domingo, 27 de dezembro de 2009

Panetone, toblerone, torrone


Querido Blog:
como sabemos, hoje começa minha viagem a Pescara/Itália. disse-me um motorista de táxi: "Pescara? foi lá que jogou o Júnior." depois de comer, ao chegar, um toblerone, um torrone e um panetone, vou correr na beira do mar. e trabalhar.
DdAB

sábado, 26 de dezembro de 2009

Drogas: adulto deve pensar para jovem não pensar

Querido Blog:
Começa o fim-de-ano, no sentido de que continua... Andei afastado, compareço agora, talvez amanhã e depois veremos... Eu queria deixar ainda esta mensagem de fim-de-ano sobre as drogas ilegais e a política que as cerca no mundo e no Brasil, em particular. Política imbecil, com alguns agentes públicos (governamentais e comunitários) de boa fé, outros simplesmente ladrões e terceiros investidos do mais repugnante moralismo que recende mesmo é a autoritarismo, fascismo, essas coisas que a gente costuma arrolar, a fim de ofender os oponentes no debate intelectual.

Temos visto opiniões sobre o problema das drogas ilegais, inclusive as pesadíssimas, como o crack, comungando de um ponto valorativo comum: tem que reprimir, tem que proibir, tem que baixar a repressão. A assunção de opiniões tão radicais não costuma levar a diagnósticos criativos. O julgamento de valor é evidente, muito da argumentação tem validade simétrica, sob o ponto de vista da montagem de políticas públicas (comunitárias e governamentais) que transfiram o foco do problema de segurança pública para saúde pública. Not to speak de alguma problematização do drama sob o ponto de vista da estrita aplicação da lei da oferta e procura.

O ganhador do Prêmio Nobel de economia de 1981 por aquela época constatou que a guerra da cocaína estava perdida pelo governo dos Estados Unidos. Quando eu vejo, in Brazil, o governo querer aulas para turmas de 40 alunos em container, por não terem pensado em produzir salas de aula, ou criminosos colocados em liberdade, por não terem pensado em produzir celas de cadeias, penso que a guerra das drogas (os governantes) também está perdida pela sociedade brasileira. Com juízes ganhando R$ 27.000 por mês, a guerra está mesmo perdida, pois as professorinhas vão ganhar, se tudo correr bem, R$ 1.500!

Como combater o consumo de drogas dentro de containers, com turmas de 40 alunos? Qualquer descuido da professorinha, se um dos viciados acender seu charuto (era charuto?, cachimbo?), os fumantes de segunda mão serão contados aos milhares, ou pelo menos à mancheia. Cheirou, viciou, pelo que dizem, mesmo se for fumante de segunda mão.

O maior antídoto ao consumo de drogas não é este troço do jornal Zero Herra de "nem pensar". O de que se precisa é precisamente de um antídoto que instile no jovem o desejo de cultivar sua liberdade. Quem se dedica aos estudos, quem pratica esporte não se vicia. Quem tem vida saudável cultiva a liberdade e não a escravidão. Quem estuda em containers é presa fácil dos fumos de inalação passiva, involuntária. Por oposição, é com treinamento que se pensa na liberdade como valor supremo de condução da vida em sociedade. Apenas a educação é que pode contribuir ao jovem interessar-se por descobrir seus objetivos na vida e ganhar o vigor para lutar por eles.

Este negócio de "educação para o trabalho" só pode ser resquício de algum pensamento moralista que acha que o "mercado de trabalho", a lei da oferta e procura por serviços do fator trabalho ainda tem alguma importância na ocupação da mão-de-obra. O homem cada vez trabalha menos e nunca produziu tanto. Com toda a explosão demográfica dos últimos 100 anos, a renda per cápita terráquea cresce monotonamente e seguirá crescendo ainda mais quando os engenheiros começarem a criar tecnologias menos detratoras do meio-ambiente. O que não haverá será empregos para papeleiros, estes rent-seekers apoiados por governantes debilizados mentalmente.

Os maximalistas do século XIX anteviam um mundo em que se trabalhará apenas dois anos em todo o ciclo de vida. Diferentemente do governo Fernando Henrique Cardoso, que expandiu o período de exposição da classe trabalhadora ao mercado de trabalho do limite dos 70 para os 75 anos de idade, a sociedade decente (conceito tomado de empréstimo à ILO) deve encurtar este período. Entrar, digamos, aos 35 e sair, imaginemos, aos 37. Até os 35, ficaríamos preparando-nos para desenvolver os desafiantes trabalhos de domar o meio-ambiente e não de domar carroças cheias de lixo. Dos 37 em diante, ficaríamos consumindo e produzindo obras de arte e obras esportivas. Ou seja, escrevendo e pintando, jogando tênis e aplicando karatês na coragem da inimiga. Se este é o longo prazo, precisamos descobrir qual o sendeiro do curto prazo que a ele conduz: as reformas democráticas que conduzem... (três pontinhos não é sinônimo de socialismo). Mas acho que ninguém -nenhum socialista utópico- odiaria a idéia de cursos de vida em que dedicaremos apenas duas décadas -para não seguir com os dois anos- à geléia geral do trabalho social.

Em outras palavras, diferentemente da Dra. Yeda Rorato Crusius e do Dr. Lula da Silva, devemos pensar em racionar empregos! Protelar a entrada no mercado de trabalho, criar incentivos para que o indivíduo saia mais cedo, criar mecanismos para a sistemática elevação da produtividade humana, muito investimento em educação (liberdade), saúde (longevidade) e transportes (viagens siderais, ou estou viajando?). O que esta carimbadíssima dupla deveria pensar é em ampliar o lazer e não o ócio. A mente desocupada é a oficina do diabo. Quem não faz lá seus origamis e não dá seus smashs nas bolinhas de tênis é 3,1416 vezes mais propenso a tornar-se fumante passivo de crack do que quem faz e que smashes.

Obviamente a legalização das drogas não deve ser vista como a autorização da promoção de vendas: café e crack são bens de demérito que devem receber regulamentação severa por parte da sociedade (governo e comunidade: não fumar no container, ou melhor, não ter containers e não fumar no elevador do condomínio). Num caso, o imposto indireto pode ajudar a refrear o consumo. No caso do crack, a questão é mais interessante: os malefícios sociais são tão escabrosos que a oferta deve ser controlada (claro que não por políticos ladrões, eita eufemismo): viciado deve ter acesso gratuito em salas de consumo. E receber treinamento do tipo que qualquer canil moderno dá a cachorrinhos e gatinhos: cada pedra sendo trocada por um banho e uma partida de tênis.

No caso do crack, preço alto não é política adequada. Neste caso, e no das drogas que ainda serão criadas nos próximos 50 anos (ceteris paribus, apenas mantendo constantes..., felizmente), o perigo está na prova, em ser usuário passivo, sei lá. O consumo deste tipo de droga atende majoritariamente a determinantes diversos dos tradicionais argumentos das funções de demanda. Esta é a questão central que desloca o tema da página policial de Zero Herra para seu "Caderno Vida". O problema econômico não é de racionamento por meio do mecanismo de preços, mas da concepção de uma estrutura de incentivos que afaste o virtual usuário, que não dê curiosidade a experimentar uma droga estilo no-return.

Ou pensamos em segurança pública ou em saúde pública. Não há meio termo para a concepção. Claro que haverá problemas policiais e sanitários a resolver na hora da implementação de políticas desenhadas por sanitaristas e economistas (emprego, emprego, para todos os economistas..., ok, ok, não é apenas para estes...). A atual política de caráter essencialmente repressivo é ou não é eficaz para reduzir a dependência. A legalização também. Ambas não podem estar certas. Os defensores lavram um bom tento ao sugerirem que a mãe que latou o filho, ou o filho que matou o pai teriam adotado outro curso de ação, caso a intermediação da interlocução entre o familiar são e o doente (viciado) não fosse feita por agentes do mundo do crime (traficantes e policiais), mas agentes de saúde (sobrando, neste ambiente, pouco espaço para o economista).

O economista deve apenas insistir no mantra:
.a. três horas de ginástica por dia, a fim de manter a coluna ereta
.b. três horas de aula por dia, a fim de aprender empreendedorismo, mantendo a mente quieta
.c. três horas de trabalho comunitário por dia, a fim de manter o coração tranquilo.

Pedi isto ao Papai Noel, mas ele disse que "felicidade é um brinquedo que não tem". Repliquei que ele falou isto, pois ainda não leu o manualzinho que escrevi sobre como calculá-la. Vejamos o que ele vai dizer em dezembro/2010. Felizes últimos dias de 2009 para as renas, as burras, as lulas...
DdAB
Twitter: ontem, na viagem Três Passos-Porto Alegre, fizemos um lunch em um posto de gasolina etc., em que gastamos R$ 19,00 em comida e bebida e outros R$ 36, comprando CDs e DVDs piratas. Um deles veio gravado precisamente na mesma marca de CD que adquiri -em completa legalidade- no futurista município de Rio Branco, no Uruguay, ingressando-os no Brasil com absoluta isenção de impostos. Será que o dono do posto errou, será que eu errei, será que o governo molusco é que andou pisando na bola? Não há dúvida: todo político é protecionista, ou seja, ladrão.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Carnificina Classe C

Querido Blog:
Não sou muito especializado em "carnificina", pouco achei com este título no Google Images. Seja como for, estes alienígenas não poderiam ser do mal. As leis que regem os processos evolucionários que culminam em naves espaciais requererão que os agentes de sucesso ajam racionalmente. E o mal não é racional, exceto o MAL*, o milenar (desde que a Profa. Yeda começou a ser denunciada...) Movimento pela Anistia aos Ladrões* recebeu seu CPF da Organização dos Povos Unidos, a substituta do século XXI da Organização das Nações Unidas. Na ficção científica, por falta do que mais em que falar, os autores de segundo calibre trabalham as distopias, o que contraria Darwin...

Seja como for, amanhã, se o fizer, postarei algo de Três Passos. Se não o fizer, deveremos concluir que não postarei... Seja como for, a manchete de hoje de Zero Hora deixa-se ler como:

Carnificina no trânsito acende alerta de Natal

Primeiro pensei que a Lourdette estaria de volta, com o infame lugar comum do Natal Luz de Gramado. Seja como for, segundo pensei: esta Zero Herra é de lascar, pois não fala nos verdadeiros crimes do trânsito, que contei em cinco:

.a. maus motoristas
.b. más estradas
.c. má fiscalização
.d. maus automóveis
.e. má sinalização.

Assim pode reduzir a endemia do trânsito? Apenas no dia em que Garcia prender Zorro: o crime não compensa! A carnificina continuará enquanto os motoristas classe C não receberem bons exemplos dos motoristas classes A, B e D, algo assim, que passei no exame de conhecimentos teóricos do trânsito há um par de semanas.
DdAB

Twitters:
.a. se eu não sou lá essas coisas no conhecimento da teoria monetária, tu só imagina quanto eu manjarei de administração do meio circulante, essas coisas. neste caso, só posso manifestar preocupação com a quantidade de dinheiro de notas de papel que circula entre os ladrões, isto é, políticos de todo o Brasil e traficantes de todo o planeta. o lado alegre é que acabo de ler no jornal (ontem) que, em 2018, o cheque deixará de existir na Inglaterra. há três anos, pela primeira vez vi em Londres lojas informando a clientela que não aceitavam "bills", ou seja, não aceitavam pagamentos em dinheiro, cheque, nem pensar, proscrito do comércio há vários anos. só lidam com cartão. pagameto com cartão não rima com ladrão, pois é fácilmente rastreado. por falar em rastreamento, a Polícia Federal rastreou que o dinheiro apreendido na casa do Governador Roberto Arruda tem o mesmo número de série do dinheiro apreendido na sede de uma das empresas que, por puro acaso, teria sido filmada passando-lhe o que parecia ser dinheiro.

.b. e agora acabo de ler que foi o Sr. Roberto Carlos, padrasto do menino de primeira infância que portava 40 agulhas de costura distribuídas pelo corpo, que as colocou, para vingar-se da mãe do garoto. depois de ter ouvido sobre a existência do jogador de futebol do Feira de Santana ou Bahia, algo assim, de nome Alain Delon, e da vestibulanda (aprovada) na Universidade de Caxias do Sul, chamada de Dorothy Malone de Avila Bêrni, ou sei lá que sobrenome, Sócrates, Platão, Aristóteles, Jesus, Shakespeare, Ualdisnei, Elisabete Regina, e tantos outros, achei que o crime foi do prefeito de Salvador que não educou a mãe do garoto, que poderia ter-lhe dado o nome de Gordon Brown, Charles de Gaule, Edson Arantes, Pio 12, sei lá, mas não gostava de jazz e sapecou na criança o nome de um cantor brega.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Use a cabeça: procure manter...

Querido Blog:
Ontem participei de um evento extraordiário: meu próprio almoço com um trio de familiares muito amados. Dois a um para as amadas: duas delas e um amado. Amaduras de primeiro e segundo grau. Derivadas de mamãe e papai e sua segunda derivada e seu consorte. Antes do prândio, adestrei meu computador que recebeu o nome de Netinho, dados outros eventos familiares de dar dores (parto breve, como dizia a velha piada) e suas reduzidas dimensões, para a tecnologia hoje disponível.

Hoje é domingo. Mas estou trabalhando. Fi-lo desde cedinho. Estou trabalhando, no sentido de que agora não estou trabalhando. Estou fazendo a barba, no sentido de que não a estou cortando, pois estou digitando este blim-blim-blim, que deveria ser breve e faz-se, como praticamente tudo o que escrevo, prolixo. Não gosto desta palavra!

Use a cabeça: procure manter suas quatro patinhas no chão. Esta foi a mensagem que me foi ditada pelo Alto e é um breve contra o uso indevido das coisas celestiais para perturbar ações terráqueas. Quem nos atrai as quatro patas é o Planeta Terra, que está sendo destruído pelos engenheiros, que não conseguem criar umas tecnologias menos poluidoras. Quem sugere que devemos orar, de sorte a reduzir a poluição, está enveredando por um caminho complicado. "-Orar com quantas patas?", deveríamos indagar-lhe/s. Quando budisticamente juntamos as mãozinhas sobre o peito, não devemos olvidar que quedam-nos apenas duas patinhas no chão. Se as soerguermos, poderemos manter esta posição -que, provisoriamente, chamarei de irracional- apenas por alguns instantes. Voltaremos, com sorte, à terra sem virar pó.
A questão que me prende é sabermos exatamente o que significa "racionalidade" num contexto de postagem como "Vida Pessoal". É natural: sanidade mental. É poético, mas tem um blim-blim-blim que é apoiético, como volta e meia refiro. A questão central, neste caso, é sabermos se o mundo teve origem ou não. Se não teve, segue-se logicamente que ele não foi criado. E quem tomar o nome de Deus em vão, em qualquer caso -apoiese ou "parto natural"- estará cometendo um pecado de lesa-humanidade. Bicho não é racional, gente é, se mantiver-se com suas quatro patinhas o mais perto possível de um objeto que as atraia. Caso se percam nas altitudes e platitudes, seu futuro é doloroso.

Digo isto pois testemunhei o surgimento de uma inovação tecnológica de modo inusitado. Se não testemunhei, admitamos, provisoriamente que o fiz. Disque o Sr. Lannes, antigo suinocultor artesanal de Jaguari, observou que "os porco tavam emagrecendo". Parecia que as multinacionais e os anúncios publicitários na TV haviam doutrinado os animais para não comerem abóboras com semente. Não restou outra opção ao Sr. Lannes que começar a retirar "os caroço das abobra", que ele tinha seu comportamento (enquanto produtor, não estou falando de seu papel enquanto instituição família) regido por uma função de maximização de lucros.

Depois de dias de realização deste novo "expremento", tornou-se visível que "os porco" voltavam a alimentar-se e, como tal, engordar ("lei da entropia", disseram). Por puro acaso, um deles foi churrasqueado e, nos preparatórios, caiu uma cabaça de salmoura sobre os caroço, digo, sobre as sementes. Por puro acaso, o Sr. Lannes vendeu este produto que a natureza itself inventou ao Bolicho Ramagnol. Este novo produto virou um furore mundial. Dizem que uma latinha foi servida em plena Conferência de Ialta, dando alegria ao trio Roosevelt-Churchil-Stálin. Lannes não mais matou suínos, Ramagnol aposentou-se e as abobra, dizem, produzem menos CO2 do que as lavoura de algodão do FHC, até que os engenheiros o ponham na cadeia.
DdAB
p.s.: a foto superior saiu-me meio avariada, deixando ver apenas patas assentes no terreno e uma ou outra fora de esquadro. a segunda mostra "as mãos para os céus".

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Administração das coisas e governo dos homens

Querido Blog:
Já postei coisas parecidas. Agora sigo na linha da argumentação do que são as saint-simonianas "reformas democráticas que conduzirão ao socialismo":


:: voto distrital universal (representação exclusiva de segmentos da população; cada fração eleitoral elege um deputado (federal, pois não haverá deputados estaduais) ou vereador, além do presidente da república e do prefeito do município,

:: representação política (eleição para as câmaras legislativas federal e municipal) não exigem a inscrição em partido político (membros do distrito eleitoral podem "raise" como candidatos sem serem integrados a partidos políticos),

:: extinção dos estados (todo poder aos municípios),

:: extinção do senado (abaixo o bicameralismo) e

:: extinção do poder judiciário (incorporado pelo ministério da justiça)

:: parlamentarismo (impasses entre o executivo e o legislativo seriam levantados por referendos)

:: orçamento universal (ou seja, o gasto público per capita será equalizado em todos os municípios, o municipal equalizará todos os bairros etc..; é inconcebível transplante de fígado com financiamento público em país de barriga dágua financiada pela natureza)

:: unificação do serviço público (ter apenas um Ministério de Atendimento ao Público, onde faz da C.I. à negativa de justiça do trabalho [que seria extinta...])

:: todos os cargos públicos serão abertos a todos (ergo, ingresso apenas por concurso públicos, fim dos "C.C.s")

:: administração pública profissional (deputados: hands-off dos negócios de estado, exceto no "primeiro escalão")

:: governo dedicado apenas à provisão de bens públicos e meritórios (com a produção de alguns deles, a definir; isto não inclui petróleo)

:: impostos majoritariamente diretos (impostos indiretos apenas sobre bens de demérito).

:: financiamento público da atividade política (pelo menos impedir pessoa jurídica de dar dinheiro para políticos)

DdAB

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fetichismo do fetichismo: a mercadoria e suas alternativas

Querido Blog: Falo hoje de comentários que recebi relativamente à postagem das 10h28min de 13/dez/2008.

.A. Sobre princípios gerais.
.a. eu não diria que minha concepção é liberal principalmente porque escrevi em meu perfil do blog: “meu dedinho indicador, ao apontar para a esquerda, sinaliza o sentido correto da evolução planetária.” a menos, claro, que entendamos por “liberal” quem preza como valor supremo a liberdade. neste caso, encaixo-me naqueles que propugnam pela “sociedade justa” de John Rawls (liberdade compatível com a dos demais, cargos púbicos abertos a todos, e desigualdade gerida de modo a favorecer os mais pobres).
.b. sou mesmo é da esquerda refinada, que substituiu com visíveis vantagens liberatárias a esquerda troglodita e a esquerda truculenta, dois movimentos que apoiei num passado remoto e hoje abomino.
.c. acredito que o mercado forma um tripé com “comunidade” e com “estado” para agregar preferências coletivas. acredito que a comunidade iniciou o assunto e o mercado a seguiu, sendo apenas num momento posterior, permitido pelo desenvolvimento da produtividade do trabalho, que surgiu o estado. concordo que a “produção social é determinada pelas necessidades humanas.”, que as necessidades são ilimitadas e que -disse Engels- “liberdade é conhecimento da necessidade”. e que apenas depois de vencidas as “necessidades da mão para a boca” é que o homem ingressará na fulgurante história de sua espécie. no futuro. ainda vai demorar.
.d. penso que, mesmo no capitalismo, descontada a produção doméstica, nem tudo é orientado pelo mercado. por exemplo, a produção de bens públicos é eminentemente comunitária ou governamental. ainda assim, sigo Marx ao desejar substituir “o governo dos homens pela administração das coisas”. sou contra o estado, eu e Lênin. achamos que o estado serve para oprimir os indivíduos.
.e. penso que podemos “[p]ensar em uma população com poder de compra no capitalismo”, como o atesta o padrão de vida dos trabalhadores dos países capitalistas avançados. ou seja, penso que não devemos confundir “capitalismo subdesenvolvido” com “capitalismo”. e mais: penso que o verdadeiro vilão da classe trabalhadora brasileira não são as empresas multinacionais, mas a classe dominante brasileira: coronéis, juízes, prefeitos, vereadores e por aí vai. penso que aquela visão de exploração do Terceiro Mundo (teoria da dependência) e, ainda pior, a tese de Ruy Mauro Marini não se sustentaram.
.f. concordo que “pensar em uma sociedade de pleno emprego, no capitalismo, é sonho.” e mais ainda, sonho indesejável. não haverá emprego para todos, dados os enormes ganhos (desenvolvimento das forças produtivas) já alcançados pela humanidade e os que se avizinham, digamos, nos próximos 50 ou 100 anos. penso que não precisamos mais perder tempo discutindo a distribuição do produto (capitalistas e trabalhadores) e passar a discutir a distribuição da demanda final (consumidores pobres e ricos, por exemplo).
.g. a sociedade que eu defendo não distribui o valor adicionado entre os ricos, não. eu defendo a sociedade igualitária, onde não haverá ricos! como chegar a ela? por meio de políticas públicas a serem implementadas pelo governo! até que o igualitarismo se torne tão dominante que o próprio governo será convidado a aposentar-se.


B. sobre o mundo empírico, o que tenho chamado de realidade realmente real, baseado num livrinho de introdução à filosofia que li em 2005.
.a. casos de Florianópolis e de Arruda. creio que nenhuma “concepção liberal” criaria o silogismo:
M: todo político é ladrão
m: ora, todo ladrão é político
C: logo todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco.
.b. minha vivência em Floripa permite-me dizer que todo o político catarinense é ladrão, o que é apenas um caso particular da premissa maior de meu (encantador) silogismo. nem lembro se no presente teremos por lá um prefeito ou uma prefeita. ambos, a meu ver, são filhotes da ditadura, como teria dito um controverso político sulista.
.c. também concordo que “outro mundo é possível”. e também que “a experiência socialista não foi abandonada pela humanidade.” o que eu digo (aprendi com meu ex-colega de Floripa, o Prof. Gerônimo Machado) que o que queremos mesmo são as reformas democráticas que conduzam a ele-socialismo. para muita gente, hoje em dia, está mais claro o que não é socialismo. por exemplo, a nacionalização de todas as empresas pelo estado, a cessão da gestão aos trabalhadores, isto não é o socialismo que desejamos.
.d. o que não entendo é como poderemos avançar se nem por aqui nos entendemos. acho um grande erro da humanidade haver uma fração dela que me considera como fazendo ato de fé no mercado. logo eu que fui obrigado a estudar os limites do mercado enquanto forma interessante (sob o ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas) para resolver “todos os problemas da vida social”. sei que há várias ironias sobre o mercado, a maior delas é que a empresa existe, pois o uso do mercado é custoso. outra é que a produção de bens públicos burla o mercado, outra é que o monopólio também. outra é o chamado “crowding out” da oferta: tentaram vender sangue na Inglataterra e o que ocorreu foi que muita gente que doava por “cidadania” achou mais interessante não gastar aquele tempo e energia, já que “outros” poderiam vender.
.e. admiro o diálogo Habermas-Rorty, que procuraram, por meio da “ação comunicativa” buscar pontos de convergência e não de repulsão.
.f. precisaria conversar mais para entender que erro é mesmo esse que a “história mostrou” sobre o mercado que não tenha sido amplamente analisado por Marx, que foi um dos maiores apologistas dos ganhos da humanidade sob o capitalismo, sob o ponto de vista do desenvolvimento das forças produtivas.
DdAB


TWITTER: acabo de, desconfiado da autoria da frase do "governo dos homens" à "administração das coisas", passar a suspeitar que minha memória falhou rotunda, estrondosa e vibrantemente. eu disse que era Marx e a "Crítica ao Programa de Gotha". achei o arquivo deste folheto, em inglês. procurei do jeito que melhor pude. a "Crítica" é interessante por si. mas não achei nada parecido. procurando em português, li que ela -frase- é atribuída a Saint Simon. neste caso, terei lido de segunda mão, no próprio Marx ou nos milhares de livros da Editora Zahar que contavam a história do marxismo. ou elsewhere.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Drogas: adoro drogas

Querido Blog:

Há dias que estou para fazer uma longa postagem sobre o uso de drogas. Além das idéias que desenvolvi de modo independente, vou referir-me a três artigos publicados em diferentes momentos em Zero Hora. Já falei por aqui de um ou outro deles, mais ou menos aprofundadamente. São todos retirados da Zero Hora/Internet. Vou retirar apenas pontos a que desejo referir-me, por serem preconceituosos ou dizendo absurdos ou ainda retirando conclusões de premissas que permitiriam concluir o oposto. A leitura do artigo inteiro não é nada difícil, pois está na Web.

Primeiro:

14 de março de 2009. N° 15907 :: Por um futuro livre do crack, por Fabiano Pereira

:: Na verdade, acabo de reler este artigo e nada vi nele que mereça comentários críticos. A posição do deputado, na verdade, é uma propaganda de uma iniciativa legislativa que ele próprio tomou. Se é para objetar algo, eu diria que esta mania dos poderes legislativos de se tornarem mini-executivos é parte da tragédia brasileira. Assembléia Legislativa com emissora de televisão? Com rede de transportes própria, e tudo o mais? Cá entre nós!

27 de agosto de 2009. N° 16075 :: Foco nas convergências, por Bo Mathiasen

:: Este artigo já mereceu comentários meus aqui no próprio blog. Nâo vou repetir, apenas insistir no ponto de que é de absurdos assim que Zero Herra se recheia, preconceitos, idéias estapafúrdias, um breve contra o tratamento racional do problema que ceifa vidas a cada instante.

Vou dar apenas um exemplo da imbecilidade deste artigo:

O crescente aumento das restrições ao uso de tabaco e de álcool é uma tendência internacional amplamente aceita – uma postura que contradiz a das campanhas pró-legalização das drogas.

Fico a indagar-me que diabos de frase é esta! Há mais de 5x10^6 erros lógicos.

19 de novembro de 2009. N° 16160 :: Sobre o direito de não usar drogas, por Laércio Barbosa*

:: este Laércio é simplesmente fantasmagórico:

O Banco Mundial prevê que o planeta atinja em breve a marca de 1,3 bilhão de pessoas vivendo abaixo da linha de miséria. Não parecem casuais, portanto, as marchas pela legalização da maconha, que aconteceram em algumas capitais brasileiras.

Parece má vontade minha, não é mesmo? Parece que tirei alguma frase de antes da que começou com "O Banco...". Não tirei nada de relevante. É que não se segue mesmo! Se 200 bilhões de pessoas ou de quilômetros quadrados vivem abaixo da linha de pobreza, então nada podemos concluir nada sobre marchas ou contramarchas do que quer que seja.

Em um artigo no jornal O Estado de S.Paulo, o professor Ronaldo Laranjeira, coordenador do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas (Inpad), desmistifica a falácia da liberação:

“No Brasil, a lei que regula o consumo de substâncias (Lei nº 11.343/2006) trouxe mudanças significativas, com menor rigor penal para o usuário. Ainda não se sabe se produziu alguma diminuição do consumo de drogas. Todas as evidências indicam o contrário. Em relação à maconha e à cocaína, somos um dos poucos países do mundo onde o consumo está aumentando. No mínimo, essa nova lei não impediu esse aumento. Estamos com maior liberdade para usar drogas, mas os usuários continuam tão desinformados e desassistidos de tratamento quanto antes”.

Mas olha bem isto.Seus dados dizem que o consumo de maconha e cocaína está aumentando. E diz que o fator responsável por este movimento na curva de demanda é a "nova lei". Será que não há aumento na quantidade demandada simplesmente porque houve redução no preço? Depois, esta questão da legalização elevar o consumo tem estatísticas muito mais confiáveis para o caso de Portugal. Lá não houve elevação, em absoluto. E já vem novamente o nada-a-ver (non sequitur): mais ou menos liberdade para usar drogas nada tem a ver com o nível de informação dos usuários ou de quem quer que seja.

Mas isto não é tudo. Olha só esta:

As drogas são instrumentos de destruição da juventude. Ganham com o consumo de drogas os especuladores e as grandes instituições financeiras, entre outros.

A única coisa que posso fazer a respeito é criticar nossa aguerrida Zero Herra, que deu acolhida a este tipo de grosseria. Claro que as drogas corrompem a juventude, mas também a infância, a adolescência, a maturidade, seja o que for. Droga, inclusive o cafezinho preto, corrompem tudo. Aliás, também o faz a carne vermelha e a manipulação exagerada de escapulários. E claro que a frase seguinte do mesmo parágrafo não tem nada a ver com a causa da destruição da juventude, seja ela qual for. Que especuladores? Quais as grandes instituições financeiras que ganham com o consumo de drogas? Eu até diria o contrário: quando as drogas forem legalizadas, e a indústria multinacional do tabaco (ou outra correlata) tomar conta do campinho, então haverá lucros também para as instituições financeiras, que se envolverão com os produtores licenciados a produzir, digamos, para a formação de estoques oficiais. O Sr. Laércio Barbosa qualificou-se no artigo como "integrante da direção do PT/RS". Não surpreende que o PT seja um partido cada vez mais distante de um projeto liberalizante verdadeiramente sério. Indago-me se "dirigente partidário" é profissão. E se ele, Laerte, é funcionário público concursado? E se ele, caso viesse a ser convidado a assumir um cargo importante na área da segurança, ou da saúde, ou onde quer que fosse, iria levar esta visão obtusa sobre "especuladores e as grandes instituições financeiras". Com efeito!

Vou para os finalmente:

A juventude precisa de emprego na cidade e terra para plantar no campo.

E eu sempre pensei que a juventude precisa de bolsa de estudos que lhe custeie os estudos, evitando a entrada prematura no mercado de trabalho. Em benefício dela, juventude. E também da produtividade. Trabalhador despreparado não produz tanto quanto o trabalhador preparado.

DdAB

p.s.: continuarei in due time.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Fábrica de Aviões: o fetichismo do fetichismo

Querido Blog:
Eu pensava em desenvolver a idéia do problema do desemprego, criticando ao mesmo tempo os indivíduos que pensam que os outros gostam de trabalhar quanto os economistas (assessores de governantes e tudo o mais) que levaram a que os primeiros pensem desta maneira. Por pura coincidência, ao abrir este software, vi num dos blogs que sigo uma defesa do emprego. Ela foi postada pelo Prof. Vanderlei Amboni, que reproduz um artigo de José de Saramago, meu amado ficcionista, de quem pouco li e mais lerei. Pois bem, estão errados! Ambos os dois!

A verdade verídica é que todos os municípios do Planeta Terra têm um distrito industrial! Ainda que não hava demanda por aeronaves suficiente para uma fábrica em cada um deles, o distrito tem certa utilidade no ordenamento do espaço urbano: bate-estaca não combina com escola. Se delírio existe pela generalização da indústria pesada municipal, este emana da incorporação idealizada da causa da geração do emprego. Mais preocupante, ainda, da ilusão de que a única forma de obtenção de dinheiro é o trabalho. Crianças, velhos, rentistas e sinecuristas não trabalham, mas qualificam-se para absorver parte do excedente econômico em resposta a ditames alheios ao mercado de trabalho.

Por outro lado, se a infância e a velhice desvalidas receberem renda, estas elevarão e estabilizarão seu padrão de consumo, induzindo a geração de emprego a ele associado. Menos aviões, mais hospitais, escolas e supermercados. Menos túneis de vento, como haverá na fábrica argentina da foto de hoje, mais refrigeração, manutenção, serviços gerais e segurança. Economias locais centradas na prestação de serviços do que na transformação industrial. Economias locais centradas no atendimento das necessidades da população local, o que será feito por meio de dinheiro e não de emprego. Emprego, em geral, até aumenta as necessidades de meios de consumo, pois ou deixa neguinho meio louco ou meio estropiado...

Nos tempos do nascimento do estado do bem-estar na Inglaterra, discutia-se a validade social e econômica da -sem eufemismo dole, isto é- esmola. Pouco menos de um século depois, ninguém mais considera que o esmoler é um desempregado, que o indivíduo que vive do seguro desemprego é ipso facto um marginal, que o aleijado e sua pensão por invalidez são anti-sociais. No entanto é consensual criticar-se o trabalhador informal que se dedica ao negócio das drogas, o da extorsão, o do roubo e o dos assassinatos.

No início do século XXI, todos os municípios do Planeta Terra vivem dois dramas severíssimos:
.a. o desemprego
.b. a falta de segurança.

A saída nefelibata é pensar no emprego induzido pela industrialização pesada. Ou leve. Ou qualquer mecanismo associado ao crescimento do valor adicionado induzido pelo investimento como única forma de promoção do bem-estar. Algum economista despreparado doutrinou o prefeito e seus assessores de que este é o caminho da salvação. Despreparado ou "defensor do capital", como diria o jargão de uma esquerda que já sepultei (ambos, a esquerda imbecil e o jargão de esquerda). Quem são os amigos do povo? Parece que era a pergunta leninista, e acho que amigo do povo é quem dá acesso a este ao supermercado e não ás aciarias soviéticas que cozinhavam minério de ferro e trabalhadores. Amigo do povo ajuda-o a alcançar o acesso aos supermercados de sua cidade e tenta evitar que este precise trabalhar para comer. Quem não trabalha não come? Aqui no apartamento do lado tem um bebezinho que, que me conste, não trabalha e -se bem me informam- come, bebe e dorme. No apartamento de cima, tem dois gurizinhos que tampouco trabalham e comem, bebem e brigam (o tempo inteiro...). Fora o casal de velhinhos do apartamento dos fundos, e por aí vai.

Parece que o imbecil sou eu, escrevendo desta forma, não é mesmo? Onde está o problema com os verdadeiros imbecis? Eles foram doutrinados por economistas despreparados, como tenho argumentado longamente em milhares de postagens. Eles não estão errados ao pensarem que o valor da produção é gerado por meio do emprego (função de produção). Nem que, ao gerar-se valor da produção, também se gera valor adicionado. Nem que o valor adicionado tem três óticas de cálculo. Mas aí começam os tropeços. Primeiro: os produtores de aviões (que fatalmente terão que usar trabalhadores para tal) produzem "produto", cuja distribuição primária vai para trabaladores (remuneração dos empregados), capitalistas (excedente operacional bruto) e governo (impostos indiretos líquidos de subsídios).

Em segundo lugar, este dinheiro, que é recebido pelos locatários dos fatores de produção e pelo governo, vem a ser transferido às instituições (famílias, governo, empresas investidoras e empresas estrangeiras importadoras do produto nacional). Isto se chama de distribuição secundária. Mas quem determina mesmo o consumo não é ela, mas a distribuição terciária, que haverá de contemplar também as transferências interinstitucionais, como a mesada que a avó da velhinha do apartamento citado deixou para ela, aplicada em ações da Petrobrás e de uma fábrica de móveis em Bento Gonçalves, um troço assim.

Ou seja, enrusti no segundo argumento também o terceiro: o consumo das famílias é uma função da renda-e-receita das famílias e não do fato de alguém de lá de dentro da família estar ou não trabalhando. Eu disse: consome quem tem dinheiro, isto é, renda-e-receita e não quem tem emprego. Provam-nos os nenezinhos e os aposentados, além dos políticos e milhares de outros. Tendo desvendado o fetichismo do fetichismo, pude passar a criticar livremente essa macacada que se chama de esquerdista e vem a ser mesmo é nacionalista, como o Mister Joseph Stálin, e outros cadáveres do movimento igualitarista.

Quarto argumento: problema da demanda efetiva etc.. Claro que não haverá problema de demanda efetiva, pois -ao contrário- tem mais necessidade já catalogada do que meios materiais de satisfazê-las. Mas há um problema correlato: quem dinamiza a economia? Claro que "dinamizar" significa produzir mais "valor da produção". E quem deve induzir a elevação do valor da produção e, como tal, o valor adicionado, pois este é gerado "na produção", é alguma outra coisa que não tem nada a ver com problemas distributivos. A tecnologia, o Banco Central, sei lá, alguém vai garantir que a macacada siga trabalhando, gerando seu valorzinho, que se transformará em preços e por aí vai. Para que a macacada trabalhe, é preciso receber incentivos. Recompensas e punições, este mundo que os etologistas estudam. Aliás até vegetais respondem a recompensas e punições delineados/as pela natureza e por seres humanos.

Parece-me, deste modo, cristalino que o consumo da velhinha dos fundos nada tem a ver com os trabalhadores da Petrobrás nem com os dos Móveis Missamba (era isto?). Não entendo o raciocínio de gente que não tem o atrevimento intelectual para andar o resto do caminho. Que é fetichismo das mercadorias? É pensar, apresso-me em responder, que as mercadorias trocam-se entre si, quando o que se troca são cristais de trabalho socialmente necessário etc.. E que é fetichismo do fetichismo? É pensar que aquilo que Marx e Engels pensaram para a economia mercantil simples foi além do volume 1 do Capital. No volume 3, resolve-se (de modo elegante para a época e hoje avalizado pelo modelo de insumo-produto) o problema da transformação dos valores em preços. E isto ajuda-nos a entender que a "turbulenta esfera da circulação" das mercadorias faz com que gente que não trabalha desfrute de um padrão de vida mais elevado do que muita gente que trabalha.

Mas o fetichismo do fetichismo ainda leva muitos de nós a pensarmos que haveria alguma vantagem em voltarmos à economia mercantil simples. Em outro contexto, li a frase que talvez seja do próprio Marx ou algum comentador de pedigree: "vejo este tipo de manifestação com simpatia, mas não sem ceticismo". Quem esposa teorias sobre a ação humana que dizem que queremos mesmo é voltar ao padrão de consumo de que desfrutávamos há 10 anos é abobado, mais ainda se pensar que amamos ser engolidos por onças, mortos por inflamação de um dente em plena noite, congelados no inverno etc..

E aí sinto-me à vontade para seguir na ladainha que volta e meia costumo externar contra a negadinha que não sabe do que está falando, como é o caso de José de Saramago, not to speak do Prof. Vanderlei himself. Rezo e rezarei que o homem deseja maximizar seu consumo, que as necessidades humanas são ilimitadas e que não há limite para a inventividade humana, ergo, para a criação de novos produtos que atenderão a necessidades que ainda desconhecemos (pois não era que a liberdade é o conhecimento da necessidade?).

A saída para este imbroglio do emprego e do consumo é muito simples, ainda que tenha sido engendrada por mentes intelectualmente muito superiores à minha própria. Para não falar de Milton Friedman
(que sacou que
.a. sem dinheiro para o mínimo não se é livre
.b. o imposto de renda cobra mais dos mais ricos
.b. o imposto de renda deveria pagar mais aos mais pobres),
posso falar em Philip van Parijs. E Eduardo Suplicy, ou seja, estou falando na renda básica universal.

Temos um problema de desemprego e outro de segurança pública? E eu acrescentaria um capítulo à segurança pública, que chamarei de segurança ambiental. Pois a saída racional é a ativação de mecanismos institucionais que criem empregos na atividade de segurança pública. Não se trata de esmola, mas da realocação do valor adicionado pela sociedade. Pela sociedade, ou seja, ninguém individualmente gerou o valor adicionado de nada. Uns trabalharam, mas os valores que suas horas de trabalho socialmente necessárias criaram foi transformado em preço, num processo que independe radicalmente da vontade do trabalhador. Tanto é que -por razões institucionais- deputados e ascensoristas do edifício sede da Petrobrás na Av. Rio Branco ganham milhares de vezes mais do que uma professorinha. Esta manha marxista é que poucos entendem, Saramago entre os primeiros.

Ou seja, estamos falando da produção de bens públicos, entre eles as amenidades ambientais (como é o caso de eu poder andar em charcos poluidíssimos, mas não ser assaltado, o que prefiro ao próprio saneamento). Estamos falando de atividades que ocupem a população desvalida em atividades criadas com baixíssima relação capital/produto, diferentemente dos aviões a jato, turbo-hélices, e sei lá que mais. Falamos de atividades geradoras (ou melhor, apropriadoras) de renda, ainda que rendas modestas. Atividades prestadoras de serviços amplamente valorizados (no sentido de criadoras de utilidades) pela sociedade e capazes de organizar a população desempregada em torno do mercado formal e da formação de uma cultura empreendedora. Num esquema de "serviço municipal", estamos falando da criação de uma brigada ambiental mundial, com diretórios assentados em cada município terráqueo. Ela irá permitir a todos:
.a. manter a coluna ereta (com ginástica)
.b. manter a mente quieta (com aulas de linguagem, matemática e empreendedorismo)
.c. manter o coração tranquilio (com trabalho comunitário).
DdAB
Twitter: nunca esquecendo o maravilhoso artigo de Eric Swyngedouw sobre um distrito industrial belga que recebeu uma fábrica da Ford Motors Company, deu uma volta completa e voltou à miséria original. Tivessem lá eles instalado grana entre os dedos dos trabalhadores locais, muito desperdício teria sido evitado. Eles não queriam emprego e sim comida.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Adesão: apoiar e aderir

Querido Blog:
Já faz algum tempo (milhares de anos) que entendi que minha linha visual é um tanto arredia a certas inovações. Na moda, no desenho industrial e em diversas outras manifestações visuais da criatividade humana. Por isto, a figura acima tocou-me, quando eu procurava simplesmente "aderir" no Google Images. Eu queria o jogo da diferença entre "apoiar" e "aderir".

Sobre ele, deu-se uma vez uma coincidência muito interessante, podendo lá eu ser acusado, se o fosse, de plágio por cá ele. Lá era Oxford, o veículo era o Boletim da Oxford University Brazilian Society, em que escrevi um artigo saudando o início do Governo Collor. Cá era um artigo do senador Saturnino Brito (ou outro, don't remember). Ambos falamos em "apoiar não significa aderir", o.s.l.t.. Fiquei impressionado com "o nível mental que ambos estávamos usando".

A partir da greve das professorinhas do Rio Grande do Sul, fiquei pensando um pouco nestas coisas: claro que apoio a causa das garotas, não a das megeras, claro que acho que há problemas na educação infantil, claro que acho que os governos local, estadual (só fechando...) e federal (só ingressando na Organização dos Povos Unidos) são incompetentes e incapazes, além de dotados de enorme gula por dinheiro, id est, cobiça, outro pecado capital.

Em que coisa mais pensei? Talvez a Profa. Rejane de Tal nunca tenha ouvido falar em "mercado de trabalho", não sei, não garanto, apenas intuo pela sua incapacidade de articular pensamentos sérios sobre o ensino infantil. Se pensarmos em sua reação ao Natal, em seu incitamento à greve, mandando as criancinhas para um limbo escolar, só podemos entender que ela, Rejane , é um tanto desalmada, irresponsável. E, não entendendo do funcionamento do mercado de trabalho, ela encaminha seus representados, os professores da rede estadual pública, para o limbo profissional.

Mercado de trabalho, no mundo, é algo em extinção, é algo datado para morrer, é algo que não vai durar os 990 anos que nos faltam para chegar ao quarto minlênio da era cristã. O grande substituto do mercado de trabalo é a renda básica universal, que dará rendimentos mínimos a todos. E, claro, o valor da produção seguirá sendo gerado por trabalhadores, só que com uma produtividade de fazer inveja aos mais arrojados macacos ficcionistas. Hoje mesmo, a produtividade de um trabalhador brasileiro, para não falar do americano, já dá inveja aos europeus do ano 10^3 d. C.. Não vai ter emprego para todos, não na produção de bens e serviços, do jeito que a pensamos hoje. Mas haverá mais bens e serviços à disposição da comunidade, haverá possibilidades de crescimento ilimitado, pois não há limite discernível para, por exemplo, transportes (viagens espaciais) e saúde (prolongamento da idade).

Penso em Stephen Marglin e seu famoso artigo em que diz que o parcelamento de tarefas foi criado para impedir que o trabalhador controlasse todo o processo e, como tal, despachasse o residual claimant para onde este merece: o bolsão da renda básica universal. Ou não era bem isto, mas era parecido... Liminarmente, agora, ao escrever isto, penso que se trata de explicação funcional, talvez inadequada para o fenômeno de que estamos falando: a produtividade do trabalho humano, o mercado de trabalho e a greve.

Depois da liminar, há algo mais a pensar: a substituição do trabalhador por máquinas, a maior tendência do capitalismo e maior causa de seu sucesso. Ninguém gosta de trabalhar sendo obrigado a fazê-lo, ou seja, todo mundo gosta de transformar a natureza enquanto atividade de "lazer" e não de "trabalho", ainda que escrever poemas ou esculpir em pedra sabão possam ser chamados, dependendo da ocasião, de uma coisa ou outra.

Pois na sociedade do futuro, as máquinas farão quase tudo e controlarão quase tudo. Haverá trabalhadores, mas seus tempos e movimentos serão constantemente monitorados por máquinas, fotografias, sons, imagens, cheiros, o que seja. Também há e haverá, talvez, gravações ilegais. A questão é precisamente o que tornar ilegal e manter legal. O que interfere com a liberdade do indivíduo e o que mexe com a do cidadão.

Parece que, depois da renda básica universal, a distinção entre indivíduo e cidadão tornar-se-á mais acre. Quero dizer: o mercado de trabalho, para atrair indivíduos caracterizados por elevadíssimo custo de oportunidade mensurado em termos de lazer (dado que sua renda lhe garantirá um nível de consumo invejável pelos mais ricos nababos, isto é, os políticos brasileiros, contemporâneos), deverá receber recompensas (incentivos) igualmente cinematográficos.

E que podemos dizer da Profa. Rejane de Oliveira, de sua posição sobre estas questões? Apenas, creio, o mesmo que diríamos para a Profa. Yeda Crusius: despreparada.
DdAB

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conselho de Justiça e Segurança -MeninoDeus

Querido Blog:
Ontem, participei da reunião de encerramento das atividades de 2009 do Conselho Comunitário de Justiça e Segurança do Bairro Menino Deus, Porto Alegre, Paralelo 30S (clique aqui, para ver o que já obtivemos). Trabalhamos na Cartilha de Segurança, que devemos lançar à comunidade no ano vindouro. E acenamos com outra cartilha, a da Cidadania, informando direitos dos cidadãos.

Foi feito um balanço de coisas do ano. Eu fiz o meu, que divulgo aqui, mas nem tudo foi por lá falado. Meus temas recorrentes:
.a. renda básica universal (associada à reciclagem de papeleiros)
.b. nova política de enfrentamento do problema das drogas.

Também pensei nas lições que esta "militância" de cerca de ano e meio brindou-me:
.a. o DMLU foi terceirizado para papeleiros, que são contraventores, a serviço do desserviço, uma terceirização perversa feita pelo poder público, que tem uma macacada que fica dizendo o tempo inteiro que precisamos de "estado mínimo", pensando que "mínimo" quer dizer "nulo".
.b. precisamos lutar pela implantação do orçamento universal
.c. precisamos criar o Ministério do Atendimento ao Cidadão, que centralize o atendimento ao público. Caso eu tivesse um problema com o governo, não deveria precisar saber se é com o executivo, o legislativo, o judiciário, o federal, o estadual, o municipal, qual das secretarias, diretorias etc., destes cabides de empregos, com milhares de sinecuristas ganhando CCs ou outras remunerações também grotescas. O de que eu preciso é uma pessoa que fale em nome do governo. Um funcionário público decente, atuando em engrenagens decentes. E só.
DdAB

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nós não tivemos saída

Querido Blog:
Lembro bem que, em tempos difíceis, depois chamados de "anos de chumbo", dizíamos que os colaboracionistas diziam "temos que sobreviver, entende?". Também lembrei, no outro dia, "se eu não me queimo, se tu não te queimas, de onde virá a chama?" Fizemos o que nos coube, fizemos o que pudemos. O fato concreto é que "não há mal que sempre dure", corruptela de "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca termine". A ditadura militar eletiva acabou.

Mas deixou uma herança severa. Deixou milhares de indivíduos politicamente cegos. Deixou gente que nutriu uma antipatia por valores da ordem e da modernidade incompatíveis com a construção da sociedade igualitária. Não querem, estas pobres cabras-cegas (diria Lourdette), "reformas democráticas que conduzam ao socialismo". Que significa esta frase?
.a. primeiro: não queremos socialismo
.b. queremos apenas as reformas democráticas
.c. elas conduzirão a ele
.d. este "que" quer dizer: qualquer reforma democrática aproxima-nos mais do que nos distancia do socialismo
.e. depois, apenas depois, não agora, ainda é cedo para isto, depois, repito, depois-depois-depois, é que vamos definir socialismo
.f. talvez nem precisemos, se capricharmos na luta pela sociedade igualitária.

Desta tragédia que vivemos no Brasil, a ladroagem federal (Inocêncio), estadual (Arruda) e municipal (Ulbra e seu reitor acusado de liderar uma quadrilha que roubou R$ 63 milhões), a que mais me tocou hoje foi a inominável ignonímia proferida pela Profa. Rejane de Oliveira, presidente do CPERGS - o sindicato dos professores das escolas sustentadas pelas verbas orçamentárias do governo estadual: "Nós não tivemos saída, a sociedade precisa entender isso. Tentamos negociar com o governo, mas não fomos ouvidos." Este lixo, puro lixo, caso de polícia, foi dito porque o CPERGS decretou greve: não vão mais dar aulas até o Natal! As crianças e suas famílias que se danem. A sociedade jamais entenderá isto, exceto que é mais um caso de loucura, de coisa de louco que tem voz de comando neste país de loucos e ladrões!

Isto é o que diz a p.6 de Zero Hora de hoje. Nas p.4 e 5, falou deste roubo de R$ 63 milhões, ela -ZH- que ontem dera duas páginas de destaque a uma entrevista precisamente deste homem hoje desmentido pelo confronto dos jornalistas de nossa Herra das declarações do reitor de ontem e das gravações dele e seus "sequazes" (?) de hoje. Parece que ontem, enquanto eu lia a ZH, a polícia batia (como o galinheiro às raposas) na casa do ex-pastor (que foi excomungado da igreja no domingo que passou), sua filha e seu filho. Arrombou a porta da casa da filha. Só lendo.

A presidente do CPERGS não foi batida. Ela não se abalou com os últimos acontecimentos. Talvez porque não os tenha identificado. Quais seriam mesmo eles? Este troço de ficar dizendo que a sociedade, incluindo-me, numa frase imperativa destas -"tem que entender"- deixa-me contrafeito. Eu diria, simetricamente, a Profa. Rejane tem que entender que ela e seu movimento de já 30 anos ajudaram a destruir o Brasil, este país analfabeto que hoje vemos, este país com milhares de crianças, velhos e loucos pelas ruas. O país que elas -professorinhas e seu movimento sindical esdrúxulo- ajudaram a incinerar, batendo na ferradura o tempo inteiro, destruindo células importantes da sociedade igualitária. O CPERGS ajudou a destruir a educação de todos os níveis do Rio Grande do Sul. O CPERGS ajudou a eleger a Profa. Yeda Crusius como deputada e governadora do estado, e pilhas de outros dirigentes do próprio CPERGS como deputados, vereadores, e por aí vai. O CPERGS é fundador do clube da baixaria. Não sobrou nada. Ele, claro, é menos vilão do que a milicada. Mas tem sua responsabilidade. O CPERGS é uma droga!

Agora sabemos, né? Sabemos que ajudamos, com nosso medo e nosso açodamento, a derrubar a ditadura, sabemos que este troço de onda grevista não levou a nada, não mudou nada. Forçou-me e a outras pessoas honestas a buscarmos novas bandeiras. Eu busco
.1. a da renda básica e
.2. a do orçamento universal,
ou seja, não entendo a Profa. Rejane. Não entendo e acho um desatino esta greve a menos de 15 dias das festas de Natal. Natal é tão sagrado quanto Copa do Mundo. Jornalista fazer greve durante a Copa do Mundo é tão diabólico quanto a macacada do IGBE fazer greve durante a realização do censo demográfico, ou os enfermeiros plantonistas da urgência do HPS fazerem greve cada vez que entra ambulância de sirenes ligadas.

Não posso negar que, há 25 anos, as greves ajudaram a abalar o poder, mesmo que à custa de perdas sociais, perda de talentos, perda de ilusão de alunos que ter-se-ão desgarrado precisamente por causa da falta de merenda, da falta de disciplina, da oferta de substitutos ao esforço que se deve fazer para acordar cedinho e ir para a aula.

Mas são 30 anos. Se greve resolvesse, não teríamos o caos educacional, aulas em containers, classes com 40 alunos "enturmados". O CPERGS não quebrou paliçadas para montar a escola em dois turnos. O CPERGS não se insurgiu com vigor contra o ensino noturno para boa parte dos jovens e adultos que trabalhavam durante o dia. O CPERGS não foi capaz -veja onde nos leva a leitura estrita dos acontecimentos- de produzir qualquer tipo de alternativa decente à destruição -que, cá entre nós, não podemos dizer ter sido desejada- do sistema de ensino fundamental e médio estadual por parte de governantes de diversos matizes partidários.

O CPERGS é uma droga! A Profa. Rejane, uma despreparada. O Deputado Elvino Bohn Gass (líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa, p.7 de ZH) outro -eis meu direito de emitir opinião- um dromedário: "É necessário que pais, alunos e professores façam neste momento uma pressão, porque senão será rasgada uma histórica conquista dos servidores, que é o plano de carreira." Cara, deveríamos fechar os estados e, como tal, as assembléias legislativas. Os deputados ganharem R$ 27.000 só pode ser piada! O CPERGS é uma droga!
DdAB

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tigre, tigre, tigre

Querido Blog:
Procurei "tigre, tigre, tigre, marcadinho de ponta a ponta". Nada achei, mas ele mesmo -os tubos e conexões Tigre- diz-se "como Tigre só tem Tigre". Eu pensei em três tigres: "Tigre, Tigre, Tigre." Etc..

Mas são até mais de três. Nem contara antes, conto-o agora, o livro de Gabriel Cabrera-Infante tem por título "Três Tristes Tigres". Um dia destes, acabo de ler. Se bem lembro, comecei a fazê-lo há mais de 20 ou 30. Em, talvez, mais 20 ou 30 ou 20x30=600, termine-o, ou me termine, sei lá.

Começando com a continuação dos tigres. Falarei agora nos três que me ocorreram ao ler a notícia de que o "PIB gaúcho cresce menos do que o brasileiro", que é uma chamada de notíciazinha na p.24 de Zero Herra. Erra? Ela erra? A Zero? Supondo que o PIB brasileiro cresça 08,% em 2009 (ainda não cresceu, pois o ano não acabou, não é mesmo?), não teremos mais do que uma "marolinha". Eu previra, no mundo, crescimento zero, inflação e desemprego. No Brasil, não há desemprego, de acordo com os cadastros da RAIS. Para mim, este é um dos maiores mistérios, apenas tornado menos fantasmagórico pelos desígnios da aprovação sideral do Governo Lula pelas amostras unânimes dos institutos de pesquisa nacionais. Voltarei ao ponto, depois de falar dos outros dois tigres, pois o crescimento do PIB é o primeiro. Supondo que o PIB brasileiro cresça 0,8% e o PIB gaúcho cresça 1% negativos, o PIB gaúcho cresce menos, claro, pois decresce. Má manchete. Mau jornal. Má visão de mundo: quem desconhece conceitos pouco poderá falar sobre eles.

Segundo tigre: uma pilha deles, são os Tigres Asiáticos, com crescimento do PIB mirabolante, aos quais pudemos acrescentar -não sem certa preocupação- a economia chinesa. La Chinoise, como veio no título do filme de Jean-Luc Ponty (ou era Jean-Michel Jarrê, como se pronuncia em Albardão?), ou nada disso? Apenas eu é que estaria misturando Paulette Goddard com Robert Goddard, les américains. Bebendo no "Pedrini", sugeri há anos que deveríamos designar a todos os dominados pelo crescimento chinês, os asiáticos, de Nova Ásia, o que incluiria a Índia. Ou seja, elogio da hegemonia americana. Quero ver se alta renda cria democracia na China, como fêz na Coréia. Quero ver se a North Korea vira gente. Em 20 ou 30 anos.

O terceiro tigre é o Mr. Mao Zedong, de maldosa e malfadada fama, politicamente correto (adotou o marxismo como religião para revolucionar a China) e politicamente corrupto e corruptor. Distante da alegria que tive, digamos que em 1962, ao constatar que, além do gigante soviético, também havia entre as potências do futuro, a República Popular da China. Daí, foi um passo para ler "A Longa Marcha", livro de Simone de Beauvoir. Só lembro que, para construir o comunismo, eles pensavam em alcançar a fonetização do mandarim. Hoje, está na cara que o comunismo -se vier a ser alcançado na linha stalinista-maoísta- dever-se-á ao desenvolvimento do capitalismo de estado, tão a gosto dos desenvolvimentistas de todos os portes.

Pois bem, o primeiro tigre é o Mr. Paulo Tigre -Paulo Bastos Tigre, se me não falham Machado e a memória-, presidente da FIERGS, a combativa federação das associações industriais do RGS, ou seja, o RS, ou melhor, o Rio Grande do Sul, combalido e combativo estado. Conformamo-nos com a sina de crescer para baixo menos do que o Brasil. Conformamo-nos com façanhas que nos mantêm com uma renda per capita oito vezes menor do que a dos americanos do norte. Conformamo-nos com uma produtividade de fazer rir aos estudantes de engenharia de nível de jardim da infância na Coréia e Japão. Conformamo-nos em não dar pelota para o modelo chinês, que -com todas suas perversidades- acabou com a fome e vem acabando com as misérias. However, tem 8.000 assassinatos estatais por ano, só ganhando do Irã, um primor de democracia em que a mulher tem o direito de não poder estudar Direito.

Nunca fui capaz de encontrar uma publicação que descreva a metodologia usada pela FIERGS para calcular o valor ex post de algo que ainda não encerrou seu período contábil. Ou melhor, esta frase manifesta minha má vontade, pois tá na cara que estes 1% projetados de crescimento negativo ("rabo de cavalo", remember?) são projetados. Mas não sei como eles fazem para confiar nas projeções. Usam as estimativas do IPEA? As da FEE?

Este negócio de crescer como rabo de cavalo, ou seja, a manchete de Zero Hora e o fenômeno dos -1% gaúchos, para mim, tem tudo a ver com o mote de minha postagem de hoje. Encontrei-o no parágrafo final da notícia que nos une. Vejamo-lo na p.24:


Para Tigre, a reação só virá com a manutenção do equilíbrio fiscal, permitindo ao Estado investir em infraestrutura para melhorar a competitividade das empresas gaúchas. O dirigente prega ainda a necessidade de aproveitar as oportunidades que surgem com o que chama de nova economia, setores em florescimento no Rio Grande do Sul, como o polo naval, lácteos, etanol e microeletrônica.


Buscando inspiração no Jumento da peça "Os Saltimbancos", só posso dizer: "Aí, eu parei." Dedicar-me-ei agora -já que sei fazer mesóclises- a analisar o que disse Tigre. Vejamo-la.

Primeiro, que a reação só virá com o equilíbrio fiscal. Reação a quê? À derrota inflingida pelo Governo Lula que fez o Brasil (o PIB do Brasil, né?) crescer 0,8%, por contraste ao decréscimo de 1% projetado para o Governo Yeda Rorato Crusius? Ou à derrota que nos inflinge diariamente o observador irresponsável que pensa que precisamos pensar no eclipse a que nos submete o México e, principalmente, na renda per capita mais alta do mundo, apenas oito vezes maiores do que a nossa/brasileiros/goianos/gaúchos? Uma vez que o denominador do cálculo da produtividade é o trabalhador, claro que podemos incriminá-lo por não elevar o numerador a números compatíveis com sua existência física. Houvesse mais PIB, não precisaríamos deste "recalque" contra os "fornidos irmãos do norte", de endemia de obesidade, comme nous. Houvesse menos trabalhadores, a produtividade -ceteris paribus- subiria. Mas não queremos alta produtividade, penso eu, baseado nos estudos de contabilidade social que fiz, ao invés de ler o Cabrera-Infante, nos últimos 40 anos (ou seja, praticamente desde que fugi da escola, aquela fraude chamada de "ensino superior" que me diplomou em 1972). O que queremos é alta renda, o homem odeia trabalho, ama lazer. Trabalha só a relho. Com lazer, veleja com "lasers", trocadilho reverenciando Lourdette, sumida da página3 de ZH.

Segundo. Agora é que vem o chumbo grosso da artilharia farrapa! Voltamos à zurrapa. Voltamos a ver a ignorância dos responsáveis pela formação de Paulo Tigre. Ele foi doutrinado a pensar que equilíbrio fiscal é bom. Eu -que fui doutrinado ao contrário- consegui romper com este lixo. Ou seja, estou com o Paulo: equilíbrio fiscal é bom, especialmente na terra que não tem orçamento universal, na terra em que todo político é ladrão, na terra em que somos pigmeus da produtividade, por culpa da classe trabalhadora, que eleva um denominador que força uma fração (o PIB lá em cima) a cair!

Mas aí entra o fosso -diria Lourdette- que me mantém distanciado dos tigres, milhares deles, inclusive os maoístas, de papel, e tudo o mais. Quero botar tudo a baixo! Quero que um indivíduo que pensa que o dever do estado (gaúcho, hegeliano, sei lá) é "investir em infraestrutura para melhorar a competitividade das empresas gaúchas" seja declarado empresário. Ou seja, que ele seja declarado um incompetente, a julgar pelos padrões internacionais, que arrancam oito vezes mais produto por unidade de trabalhador.

Este segundo ponto de análise da mesóclise -ou o que seja- deve fazer-nos pensar. Aprendi com Sérgio Jockyman, quando a direção do Sport Club Internacional requeria que torcida levasse alegria ao time, que o time é que deve levar alegria à torcida. Aprendi, desde que fugi da escola, que toda aquela xurumela (gauchês não aurelianizável?) de bens públicos e semi-públicos, problemas de coordenação na ação dos agentes, e por aí vai, que o diabo do denominador do conceito hegeliano de produtividade só poderá elevar-se mesmo será com incorporação de capital humano, isto é, basically, educação. Tigre entenderá "infra-estrutura" como educação, segurança pública, esses bens semipúblicos, públicos, e por aí vai?

DdAB

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Cambulhada: Alice, 27 e a Justiça

Querido Blog:
Não sei se atinjo o cravo ou a ferradura, como diziam os medievais. Vejo, respondendo à busca por "cambulhada" uma certa Alice com os esquilos e suas maravihas. Parece haver até um gambá. Cambulhada, pelo Sr. Aurelião, é o mesmo que cambada, objetos pendurados numa fieira. E eu pensava que cambada era o coletivo de caranguejos. Seja como for, temos dois artigos na parte dos "assinados" de ZH de hoje.
.a. A Justiça e a sociedade, do desembargador Flavio Portinho Sirangelo
.b. Se Alice voltasse..., da desembargadora Naele Ochoa Piazzeta.
(para olhar, basta clicar).

O primeiro, o desembargador, não o artigo, é também diretor da Escola Judicial do TRT-RS. Bem, nunca ouvi falar nela. Temo que seja um cursinho prepartatório para concursos do TRT-RS. Aí começaria um assunto. O desembargador faz um apelo à "[...] adoção de posturas mais éticas em face desse valor fundamental que se chama Justiça." Na minha opinião, crime de opinião não é crime, logo posso dizer com franqueza: sou de opinião que o poder judiciário deveria ser fechado (bem como o senado federal e os estados), pois o de que precisamos é de um sistema judiciário eficiente. E este é atribuição do executivo, como a polícia e a coleta de lixo urbano. Gente que ganha R$ 27.000 por mês não deveria julgar ninguém, mas ser julgado por rompimento com posturas éticas.

A desembargadora teve o artigo associado também a outro, de um carimbadíssimo deputado (não vou dar o link, sô), dizendo que se faz necessária uma reforma política, um troço assim. De cambulhada, ela também tem propostas de mudança. Diz que Alice Caroll oslt ficaria estupefata, ao ver que o País dos Espelhos é mesmo o Brazil, um troço assim. De minha parte, eu também estou do lado de Jesus. Eu também acho que chegou a "[...] hora de realizarmos um combate efetivo à corrupção [...]". Só que acho que eles se esqueceram de dizer que quem ganha R$ 27.000 também é o inimigo. Esses caras são os ricos. Neste tipo de assunto, os ricos padecem do que se chama de insight pobre!
DdAB

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Jair Soares e os Impostos

Querido Blog:
Jair Soares é o carinha da esquerda, digo, na posição fotográfica mais para o lado, pois na política a foto já diz tudo: os dois extremistas são ministros dos tempos da ditadura militar eletiva. Jair também formou-se em odontologia e também foi governador do Rio Grande do Sul. Jair, enquanto ministro da previdência social, encanadíssimo com o déficit, propôs e conseguiu elevar a alíquota de desconto dos trabalhadores de 8 para 8 1/2 por cento. A malta reclamou, mas ele invocou apenas que nada havia de errado com aquilo, pois -com a inflação- tudo subia e ele não via razão para que só o ministério lá dele ficasse sempre com o mesmo preço.

Hoje a pérola jornalística do Rio Grande do Sul tem, na página dos artigos assinados, uma pérola assinada pelo político que, saindo-se como pôde do cargo de governador, passou uma temporada fora das burras e a elas voltou no cargo de vereador. Rimar, rima. Contracheque também há, mas era já a tradição de cargo a qualquer custo. Depois, o combativo vereador elegeu-se deputado estadual. Hoje não sei bem quem lhe paga os estipêndios, o fato é que ele preocupa-se com "o contribuinte". Título esclarecedor: "Em defesa dos contribuintes". Então aquele negócio dos otto e mezzo era bafo? Ele não queria que, com a inflação ascendente, sua participação no produto interno bruto a preços do consumidor, ascendesse a 100%? Ou mais? Marx falara "nem que os preços caiam 1.000%", Jair queria que a alíquita da previdência subisse a 1.000%? Só pode ser jogada da turma da galhofa.

Por toda essa realidade, advogo a ideia de iniciarmos aqui, através de legislação local, o que servirá [...] de normas restritivas ao aumento da carga tributária, bem como de freio aos gastos correntes, evitando déficits/dívidas que ao fim serão suportados pela comunidade.

Faltou-lhe, nestes anos todos, o curso de teoria da escolha pública que desejo ver como norma restritiva à prática eleitoral, inclusive para que a comunidade possa parar de suportar o amadorismo não apenas dele mas -principalmente- de milhares de outros. Será que ele sabe a diferença entre impostos diretos e indiretos? Será que ele sabe que apenas os últimos é que são distorcivos? Será que ele sabe que a Malásia exporta mais de 100% de seu PIB? E que o imposto de renda poderia ser de 250%, 251%, sei lá? E que o PIB seguiria representando 100% do PIB e, como tal, a despesa também representaria 100% da despesa e o consumo das famílias, que seriam seus "contribuintes", eleitores, sei lá, seguiria representando os mesmos 100% do consumo das famílias? Não, acho que ele não sabe e também acho que ele não quer saber.
DdAB

domingo, 6 de dezembro de 2009

Drogas Recreativas para os Presidentes

Querido Blog:
Todos sabem o apreço que tenho pelos presidentes da república do Brasil, de FHC a LILdS. As críticas acres que às vezes lhes endereço devem ser entendidas apenas como incentivos para sua ainda mais espetacular prática do bem. Nem todos sabem que vemos na foto acima o que capturei do Google Images com a busca "droga recreativa". Vemos, além de -para mim-, ininteligíveis ideogramas, folhas do cânhamo e badges as mais variadas.

Por outro lado, Zero Hora de hoje publicou na p.13 um artigo de FHC, intitulado "O Desafio das Drogas". Sensato o príncipe dos sociólogos, exceto quando trata da política contemporânea do Brasil, assunto em que sua empáfia não o deixa entender que o LILdS é mais político do que ele, ambos tendo enriquecido por exercerem com exação seus notáveis dotes de empresários schumpeterianos (terceiro tipo classificado por Baumol), se me faço entender.Vou fazer um resumo, em forma de diálogo do FHC com DdAB:

FHC: Um dos temas mais difíceis do mundo contemporâneo é o que fazer com o uso de drogas.

DdAB: tá certíssimo.

FHC: [...] o uso de drogas se disseminou em vários níveis da sociedade, com motivações hedonísticas [...]

DdAB: tá certíssimo, só que, além das motivações hedonísticas de uma meia dúzia de indivíduos hedonistas, há bilhões de viciados por loucura ou incúria. No primeiro caso, a origem é familiar etc., ao passo que no segundo, ela é eminentemente social. Sem emprego, tem gente que vai para o mercado informal. E daí para o mal (não confundir com o MALA*). É fundamental reconhecer no grupo dos hedonistas o direito ao consumo recreativo, como aprendi com Richard Layard, pois já o reconhecemos para jogos, cafeína, sapatos, automóveis e tantos outros objetos de colecionismo.

FHC: Até agora, a estratégia dominante tem sido a chamada “guerra às drogas”. Foi sob a sua égide, sustentada fundamentalmente pelos Estados Unidos, que as Nações Unidas firmaram convênios para generalizar a criminalização do uso e a repressão da produção e do tráfico de drogas.

DdAB: os Estados Unidos e sua ampliação a ONU são sabidamente estranhos. No primeiro, o fracasso da lei seca foi um incentivo para o crime organizado. Na segunda, não podemos falar em sucesso esse negócio de nações unidas, pois o problema é que o estado nacional acabou e a ação coletiva ainda não conseguiu mobilizar-se. Tem que criar estratégias “ganha-ganha”.

FHC: Decorridos 10 anos, [...]de “guerra às drogas” [...n]ossa conclusão foi simples e direta: estamos perdendo a guerra [...].

DdAB: Há semanas li uma brilhante reportagem sobre o tema em Carta Capital! E é isto mesmo, FHC!

FHC: [...] em lugar de teimar irrefletidamente na mesma estratégia, que não tem conseguido reduzir a lucratividade e consequentemente o poderio da indústria da droga, por que não mudar a abordagem? Por que não concentrar nossos esforços na redução do consumo e na diminuição dos danos causados pelo flagelo pessoal e social das drogas? Isso sem descuidar da repressão, mas dando-lhe foco: combater o crime organizado e a corrupção, ao invés de botar nas cadeias muitos milhares de usuários de drogas.

DdAB: não mudam a abordagem por moralismo, burrice e interesses escusos, um trio de respeito.

FHC: Em todo o mundo, se observa um afastamento do modelo puramente coercitivo, inclusive em alguns Estados americanos. Em Portugal, onde, desde 2001, vigora um modelo calcado na prevenção, na assistência e na reabilitação, diziam os críticos que o consumo de drogas explodiria. Não foi o que se verificou. Ao contrário, houve redução, em especial entre jovens de 15 a 19 anos. Seria simplista, porém, propor que imitássemos aqui as experiências de outros países, sem maiores considerações.

DdAB: Portugal, hein? diziam que os portugas são burros, mas estamos levando um vareio. Acho que os portugueses têm muito maior produção intelectual do que o Brasil com um vinteavos da população local.

FHC: [...] Enquanto houver demanda e lucratividade em alta, será difícil deter a atração que o tráfico exerce para uma massa de jovens, muitos quase crianças, das camadas pobres da população.

DdAB: claro, né, meu? e a saída é criarmos logo a Brigada Ambiental Municipal, complementando substantivamente os valores da renda básica universal. Bota a negadinha a estudar, fazer exercício físico e trabalho social. Ganharás empresários, atletas e humanistas. E por que que tu não fez isto no teu governo?

FHC: [...] por não “abrir o jogo”, como fizemos com a aids e o tabaco, não só por intermédio de campanhas públicas pela TV, mas na conversa cotidiana nas famílias, no trabalho e nas escolas? Por que não utilizar as experiências dos que, na cadeia ou fora dela, podem testemunhar as ilusões da euforia das drogas?

DdAB: o aborto também, a gravidez indesejada, tudo, tudo, tudo resolve-se com mais liberdade, mais informação e não menos. Só o Duilho Médici pensava que pau nos pobres resolve!

FHC: As experiências mais bem-sucedidas têm sido as que vêm em nome da paz e não da guerra: é a polícia pacificadora do Rio de Janeiro, não a matadora, que leva esperança às vítimas das redes de droga.

DdAB: é mesmo o príncipe dos sociólogos, não é? o problema dele é que, na maior parte do tempo, ele só pensa no passado ou no Lula e não no futuro.


FHC?
DdAB!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Patamares da estupidez

Querido Blog:
dá uma olhada no artigo abaixo. veio da Folha de São Paulo de hoje. é burrice não comer este tipo de torta e, at the same time, é burrice que uno se vicie en azucar.

Mudou de patamar (Ruy Castro)
Em Maceió, na semana passada, mais uma mãe acorrentou a filha à cama para evitar que saísse à rua e fosse assassinada por traficantes, com quem tinha uma dívida pesada por drogas. A garota, 15 anos, é dependente de crack desde os 12; também já é mãe e costuma se prostituir em função do produto. Em contrapartida, relatos sobre pais que saem para buscar crack e abandonam seus bebês em casa durante horas são diários e em todo o país. Em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, também na semana passada, um casal usuário de crack, num surto de abstinência, arremessou o filho de 1 ano e 3 meses contra a parede. Ainda em BH, um pai chamou a PM para conter a agressividade do filho, 29 anos, que fumava crack em casa e o ameaçava. À chegada da polícia, o rapaz reagiu com uma faca e foi morto com 12 tiros, na frente da família. No Rio, perto da Mangueira, um homem de 65 anos matou a filha, de 42, com uma facada no coração. A moça e o marido, dependentes de crack, tentavam agredir a mãe dela, usando uma barra de ferro e uma garrafa quebrada. O pai pegou uma faca de cozinha e, para defender a mulher, acertou a filha. Há pouco mais de um mês, idem no Rio, outro dependente, 26 anos, foi entregue à polícia pelo pai após matar a namorada, de 18. Com o crack, nenhuma família fica de pé. O problema da droga no Brasil mudou de patamar. Não se trata mais de jovens que, depois de anos de uso esporádico e recreativo de drogas "leves", tornam-se dependentes e problemáticos. Agora, usou, bateu -ninguém usa crack recreativamente-, em todas as faixas sociais, culturais e de idade. Sim, o ser humano sempre usará drogas. Se houver oferta. Há menos de dez anos, o crack estava restrito a uma esquina de São Paulo. Não se cuidou dele e, agora, o drama é nacional. E ninguém está a salvo.


Minha primeira reação àquela lista infindáveis de vítimas do moralismo dos políticos e de outros ladrões e traficantes foi de puxar pelo ridículo. Lembrei-me de antigas folhinhas ensebadas que circulavam nos meios que eu frequentava e contavam histórias que, depois passaram a chamar-se de lendas urbanas. E também havia os messiânicos e milenaristas, como é o caso de um daqueles generais japoneses que -por não ter dado pelota a sei-lá-o-quê- passou por vicissitudes nunca dantes navegadas. Ridículos esses generais, esses jornalistas e esse mundo que pensa que o problema da droga é um problema.

O artigo está reproduzido acima, para fins de facilitar-me futuras referências, pois não sou useiro na Folha de São Paulo, uma droga de jornal, ou seja, substituta perfeita de minha milenar Zero Hora. Eu acrescentaria que, na progressista cidade da bergamota montenegrina, mais de 97% (ou era menos e não lembro?) dos crimes envolvem o uso ou tráfico de crack. Ao ler em Zero Hora esta cifra, pensei: se o prefeito de Montenegro não fosse um ladrão, já teria implantado uma sala de consumo naquela bergamotista coluna.

Façamos um ligeiro corpo-a-corpo com o jornalista. Ninguém se torna dependente de drogas, o que ocorre é o contrário: o indivíduo problemático é que se dedica ao consumo desenfreado de drogas, álcool, escrever nos bancos de praça, colecionar flâmulas de grêmios estudantis, bolinhas de gude, o que seja. Consumo compulsivo é uma doença que se expressa de várias formas. Se alguns doentes caem nas mãos dos traficantes, a responsabilidade é dos políticos (ergo, ladrões) que não conseguem colocar algum altruísmo em sua função utilidade.

Naturalmente, o ser humano sempre usará drogas, pelo menos durante o período em que nos seja legítimo pensar e chamar de "seres humanos". Um menino de rua disse-me que gosta da expressão "humáquia", que pega gente portadora desde próteses dentárias a corações de porco. E também pegará gente com platina não apenas no sistema ósseo, mas com -sei lá, plutônio- coisas estranhas nas entranhas, sei lá.

Enquanto houver humanos, haverá oferta de bens e serviços destinados a atender às necessidades humanas. Parece que a tirada de Ruy Castro é que é de pobreza imaginativa característica de nossos melhores (id est, piores) moralistas. O verdadeiro drama nacional, eu diria, endereçando-me ao final de seu artigo é o Gini = 0,5. Com Gini = 0,3, por exemplo, teríamos a mãe do menino de rua sendo -digamos- artista plástica e o menino de rua estudando inglês com a mãe do traficante de crack. Teríamos duas importantes consequencias:
.a. o menino de rua não estaria na rua
.b. o traficante não seria traficante.
Na sociedade igualitária, meu chapa, não há espaço para o crime de ladrões comuns. Nem -by the way- de colarinho branco.
DdAB

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Direitização e Funcionalismo


Querido Blog:
Dizque há alguns anos, ainda vivo, meu amado Andrew Glyn ficou espantosamente surpreso ao saber que eu preferia BigMac a spaghetti e Coca-cola a champanhe. Sabendo que ele poderia seguir-se surpreendendo, mudei de hábito: passei a mentir preferir low fat cheese e água. Seja como for, desde aquele tempo, eu tinha a sensação de que -depois de ter comido um BigMac com fritas, como observamos na bandeja acima, eu tinha a sensação de que bygones are bygones. Ou, como disseram Sá, Rodrix e Guarabira, no disco "Passado, Presente, Futuro", "o que passou, passou".

Ainda assim, o tom milenarista do artigo de Waldir José Rampinelli, na p.2 (clicar/ver) do Boletim APUFSC Sindical, de minha associação de professores sindicatilizados de Floripa, deixa-me contrafeito. O título do artigo é "A direitização na UFSC e a função do CFH". São mais de 10 anos que de lá saí, aposentado. Não lembro o que é CFH, talvez Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Lembro ligeiramente do movimento docente, lembro que assumi publicamente minha posição contrária ao movimento grevista. Lembro de que Pedro Antonio Vieira disse-me não poder afford a mesma posição, pois eu -ao sair de Porto Alegre em 1995- não carreguei meu chapéu. Ou seja, ao reter o chapéu original, sua história o impedia de fazer certos movimentos radicais.

No outro dia, fiz comentários ao artigo de Hélio Pellegrino. Ele próprio fazia suas considerações sobre as instituições que emperram o desenrolar da História (nota bene o h e o H). Também vivo pensando no significado desta, com H. Nasce como tragédia e se repete como comédia, quando o faz. Era Marx, "18 de Brumário"? Eu tenho lá minhas antipatias por este tipo de história que serve para nos escravizar, negligenciando possibilidades libertadoras. Seja como for, greve é grave e vim a entender que ainda se faz greve, no Brasil, como uma espécie de gincana da tomada de consciência. E também pela falta de uma diretriz realmente interessante sobre o que fazer para mobilizar a -diz Billy Blanco- plebe rude.

Falar em plebe rude é casca grossa e requer importantes definições. Quem, afinal, é alienado e quem é que detém o verdadeiro sentimento do mundo? Por um lado, acho que Chávez, Fidel Castro, Somoza, Stroessner, Joseph Stálin, Mao-Zedong, o carinha da Coréia do Norte, essa macacada, são ilegítimos. Mesmo que eleitos, como pilhas de milicos brasileiros. Por outro lado, acho que há dois resultados eleitorais sagrados: o do reitor da UFSC e o da direção do CFH. A palavra chave é "falsa consciência". Quem expressou falsa consciência ao votar, o povo da Venezuela, ou o da Colômbia, países já jurados de guerra em breve? Haverá, em ambos os países, eleições que eternizem no poder os rapazes hoje por lá jungidos? Sou incapaz de pensar no assunto com a suficiente profundidade que ele requer. Intuo que haverá um problema eleitoral, um problema com a plebe rude, outro com a definição de democracia e outro ainda com a definição de fascismo, de que falarei mais abaixo.

Pois bem, em minha opinião, o artigo de Rampinelli é ranzinza (ver "Aurelião"), pois acusa de direitosos os eleitos para a reitoria e para o CFH, além -claro- dos atuais dirigentes da associação dos professores. Transcrevo e comento dois trechos.

Na UFSC, parte da esquerda e da centroesquerda – que não apenas lutou contra a
ditadura militar, mas que também defendeu a universidade pública, gratuita e de qualidade, criando, inclusive, um sindicato combativo – se deslocou, mais recentemente, para posições conservadoras, tendo alguns migrados para a “nova direita” e um pequeno grupo avançado para posições fascistas. As razões internas
para esta direitização generalizada em nossa universidade se devem a várias causas, tais como a) a busca pelo poder por meio de um cargo na estrutura da instituição; b) a vitória da administração central, nas últimas eleições para a reitoria, nos três segmentos de categorias; c)o encerramento provisório do tema dos escândalos
financeiros das fundações de apoio; d) o crescimento da interferência da reitoria sobre os sindicatos dos docentes, dos servidores e de alguns centros acadêmicos de estudantes; e) o incremento de assessorias e bolsas para professores, aumentando sua renda salarial; f) a criação de cerca de duzentas funções gratificadas,
permitindo que o reitor acomodasse um número significativo de pessoas na estrutura
da universidade; g) a onda de crescimento e de expansionismo da universidade em Santa
Catarina, que dá à administração central força para impor-se internamente; h) e a capacidade extraordinária que a esquerda tem de se fragmentar a cada processo eleitoral.

Diante deste quadro, e com uma crise sistêmico-estrutural assustando muita gente,
há uma corrida pela busca de um abrigo supostamente seguro na estrutura de poder. O
ideólogo de ontem se tornou um pragmático de hoje, sem passar pela vergonha de ter de
explicar seu passado rejeitado. O pensamento conservador avança para a direitização e passamos a presenciar, pela primeira vez na história da Universidade Federal de Santa Catarina, acontecimentos tais como: a) um pró-reitor – com o consentimento do reitor – processar dois professores por suas manifestações de opinião, fato este nunca ocorrido, nem mesmo durante a ditadura militar; b) um professor do Conselho
Editorial da EdUFSC, pertencente ao Departamento de Engenharia Elétrica, se contrapor a dois pareceristas favoráveis à publicação de um livro – sendo um deles de renome nacional –, com o claro objetivo de censurar um trabalho histórico-político sobre a Colômbia, já tornado público em três países por conta de sua relevância; c) uma administração central que se nega a retirar um processo
contra estudantes, criminalizando um movimento de jovens que luta por melhores condições de sobrevivência na instituição; d) decisões de conselhos e de
colegiados que simplesmente são ignoradas por quem deveria implementá-las, o que caberia inclusive, dentro de uma ordem democrática, a figura do impeachment
contra tais pessoas. Enfim, presenciamos o desrespeito às normas básicas de uma
democracia burguesa. Para agravar esta direitização, aparecem os fascistas, assumindo claramente uma posição antinegros, antiíndios, antihomossexuais, antibrancos pobres, antissindicatos de classe, antimovimentos sociais, anti-partidos de esquerda e, por incrível que pareça, anticiências humanas
e antifilosofia (sic).

A “nova direita” entende – como afirmava Welch – que as únicas vitórias políticas
seguras só podem ser alcançadas por meio de organizações não políticas que disponham
de um fim mais seguro, positivo e permanente que os fins políticos imediatos.
Enfim, através de organizações que tenham base, coesão, força clara e uma direção estável, características impossíveis de serem encontradas nas instâncias tradicionais do partido político.

Portanto, cabe à direção do CFH atuar, também, no exercício da política nesta dura
conjuntura de direitização em nossa universidade. Cooperar com o avanço do pensamento
conservador na UFSC na perspectiva de angariar mais poder é servir a um projeto
elitista, traindo o programa pelo qual foi eleita esta direção.

Stop. Pois o que é que fica do "pequeno grupo avançado para posições fascistas"? Os antinegros, antiíndios etc. serão os referidos como parte da esquerda e da centro-esquerda que "se deslocou"? Ou é apenas uma mistureba de assuntos, voltados a preparar a transição para falar do CFH? Antes, reflitamos sobre "as razões internas da direitização". Na razão .b., vemos que -ao lado de Chávez e do Colombiano- houve uma vitória dos atuais detentores do poder na administração central "nos três segmentos de categorias". Que são eles? Estudantes, funcionários e professores? Operários, soldados e camponeses? Será que os segmentos esposam falsa consciência? O item .d. é absoluto consenso entre os interlocutores ou uma tese que precisa de testes de verificabilidade (definir interferência, definir período de tempo relevante, comparar com igual fenômeno das administrações anteriores etc.)? Os itens .e. e .f. não estariam a explicar a "hegemonia", tudo no mundo fazendo "escolhas racionais"? No jargão economês, não teriam sido subornados pelas bolsas e funções gratificadas? E o expansionismo do item .g., acompanha-se de direitização de todo o sistema federal de ensino superior e do próprio Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, o rapaz que -aparentemente- odeia reeleições?

O item da extraordinária capacidade de fragmentação da esquerda -o .h.- parece-me o mais maravilhoso do artigo. Obviamente, isto acontece, obviamente isto não pode ser declarado como manobra da direita, pelo menos não pode, se usarmos o manual SWOT (o que nos enfraquece?, o que fortalece nossos adversários?). Ou seja, a direita tem o dever legal de tentar enfraquecer-nos e nós temos o compromisso institucional de tentar enfraquecê-la. Mas também precisamos indagar-nos se foi a direita mesmo que nos enfraqueceu, se nos estamos tornando mesmo direitosos, ou se isto é que é a tese do artigo, logo não é argumento em favor da tese. Explicação funcionalista, no caso extremo e desagradável (preservando das críticas a explicação funcional agradável), diz algo como "A e B implicam B. Ora, observamos B, logo também devemos estar observando A". No caso, é isto: rolaram funções gratificadas? Então houve direitização. Não sei se Rampinelli pensa estar fazendo ciência social ao escrever com frequencia para o Boletim. Seu tom milenarista é inegável. Meu milenarismo -in sharp contrast- nada mais é do que a aplicação impiedosa da teoria da escolha racional e, infelizmente, algumas improvisações originárias de meu próprio cérebro. Ou seja, se a negadinha elegeu o reitor e o diretor pensando em vantagens materiais e eles criaram tais vantagens, nada há que possa ser criticado, durante o atual mandato. Ou seja, as regras do jogo não podem ser mudadas em benefício de eternas Chávez ou Somoza ou Haya de La Torre(era isto?). Mas uma plataforma eleitoral que acena com bolsas e efegês e -demagogicamente?- as paga deve ser declarada muito do sabidinha, pois cria lealdades inquebrantáveis. "O povo gosta de mordomia, quem gosta de miséria é o intelectual", teria dito um frasista cujo treinamento nas ciências sociais não deve ser levado excessivamente a sério.

Sem nos desesperarmos por aqui, podemos ler a itemização do arrazoado do parágrafo "Diante deste quadro...". Se não vejo enormes problemas com o quadro, não chego a tremer diante dele. Mas vejo com quem vê, por exemplo, o já alardeadíssimo -no Boletim- insurgimento de gente que achou que o pró-reitor que processou desafetos está agindo de atrabiliário. Desagradam-me pró-reitores que resolvem suas querelas pela via do pugilato, mas a busca de soluções judiciais não me desagradam. A todos nós deve ser assegurado o direito de emitir opiniões. E -claro- todos têm que responder por elas, no sentido de as manterem ou retificarem. Caso não haja acordo sobre o conteúdo de ofensa à honra pessoal embutida em opiniões (por exemplo, minha consideração de que todo político é ladrão), é preciso a busca de soluções pelo duelo (discordo), pela busca de intermediações por third parties, a busca de ajuda judicial (todo juiz é ladrão, I'm afraid). Segundo exemplo: o tal livro recomendado por Rampinelli e que alguém da atual administração superior, encarregada pelos operários, camponeses e soldados, digo, professores, funcionários e estudantes, de gerir a UFSC discorde de suas preferências literárias. Ou seja, ele queria o livro, uns neguinhos da reitoria não o queriam. Rampinelli queria que eles quisessem. Não o querendo, eles passaram a ser declarados como censores. E já temos os fascistas. E a questão de se estamos na UFSC, no Brasil e no resto do mundo vivendo uma ordem democrática. Aí começa a diatribe de Rampinelli contra a direção do CFH, que não lembro o que quer dizer, nem se foi eleita pela maioria dos operários, camponeses e soldados. Presumo que tenha sido, pois presumo que -em maior do que em menor grau- a ordem democrática brasileira esteja burlada apenas nas questões relevantes. Este tipo de querela que resulta da fragmentação da esquerda, em geral, tem soluções judiciais expeditas. A indústria da liminar, claro. Vou parar por aqui, aditando um comentário a seus dois últimos parágrafos:

A “nova direita” entende – como afirmava Welch – que as únicas vitórias políticas
seguras só podem ser alcançadas por meio de organizações não políticas que disponham
de um fim mais seguro, positivo e permanente que os fins políticos imediatos.
Enfim, através de organizações que tenham base, coesão, força clara e uma direção estável, características impossíveis de serem encontradas nas instâncias tradicionais do partido político3.

Portanto, cabe à direção do CFH atuar, também, no exercício da política nesta dura
conjuntura de direitização em nossa universidade. Cooperar com o avanço do pensamento
conservador na UFSC na perspectiva de angariar mais poder é servir a um projeto
elitista, traindo o programa pelo qual foi eleita esta direção.

Este troço de "nova direita" e as instituições não governamentais dá muito assunto. Quis apenas deixar registrado que estamos confrontando estado x comunidade. Ou o papel do Partido (olha o P) como condutor do proletariado bondoso, trabalhador e organizado? Stálin? O PCURSS? Que os deuses nos protejam! E o olímpico: "Portanto". Non sequitur. Simplesmente este troço de caber à direção do CFH uma tarefa do programa político de Rampinelli não se segue dos argumentos anteriormente citados. Argumentos que nem sempre seguem-se a si próprios. Argumentos que falham na definição de termos e no apelo a jargões como direitista e fascista. Não podemos deixar de ser milenaristas, cá de nosso lado do Rio Pelotas. Ainda assim, depois do sucesso doutrinário da medicina baseada em evidência, passei a querer uma filosofia política (ou o que seja) baseada em evidência. Precisamos definir direitização, fascismo e até funcionalismo.

Minha conclusão é que Rampinelli não é fascista (no sentido do Aurelião: "Sistema político nacionalista, imperialista, antiliberal e antidemocrático, liderado por Benito Mussolini (1883-1945) na Itália, e que tinha por emblema o feixe (em it., fascio) de varas dos antigos lictores romanos." Apenas excessivamente convencido da importância de seu milenarismo, quando confrontado com o milenarismo de outros. Claro que ele é politicamente incorreto, usando o duplo sentido do termo. Não se deve chamar ninguém de viado -como ofensa, por oposição a descrição positiva-, nem de fascista, nem de direitoso, nem de ladrão. No reino da retórica, evidentemente, tudo pode, e a tudo devemos desculpar, mesmo quem diz que todo ladrão é político e que devemos criar o MAL*. Meu milenasismo contrasta com o de Rampinelli no sentido de que sigo buscando um modelo que me dê as mesmas certezas que perdi há 20 ou 30 anos, mas que permitem-me suspeitar que não foi Waldir José Rampinelli que as encontrou.
DdAB