o ponto de vista das fofocas políticas, o que não é marcador válido para este blog tão bem retratado no "print screen" da postagem de ontem. ocorre que a p.8 de Zero Hora de hoje mostrou a manchete garrafal: "Yeda mostra reformas no Palácio". como bem sabemos, Yeda é a governadora do Rio Grande do Sul, foi minha professora de "economia política, oslt" e colega de departamento em meus tempos de UFRGS. Yeda venceu as eleições sem me consultar, aliás sem meu voto, que eu morava em Berlim e ausente não vota. se votasse, não votaria, pois sou da campanha "política no Brasil? não vote etc....".

e que há de inusitado nas reformas do Palácio? ocorre que nos tempos do velho português, dir-se-ia "de Palácio". claro que o português moderno dispensou isto e tudo o mais, inclusive a decência no, para fazer rimas, cumprimeito da lei do orçamento. são novos tempos. a gramática foi aos cães e a lei do orçamento  é ladra, sei lá.

o que me inspirou (não por falta de mais assuntos mais amenos ou mais cáusticos) a postar sobre estas reformas palacianas vê-se na foto da direita inferior (epa, não era "economia política"?), com gente que compareceu à festa de inauguração (bati-lhe a carteira, nem notou, levou meu relógio e eu nem vi...), portando pantufas, a fim de não riscar o assoalho. lembrei-me, claro, de minha postagem de ontem sobre os restaurantes russos fecharem precisamente no horário de refeições. cá entre nós, soalhos que não podem ser usados nem como assoalhos! não é à toa que recomendo que os políticos andem plantando bananeira, pois -assim- não poderiam usar as mãos para "manuscritos" ou para "manuseios", capturou?

no cultivo das tradições gaúchas, em minha casa, sempre que compramos sofás novos, usamos o plástico de proteção, a fim de proteger mesmo o estofamento original. e já houve tempos em que os plásticos romperam-se devido ao uso, como os restaurantes russos teriam gastos em alimentos e até quebras de pratos, copos, se fossem usados para servir alimentos em pratos, bebidas em copos... o que fizemos, chez moi, foi mandar trocar logo o sofá inteiro. queríamos plásticos sempre zerinhos.
DdAB

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Emprego e Restaurantes Russos

senhoras e senhores:
tenho dito que uma das mais crueis piadas que já ouvi -endereçada contra o comunismo- é aquela dos restaurantes russos. a incompetência era tanta, os atropelos, a falta de insumos, que o melhor que criaram foi estabelecer o horário de folga para os trabalhadores precisamente durante os horários de refeições.

é claro que esta inversão de valores não era típica do desastrado modelo soviético, que gente como eu e milhares de outros endeusaram por algumas décadas. como eu, disse eu. é como fila em setores de emergência dos hospitais porto-alegrenses, é como o osso morder o cachorro, é como a frequência livre nas escolas pré-universitárias. ontem falei do modelo cubano e a promessa de demissão em massa de servidores públicos. pois não é que hoje vi no mesmo jornal que leio diariamente que na Rússia, devidamente pós-sovietizada, também há promessas de demitir outros 500 mil trabalhadores, ou algo parecido.

em minha maneira de ver o mundo no século XXI, especialmente daqui a 50-60 anos, o grande problema será da ocupação da população em atividades socialmente desejáveis, pois as economicamente relevantes serão apanágio de meia dúzia de privilegiados. uma vez que, nas sociedades em que os padrões de consumo não são razoavelmente equalizados, rege a desordem ou a repressão desenfreada, vim a entender que esse mundo do desemprego e mesmo o mundo do seguro-desemprego estão fadados a pegar fogo.

a saída é o serviço municipal, a contratação de toda a população excedente sob o ponto de vista dos enormes diferenciais de produtividade que serão alcançados pelas atuais revoluções industriais e outras tantas (mais, digamos uma ou dias) que rolarão nesse período. a saída é a criação de um arranjo comunitário que force o futuro governo mundial a financiar, com verba do orçamento público, emprego para a prestação de cuidados humanos e ambientais: cuidar de velho, cuidar de criança, cuidar do vizinho, cuidar do meio-ambiente, ensinar o que se sabe, matricular-se em aulas dadas por pares do que se quer saber mais, e por aí vai.
DdAB

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Roubalheira: Aécio e Lula

senhoras e senhores:
os tempos são difíceis. celebra-se hoje o dia dos farrapos, um grupo de fazendeiros enfarpelados que insurgiu-se contra o livre comércio do que poderia ter sido, prematuramente, o Mercosul. em 1835. a 25 anos do bicentenário do levante, o que vemos é a busca por mais protecionismo da parte de apaniguados. o povo, ah, o povo, segue vivendo lá seus cataclismos, que a vaca é brava...

entendo que os tempos seguem difíceis, pois o quinto governo FHC tem os dias contados para começar. a chapa branca Serra-Dilma está dando lugar à unção exclusiva da segunda. na verdade, serão dois governos do PSDB (os de FHC propriamente) e três do PT (Lula+Lula+Dilma). a questão é se o sexto governo FHC terá Lula, Dilma ou Aécio. ou terceiros, digo, quartos, quintos, que ainda não me vêm à vista. os tempos são difíceis, after all.

ou que de melhor entendo (ou era de pior?...) é que o PSDB enrascou-se de tal maneira numa oposição de diretório acadêmico, ou seja, radical e irresponsável como poucos diretórios acadêmicos, em que atitudes pueris epitomizadas pelo próprio FHC e por, exemplifico, Arthur Virgílio. montando "pegadinhas" para o governo a todo instante, estas duas importantes lideranças políticas do Novo Brasil estraçalharam a seriedade com que poderiam ser recebidos pela população.

onde foi que o govenro Lula errou? entre os 200 milhões de brasileiros, já ouvi de dois 
(isto é, 100 x (1-2/200) = 98%)
que Lula não é o ladrão, mas o rapaz que denuncia os assaltos às burras públicas. como provar? ele demitiu uma turma? ele demitiu porque foi pressionado por FHC e Virgílio? ele demitiu porque o fogo amigo levou a imprensa a saber dos escândalos? estes raciocínios embalam-se pela teoria da grande conspiração. já começa no jeitinho que dei na aritmética para chegar a 99% de aprovação ao govenro. ou eram 84,98?.

quando ouvi falar pela primeira vez na frente PT+PSDB, Aécio e Pimentel, chegando a eleger o prefeito de Belo Horizonte, não consegui conter um sorrizinho de mofa... mas, ao mesmo tempo, pensei -meses depois- que poderia estar ocorrendo algo interessante na política brasileira. de Pimentel eu conhecia pouco, além das referências do amigo do amigo. depois vim a saber que ele foi contemporâneo de militância (adivinhe aonde? no diretório acadêmico) de Dilma Vana. e agora acabo de saber que a revista Carta Capital anunciou que Aécio está saindo do PSDB, uma manchete do nível do baixo nível, claro, pois o carinha ainda nem bem elegeu-se e já estaria trocando de partido, ou seja, estaria perdendo o mandato.

mas, se anunciar que Dilma roubou o sorriso da Mona Lisa ajudou a vender a revista Veja, nada haverá de errado em vender o projeto de futuro do Brasil, se é que há futuro para o quinto governo FHC. Aécio, vi na Internet, desmentiu, mas o jornalista da Carta Capital que se responsabilizou pela matéria -ainda que protegendo sua fonte- confirmou que se ouviu mesmo dizer isto.

nestes casos, sempre apelo para a bebida. ou a ingiro diretamente ou atribuo ações esdrúxulas dos agentes da política (e todos os demais) como inspiradas nas reações cerebrais (químicas) provocadas pela ingestão imoderada de álcool. pois bem. Aécio poderia ter bebido, o que descredencia o jornalista, mas não o projeto. nunca o vi "na noite", mas já ouvi que o neto ou o que seja de Tancredo Neves é um noctívago, um esbórnia, diriam outros... não se pode dar crédito a tudo o que se ouve, claro. mas que se ouve, lá isto se ouve mesmo.

o denuncismo teria que transformar-se em ação positiva. se todo mundo sabe que todo mundo mete a mão, inclusive no dinheiro que nunca chega a ser repassado ao povo de barro vitimado por tragédias as mais variadas, não seria difícil criarem-se mecanismos de controle from scratch. pelo menos foi isto que me ensinou o professor de inglês, diferenciando "scratch" de "rumble".
DdAB

domingo, 19 de setembro de 2010

Duas Obviedades

senhoras e senhores:
das duas obviedades que falarei em seguida não consta uma constatação: são baixíssimas as possibilidades do touro da bela foto acima não despencar-se, estatelando-se ao chão, para alegria da petizada malvada (e malfadada...).

sempre que somos colhidos por uma obievade escondida em nossa mente por ser deslocada, prematura ou irrelevante, e -principalmente- óbvia, não conseguirmos evitar de exclamar: "como foi que não pensei nisto antes?", "não posso ser tão burro assim!", "como é que não vi isto antes?". tenho milhões de exemplos, claro, mas vou ater-me a dois.

o primeiro diz respeito a um dos indutores já catalogados em meu site do ódio à humanidade: a dieta para emagrecer ou engordar: obesos e anoréxicos. e, quando pensamos que haverá apenas uma dieta para eles, a diata da pessoa normal. a pessoa normal, por seu turno, exibe esta condição por ater-se exclusivamente à dieta normal! ergo: há uma e apenas uma dieta adequada ao ser humano: a dieta normal!
a segunda obviedade, ou seja, o segundo exemplo, tomar-me-á (tomar-te-á?) mais espaço. trata-se, agora, de uma questão ontológica: o tudo e o nada. aparentemente o homem inventou o nada e, depois disto, despende enormes montantes de energia problematizando se o "todo" envolve o "nada". ou se "tudo" envolve "nenhum". não seria impossível nunca termo-nos desviado de uma linha de pensamento apoiético: a exemplo da linha reta, o mundo mundano não teve início nem terá fim. está e estará apenas mudando de estado, na linha que tenho discutido -originária de minhas leituras de ficção científica, se tanto...- sobre a equação E = m x c^2.

COROLÁRIOS:
.a. nunca poderemos chegar ao "fim" do Universo
.b. o Universo (ou sua parte que já nos foi dado conhecer) está em movimento (ainda que, talvez, seja necessário que se invente outra palavra para descrever esta coisa pós-Big-Bang).
.c. a evolução é um caso particular de movimento, haverá outros, tão ou mais interessantes.
.d. nós humanos temos uma finalidade individual na morte, mas -inventada a História- alcançamos a imortalidade polausível para a espécie
.e. para sobreviver como espécie, precisamos de uma biota não necessariamente terráquea, mas
.f. podemos organizar-nos para prescindir da biota
.g. podemos criar um corpo que nos abrigue e que seja imortal, ou seja, que escape à lei da evolução, mas que mantenha a lei do movimento
.h. a morte é o contrário: movimento nulo.
.i. podemos ser resgatados (ressurreição) pela reaglomeração de neutrinos ou de alguma outra componente do Universo ainda desconhecida.
.j. seguimos tendo que problematizar os problemas éticos e estéticos.
DdAB

sábado, 18 de setembro de 2010

Se a Pós-Modernidade Chegar à Economia

querido blog:
nada é mais característico dos alvores da influência da pós-modernidade sobre a ciência econômica do que designar-se o modelo japonês e seus sucessores da Nova Ásia como portadores de uma especialização flexível. esta contradição em termos -primeira marca registrada do século XX- associou-se a uma afirmação sem precedentes na história econômica no crescimento da produtividade do trabalho. trabalha-se menos para produzir o mesmo ou, mantendo o mesmo nível de ocupação, produz-se mais.

o milagre da multiplicação assim alcançado é laicamente derivado da aplicação dos desenvolvimentos científicos dos últimos séculos à atividade produtiva, constituindo-se na segunda marca registrada do século XX. com ela, o cerne da estrutura produtiva que, contrariamente ao pensamento fisiocrático tomado estreitamente, se desloca da agricultura para a indústria e cedeu lugar à dominância do setor serviços, desfigurando também a visão marxista de uma diferença importante entre trabalho produtivo e improdutivo para o dinamismo do sistema econômico. hoje, nos países capitalistas avançados, já se pode observar o vencimento da barreira de 80% na participação dos serviços na formação do valor adicionado (produto). gerando menos empregos por unidade de produto do que os setores produtores de bens tangíveis (agricultura e indústria) , os serviços vão-se transformando no maior empregador de mão-de-obra, o que não o tem qualificado como capaz de resolver o problema (problema?) da capacidade dos sistemas econômicos modernos, dados os estoques de capital existentes e em formação, absorver todo o contingente populaconal desejoso de ingressar no mercado de trabalho.
no Brasil, por exemplo, um contingente de 20 milhões de criaturas encontram-se permanentemente desempregadas ou são detentoras de empregos precários. no caso dos empregos precários, a produtividade do trabalho é baixíssima, exceto na produção e distribuição de baixa desejabilidade coletiva, como a prostituição infantil e as drogas ilegais. ao mesmo tempo, a produtividade do trabalho nos setores colados ao interesse público é tão alta que a absorção desse enorme contingente de trabalhaores requer para a absorção instantânea uma formação de capital de quatro vezes o valor do PIB, ou seja, uns 10 trilhões de reais. é impossível de ser alcançada! pós-modernidade significa sociedade pós-industiral, sociedade do lazer. nem precisa tirar do consumo suntuário dos mais ricos, basta apenas que os pobres e os governos não acalentem tão maciçamente as contas de poupanças desses aloprados.

para definirmos pós-modernidade, precisamos chegar ao filme "E.T." e a cena da bicicleta com o menino exercendo o "controle", o E. T. na cestinha e controlando tudo. saber-se-á se foi ele que influenciou os "moto-cross" ou vice-versa. eu não sei. talvez saiba quem clicar aqui.
DdAB

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mais sobre o MAL*

querido blog:
como não falar em "política", nos dias que correm? como alienar-me da grande bobajada que toma conta dos meios de comunicação e mesmo das ruas do país com esta dinheirama gasta nesta palhaçada em que se converteu a política desde que o Brasil foi descoberto? como não pensar em ressuscitar o MAL* (Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela)? se não ressuscitar, que ele não morreu!, pelo menos fazê-lo alcançar suas atribuições, mas revendo-as. Erenice Guerra: é política, devemos anistiá-la? seus filhos, irmãos, pais, bisavós, netos, padrinhos de batismo e crisma, a professorinha de segundo grau que lhe ensinou a diferença entre boock e bok, sei lá. como não querer empregos para todos? como não querer a renda básica universal? como não querer um programa de reciclagem de analfabetos e semi-analfabetos e transformá-los todos, in due time, em músicos, filósofos, esportistas, médicos, pilotos de barco e avião, calígrafos, astrólogos, poetas, sei lá? reciclar gente para criar seu auto-emprego, empreendedorismo!

há anos entendi que quando falamos em gastar em educação não queremos dizer apenas "tabuada" e "vogais", pois há uma gama enorme de variáveis (nutrição, moradia, transporte, roupa) que requerem consumo simultâneo ao da sala de aula (pás, tijolos, cimento), do giz. a educação, entendo, é um locus interessante para centrar o gasto público, na produção deste bem semi-público, que é a difusão do conhecimento, das habilidades pessoais, da cidadania. enquanto isto não ocorrer, teremos este circo em torno das eleições, como se realmente estivéssemos elegendo algo interessante. a chapa Serra-Dilma, uma chapa branca, tem uma diferença fundamental: quem serão os amigos do rei que, mesmo que vendo-lhe as vestes escusas, pouco ou nenhum caso farão da percepção, pois estarão interessados em reforçar o patrimônio familiar. e uns cobres também para seu partido, que afinal, sindicato de ladrões é isto mesmo.

e não adianta bradar, ladrar, esgrimir? na p.20 de Zero Hora de hoje, vemos uma declaração da candidata Marina da Silva, a presidente da república, senadora licenciada, defendendo o meio-ambiente, aliada ao Partido Verde, pensando em mudar a estratégia deste partido estranho, a fim de transformar o Brasil, coisa que ela foi impedida de fazer, pois perdeu o controle do PT. corei. vi o oportunismo. vi a busca desesperada de espaço na mídia. ela repercute o que a direita comemora (escândalos encomendados -dizem- pelos próprios anti-lulistas de dentro do própro PT) o furo de reportagem da revista Veja desta semana (que não li no local). ela pensa que, ao repercutir este tipo de notícia, que ao colocar em sua agenda as propostas de ação absolutamente conjuntural (uma coisa é acabar com a corrupção dos funcionários públicos e outra bem diversa é denunciar casos isolados que atendem a interesses momentâneos) para resolver severos problemas de representação e eficiência do setor público brasileiro. olha so que belezinha de encaminhamento para votarmos nela e postergarmos a eleição para o segundo turno (mas se todos votarmos nela, não haverá segundo turno, não é mesmo?):

-Nâo se pode açodadamente definir os rumos do país com coisas tão graves acontecendo. [...] É fundamental haver investigação séria e punição para comprovação dos casos de corrupção, tráfico de influência e o que for.

fico pensando nas razões que levaram-na a pensar nestas coisas apenas agora. nas razões que a impediram de, no exercício de seu mandato enquanto senadora ou no de ministra do mesmo governo que a escorraçou e agora ela escorraça, fazer denúncias mais consentâneas, aderir ao MAL* e começar a criar mecanismos institucionais para que, daqui a 20 anos, tenhamos um sistema judiciário eficiente.

então comecei a procurar ilustrações. pensei em "programa de auditório", a situação atual da política nacional, o que ligou com TV e televisão de cachorro, como aprendi há 30 anos... acho que fome, gordura, roubalheira, falta de educação, falta de cultura, falta de traquejo para o convívio em sociedade, a omissão, a impunidade, tudo isto me cheira mesmo a televisão de cachorro. mas não podemos confundir frango com a capa do disco do PatoFu.
DdAB

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sarcô, Ciganô, Cigarrô, ABC, Berlinê...

senhoras e senhores:
em tempos de eleições, nada há de melhor do que mudar o endereçamento do blog para este "senhoras e senhores". já falaram de tudo, desde "brasileiros e brasileiras" até "eleitoras e eleitores", termos vagos. vagôs, devo admitir, se usar a pronúncia francesa. tentando abandonar por uns instantes o clube da baixaria em que se converteu a política partidária brasileira (desde que importamos os modelos d'"as cortes de Lisboa", que tê-lo-ão importado de allhures, sei lá). então decidi ingressar, lendo a p.30 da you-know-what de hoje.
carregava-se a seguinte manchete: "Mundo - Briga Européia - Expulsão de ciganos opõe França e UE". era o Monsieur Sarkozy e seu governement, mas na foto mesmo quem apareceu na foto foram seis indivúdios vestidos comme ci comme ça, if you know what i mean. as roupas nem eram excessivamente destoantes, mas as malas eram de gentes chamadas por aqui de chibeiros (termo não aurelianizado). pensei, direto, nos afamados cigarrôs Gitane (ciganô, não é isto?, mas "gitane" pronuncia-se como "pane" e não como pavê) e então cheguei a este site. pensei naquelas pessoas mais para mais desvalidas do que para menos, mais para vítimas do que para agressoras.

a exemplo da política brasileira, que me leva a solidarizar-me apenas com as vítimas da chapa branca, lá solidarizei-me com todos. todos os ciganos, todos os franceses e contra todos, todos os governantes italianos, berlinenses, etc.. uma vez que eles são, admitamos, romenos, seu maior problema deverá ser lá com seu governo romeno. o problema do governo romeno é que ele foi acolhido à União Européia. o problema com a União Européia é que ela teve que pagar a conta deixada pelo comunismo, ou pela baixaria em que a guerra fria jogou aquela companhia (epa, rimas...).

quando morei em Berlim, exibindo minha condição de italiano (lembremos que tenho dois passaportes e sigo clamando pelos outros 198, a fim de ser declarado cidadão do mundo), fui admitido com todas as honras de Estado cabíveis a um coroa de meu porte. entre elas, requereu-se que eu obtivesse permissão de duas instâncias do governo alemão para poder lá radicar-me: a prefeitura e a polizei. em outras palavras, para sair de meu país (nem falamos de Brasil, mas de Itália) e morar em Berlim, tive que prestar satisfação ao governo alemão, inclusive para não me lançar à busca de ajuda a desvalidos. ou seja, não me surpreende que o Sarcô também requeira de italianos e romenos o mesmo procedimento. afinal, a França (e nem a Romênia, by the way) são países especializados em reciclagem social. aliás, eles pagam caro por não incorporarem a atividade de reciclagem social como um bem semi-público cuja provisão deverá ser embalada no swing entre comunidade-Estado.

obviamente, não faz muito sentido um romeno migrar para um país em que o aguarda ninguém mais ninguém menos do que o desemprego. ou seja, ele estaria migrando e passando a ganhar o auxílio governamental que a França deverá reservar a seus desvalidos. claro que o direito de ir-e-vir deve ser assegurado a todos, mas haverá limites para a autonomia, no caso precisamente os associados à capacidade do indivíduo sustentar-se independentemente dos pais, responsáveis ou governo. quero dizer, endeusamento do mercado de fatores. se o cigano tem habilidades pouco valorizadas na Romênia e, além disto, na França, seu problema de ausência ou insuficiência de capital humano pode, claro, ser resolvido no Quartier Latin, de Paris, mas também pode sê-lo, talvez a menor custo social, na própria Romênia.

e quem avaliará se o romeno tem ou não emprego que lhe possibilite existência digna, que não tem trabalho precário, essas coisas? tenho dois candidatos:

.a. o inspetor de quarteirão, conforme existia no Rio de Janeiro nos tempos machadianos. isto é o que vemos na p.348 do v.3 das "Obras Completas em Quatro Volumes" de Machado de Assis (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008). lá fala-se em "inspetor de quarteirão" que socorreu gente desvalida, com um terrível final para o conto "Uma noite".

.b. o presidente do comitê local de defesa da revolução.

ok, ok, estou brincando. estes últimos parágrafos foram uma espécie de exercício contrafactual que acabo de fazer. primeiro: a renda básica unviersal é uma reforma democrática que conduz ao socialismo. como tenho dito, não quero socialismo, apenas as referidas reformas democráticas. penso que a renda básica universal deve atingir valores decentes, para garantir existência decente. mas, ao mesmo tempo, não acho que seja conducente ao socialismo pensarmos que um indivíduo (francês ou não) possa aboletar-se em locais escolhidos a seu bel-prazer, e -dele- destrutar das benesses comunitárias.

no Brasil, uma demagogia barata permite a instalação de tendas precaríssimas de vendas desde passarinhos a sucos de frutas produzidos em condições de higiene bastante variáveis, tudo à beira das estradas. por quê? porque eles não têm renda que lhes possibilite existência digna. claro que não seria sensato que todos se acotovelassem na praça central de Porto Alegre ou de onde quer que seja. mas tampouco teriam direito de se instalarem na beira das estradas, por uma questão de segurança e outra de eficiência. como tais casinholas vão atraindo mais gente e formando núcleos, trata-se de mais polos de urbamização, aglomerados urbanos, que requerem velocidade de veículos automotores reduzida, ou seja, mais tempo de carregamento de mercadorias e gente.

no outro dia, sugeri que o governo (e a comunidade) americano deveria subornar o pessoal que anualmente cai em depressão para não fazê-lo, pagando -se bem lembro- US$ 499 por mês, algo assim. neste caso, também considero que pagar a renda básica para o indivíduo não migrar é uma reforma democrática que conduz ao socialismo. de modo análogo, penso que -em seu local de moradia decente- o cigano, o francês, o italiano e todos os demais habitantes contemporâneos do planeta, podem ser subornados para não serem confundidos com bandidos e, ipso facto, não lhes darem cobertura ou legitimidade.
DdAB
p.s.: a fim de documentar, transcrevo hoje (26/fev/2012) o trecho relevante do conto "Uma Noite" que referi acima. está na p.348 do v.3 das "Obras Completas em Quatro Volumes" de Machado de Assis (Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008).

"Os gritos da moça eram agudos, a força grande, tinha o vestido rasgado, os cabelos despenteados. Minha família chegou logo; o inspetor de quarteirão e um médico apareceram e deram as primeiras ordens."

então tá: regredimos em um século, até menos. já nos anos 1950, sou testemunha ocular do descaso dos governantes para com o desvalidos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Forças superiores: Teilhard, Dawkins, Hawkin, Azimov

senhoras e senhores:
duvido que um bom torno esquive-se de, a pedido, conduzir-nos a uma força superior. a questão que envolve todas as demais questões, no caso, consiste em sabermos qual, de todas as forças superiores, é a mais superior. haverá uma força que envolva e se desdobre em todas as demais forças? e, não tão superiores assim, quais as forças que explicam a vida e, em particular, a vida humana?

Richard Dawkins e seu "gene egoísta" evocam a discussão da década de 1950 (e antes) do Padre Pierre Teilhard de Cardin sobre a evolução do sistema nervoso central dos animais e, claro, do homem. Teilhard era um padre jesuíta "da pesada", como diriam os pasquinenses nos anos 1960. e, claro, a Igreja Católica também tratou-o pesadamente, proibindo-o de publicar suas reflexões e pesquisas. claro que não sou capaz de entender a diferença entre a evolução do sistema nervoso e a dos próprios genes. mas tenho outro tipo de observação que pode ser de algum proveito. o que parece-me mais fácil de entender é a ideia geral de evolução, sem ser bem sucedido ao pensar em minúcias biológicas, pois o centro de minha atenção reside nos processos evolucionários das sociedades humanas. se interesse expresso pelas sociedades animais é pensando que elas podem ajudar-nos a entender a própria sociedade humana e por que ela também deve cuidar deles... e até hoje busco a referência aos ratos de deserto mexicanos que trocam "mercadorias", digo, objetos materiais.

para mim, retirado dos livros de biologia evolucionária que li, o conceito de evolução aparece como as mutações que favorecem a sobrevivência dos mutantes e seus descendentes de maior adequação ao meio ambiente. acho que seria exagerado dizer que Dawkins diz que os genes combinam entre si quais serão os que oferecerão maior fitness aos indivíduos, usando técnicas de agregação de preferências coletivas. ainda assim, para mim, a teleologia é clara: sobreviver. quem não sobrevive não deixa descendentes para contar sua história e carreá-la ainda mais ao futuro. mas este é o fascínio da explicação funcional e sua maior fraqueza: será que estamos dizendo isto precisamente porque fomos induzidos a dizer pelo próprio fato de que sobrevivemos? [formalmente, a crítica de Jon Elster à explicação funcionalista é algo do tipo: eu assevero que A implica B e então observo B e finalmente concluo que B foi causado por A, o que prova a existência de A, por causa da afirmação de sua causalidade B]

um passo adiante é sabermos para que evoluir. mas a resposta é simplesmente descartar a questão: talvez não haja nenhuma relação necessária para a evolução, apenas o seguimento a leis que obedecem a certas forças superiores não bem identificadas, e que bem poderiam ser Deus, mas que não necessariamente precisaríamos chegar a um ponto a partir do qual a investigação torna-se desnecessária. o nome de Deus não deve ser tomado em vão, lá dizem os teístas. e antes de se invocar a ele, é preciso esgotar o uso de todas as possibilidades que se encontram disponíveis ao intelecto humano contemporaneamente. daqui a um milhão de anos, haverá mais perguntas interessantes e tantas outras respostas tentativas. hoje, pelo menos, podemos dizer que a explicação da origem dos tempos, recua até o chamado Big Bang, ocorrido possivelmente há oito bilhões de anos, o dobro da idade do sistema solar, e quatro vezes mais velho do que a vida terráquea. é montes e é um nadica.

um passo atrás, a etiologia, é saber o que houve "antes" do Big Bang, o que havia antes do início dos tempos, antes da existência da matéria, da energia e do espaço. eu jamais esquecerei a especulação de Isaac Azimov nas p.202-203 de seu livro "O Colapso do universo" (São Paulo: Círculo do Livro, 1977):

Suponhamos que todas as galáxias do universo, possivelmente em número de 100 bilhões, se transformassem num único buraco negro. Tal objeto, contendo toda a massa do universo, teria um diâmetro de 10 bilhões de anos-luz, e sua densidade média seria igual à de um gás indescritivemente tênue.

No entanto, não importa a tenuidade desse gás, a estrutura é um buraco negro.

Suponhamos que a massa total do universo seja 2,5 vezes maior do que acreditam os astrônomis. Neste caso, o buraco negro formado por toda a matéria do universo teria um diâmetro de 25 bilhões de anos-luz, número que coincide com o diâmetro do universo real em que vivemos (até onde sabemos).

É inteiramente possível, então, que todo o universo seja um buraco negro (como foi sugerido pelo físico Kip Thorne).

Se for, é bem provável que sempre tenha sido um buraco negro e que sempre o será. Neste caso, vivemos dentro de um buraco negro e, se desejarmos saber como são as condiçoes num buraco negro (desde que ele tenha enorme massa), basta olharmos em torno.

[...]

E nós estamos em um deles - e, através dos prodígios do pensamento e da razão, é possível que, de nossa posição num fragmento menor que um grão de pó, perdidos no recôndito de um desses universos, tenhamos traçado um quadro da existência e do comportamento de todos eles.

Às 23h00min do dia 13/jan/2008, escrevi o seguinte:

Ou que ainda venhamos a fazê-lo.

e agora apenas acrescento: então esse troço de Stephen Hawkins dizer que a gravidade explica tudo, mas não é explicada por qualquer modelo conhecido equivale a indagar quem criou a gravidade e se podemos dizer que foi Deus quem criou a gravidade. voltamos a indagar quem criou Deus e começamos toda a investigação novamente. o melhor mesmo é deixarmos em suspenso a resposta à questão sobre se existe uma força que abarca, origina e desdobra todas as demais forças.
DdAB
peésse: não estamos num post de economia política, mas entro no assunto das eleições. tão dizendo que a eleição de Dilma é o fim-da-picada. vou anotar em minha agenda para checar, no dia 1st de janeiro de 2015, se o Brasil terá acabado até 31/12/2014. se não acabar, concluirei que esta eleição não tem a menor relevância para nada de verdadeiramente importante.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O Fim da Picada Chega ao Trânsito

 queridas senhoras e senhores:
não são poucas as pessoas que desaprovam minha pretérita iniciativa de pedir demissão irrevogável da condição de professor convencional de economia. menor número sabe que, secretamente, prossigo preocupado com as questões do ensino e do aprendizado do animal humano. por exemplo, agrada-me ajudar as pessoas a desenvolverem habilidades que as levem a contar o número de patas de um burro. e, mais ainda, contribuir para que estas entendam sutilezas do processo de medida, algo mais refinado do que a simples contagem. por exemplo, podemos medir o Quociente Intelectual do muar. no caso, contei no mínimo uma pata na efígie acima e nada apurei com relação a inteligência.

tudo isto, em minha modesta, porém escrita, opinião, justifica que eu poste mensagens, frequentemente, marcadas como "economia política". por ter decidido abandonar o ensino, passei a ter mais tempo para estudar a ciência bicentenária: preços e lucros, acres e mãos fazem dela a mais mensurável de todas as ciências sociais. bela frase, apenas não sei a autoria. pensava ser de Deirdre McCloskey (ainda no tempo de Donald), mas aparentemente ela não lembra e não pude rastrear todas as origens do ocorrido...

pode-se medir o Q.I., não é mesmo? ele obedece à escala intervalar, a mesma que nos ajuda a medir temperaturas. que têm estas duas medidas em comum? temperatura não tem zero absoluto, quando medida nas escalas "farenheit", "celsius" e assemelhadas. portanto, precisamos de uma equação afim à linear, voltada a permitir-nos fazer a correção. se bem lembro, F = -32 + 1,6 x C, não é isto? e podemos medir a correlação entre o Q. I. de um burro, digamos, por anos carregando livros, e o de governantes brasileiros, digamos, ganhando estipêndios milionários.

ocorrem-me como exemplo os atributos financeiros e intelectuais dos resolutivos do Conselho Nacional de Trânsito (CNT). pelo menos é o que me leva a "filosofar" a notícia da p.38 de Zero Hora de hoje. diz-se que os Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul (os que se viram envolvidos no caso de propinas e roubo de R$ 40 milhões há alguns meses) insurgiram-se contra a determinação do CNT de elevar a qualidade do ensino, comprovando-a por meio da aprovação de 60% dos candidatos à carteira nacional de habilitação para dirigir veículos automotores.

como sutilmente podemos entender, uma vez que burros não dirigem veículos, e -mesmo que o façam- estes não são "automotores", no sentido de serem "semoventes" (ou não o serem), os semoventes (muares) não serão capazes de portar carteirinhas de motorista (também servíveis como cédulas de identidade). não preciso ser um ás no processo dedutivo para entender que, uma vez que, por exemplo, o burro que ilustra a presente postagem está despido, não haverá bolso para ele carregar sua carteira e, com ela, talão de cheques, cartões de crédito e a discutida carteira de habilitação para dirigir veículos automotores.

por que eu abandonei o ensino ativo? por idade, por aposentadoria e por causa da fraude. sempre amei aguçar a curiosidade de jovens, dirigindo-me por formação para esgrimir situações para as quais a economia política tem algo a dizer. mas vi que a fraude levou a que a substantiva maioria dos racionais que frequentavam minhas aulas crescentemente preferiam "outros" aos assuntos que eu lhes agendava para reflexão. uma vez que eu usava a escala racional para avaliar conhecimentos, os casos de absoluto descaso pela reflexão e o estudo eram sinalizados com a nota "zero", o que se relacionava com a nulidade de proveito das respostas. por exemplo, um dia indaguei na aula de "Introdução à Teoria da Escolha Pública" ministrada a estudantes de direito: "por quem advogais?" e um burro respondeu: "a, e, i, o, u".

pensei em compensar esta situação com a ingestão de fortes bebidas alcoólicas 15min antes de cada aula.  com algum mescal, eu viajaria ao México, país do qual li no livro de mesmo nome de Érico Veríssimo que, pelo menos naquele tempo, ao cruzarmos por um burro nas estradas nacionais, deveríamos gritar "burro". agora, porém, que burros poderão ter carteiras de motorista, passarei a beber em silêncio cada vez que precisar tomar o caminho da rua.
DdAB

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Manifesto Pré-Eleitoral: abaixo as eleições!

senhoras e senhores:
as eleições são uma grande palhaçada. ou máquina de induzir sono. o debate eleitoral de ontem (que não vi, pois esqueci...) foi (juro!) um espetáculo digno dos mais elementares grêmios estudantis. vi no jornal de hoje que Dilma indagou a Plínio algo sobre plataformas petrolíferas e ele disse que esta não era uma questão relevante. pensei que a resposta é de alguém despreparado para levar a sério o debate eleitoral, mas preparado para ridicularizar os antagonistas e, como tal, desqualificar o debate eleitoral. os desaforos epitomados pelos demais não ajudam a descartar esta hipótese.

minha lista mais abrangente de um verdadeiro programa de reformas no Brasil (e no resto do indigitado planeta) não será apresentada hoje, nem penso tê-la reunido integralmente em algum lugar, mas sigo tentando preenchê-la. como tal, farei longas considerações sobre o contexto.

que esperar da oposição ao Governo Lula? não temos oposição séria no Brasil. nem situação, by the way. dói-me dizer estas duas coisas, claro. eu gostaria de ver um governo instituído e outro governo paralelo, com fiscalização parlamentar e discussão de propostas complementares ou alternativas. o que temos é circo no Congresso Nacional, palhaçadas, mais do que equilíbrio estratégico... não temos, em resumo, políticos sérios, honestos, compenetrados. todos participam de um programa de circo, um programa de auditório, em que o importante é vencer o debate, a eleição, a concorrência, a licitação, e não vencer a treva, buscar aproximar-se da verdade, da justiça. vemos, é verdade, aqui e ali lampejos de seriedade, mas nunca vimos uma ação consentânea prolongada ou ampla.

:: prolongada: nenhuma iniciativa durou mais de 15-20 anos e, por isto, comecei a falar em quinto mandato de Fernando Henrique. na verdade, seria o mandato 250, desde Cabral, todos praticantes de vícios assemelhados.

:: ampla: nenhuma iniciativa foi infensa à ação de predadores - em qualquer governo sempre houve focos de corrupção, sem a busca sistêmica de soluções. o poder judiciário é uma fraude que chegou a inspirar-me a sugerir sua eliminação, anexação ao ministério do interior, verbas controladas na mesma lei do orçamento que controla todo gasto e receita públicos.

como podemos falar em visão de futuro se o debate que deveria levar a ela é truncado, nunca durou mais do que o período dos episódios eleitorais? fala-se em criar assembleias constituintes como se estas fossem necessárias para gerar o orçamento, a destinação das verbas e benesses públicas. achar que Serra com seus partidos de apoio (PSDB e ex-PFL) pode fazer algo melhor do que Dilma e seu partido (e vice-versa) é desconhecer que a chapa branca é mesmo Serra-Dilma, farinhas do mesmo saco, de mesma extração de esquerda. são farinhas explosivas levadas ao "realismo da política", com abandono dos ideais juvenis, isto é, mais carregados de ilusões benévolas. é desconhecer que Serra-Dilma apresentam a mesma proposta de transformação da miséria institucional e efetiva que abate a sociedade brasileira. eles diferem apenas sobre a origem dos fornecedores da próxima plataforma petrolífera ou no próximo presidente da Caixa Econômica, essas missangas.

a questão é "onde eles deveriam começar?". o caos instalou-se, o dualismo dos aviões que andam e os aeroportos que não funcionam, da Copa do Mundo e da bala perdida, das remunerações milionárias aos governantes e do assalto à agência lotérica por uns trocadinhos. tá na cara que a solução requer um bundle inteiro de reformas. quem são "eles"? precisamos definir este "eles", pois tá na cara que os políticos não farão nenhuma reforma séria, por incompetência, conveniência, negligência e sabotagem! o povo tampouco, pois padece de aguçada falsa consciência.

às vezes, eu sonho que o crescimento econômico ("dinheiro não fede"...) tudo poderia salvar. mas não sou o único a sonhar com a quimera produtiva, ainda que discorde em essência dos arrojos da chapa Serra-Dilma e dos desejos de "políticas industriais". isto ocorre quando a saída não reside no incentivo à produção induzida pelo governo (financiamento etc.) mas no gasto social (sob a bandeira da educação), na reciclagem da população brasileira, no estoque de pessoas despossuídas e degradadas pela violência doméstica, das ruas e das escolas, dos presídios e do crime gratuito ou crime induzido pela penúria ou vício buscando recompensas pecuniárias insignificantes.

outras vezes, sonho em refrear estes sonhos, calcados no exagerado otimismo. se milagre espero, escolhendo entre milhares de lampejos, "elegeria" a renda básica universal. mas não me contentaria com isto. quereria a criação do Clube dos Desvalidos e sua campanha para a criação da Brigada Ambiental Mundial, trabalho decente sob a chancela comunitária (e financiamento direto a partir do tesouro nacional).

obviamente, não sou contrário à ideia de se tirar, abaixo de pau, pau e pau, os atuais governantes (mas pensando bem Serra não é tão governante quanto os demais candidatos?). ainda assim, retirá-los do poder requer que eles sejam substituídos. e aí recomeçam os problemas que -aparentemente- os defensores de boa-fé do projeto de futuro trazido pela coalizão PSDB-DEM pode oferecer. não consigo ver diferenças. o nepotismo, a falta de adesão cidadã, o oportunismo e a busca de negócios escusos não sairão da pauta dos atuais políticos!

política no Brasil? quer resposta? leia minha postagem de ontem!
DdAB

domingo, 12 de setembro de 2010

Contratos, Eike e a Moralidade

querido blog:
esta imagem não requer maiores apresentações. não contei todas, mas aparentemente há milhões de entradas no Google, além dos bilhões de patrimônio pessoal. tal é, também, o caso de Eike Batista, o bilionário brasileiro. dias atrás, ouvi dizer que o brasileiro pagou ceerca de R$ 650 milhões de imposto de renda, com grande orgulho. se é mesmo de 25% a alíquota máxima e, para tais níveis de rendimentos, a média não difere enormemente do valor marginal, somos forçados a concluir que seus rendimentos tributáveis ascenderam a R$ 2.600 milhões. mais do que os próprios juízes de direito.

li na reportagem das páginas 66-68 da Carta Capital da próxima quarta-feira que a fortuna do festejado empresário e bon vivant brasileiro explodiu a partir da diversificação de seus negócios para o ramo do petróleo. e que ele contratou um executivo da Petrobrás que lhe abriu os caminhos. e que ele demitiu o executivo da Petrobrás depois de quatro anos. e que ele escreveu num bilhete a 8.000 de altura o seguinte:

De: Eike Batista
To: Rodolfo Landim (meu amigo)
[...] você pertence ao pequeno e seleto grupo de pessoas muito raras e muito especiais que conheci na minha vida.
Você é transparente, ético ao máximo, profissional competente e disciplinado - um homem do bem.


e prossegue o bilhete reproduzido na p.67 da matéria hipotecando-lhe (sem trocadilho) promessas de eterna amizade e de spectacular prizes, no dizer de Joseph Schumpeter. a Carta Capital tem, na reportagem, o tom de quem acha que o depositário do diagnóstico de Eike é mesmo um homem de be,m ético ao máximo, all that jazz. pois não é que o conceito de ética de Rodolfo não parece coincidir com o que entendia o patrão. tanto é que ele contratou um advogado para processar o milionário requerendo o pagamento das promessas. e diz a exemplar revista da esquerda brasileira (digo, o exemplar da sinistra revista) que qualquer estudante de direito fará o Rodolfo empalmar aquela grana toda prometida pelo Eike no bilhete aéreo, pois tem a caligrafia do patrão e sua rubrica.

eu já ouvira, talvez como anedota, de um carinha que fez um cheque em nome da própria secretária na barriga da profissional. e que a justiça teria dado ganho de causa a ela contra o Banco Central, as empresas emissoras de cheque-papel, essas coisas. em minha maneira de ver, esta reportagem dos Carta é uma prova da irresponsabilidade de um tipo de jornalismo que contribui para aumentar a confusão. Eike é desonesto? como se resolve um problema de que juízes e empresários pagam o mesmo imposto de renda (proporção da renda) que, digamos, um motorista de ônibus casado com uma professora de primeiro grau.

e, nos tempos que correm, caracterizados por denúncias de corrupção de tudo o que é político que tenha alguma eficiência na arte do furto/roubo, relanço o MAL*, ou seja, o Movimento pela Anistia aos Ladrões Estrela. este movimento, como já bem sabemos, pleiteia que todo mundo seja anistiado e que a moralidade seja proclamada para começar a valer daqui a 20 anos. penso que vamos aproximar-nos assintoticamente da sociedade honesta. o inimigo de hoje é tão poderoso que o melhor mesmo é deixá-lo em paz, apenas recusando-nos a participar da pantomima eleitoral. não avalizemos nada! não vote ou anule o voto!
DdAB

sábado, 11 de setembro de 2010

Há 20 anos...

querido blog:
procurei "prá quê vergonha, prá quê, seu Queiróz" e nada achei. então reduzi para "prá quê vergonha?" e achei a animada imagem que nos encima. em outras palavras, a palavra da imagem, estamos frente a uma postagem de "economia política", sob o ponto de vista de meus marcadores. que achará Dilma? de quando é esta previsão de explosão demográfica no litoral paulista? por que temos cracolândia em centenas de cidades brasileiras? qual é a raiz quadrada de "rabo de gato 64"? é oito? e que foi mesmo 1964, sob o ponto de vista da desorganização da sociedade brasileira pela qual pagamos até hoje, e nem a chapa Serra-Dilma estaria oferecendo perspectivas de solução?

a milicada, para proteger o Delegado Fleuri, cujo prenome me foge gentilmente..., criou uma lei que começou -pelo que entendo- a destruir o poder judiciário brasileiro. o General Geisel, quando fechou o poder judiciário, a fim de aperfeiçoá-lo, esqueceu-se de fazê-lo, reabrindo-o em piores condições do que as originais. eu, quando sugiro o fechamento:
.a. dos estados da república,
.b. do senado da república e
.c. do poder judiciário da república,
estou apenas querendo mais eficiência na administração pública, mais eficiência no gerenciamento da res publica.

um menino de rua, ao ouvir estas propostas, sugeriu que eu sou um tecnocrata. fi-lo ver seu grosseiro erro de domínio da língua portuguesa, pois posso ser tão techno quanto queiramos (graduado no jardim da infância, curso primário, curso secundário, faculdade de ciências econômicas, mestrado e M.A., doutorado e pós-doutorado, omitindo apenas o curso de datilografia, o do uso de ortofotocartas, e outros assemelhados), mas meu conteúdo de kratos (κράτος) é baixou ou nulo.

segue-se logicamente que, há 20 anos, Rachel de Queiróz (finada cronista que sempre considerei "de direita") escreveu na p.80 da obra que referenciarei abaixo: "

Faz parte da educação do tecnocrata o horror da política e dos políticos. Política, para eles, é o conchavo de cúpula, é a eleição viciadoa, é a prepotência de coronel do interior, é a verborragia parlamentar, é a demagogia. E os que praticam todas essas ignomínias cívicas são, logicamente, os políticos.

pensei: meu, cara, bicho, gente! é isto que sempre pensei, especialmente depois do fracasso do projeto PT, ou seja, no primeiro dia o Governo Lula, ou ainda, no dia do caso Valdomiro Diniz ou finalmente no caso do mensalão. em todos estes casos e alguns outros que nem conheço. mas o primeiro mesmo foi minha constatação de que o Governo Olívio Dutra não deveria ter aparelhado a administração pública, ao contrário, deveria tê-la democratizado. ela seguiu mais adiante:

O povo de um país, de um estado, de um municipio, não se pode comparar a um grupo de operários cujo contrato de trabalho prevê apenas a execução de determinada tarefa mediante remuneração. Pois, passada a hora da jornada, o operário sai da fábrica, recupera a sua identidade pessoal e vira povo.

cara, meu, bicho, gente. acho que ela andou lendo o que tenho chamado de modelo completo do fluxo circular da renda, inspirado na matriz de contabilidade social, que dá mais destaque ao mercado de arranjos institucionais, em relativo detrimento dos mercados de bens e serviços e de trabalho (e demais fatores produtivos). ok, vamos à desconstrução, já na p.81:

Verifica [o tecnocrata], encantado, que a política pode ser uma arte bela e nobre, conforme a ideologia dos que a exercem. Descobre que, na classe dos políticos -classe que ele anteriormente abominava em massa- há homens de qualidade superior, de virtudes severas e patriotismo invencível.

iniciei a pensar: política enquanto arte bela e nobre? não tá falando no Brasil. homens de qualidade superior na política brasileira? nunca ouvi falar. gente de virtudes severas e patriotismo invencível? acho que desaprendi a ler... fosse como ela quer, eu nem teria criados os dois importantes slogans eleitorais:

A. abrace a política, sufoque o político!

B. política no Brasil? não vote. mas, se tiver que votar, anule o voto.

nem o novo silogismo (que ainda batizarei, por analogia ao bArbArA como blaZ-blaZ-blaZ):

M: todo político é ladrão
m: ora, todo ladrão é político
C: logo todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco.

então pensei: sempre pensei que ela era da direita. e concluí: e é ou foi!

quem acha estranho o plural de bla-bla-bla nomeando um novo tipo de silogismo, deve consultar a p.159 da obra queiroziana:

A gente sabe, tinha seca no Nordeste, impaludismo no Amazonas, febre amarela no Rio, tuberculose pelos suis mais frios.


em resumo, nem todo cronista de direita é de direita o tempo inteiro. ou seja, achei interessante esta pluralização do "sul". e lembrei do vendedor de lanches da Galeria do Rosário, quando ofereceu suas mercadorias a duas lindas garotas dizendo:

pois nões, senhoritas.

DdAB
referência: QUEIROZ, Rachel de (1993) As terras ásperas. Rio de Janeiro, São Paulo: Record.
:: foi ela mesma que grafou "país", "estado" e "município sem iniciais maiúsculas, o que é óbvio. e também meteu aquela próclise no "não se pode comparar". uma erudita!