quarta-feira, 30 de junho de 2010

Educação ao quadrado

querido blog:
uma reportagem das p.4-5 de ZH de hoje dá instruções aos pais sobre o manejo da questão das drogas na infância. também há opiniões respeitáveis no artigo artigo ao lado, escrito por Humberto Trezzi. espero não estar sendo -excessivamente- redundante em trazer-te, amado diário, minha visão do assunto.

primeiro: incorporei (dos livros que tratam da mensuração da "felicidade nacional bruta") o conceito de droga recreativa. além do chimarrão e da cachaça, fala-se em muitas das substâncias atualmente proscritas pela lei. ou seja, uma sociedade aberta deve conviver com a possibilidade de algum cidadão (esta palavra exclui o trio crianças, criminosos e loucos) recrear-se com o consumo de bens ou serviços que desagradariam a outros, provided que não os prejudicasse.

segundo: como professor, não posso deixar de alardear a importância da educação, a fim de vencer esta e muitas outras mazelas. em particular, no caso da dependência de drogas (condição que retira o indivíduo do grupo dos "cidadão", com a acepção que acima dei ao termo), o vício e as recidivas devem-se a falta de informação, falta de bases sobre as quais uma cultura de socialização (ler, escrever, comportar-se socialmente) e individuação (leituras, listas de exercícios, testes, exames, releituras, reflexões, reflexões, reflexões) levaram Tony Blair a ficar famoso com sua panacéia de "education, education, education" para salvar o Reino Unido. ainda neste grupo de "educação", é preciso citar o caso da educação física, uma verdadeira cultura do esporte que, além de levar o praticante a individuar-se e -mais ainda- querer vencer a si mesmo, superar-se, que é o maior anti-depressivo hoje indicado para loucos de todos os calibres!

terceiro: descontados nossos filhos e netos, as prédicas sobre as virtudes de uma vida saudável não são feitas por pais/avós confiáveis. se estamos pensando na população gaúcha globalmente, identificando aquele "pai gaúcho médio", veremos tratar-se -ele mesmo- de um indivíduo carente de valores mais elevados, pois ele já foi vítima de uma educação familiar regida por indivíduos carentes, e por aí vai. ou seja, uma menina de rua, que pariu aos 12 anos e reteve o bebê para criá-lo vai transformá-lo em pedinte de silaneira, e por aí segue a escada. mesmo as condições de habitação de trabalhadores desqualificados (papeleiros e mesmo empregadas domésticas e até certos empregos menos precários) mostram que a família faz parte do drama e não da solução. para elas também o desafio é criar meios de expandir a educação de adultos. alguém (uma plêiade de profissionais, destacando-se, claro, os professores) deve ajudá-los a quebrar sua inércia física e mental (coluna, mente e coração).

quarto: ligado ao terceiro. em particular, no Rio Grande do Sul, o que vimos no governo de minha ex-professora e ex-colega foram políticas -para não falar na segurança pública- espantosamente enviesadas:
.a. as enturmações, chegando a turmas de 50 alunos e
.b. as aulas ministradas em containers.

eu já andei usando, para muitos assuntos, a interjeição "só bebendo!", que agora mudo para "só educando os pais!".
DdAB
p.s.: criança, criminoso e louco não são cidadãos? claro que são, né, meu?, o que eles não são é cidadãos no direito de exercerem amplamente os direitos da cidadania, mas seguem tendo direito à vida, à privacidade, à expressão da vontade, desde que as duas últimas (claro que a vida só não é intocável nos países hediondos) não interfiram nas limitações naturais. bebê não pode ser colocado a dirigir trens de grande velocidade, criminosos não deveriam ser eleitos para cargos públicos e loucos não deveriam narrar partidas de futebol na TV.
captura da imagem: http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=1330473359462568907. não é bem uma imagem atual, mas homenageia a vida lisboeta e a de José de Saramago e reforça a pergunta que devemos fazer ao encontrar velhos amigos: "que andas lendo?".

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ideias complexas


querido blog:
no outro dia, indaguei a um menino de rua se ele seria:
.a. capaz de passar num exame elementar de proficiência na língua portuguesa
.b. capaz de produzir ideias complexas e
.c. brincar com .a. e .b.
ele olhou-me de soslaio, indagou-me o que é soslaio, cuspiu de banda e seguiu seu curso normal de vida, ficando eu aqui a amargar a derrota de minha geração de ainda não ter visto uma forma de transformar a sociedade complexa em que vivemos.
DdAB
captura da imagem: busquei o título da postagem de hoje. vi uma belezinha pequeninha. fui ao site que a expunha, site maravilhoso, cheio de belíssimas fotografias: http://obviousmag.org/archives/2009/02/palavras_para_falar_do_mundo.html. e a belezoca é Gustav Klimt, que batizou -dizse- de "Árvore da Vida".

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Il corso de la vita...

querido blog:
eu achei que, a esta hora do dia, o melhor mesmo seria simplesmente deixar registrada minha admiração para uma frase que retirei do artigo de Diana Corso -Quem ama até mata-, de Zero Hora de 22/maio/2010, p.2 do Segundo Caderno.

Quando alguma tendência desagradável se repete em nossa vida, seja um ato, uma enunciação, um tipo de vínculo, enfim, nos pegamos insistindo em fazer algo que nos é prejudicial ou estranho, chamamos isso de sintoma psíquico. Para tratá-lo, questionamos o que isso significa, encaramos o que se manifesta em nós como um texto enunciado sem querer, uma mensagem mascarada. [...]

por que isto me agradou tanto? descontados todos os demais méritos do admirável artigo, acho que o que sempre me fascinou-aterrorisou é o "determinismo psicológico", são as evasões ao comportamento racional, é a adoção de um curso de comportamento que sabemos ser capaz de angustiar-nos. em resposta a esta e outras considerações é que desenvolvi a "teoria das quatro patinhas". basicamente postulando que loucos de qualquer calibre devem tentar manter-se com as quatro patinhas no chão, deixando de lado o mundo da lua e outros assemelhados, esta teoria entra em alas quando vê indivíduos humanos completamente fora do ar.
DdAB

domingo, 27 de junho de 2010

Graus de Liberdade

querido blog:
"domingos requerem assuntos amenos, comidinhas pesadas e chachaças demolidoras", foi o que me disse um rapaz que pareceu-me com um menino de rua que eu conheço há várias décadas. redarguindo-lhe que não bebo, informei-o que iria postar hoje sobre o que significa a expressão "graus de liberdade", que -por sinal- ele desconhecia, mas achou muito interessante e chegou a prometer que, se algum dia, tiver acesso à educação pública, essas coisas, vai dedicar-se ao estudo da matemática.

ocorre que, olhando o livro de Boldrin e associados durante o segundo tempo do jogo do Brasil e Portugal, vi que eles falam em "graus de liberdade". tem gente (o menino de rua citado, por exemplo) que demora mais de dois ou três sgundos para dar-se conta de que o conceito é simples, se o compararmos com a utilidade que ele apresenta para a desmafaguifização do folguedo chamado de "dança das cadeiras".

na Dança das Cadeiras, como sabemos, postamos um grupo de 22 pessoas de terceira idade circulando em torno de certo número de cadeiras, digamos 25, e observemos o que ocorre. tá na cara que tá faltando cadeira para um branquinho (refiro-me à cor do cabelo do neguinho de terceira idade...). caso um deles ganhe a loteria esportiva e se retire para uma casa ou clínica na Suíça, os velhinhos e as cadeiras esposam a relação de 22:25, ou seja, há três cadeiras sobrando.

suponhamos que ingressaram no grupo mais três contribuintes, o que deixa pareados nossos números em 25:25. agora suponhamos que ingresse uma cadeira. então, quando para (do verbo parar) a música, cada velhinho tem não apenas uma cadeira garantida para si, como também uma cadeira extra para o caso de não lhe agradar preencher precisamente a vaga que lhe estava mais próxima. como havia 26 cadeiras e apenas 25 branquinhos, cada um deles teria uma cadeira disponível na próxima vez que parasse a música. suponhamos que tudo recomece, com o acréscimo de outra cadeira. então teremos 27-25 opções de escolha para o velhinho mais insatisfeito com a vaga mais próxima. ele tem agora dois graus de liberdade. falou?

um velhinho que chegou quando havia apenas duas cadeiras (nem sei o que houve com as outras, mas garanto que os demais velhinhos contemplavam o que iria ocorrer altaneiros). ele indagou-me se poderíamos espichar uma fita-dental linearmente, amarrando-a numa cadeira e na outra. eu disse que pode. ele amarrou. e pegou outra cadeira e deu um jeito (trabalhara no circo) de amarrá-la precisamente no ponto médio da fita-dental. e assim procedeu, sucessivamente, até que todas as cadeiras reapareceram perfeitamente alinhadas sob as amarras da fita. ele curvou-se como se tivesse concluído um importante espetáculo circense (e não entendi se ele falou em "esticar" ou "estatisticar").

serenados os frenéticos aplausos, o velhinho -chamemo-lo de Gismonti, apelido Circense- manteve apenas as duas cadeiras das pontas e começou a remover as demais. quando removeu uma, indagou ao povo: quantos graus de liberdade tem esta cadeira para ingressar na reta? todos responderam: infinitos, pois a reta é infinita. ele agradeceu. mudou a tática.

escreveu sobre o dorso de um leão a equação da linha reta y = a + bx (que ele chamou de modelo empírico) e a ela associou o seguinte modelo que chamou de experimental: y = 2 + 3x. então ele informou: se temos duas cadeiras, na verdade, a linha reta está perfeitamente determinada pelos dois números do modelo experimental. mas imagina que temos uma cadeira localizada fora da reta (e o povo não precisou imaginar, pois um cambono colocou uma das cadeiras na posição apropriada. obviamente esta cadeira, associada às duas demais, fornecia um total de três cadeiras e ele disse: "então, tu vê: tem três cadeiras e uma linha reta, como já gastamos dois graus de liberdade para a linha passar (sobre o ponto (0, 2) e com o ângulo cuja tangente é 3), sobra um grau de liberdade para aquela cadeira.

a profa. Abigahil indagou então o que ocorre com quatro cadeiras. ele disse "4-2", e ela entendeu. o Cambono não se conteve e indagou: "e se fossem 1947 pontos (era seu ano de nascimento)?" Circense, triunfante, disse: "1947-2" e generalizou "n-2, sendo n o número de cadeiras". e fomos almoçar com os pais do menino de rua que disseram não serem tão livres quanto as cadeiras.
DdAB
captura da imagem: ligeiras edições sobre http://www.altoqi.com.br/suporte/eberick/assets/Perguntas_frequentes/Analogia_de_grelha_%28parte_1%29%28ac%29.gif

sábado, 26 de junho de 2010

Altruísmo, egoísmo e os paradoxos eleitorais

querido blog:
como sabemos, especialmente, por meio da Wikipedia, desobediência civil "[...] is the active refusal to obey certain laws, demands, and commands of a government, or of an occupying international power, using no form of violence." nesta condição, decidi enfrentar as penas guardadas para aquelas pessoas que se omitem de exercer o direito e o dever de votar. considerei que "dever" é uma palavra que não se aplica a esta situação e, buldogue sonolento, decidi que sou mesmo é da paz. como tal, não voto, mas não critico quem vota, exceto os ladrões, id est, os políticos.

e por que digo isto? precisamente pela mesma razão que as pessoas que votam dizem que o fazem e até insistem em que haverá virtudes em votar precisamente no candidato de sua escolha. mas -mais ainda- mesmo que as pessoas não digam em quem vão votar, elas querem ser vistas pelos vizinhos no exercício do que -dizem os cientistas políticos americanos- seria sua manifestação de cidadania. veja só: do jeito que escrevi, parece que eu acredito que as pessoas acreditam nisto. mas há dois pontos interrelacionados:
.a. eu não voto porque não quero mesmo, mas interessa-me que os outros saibam e digam: "conheço um velhinho que fez desobediência civil"
.b. eu entendo que, quando passamos a falar em teorias, a realidade realmente real fica em segundo plano, sendo que nossa própria tentativa de verificarmos até que ponto o modelo (a teoria) explica a realidade nada mais é do que nossa conservação no mundo da realidade imaginada, mundo em que ingressamos quando abandonamos a realidade realmente real, na tentativa de a explicarmos e/ou prevermos o curso futuro dos acontecimentos.

então, em resumo, sou altruísta ou egoísta, eu que gosto de dormir como um buldogue? jamais saberemos, e acabei de inventar mais uma falsificação para o modelo de ação motivada pelo altruísmo. sempre que indago a Fulano se Sicrano vai bem, não estou interessado na saúde de Sicrano, mas que Fulano pense que estou. é brabo isto de humanidade, não é?
DdAB
captura da imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.fotopt.net/fotos/fotos/47/foto47033.jpg&imgrefurl=http://jaquinzinhos.blogspot.com/2004_05_01_archive.html&usg=__UDgdgqZVz0J5qKOkCJxEQBzG1QI=&h=414&w=556&sz=65&hl=pt-BR&start=10&sig2=tHtVyWcbeMluBYx9rXjbaQ&itbs=1&tbnid=L9jVYa99AipW7M:&tbnh=99&tbnw=133&prev=/images%3Fq%3Datru%25C3%25ADsmo%2Bego%25C3%25ADsmo%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Dactive%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1&ei=RykmTLSjCMaAlAeN4-GyAg.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Índices de Felicidade e o Faqueiro Luna

querido blog:
como sabemos, a felicidade pode ser aproximada por um índice cardinal, ainda que originária de um fator comum entre várias variáveis (categóricas e ordinais e intervalares e racionais). o que é sutil e cria confusão associa-se a uma questão do tipo: se meu índice elevou-se em 1%, significa que minha felicidade também cresceu nesta magnitude? obviamente a resposta é: não, Pedro Bó, quem cresceu foi o índice e não a felicidade. o que desta sabemos são apenas as informações que geraram o índice. e o índice fará sentido (ou seja, terá algum isomorfismo com o fenômeno que estamos querendo quantificar) apenas se as associações que estamos fazendo, inclusive nossas escolhas sobre os critérios de agregação, fizerem sentido.

pois bem, levarei o cursor às "opções de postagem" e, ao lado da "Vida_Pessoal" que inicialmente marcara, acrescentarei "Escritos", pois o parágrafo acima é completamente impessoal. e até poderia colocar "Economia Política", pois não é que estas questões são fundamentais para a orientação da política pública?

dito isto, passemos a falar num dos elementos que acabam de elevar algumas das componentes importantes de meu índice de felicidade pessoal. tenho a intenção de expandir esta postagem e transformá-la em um pequeno ensaio (200 ou 300 páginas) sobre o hedonismo e os meninos de rua. por enquanto, desejo assinalar

primeiro: parece economia política, mas não é. há alguns anos, apresentei um paper num congresso da Sociedade de Economia Política, em Campinas. primeiro, toda a reserva de hospedagem deu-se pelo telefone, sem nenhuma interferência humana do lado de lá, pois -aparentemente- eu seria humano e falava do lado de cá. refestelando-me no restaurante do próprio hotel, constatei que o talher que portava era belíssimo, um desenho industrial finíssimo, algo absolutamente extraordinário, uma pérola do cérebro humano, sem exageros. como a refeição também merecia estes e outros adjetivos, dei-me por satisfeito apenas de viver num mundo de homens e máquinas, fora uns vegetais e outros animais que fagocitei. como tal, dei o assunto por acabado.

segundo: meses depois (ou um ano depois?), fui a Belo Horizonte visitar o Cedeplar e minha amada amiga Sueli Moro. fomos jantar num restaurante interessante, pessoas interessantes como ela e o casal que nos acompanhou. não é que, no restaurante, também servimo-nos de facas do mesmo design? jantar maravilhoso, faqueiro maravilhoso, foi o que pensei. ato contínuo, vi a marca do faqueiro, pois já entendera que acrescentar sua posse (variável binária) a meu índice de felicidade iria dar a ele um acentuado incremento). a efígie marcada nos talheres era de uma grande loja atacadista de São Paulo. com minha indefectível canetinha e meu indefectível papelzinho, fiz as anotações pertinentes.

terceiro: o périplo iniciou-se na Internet, achei a loja paulista, ou seja, vim a descobri-la, vim a encomendar o faqueiro e vim a saber que ela não mais o "revendia", pois o produtor era meu vizinho, a empresa Mundial, antiga Zivi, também Hércules, essas mudanças que a economia de empresas ajuda a explicar. em outras palavras, quem produziu os "Lunas" com que mostrei traços civilizatórios de não pegar os alimentos diretamente com as mãos (lógico que nada estou dizendo contra os traços civilizatórios que requerem que se pegue a comida com a mão) não mais vendia para Sampa, mas poderia vender-me, e isto é o que me interessava, dada minha filiação às escolas do individualismo metodológico.

quarto: a compra não ocorreu quando iniciei a busca. simplesmente a Mundial informou-me que tirou o Luna de linha e que só o reinseriria quando a Lua se transformasse em queijo, o que achei um prazo excessivamente dilatado para meus interesses imediatos e -pasmemos- desisti. em outras palavras, depois de intenso sofrimento em busca da felicidade, achei que seria melhor associá-la a coisas que dependem de mim, como recomendara Schopenhauer (Parerga e Paraliponema, etc.) há mais de 100 anos.

quinto: a compra ocorreu! fiquei feliz, juntara dinheiro contadinho durante um ano inteiro, paguei à vista, dividi a utilidade marginal pelo preço e deu igualzinho à utilidade marginal da moeda, essas coisas. voltei a casa, vim para o computador, na planilha Excel que uso para estes casos, calculei meu índice de felicidade e percebi que ele aumentou em 1.000%.

ou tu acha que eu inventei esta história toda? ou, pior, tu acha que se um ladrão entrar em minha casa, o que é razoável de imaginarmos dadas as coordenadas políticas do Brasil Contemporâneo, e afanar meu faqueiro, minha felicidade pode cair em 1.000% e a felicidade nacional bruta manter-se inalterada?
DdAB
p.s.: disse-me um anjo que este negócio de eliminação da Itália e da França da Copa do Mundo, acompanhadas, in due time, dos demais países colonialistas europeus é nada mais nada menos do que a "vingança da África", o título de um filme que será feito daqui a 10 anos por cineastas zambanonianos, algo assim.

captura da imagem: tão manjada que nem darei a fonte, mas personalizei-a aqui e ali, como os peritos das civilizações futuras poderão facilmente identificar, se assim os odds deixarem (p.s.: esta de falar em "odds" e não em "deuses" é uma prova de que, materialisticamente, saí do armário, não apenas por adorar um objeto material -ainda que fruto da geléia de incontáveis trabalhos humanos, ou apenas do trabalho humano abstrato-, mas, sobretudo, por não tomar o nome de Deus em vão... ok, ok, piadinhas nesta postagem pessoal...).

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Crescimento Ilimitado

querido blog:
estou certo de que, daqui a milhares de anos, se alguém conseguir decifrar a expressão do português do século XXI como o equivalente ao contemporâneo "que bicho é este?", ninguém terá a menor ideia de que estamos vendo -ou muito me engano- um caminhão. não haverá caminhões? mas não haverá mais setor transportes? claro que não haverá caminhões, mas haverá setor transportes.

claro que sempre penso numa economia com crescimento infinito. claro que, para mim, o máximo em uma refeição é ingerir uma ou duas feijoadas, cinco ou seis macarronadas, 10 ou 20 picanhas, 30 ou 40 polentas, e por aí vai. mas até acho que já exagerei. mesmo exibindo preferência pela diversificação, não creio legitimamente poder passar de uma feijoada, uma macarronada, uma picanha e uma polenta. principalmente, se isto fizer-se acompanhar por um ou dois barris de vinho (ou cachaça, tanto faz...).

então somos forçados a concluir que o crescimento infinito não ocorrerá por meio da expansão da indústria de alimentos. a saciedade é um fato limitante para ela. e os restaurantes? também, pois eles não poderão elevar os preços às estrelas, pois eles próprios já estarão no rumo delas. mas então como e onde se dará o crescimento? para cessar com esta espécie de delírio de ficção científica, vou dizendo logo:

.a. comércio e transportes
.b. intermediários financeiros e aluguéis
.c. governo, educação e saúde
.d. outros serviços (serviços pessoais e serviços diversos, inclusive os restaurantes estelares).
DdAB
captura da imagem: http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/bellomo.musicblog.com.br/images/gd/1214315846/Que-bicho-e-esse.jpg.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Políticas públicas: mobilidade x redistribuições

querido blog:
sigo na discussão do papel do governo para piorar o bem estar social, o que é o caso da presente geração de políticos no Brasil. por outro lado, sonho com outro papel, em que o político será um servo do cidadão (veja bem: não falei em "contribuinte" ou "eleitor", ou seja, pego os meninos de rua, a Nina e seu berço esplêndido, e por aí vai).

claro que, para o cidadão poder exercer o papel de mando, ele precisa de dois requisitos:

.a. base distrital de controle sobre o ladrão (digo, o político)

.b. não ser compelido a votar por uma lei autoritária, de 1965, ou seja, do Marechal Humbertto de Allencar Castello Brancco.

falando em decência, resta a nós, homens e mulheres de boa-vontade, pensar em como resolver os problemas e mazelas do mundo. haverá problemas para os quais não teremos solução, claro. mesmo problemas de escolha pública, como é o caso da evasão dos desastres naturais (Nordeste do Brasil/2010), ou como evitá-los, ou das guerras ou como evitá-las (nunca esquecendo que também sou da paz).

ou seja, é evidente que a criação de mecanismos que favoreçam a mobilidade social ascendente é algo desejável, desde que criemos uma catraca adequada. rodapé enrustido: o Aurelião não dá a acepção que estou dando a “catraca”, pois o que quero dizer não é nem a catraca de minha bici: quero um mecanismo de no return, ou seja, tornou-se culto, não pode mais voltar à condição de ogro, tornou-se afluente, não pode mais voltar ao berço de pedinte.

chega de rodapés deslocados. há um problema sério demais, além da questão humanitária de tratar os derrotados com decência e generosidade. o problema emerge quando passamos ao exame das consequencias da mobilidade ascendente absoluta, ou seja, quando todos formos parar no 1% superior da Curva de Lorenz. uma sociedade sem nenhum pobre, pois todos os indivíduos humanos exploraram amplamente suas potencialidades de mobilidade (aliás, criadas pelos novos políticos acima definidos). só que aí, meu chapa, chegamos na sociedade plenamente igualitária.

neste caso, somos forçados a concluir que, ao invés de nos preocuparmos com a mobilidade enquanto tal, podemos pensar nas políticas de redistribuições públicas: gastos regressivos e impostos progressivos.

DdAB
captura da imagem: que bela imagem achei em http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=1330473359462568907, procurando "mobilidade + societária". na sociedade igualitária, in due time, aquela mexeção do simpático cidadão será simplesmente em tacho de chimia...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Redação Fácil e Multiplicação Facílima

querido blog:
que quererá dizer o "tapete" acima? pensei apenas em arte, mas -se não fossem as aulas de ótica- eu não estaria preparado suficientemente de modo a aprender a beleza das cores. mas nem sempre a arte permite manifestações enrustidas na ciência. muitos críticos da ciência econômica a consideram nada mais do que uma vulgar corruptela de um curandeirismo decadente, o que me leva a desmenti-los de modo escorreito: não! ainda assim, fui eu mesmo que escrevi há tempos que procuro levar minha escrita a ser absorvida apenas com esforço de decifração. enigmas, questões, questões que envolvem outras questões.

e, por percalços descalços, seja lá o que for, hoje vim a aprender a "identidade du Pont". não é a identidade entre Du Pont e Du Pond, os dois detetives da revistinha Tin-tin. por outro lado, já manifestei várias vezes minha admiração relativamente às multiplicações por números um sabidos. pensei que a origem fosse em Marx, com a decomposição da taxa de lucro (no caso, não são multiplicativas, mas dividitivas...) entre a razão da taxa de exploração e a composição orgânica do capital. mas aí começaram os problemas: aquele troço era em valores monetários ou em horas de trabalho?

por outro lado, com a identidade da Du Pont, vemos o que foi feito pelos analistas da também chamado DuPont ou Du Pont e, claro, Du Pont de Nemours, comme les phsyocrates. disque, se definirmos o retorno sobre o capital próprio (ROE) como a razão entre o lucro líquido (L) e o patrimônio líquido (PL), teremos: ROE = L/PL. Caso multipliquemos por dois números 1, nada acontece: ROE = 1 x 1 x L/PL. mas, se associarmos estes dois números um com A/A e V/V, ou seja, inequivocamente duas unidades, e principalmente se fizermos A sendo o ativo total da empresa e V sendo suas vendas, então poderemos fazer:
ROE = L/V x V/A x A/PL,
ou seja, o retorno sobre o capital próprio foi decomposto em:
.a. margem de lucro (L/V)
.b. giro do ativo (V/A) e
.c. multiplicador do capital próprio (A/PL).

em resumo, é fácil ficarmos ricos: basta elevarmos o lucro líquido! mexer no que mais seja pode ser indesejável (por exemplo, diminuir o patrimônio líquido (ou seja, endividar-se) ou elevar as vendas).
DdAB
captura da imagem: procureri "redação e multiplicação" no google images. nada achei. procurei separados e veio a simpática pintura: http://pe360graus.globo.com/obj/17/68167,250,80,0,0,250,188,0,0,0,0.jpg. depois de publicar, voltei aqui para dizer que o objeto horizontal parecia ser um cigarro (é politicamente incorreto eu publicar cigarros...), até com fumacinha no lado esquerdo. mas -dada certa marca no lado direito- concluí tratar-se mesmo de um xyz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Senado? Se não é capital social, deve ser fechado!

querido blog:
tenho um tema e um enlace. o tema é investigar se "a grande diferença entre as democracias capitalistas desenvolvidas e as não-desenvolvidas tem a ver com a administração dos conceitos de Estado, governo, gestão pública e política pública". o enlace diz respeito ao encaminhamento para frente de uma proposta de um senador de Santa Catarina (ex-PFL, se bem entendi) de reduzir as penalidades ao infrator das regras do trânsito.

acho que o tema e o enlace enlaçam-se (permitida a redundância) por meio do conceito de capital social. valeriam as três mãos ontem capturadas para ilustrar a tríade mercado-estado-comunidade. sobre este assunto, entendo que há milhares de formas de agregação das preferências coletivas. quando estudei a "grande curva de possibilidades de utilidade" no curso de microeconomia intermediário, fui abatido por um mal-estar que -anos depois- vim a entender que era provocado pela ditadura militar etc.. a ditadura militar diferencia-se da civil do samborgense Getúlio Vargas, mas ambas tiveram enorme apoio da "classe civil". até hoje, há quem fale, com nostalgia, dos tempos da "ordem". considerando que minhas preferências, digamos, eleitorais, foram diluídas numa função de agregação de mlhões de outros, creio que minha contribuição para a formação do vetor resultante foi desprezível. ainda assim, fiz parte de um grupo que deu sua contribuição para deixar claro o mal-estar: os estudantes.

não havia capital social no Brasil daquele tempo, ou apenas a lacuna do conceito? claro que apenas a lacuna, né, meu? nem mesmo esta tríade mercado-estado-comunidade estava presente na cabeça de meus professores de economia, nem mesmo dos de microeconomia. ONG, claro, é um conceito que emergiu nos anos 1900s (no máximo, nos 1980s). e, claro, ONG não é sinônimo perfeito de "comunidade", por exemplo, organizações criminosas não são da mesma espécie de um sindicato, uma igreja, um clube de tênis.

então o enlace mostra uma distorção absoluta das funções de um senador. ele, senado, devia ser fechado, pois os estados deveriam preceder esta cura da administração pública. como não haveria estado, não haveria representação de estados no congresso nacional. mas o senador do ex-PFL não estava representando Santa Catarina ao requerer leniência para os infratores do trânsito. ou seja, ele quer parcelar as multas, ou seja, ele quer reduzir o preço da multa, ele quer reduzir o preço da infração de trânsito. duvido que ele tenha sido submetido a algum curso de teoria da escolha pública. desta, um bom resumo estava na internet, mas agora não reencontrei, talvez tenha sido publicado como artigo de revista:

PEREIRA, Paulo Trigo (c.1996) A teoria da escolha pública (public choice); uma abordagem neoliberal?
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Pimba: artigo de revista:
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1221841484T5sAW2pw7Dh10FX8.pdf
Nota aposta em 30/mar/2016                                                                                  

do senador, apenas posso concluir dizendo que este tipo de demagogia apenas ocorre num sistema eleitoral de voto obrigatório: o mau político expulsa o bom do mercado (político). como é que alguém pode pensar que o país melhora se forem dadas maiores facilidades para os infratores do trânsito? claro que o país melhora com mais informação e mais fiscalização prestadas pelos poderes públicos. e mais prevenção, repressão e punição de crimes de qualquer natureza, inclusive os crimes dos políticos agatunados (isto é, todos...).

volto ao tema, agora, claramente apenas primeiro. a Petrobrás é um exemplo típico de aliança mercado-estado, ao passo que o orçamento participativo mostra as virtudes da aliança entre o estado e a comunidade. hoje em dia, entendo que o capital social se engendra com mais educação, especialmente no Brasil. na verdade, lembro de ter lido em Richard Rorty (talvez tenha sido a primeira coisa que li dele e gamei, um artigo de 15 anos atrás na Folha de São Paulo) que as escolas pré-universitárias devem servir para a socialização do indivíduo (dizer "por favor" e "obrigado"), ao passo que a educação universitária deve servir para a individuação (dizer "eu, eu, eu"? bem, não é bem isto, é apenas a possibilidade de usarmos e desenvolvermos nosso intelecto, recortarmos campos do conhecimento de acordo com inclinações e oportunidades). a educação é a salvação, todos sabemos, pois é a libertação.

quando pensamos em governo, considero que há dois instrumentos de redistribuição de oportunidades, portanto, de combustível da mobilidade social. o primeiro é o "orçamento universal", ou seja, fazer com que o lado da despesa pública orçada atenda a todos igualmente, nivelando cada patamar de atendimento de necessidades: não pode elixir contra aids enquanto tiver barriga dágua. além disto, o tesouro nacional deveria pagar a renda básica para cada cidadão, ao alcançar a idade economicamente ativa. com R$ 500,00 por brasileiro em idade de trabalhar (inclusive o Senador Suplicy, criador da lei, que não é em causa própria), gastam-se apenas 40% da Renda Interna Bruta (calculada a preços aproximadamente básicos). ainda sobram 60% para o resto... do lado da receita: imposto de renda progressivo. é inconcebível que os prêmios espetaculares schumpeterianos não deixem beneficiem os menos favorecidos.
DdAB
captura da imagem: http://images03.olx.pt/ui/5/19/43/1270581276_86261643_1-Fotos-de--VENDO-EMPRESA-DE-TRANSPORTES-INTERNACIONAIS-COM-CAPITAL-SOCIAL-DE-125000.jpg. selecionei-a, pois sonhei que dirigia um caminhão destes, claro que enfrentando problemas traumáticos. achei que um caminhão de interações sociais pode rimar precisamente com o surgimento do capital social. naturalmente, nada estou sugerindo sobre o senado ser um caminhão de empregos muito bem remunerados e pouquissimamente produtivos.

domingo, 20 de junho de 2010

O Novo Papel do Estado

querido blog:
eu estava preparando-me para postar um decálogo sobre ângulos de problematizações do novo papel que o século XXI reserva ao estado. claro que tenho em mente, como os vínculos das três mãos da figura acima a tríade mercado-estado-comunidade. e tenho dito que as alianças entre duas destas instâncias do processo agregador de escolhas coletivas podem agir em prejuízo da terceira. um dia falo mais sobre isto. tenho anotações de aula de meu velho curso de "micro 3".

e decidi postar mesmo:

.1. o que não é estado (neste caso, o mercado e a comunidade)
.2. o que é estado?
.3. estado e economia
.4. vienenses
.5. estado nacional e governo mundial
.6. o nacional-desenvolvimentismo
.7. o estado soviético
.8. o estado e a corrupção
.9. mercado e estado
10. comunidade e estado.

parece que dá um bom seminário e um bom livro. faltará algo que, durante o seminário, manifestar-se-á com clareza.

DdAB

captura da imagem: achei que este trio algemado poderia bem representar a tríade mercado-estado-comunidade, algo fundamental para a delimitação do novo papel do estado no século XXI:
http://2.bp.blogspot.com/_tJrzwkB0kik/Sj4oG55S6cI/AAAAAAAAAgg/DYW93qz2Q7I./s320/el+roto+gemelas.gif.

sábado, 19 de junho de 2010

Nós e a Argentina

querido blog:
ontem, li no jornal, houve um leilão em Nova York, lance vencedor de US$ 300,000, objeto leiloado, o manuscrito oslt do conto "El Jardín de los Senderos que se Bifurcan", de Jorge Luis Borges, escrito -eu o sabia- em 1941, uma anterioridade de quase 70 anos à chegada de Nina. no sendeiro pelo qual minha existência decidiu enveredar, digamos, lá por 1975, este destino seria inevitável, como o foi, ainda que ninguém -ao que eu saiba- tenha ousado tentar este devir específico. em outro futuro, não haveria Nina, mas Elisa, em outro, seria o menino Recabarén, e assim por diante.

por US$ 300,000, achei que valeria a pena reler "El Jardín...". dissera elsewhere que o relera em 2008, pois tê-lo-ia lido em 1998, ainda no tempo de Floripa. se o li, então é porque ele se encontrava no livro "Ficciones", uma coletânea que comprei em Barcelona, em 1987. ou seja, décadas de cá ou de lá... ocorre que, no livro "Ficciones", não há jardim nenhum, pelo menos não o do japonês, do Mr. Albert, sei lá. talvez, mesmo na primeira leitura de dois anos atrás (3/set/2008), eu datava Floripa: 21/nov/1997, às 22h30min, que deveria ser transcrição de algo, pois o exemplar de que falo é o da coleção em quatro volumes da Editora Emecé, que adquiri em 2004, em plena Vivenda Visconde.

pois bem, é tempo de Copa do Mundo, Maradona brilha tanto quanto grandes jogadores da Seleção Argentina. pois bem, Borges, à p. 475, neste very conto diz:

Pensé que un hombre puede ser enemigo de otros hombres, de otros momentos de otros hombres, pero no de un país: no de luciérnagas, palabras, jardines, cursos de agua, ponientes.

é um espantoso breve contra os antropocentrismos ("esta chuva me odeia, quer matar-me") e etnocentrismos ("todo acendedor de lampeões de rua é abobado"). claro que não posso ser inimigo de um jardim, quer ele venha a bifurcar-se ou apenas enrodilhar-se. nem afirmar que o por-do-sol do Rio Guaíba ou do Rio Jaguari é o mais belo do planeta. isto já basta para deixar claro que esta depreciação que se faz à Argentina enquanto nação por causa da seleção brasileira de futebol já é exagero. como se o futebol do Boca Juniors fosse realmente rival da brasilidade, essas coisas. eu amo a Argentina, epa. eu amo Jorge Luiz Borges, epa, epa. eu amo os escritos de Borges, eu amo os tangos, eu amo pilhas de coisas da cultura argentina.

e parece que não sou apenas eu, pois a canção de Chico Buarque e Maria Bethânia diz:

[...] penetrar no labirinto, no labirinto de labirintos [...]

verso, em prosa, da mesma página do mesmo conto do mesmo autor do mesmo país. ou seja, Borges diz:

Pensé en un laberinto de laberintos, en un sinuoso laberinto creciente que abarcara el pasado y el porvenir y que inplicara de algún modo los astros.


DdAB
twitter: na verdade, aquele troço de Floripa era sobre "A Biblioteca de Babel", do livro "Ficciones".
captura da imagem: bananeiros? macacos? apenas brasileiros. http://1.bp.blogspot.com/_Ynn-JSHQ4y4/SRSIZq7MxEI/AAAAAAAAAlw/wkewXDxJw4g/s320/Bananas.bmp

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Tresloucados, três louquinhos

querido blog:
a semana não esteve para peixe, mas saí avô e não me aveijei, au contraire. por isto, não pude comentar o artigo de Zero Hora de domingo, caderno Dinheiro, p.3. trata-se do espaço tradicional dos artigos de Paul Krugman, agora em férias -diferentemente de Roubini, que -parece-me- foi demitido, e agora substituído por Thomas L. Friedman (do New York Times Service). gelei, pensando que fosse o filho de Milton Friedman, um anarco-capitalista extremado. um neguinho que odeia a presença do estado, ente cuja ausência cria mais problemas do que resolve. se eu digo que devemos ter as drogas legalizadas ao término de um programa de 20 anos de transição, só imagina quantos anos eu requereria de um programa para transferir à comunidade todas as atuais atribuições do estado.

claro que, sem estado, não teríamos estados, senado, nem poder executivo, nem câmaras de deputados ou vereadores, nem nada disto. claro que não podemos ser imbecis o suficiente para achar que este mundo despito de ladrões é impossível. claro que algum ente de alguma natureza foi, é e será necessário para coordenar as ações coletivas. claro que não pode ser o mercado, pois -se fosse possível- ele já o teria feito. mas o desenho milloriano mostra que há ladrões em todos os aparelhos de TV, basta se ligar...

isto me lembra a velha piada dos economistas de Chicago. e tu, também lembras? a pergunta é: quantos economistas são necessários para trocar uma lâmpada? e a resposta runs as follows: nenhum, pois, se isto fosse necessário, o mercado já a teria trocado.

pois, a linhas tantas, o Mr. Friedman diz tantas barbaridades que corei. primeira: "bons empregos - vem grande quantidade não vêm do governo. Vêm de pessoas que assumem riscos ao iniciar um negócio - empreendimentos que tornam as vidas das pessoas mais saudáveis, mais produtivas, mais confortáveis ou mais divertidas, com serviços e produtos que possam ser vendidos ao redor do mundo. Não dá para ser a favor de empregos e contra as empresas."

agora pensemos que dá para ser a favor de redistribuições de renda e contra os empregos. tu conheces alguém que realmente ama trabalhar? não seria ao caso de subornar todos os trabalhadores que shierk, que fazem greves, que perturbam a paz da fábrica com suas lamúrias, com suas reclamações, com sua angústia-de-estar-na-fábrica? quanto valeria este suborno? acho que bem vale a renda básica. então: não dá para dar emprego para todos? dêem-lhes renda básica!

segundo. aí vêm os dois outros louquinhos. um deles se chama Carlson e disse que começaria por criar um gabinete para promover inovação e competitividade, a Secretaria de Novas Companhias. ok, criamos empresas e cadê os empregos? a primeira lei da aritmética aplicada à divisão diz que quanto maior o denominador, menor a fração. competitividade? produtividade! produtividade: produto/emprego, ou seja, quer produtividade alta? pois tem que ter emprego baixo. quer voltar ao período pré-revolução industrial? you can count me off.

terceiro: o Mr. Litan, por seu turno, quer a Lua em espeto, como se fosse queijo. ele diz que as regulamentações para a imigração (aos EUA) deveriam permitir a entrada gente portadora de empresas que criassem "certo nível de novos empregos em tempo integral e lucros." ele, claro, não leu uma postagem que fiz e que disse que aprendi com Joal de Azambuja Rosa que a função social a empresa é gerar lucro, mas não tem nada a ver com geração de emprego. o emprego, amigos, é o inimigo da produtividade (pela lei da aritmética acima citada). quem tem que resolver o problema do emprego não é o mercado de trabalho, este deve resolver outros problemas, como o da atração de gente qualificada para certas posições. salários e condições de trabalho são as variáveis que explicam a oferta de empregos. e a demanda tem a ver com a relação capital/produto, a relação capital/emprego e, obviamente, com a produtividade, ou -escrevendo novamente-, ou seja, PIB/emprego. quanto maior o PIB/emprego, melhor, não é? e como se consegue elevar esta razão? claro que com mais capital por trabalhador.

pois bem, os tresloucados pensam que a crise que destruiu 10 milhões de empregos nos Estados Unidos vai receber um montante de investimento de tal magnitude que essa macacada vai ser reabsorvida no mercado de trabalho a taxas de salário condignas com certa homogeneidade no padrão de consumo da civilização americana. fiz alguns cálculos com cifras do PIB, do estoque de capital e do nível de emprego um tanto assustadores. entendi que, com a relação média da economia americana, criam-se 10 milhões de empregos apenas investindo 50% do PIB americano. ou seja, um país cuja taxa de investimento é de apenas 20%% (como é o caso lá deles) teria que elevar sua poupança para resolver o probleminha dos 10 milhões de neguinhos em apenas um ano com a metade do PIB. ou seja, só se os Estados Unidos forem campeões mundiais de futebol daqui a alguns dias. não resta dúvida, o Monsieur Millôr é que tava certo: a realidade é que enguiçou.
DdAB
captura da imagem: impossível não identificar no cantinho inferior direito o nome de Millôr Fernandes. impossível não identificar o traço. interessante é que esta ilustração veio quando pedi "três louquinhos tresloucados", ou algo parecido: http://2.bp.blogspot.com/_q82HeJQFXTg/R0b9hIG1MJI/AAAAAAAABNM/i07mDdttQ-I/s400/Televis%25C3%25A3o%252B%25C3%25A9%252Bperfeita.jpg. eu diria que os três louquinhos são o autor do artigo e as duas eminências por ele citadas...

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Quilometragem da Nina

querido blog:
uma garota zerinha percorrerá quantos quilômetros da sala de parto até o apartamento? afastando-se da mãe, o certo é que ela começa uma trajetória que a levará, se for o caso, no rumo das estrelas. quem ingressa no mundo da luz tem enormes possibilidades de integrar-se aos povos astronautas. brasileiro não vai para o céu, alguns nefelebatas poderiam argumentar. mas Nina será, não canso de sonhar (you may say i'm a dreamer), uma cidadã do mundo.

a verdade verídica é que Nina (born in 2010) já dispunha de uma razoável percepção de luz em seu aconchego uterino, mas -just in case- ainda não abrira os olhos até o momento da emissão do último boletim da macacada. há menos de 100 anos Moinhos de Vento/Tristeza), o trajeto que ela percorrerá daqui a dois dias, tomaria um ou dois dias; hoje requer menos de 30min, uns 20-30km, o que retirará de Nina a condição de garota zerinha. estou certo de que ela não tem nada a perder e um mundo inteiro a ganhar.
DdAB
twitter: os primeiros anagramas de Nina: sua mãe, a Lis, é simétrica de Sila, a bisavó do dia 14/junho/1913. e mais um, como o outro avô é Juarez e ela nasceu em junho, só poderia ser JuNina. são sabidinhos...
captura da imagem: http://2.bp.blogspot.com/_QfaEvcfrG1g/SL_-PeRvzpI/AAAAAAAAAYU/Av4yI5a8Ndo/s400/sonhos_sonhos%5B1%5D.jpg. pensei que este guri poderia escrever algo interessante para a Nina, in due time, claro, pois imagino que os dizeres das toalhas sejam de alguém mais, digamos, sisudo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Bisavó de Minha Neta

querido blog:
No Petit Comité, anunciei para 8/julho/2010, meu próprio aniversário, o nascimento de minha netinha, e que ela se chamaria Nina, doce menina. a segunda parte da previsão confirmou-se 100%:
.a. é menina
.b. é doce
.c. é Nina!

a segunda exibiu um viés em favor da avó do pai, ou seja, minha mãe, melhor ainda, a bisavó paterna do lado paterno da garota. em outras palavras, minha mãe nasceu precisamente no dia em que, 97 anos depois, nasceria sua quinta neta (antecipada por milhares de netos).

a mãe e Nina passam bem. o pai ainda resiste ao desmaio, dando, ambos, três vivas à vida.
DdAB
captura da imagem: http://2.bp.blogspot.com/_-RMiGh8pZFo/SEwgTzFUGuI/AAAAAAAAADI/w8DWD2XwBCU/s400/tangram_games.jpg: busquei o tangram, pois nada aparecia com o título da postagem de hoje. qual será o Q.I. de uma criança com 12h de vida? e de um avô que não consegue guardar o tangram de volta na caixa?

domingo, 13 de junho de 2010

A Avó do Badanha e as Reformas...

querido blog:
a avó e o avô (condição que posso assumir ainda hoje) são figuras importantes na história da humanidade. sem nós (epa, ainda não sou avô!), não haveria o que passei a chamar de história, a história das gerações pretéritas, mesmo sem o registro escrito, sem a árvore genealógica. a educação, ou seja, o vetor ensino-aprendizagem, a tecnologia, e tudo o mais não existiriam, most likely, sem avós e mesmo sem avôs...

as reformas democráticas que conduzam ao socialismo, por seu turno, ingressam como um recurso retórico que incorporei há alguns anos, quando quero definir minha relação com o mundo contemporâneo e minha maneira de pensar no mundo futuro, numa história da qual participarei apenas como myself, pai, avô, amigo, parente, inimigo, sei lá. mas acho que há mais nelas: a modéstia de gente séria e bondosa relativamente a seus próprios projetos, ao que fazer com sua utopia depois do stalinismo, do mensalão, essas coisas.

então o mundo se divide em avós decentes e avós encheridas, de um lado, em em reformas democráticas e reformas não democráticas. penso que talvez seja redundância dizer que as reformas democráticas se dividem em reformas democráticas que conduzem ao socialismo e idem. parece-me que, onde há democracia, haverá -in due time- socialismo, ou melhor, cerceamento a determinadas liberdades, como a de possuir escravos, em benefício da liberdade dos demais. já não sou tão convicto de que a propriedade privada dos meios de produção seja a linha demarcatória entre as RDQCS e as demais reformas. penso que podemos pensar, no futuro, que haverá rendimentos associados ao esforço individual, como quer o primeiro item da sociedade justa preconizada por David Harvey.

pois bem, chegamos -elipticamente, admito- ao Caderno Donna de Zero Hora deste domingo. a repórter Anelise Zanini escreveu um artigo, intitulado "Avós são para sempre", em que simplesmente ficamos sabendo -parece que com certa simpatia da Ane...- que uma velha cujo filho teve um rebendo resultante de uma gravidez indesejada e foi rejeitada (eu não disse "o filho", mas "a velha" foi rejeitada) pela mãe do ragazzo.

e tem mais: outros casos ocorreram, deixando claro que esta é uma tendência nacional: os avós têm o direito legal de conviver com os netos, mesmo que os pais não queiram. parece-me evidente que a repórter associa-se a causas associadas ao "Clube da Baixaria". parece mais: no caso da velha que queria ver o neto e a mãe não deixou, não seria o caso de ela cobrar de seu próprio filho, de compartilhar com ele das horas que a justiça ou sei lá quem que ele próprio irá usufriur juntamente a seu próprio filho. agora, a avó interceder na própria liberdade do filho e, pior ainda, na da nora, cá entre nós!

mas ela omitiu o caso do menino filho de pai americano e mãe brasileira que -não lembro como- parou nas mãos da avó brasileira, aquerenciada com uma família da elite carioca. milhões de anos depois do "fato gerador" (afinal, a postagem é de "economia política"), o tribunal federal de tal (R$ 27.000 por cada) determinou que o menino fosse entregue ao pai, que a mãe morrera from scratch. Kátia Abreu do ex-PFL do estado do Tocantis? tá na cara que este tipo de reforma não conduz a socialismo nenhum, ele é simplesmente a tresloucada iniciativa de uma velha (a Katia, agora) casuísta que não consegue entender o absurdo que eram aqueles traços do comunismo antigo (ver jornais brasileiros do período) em que retiravam o pátrio poder dos pais e o davam ao PCUS, um troço assim. Kátia Abreu, democratas? tou fora!
DdAB
captura da imagem: demorei para encontrar algo interessante. a bengala foi o que ficou de fora de meu próprio blog. penso que a avó do Badanha, se não fez exercícios físicos desde jovem (ou seja, se não viveu no Planeta 23), andará mesmo usando uma bengalinha destas que capturei em: http://1.bp.blogspot.com/_2LCNrFVsxQo/SPurPABjsFI/AAAAAAAADB8/GK_ssAqnl10/s320/2008-10-15-BB.jpg.

sábado, 12 de junho de 2010

Gol do P.I.

Querido Blog:
O P.I., como sabemos, é o "politicamente imbecil", uma caricatura politicamente incorreta do "politicamente correto". Mas ele merece divulgação em ti, amado blog, por ser epitomizado (epitomado, diriam os imortais da ABL) por Zero Hora, um jornal que leio diariamente apenas para manter aguda minha capacidade de diferenciar joio e de aboio e ambos de bambos e de seca e peteca.

Minhas filosóficas reflexões deste Dia dos Namorados, que às vezes os namorados eram chamados por Machado de Assis de enamorados, dizem respeito à cobertura que o combativo jornal está dando à Copa do Mundo de Futebol. O futebol, como deixou-nos claro Umberto Eco em seu maravilhoso "Viagem na Irrealidade Cotidiana", não é um esporte, mas um arremedo do filme Rollerball (bem, não foi 100% Eco...).

Perdi algo, eles terão oferecido um cursinho de seis meses (ou 360 horas correspondentes em EAD) para o leitor mexer-se com naturalidade no suplemento que começou ante-ontem (a ABI usa hífem?). Mas não é possível deixar de entender (mesmo a despeito dos esforços da ABI) textos escritos em aproximação à língua vernácula. A manchete de hoje (uma das) diz: "Dia de Secar a El Quarteto Fantastico", ou seja, a seleção de futebol da Argentina. A Argentina, not to speak do futebol argentino, tem uma relação de tapas e beijos econômicos com seus vizinhos do norte.

Não quero estender-me sobre a relação Argentina-Brasil neste momento. Mas, claro, tenho muito para falar sobre isto. Quero, claro, o estado mundial, um estado esculpido com meu próprio cinzel, deixando intactos traços culturais como a lituratura dos sucessores de Jorge Luis Borges e Machado de Assis. O centenário tango e a cinquentenária bossa nova. Essas coisas, o assado de tira e a costela de quatro dedos, essas coisas.

É que, no combativo caderno do indigitado jornal, o problema não é apenas politicamente incorreto com os povos da Argentina e todos os demais povos cujas seleções de futebol possam empanar a vitória (armada?) que -por direito real- pertence à Seleção Brasileira de Futebol e seus patrocinadores comerciais. O P.I, ou seja, o politicamente imbecil, é o cultivo sistemático de tudo quanto é estereótipo, tudo quanto é lugar comum, tudo quanto exibe carteirinha de sócio do "Clube da Baixaria", incluindo o ódio aos negros, aos argentinos, aos nordestinos, aos catarinenses, às mulheres, aos muçulmanos, e por aí vai.

Quando um carioca de meu porte manifesta escárnio com algum defeito paulista, devemos entender com apenas um vacilo de um emigrado, mas -se na condição de economista político- eu começar a desfazer de colegas que esposam visões equivocadas do resto do funcionamento do modo de pensar da humanidade- então deveremos concluir que a leitura de Zero Hora terá começado a afetar definitivamente minha saúde.
DdAB
twitter: eu tinha jurado para o Prof. Myself que iria gastar o maior tempo imaginável (ou seja, 240h por dia) envolvendo-me com a Copa do Mundo. não fui capaz de ver nem a cerimônia de abertura.
captura da imagem: busquei no Googlel Images "gol da Argentina" e encontrei um automóvel Gol oslt da Alemanha. a mobilidade internacional do capital -que tanto prezo- fez com que a Argentina também faça seus gols ou neles ande encostada...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

China, China!

querido blog:
razões ainda não completamente explicadas levaram-me a recalcular a taxa de redução da diferença entre o PIB dos Estados Unidos e o da China. em 2009, estimativas de 14,3 x 8,8 trilhões de dólares americanos, os chineses devidamente corrigidos pela paridade do poder de compra. há alguns anos (não muitos), eu usara duas funções exponenciais, a fim de ver o catch-up, e chegara à conclusão de que ele ocorreria em 2012. pelas cifras que hoje revi, il surpasso ocorrerá apenas em 2020.

claro que o conceito de paridade do poder de compra é complicado para todos os fins, especialmente para o que tenho em mente com estas comparações. ainda assim, acho que meu cálculo não estava tão errado assim (metodologica e numericamente falando). o que me parece reconciliar os oito anos de diferença entre o outrora e o agora é alguma revisão feita no PIB do you ass a. ou ainda mordo a língua...
DdAB
captura da imagem: http://garotasnerds.com/wp-content/uploads/2009/07/muralha-da-china-1.jpg.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

18.800 empregos: dia feliz (e o voto facultativo avança...)

querido blog:
todos sabemos que a Governadora Yeda Crusius vai perder as eleições de outubro próximo. nem no segundo turno, a triste figura entrará, non è vero? e tenho duas razões para sentir-me culpado com isto. primeiramente e menos impactante, sabemos que nada fiz para vê-la candidata ou eleger-se, ou seja, nada tenho a ver com o projeto político de minha ex-professora e ex-colega. mas, em segundo lugar, dei a dica a seu ex-chefe de campanha, que não seguiu. vimo-nos em um almoço de estudantes de economia da PUCRS, nas antevésperas de minha saída pós-doutoral, digamos que em maio/2006. Brasil favorito para a Copa do Mundo.

como sabemos e eu testemunhei, a Itália sagrou-se campeã, aplicando -como não garanto- um dois a zero na alemoada no período de prorrogação do jogo, não foi isto? o Brasil era favorito, nas ruas de Berlim havia e foram mantidos por todo meu ano sabático, cartazes com os dizeres "Joga Bonito", ou seja, do fair play. antes de ir-me a Berlim, eu disse que não haveria razão para a Profa. Yeda colocar em seu projeto de governo a criação de um milhão de empregos. aliás venho pensando nisto como cavalo de batalha para os sucessivos governos, desde 1994! o fato de eles não terem realizado meu desejo levou-me a declarar-me em desobediência civil e cancelar meu comparecimento às urnas. desde o afamado plebiscito das armas (no ano do mensalão, eta conjunção sideral) não voto mais!

meu raciocínio era rasteiro, de gente que não entende de política: diziam que os dois maiores problemas do brioso povo gaúcho eram o desemprego e a segurança pública. pensei: eba!, neste caso, se a candidata criar esse milhão de empregos na Brigada Militar, resolverá galhardamente ambos de uma só tacada. claro que por "Brigada Militar" eu entendia a "Brigada Ambiental Mundial", o começo dela, pois via como inevitável a sagração de minha ex-professora na condição de Primeira Ministra da Primeira Federação Galáctica. era só começar. era, como terei ouvido em outro contexto, dar banana para macaco...

pois ela não criou esses empregos. parece que criou 365 (ou 356...). fará 3,56% dos votos! lamento, claro. queria o milhão de empregos. pois bem, sigo no assunto.

o jornal Zero Hora de hoje dá duas notícias extraordinárias, extravagantes, extranumerárias, extratrosféricas, esotéricas, sei lá. a primeira é que o Tribunal de Sabe-se Lá, agora imbuído de revelar "altos salários" (todos os integrantes -parece- ganham os afamados R$ 27.000 (ou ganharão, pois a escadinha-escaladinha já começou ou está para começar em Brasília), disse o seguinte. no Rio Grande do Sul, estado de impressionante corrupção instalada em todos os escalões do governo (assembléia legislativa, tribunal, executivo e outras instâncias do poder claro ou submerso), há 744 funcionários ganhando mais de R$ 24.000. Em abril, eles "retiraram" R$ 18,8 milhões ao orçamento público, à lei do orçamento, aquela coisa.

munido de uma calculadora potentíssima, dividi 18,8 744 e obtive 25.269, ou seja, o salário médio da turma está subestimado, ou melhor, está abaixo do que tenho alardeado (por pura falta de seriedade) como sendo os desejados R$ 27.000. ainda assim, R$ 25.269, em média, para 744 funcionários públicos só pode ser saudado com estusiasmo pelo trabalhador brasileiro, pois mostra-se como um futuro possível, não é isto?

mas fiz outra conta: se conseguíssemos uma operação matemática que os colocasse no olho da rua e os substituíssemos por 18.800 funcionários da segurança pública, poderiam pagar-lhes R$ 1.000, ou seja, um pouco menos do que um soldado estadual fardado contemporâneo. criou 365 empregos? poderia ter criado 18.800? seria reeleita. se criasse o milhão que desejo, já seria chamada de exagerada. nem precisa de tantos, não é isto? cara, bicho, gente! seria uma loucura vermos mais 18.800 servidores do sistema de segurança, que -assim- começaria a gerar esperanças na macacada (como myself) de boa-vontate.

desnecessário dizer qual seria meu programa de trabalho para essa negadinha:
.a. três horas de ginástica por dia (para manter a coluna ereta)
.b. três horas de aula por dia (para manter a mente quieta)
.c. três horas de trabalho comunitário por dia (para manter o coração tranquilo).

ok, voltando à vibrante Zero Hora. há outra notícia ainda mais revolucionária, pois pode afetar o destino de todos os brasileiros e não apenas de todo o universo, como seria o caso da reeleição de Yeda. agora vemos iniciativas do vibrante Senador Marco Maciel, ele já declarado imortal, por conteribuições à Academia Brasileira de Letras. do mesmo estado do que o afamado Deputado Inocêncio de Oliveira. um foi presidente da república. o outro também, se me não equivoco no caso de ambos...

mas ainda havia mais: na mesma p.6 (que eu mantivera em sigilo o número), disque o os senadores esavam encaminhando um pedido de aumento de cargos e salários, um troço assim, "[...] com um impacto de R$ 170 milhões na folha de pagamento da Casa neste ano." è vero! aquela equação leva-me a conjeturar que poderiam ser 170 mil empregos no setor de empregos e simultaneamente no de segurança. só bebendo! eu, que propugno pelo fechamento dos estados e do senado, já comecei a pensar também em fechar a boca...

voltemos à segunda boa notícia... Marco Maciel, que preza o princípio que reza que votar é um direito e um dever, propôs uma lei que é divulgada na p.11 do instigante jornal:

Um projeto de lei aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) põe fim a sete punições aplicadas a eleitores que deixam de votar ou não se justificam no prazo legal.

são as seguintes as desditas anunciadas (sic):
.a. tirar passaporte
.b. tirar carteira de identidade
.c. receber remuneração de órgãos e entidades estatais
.c. participar de licitação pública
.d. obter empréstimo de entidades financeiras estatais,
.e. renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo
.f. praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda.

teria apenas uma punição: multa. quanto ao rosário acima, diz o imortal senador que

[...] todas as restrições têm constitucionalidade duvidosa e colocam em risco os princípios fundamentais, como o da cidadania. Ele defende que a multa e o cancelamento do título já são "medidas suficientemente desestimuladoras" para o eleitor que se abstém de votar.

claro que não vai passar. se passar, acabaremos caindo numa democracia! ver milhares de postagens a respeito.
DdAB
captura da imagem: busquei 18,8 e veio o maravilhoso sorteve que vemos acima e em: http://www.portalradar.com.br/upload/conteudo/imagens/18-08-2009-05-40-32_sorvetecaipirinha.jpg. eu anunciei a meu astrólogo que daria um destes para quem criar os empregos de que falo no cerne da postagem. e abandonaria o hábito de anunciar que beberia por qualquer motivo.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

9% etc.

Querido Blog:
Não, não foi por acidente que capturei esta foto. queria ilustrar o estrondo com que foi saudado o crescimento de 9% da econonomia brasileira com relação ao primeiro trimestre de 2009, um de crescimento negativo. Claro que 9% é um monte, claro que haverá pressões inflacionárias, não pode deixar de haver, são leis mais imponentes do que a lei da gravidade.

agora, não foi acidente, mas um gesto acidental, mão trêmula, levou-me a espichar a mão para apagar o CD player do carro às 19h00 de ontem, mas sintonizei "A Voz do Brasil". disque é getulista, concluiu-se que terá nascido "A Voz do Brazil". quero que a chapa Serra-Dilma prometa extingui-la. e não é apenas isto que quero de um governo decente. bem, aí começam os problemas. que quer dizer "decente"?

Em poucos segundos, ouvi alguns disparates, até que chegou-me aos ouvidos, anunciado por dois jornalistas -possivelmente portadores de diploma, de bons bancos escolares, aquele rubbish-, o som do Presidente Lula Himself. Disse-nos ele: "quando eu falei em 'marolinha' para descrever aquela crise internacional de 2008, tacharam-me de doido." Aí garrei-me a pensar: "que tal entrarmos com uma liminar e requerer que aqueles que se enganaram nas previsões catastrofistas e o chamavam de doidos seriam obrigados a pagara um quilo de alimentos não perecíveis ou passar a chamá-lo de 'sensato'."

Em particular, comentei bastante aqui mesmo três epifenômenos:
.a. a frase de Umberto Eco que, ainda ontem, voltei a lembrar, um breve contra os catastrofistas: "não espereis demasiado do fim-do-mundo".
.b. as milhares de frases de Nouriel Rhoubini, cronista de Carta Capital. parece que já saiu.
.c. as malhares (sempre bombásticas e malhativas) de frases de Paulo Brossard, cronista de Zero Hora.
DdAB
captura da imagem: http://4.bp.blogspot.com/_crE-RBUJgh4/ShrOW8Skx1I/AAAAAAAABDM/ojp-mcWkKHI/s400/999999999999.jpg, ou seja, com um inocente "999999", o Google Images deu-me esta foto. fiquei pensando: é gente pacífica e despossuída ou um exército de despossuídos. palestinos? parece. e pensei: "como seria bom se nosso maravilhoso e pacífico país pudesse reunir suas populações marginais, os que vivem abaixo da linha de pobreza, organizar um acampamento destes, com luz elétrica, psicólogos analógicos, tudo aquilo e começar a dar-lhes vida decente. a marginalidade desértica deles é uma vergonha. a nossa marginalidade urbana, também.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A produtividade do trabalho e o Dilema de Marx

querido blog:
bem, não é bem ao Dilema de Marx que desejo referir-me. aliás, nem sei bem se havia um com "capitals" (rsrsrs). quero falar da produtividade do trabalho, do trabalho como geleia do esforço societário, da luta que deveria ser generalizada por ganhos de produtividade, ou seja, obteção de mais unidades de produção-ou-produto por unidade de fator trabalho.

pois bem, tornou-se claro para mim -depois de andar extraindo a raiz cúbica de alguns números primos- que aumentar a produtividade do trabalho é algo desejável socialmente, mas mau individualmente (ou para um grupo adequadamente definido). acho até melhor dizer que qualquer indivídio desejará que todos os demais aumentem sua produtividade, ou seja, trabalhem com maior eficiência, enquanto que ele revervar-se-ia o direito de trabalhar como-bem-entende. mas parece evidente que o indivíduo individual isolado, especialmente na condição natural de consumidor (de um composto de oxigênio e outros elementos químicos, inclusive animais...), terá sempre tudo a ganhar -ceteris paribus- com a elevação da produtividade dos demais, pois sabemos que produtividade alta leva, com mais vigor do que a lei da gravidade a queda no preço da mercadoria.

ademais, o indivíduo -se for racional- preferirá seu lazer a qualquer trabalho, ceteris paribus. mas um grupo de despossuídos pode associar-se e assumir a postura de caroneiro num dilema de prisioneiros, sabotar o processo de elevação da produtividade. tranca-se a obtenção social dos frutos da produtividade e, como tal, da distribuição de frutos que não foram criados.
DdAB
captura da imagem: http://sinais-dostempos.blogspot.com/2010/01/retrospectiva-economia-nao-e-ciencia.html. procurando [produtividade + "dilema de prisioneiros"], o que mais encontrei foram postagens neste próprio blog. agora busquei outra...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Novolíngua e o diploma de jornalista

querido blog:
às 17h09min, ou seja, alguns montinhos de minutos atrás, ouvi na Rádio da Universidade (UFRGS) uma entrevista do presidente do Sindicato dos Jornalistas de Porto Alegre, cujo nome fugiu-me hertzianamente. o que preguei o ouvido foi em seu uso da novilíngua. ele disse que a lei de imprensa do tempo da ditadura militar era vergonhosa. mas que não devia ser "revogada" e sim "substituída" por outra. esta deveria proteger o cidadão. entre as proteções citadas encontra-se alguma coisa do que foi revogado: a exclusividade do exercício das práticas jornalísticas por quem não foi feito "dentro dos bancos escolares".

nem quero falar do banco ao lado do fogão de minha velha casa de Jaguari, repleto de lenha, mas deste toço de que a formação do jornalista dá-se apenas na escola, a do economista, a do médico, a de sei-lá-mais-quem. a novilíngua é brabo! hoje acabo de ler (ou ontem?) alerta do Mr. Steve Jobs que, ou começamos a vender softwares e informação hoje encontrada livremente na rede ou nos tornaremos um país de blogueiros. bueno, eu não via nada de errado nem com os Estados Unidos nem com ourselves em tornarmo-nos um país de blogueiros. e que diria o presidente do Sindicato?

bem, ele já fez suas retóricas: disse que, no Brasil, todo nascido vivo é jornalista. pensei, claro, alardeia (herald???) sua condição com urros, sangue e lágrimas. também é cidadão, também é consumidor, também é pilhas de coisas. é, naturalmente, analfabeto e aí voltamos ao jornalista defensor dos direitos da "classe". cada uma! banco escolar ajuda mas não cura analfabetismo. nem jornalismo. agora, obrigar um neguinho recém nascido a enfurnar-se num banco escolar também já é retórica! e que terá encontrado o presidente lá dentro de seus bancos escolares que ficou tão agradecido e sensibilizado?
DdAB
captura da imagem: novo língua, deu algo como "ano novo, língua...". e temos o que segue acima..., ou seja, não tendo sido removido de cima segue onde sempre esteve, relativamente a este "abaixo". e isto é menos confuso do que a novolíngua(...)^2. veja: http://3.bp.blogspot.com/__xndt9sIJHA/SbKQHFSeLMI/AAAAAAAAEiY/XcuOCjA2F7M/s400/collage5.jpg.

domingo, 6 de junho de 2010

Anagramas

querido blog:
sou leitor sistemático de Machado de Assis já uma década. há meses, não leio algo "palpável", o que começarei em breve, pois a saudade apertou... seja como for, foi com ele que aprendi a palavra "entrudo" e que cheguei a pensar (antes de olhar o dicionário) tratar-se de um jogo de cartas, alguma variação lusitana do pôquer. não é, as figuras são carnavalescas. eram danças populares na segunda parte do século XIX.

be however it may, MdA usava dezenas de pseudônimos, e até há escritos anônimos que hoje os especialistas lhe atribuem. falando em seus pseudônimos, meu admirado Raymundo Magalhães Júnior disse: "Dado também [a exemplo de vários escritores listados] ao uso de pseudônimos era Joaquim Norberto de Souza e Silva, queora assinava Junor Achimbert, ora coisa parecida, de teor sempre enigmático."

Tratava-se de um colaborador do "Jornal das Famílias", em torno de 1866, conforme li nas p.6-7 Prefácio de "Contos Avulsos" (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1956). Contos machadianos, prefácio magalhaniano. Por contraste a este mundo dos anagramas etc., o primeiro a que fui submetido era a Companhia Atarip de Petróleo, lá do livro "O Poço do Visconde", meu primeiro curso de geologia e economia política do petróleo, dado pela literatura infantil de Monteiro Lobato.
DdAB
sobre a captura: ver http://purl.pt/4892/1/, que me veio da busca simples no Google Images.

sábado, 5 de junho de 2010

Mais Infinitos

querido blog:
neguinho (diria a pré-candidata Dilma) que lê um livro por dia desde que nasceu e vive 100 anos (uma bagatela, comparada com o tempo que transcorreu entre o nascimento da primeira folha (?) de grama e o surgimento da piscina gramada) lê a estonteante soma de 40 mil livros. 49 mil, não é isto?, é o número de livros que eu leria se pudesse ler um por quilômetro, ao dar a volta ao Planeta Terra viajando numa moto por cima da linha do equador. cá entre nós, ler um livro por quilômetro precisa de uma tartaruga de respeito puxando a tal de moto.

quando eu comprar um software livre mais potente, vou calcular quantas palavras por centímetro são necessários para ler, digamos, Il Decamerone em um quilômetro. fosse esta uma postagem marcada como "economia política", eu explicaria as esdruxulidades necessárias ao surgimento de mercado para softwares livres. afinal, não foi o velhinho de quem andei reclamando que disse que "no capitalismo, tudo vira mercadoria"?

DdAB
Memória de Cálculo:
Em 100 anos, com 25 anos bissextos, temos: 36.525 = 75 x 365 + 25 x 366 = 27.375 + 9.1500. A equação dimensional é: livro = livro por ano (bissexto ou não) x ano. Não é isto?

Captura da Imagem:
dizem-me que esta imagem foi capturado pelo fotógrafo do único planeta com grama já visto no momento em que era atraído por um buraco negro, portanto aqueles blocos de cimento tão à "District 9" estão mesmo é de cabeça-para-baixo, no sentido de que daqui a pouco ficarão sem cabeça, bem antes do gramado desvanecer-se no infinito desconhecido. ver onde não se lê o texto acima, ditado por um "amigo":
http://farm4.static.flickr.com/3140/2580333516_420dd2a70b.jpg?v=0

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Education, education, education: nadir e zênite

querido blog:
hoje é domingo, .., epa!, hoje é sexta-feira, um dia "útil" entalado entre o feriado e o fim-de-semana. para aposentados, a rotina quebra-se do mesmo jeito. a cidade para. ou pára? segue parada? os meninos de rua seguem sua sina. está nublado. chove em Três Passos. choverá aqui e acolá. faço-me lírico, mas quero falar do mundo mundano, ou seja, da moderna economia política. nem queria dizer isto, mas agora digo: primeiro, há gente que não sabe que havia bens públicos antes de haver bens de mercado. segundo, destacam-se entre esta macacada os marxistas, pois -claro- Marx não tinha a menor obrigação de problematizar este tipo de coisa. agora, quase 500 anos depois de seu passamento, é inconcebível que a negadinha siga sem considerar amplamente estes blim-blim-blins para fins de explicação dos dois itens centrais do livro a que ontem referi, de autoria de Makoto Itoh (falei ontem que os revisores de texto da Macmillan cometerem uma série tão grande de erros que acho que andaram bebendo durante o expediente, na cidade de Basingstoke, a que fui acompanhado de MGLdM e DLdMB?):
.a. stages theory (onde deviam falar em óbices ao surgimento do estado mundial e não em imperialismo) e
.b. empirical analysis (onde deveriam falar como é que o valor dos bens públicos afeta o nível geral de preços, um troço destes e não do problema da transformação dos valores em preços).

pois bem, vejamos o que eu queria dizer ao pedir cachimbo, sei lá. ando -se não meio desligado- um tanto atarefado. e andei até mais angustiado, que o angstmeter é o número de postagens semanais. o nadir é zero e o zênite é sete. e você saberá o que me deixa de pelos em pé... é que no outro domingo, li algumas coisas em Zero Hora, fiz anotações e iria postar na segunda-feira, depois ficou para a terça-feira, na quarta já recuperara o bom-humor, na quinta era feriado e hoje é hoje mesmo. forço-me, portanto, a dizer o que segue.

em três momentos, aquela Zero Hora levou-me a refletir sobre educação:
.a. tinha algo na capa (que deixou, for a tiny while, seu padrão de irrelevâncias)
.b. a crônica do Caderno Donna de Martha Medeiros
.c. uma foto do Presidente Negro enrustido num ambiente de bullying.

concluí claro que o Governo da Profa. Yeda Rorato Crusius tinha mesmo que fazer as "enturmações", ou seja, encaçapar entre 40 e 4 mil alunos dentro de cada sala de aula, pois aula para seis, sete pessoas, é "coisa de vagabundo", como disse uma auxliar de enfermagem durante um delirium tremens. ademais, e também tinha que dar aulas em containers. afinal, como teria dito a turma da revista Pif-Paf (ou era O Pasquim mesmo?): se este troço toma rumos diversos à enturmação, ao enlatamento, ao anti-bulling, estaremos caindo numa democracia! em outras palavras, numa democracia, não sei o que aconteceria com o PSDB da Profa. Crusius, mas acho que não seria boa coisa, nem para o PT da Chapa Serra-Dilma, a Chapa Branca. esta negadinha parece que bebe. e Lula, que bebe mesmo, deixa-me sem saber se poderia ter feito um governo decente ou apenas conseguiu tudo o que pôde com este troço de bolsa família quase que universalizante. e agora vem o congresso da renda básica em Sampa. e eu que acho que não vou lá, pois irei a Elsewhere.

aí pensei onde andarão os limites da falta de educação. não de gente como Einstein ou Eiseinstein mas a minha mesmo. então parti da equação
E = m x c^2
em que o Prof. Einstein disse que a energia é alcançada por meio da multiplicação da massa velocidade da luz e novamente multiplicada pela mesma velocidade da luz. pensei se é possível, por exemplo, multiplicar um prego por um, digamos, borrego e chegar a algo, ou multiplicar a velocidade de um automóvel pelo número da placa do carro da Doutora Marina e saber de que vale tudo isto, se você não está aqui, com Roberto Carlos, aquelas coisas da professora de física da escola a que fui submetido (contra a vontade, by the way).

então pensei que
E = m x (d/t)^2, onde d é a distância e t é o tempo. e reagrupei
E = m x d x d/t^2
e fiz m x d = T (se bem lembro, esta era a definição de trabalho), mas confesso que bebi... ainda assim concluí triunfante que
E/T = d/t^2, ou o gasto de energia por unidade de trabalho (ou o que quer que seja m x d) é a velocidade de sei-lá-quem. da luz? da fuga do PSDB da política séria? da proibição do lançamento de chapas brancas em processos eleitorais declarados decentes pela O.I.L. (onde L é liberdade).

para Einstein, Einsestein e myself, parece que o espaço é a variável menos suscetível às variações nas demais dimensões da equação original, ou do que quer que tenha levado Einstein a formulá-la. mas a verdade é que ela -distância- não é. então as quatro são variáveis se movendo enquanto houver existência para o quarteto. talvez se possa conceber um mundo em que o tempo é zerado, sei lá. já andei espalhando que a história humana é o blim-blim-blim que dá sentido à passagem do tempo, ainda que certos animais (como os políticos e ladrões) também tenham consciência deste fluir.

haverá outras dimensões na equacionadas, claro. a prmeira questão é "o que foi feito de meus pensamentos?", aqueles de que não mais lembro e, se lembrasse, precisaria de anos e anos para dsfiá-los todos, anos e anos que não tenho mais, pois já vivi quase 63 e, digamos, poderia precisar, como Funes, el Memorioso, de uns 40. fora a atividade cerebral durante o sono, os sonhos e sei lá que mais. Michio Tatu oslt falava em sete dimensões, mas talvez sejam infinitas. e por que minha ânsia de querer preservar meus pensamentos, minha consciência? um dia alguém sugeriu, como hipótese de trabalho, que assino muitos de meus meus e-mails simplesmente como .d., para não usar um .D. e pensarem que eu estaria pensando ser um deus abreviado.

parece que, para abreviar, posso citar Chico Buarque: onde vai o meu amor, quando tudo acabar? bota almanaque para dar uma resposta self-contained, que aula em container é casca!
DdAB
captura da imagem: http://www2f.biglobe.ne.jp/~boke/Erara.jpg. jamais imaginei que esta foto viesse a atender ao pedido "education, education, education", que deu coisas já vistas. acrescentei "iris murdoch", por causa do filme biográfico, em que ela problematiza esta retórica de Tony Blair. e veio esta pintura japonesa. no matter what, é belíssima.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mercado ou estado

querido blog:
não ponho em discussão:
.a. o principal trio (podia ser duo, quarteto, etc..) de agregação das preferências sociais é formado pela comunidade-estado-mercado
.b. a ordem alfabética teve a feliz capacidade de ordenar temporalmente o surgimento destas três instâncias institucionais.

ou seja, estou jurando pela vida de minha bisavó que primeiro veio a horda, a tribo, a comunidade etc., sinônimos. depois, veio o estado e apenas depois é que pintou o mercado. aa fonte desta pedra cantada é uma mensagem telepática que um amigo de um amigo de infância teve a desfaçatez de anunciar no recreio do Grupo Escolar General Malan, em Campo Grande (sete graus de latitude sul). supondo que o conhecimento apropriado por meio do amigo do amigo seja popperiano, somos forçados a concluir que a provisão do bem público "law and order" (hoje concorrido seriado na TV Paga) antecedeu a provisão e produção de qualquer mercadoria! em outras palavras, os bens públicos antecederam os bens de mercado!

a fonte de inspiração desta postagem é o maravilhoso livro
ITOH, Makoto (1988) The basic theories of capitalism; the forms and substance of the capitalist economy. Basingstoke and London: MacMillan. p.126-127.
e da qual discordo frontalmente:

The fundamental freedom in dealing with surplus-labour and its products has formed, on the one hand, the basis for the ruling classes to appropriate them in the various forms of class societies. On the other hand, this elasticity algso gave room for a commodity economy to invade precapitalist societies where the central relations of production were subject to authoritative or communal social order. Capitalism has organised its central relations of production entirely through the commodity economic order, on the basis of the commodity form of labour-power, and has formed a very special class society, where appropriation and distribution of surplus-labour are realised through commodity transactions.

bem, não é totalmente frontalmente. mas aquele "entirely" incomoda-me sobremaneira. primeiro porque a produção de bens públicos permanece e talvez até se expanda quantitativamente com o próprio desenvolvimento econômico (olha que eu não falei "desenvolvimento capitalista"). segundo, ainda temos outros tipos de produção não mercantil, como a produção familiar, o mutirão, o coça-minhas-costas-que-eu-coço-as-tuas. seja como for, o problema da analogia mercado-estado e ovo-galinha não é sério, pois tá na cara que a galinha e o ovo apareceram "encordoados" e que o mercado veio depois no dicionário e na realidade realmente real. não é isto?

DdAB
captura da imagem: http://2.bp.blogspot.com/_bH22LaK8sbY/S7TmtvktioI/AAAAAAAAA6o/fYP-4unyPlQ/s1600/9.jpg. procurei "o ovo e a galinha". deu este lindo desenhinho do que creio ser uma portuguesinha de nove anos. ou apenas o nono desenho de uma angolana de 90 anos? senhora ou senhorita Constança? como diria Roland Barthes, lindos mistérios a decifrar...

captura extra:
por falar em "law and order", que tal a visão da dupla Detective Stabler e Olivia Benson? no caso, se o pintinho vai transformar-se numa galinha, como sua mãe, é certo -diria Olivia- que o pintinho veio de um ovo posto pela galinha, que terá vindo de um ovo colocado pela mãe da galinha, e tudo recomeça, desta vez com acompanhamento detetivesco, não é isto?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pena de Morte: sobre gatos e chineses

querido blog:
tento entrar na discussão sobre a pena de morte. trago um argumento contrário a sua aplicação em qualquer caso. além das questões, digamos, ideológicas, tenho um argumento estatístico. sendo um tanto radical para iniciar o assunto, direi que a estatística é um ramo da matemática, como tal, uma ciência lógica na qual ocorrem "verdades absolutas", que resultam simplesmente dos axiomas que criamos e deles buscamos derivar consequências lógicas. neste contexto, a estatística estuda de modo absolutamente exato as leis que regem o acaso. quem não obedece 100% às leis do acaso é o mundo empírico, desde o movimento dos planetas às motivações das crianças, criminosos e loucos (um trio que nós economistas gostamos de jogar no mesmo palco, por merecerem anteparos a sua autonomia decisória). ou seja, a estatística determina leis que regem o comportamento "normal" dos seres humanos, havendo -claro- discrepâncias entre as distribuições das probabilidades que regerão certos eventos e a ocorrência realmente real do evento.

pulemos para o caso da República Popular da China e suas cerca de oito mil condenações anuais à penas de morte (criminosos?, loucos?). este número é tão grande que a disposição dos casos num gráfico conveniente mostrará o formato de um sino, uma distribuição normal. a distribuição chinesa poderá aderir à normal, reservando às caudas (à esquerda e à direita de um ponto médio) pequenas frações dos casos estudados. os procedimentos estatísticos permitem-nos estudar se a distribuição das sentenças de morte na China seguem mais ou menos a normal. neste caso, a própria estatística reconhecerá uma área de indefinição em cada rabeira: haverá criminosos que serão inocentados e haverá inocentes que serão incriminados.

agora volta o raciocínio estatístico. não é absurdo imaginarmos que estes erros de julgamento (estatístico, incapacidade do teste em capturar a realidade realmente real) alcançarão pelo menos um ou dois casos por ano. um caso, em oito mil, significa 0,0125%, ou seja, um valorzinho insignificante. e poderemos esperar que, a cada ano, com esta probabilidade será inocentado um criminoso e, o que é pior, e aí repousa minha antipatia (ideológica) pela pena de morte, condenar um inocente (mesmo que haja confissão do crime) à morte.
parece evidente que, cada vez que a sociedade tira a vida de um inocente, ela comete um crime absolutamente irreparável. se acharmos que esses 0,0125% são pouquíssimos, podemos pensar então nos 80.000 que serão mortos em 10 anos, 800.000 no século, e assim por diante. o desagradável da estatística é que ela nos garante (tanto quanto as analogias podem ser feitas, e elas podem, sabemos que elas podem, pois a própria estatística nos ensina esta terrível lição que vem simplesmente "do acaso") que em qualquer sistema penal haverá inocentes incriminados e culpados que serão inocentados. é estatístico, é matemático e, pior, é da natureza do universo que obedece a leis menos elegantes mas nem por isto menos inexoráveis. as leis do acaso ajudam os homens a reunir fortunas ou dilapidá-las. e certeza absoluta só é perfeitamente verificável no mundo das idéias. sempre haverá alguma sombra de dúvida, mesmo para réus confessos. sempre haverá erros de julgamento (pelos juízes etc.), sempre haverá obnubilação, paralaxe, argueiros nos olhos de seres humanos que decidirão sobre nossa vida ou nossa morte.

DdAB
captura da imagem: http://www.livrosdificeis.com.br/_img/produtos/331/1.jpg. lembro do tempo em que esta peça passou (não a vi), e sempre me indagava o que queriam dizer, culminando com um inflexível "e daí?". não era comigo, né?