sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bola e Boca-Mole

Querido Blog:
Não falei ontem sobre o tema "bolas"? Que me dizes, então, dos 16 e até mais encaçapados na boca da senhorita da foto do site 'bocadura'? Pois pensei em boca-mole a propósito de matérias divulgadas por Zero Herra e sua auto-promoção.

Pois não é que Luciano Alabarse (homem de teatro), na quinta-feira passada, escreveu um artigo declarando-se "fed-up" com o maniqueísmo grenalesco da cultura gaúcha. Em linguagem de jogos, ele queria que o problema de coordenação que grassa no Rio Grande recebesse atenção adequada e, por meio de -lógico- coordenação da ação dos agentes, viesse a ser superado. Na opinião da Bola Sete (ou outra, cujo nome, por ora, retenho em sigilo), a coordenação poderia ser "enhanced" por meio da ação da interação-diálogo entre os integrantes do Governo Paralelo (oposição) e do Governo Perpendicular (situação).

O papel das duas divisões do Governo (Paralelo e Perpendicular, ambos nutrindo-se de verbas orçamentárias) deve gravitar em torno da Lei do Orçamento. Toda a discussão da política pública deve centrar-se na discussão da proposta orçamentária que virará a "lei de meios" do ano seguinte. Pois foi aí que entrou em cena o Sr. Boca-Mole, como tenho designado (em debates privados) o Dep. Raul Pont. Desde que o conheci, bem lhe vi este peculiar trejeito, que é o de lançar perdigotos, por -talvez- valer-se da Bola (número retiro em sigilo) entre o canino e o palato. Claro que Zero Herra poderá estar a citá-lo (a nosso ex-prefeito) fora de contexto. Seja como for, a letra impressa diz que diz: "Temos assaltos, mortes, denúncias de corrupção e pessoas na beira da estrada sem terra. Em nome da harmonia temos de calar em relação a isso?"
Na ilustração, temos o Quarteto Boca-Mole, a fim de amenizar as declarações saídas da boca (ou era o e-mail?) do colega Pont (economista), portador das mais discretas luzes. Parece mesmo um boca-mole, diferentemente da garota que porta as Bolas Seis e Dez, além de outras bolas, cujo número também ela retém em sigilo. E das quatro outras garotas, cujos nomes omito. Precisamos denunciar, claro, a corrupção desenfreada que grassa nos níveis do poder municipal, no estadual e no federal. Precisamos propugnar pela extinção dos estados (e toda a deputação estadual etc.). Precisamos denunciar a incapacidade dos Governos Perpendicular e Paralelo no encaminhamento de propostas sensatas para o problema agrário no Brasil, de criar emprego, de criar a Brigada Ambiental Mundial (seção auriverde), assaltos a cofres públicos e bolsos privados (como o que protagonizaram "against myself" os dois meninos-sequazes do Sr. Prefeito de Montevidéu). E mortes, as mortes que espelham a enorme desigualdade entre os vencimentos de um deputado estadual e o salário mínimo), pois há mais mortos-pobres do que mortos-ricos. Com efeito, há, proporcionalmente à inserção na população, mais assaltos e mortes a percebedores do salário mínimo do que a deputados estaduais e outros políticos.

Agora, claro que nada disto precisa ser denunciado em nome da harmonia. Em minha visão do funcionamento da sociedade (equação omitida desta postagem), a baioneta deve ser calada é no coração da desigualdade econômica. Isto começa, talvez, com a preocupação dos políticos girando para o lado do conceito de sociedade justa. E a busca da harmonia, do discurso em favor da harmonia e não contra ele/ela (pensar em Richard Rorty), de meios dignos para promover a harmonia que levará à sociedade justa, deve ter como centro de gravidade a discussão da proposta orçamentária.

Beijos políticos.
DdAB

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Bolas

Querido Diário:
Nunca entendi o trechinho do poema que abaixo transcrevo, o trechinho, repito. sua história é sinuosa, para mim. tê-lo-ei visto nas páginas do jornalzinho do Colégio Estadual Júlio de Caudilhos, que considerei o centro de minha vida durante cinco anos e suas sequelas. o título foi dado por mim nesta manhã estival, ainda que mais pareça outonal. mas não consigo parar de dar-lhe bola. por falar em bola, como sabemos que a garota da foto está mesmo fazendo uma sequencia de 3.142 embaixadas?

Ao Poeta que Abandona a Vida
(Sergei Maiakowski)

Para o júbilo
o planeta
está imaturo.

É preciso
arrancar alegria
ao futuro.

Nesta vida
morrer não é difícil.

O difícil
é a vida e seu ofício.
(tradução de Haroldo de Campos)

Também tínhamos o "navegar é preciso, viver não é preciso", que aprendi via Caetano Velloso (canção 'Os Argonautas') como sendo uma legenda dos grandes navegadores portugueses. nunca entendi bem este troço de "para o júbilo, o planeta está imaturo". agora, "arrancar alegria ao futuro" é mais fácil: o futuro pode reservar-nos desventuras ou o anirvanamento. mais ainda, acabei de citar a terceiros num telefonema: "se você prepara-se para o pior, este poderá ser evitado". Sabe de quem é? Nigella, a cozinheira da TV paga. já falta comida para uma certa macacada, que dizer de aparelhos de 50 inches de diâmetro e principalmente da TV a cabo.

Também temos: "a melhor maneira de se prever o futuro é inventá-lo". então parece que tudo fica muito claro: a fim de arrancarmos alegria ao futuro, precisamos nutrir o presente com nossas melhores ações, o que é difícil! precisamos criara uma metodologia (o Governo Paralelo) para ajudarmos o planeta a amadurecer. Em meu entendimento, a maneira mais rápida de conseguirmos estes resultados é a sociedade igualitária.

Saudações um tanto como direi.
DdAB

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Caxangá, Severino, e por aí vai...

Querido Blog:
É uma imagem franzina, severina, setemesinha esta que hoje posto. Lá embaixo do livro de João Cabral, que ganhei de presente no dia 9 de janeiro de 1967, diz: "Editôra do Autor". Era a edição da cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1966, como falei dias atrás. Era minha despedida da Clínica Pinel, ambiente em que iniciei minha vida profissional, como sabemos, sabe lá quem, pois não consta de meu "Lattes". Nada de antes da graduação em economia foi lá postado. Depois veio a União de Bancos Brasileiros, o Banco da Lavoura e a Câmara dos Vereadores. A partir daí, o "Lattes" tudo registra.

Como fui parar na Clínica Pinel é um imperscrutável mistério de minha vida, mas passa pelo nome de meu amigo de então Adão José Acosta (nada achei na googlada que fiz há pouco). Lá onde hoje passa um viaduto ou o ginásio de esportes do Colégio Rosário, na Rua Barros Cassal o.s.l.t., iniciei meu trabalho na memorável tarde de 19 de outubro de 1966. Na data de 9/jan/1967, despedia-me, pois importantes atividades chamavam-me na cidade de Curitiba, ou Rio de Janeiro propriamente. Não durei um mês no calendário carioca, voltei a Porto e voltei a trabalhar na "Pinel". De lá, um ano após, fui ao primeiro banco. De lá fugi para o segundo, até homiziar-me na Câmara dos Vereadores.

No livro cabralino, lemos, se bem leio alguma dedicatórias, termos tomado pilhas de chopp. Eu lembrava do poema de Drummond ("São 11h da noite, são 11 rodas de chopp") e tenho a impressão que, pela primeira vez na vida, tomei umas nove rodadas, saindo zunindo, mas caminhando em companhia de Bea, a quem levei em casa na Rua Caçapava o.s.l.t.. O de que quero falar, porém, nada tem a ver com beijos, ou -ao contrário- tem...

Ao voltar de Oxford em janeiro de 1993, tendo que terminar a tese (eu até diria 'tendo que fazer', pois voltei a trabalhar como um condenado para que Andrew a declarasse pronta a ser submetida), decidi começar pela epígrafe. Selecionei "Homenagem ao Malandro", d"'A Ópera do Malandro", pois é uma descrição de um modelo de equilíbrio geral. Mas queria algo mais tchan. Aí -por circunstâncias que a História não registra- fui para o livro "Morte e Vida". Por lá achei, na p.113:

Sua formosura
eis aqui descrita:
é uma criança pequena,
enclenque e setemesinha,
mas as mãos que criam coisas
nas suas já se adivinha.


Como sabemos, Severino retirante conversava com 'Seu' José, mestre carpina, quando vêm anunciar-lhe -ao carpinteiro- que nasceu-lhe lá um menino em pleno dia de Natal. Antes, as ciganas haviam vaticinado que ele -ou seus filhos- seria escravo do Dr. Inocêncio de Oliveira, ex-presidente da Câmara dos Deputados de Brasília.

Finalmã, como diria Roland Barthes, em seu indispensável (imperdível?) livro,
que está fazendo esta estrofe aqui? É que "as mãos que criam coisas", objeto de meu estudo, podem ser -as do severininho, em particular- representadas como a variável si. Elas geram o valor Ei (ou era tudo a indústria i?), descrito pela equação matricial:
E = s x B x F,
onde s é a diagonal cujo elemento característico é a razão entre o trabalho do indivíduo i e sua produção (dada em quantidades monetárias), B é a inversa de Leontief e f é o vetor da demanda final (os 'x' são multiplicações). Caso viesse a sabê-lo, João Cabral exclamaria: "este pinta -cujo estilo, como sabemos, lembra o de Baleia- pensa que burro de Sevilha é burca sem ervilha."

A verdade é que, a fim de dar caráter científico à dissertação, ou dele fugir como os burros de estirpe, escrevi como frase final finalésima da Conclusão de 11 páginas:

The fundamental structural change in Brazil in the post-World War II period was mainly due to the behaviour of sub-economies encompassing 30% of the population. This thesis has aimed to contribute to the understanding of the central question facing Brazil: what would be the consequences for the economic and political dynamism of the country of measures of public policy designed to incorporate the remaining 70% into full participation in economic and social life. Like Plato's prisoners, the inhabitants of the poorest households sub-economy see their own world as if it were the world of shadows. Absorbing commodities produced by only 15% of total employment, this "reserve consumption army" holds the key for future growth and economic development, to the extent their productive contribution and political enlargement can be raised along with their living standards. The little hands of their children, the XXIth Century Severinos, shall be the magic tool designed to carve out a brighter future for the whole nation.

Saudações Universitárias
DdAB

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Caxangá e a Demanda: escritos

Querido Blog:
No Caderno de Cultura de Zero Herra de hoje, temos interessante crônica de Cláudio Moreno, respondendo a um leitor português que indaga o que vem a ser
"Escravos de Jó jogavam Caxangá". Sob color de poema, diria o pai, veio-me à mente a expressão "a estrada de Caxangá", que não atribuí ao filho... Escrevi-lhe, a Moreno, antes de campear no Google Images a ilustração acima. Retirei-a de:
http://www.babooforum.com.br/idealbb/files/33696-caxang%C3%A1.jpg,
que respondeu ao chamado de "caxangá" e tem por título "Vejam a Av. Caxangá, em Recife-PE, ...
736 x 666 - 79k - jpg" etc..


Caro Moreno:
Adorei a crônica de hoje sobre Caxangá. Momentos depois de lê-la, veio-me à mente a expressão "A estrada de Caxangá" e também me fui para a Internet. Mas antes, pensei que fosse algo pernambucano, do tipo das "Cacimbinhas".Nesta linha, olhei minha auto-denominada "Grande Enciclopédia Larousse", dessas vendidas em fascículos. Lá, vi confirmarem-se, mutatis mutandis, tuas associações com os siris: caxangá, s.m. (Talvez do tupi) Sin. de SIRIPUÃ. No siripuã, temos, já no Aurelião eletrônico:
[De siri + puã.]
S. m. Bras. Zool.
1. Espécie de crustáceo decápode, braquiúro, portunídeo (Callinectes sapidus), distribuído desde os E.U.A. até o Uruguai, e um dos mais comuns no RJ. A coloração varia do cinzento ao verde-azulado, com tinta avermelhada nos espinhos e dedos.
[Sin.: siri-azul, siri-corredor, azulão, caxangá, puã.]

Desse ponto, fui-me a googlar, pois também me veio à mente a expressão "a estrada de Caxangá". Apenas duas entradas, a primeira em:
http://leaoramos.blogspot.com/2009/01/como-o-motorneiro-joo-cabral-de-melo.html
(que reproduz todo o poema, se minha atenção me não trai, como diria a próclise machadiana).
e um PDF:
http://www4.fapa.com.br/cienciaseletras/pdf/revista39/art16.pdf.

Descobrindo que era de João Cabral, fui em busca da única obra que dele retenho, com sua ortografia -desde então, 1966- duplamente ridicularizada pela ABL e outros sinecuristas (no tercerio verso da primeira "Volta", vemos um "pôrto". O livro é "Morte e Vida Severina e outros poemas em voz alta". O poema completo intitula-se "O Motorneiro de Caxangá", e o sonido que me veio à cabeça com a leitura da crônica é seu primeiro e, principalmente, terceiro verso.

Quem sou eu para falar de poemas? A prova (válida apenas para mim) de o ter lido é que nessa mesma parte (a primeira "Volta"), tenho glosada a expressão "deve haver", que me desagrada, pois costumo dizer tratar-se do abecê da contabilidade... Como sabes, os economistas adoramos os contadores, pois eles ensinaram insofismavelmente que as vendas são identicamente iguais às compras. Mas também lhes devotamos certo desprezo, pois não sabem que as compras podem ser descritas como q = f(pp, pc, ps, Y, G, O), um troço destes, onde q é a quantidade demandada, pp é o preço próprio da mercadoria de que se trata, pc é o preço dos bens e seerviços que lhe são complementares, ps é o preço dos substitutos, Y é a renda do comprador, G são seus gostos e preferências e O é um vetor constituído por todas as demais milhões (ou bilhões) de variáveis que influenciam q...

abraços
DdAB
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Prof. Duilio de Avila Bêrni, Ph.D.
Economia do Insumo-Produto. Sistemas de Informações Gerenciais.
http://19duilio47.blogspot.com.
https://sites.google.com/site/19ganges47/home.
DdAB

Apêndice:
Vai aqui o que pude recolher do site PoemBlog (coordenadas acima), cuja leitura é mais do que uma necessidade, pois contingente mesmo é apenas a mudança ortográfica que fez "pôrto" virar "porto" e depois "lago", não é mesmo?

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Como o motorneiro, João Cabral de Melo viaja pela estrada de Caxangá. Onde tudo passa ou já passou, o presente e o passado e o passado anterior.

O motorneiro de Caxangá

Ida

Na estrada de Caxangá
todo dia passa o sol,
fugindo de seu nascente
porque o chamam arrebol.

A estrada de Caxangá
é sua pista de aviador;
é a pista que o sol percorre
antes de levantar vôo.

A pista de Caxangá
o próprio sol a traçou,
na substância verde e branda
dos engenhos de redor.

Volta

Mas a estrada não pertence
só ao sol aviador.
É também porto de mar
do Sertão do interior.

Possui hotéis para burros,
hospitais para motor,
cemitérios para bondes,
fábricas para o suor.

Mais tudo o que deve haver
num bom porto de vapor:
armazéns, contrabandistas,
fortalezas, guarda-mor.

Ida

Na estrada de Caxangá
tudo passa ou já passou:
o presente e o passado
e o passado anterior;

os engenhos de outros tempos,
de que só nome ficou;
os sítios de casas mansas,
que agonizam sem rancor;

os quintais de sombra doce
com frutas do mesmo teor,
onde hoje carrocerias
aguardam seus urubus.

Volta

Mas na estrada de Caxangá
nada de vez já passou:
o verde das canas sobra
nos campos de futebol

e ainda nas oficinas
poças do antigo frescor
dos quintais sobram nas úmidas
manchas de óleo de motor:

que a estrada é também a cauda
por onde, ainda em vigor,
o Recife arrasta as coisas
que do centro eliminou.

Ida

Na estrada de Caxangá,
depois que a inaugura o sol,
pares os mais estranhos
todo o dia passam por;

pares como o da raposa
casada com o rouxinol
ou o dos bondes circulando
por entre carros de boi;

caminhões entre galinhas
calam ferralha e furor
e sempre se vê um vaqueiro
olhando um taco de golf.

Volta

Mas na estrada de Caxangá
nem tudo tem tal teor;
por ela passa também
uma gente mais sem cor:

retirantes (sempre a pé)
tirados de todo suor;
imigrantes (de automóvel)
suando, porém de calor;

namorados que passeiam
amadurecendo o amor;
gente que não a passeia,
passa-a, simples corredor,

Ida

A estrada de Caxangá
é também trilhos do sol
(que nem sempre tem o sol)
urgências de aviador):

de cada lado dos quais
um trem de taipa parou,
um trem de casas que lembram
vagões, sem tirar nem pôr;

um trem de casas-vagões
cada um com sua cor
e levando nas janelas
latas por jarros de flor.

Volta

Mas o trem de casas-vagões
passa ou é passado por?
como poder distinguir
do passado o passador?

se na estrada tudo passa
e nada de vez passou?
como saber se é a gente
ou as casas-trem o andador?

ou quem sabe? a própria estrada
rolando com um propulsor?
(pois dela sobe incessante
e subterrâneo rumor).


João Cabral de Melo Neto
(1920-1999)

Mais sobre João Cabral de Melo Neto em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Cabral_de_Melo_Neto
posted by JOSE ANTONIO LEAO RAMOS at 12:30 AM

Como podemos facilmente depreender, o Anexo acaba de finitar-se.
O mesmo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Lixo de Pobre e Lixo de Rico

Querido Blog:
Ando meio aperreado: não estou encontrando anotações sobre o que gostaria de transformar em um artigo sobre a renda básica. Não é apenas isto, porém. Milhares de coisas estão pondo-me -como diria o Curupira o.s.l.t.- de pés para trás. Uma delas são as demais, se me faço entender. As outras dizem respeito às primeiras já citadas.

Por outro lado, vemos acima, capturada do Google Images, a foto de um saco de lixo de prástico, relleno de lixo seco, reciclável. Desde que fui assaltado por dois asseclas do prefeito de Montevidéu, lancei a campanha: "Odeio lixo seco". Claro que não odeio sequer o endiabrado prefeito, que lança sua infância e juventude à necessidade de assaltar-me. Dizque a foto acima é da progressista cidade de Cuiabá, onde se frita ovo em frigideira de calçada ao meio-dia, hora local. O dualismo é que me choca. Houvesse um sistema judiciário eficiente no Brasil, os políticos não seriam ladrões, teríamos uma lei do orçamento em ação e regida pelo princípio do orçamento universal. De acordo com este, é proibido fazer pontes antes que o lixo urbano seja reciclado. Por trabalhadores detentores de empregos decentes, não esses pobres diabos que vivem uma subvida, submetidos à violência da própria polícia, dos políticos que furtam a merenda de seus-deles filhos, e tudo o mais, além -é claro- da violência que os pinguços inflingem-se uns aos outros, basta olhar o número de cicatrizes exibida por qualquer mendigo da Av. Ipiranga em Porto Alegre.

A reciclagem do lixo da figura abaixo só pode ser coisa de gente bem nutrida. Mas o pior é que este saco esverdeado deve ser entregue a um catador aconchavado com o porteiro do edifício, algo assim. O edifício o explora, ao porteiro, que trabalha 12 ou 14 horas diárias e ao mendigo que pensa ser um detentor de emprego decente.
Agora, se é coca-cola (zero cal) naquela garrafa, então é bom!
DdAB

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Governo Paralelo (shadow cabinet), PT e a Psicanálise da Confusão

Caro Sr. Blog:
Nem sem bem o que quer dizer "Dharma". Parece com karma, parece com
nin e ten, para falar a linguagem budista. Pois, como sabemos, "Para indicar as duas formas de felicidade na vida, o budismo japonês usa as expressões nin e ten. O nin é o mundo da paz; o ten, o momento extraordinário da emoção e do amor. Assim sendo, o nin é a alegria, e um dia de nin corresponde a um ano de vida num mundo de felicidade. Mas um dia de ten corresponde a mil ou dez mil anos no tempo."

Mas entendo um pouco mais de governo paralelo. Acho que este é uma das soluções para a democracia contemporânea. Todos os partidos deveriam ter seu
shadow cabinet, com funcionários shadow (não confundir com fantasmas, como os que hoje pululam na administração pública brasileira, os filhos dos deputados e seus correlatos). O próprio governo paralelo de cada partido deveria ter uma equipe organizando não apenas o governo próprio, para o caso de ser guindado ao poder de maneira majoritária, ou a coalizão partidária, essas coisas do norte da Oirropa.

Seja como for, "Zero Herra" de hoje tem uma notícia bem a seu estilo, que -ao lê-la- ficamos sabendo ligeiramente mais do que já sabíamos antes de fazê-lo. (Será que eu não devia ter escrito "esti-lo"?). Trata-se da manchete da p. 10 (Política): PT e Piratini divergem sobre medidas anticrise. Achei uma jogada interessante, prova de crescente maturidade política do PT em tornar-se propositivo, na linha que percorre um governo paralelo do norte da Europa. "Zero Herra", que a tudo trata como um grande Grenal, claro, fez pinguepongue com gente do governo, claro que uns a favor e os outros contra. Dizque o Secretário da Fazenda estadual rebateu ponto a ponto a lista do PT, que nossa "Herra" oferece a seu atento leitor apenas "algumas sugestões". Ei-las:

> Retomar o Simples gaúcho, com redução de alíquotas das pequenas empresas no mesmo patamar vigente até junho de 2007, com implementação imediata.

> Manter todos os benefícios fiscais existentes para a agropecuária até 31 de dezembro de 2009.

> Benefícios temporários para os setores mais atingidos pela crise que se comprometerem com a manutenção da produção e dos empregos.

> Suspender imediatamente o Fundopem em caso de demissões.

> Gerar novos empregos e ampliar a produção como condição para a prorrogação do Fundopem.

> Fomento à produção interna de insumos e geração de novos empregos como condição para concessões de Fundopem.

> Utilizar Banrisul, Caixa RS e BRDE para programas especiais de créditos a médias, pequenas e micro empresas e cooperativas, ampliando os recursos e diminuindo as taxas de juros e garantias.

> Linhas especiais para financiamento da habitação.

> Criar linha para safra de trigo a fim de duplicar a área de plantio (66 mil novos empregos e mais R$ 1 bilhão na economia).

> Antecipar o reajuste do piso regional para fevereiro.

> Execução dos recursos orçamentários para setor agrícola.

> Implantar linha de financiamento para equipamentos de irrigação.


Não comentarei todas, claro. Quero apenas fazer a psicanálise de algumas. Primeira: esse negócio de retomar o "Simples", um programa de uso de impostos, a fim de promover o crescimento do setor privado. Depois, idem só que desta vez para o pequeno capital que viceja -diria Lurdete Ertel- na agropecuária. Depois, mais dinheiro para os capitalistas cujas mercadorias encontram-se ameaçadas de dar seu salto mortal pela crise. Depois, suspender os incentivos fiscais ora existentes (Fundopem) para empresas que -por sabe-se lá que razão- demitirem seus funcionários. Depois, gerar mais empregos por meio de incentivos desse programa. Acho que vou parar por aqui.

E qual é a psicanálise? Primeiro, de certa forma, edipiana. Andei participando do "Núcleo dos Economistas do PT" [em meu caso era "... do PT e ampliações]. Depois que a negadinha tomou o poder, este núcleo -tal qualmente o Big Bang- nunca mais viu seus pedacinhos reunidos. Então eu que pensei ter criado a equação de salvação da humanidade estou com ela embuchado e não posso falar a ninguém, a não ser a ti, Blog amado! E que dizem os preclaros, entre eles, nosso afamado Dep. Raul Pont? O que acima lemos. Mas tem mais, que não foi dito pela página 10, mas na Página 10, entende? Em outras palavras, na p.12 da "Herra", a jornalista Rosane de Oliveira tem sua coluna chamada de "Página 10".

Ela -Rosane- deixa claro que (cito literalmente):
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# Duas propostas do PT contra a crise econômica mundial chamam a atenção pela terminologia utilizada pelo governo federal: que seja feito um “PAC estadual” e criada uma espécie de Bolsa-Família gaúcho.

# Embora o PT diga que o governo não adotou medidas contra a crise, o secretário da Fazenda, Ricardo Englert, tem se dedicado ao tema.

Claro que há importância no que falam:
.a. governo paralelo, não sabemos se com finalidades absolutamente eleitoreiras
.b. o programa Bolsa Família.

Pois é aí que termino esta postagem: tudo o que eles propuserem é completmaente
capitalism oriented, uma preocupação digna dos maiores louvores pelos próprios capitalistas. Não que devamos ser contra elevações da produção. Mas aí é que falta habilidade profissional aos "economistas do PT". Tenho insistido: valor da produção (vendas) não é valor adicionado. Valor adicionado é tanto produto, quanto renda quanto ainda despesa. Mexer no "produto" é mexer na distribuição funcional da renda, assunto que diz respeito a produtores e aos vendedores dos insumos primários que eles adquirem. Mas como é que o produto vira renda? É quando os (locatários dos) fatores de produção pegam o que lá ganharam e repassam às instituições (especialmente, as famílias pobres, remediadas e ricas). E o que as famílias fazem com este rico dinheirinho? Somam-no ao que ganham de transferências governamentais e formam sua receita doméstica que vai financiar as compras de bens e serviços (o que nada tem a ver com o "Consumo" das contas nacionais. Este, como sabemos, é apenas uma parte da ótica da despesa do valor adicionado, ou seja, despido de insumos. E, quando comemos um pedaço de polenta, não comemos o valor adicionado pelo gringo, mas o valor das vendas que o gringo fez para os pelo-duros ou quem quer que seja.

Era óbvio? Votemo nos home? Meió do que votá na Profa. Yeda ou no Dep. Inocêncio de Oliveira.

beijos
DdAB

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tempos de Carnaval

Querido Blog:
De 1559, este quadro foi citado por Érico Veríssimo no livro "México" como "A Batalha entre o Carnaval e a Quaresma". Cheguei a ele por meio -lógico- do Sr. Google Images. Por lá, o título é "combate", por oposição a "batalha". Às vezes, ocorrem-nos traduções, digamos, econômicas que, depois, vemos muito mais elaboradas por tradutores mais, digamos, literários. Eu mesmo, andei traduzindo "the age of pork" por "idade da porcada" até que li a tradução do livro de Hobsbaum em português: "A Era das Revoluções". E achei que o tradutor estava coberto de razão. Deixei sem registro que pork e pig são duas coisas diferentes, como o é o bife do garfo: pork é o porco morto na mesa, ao passo que pig é o porco vivo.

No mundo das necessidades, você pensa que o Carnaval é contingente e a Quaresma necessária? Pois a realidade realmente real diz-nos que ambos são contingentes. A própria realidade realmente real terá lá seu grau de contingência, como sabemos ao perceber que toda a história da humanidade entre 1929 e 1934 encontra-se digitalizada e sequenciada num certo segmento do número 3,1416... Duvida? Pois siga procurando. Parece que, se não hoje, pelo menos há uns 50 anos, ninguém havia calculado a milionésima casa dessa peculiar cifra.

O que não pode passar de ser referido é que as férias continuam, pois agora recuso-me a trabalhar até que entremos na Quaresma, isto que nada tenho de religioso... O que temos é saber que a macacada que sairá sambando, se é que já não se encontra neste estado há meses, é sociologicamente chamada de "multidão orgiástica". Ou era, no tempo em que rolou o curso de Introdução à Sociologia a que fui forçado a assistir, por decurso de prazo. Seja como for, sociologicamente, decidi fazer uma lista de todos os quadros e peças musicais tratados nos livros de literatura geral que venho lendo desde "Reinações de Narizinho" e "Robin Hood" (tradução de Monteiro Lobato).

Saudações Locais
DdAB

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Despedida

Querido Blog:
Estufando as velas, nosso barco -metaforicamente falando, claro- embica para o Sul. Sentimos o cheiro do querosene do avião que nos levará ao futuro. Achei que esta foto -a mais charmosa que capturei (de um turista estrangeiro a estas passagens) por estas paragens- merecia a imortalidade, coisa de que nem o Sol é capaz. Peito dela, a imagem que se pensa indestrutível. Peito meu que a penso pensante. Peito do pensamento que se pensa dominante. Peito dos domínios que se pensam eternos. Peito da eternidade que se pensa infinita. Peito do infinito, que se pensa linear para todos os lados, como os dodecaedros pluriespaciais. Peito. Peito. Peito. Perto.
DdAB

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Índices Binários (ou Casmurros)

Querido Blog:
Todos sabemos da necessidade de ouvirmos o dobro do que falamos, pois a natureza supriu-nos com a encantadora proporção de dois ouvidos para apenas uma boca. Todos sabemos também que este pensamento foi passado à geração presente (Mile e Vate) e destes à geração futura (Biel e Tail) pelo Velho Marquetti. Esta digressão biográfica -so to say- veio-me a propósito da ilustração que encontrei para "Ouvidos Binários", no Google-Images, claro. Por modernosa que seja, a estação de som não dá toda a plenitude que atribuí à expressão que a buscou (pois nada encontrei com "Índice Binário de Preços").

Talvez o que a tenha capturado seja precisamente o adjetivo "binário", por contraste ao substantivo "binari", do italiano, que quer dizer, se bem os pulei, "trilhos de trem que levam de Roma a Nápoles". Que quererei eu pular, nesta manhã maceiosa que sucede chuvas noturnas? Saberá o leitor sutil que, ao escrever "maceiosa", pensei que algo esdrúxulo será pensado em Rose Lane (Oxford) quando aquele Jardim Botânico não ler "maceioense". Olhei o melhor amigo do homem e localizei:
[Var. de maçaió, poss. de or. tapuia.]
S. m. Bras. N.E.
1. Lagoeiro, no litoral, formado pelas águas do mar nas grandes marés, e também pelas águas da chuva.
Viste? Tapuia? Quer seja tapuia, condor ou tapir! Tava na memória. Tá em:
http://br.geocities.com/samevet/Tamoio.html.
E agora tá aqui (com o que acho ser o português da Academia, ou seja, abobado, pois -se é para mudar o jeito como os antigos escreveram, o melhor é pegar uma boa tradução e jogar ela no português contemporâneo; traduz e pá-nela!):

CANÇÃO DO TAMOIO
Gonçalves Dias

Não chores, meu filho, não chores, que a vida
é luta renhida: Viver é lutar.
A vida é combate que os fracos abate,
que os fortes, os bravos, só pode exaltar.

Um dia vivemos!
O homem que é forte, não teme da morte.
Só teme fugir.
No arco que entesa tem certa uma presa,
quer seja tapuia, condor ou tapir.

O forte, o covarde, seus feitos inveja,
de o ver na peleja, garboso e feroz.
E os tímidos velhos, nos graves conselhos,
curvadas as frontes, escutam-lhe a voz!

Domina, se vive. Se morre, descansa,
dos seus na lembrança, na voz do porvir.
Não cures da vida! Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte, que a morte há de vir!

E pois que és meu filho, meus brios reveste,
tamoio nasceste, valente serás.
Sê duro guerreiro, robusto fragueiro,
brasão dos tamoios na guerra e na paz.

Teu grito de guerra, retumbe aos ouvidos,
D’imigos transidos por vil comoção;
E tremam d’ouvi-lo, pior que o sibilo,
Das setas ligeiras, pior que o trovão.

E a mão nessas tabas, querendo calados,
os filhos criados na lei do terror,
teu nome lhes diga, que a gente inimiga
talvez não escute, sem pranto, sem dor!

Porém se a fortuna, traindo seus passos,
te arroja nos laços do inimigo falaz!
Na última hora teus feitos memora,
tranquilo nos gestos, impávido, audaz.

E cai como o tronco, do raio tocado,
partido, rojado por larga extensão.
Assim morre o forte!
No passo da morte, triunfa, conquista,
mais alto brasão.

As armas ensaia, penetra na vida:
pesada ou querida, viver é lutar.
Se o duro combate os fracos abate
aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar!

Neste caso, somos forçados a abreviar as reflexões econômicas que previ fazer nesta manhã de sol límpido (seguindo-se -como referi- às chuvas da noite). Eu digo:
M: mundo fenomênico - inflação.
m: variável - índice binário de preços
C: relação - renda nominal, poder de monopólio.

E penso que ainda escreverei um ensaio sobre o tema, não sem antes tentar traduzir de volta para o português o "Dom Casmurro", levado para a língua inglesa por ninguém menos do que John Gledson.

Até lá.
DdAB

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Vi o leão, ou melhor, vi o violão, ou vi o vilão?

Querido Sr. Blog:

Agora, que as férias estão mais para lá (Menino Deus - Porto Alegre) do que para cá (Ponta Verde - Maceió), posso afirmar: passei mesmo doente o dia de ontem. Hoje, para provar minha saúde recuperada, investi num café da manhã substancioso, com macaxeiras, inhames, carne de sol (desfiada) com cebola, presunto, queijo coalho, queijo amarelo (mais saboroso), salame italiano (milanês), mortadela bolonhesa, cuscuz, ovos mexidos com bacon, bolo Souza Leão, pão (de farinha destilada) duas colheradas de açúcar refinado acompanhando uma colherinha de mamão, e tudo o mais.

Recuperado, acordei às 5h00, com pleno sol iluminado, ao som de um pistão com canção carnavalesca, tangida por um folião (o.s.l.t.) no calçadão que nos separa do Oceano Atlântico. Ato contínuo, decidi -eu mesmo- ingressar no fascinante mundo do carnaval, tocando canções que fazem parte de meu repertório atual. Como o demonstra a foto que hoje ilustra o que podemos definir como postagem.
Depois, naturalmente, e também antes na tarde de ontem, dediquei-me à leitura das partes iniciais de "O Colapso da Bolsa 1929", o divertido livro de John Kenneth Galbraith. Lá li: "abcdefghijklmnopqrstuvwxyz", ou melhor: "Se comprar e vendr ações é errado, o Governo deve fechar a Bolsa de Valores. Se não é, a Reserva Federal [id est, o que chamamos de banco central] deve cuidar do que lhe compete, e não se meter onde não é chamada." Frase de Arthur Brisbane (não tinha um Quay Brisbane, na Flórida?), segundo diz-se no rodapé, jornalista famoso no período e que -himself- sobreviveu à depressão, pois foi (estou presumindo) sepultado em 1936.
Esta frase me comove, libertário-igualitarista que sou. Reconheço, porém, que os juros altos afetam os setores produtivos. O que a regulamentação poderia cuidar, instead, é de permitir cada vez maior descolamento dos preços dos ativos de capital das empresas (isto é, títulos como ainda hoje são conhecidos e -sugiro- deixem de ser em certo futuro luzidio). Ou seja, antevejo, para a sociedade do futuro, a completa autonomia do cassino financeiro para aqueles que querem arriscar formas estupendas de ganhar dinheiro fácil com, digamos, mais sensação de controle do que simples apostas na Loto ou Megassena. Tenho argumentado que o valor adicionado tem mesmo é a ver com produção (e não com produto, renda, despesa). Ou melhor, você entendeu, não é?, cria-se valor adicionado como uso de recursos produtivos, entre eles, o trabalho. Mas quando se cria valor adicionado geram-se simultaneamente suas três óticas de cálculo: produto, renda e despesa.
Não está dito que o trabalhador ou mesmo o setor em cujo caput conste "Agropecuária", ou "Indústria Extrativa Mineral" ou "etc." tem que pagar um só pila em remuneração dos empregados (e rendimentos de autônomos) ou impostos indiretos ou importação ou excedente operacional. Ergo, podemos pensar que, digamos, todo o valor adicionado foi criado no setor de Intermediação Financeira, ou na Administração Pública (incluindo o Serviço Municipal, ou Brigada Ambiental Mundial, o que exclui a simples Renda Básica). E que -distribuído às instituições famílias etc.- na forma de transferências, garante a apropriação, isto é, a demanda efetiva.
Beijos muito, muito telúricos, o que quer que queira dizer isto.
DdAB

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dragões, fantasmas, e o que os valha

Querido Blog:
Sob o ponto de vista geográfico, fomos almoçar no "Livro Lido; café e livraria", na linguagem local, "um alfarrábio". Fui buscar minha idéia fixa ("Roland Barthes, Câmera Clara, edição de 1984, não a da Nova Fronteira). Não o encontrei. Achei outras raridades de minha lista. José J. Veiga, Osman Lins, um livro da América Pré-Colombiana e ... este sim: Galbraith sobre a crise de 1929. Ele diz que o PIB recuperou-se apenas em 1939, o que os dados da Penn World Tables desmentem. É interessante que, mesmo não sendo testemunhas oculares, sabemos mais do que eles.

Jurei que irei (com valência livre para não ir) comer nova salada de folhas da estação com iscas de frango (SBP, ou seja, super-bem-passados) e, se for o caso, se lá for, comprarei "O Tempo e o Vento" em quatro volumes, primeiro, segundo e dois tomos do terceiro. Lê-lo-ei in due time quer o compre agora ou não. Como sabe o leitor inteligente, penso ler, durante o inverno que se avizinha, ou Marcel Proust, ou Jean Cristophe, ou sei-lá-quem.

Sob o ponto de vista da ilustração de hoje, temos uma foto do concorrido fotógrafo myself. A melhor loja de artesanato das redondezas e -como disseram-me- quiçás a melhor do Nordeste, para não falar em todo o Hemisfério Sul, o que nos volta a remeter às aventuras geográficas.

Saudações literárias.
DdAB
p.s.: um mal-estar dos diabos acossa-me desde ontem, com 39g registrados em meus 180g de ângulo, que estou deitado a maior parte do tempo...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mundos Maravilhosos

Querido Blog:
Esta explendorosa foto de "Lixo Urbano" foi retirada do meio-ambiente da aprazível cidade de Maceió, no momento em que eu me dedicava a expandir a demanda efetiva daquelas rendeiras que trabalham in the nearby. Como disse o Sr. Gargulho (espanador de poeira de pára-brisas automotivos na estrada para a Praia do Francês, no concorrido município de Marechal Deodoro, um dos presidentes da república ungidos pelo vibrante povo alagoano), os lixos dividem-se em dois e apenas dois tipos: o lixo urbano e o lixo rural.

Pensando em mais exemplos de lixo urbano, eis que de rural pouco ou nada tenho, achei que não seria de mau alvitre fazer algumas postagens mais pessoais. Na primeira delas, decidi colocar uma variável de controle (uma andróide carimbadíssima) e a variável em estudo, qual seja, a condição de andróide da Sra. Dilma de Tal.
Ela, ministra, disse que sente-se outra depois da cirurgia plástica a que foi submetida por outro presidente da república nascido por estas bandas, o que a teria afastado do patrimônio de um museu (que ela ainda usava o guarda-pó da griffe). Ato contínuo também andaram considerando-me peça relevante do lixo urbano, no caso, gaúcho. Ei-lo, digo, eis-me.
Por outro lado, não pude resistir à devoração de alguns artrópodos, moluscos, sei lá o quê. O fato é que fi-los acompanharem-se de uma coca-cola e um carimbadíssimo suco de pitanga, como quem vai às pitangas... Sobre coca-cola nestas paragens e a citação de lixo rural, ocorre-me -por saudades dos pampas- a canção cuja primeira estrofe eproduzo sob color de poema:
NO CAMPO quando a sede aperta
O bom gaúcho sempre acerta
Quando pede a gostosa
E refrescante coca-cola.
E POR AÍ VAI.

Dito isto, voltei a contatar os extraterrestres a que me referi ontem (Badanha e a Sra. Granma, além de outros) que -aparentemente do Alto- viram uma bagana sob um presidente americano, digo, um bush, digo um arbusto, sei lá... Investigando mais acuradamente o sinal de perigo, eles enviaram-me (numa garrafa) a foto postada após a que vemos.
Postada do alto, a foto que segue -aparentemente- sugere que nem todos os carros que circulam em Maceió são de color prata ou preta. Mas nada de guimba. Na busca escrupulosa que fiz, horas depois da comunicação, confesso que tampouco encontrei algo suspeito.
Ainda assim, guardei a última foto, que eles disseram estarem sendo chamados por locuções verbais longuíssimas: the quick brown fox jumps over the lazy dog.
Dito isto, sugeriram-me ainda que o mundo maravilhoso dos sucos divide-se em:
.a. sucos naturais
.b. sucos de polpa (congelados).
Em ambos os casos, as subdivisões são as mesmas: abacaxi, acerola, cajá, caju, goiaba, graviola, manga, mangaba, maracujá, morango e pitanga. Por contraste, o mundo maravilhoso dos acarajés tem duas classificações que não são mutuamente exclusivas:
.a. por tamanho
.b. por estado de agitação termo-induzida das moléculas (Theil entropy approach).
No primeiro caso, podemos falar nas classificações quente e frio (e, lógico, no segundo, também), ao passo que -paralelamente- no segundo caso, falamos em "grande" e "pequeno", o que também -claro- cobre a primeira parte da taxionomia aqui utilizada.

Estas reflexões levaram-me a dizer: good bye.
DdAB

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Poemas Fotográficos

Querido Blog:
Esta é a postagem número 101, ou seja, ontem foi dia de festa e comemorei de outros jeitos, dando continuidade a minha vida, atenta e investigativa. Em homenagem a este evento, decidi duas decisões (era assim?)
.a. iniciar (novamente?) a série Lixo Urbano -platônico que sou- com seu oposto, o uso de material urbano colhido de forma a enlevar o espírito humano.
.b. manifestar de forma artística o que me vai n'alma. Poesia? Sim! Comecei poeticamente inspirando-me na foto acima, de autoria de Sílvio e Ana, postada em:
http://2.bp.blogspot.com/_fo-oJ4aNR_4/SYiEt-rAWeI/AAAAAAAAA-E/L-GEF-KV8js/s1600-h/IMG_6326-b.jpg.
Poesia? Depois do show de imagens dessa foto? Sim; garra esta:

FOTÓGRAFOS DO MUNDO URBANO
-Tu gostas de fotografia?
Perguntou minha tia.
-Gosto demais,
responderam meus pais.
E de arquitetura?
Disse a rapadura.
-Mais que castiçais?
Ouvi de desenhistas industriais.
(end of poem).

Andei pensando -uma água de coco numa mão e um mamão na outra de minhas duas mãos- que (se quiseres aproveitar tuas férias) deverás esquecer o computador no saguão do Aeroporto, se te der algum conforto. Para o caso de -se uma dessas avalovaras te bater na asa errada, a aeronave abrputamente aterrisada ou a máquina de computar não sendo recuperada- deixarás um back up com a namorada. E por aí vai. Ao mesmo tempo, por pensar neste irrefreável romantismo que veio a frear meus estudos do índice de Theil, decidi fazer um ensaio fotográfico. Uma vez que a câmera na mão é-me tão ociosa quanto a posse de um violão, decidi garrar a foto de um amigão e trabalhá-la à exaustão.

Com rimas, tinha algo contingente: buscava -veja lá, meu tenente- um livro em que havia uma sequência de fotos ilustrando a revelação (no sentido de busca da busca de busca (olhaí infinito gerado por finitos) do oculto. Contrastei esta "revelação" com o sentido de acerto com a câmera obscura alcançada com o uso lentes sucessivamente mais potentes, como diria Mafalda Veríssimo, em sua viagem ao México, nos idos dos 1950. Que estou lendo o livro de seu marido com suas memórias de viagem ao reino dos "hipotecas" (não era isto?), pois ninguém é de ferro para levá-lo (ao ferro) destes índices de Theil-T e Theil-L.

Contingentemente, informo. Encontrei "México" e o livro de fotos do Círculo do Livro (c.1980) num sebo da Rua Riachuelo d'o Porto (dos alegres). Meu cérebro sugeria que minhas retinas nele teriam capturado (a memória obturou-se...) uma sequencia de fotos mostrando o resultado da resolução alcançada com diferentes aberturas de lente. Seja como for, no que abaixo vou estar postando, tomei a foto de Sílvio dos Santos que nos epigrafa e menti que (com uma lente, digamos, tipo Tail-47) obtive as seguintes visões.

Na primeira, imagino alieníginas trazendo mensagens de paz e felicidade aos terráqueos (apoiados em 47 teoremas que provam irrefutavelmente que o igualitarismo é uma boa), que alegadamente viram o seguinte:
Aí, a avó do capitão da nave -siga a viagem comigo- disse-lhe: "Por que tu não pega a Tail-48 e vê que jeringonsa (a grafia correta lhes era estranha...) é aquilo?" O capitão da nave fê-lo e chamou o pessoal para ver o que segue:
A avó do Badanha (este era o nome do capitão) disse apenas: "Pega a 49". Ele voltou a programar (tudo por meio de seus pensamentos) e disse apenas: "Ó aqui."
A avó dele disse: "Que que é issso, rapaz?" E ele disse: "Vou olhar melhor com a Tail-51" e -ato contínuo- voltou a chamar seu povo para as telas de estibordo:
O pove (era assim que escreviam "povo", a fim de rimar com "teve" etc.) não se conteve e pediu mais detalhes. Eles compraram por D$ 1 milhão o original que lá tinha e acima tem e agora repete:
DdAB

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Infinito, e por aí vai...

Querido Blog:
Na condição de indivíduo humano contingente e tudo o mais, sou fã de diversas contingências, criações de outros indivíduos humanos, inclusive outras criadas por mim mesmo. Uma delas é a leitura, hobby que acalento desde os seis ou sete anos de idade. Neste caso, li -há alguns anos- o charmoso livro "Budapest", de autoria de Chico Buarque, tendo copiosas anotações para escrever o que tenho chamado de "um ensaio esfigmonanométrico", genero literário que está praticamente inventado. Também li -há mais tempo- "Alice in Wonderland", de autoria de Lewis Carroll, acabando de adquirir uma versão Disney.
"Budapest" deu-me a expressão "e por aí vai", que achei irreverente num romance, pois não seria lá o local de encher a cabeça do leitor com explicações sobre para onde ia a história naquele ponto. No recente livro que acabo de pensar que escrevi, intitulado "Lições de Contabilidade Social", usei-a algumas vezes, tentando despertar legítima indignação no futuro leitor.
"Alice" deu-me a ilustração de hoje, quando pedi ao Mr. Images o que ele tinha de melhor sobre "infinito" e "e por aí vai". Não lembro se com ou sem reticências... Reticências, penso agora, quer dizer precisamente isto: e por aí vai.
Resumindo: ter-me-iam dito que, na hora de sua morte, Lewis Carroll teria dito: "Ninguém é eterno", entendendo que parte de sua obra seria ainda mais eterna do que ele. O Eng. César Antonio Leal ter-me-ia dito, por outro lado, achar que "essa história do Big Bang está mal contada." Dado que ele é PhD em engenharia nuclear -e o Big Bang é o núcleo do universo conhecido, ergo o universo desconhecido está fora dele, mas presumivelmente exite, pois otherwise de onde teria vindo a faísca?-, fiquei um tanto quanto como direi... Em outras palavras, o universo também deverá ser contingente, ou seja, não é apoiético, teve começo. Talvez não tenha sido originado em nada mesmo, caiu out of the blue, como teria dito o gato de Cheshire para uma gata em Henley-on-Thames (Berkshire o.s.l.t.).
Neste caso, pensei cá com minhas canjicas que a vida que evoluiu desde então até nos dar consciência de todo o processo. Não faz mais de 2 milhões de anos que isto ocorreu. Talvez apenas 50 mil, como sugeriu Anthony Burgess (n'A Laranja Mecânica). Por contraste, que será que existia 50 mil anos antes do Big Bang? Bem, talvez nem o Big Bang tenha existido. Neste caso, de onde viemos? Se existiu, que terá existido antes dele?
Que quererá então dizer isto de ser eterno? Há um ser eterno? Há outros incontáveis seres eternos? Um triângulo retângulo é eterno? O seno do ângulo de 90g é eterno? Nada é eterno, disse ele. Somos contingentes, diria Carlos Roberto Cirne-Lima, mas aparentemente pelo menos uma tunelagem foi necessária para criar sabe-se-lá-o-quê-que-acabou-virando-o-universo-conhecido. Uma tunelagem, universo conhecido: beiramos o misticismo, não é mesmo, meu senhor do bonfim?
Segue-se necessariamente que estivemos, os triângulos escalenos, eu, os papeizinhos em que o sorriso do gato de Cheshire desaparecia, a avó do Badanha, Badanha himself e tudo o mais, comprimidos no mesmo ponto há algum tempo. Depois, crescentemente vimos afastando-nos, de sorte que, entre Theil-T e Theil-L, há mais distância do que a que legitimamente hoje em dia podemos calcular.
Segue-se também por necessidade que o lobo e a formiga, a onça e o espelho dágua, e tudo o mais que de sublunar imagino (e quem sabe também a Lua?), somos uma e apenas uma entidade. Se o Big Bang existiu, Gaia necessariamente existe. E começa a espalhar-se com os fragmentos de naves que crescentemente deixam nosso habitat. Ok, férias são feitas para isto: dizeres o que te vem à mente, antes do café da manhã, que antecederá um joguinho de frescobol among friends. A bola é que andará between nós-vós-eles, manjou?
DdAB

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Maceió e Theil

Querido Blog:
Estou sutilmente atrás do mar que acima vemos. Vemos cena de Maceió, a brava capital das bravas Alagoas, não sei a razão do plural. Sabe-lo-á o Capitão Marvel, ou o próprio Professor Miranda. O Sr. Images deu-ma (a imagem paradisíaca) quando pedi "maceió" e "desigualdade". Por que pedi isto? Por que epigrafei com "Maceió e Theil"? Porque estou revisando pela milhonésima vez os escritos que fiz para o capítulo 17 do eletrizante livro "Lições de Contabilidade Social", que espero ver editado ainda nesta encarnação. Por que postei como "Vida_Pessoal"? Porque é um desabafo, já que - diferentemente do combativo capitão a que me refiro acima, you know what i mean- não consigo entender adequadamente os dois índices de Theil, o T e o L. Parece que eu entendera o contrário de Rodolfo Hoffmann sobre quem "enfatiza" a desigualdade entre os ricos e a entre os pobres.
Por falar em desigualdade, também procede do Mr. Images a fotografia que abaixo vemos, precisamente na busca de "maceió" e "desigualdade". Nada direi sobre as mãos-na-cabeça da senhora adulta, se assim bem adivinho. Das crianças, depois de chorar as misérias do mundo, digo apenas que elas jamais saberão o que é Theil-T ou Theil-L, nem esta questão do viés implícito em cada um deles, dada a origem de ambos num índice geral derivado da forma que Claude Shannon divisou para medir a entropia, entendida esta como redundância no conteúdo informativo de uma mensagem.
O mundo não pode prosseguir assim: famílias mergulhadas na mais extravagante bonança, contrapondo-se a outras que não conseguem cessar de embasbacar-se frente a um prato de comida.
DdAB
peesse: não sei se é amargor, mas sigo pensando no maior silogismo desde Aristóteles:
M - todo político é ladrão
m - ora, todo ladrão é político
C - logo todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Justiça e Liberdade

Querido Blog:
Você viu acima o que o Sr. Google Images deu-me como resposta à entrada "justiça"? Pensei: com governantes como os acima, que é a aura discernível dos homens públicos brasileiros contemporâneos, as chamadas altas patentes da administração pública nacional, nada mais natural que o jornal porto-alegrense "Zero Herra" tenha como sua manchete principal de capa de hoje o seguinte: "Condenados podem ficar em liberdade até o último recurso; decisão do STF abre caminho para soltar milhares de presos."
Primeiro, pensei que Zero Herra é que é o problema, sensacionalista, baixo nível investigativo, essas coisas manjadíssimas. Depois, achei que o macaco abaixo poderia estar a descrever o espírito tumultuado dos 11 juízes do supremo (o tribunal, by the way) que garantiram a liberdade ao brasileiro, até que a prova de sua culpa seja insofismável, como apenas as provas das ciências lógicas, ou seja, nunca de núncaras. Nem com a confissão de um rapaz do porte do Dr. Inocêncio, poderíamos garantir que ele é possuidor de escravos. Alguma evidência contingente faz-se necessária. Eu, por exemplo, confessei ter roubado a Torre Eiffel e poucos atentaram para o fato...
E o que haverá de errado em terem enjaulado o tigre que veremos ao lançarmos os olhos alguns milímetros abaixo do ponto de interrogação que agora vou estar pingando?
Na sociedade do futuro, mais justa, alegariam seus estipêndios, sociedade esta despida de injustiças, certameante um tigre do porte deste terá culpa em cartório devidamente comprovada, caso contrário não tê-lo-iam jogado por detrás das grades que ele, tão gracilmente, enlaça. A pergunta futurista é: que tipo de crime poderá um tigre do porte deste praticar, a fim de tornar-se merecendente de uma pena que o afasta do carteado com gazelas e afins nas pradarias africanas? A resposta é que a imagem das grades para abrigar contraventores é que não lá nos leva muito adiante...
Ainda assim, o símio que vemos a seguir ('vemos a seguir'? não era melhor ter dito 'veremos a seguir'?) não reclamou em bom português das condições de vida em seu cativeiro, digo, seu hotel. A liberdade humana pouco ou nada tem a ver com canarinhos ou jardins zoológicos, ainda que devamos acautelar-nos para não espisotear direitos animais. Todos, todos os que ingressamos no Universo Conhecido via Big Bang temos certos direitos. Nossa liberdade deve ser a mais ampla possível, isto é, podemos fazer tudo, absolutamente tudo o que não afeta a liberdade dos demais.
Os juízes do supremo ficariam surpresos, se vissem a beleza das imagens oferecidas pelo Google Images ao procurarmos "juízes do supremo" e "ladravaz". Nenhuma, mas com ladrão, já temos 161. São uns criminosos, pois sua compreensão do que é liberdade humana (se é que seu motivo não é muito mais venal) contrapõe-nos e aos bandidos que lhes são associados ao caminho de minha própria liberdade. Não fossem eles, a leniência com que tratam o crime no Brasil, eu não teria sido assaltado, há um ano, em plena Calle San José pelo Sr. Garufa, ou quem lá seja.
Qual é o problema dos animais (juízes do supremo) que deveriam estabelecer a política de garantia da maior liberdade possível aos brasileiros? É que eles vivem enjaulados nos salários que se fixaram, digamos, R$ 50.000 por cada, o que os faz absolutamente alheios ao que se passa na vida dos 250 trabalhadores que poderiam viver com o que cada um deles ganha. Neste caso, eles não se dão conta de que sua única chance de não serem declarados uns animais é fazerem com que o último recurso possível para garantir a responsabilidade pela afronta à liberdade (claro que própria, como no caso da mutilação consentida, ou de terceiros, como no caso de roubarem o automóvel do prefeito Fogaça, como se lê mais abaixo na capa do mesmo jornal) de que o indivíduo que não está na cadeia é acusado ocorra a.s.a.p., ou seja, como disse o finado Presidente Kennedy: as soon as possible.
Em resumo: claro que cadeia não é lugar de inocente. E claro que liberdade não é compatível com culpa. E claro que é problema do poder judiciário fazer justiça, ou seja, punir a.s.a.p. os causadores de danos à liberdade de terceiros. Claro que o Dr. Inocêncio de Oliveira, detentor de escravos, deveria ter ido para a cadeia. Claro que apenas uma oligarquia desprezível é que o retém fora das grades, pois o último recurso ainda não foi protocolado...
Saudações Universitárias
DdAB

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Probabilidades e o Big Bang

Querido Blog:
Como disse W. H. Smith, "esta vida é uma pinóia", ou o equivalente em inglês, ou pelo menos foi isto o que eu li em um dos livros postos à venda em suas lojas... Você entendeu, não é? Nada estou dizendo que preste. Mas foi por inspiração das imagens que achei ao procurar no Google Images as duas expressões que epigrafam esta postagem.
Primeiramente, a primeira é tão entusiasmantemente grande que parece que por lá vemos todos os pontos do mundo, inclusive o Aleph borgeano. Ou seja, o ponto que abarca todos os demais pontos, inclusive a si mesmo. Este ponto -grotesco, como diria Jorge Luis Borges- poderia ser o que os cientistas (usando instrumentos mais modernos do que os exibidos nesta maravilhosa fotografia de Sylvew of St. Saints) denominariam de Big Bang, fruto de especulação legítima: se as galáxias estão a afastar-se, elas deveriam estar comungando de um ponto comum, em algum passado. Seus cálculos nada sofisticados levaram a crermos que existe um Universo Conhecido, no qual o espaço-tempo-matéria-energia começaram a contar há 15 milhões de anos.
O pobrema -como disse Arnold Schwartzenegger- é que, neste caso, estivemos ele, tu, eu, a tecla t de meu computador, a fivela do cinto do segundo cientista (e ele todo e a fivela e todo o outro rapaz, e suas carteiras de cigarros ou de $$$), tudo, tudo, tudinho, ocupando o mesmo ponto, pois nada mais havia -que nos tenha gerado- além dele.
Falei isto para uma afamada professora da UFRGS e ela disse-me apenas: "não surpreende que a coisa tenha explodido", referindo-se -claro- a um ponto em que ela e eu comungávamos da mesma sala...
Chega de Big Bang. Mas, se há Big Bang, poderá haver Big Crunch, ou seja, o encolhimento generalizdo. Neste caso, a sala, a fivela, o cachorro, a palavra "perro" escrita em todos os livros do mundo, e tudo o mais, voltará ao mesmo ponto.
Chega de Big Crunch. Neste caso, el punto se desplazará asta formar a todo lo que conoscemos, e formará, em milhões de bilhões de trilhões de vezes (um infinito feito de finitos...), exatamente o que agora vemos, ou um Universo exatamente igual a este, com exceção da palavra "perro", que será escrita como "pehro". E assim por diante, diabolicamente, como diria novamente Borges.
Qual a probabilidade de isto acontecer, ou seja, em milhões de bilhões de trilhões de tentativas, o Universo assumir precisamente a mesma formatação de tudo o que conhecemos e deduzimos, exceto pela palavra "pehro" e seu substituto "perro"? Pois já vou dizendo: não é zero. Mas isto impede, de maneira absoluta e peremptória que sejamos escravos deste diabólico jogador de io-iô. Basta pensarmos que probabilidade não significa possibilidade. Explico-me. Qual a probabilidade de sair o número 3,5 ao lançarmos um dado perfeito? É a maior, pois este é o valor da média de uma distribuição retangular. Só que teremos pilhas de uns, dois, três, quatros, cincos e seis. Mas nada de 3,5, nunca, nunca de núncaras. Quer conferir? Basta coletar um dado perfeito numa chapelaria da Av. das Estrelas e ficar jogando para ver que não rolará um 3,5. Se rolar, deixaremos de chamar o blim-blim-blim que o originou de dado.
Beijos
DdAB

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Valor da produção e valor adicionado

Querido Blog:
Esta imagem, que não sei bem o que significa, editei-a pela primeira vez com o Adobe Photoshop. Ou melhor, pela primeira vez, usei o Adobe Photoshop para editar algo bem sucedido. Ou melhor, você sabe... Procurei no Google Images com "valor da produção" e "valor adicionado", o.s.l.t. Decidi fazê-la acompanhar-se de algumas considerações sobre conceitos. No caso, os conceitos de valor adicionado, valor da produção, renda básica, produtividade e emprego.

Primeiro: tem gente que pensa que o governo deve promover o desenvolvimento econômico por meio de uma política industrial em que o valor da produção dos setores econômicos assuma a maior importância. Eu penso que esta gente não tem bem claro o que está falando, talvez fique confusa ao perceber que -quando pensa em valor adicionado- fala em valor da produção. E confunde-se ao sugerir que se trata de termos sinônimos. Primeiro: com exagero, posso dizer que o valor da produção não tem a menor importância, pois o que interessa é o valor adicionado. Segundo: uma vez que o valor adicionado tem três óticas de cálculo (produto, renda e despesa), não podemos pensar que produto é sinônimo de valor adicionado nem de valor da produção. Produto (P) e valor da produção (VP) diferem, pois VBP = P + CI, onde CI é o valor adicionado. E, naturalmente, o que interessa não é a produção exagerada de bens de consumo intermediário. Terceiro: a ótica do produto não é mais importante do que as demais. Associando esta constatação contábil com a do endeusamento do valor da produção, não nos resta mais nada a não ser pensar que o foco da discussão deve deslocar-se do valor adicionado para outras variáveis importantes do sistema. Ou melhor, temos que produzir bens e serviços (valor da produção), pois -ao fazê-lo- geramos valor adicionado. E, obviamente, consumimos bens e serviços e não valor adicionado, mas não era disto que estávamos falando. Nâo podemos confundir o "consumo das famílias" com a absorção de bens e serviços que servem para o consumo as famílias. Quando uma família come um pão, ela está comendo o "valor da produção", mas o "consumo das famílias" das contas nacionais tem apenas o que tenho chamado na modelagem que Andrew Glyn obrigou-me a fazer de "consumo das famílias resolvido", pois ele é obtido pela multiplicação da inversa de Leontief pelo vetor de "consumo das famílias" integrante da demanda final.

Segundo: o emprego:: claro que estamos mais interessados no mercado de trabalho e, mais do que ele, na utilização da renda social. E na parte que dela cabe às famílias dos trabalhadores (por oposição ao consumo do governo e às famílias capitalistas). Sob o ponto de vista da sociedade, quanto mais emprego, pior! Quanto mais lazer, melhor! Claro que sem emprego não há produção. E sem produção não há valor adicionado. Mas o ponto é que pode haver valor adicionado com mais ou com menos emprego. E a sociedade quer assinalar a opção "com menos". E "com mais lazer". Quando neguinho fala em emprego, ele também não está pensando em emprego mas em renda.

Terceiro: renda? que tal instituírmos o mecanismo da renda básica? todo mundo ganha uma fração do excedente (valor adicionado), mesmo que não o tenha produzido. E outro mecanismo que dê maiores recompensas a quem produzir mais?

E a política econômica? Esta deve passar a orientar-se para forçar transferências e não a fazer incentivos diretos à política industrial, que gera valor da produção, que gera valor adicionado que gera felicidade. O circuito é direto: dá renda aos membros da população e dá incentivos aos produtores (trabalhadores e capitalistas), e teremos valor da produção e renda para a compra de bens e serviços de consumo (resolvido).

Tudo isto é complicado? Precisavas ver, então, o que é complicado, se contemplasses as anotações que fiz sobre estas coisas num cantinho de uma bolachinha de chopps.

DdAB

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Desemprego e o Lucro do Bradesco

Querido Blog:
Como vemos na foto acima, burro rima com burras. Não poderá ser outra coisa para soerguer um burro do porte do que vemos na foto do que pilhas de caixas de papel recheadas de dinheiro. A carinha do carinha ao lado parece-me cheirar a Meio Oriente, uma região aprazível para se viver em paz.
Por outro lado, por falar em burras, não há como deixar de registrar o que disse a página 21 da seção de Economia do combativo jornal Zero Herra. Mais à esquerda na página, temos "Trabalho. Seguro para desempregado tem reajuste" e, a sua direita, num daqueles sem mais aquela, lemos:
"O Bradesco obteve lucro líquido de R$ 7,62 bilhões em 2008, valor 4,9% menor do que o alcançado no ano anterior. No quarto trimestre, fase mais aguda da crise financeira internacional, o lucro do banco foi de R$ 1,6 bilhão, queda de 26,8% ante o resultado do mesmo trimestre de 2007."
Eu pensei: a esquerda vangloria-se de ver aumento para o seguro desemprego. E a notícia oferece possibilidade de entendermos um pouco os mecanismos que afastam o trabalhador desempregado de algum poder aquisitivo. O máximo que um trabalhador pode arrecadar como seguro desemprego são R$ 870,01, se ganhava, em média, R$ 1.279,46 mensais ou mais, e se seu desemprego não foi maior de 12 meses, nos últimos três anos. Meio estranhas estas regras. Políticos não precisam, pois -caso não sejam reeleitos- ganham aposentadoria, sabe-se lá que mecanismo perverso é usado por estes usurpadores da merenda escolar.

Eu preciso do Excel (um produto das mentes capitalistas) para poder dividir R$ 7,62 bilhões por R 870,01 e ver que a dimensionalidade da equação me dará um número informando quantos trabalhadores poderiam beneficar-se, durante um mês, se os lucros do Bradesco fossem distribuídos desta forma.

Lá vai: 7,62 x 10^9/870,01= 8.758.520. Eu disse 8,8 milhões de velhinhas? Exagero, pois arredondei para mais... Divide por 12 e já temos mais de 700.000 velhinhas por ano, e por aí vai. O que deveria ser feito com o lucro do Bradesco? Distribuído aos acionistas? Retido na forma de imposto de renda da pessoa jurídica? Não: deveria ser distribuído e a parte que chegou à mão da pessoa física deveria pagar imposto de renda que os deputados (isto é, os rapazes que roubam merendas escolares) deveriam elevar substantivamente. Claro que isto é uma opinião. Mas ela tem milhares de justificativas, sendo que vou acenar apenas um um dos lados da questão.
Que é lucro extraordinário? Suponhamos que contadores e economistas concordem que esses R$ 7,6 bilhões sejam mesmo lucro extraordinário: a remuneração do capital acima do que este receberia se aplicado na melhor aplicação possível vigente no mercado. Mas podemos contentar-nos com a aplicação média, ou seja, a taxa de lucro médio da economia.
Por que o Bradesco decidiu expropiar de seus clientes dinheiros que lhe permitiram pagar com folga seus custos, inclusive o da remuneração do capital? Porque ele cobra preço mais alto do que o custo marginal. Isto quer dizer: problema de ineficiência alocativa. Isto quer dizer: a oferta é escassa, o que faz o preço situar-se num patamar mais alto do que estaria, caso houvesse mais ofertantes. O que quer dizer que apenas o poder de monopólio dado ao Bradesco pelo Banco Central e usado de maneira a gerar lucros extraordinários para seus acionistas é que garante esses R$ 7,6 bilhões.
DdAB

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Oferta, Procura e Falsificacionismo


Querido Blog:
Começo hoje nova e grande viagem. Espero chegar a mostrar que não é nova, ainda que grande, ou talvez nem o seja, sei lá, entende. Primeiro: a lei da oferta e da procura. Busquei ilustração em:
http://academiaeconomica.blogspot.com/2009/01/o-que-demanda.html
e não consegui trabalhar adequadamente a imagem, que apareceu em dimensões menores do que do tamanho do ponto que sucedeu o Big Bang. Desisti, até que tenhamos telescópios mais potentes...
Vou falar: lei da oferta e procura, equilíbrio e falsificacionismo, ou o que entendo deste troço. A viagem seguirá quando eu voltar a explorar o jogo dos leitores (para não batizá-lo [ou 'los'] como jogo dos idiotas). Ou seja, in due time, farei algumas postagens sobre o que é equilíbrio, estratégia dominante e equilíbrio de Nash.
Pois bem. Começamos agora. Meu amado Samuel Bowles em seu livro de microeconomia, ajudou-me sobremaneira a pensar sobre seu livro de microeconomia, o que é o mesmo que pensar no Aleph, ou seja, pensar no ponto que reune todos os demais pontos, inclusive -lembremos Borges- tragicamente a si mesmo. Por pensar é que tomei a liberdade de discordar aqui e ali. Primeiro, parece que a dualidade indivíduo-cidadão, mais velha do que meu próprio nascimento, pode ser refraseada como indivíduos "civic minded" e indivíduos "self interested". Que quer dizer se dissermos que há um enorme problema na teoria econômica que nunca levou a sério que haverá nas motivações individuais alguma componente altruística? Que deveremos desdizer-nos, pois claro que há. Basta pensarmos na teoria do estado de alfa microeconômico:
A = aS + (1-a)C,
onde A é a ação humana, S é a motivação egoística e C é a motivação cívica e a é um parâmetro variando entre 0 e 1. Ou seja, se a=1, o neguinho -diria Dilma, remember?- é um deslavado egoísta.
Quero dizer: é complicado mandar para as favas o pensamento dos velhinhos que nos antecederam, pois poderíamos dar-lhes uns golpes (no pensamento, não neles velhinhos, claro) e reformatá-las a nosso bel prazer e belos propósitos. Neste caso, esposo o ponto de vista que "microeconomia" é uma expressão que não se reduz apenas aos economistas chamados de neoclássicos. Se acho que utilidade existe, posso ser chamado de neoclássico ou não, depende de outras choses. Les choses de la vie... Nem querer banco central mundial me faz, por necessidade, um monetarista...
Pois não é que Bowles himself queixou-se que Walras está errado ao dizer que
Ls = f(W), ou seja, que a oferta de trabalho do neguinho (Ls-labour supply) depende do salário do neguinho (W-wages). Com isto, ficam olvidados milhares de outros fatores que influem sobre a relação de emprego, a oferta de trabalho, essas coisas. Achei que é radicalismo desnecessário de Bowles, um jeito retórico de manifestar sua fé no proletariado, no igualitarismo, essas coisas em que também acredito, como religião, como posição política. Seguindo em parte o que aprendi com ele mesmo, creio que podemos resgatar os modelos walrasianos e prosseguir a pesquisa (unended quest é, lembremos, o nome da biografia de Karl Popper), escrevendo:
Ls = g(W, M), onde M é um vetor cujos elementos são os milhares de fatores que influem em Ls, além de W.
Next, o que é um modelo. É uma simplificação da realidade, destinada a auxiliar-nos a explicá-la ou fazer previsão sobre o rumo futuro de alguns fenômenos que nos interessam. Neste caso, a ilustração capturada acima do site citado -a abordagem gráfica da análise econômica- poderia permitir-nos escrever o seguinte modelo matemático:
Ls = g(W, M)
Ld =h(W, N)
Ld = Ls
onde N é um vetor que captura outros fatores que influem em Ld, além de W. Temos um modelo de três equações (oferta, procura e condição de equilíbrio) e cinco variáveis. Caso consigamos "adivinhar" os valores de M e N, passaremos a três variáveis, nomeadamente Ls, Ld e W. Fazemos assim o sistema perfeitamente determinado, criando outras condições de contorno também favoráveis. Em particular, diremos que as três variáveis assumirão, para toda a eternidade, valores não-negativos.
Agora, vamos ao último ponto. Tem neguinho que acha este modelo alixarado, pois ele "supõe" equilíbrio. Ele não supõe, na verdade equilíbrio nenhum, pois a equação Ld = Ls não está dizendo que há, houve ou haverá equilíbrio. Ela diz apenas que, se a quantidade demandada de trabalho igualar a quantidade ofertada, então poderemos saber qual a taxa de salário vigente no mercado de trabalho.
Por outro lado, é claro que o que acabamos de falar trata da situação ex ante (id est, planejada). Se todos os agentes realizarem aquilo que planejaram, o que teremos? Teremos a tendência à manutenção das condições que os levaram a realizar o planejado. Talvez até isto signifique que, no período seguinte, mais trabalhadores sejam contratados ou demitidos, que haverá ou não revisões das componentes dos vetores M ou N e por aí vai. Ou seja, ontem, houve equilíbrio. No passado, as variáveis ex post, ou seja, realizadas, sempre estarão em equilíbrio, pois tudo o que foi vendido deve igualar tudo o que foi comprado. Esta é a dualidade básica das economias de mercado. Não pode vender um troço que não tenha sido simultaneamente comprado.
E este troço de considerarmos a condição de equilíbrio como sendo a igualdade entre as quantidades de trabalho planejadas? Nada de errado há com isto. Claro que nossa condição de equilíbrio poderia, se achássemos interessante, dar lugar a uma condição de desequilíbrio. Poderíamos desejar, por exemplo, provocar um permanente excedente de demanda, a fim de forçar uma subida nos salários, pois alegaríamos que salário alto é bom para a eficiência do sistema, ou alegaríamos outra coisa, sabe-se lá. Neste caso, a terceira equação do sistema acima seria dada por, digamos:
Ls = 0,9 x Ld,
ou seja, se, por exemplo, houver 90 trabalhadores ofertando emprego, a demanda que nos deixa felizes é de 100 trabalhadores, tanto é que
90 = 0,9 x 100, né?
Matematicamente não há problema. No mundo real, tampouco. O único problema é que, com isto, estaríamos pagando tributo à economia walrasiana. Ou à economia marxista. Ipso facto, estaríamos desmoralizando a economia dos heterodoxos estrela, ou seja, os heterodoxos que pensam que usar viseiras é profissão...
DdAB