segunda-feira, 29 de junho de 2009

Flávio Tavares, bovinos e jornalistas

Querido Sr. Blog.
Esta imagem, pelo que busquei no Sr. Google Images, é de Flávio Tavares. Pintor nordestino? Julguei -apressadamente?- pelo chapéu de couro do rapaz que sustem o focinho do bovino. Ou da bovina, caso queiramos, sabe-se lá. Ele é homônimo, para mim desconhecido, de Flávio Tavares, jornalista e escritor, que, à p.15 de Zero Hora de ontem, escreveu o artigo "Conversas de cozinha".

Lá nele se lê:
Exerci atividades em jornal, rádio e TV no Brasil, México, Argentina e na Europa desde 1955. Formei-me em Direito na PUC, em Porto Alegre, e cursei Biologia na UFRGS. Não tenho diploma de jornalista, só registro profissional. Em 1963, integrei o grupo da Universidade de Brasília que criou a Faculdade de Comunicação de Massas, extinta em 1965 pela ditadura, pois “massas” era termo “subversivo”.

Sou crítico do atual currículo e metodologia das faculdades de Comunicação. Boa parte delas são “acacianas”, com balofa pompa, em que ditam regras especialistas que jamais entraram num jornal, rádio ou TV.

Por isso, sinto-me à vontade para discordar da decisão do Supremo ao abolir a exigência de curso superior de Jornalismo. Mesmo deficientes, as escolas de Jornalismo conseguem dar rumos e os talentosos aparecem.

Sem exigência de diploma, as escolas atuais tendem a desaparecer, com o risco de que, amanhã, jornalismo vire conversa de cozinha.

Non sequitur, não é mesmo? Claro que pode ser falha minha induzir meu leitor (não o dele) a pensar que a conclusão não segue do parágrafo que comecei a citar. Ou seja, você pensa que Flávio Tavares, jornalista e escritor -não confundir com o pintor- recebeu com entusiasmo a notícia do desatrolho regulamentativo prolatada (eu disse "prolatada" mesmo) poder judiciário, em caráter -ouço também- irrevogável. Terei lido que o ministro que encaminhou o parecer que, enfim foi aprovado, comparou jornalismo com culinária: pode-se fazer bom jantar e boa notícia sem ser formado. Claro que o articuliasta tem uma visão autoritária do funcionamento do mundo, em que os diplomas (com sua exceção, evidentemente) garantem formação profissional de escol. Não seria bem isto o que ele quereria dizer.

Finalizando: leio, como sabemos, Zero Herra regularmente. Como sabemos, o articulista escreve assinadamente todos os domingos na página ímpar que confronta com os editoriais da página par. Como sabemos, leio-o menos do que regularmente, pois considero seus textos um tanto enfadonhos. Parece evidente que um bom cozinheiro não é proibido nem de ler sobre culinária nem de atender a qualquer faculdade que ensine o que é sal, o que é panela, o que seja... E a faculdade de marcenaria? E a de lavação de escadas? E a de lavação de área de serviço? E a de dirigir automóvel? E a de dirigir bicicleta? E triciclos? E escovar os dentes? Amarrar sapatos? Cara, será que ele -o articulista, que todos sabemos o ministro Gilmar Mendes ser mesmo- é louco? Ou loki, como se diz atualmente? Não me parece que lhe falte o diploma, mas inspiração ([...] as escolas de Jornalismo conseguem dar rumos e os talentosos aparecem [...]). Não parece ser sua mala, ou melhor, doesn't appear to be his case. Conversa de redação, conversa de cozinha e conversa de bar requerem bons interlocutores para serem interessantes. O jornalista e escritor Tavares é que parece portar uma visão de mundo que dá certo toque de Midas às avessas no que problematiza por meio da escrita.
DdAB

domingo, 28 de junho de 2009

Carta Mineira und Zero Herra, naturalmente

Querido Diário:Errare humanum est, teria dito a avó do badanha. Eu mesmo queria uma ilustração do Google-Images sobre "carta mineira", essas coisas. Mas errei, induzido a achar a estonteante imagem acima com "distribuição da renda mundial" e "dados". Seja como for, a questão que me prendia não deixa de ter a ver com a que me prende: distribuição da renda e imbecilidades ditas à propos.

Número dois: Zero Herra inaugurou um concorrido parque gráfico, em que esteve presente o Presidente Lula da Silva e séquito. Vi uma foto, muito do charmosinha, da Deputada Manuela, de braços enlaçados sobre o abdômen, ela que pensou que poderia ser um fenômeno unversal, quando agrada mesmo é a uma turminha bem localizada de amigos. Estará no partido errado? Terá o voto compulsório um efeito perverso sobre uma liderança ascendente? Errou ela ao ser candidata a prefeita nas últimas eleições que recolocaram no poder o Sr. Fogaça, responsável direto por esta foto que acima estampo?

Era o número dois? Era: na Herra, lemos:: "Acostumado a lidar com os subterrâneos da política, Calheiros mantêm de prontidão uma guarda pretoriana para proteger Sarney." Como sabemos, "lula" virou sobrenome, incorporado por toda a família de milhares de gerações. Ao ver na p.9 o "e-chapéu" do "mantêm" e o nome de Ivan Celso Furtado Sarney, e o de João Fernando Michels Gonçalves Sarney, o de Adriano Cordeiro Sarney, Emane Sarney, e milhares de outros sarneys, pensei que seria o caso de mandar mudar meu próprio nome para, piada velhinha originária de Mauro Oliveira, Duílio de Ávila Bérni Petrobrás, impedindo hiátonos e oxitando-proparoxitando o que deve ser oxitonizado e proparoxintronizado. E esse troço do "e" não tendencioso? Pois, na condição de psicanalista gráfico do jornal Zero Hora, que tem sonhos inconscientes de ser apenas a singela Zero Herra, que insiste em ser, anyway, pensei: o Santos ganhou ou os santos ganharam? o calheiro é um pedregulho ou os calheiros são agatunados? Agora, é calheiros de calhau ou calheiro de caieiro? Será que o novo parque gráfico, no afã de aumentar o lazer da sociedade (reduzindo o emprego com carteira?), usa um programa de corrreção de texto baseado em um dos programas mais baratos de inteligência artificial que pensou que, "como 'calheiros' é plural, o 'mantém' também terá de ser plural, pois já nem mais sabemos se 'mantém' também mantem o acento." Arrevesados, esses inteligentes...

Número um: Mino Carta, um mineirinho acartonado, escreveu há dias na p. 19, Carta Capital de 24/jun/2009, "A queda do Muro de Wall Street teria de demolir outra crença (outra ideologia, sejamos claros) na irremediável supremacia do mercado. Mais ainda, do dinheiro sem lastro. Em ouro, ou em produção e serviços. [...] O sociólogo francês Marc Lazara apresenta sua teoria: 'Esta crise é diferente das outras. Existe o medo do desemprego e da desigualdade mas, ao mesmo tempo, a maioria ainda acredita na economia de mercado, além de ter permanecido substancialmente individualista. Acredita poder agir por conta própria, porque a ação coletiva não dá dividendos, não é atraente.'" (sic onde couber...). Este número um tem milhares de desdobramentos, inclusive perpassando o número dois acima. Vejamos alguns desdobramentos.

Número três: Leio Zero Hora e Carta Capital diligentemente como um breve destinado a impedir-me de odiar a humanidade, posição emocional a que me impelem as necessidades de:
-estudar
-fazer ginástica
-fazer regime alimentar.
Como odiar? Eles às vezes acertam. Em geral, informam e às vezes dizem absurdos. Mas ajudam-me a pensar. Claro que não é sério falar que "Calheiros mantêm", quando trata-se apenas de um agatunado e não dois ou mais ("os Calheiros mantêm uma fazenda eivada de escravos", escreveria o Advogado Inocêncio de Oliveira, também membro do parlamento). Também são poucos os parentes que acham que o que quer que seja poderia ajudar-me a pensar, seja como for, o que me saem aos dedos são letras, representando palavras que poderiam associar-se a pensamentos. Fonéticos e fonêmicos, essas coisas... Isto implica logicamente que eu poderia ter escolhido, por exemplo, o Jornal do Comércio e a revista Época como interlocutores. A Carta Capital me está saindo tão abaixo da crítica que realmente penso em fazê-lo, a mudança. Zero Hora é a melhor do pedaço. No Brasil, vim a entender que não há conceito equivalente para revistas. Para jornais, entendo que o melhor seria mesmo o Estado de São Paulo, talvez a Folha de São Paulo.

Número quatro: Pois Mino Carta, nosso mineirinho da ocasião, seria saudosista do câmbio lastreado em ouro? Segue Carta: "Mais ainda, do dinheiro sem lastro. Em ouro, ou em produção e serviços." Queria ele dinheiro com lastro? Teria Carta fugido à primeira aula do curso elementar de Introdução à Economia? Saberia ele o que quer dizer "moeda fiduciária"? Jornalista precisa de diploma de curso superior? Claro que não! Qualquer um pode dizer as besteiras que bem entende, se alguém se dispuser a publicá-las, como faz meu amado Sr. www.blogger.com. E esse troço de "produção e serviços"? Sabê-lo-á lá ele que o jargão econômico fala em "bens e serviços" e "mercadorias" e "valor da produção" e "produto" e "agricultura" e "indústria" e "serviços". Que querê-lo-á estalá-lo dizendo-lhe Mino?

Número cinco: E que tal esta de: "[...] irremediável supremacia do mercado [...]"? Irremediável? Mesmo em 100 trilhões de anos, quando Universo houver acabado há incontáveis bilhões? Digamos que seja apenas retórica. Então é remediável, mas aí precisamos pensar: "supremacia" para quê?, por quê?, como, onde, etc.? Será que Samuel Bowles escreveu mesmo em "mercado, estado, comunidade"? Será que Duilio Petrobrás escreveu mesmo que a supremacia do mercado para reger a produção deve-se à eficiência do sistema de incentivos que usa para mandar a negadinha trabaiá? E será que produção é sinônimo de produto, essas coisas, que obviamente não são, mas que é ladainha dizer que sim? Em resumo, o governo não precisa dar dinheiro para a mão branca, a fim de alimentar a boca do portdor da mão negra, onde se vê -indisfarçável- uma manga de camiseta do Colorado? Por que não meter grana na mão da mãe do garotinho/a? Os R$ 80 pilas mensais a que se referiu oMr. Lula da Silva? E começarmos imediatamente a campanha para a elevação da renda básica da mãe dele (nunca a dele, até os 24 anos of age) para R$ 500? Como sabemos, R$ 500 mensais a todos os ativos exaurem apenas 40% da renda nacional! Isto não representará nem 10% de um PIB de R$ 5 trilhões, menos do que o dobro do atual. Ou seja, a renda básica já tomaria menos do que o antigo superávit fiscal governamental, incluindo os lucros incorporados às burras governamentais por meus parentes distribuidores de petróleo.

Número seis: Segue-nos Mino: "[...] O sociólogo francês Marc Lazar apresenta sua teoria: 'Esta crise é diferente das outras. Existe o medo do desemprego e da desigualdade mas, ao mesmo tempo, a maioria ainda acredita na economia de mercado, além de ter permanecido substancialmente individualista. Acredita poder agir por conta própria, porque a ação coletiva não dá dividendos, não é atraente.'" (sic onde couber...). Aprendi o conceito de "odontologia baseada em evidência", depois vi que ele veio da "medicina baseada em evidência". Dias atrás, lancei os fundamentos da filosofia baseada em evidência, ainda sem nenhum discípulo cadastrado. E a sociologia baseada em evidência? Que estaria dando suporte à teoria de Lazar? Primeiro: todas as crises são diferentes entre si, esta é minha teoria. Segundo: será que o que aconteceu aos mercados financeiros mundiais em setembro do ano findo foi mesmo uma "crise" ou apenas "signo de mudança", como alertou-me um astrólogo de confiança? Terceiro: parece inegável que a desigualdade mundial tem-se reduzido precisamente devido ao componente intra-grupos, ou seja, os pobres estão ficando mais ricos do que os ricos, ainda que mais desiguais entre eles próprios, cada um por si, que eu -desde que incorporei o sobrenome petrobrás- não me declaro pobre... Mr. (pronuncia-se mssiê) Lazar não parece ter visto a foto que adornou a postagem de hoje. Nem constata que é muito melhor ser migrante dos descendentes argelinos do que, digamos, o maranhense médio. E o lado alegre é que a maioria ainda acredita na eficácia da economia de mercado para gerar incentivos etc.. O que não deve ser levado a sério é a "economia socialista" de Berlim ou sabe-se lá daonde mais.

Estes seis números mantêm milhares de desdobramentos, que não terão continuidade...
DdAB
P.S.: a renda básica de R$ 500 nem precisaria começar a ser esgrimida para todos. Mas, no final das contas, se apenas 8 milhões são privilegiados no bolão dos 80 milhões, talvez nem precise preocupar-se com eles. Mete o dinheiro na mão do Calheiros, do Sarney, do Inocêncio, do Quércia, dos anões do orçamento, do Prisco Viana e de milhares de outros, os oito milhões de apaniguados. Nada que uma elevaçãozinha da alíquota do imposto de renda não resolva.

sábado, 20 de junho de 2009

Cordelino Brizolon & Juliana Brizola

Querido Diário:
Cordelino Brizolon é o nome que dei à ilustração acima, aparecida ao apelo de "brizolão". Fi-lo -o apelo- porque meu referente de hoje em Zero Herra é o artigo da neta do Doutor Leonel de Moura Brizola, numa elegia ao quinto ano de seu passamento, seu lá dele, que ela segue escrevendo e exercitando os gastos que lhe garantem os proventos da vereança. E, presumo, mais atividades, quem sou eu para julgar...

O artigo de Juliana Brizola, na p.20, intutula-se "Brizola, o pré-sal e a educação". Achei que poderia seguir minha ladaínha sobre a teoria da escolha pública e o despreparo dos governantes (inclusive, claro, vereadores e ex-prefeitos) para lidar com -você adivinhou- problemas de escolha pública. Eu mesmo, despreparado que me confesso na maior parte das confrontações que me antepõe a realidade realmente real, acabo de encomendar o livro de Jorge Vianna Monteiro, de 2007. Esse troço de governo já está esclarecido: devemos substituir o governo dos homens pela administração das coisas!

Prisões privatizadas? Claro que sim, como a educação e a saúde, a comunidade poderia lançar-se a um enclave neste árido setor das penas e réus. Cuidando para não haver lobbies obtendo autorização para a venda de sangue de presos aquiescentes, essas coisas das distopias brasileiras, com Inocêncio, Barbalho, Quércia, e por aí vai. Ainda não temos nenhum político do RGS na cadeia, mas o problema é mais das cadeias do que da honestidade. Como rezou o silogismo a ser discutido in proper place:
M: todo político é ladrão
m: todo ladrão é político
C: todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco.

Escolas privatizadas? Vejamos. Juliana, em seu terceiro parágrafo, diz que há uma questão (legado de Brizola: amor ao povo e à pátria) ocupando-lhe os pensamentos. Ter-se-ia ela inspirado em Leonel Brizola acrescentando os propagandeados pensamentos:

"[...] no auge do deslumbramento [claro que não dele, nem dela, mem -by the way-meu] com fórmulas neolibarais, meu avô já dizia que o cassino financeiro teria vida curta. Hoje vemos a maior participação do EStado e a consciência de que os gasto públicos devem ser direcionados à produção real."

Aí, seus pensamentos dirigem-se ao aproveitamento da capacidade empresarial do Estado ("e" maiúsculo) em administrar a cadeia petrolífera e melhorar a vida de quem de direito. Tudo em benefício da educação. Pois Petrobrás e educação não me pareceram rimar, quando comecei a sugerir que, ao invés de arvorar-se ao direito do monopólio da produção de petróleo (e sua distribuição), o governo deveria era ter aberto uma rede de distribuição de comida. Ok, admito que o preço que deveria ser cobrado de cada bóia-nula seria
.a. tomar um banho
.b. recitar uns números da tabuada (ou começar a estudá-los)
.c. dirigir-se a aulas de "empreendedorismo"
.d. e por aí vai.

Primeiro: a previsão de que a "ciranda financeira" iria acabar com a crise de 2008 já mostra sinais de enfraquecimento. Em 1929, houve uma ou outra retomada de expectativas otimistas e, em seguida, movimentos down the hill. Em 1947, os dados mundiais de PIB mostram que houve quedas substantivas na atividade econômica americana. Depois, queda caída mesmo, nem lembro se houve, parece que no máximo uma ou duas. Agora o PIB caiu/cairá. Jurei que não seria mais de 5%. Na verdade, andei jurando que o crescimento seria nulo. Claro que sabia estar exagerando, mas achei que -para contestar previsões de que haveria as quedas de 1000% de que falou Karl Marx- seria mais polido de minha parte falar em PIB = 100 em 2008 e outros 100 em 2009. Ou seja, os inspiradores de tal opinião de Leonel Brizola levaram-no a um erro grosseiro.

Segundo: em erro grosseiro também incide a nobre vereadora, que nunca recebeu café servido por mim... Seu erro é pensar que "[...] os gastos públicos devem ser direcionados à produção real." Ou melhor, parece óbvio, em certo sentido que o gasto público é real e não complexo (ou seja, um número conjugado com a raiz quadrada de -1, como certos circuitos elétricos). Talvez, tento salvar as aparências, ela estivesse referindo-se a gastos feitos pela ótica da despesa do valor adicionado, mas também incluindo gastos, digamos, do Banco Central com a compra de títulos ao setor privado, ou para amortizar a dívida pública, sei lá.

Caso não estejamos falando em estoques, mas em gastos no sentido do primeiro semestre da Fefupu - Faculdade do Ensino dos Fundamentos das Políticas Públicas, seguir-se-á logicamente que o governo pode gastar em canhões ou em manteiga. Faltou a ele, ela, ao diabo, aos ex-prefeitos, à Dra. Yeda, e pilhas e pilhas de outros neguinhos (epa, andou sobrando para nossa candidata, a Econ. Dilma Rousseff) o entendimento do primeiro teorema da contabilidade nacional: o valor adicionado é igual a 100% do valor adicionado. Ou seja, se simbolizarmos o valor adicionado por V, então o teorema garante que V = 100 x V / 100. Em outras palavras, qual é mesmo o sentido que o governo teria em criar uma empresa distribuidora de petróleo integrada verticalmente, pagar aos ascensoristas de sua sede na Av. Rio Branco do Rio de Janeiro o mesmo montante que andou pagando aos professores doutores ph.ds de suas universidades (aliás, qual o sentido em produzir educação e não apenas prover?)? Não seria o caso de deixarmos o petróleo em mãos de cidadãos exemplares como José Sarney, Inocêncio de Oliveira, Hildebrando Paschoal e outros e cobrarmos imposto de renda sobre os lucros não distribuídos, lançando-os ao orçamento da união e distribuindo-os aos municípios, a fim de cumprir preceitos de um orçamento universal que garanta ausência de
.a. barriga dágua a todas as crianças bem nascidas (ou seja, nascidas vivas)
.b. parto indecente às que iriam nascer mortas
.c. desnutrição das mães e da garotada (primeiro dê o peixe e, quando o neguinho puder, ensine-o a pescar!)
.d. desconhecimento da tabuada, manutençao do analfabetismo, arte, esporte, língua estrangeira etc.

O que a Sra. Juliana Brizola poderia fazer para homenagear seus avós materno e paterno (os quatro, inclusive as garotas) seria mesmo estudar rudimentos da teoria da escolha pública e passar a lutar pelo cumprimento da lei do orçamento e tentar nela inserir medidas menos sinuosas do que encher os ascensoristas de dinheiro, pensando que eles, in due time, vão gerar filhos que, in due time, vão defender preceitos de universalização do gasto público.
DdAB

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Yeda, Villela, Fogaça

Querido Diário:Dizia um professor da Faculdade de Economia da UFRGS, ao ouvir opiniões estarrecedoras de alunos desafetos: "Então, está tudo esclarecido". Ao ler o artigo do economista e ex-prefeito de Porto Alegre, Econ. Guilherme Socias Villela, sobre a Gov. Econ. Yeda Rorato Crusius, na p.21 da ZH de 18/jun/2009, pensei c'amigo: "Então, está tudo esclarecido!" Ele, Guilherme, acompanhado no clichê acima do Pref. José Fogaça, começou seu artigo intitulado "Yeda-crônica para um governo", com os dois segintes parágrafos:
.a. "Dizem que o governo de Yeda Crusius é um governo de crises políticas."
.b. "E é."

E depois, novo parágrafo: "Dizem que [n] o governo Yeda quer impor projetos tais como o da meritocracia nas carreiras públicas e as PPPs para as penitenciárias." Novo parágrafo: "Pois, nisso, aqui, com seriedade, há que se exigir uma análise menos linear. Mais profunda."

Neste caso, já contamos com dois elementos importantes para a avaliação do conteúdo econômico da crônica. Primeiro, o parágrafo "E é!" encontra-se entre os menores já escritos pela humanidade. Eu mesmo já andei escrevendo um menor: "É." Mas vírgula, vírgula o paragráfo da seriedade é mais virgulado do que a média dos virguladores, desde Euclides da Cunha, se bem lembro. Na planilha Excel que uso rotineiramente, depois de contar 15 palavras e quatro vírgulas, arredondei para 0,25 o número de vírgulas por palavra. Um menino de rua do tempo de Villela prefeito que tornou-se juiz de direito disse-me: "Ainda bem que Sua Sumidade não escreveu a segunda sentença do parágrafo como rezaria algum atrevido: '+ pro Y".", dando a entender estar escrevendo uma carta enigmática em que a letra "y" do novo alfabeto da língua portuguesa desempenharia o papel de "funda".

Por exemplo, a função y = tan x não é linear e profundíssima, como quer o colega, pois varia profundamente por todo o conjunto dos números reais. Mas sua gabolice, da função tangente, iguala-se à da linha reta y = x, que também é profunda, ainda que linear. Não vejo a razão da gabolice da tangente em ser tangente, desprezando a profundidade alcançável pela (análise) linear.

Chegamos ao mundo encantado da economia política. Reconstituo-lhe a seguinte frase, a comentar: "[...] o [... segmento] executivo [do governo do Rio Grande do Sul] pôs a correr projetos de grande multiplicação de empregos e de negócios [...]." Aí, heu pensei: será que o colega Villela sabe o que é matriz de contabilidade social, coisa que vim a aprender ao longo de anos de sofrimento e abnegação ao estudo? Nem, ainda que mais árido, tenha lido a postagem que fiz aqui há tempos provando matematicamente que emprego pouco ou nada tem a ver com distribuição do valor adicionado. E que o valor adicionado resulta da produção. E que a produção resulta do emprego. E que cada vez produz-se mais com o mesmo volume de emprego e até também mais com menos emprego. Mas principalmente que suponho que ele ganhe renda sem trabalhar (nada falo sobre o passado, mas sobre sua presumível condição de cidadão sênior, id est, aposentado). Nem tangentes nem senoidais indicariam que esta análise em que ele incidiu é "linear", not to speak of deepness, atributos das tangentes, alheio -em boa medida- da função seno, ainda que senóides, acopladas a funções profundas, como a tangente e a reta, possam -et pour cause- aprofundarem-se.

Esse troço de mandar a Ford embora é uma das questões mais interessantes para uma monografia de graduação em história econômica. E as razões que levaram o Lic. Olívio Dutra a presidir um governo municipal que fechou os brizolões daria, claro, uma tese de doutorado. Não no sentido de explicar-lhe a miopia e obstinação, mas de provar que quem fecha brizolão também aparelha a administração pública com detentores de cargos em comissão e ajeita o mundo para a burocracia agatunada tomar conta do partido que ele hoje, por puro acaso, preside.

Bem, sigamos com Villela's letter: "[...] Yeda está tentando mudar o Estado [...]" E agora vem bucha: "Ora, todas as mudanças são sempre acompanhadas de reações. (É algo hegeliano ou marxista, como quiserem.) [sic]." Pensei: "mudança sempre provoca reação? qual foi mesmo a reação do estudante que Rodrigo Cardoso da Silva, 27 anos, assassinou? e, por sinal, assassinou mesmo ou é apenas, como diz a p.49 da mesma Zero Herra do artigo de Villela, "[s]uspeito do assassinato, ele foi preso na tarde de terça-feira." Afinal, pensei: a Ford foi-se por causa do stalinismo ou vice-versa? Os ladrões encastelaram-se nos cargos públicos desde que o Marechal Humberto de Alencar Castello Branco assumiu a presidência da república, ou antes dele? E segui com indagações lineares (com o coeficiente angular diferente de zero), mas rasas, sob o ponto de vista da metáfora. Por fim, lembrei-me da Profa. Beatriz de Nonoai, ou foi o Prof. Hélio Riograndense?, que ensinou-nos as "leis de Newton". Uma delas é chamada popularmente, entre os meninos de rua que entrevistei especialmente para esta postagem, de "lei da ação e reação", o que não seria diretamente, pelo menos, nem hegueliano nem marquicista. Ou seja, o articulista deu-me o direito de querer Hegel ou Marx. Não apenas prefiro ambos, ou -diria a governadora- sou indiferente entre eles (Castello, Costa, Célio Marques Fernandes, Telmo Thompson Flores, Guilherme Socias Villella e todos os demais prefeitos nomeados dos agora 5.000 municípios brasileiros). Mais que isto, coloquei na mesma curva de indiferença (não-linear) o Mr. Itzaak Nilton. E colocaria mais gente, caso sobrassem sempre preconceitos toscos costurados dos dois lados.

Adelante, como teria dito Brancaleone: "[...] Brito tentou modernizar a economia e a administração pública." Pensei, claro e imediatamente, em Eliseo Padilha, acusado -conforme notícia de antanho de ZH- de afanar merendas escolares em Sapiranga (ou outro ponta-direita) e, também ouvi, pode ser fofoca, dono das empresas de pedágio (conservação de estradas), estas que têm o maior lucro por unidade de faturamento. Concessões de Brito? Méritos do empresário dos dois mundos (mundo business e mundo politics)?

Passo a concluir. Ontem, falara da privatização das prisões. Dizia que a sociedade se articula por meio de três organizações: comunidade, mercado e estado (que prefiro, diferentemente de Hegel e aquela história de encarnação do espírito puro, grafar sem capitals). O que eu não disse, por tê-lo feito em outras postagens, é que cada uma destas insntâncias organizativas pode funcionar bem ou mal par elle même, e -bem ou mal- associar-se a uma ou outra das demais para privilegiar privilégios, como o imposto de renda de 27,5% que a igualdade legal impõe a Yeda Pereira, Bobby Nelson (o menino de rua da 'lei de Newton'), Casagrande Padilha, Lúcia Camini, e por aí vai. Por exemplo, o tráfico de drogas permitiu uma desagradabilíssima aliança entre o assassino presumido acima, seus fornecedores de crack, sua vítima estudantil, o grau de eficiência com que o sistema judiciário Brazilian está operando: ou seja, mercado e estado. E há exemplos de alianças espúrias entre as demais combinações, o mesmo podendo-se dizer de alianças virtuosas.

Ou melhor: a conclusão vem agora. Não é porque Tarso não quer ou que Villela quer que devemos tornar os presídios, a exemplo da saúde e da educação, mais acolherados com iniciativs comunitárias. Claro que agentes econômicos do porte de um Eliseo Padilha, Inocêncio de Oliveira, Supermercados Paraguay, Automóveis Belíndia, e por aí vai, deveriam ser distanciados de iniciativas que viabilizam excesso de intimidade entre, digamos o mercado e o estado. Let's not forget: não endeusemos absolutamente (tangencial e profundamente) as comunidades, que -sabemos desde ontem- também praticam falhas estruturais, como o linchamento.
DdAB

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Genro do Carandiru

Querido Blog:
Não me declaro mórbido, apenas que o mar é que não está para peixe. Esta foto veio do Google-Images, quando pedi "o genro do carandiru", precisamente o título desta postagem. Motiva-a a declaração que ouvi há dias de que o Ministro da Justiça, o Mr. Tarso Genro, declarou-se "radicalmente contrário" à privatização dos presídios. Eu queria ter respondido. Em seguida, vi o jornalista Humberto Trezzi, na p.4 da you-know-what.
Trezzi concede um ponto a Tarso para, em seguida, clamar o que segue: "É mais do que hora de o Rio Grande testar essa opção.", nomeadamente, da privatização. E que diz a favor do tresloucado ministro? Diz: "Ele argumenta - com boa dose de razão - que o custo de cada preso será muito maior e que a missão de guarnecer presidiários é muito estratégica para ser delegada pelo Estado a terceiros."
Aqui mora o perigo, meu chapa. tanto erro de Trezzi que devemos considerar que ele e Tarso encontram-se mesmo do mesmo lado, tiveram o mesmo tipo de formação, digamos, intelectual. Há muitos anos que eu, com a educação intelectual de que desfrutava e, parece, até amplou-se nos últimos 5min ("nunca fui tão sábio quanto agora"), problematizei a questão das privatizações e cheguei à conclusão que elas poderiam impedir carandirus, como o da efígie do sistema judiciário brasileiro que selecionei para ilustrar esta postagem. Tributos, também, por que não privatizar, como sugeriu-me Alexandre Barros há 20 anos? Na hora, achei que era a cerveja quente que me alterava a audição. Depois achei que a idéia era quente e a audição que se ajustasse à vida neutra com relação à cerveja.
Muito antes de eu ter lido o magistral livro de microeconomia de Samuel Bowles, caiu-me a ficha que "carandiru nunca mais" vai ocorrer -ou, como é o caso, não ocorrer- apenas com uma modificação radical na forma de Tarso e Trezzi pensarem o problema da escolha pública no Brasil. Presumo que nenhum deles terá arautos, digamos, do porte de Bowles, para transmitir-lhes alguns conceitos da economia política moderna.
O primeiro ponto a ser levantado é que a sociedade se expressa por meio de três tipos de organizações: comunidade, mercado e estado. Talvez sua existência tenha ocorrido precisamente nesta ordem: a comunidade primitiva permitiu a companhia de estranhos, o food sharing e daí a troca e, de imediato, o Banco Central Mundial. Ou seja, gastaram-se mais de um milhão de anos para o food sharing e apenas poucos séculos para o banco central, regulador da vida sanguínea das economias monetárias.
O segundo ponto: o mercado tem falhas: market failures, o estado tem falhas, government failures e a comunidade tem falhas, community failures, se meu inglês não redunda em obviedades... Market failure: o mercado é incapaz de gerar segurança pública, government failure: o governo -desde que a Profa. Yeda Rorato Crusius fugiu da escola sem os rudimentos da teoria da escolha pública de Tollisson, Tullock e Temperani- é suscetível à influência de grupos de interesses, por exemplo, os traficantes de drogas que contratam ex-ministros do sistema judiciário para defendê-los frente aos ... juízes do próprio governo. Em compensação, a comunidade falha também: linchamentos, congestionamentos de tráfego, mercado negro, e por aí vai.
Segundo-bis: o artigo dele falava em "taxes, tariffs and theft". Demorei a entender, mas entendi. Ladrão causa apenas redistribuição, como os impostos e as tarifas alfandegárias, se meu inglês me permite deixar claro meu português. E por falar em mercado negro, é evidente que sua existência não é falha de mercado, mas falha de comunidade ou de governo, como sugeri há tempos, sinuosameante, ao sustentar (sem trocadilho) que a lei da oferta e procura é mais atraente (eu disse "sem trocadilho") do que a lei da gravidade.
Terceiro: voltemos ao ponto de Tarso Genro, como expõe Trezzi. "A missão de guarnecer presidiários não pode ser delegada nem ao mercado nem à comunidade." Epa, nenhum deles disse isto, pois não parecem compartilhar com a Profa. Yeda da danada da loucura. Mas parece que podemos dizer que eles diriam! Só um stalinista (era trotesquista?) poderia pensar que são os governantes os únicos agentes sociais capazes de lidar com missões estratégicas.
Quarto: "o custo de cada preso será muito maior" com privada do que sem privada, um troço destes. Claro que aqui é que falta realmente competência a ambos os três (Yeda incluída) para tratar de temas econômicos. Como é que alguém que não estuda economia política poderia entender o que são custos de transação? (Era só ler o que segue: custo de usar o mercado, por exemplo, cuidando para não comprar bergamota podre, nem vender aguardente por preço da água da vida eterna...) E que os custos de transação podem até baratear a mercadoria, como provam certos teoremas da função de custos: é mais barato -in some cases- produzir em dois estabelecimentos do que apenas em um. Por exemplo, pão e queijo: padarias e queijarias... No caso, deter um preso de alta periculosidade no galinheiro (reformado) que poderia abrigar alguns, a critério de pequenos empresários não valeria a pena, mas o simétrico tampouco. Para que ter prisão de alta segurança para ladrões circunstanciais, que apenas uma noite ou duas no xilindró seriam consideradas eficientes para repor os réprobos no rumo da virtude.
Quinto: a produtividade, sob a égide dos incentivos brought about pelo mercado, deve crescer mais do que a produtividade da prisão gerida pelo governo. Nem poderia deixar de ser diferente, governos não estão aí para maximizar lucros, coisa que é função precípua da empresa privada, digamos, decente. E maximizar lucro não é defeito, é virtude. O que é defeito, se é o caso relembrar, é que não há impostos sobre lucros distribuídos in Brazil, exceto, claro, traficantes de droga, que lavam seu dinheirinho com a alíquotinha de 27,5%. Pode?
Ou seja, a prisão privatizada seria:
.a. mais barata
.b. gerida mais eficazmente
.c. destruiria o emprego, ou seja, impediria que a sociedade jogasse para cuidar de presos uma fração significativa de seus filhos diletos, relegando esta função ao capital, ou seja, portas de ferro, trancas de madeira, tudo em seus conformes.
Resumo: Tarso só pode ser louco. Trezzi só pode estar mal informado. Os assessores de ambos só podem ser incompetentes.
Abraços

DdAB
P.S. Em 5/jan/2016, fiz o comentário endereçado ao prof. Sabino. E, no processo, escrevi o que segue no Facebook, encaminhando para esta postagem do blog:

Leio a opinião de muita gente de respeito sobre a tragédia penitenciária de Manaus, responsabilizando a empresa que administra o sistema, como se provisão pública pudesse confundir-se com produção privada. Para mim, a tragédia brasileira é essencialmente devida à incompetência do governo, no caso, incapaz de fiscalizar suas concessões ao setor privado. Incapaz ou subornado para tudo aceitar.
Claro que esta prática de conceder e não fiscalizar dissemina-se por todos os setores delegados, como a telefonia, as estradas e a energia elétrica. Na linha da modelagem que inspira minhas atuais leituras, não vejo mal intrínseco nas concessões, nem mesmo na privatização (tenho no blog ideias a respeito, mas não quero falar nisto agora, pois estou endereçando meu benévolo leitor a outra postagem). Por outro lado, não sei se faz algum sentido em pensar em começar a mudar o Brasil (como já se faz desde FHC) por meio da redução do tamanho do setor público.
Todo mundo fala em educação. Eu volta e meia falo em justiça, no sistema judiciário, do policial ao juiz milionário. Há pouco tempo, comecei a pensar que a centralidade poderia estar na formação de uma rede de esgotos (um subsetor dentro dos serviços industriais de utilidade pública). Sabe-se lá.
Na postagem que endereço daqui a meu blog, falo -post factum- da tragédia do Carandiru. Mas deixo claro o que entendo como tendo causado verdadeiramente o problema. Insisto no ponto mais geral:
As três principais formas que a sociedade inventou para agregar suas preferências são o mercado, o estado e a comunidade propriamente. E a tragédia da vida societária humana é que todas elas têm falhas. E vim a entender que uma sociedade decente tem por base uma combinação adequada dessas três instituições. Por exemplo, muito estado oprime o cidadão, muito mercado explora o cidadão e muita comunidade emascula o cidadão.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Meninos de Rua, Pais sem Renda Básica

Querido Diário:

Houve por bem transcrever para cá nova postagem do Prof. Ellahe, tentando responder ponto a ponto, fazendo, de lambugem, alguns cálculos. O tema, diz o marcador, diz Ellahe, é a renda básica universal. Pedi ao Sr. Google para buscar imagens de "pão e rosas". Se bem lembro, esta foi a legenda de um movimento de trabalhadores americanos, requerendo o direito à vida e à liberdade. Mais literalmente: pão = trabalho e rosas = ócio (ou lazer).
O Prof. Ellahe (4 de Junho de 2009 14:27):
Sob estímulo dos espaços livres para comentários que tem caracterizado suas últimas (digo, mais recentes) blogagens, atrevo-me a voltar à sua presença portando o fardo das (muitas) dúvidas que assolam alguém que, como eu, assume decididamente a postura de aprendiz diante de seus escritos. Por hoje, são duas:
a) não consegui explicar a uma aluna sua idéia de um estipêndio mínimo(renda? provento? seguro?) para cada membro (adulto) da comunidade humana mundial, a ser financiado por 5% do PIB de todos e cada um dos países ... a "bolada" toda seria dividida igualmente entre todos os viventes do planeta? a gente aqui ganharia uma ajudazinha mensal de valor igual à de um cidadão de outro país cujos 5% representem, em termos absolutos, dez vezes mais do que a contribuição do nosso (Brasil) para esse sistema mundial de "bolsa -indivíduo"? Foi-me perguntado se isso não seria a reedição daquela utopia dezenoveana: "de cada um segundo sua capacidade; a cada um segundo sua necessidade" - supondo necessidades mínimas iguais, claro. Mas - ponto crucial - caso aceita e desejada por todos, a sua concetização não daria muito problema operacional, como o Bolsa-família tem dado, vez por outra, aqui e acolá ... imagina isso em escala mundial! Imagina na India (lá tem gente pra caramba!) ou, como dizem os Cassetas: imagina ma Jamaica!
Respondo:
Sim, a bolada, isto é, a renda mundial (ou seja, o dinheiro emitido pelo futuro Banco Central Mundial) será dividida entre todos. Quem são "todos"? Qual a "bolada"? Quem é o Banco Central Mundial?
.a.1 O banco central é o banco dos bancos, o que já evitou milhares de crises de liquidez e vidas, pois o linchamento de banqueiros americanos, em particular, já deu o que falar em milhares de filmes de faroeste.
.a.2. Quem são todos? Precisamos definir com cuidado para permitir que a renda básica universal seja instrumento de controle (mais gente ou menos gente, dependendo das condições de carregamento do planeta, ou seja, da tecnologia). Ou seja, não faz sentido, em época de combater a explosão demográfica, pagar, por exemplo, para bebezinhos, o que incentivaria mães irresponsáveis a terem milhares de filhos não tanto motivada pela doação de amor materno, mas pelo recebimento dos estipêndios dos rebentos.
.a.3. Qual é a bolada? Apenas para ilustrar, o PIB per capita do Brasil é, corrigido pela paridadedo poder de compra, cerca de US$ 8.000. O PIB mundial é, digamos, de US$ 40 trilhões, passível de divisão por 6,6 bilhões de humanos, digamos que apenas 4 bilhões de adultos. Neste caso, o PIB per capita do adulto que cresceu em Gaia é de (preciso do Excel para dividir estes números escandalosamente grandes) US$ 10 mil. Epa, até maior do que a estimativa que fiz para o Brasil. Fora a taxa Tobin, os 5% significam US $ 500 per capita, inclusive o Sr. Gorbachov, a Sra. Hilary Clinton, os herdeiros (maiores de idade) de Jerry Lewis, José da Silva (cidadão sem compromisso), e por aí vai. Isto é mais do que "a dollar a day", a legenda de combate à pobreza. Este valor poderia ser aumentado. Por exemplo, os indivíduos que recebem mais do que, digamos, US$ 100 por dia poderiam ser liminarmente excluídos do programa. Ou isto ou ambos: convidados a doarem ainda mais US$ 1 por dia pare benefício público. Em segundo lugar, ele pode ser incrementado com a elevação da participação da taxa no PIB mundial, por que não 10% dentro de 50 anos e 49% dentro de mais 250 anos? Mais ainda, a taxa tobin poderia ainda aproveitar a expansão mais ou menos inevitável do cassino financeiro internacional. Por fim, se o Banco Central Mundial agir realmente como banqueiro planetário, haverá lucros sistêmicos carreados ao racionador do crédito, lucros estes que poderão ser transferidos aos donos do planeta. Já estou calculando mais de R$ 500 reais por mês, o que é o que os loucos e criminosos chamam de valor do salário minimo legal brasileiro.
O Prof. Ellahe:
b) a mesma angústia me assola, porém em dose dobrada, no tocante à questão dos direitos autorais. Acontece que estou bastante inclinada a escrever obra autobiográfica, a ser publicada por uma editora alternativa. Já prevejo que será reapropriada e reeleborada sob a forma de roteiro para filme, peça de teatro (o Sr. sabe, hoje em dia vai-se muito rápido do divã aos palcos) e mesmo como inspiração para outras trajetórias individuais - modalidade que, a meu ver, já configuraria plágio. Então, pergunto: onde (e como) poderia eu cobrar a fração correspondente à minha obra sobre os 0,001% do PIB mundial (destinados a esse fundo específico)? Teria que recorrer a algum desses "economistas inuspeitos" que a que o Sr. se refere?
Respondo:
Teria e eu myself, por módicos estipêndios poderia encarregar-me oficialmente de fazer a cobrança. Naturalmente, quem de direito seria o Banco Central Mundial. Mas mais sério do que este problema estritamente contábil é a possibilidade concreta de que a biografia do renomado professor já tenha caído mesmo no gosto popular, por ter sido cantada em literatura de cordel.
O Prof. Ellahe:
c) Por fim, minha maior dificuldade é - confesso - entender essa idéia de que se "usasse mais eficientemente, mais ganharia na forma de lucros". Não me soa a utopia e, sim, a pragmatismo. Me parece contraditório. E sem comprovaçào empírica: por vezes, a gente usa com a maior eficiência e pouco lucra.
Respondo:
Admito que há uso eficiente de recursos que não geram lucros. Simplesmente a ausência de lucro deve-se ao fato de que não estaremos falando de relações mercantis. Eu, por exemplo, nada lucro, embora o faça com exação, ao cortar-me as próprias unhas, ou recitar poemas de Cecília Meirelles, como aqui apareceu com autoria trocada há dias, ela que me acompanhou há uns quatro anos, quando visitei Ouro Preto e aquelas ambientações modernas. Fi-lo, se não fujo do assunto, acompanhado dos dois discos de Milton Nascimento: Gerais e Minas. Se fugi, volto anyway: existe, nas economias monetárias, um sistema de incentivos que é o mais -ele próprio- mais eficiente, quando falamos destas coisas: concorrência, buscar diferenciais nas taxas de lucros, inovar, cavar a própria cova, pois produtividade alta é preço baixo e, como tal, lucro baixo. São estas contradições que caracterizam as condições normais de temperatura e pressão. Caso o Universo permaneça com o epíteto de "conhecido", estas coisas permanecerão intocadas: concorrência e cooperação. Concorrência e monopólio. Leis mais sentidas do que a própria atração gravitacional. Haja vista que menos aviões estatelam-se sobre estádios de futebol do que o fazem, not to speak of parachutes...
O Prof. Ellahe:
Perdoe, Prof., se me alongo, mas a aluna que tenho a meu lado é impertinente (como costumam ser os alunos inteligentes) e constantemente me cobra respostas.
Respondo:
Entristece-me dizer que alunos inteligentes jamais receberão todas as respostas de quem quer que seja, muito menos deles themselves. Ainda assim, apenas perguntas inteligentes é que receberão respostas criativas, pelo menos foi isto o que li num papel de picolé.
Abraços do sempre
DdAB

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Oligopsônio e pessimismo

Querido Diário:Costumo dizer que leio um jornal e uma revista religiosamente toda semana para contornar minha inclinação a odiar o mundo. Como sabemos, em meu site, registrei três fatores indutores do ódio à humanidade: fazer ginástica, fazer dieta e estudar. No caso do ódio ao mundo, basta ler Zero Herra e perceber que a vida não é fácil, embora seja melhor ter vida do que invertida, sei lá. Carta Capital, minha revistinha semanal, tampouco deixa-me espaço para acreditar no jornalismo.

Epa, já melhorou: uma coisa é desacreditar da humanidade e outra é desconfiar do jornalismo. Há menos consequencias danosas no último caso. Fruto de mentes humanas, como a própria natureza humana é mais mutável do que biruta, podemos pensar que o jornalismo mudará com os ventos da cultura, da exação, do estudo e da formalização. Programas de inteligência artificial, em futuro discernivel, vão permitir-nos saber o que bem entendemos sobre o que bem entendemos no momento em que bem entendermos.

Como tal, somos forçados a admitir que a manchete de Zero Hora em seu Caderno Rural ("Campo e Lavoura") de hoje, nomeadamente, "Inquetação nos Aviários". Pensei inicialmente numa invasão de raposas, ou -o que dá praticamente no mesmo- de políticos. Depois, vim a entender na submanchete: "Produtores gaúchos estão preocupados com a fusão entre Sadia e Perdigão". Penso no pessimismo, penso no "jornalismo baseado em evidência". Claro que, no futuro, este tipo de afirmação estará, primeiro, amenizado: "Nossa amostra não permite rejeitar a hipótese de que a maioria dos produtores gaúchos está preocupada etc..". Segundo: penso que a máxima "bad news is good news" é sinedoquista, mas além disto, está sendo excessivamente levada a sério. Finalmente, precisaríamos também investigar a legitimidade das preocupações da fração da amostra de produtores selecionada expressando-se sobre a fusão.

Neste caso, o jornalismo econômico legítimo leva-nos a indagar como é que os produtores chegaram à conclusão de que podem ser prejudicados. Saberão eles o que é um oligopsônio? E que significa crescimento empresarial? E que nem sempre vale a pena explorar o vendedor da matéria prima, pois ele pode -in due time- mudar de ramo. Será que o jornalista econômico, no caso, a dupla Leandro Belles e Sâmia Frantz, sabe que o preço em concorrência situa-se no nível do custo marginal, o que expulsa todo mundo do negócio? Será que eles, em sabendo isto, saberão que a Sadia-Perdigão também sabe? Só sei que nada sei...
DdAB

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Royalties

Querido Diário:Ontem foi dia concorridíssimo. Escrevi a Moacyr Scliar e recebi vibrante resposta.

Hoje, acabo de enviar o que segue a José Pedro Goulart, por seu artigo evocativo de "direitos autorais" e a dificuldade de pagá-los no mundo da Internet. Lá vai:
querido Zé Pedro:
gostei também da crônica de hoje. por regra de três, entendo de arte menos do que entenderás de economia. ainda assim, achei oportuno falar nas duas coisas, comentando tuas idéias.

.1. creio que o grande sinecurista dos direitos autorais é Hugh Grant (filme colorido...) em "Grande Garoto". a idéia é interessante, ainda assim, há aprendizado para os "negócios", no sentido original de "negar o ócio". Hugh (or whatever) dividia sua jornada em bits de15min, precisamente para não ficar parado. a forma física lá dele, a personagem, tampouco levaria a pensar na "tv com batatinhas de pacote" o dia inteiro. mas há outros; sempre me imaginei como herdeiro de Luiz Fernando Veríssimo ou Paulo Coelho, para não falar em estrangeiros, mesmo cientistas importantes, que se divulgadores de idéias deles próprios e de outros, como Richard Dawkins, Roger Penrose e dezenas de outros.

.2. David Ricardo dizia que a "economia política" é a ciência que estuda as leis que regem a distribuição da renda entre as diferentes classes sociais (para ele, tratava-se de trabalhadores, rentistas e capitalistas). hoje entendo que "a luta de classes deve ser substituída pela luta entre instituições", numas elipses que criei com relação a algumas tecnicalidades envolvidas na chamada matriz de contabilidade social. quero dizer: nas sociedades civilizadas, o mercado de trabalho cada vez perde mais importância na distribuição da renda. por exemplo, não apenas posso transferir um dinheirinho todo fim-de-mês a uma tia carente, como eu próprio recebo "proventos da aposentadoria" do govenro, outros recebem "seguro desemprego" e ainda outros recebem "bolsa família", e por aí vai.

.3. Joseph Alois Schumpter dizia que cabem "spectacular prizes" ao empresário inovador, a sociedade devendo garantir-lhe o direito de uso exclusivo de sua invenção por um prazo razoável. ele mesmo sabia que o direito de patente deve ser concedido por um período nem curto nem longo. hoje, já um padrão universal de 15 anos. ou seja, nada me impede de reproduzir o mecanismo de uma câmera digital, ou o que seja, depois de 15 anos. mesmo o pagamento de royalties durante a vigência da patente não pode ser extorsivo, sendo que já houve decisões da justiça americana para limitar o poder de monopólio do "monopolista da inovação'.

.4. livros, pelo que sei, têm garantia de direitos autorais por 60 anos. desenhos de relógios cartiers terão lá mais do que os 15 anos a que referi. dizem que os japoneses patentearam o DNA (ou o que seja) de uma espécie de planta da Amazônia. onde estará o limite?

.5. minha sugestão é muito simples e análoga ao que defendo (com milhares de outros) sobre a renda básica universal. sobre esta, entendo que qualquer cidadão terráqueo, ao completar, digamos 24 anos (o início da vida adulta, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho) deva ganhar um estipêndio pago por um fundo internacional que venho chamando de "Brigada Ambiental Mundial" (financiado com 5% do PIB de todos os países do mundo e complementado pelo chamado Imposto de Tobin, uma fração das transações financeiras internacionais).

.6. os direitos autorais poderiam ter o mesmo tratamento: a comunidade internacional destina uma fração do PIB, digamos 1% ou 0,001%, sabe-se lá, e o divide com base em critérios objetivos, como a estimativa (por economistas insuspeitos) da amplitude do uso da obra que estará sendo divulgada gratuitamente. o "spectacular prize" schumpeteriano não surgiria precisamente na área do desenho, mas da produção: quem usasse mais eficientemente mais ganharia na forma de lucros (e não na de renda-do-rentista ricardiano).

abraços
DdAB

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mercados pré-colombianos e Henrique Meirelles

Querido Diário:
Olha bem esta gravura que baixei do jeito que melhor posso.
Retirei-a de:
http://www.planetaeducacao.com.br/novo/imagens/artigos/historia/AHistoriadoMilho03.jpg.

Quero ilustrar uma postagem relativamente longa em que desejo deixar claro:
.a. há gente, como o cronista Nouriel Roubini, aquerenciado com a revista Carta Capital, ela própria uma pobre de espírito, que é pobre de espírito e ganha dinheiro com isto, tornando-se rico de matéria...
.b. há gente, como o presidente do Banco Central do Brasil, o Mr. Henrique Meirelles que, a meu ver, serve o FMI servindo o Brasil. e tem a mesma frieza que seu grande ídolo Alan Greenspan, cuja leitura da biografia deveria ser obrigatória para os sindicalistas brasileiros, todos -sem exceção- agatunados!

Vamos a Roubini. Tenho dito que ele é um catastrofista, que achou que o PIB americano e mundial iriam cair em 1.000% (como sugeriu Marx ou Engels, tirando farinha com o Citizen Weston, ou sei lá com quem). Na p. 63 da Carta Capital de 3/jun/2009, Roubini, que foi festejadíssimo por estes dias in Brazil, diz

"Embora haja alguma melhora, ou seja, o ritmo de contração foi reduzido, os indicadores também sugerem que o mundo permanece imerso em uma recessão séria, profunda e prolongada, no formato de U. Em que pese o fato de a perspectiva global para os setores industrial e de serviços ainda ser consistente com uma queda significativa do PIB, o ritmo da contração começou a perder o fôlego no fim do primeiro trimestre mesmo na Europa e no Japão, que estão atrasados em relação ao Estadus Unidos e à China."

Como não domino amplamente a língua portuguesa, não estou seguro de que quem esteja falando seja mesmo Roubini ou, já que estamos no mesmo parágrafo, "muitos analistas". O "embora" que transcrevi, e daí por diante, parecem -digamos- de otimismo contido. Eu diria "otimismo contrafeito". Ele jurou que tudo iria cair 1.000%. Se não cair, ele está numa roubada, ou vai dizer que os "muitos analistas" estavam enganados e ele revisou suas estimativas antes deles.

Que disse eu, leitor de Zero Hora e Carta Capital e ouvinte atento de conversações mantidas nos ônibus que gravitam em torno de alguns centros metropolitamos, ou não é bem isto... Terei dito que o caos não virá, que nunca mais teremos quedas como a de 1929. Que situações isoladas de quedas estúpidas, como a argentina de uns cinco anos atrás tinham a ver muito mais com a guerra civil civilizada (que jogou milhares de neguinhos irrecuperavelmente na rua, id est, nas ruas de Buenos Aires) do que com o prenúncio da quebra mundial que, digamos, Roubini já estaria prevendo.

Todos previam a queda, todos previam que o pior sobreviria. Todos sabiam, exceto os piores cegos, que tudo iria e viria. E que tudo voltaria ao normal. Todos sabemos do descolamento praticamente absoluto entre os mercados reais e monetários e os de ativos. Dizque, agora, a Bolsa de Valores de Sampa já ganhou 40% este ano. E o PIB do Brasil terá alguma queda. Descolaram-se os preços dos ativos tangíveis, ou seja, a quantidade monetária do capital físico das empresas e o valor das ações. Por exemplo, uma fábrica da coca-cola deve ser avaliada pelos tijolos, filtros de água, depósitos de corantes, e por aí vai. As ações da coca-cola devem considerar os xaropes, os bebedouros dos motoristas, sei lá, e, claro, a marca mundial. Se a marca cai em desuso, o que acontece com o bebedouro? Segue pingando o mesmo fluxo de água. Nada muda, mas muda o valor das ações. Um troço destes.

E o Dr. Meirelles? Altaneiro, posou, na coluna social de ZH, ao lado da também promissora economista, a Ms Yeda Roratto Crusius, governadora do Rio Grande do Sul. Só mesmo acabando com os estados, como queremos nós, os sabidíssimos.

Na p.28, temos:
02 de junho de 2009 | N° 15988AlertaVoltar para a edição de hoje
MERCADO: Crescimento do Brasil será robusto em 2010, diz Meirelles
Em visita à Capital, presidente do BC alertou para o excesso de euforia.

Nos dois eventos públicos dos quais participou ontem em Porto Alegre, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, transmitiu uma mensagem otimista sobre a trajetória da economia brasileira nos próximos meses. Mas alertou para os riscos da euforia que acredita estar dominando o mercado de ações.

Na Federasul, onde fez palestra para empresários, durante almoço, Meirelles contou uma história bem-humorada sobre as reações às declarações cautelosas que vem fazendo sobre a valorização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), com mais de 40% de alta acumulada no ano:

– Esses dias, um jornalista me disse estranhar muito que, no auge da crise, eu dizia que estava tudo bem, que não havia razões para pânico. Agora, que a bolsa está em alta e que o dólar cai, fico recomendando cuidado com os excessos. Mas essa é a função do presidente do BC: acautelar a todos para evitar que ações de curto prazo comprometam o equilíbrio macroeconômico de médio e longo prazos.

A pedido do presidente do BC, não houve perguntas da plateia, composta basicamente por empresários e executivos de instituições financeiras. Segundo Meirelles, não há dúvidas de que o mundo atravessa a maior crise desde os anos 1930, com perdas de US$ 28 trilhões nas bolsas desde outubro, queda de 11% no comércio mundial e projeção de retração de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) global este ano.

– Números negativos virão – afirmou Meirelles, ao se referir aos resultados do PIB brasileiro no primeiro trimestre a serem divulgados nos próximos dias. – Isso vai criar oscilações de humor no mercado – antecipou.

Em agosto, o BC deverá divulgar uma nova revisão sobre o desempenho da economia brasileira deste ano. Mas ontem, Meirelles afirmou que, em 2010, o crescimento do PIB nacional será “robusto e sustentado”.

Sem referência ao futuro das taxas, o presidente do BC abordou o tema dos altos juros brasileiros. Apesar da gravidade dos problemas que o mundo enfrenta, Meirelles avalia que a economia brasileira nunca esteve em tão boas condições, o que permite ao governo baixar os juros, mesmo num contexto de crise. Disse também que são os menores patamares reais da história recente do país, facilitando ao BC combater a ameaça de queda mais forte da atividade econômica.

À noite, Meirelles participou, em Porto Alegre, da posse de Mathias Renner na Associação e no Sindicato dos Bancos do Estado. Renner sucede no cargo ao presidente do Banrisul, Fernando Lemos.

– Durante muito tempo, diziam que o Brasil estava apenas surfando a onda global. Agora temos a maior crise desde 1929 e o Brasil está bem, segundo avaliações internacionais. O país é a destinação favorita de investimentos em máquinas, equipamentos e também ações – disse Meirelles na solenidade, em que foi homenageado.

Primeiro: foi o Prof. Enéas de Souza que disse que o economista é uma espécie de psicanalista da sociedade: acusa a futura crise, durante o otimismo e acusa a luz no final-do-túnel durante a depressão. Ele próprio entusiasmou-se com esta interpretação que passou a fazê-las mais amiudadamente num consultório de psicanálise o.s.l.t.

Segundo: foram-se US$ 28 trilhões e queda de 11% no comércio mundial. Claro, isto não é desprezível, mas não é a queda do PIB industrial americano em 33%, ou é? Prevê ele e seus eles de "Meirelles" que o PIB mundial cairá 1,3% neste mavioso 2009. Eu previ, só para contrariar, a manutenção, ou seja, crescimento zero, em compensação, queda também zereta. Admito errar, com esses 1, 2 ou 3%. Mas o que eu tinha em mente era o catastrofismo de alguns dromedários acharem que US$ 28 trilhões têm alguma importância exagerada para o que quer que seja.

A propósito deste segundo, cito o que refraseio de Douglas North, pois a frase dele nem se compara com a que você agora vai ler, querido Diário: "o capitalista declara-se incapaz de prever o futuro é porque ele não sabe em que vai acreditar amanhã". Eu disse para a garota da loja Livro Lido de Maceió, quando comprei o livro de Galbraith sobre a grande depressão que a comunalidade entre 1929 e 2008 foi a grande ladroagem que se instalou no setor produtivo. Ela disse "o quê?" e eu repeti: no setor produtivo dos Estados Unidos. Roubo em um lado, especulação desenfreada no outro, mais atraente para ladrões e oportunistas de todos os quilates, inclusive os catastrofistas que fazem sua fezinha em açõezinhas de oscilações cabritescas.

E os juros brasileiros, são elevados, como sugerem os sindicalistas agatunados (ou seja, todos) os que já comentei em outra/s postagem/s? Claro que não são. Ou seja, quem sou eu para dizer que 9% reais são altos ou baixos, como disseram os dromedários que 30% eram muito altos. Claro que 9<30,>

Viu onde eu queria chegar? Mercados persas, maias, astecas, etc. Seis mil tendas? 60 mil pessoas? Isto é, no dizer de João da Silva (cidadão sem compromisso) big business. Mercado? Um "universal" para cognato nenhum botar defeito. E quem define o montante de valor que se transformará em preços? Obviamente é o presidente do banco central ou qualquer de seus prepostos formais ou informais. Ou seja, Y = MV. E sindicalista que quer meter-se a discutir isto é porque está desleixando de suas funções de trilhar o caminho da seriedade, dizer não à cleptomania e passar a lutar para elevar a produtividade (ou seja, reduzir o emprego) e ter seus ganhos (do lazer do empregado demitido) e do surplus do trabalhador que permanece empregado disseminados por toda a sociedade, não apenas para os apaniguados como ele, sindicalista, ela, Yeda, ele, deputado, ela, deputada, ele, Meirelles, ele, Grinspan, e milhares de outros abonados.

Abonemos a todos: renda básica universal já.
DdAB