domingo, 30 de novembro de 2008

Billie, the tangow!

Querido Blog:
(Diria melhor, hoje, Dear Mr. Blogger Man, pois capturei a imagem acima de www.bp1.blogger.com)
Fi-lo, ou seja, capturei a imagem de Billie Holliday do site acima creditado, pois a estava ouvindo em casa (no CD for sure) ao wake up. Depois dela, emendou-se como duas estrelas que não se emendam, amando-se sem cessar o canto do filme as follows:
Em resumo, hoje é domingo. Hoje acaba o primeiro mês integralmente dedicado ao Blog com postagens diárias, pois houve-as em outubro, quando ouvi as canções que narrarei no Blog que escreverei daqui a 12 milhões de anos, se viver tanto. Em compensação, amanhã, vou tentar mudar as cores da home do blog de dezembro. Is that right?
Bjus
DdAB

sábado, 29 de novembro de 2008

Para 46,8%, há porcada nos deputados

Dear Mr. Blogger Man:
O Mr. Porco Man sorridente que vemos na imagem capturada em Google-Images http://www.cristhy.blogs.sapo.pt/ mostra -sob o queixo noelesco- um "V", de vitória, para registrar a tristeza que a cacofonia "porcada" representa para 46,8% dos gaúchos entrevistados pelo presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Alceu Moreira. Ou melhor, diz o causídico que "[...] 53,2% da população aprova o desempenho dos parlamentares." Como, certinho-certinho como uma clepsidra, 100-53,2=46,8, somos forçados a concluir que, entre os que desaprovam a cleptomania, há 46,8 pessoas furibundas.
Por que sorri o Mr. Porco Man? Porque a p.25 de Zero Hora de ontem estampa a frase paragrafal "Todo esse processo foi construído, por cada participante, de forma abnegada e voluntária." Como o título do artigo é "Na Assembléia planeja-se o Estado", somos forçados a concluir que a vara que por lá vaga:
.a. precisa da pesquisa UFRGS/Ulbra para saber que 46,8% dos entrevistados em sua amostra desaprova-lhe (à vara da 'por cada') o desempenho
.b. precisa da pesquisa UFRGS/Ulbra para informar aos deputados as preferências de seus eleitores sobre as questões substantivas da definição de rumos estratégicos para o estado
.c. confunde estado (Estado?) com governo, o que nem dá espaço para pensarmos em substituir o governo dos homens pela administração das coisas
.d. faz inveja ao Imperador da Editora GangeS por esta ter sido lateralizada na pesquisa (em que a GangeS tornar-se-ia especialista em instantes) e haurir dos louros. Ou o consórcio UFRGS/Ulbra terá cobrado o preço no nível de seu custo marginal?
Com a pesquisa que lhes negou a aprovação de 46,8%, Mr. Moreira Man garante que os "[...] deputados [...] resgataram para o conjunto de funções parlamentares a prerrogativa política do planejamento social." Por que este post vai para o marcador "Economia Política"? É que -na escrita do presidente da Assembléia da Rua Duque- não há referência à lei do orçamento. Ele contratou a Não-GangeS para fazer a pesquisa que devia informar os deputados sobre o que pensam seus eleitores, poupando-lhes (a eleitores e deputados) a possibilidade de confrontos que poderiam levar à morte de 55 criaturas. Ele não pensa que a lei do orçamento, um ou dois dias depois da aprovação da peça de 2009, tenha a ver com seu assunto, sobre como expressar a ação societária concebível hoje para que seu horizonte de planejamento de 30 anos não seja apenas uma brincadeira de transferir renda à Editora GangeS ou outras instituições de pesquisa.
O parágrafo de encerramento do artigo em ZH é piramidal. Seu tópico frasal, reescrito, sob color de poema, daria mais ou menos o seguinte:
A simples perspectiva
de participação no debate
resgata oníricos sonhos,
forja grande expectativa
mas nos mostra disparate.
Segue-se logicamente que o encerramento foi:
"Deputados e sociedade, lado a lado, souberam construir um pensamento convergente. Temos que seguir, pois quando se pensa na infra-estrutura do Estado, não se quer apenas desenhar pontes, construir hidrovias, ampliar a capacidade energética e fomentar setores agrícolas. O que se quer, na verdade, é promover a qualidade de vida de cada cidadão."
Quando contei isto para o Mr. Porco Man, ele riu de esguelha e disse: "Frigoríficos abatedores de suínos não são atividades agrícolas, logo deveriam ser proscritos. Gastar em educação, justiça/segurança, saúde etc. não contribuíram para expandirmos a exportação de carnes de frango e bovina?" Eu, que escrevera uma dissertação "marxista", no dizer de um bom amigo, sobre a multicolinearidade nesse tipo de frigorífico, ou melhor, nas funções de custos que andei tentando estimar para eles -porcos, frigoríficos, médios e marginais-, sorri de esguelha.
Saudações Universitárias, xará.
DdAB

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Teoria da Medida

Querido Blog:
Conversando tecladamente com o Prof. Sílvio dos Santos, consagrado pedagogo da Ciência Matemática, decidi expandir minhas reflexões sobre a medição da felicidade exibida em posts anteriores. Achei que nada seria melhor para ilustrá-las o que a figura acima, que retirei de
http://www.colegiosaofrancisco.com.br/, via Google-Images, com escala mudada. Já sou cliente. Senão vejamos.
O mundo se divide em objetos que podem ser apenas contadas ou objetos que, além de contados, também podem ser medidos. Pelo menos foi isto o que me levou a crer o texto correspondente (que referencio em Planos de Ensino de várias disciplinas que tive a ventura de ministrar) de Siegel, em seu nice and charming livro "Estatística Não-Paramétrica".
OK, claro que talvez o mundo dos objetos também seja composto de coisas que não podem nem mesmo ser contadas.
E isto é uma idéia que não entendo bem. Qual seria, neste caso, o mundo que abrange tanto o-mundo-dos-objetos quanto o mundo-dos-não-objetos, ou seja, o mundo que abrange todos os mundos possíveis? Isto nos remete ao platonesco Teeteto. Se falo em sonetos, por exemplo, que isto tem a ver com "contar" ou "medir"? Acho que posso contar o número de sonetos feitos por Camões, ou por quem lá seja, o número de sílabas em cada um dos versos, letras em sílabas, o que seja. Mas talvez o conceito de soneto é que não seja passível de contagem. Creio não evadir-me da questão caso diga que o "conceito de soneto" é algo sequer passível de contagem, ainda que possa contar quantos sonetos Camões digitou, se é que havia computadores naqueles tempos... Ou seja, o conceito de soneto não é um objeto e, como tal, não pode ser medido. Um triângulo é um objeto e, como tal, podemos contar quantos triângulos podemos imaginar em 25seg ou medir-lhes a extensão dos lados, a área etc..
Deixemos estar e sigamos com o mundo dos objetos, selecionando apenas um de seus aspectos, o de sua mensurabilidade, descartando outras, como a da materialidade, coloração, contingencialidade, e por aí vai. Então, vamos às coisas que podem ser contadas, mas não medidas. O exemplo tradicional é caso dos endereços de meus amigos em minha agenda: sei quantos endereços tenho, quantos amigos tenho, quantos amigos moram no mesmo endereço e tudo o mais. Mas não tenho informação (pelo menos não direta) sobre, digamos, qual dos amigos mora mais perto de minha casa, da Churrascaria Barranco, e por aí vai.
Mas, quando falo em distância, estou contando e medindo simultaneamente, ou -para direcionarmos o assunto- estou usando uma escala de medida para hierarquizar as distâncias de minha casa à de meus amigos. À escala de medida que mede distâncias, quilos, lucros, preços, dedos-da-mão dá-se o nome de "escala racional". A palavra racional originando-se no substantivo razão que -no caso- quer dizer apenas o resultado da divisão de um número por outro. Ou seja, sempre que divido um número por outro, ele está expressando a medida de alguma coisa que obedece a escala racional. Como vemos, esta escala é muito mais rica em conteúdo informacional do que a simples contagem dos amigos. A escala que uso para associar nomes de amigos com seus números telefônicos (dias de aniversário etc.) é chamada de escala nominal. Temos, presumo, o nome do amigo associado a um número despido de significado "numérico". Ou nem mesmo "numérico", pois posso ter Ana-Aquário; Beto-Câncer; César-Leão e por aí vai.
Também posso usar outra escala de medida mais rica do que a simples contagem, mas não tão rica quanto a escala racional. Esta descreve uma forma de medir mais sofisticada do que a simples contagem, ainda que detentora de conteúdo informacional mais pobre do que as medidas passíveis de aferição por meio da escala racional. Neste caso, por exemplo, posso classificar as distâncias entre minha casa e a dos já cansados amigos, entre, digamos, "amigos que moram perto" e "amigos que moram longe". Esta escala é chamada de escala ordinal, pois ela está ordenando as distâncias. Se a, b e c são números, posso usar relações de equivalência, como o >, o < o =",">b, b=c, algo assim. E se A, B e C são, digamos, três mercadorias, ainda que eu prefira abacates a bananas, não posso dizer que A > B, pois a relação de preferências entre duas mercadorias que supostamente estou prestes a consumir (ou escolher) não se expressa por meio de variáveis numéricas, mas de variáveis que obedecem apenas à escala ordinal. Claro que posso dizer que prefiro Queijo a Risoto, o que não quer dizer que Q > R. Posso expressar a relação entre Q e R simbolicamente, por exemplo como Q p R, querendo dizer simplesmente isto: neste momento, prefiro queijo a risoto.
Se eu sei que as distâncias das casas de Ana, Beto e César a minha própria casa são de 30, 8 e 2 blocos, claro que posso dizer que 30 > 8 > 2, ou seja, César mora pertinho e Ana mora longe. Naturalmente, a primeira informação (Beto mora a oito blocos de minha casa e César mora a apenas dois) tem conteúdo informacional maior do que a proposição "Beto mora mais longe".
A escala ordinal tem maior sentido ao ser usada quando estamos medindo (usando o termo num sentido elástico, pois diria que mesmo a contagem é uma forma de medida) outros fenômenos (economistas falam em preferências, mas poderíamos pensar em outras variáveis, como amor, cobiça, sei lá), como a felicidade. Ou seja, ainda que eu possa dizer -como o faço na falação corrente- que Beto mora mais longe, quando digo que 8 > 2, estou dizendo que Beto mora mais longe e muito mais do que isto.
Mas se indago: "quem é mais feliz, a vaca Daslu ou o Dudu?", identifico dois objetos, a vaca e o Dudu. Além do mais, posso pensar que ela é mais feliz ou menos feliz ou igualmente feliz que ele. Além disto, se -digamos- Daslu é mais feliz que Dudu e este é mais feliz do que um pote de leite, poderemos dizer -usando a propriedade da transitividade- que Daslu é mais feliz do que o pote? Claro que estou falando de dois problemas:
.a. posso medir a felicidade (em geral) usando uma escala ordinal?
.b. posso comparar as medidas de felicidade que encontrei para a vaca e para o Dudu?
Em alguns casos, a comparação é complicada, mas em outros é elementar. Por exemplo, prefiro a primeira alternativa e duvido que alguém prefira a segunda (exemplo de Hargreaves-Heap e Varouvakis):
.a. passar as férias em Veneza
.b. ser frito em óleo quente.
Pendência e reelaborações: ainda não falei (está pendendo) na escala intervalar, que mede temperatura, quociente intelectual e, para economistas desde von Neumann, a utilidade esperada. Neste caso, claro que posso dizer que ontem esteve mais quente do que hoje -se for o caso-, mas não posso dizer que, se ontem fez 22 graus centígrados, a temperatura foi o dobro da de hoje, que aqueceu-se apenas a 11 graus. A escala intervalar tem significado apenas para as diferenças. Neste caso, o delta temperatura é que nos interessa. Posso dizer, por exemplo, que a temperatura cairá ou subirá de tantos graus. A luta pela conquista de uma medida de temperatura (von Neumann fala inclusive na dificuldade que os antigos tiveram de diferenciar temperatura e calor) é um dos capítulos fascinantes da história da ciência.
Comentário final: uma vez que posso conceber que a felicidade depende de algumas variáveis conhecidas, por exemplo, meus rendimentos, a auto-avaliação de meu estado de espírito e a avaliação que terceiros fazem de meu grau de felicidade, permito-me combinar estas variáveis e dizer que o resultado da combinação é um índice que mede felicidade. Ou seja, ainda que ela própria -a felicidade- obedeça apenas a uma escala ordinal (e ainda assim talvez não muito inclinada a aceitar comparações interpessoais), o índice que dela derivo também se presta a gerar informação mensurada na escala intervalar. por exemplo, sou proibido de dizer que a felicidade de César aumentou 23,45% quando ele ficou noivo, mas tenho direito legal de dizer que o índice que lhe mede a felicidade aumentou neste montante, se for o caso. Insistindo: 22 graus centígrados não é um índice que mede temperatura, mas é diretamente a medida. Por isto não posso dividir um pelo outro. Seria pior ainda se eu quisesse dividir > por <, encontrar, digamos 123,45 e não desconfiar de nada... Beijos al contado
DdAB

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Bem-vindança à mudança...

Amado Mr. Blogger Man:
Como ilustra a imagem acima, começa a abrir-se novo capítulo em meu processo de individuação. Como terei escrito no anverso de um papelzinho de picolé, acho fundamental que o homem moderno disponha de:
.a. Um diário (memórias coletadas, documentos etc.).
.b. Um conjunto de escritos, que -por razões contábeis- chamo de "Razão", em que constem coisas da vida, como o back-up dos endereços que -de ordinário- retemos no celular, ou principalmente, como nossa visão de nossos futuros passos literários, ou seja, nosso plano de estudos.
.c. Um site, que é o afamado www.GangeS.pro.br/duilio e que estará em breve dando lugar a
https://sites.google.com/site/19ganges47/Home.
.d. Um blog (este que agora se lê).
Quem mergulhar hoje (mas não muito mais tempo) no site, verá poucas inconveniências, mas muita irrelevância.
Beijos pessoais
DdAB

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê


Querido Diário:
Ter-me-ia dito o Sr. João Simão (mantendo em sigilo maiores detalhes) que Zero Hora teria dito: "O Prof. Duílio é um embecil." É por estas e outras razões que a chamo de Zero Herra, pois -como sabemos- o certo é "O Prof. Duilio é um imbecil." Fosse jogador de truco, eu teria retrucado. Como não o sou, decidi apenas redargüir, antes que acabem com o trema...
Um leitor carente (ou seja, que cares about me) preocupou-se que estariam surgindo excessivas ilustrações em preto-e-branco neste "magnífico" (suas palavras) blog. Disse-lhe que trata-se apenas de casualidade, de coincidência com mudanças de rota, coisa maneira e corriqueira na vida de um intelectual (de meu porte) que jurou adotar como postura de vida a rebeldia. Luto pelo domínio, por parte de todos os terráqueos de:
.a. língua estrangeira
.b. instrumento musical
.c. esporte.
Beijos pessoais
DdAB

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Ética nos negócios e na vida pessoal

Querido Diário:
A ilustração é inequívoca: http://www.cartoonbank.com/. Simon says: "Get serious, John: we're talking business ethics, not ethics." ["Cai na real, João. Estamos falando em ética nos negócios, não em ética"]
Graças ao Mr. Google Man, eu a baixei agora de outro site que não o da legenda acima da dupla Simon e John. Era Simon? Mas o que me direcionou ao Google-Images não foi outra razão que não os contratempos que um mundo sem ética na vida e, como tal, nos negócios, oferece aos meninos de rua e seus simpatizantes. Pelo menos é meu caso, que freqüentei algumas ruas de Campo Grande e Jaguari na condição de simpatizante de menino de rua, pois jamais cheguei a tornar-me um deles. Em Campo Grande, em particular, havia meninos que puxavam carrinhos de aluguel para quem de direito que fosse fazer "sua feira" -no dizer da Ilha da Magia- no EGL-Estabelecimento Guia Lopes, da Vila Militar do Bairro Amambaí. Como hoje sabemos, era a infância que poderia ter-se tornado adulta com maior produtividade do que a que grassa no Brasil Contemporâneo, pois quem puxa carrinho não puxa a taboada ou as proparoxítonas. Pensei em tornar-me um deles, claro, mas fui induzido a tornar-me PhD em Economia, o que muito me infelicitou, por causar inveja em duas ou três pessoas de insofismável pobreza de espírito.
Seja como for, o Shimon sabia que a diferença entre "ética" e "ética nos negócios" pode ser a diferença entre um Gini de 0.3 e outro de 0.6, ou seja, Islândia e Paraguai. Entre, mal comparando, Vila Cruzeiro e Moinhos de Vento.
À propos: vim a conhecer o cartoon acima ao examinar a p.110 do livro que citei dias atrás (no post Happiness]: LAYARD, Richard (2005) Happiness; lessons from a new science. Harmondswoorth: Penguin. Toda a questão é se temos a capacidade de construir um índice que mede a felicidade. E se a companhia de um psicólogo pode ajudar-te a ser mais feliz ou apenas ajudar-te a medir este conceito fugaz.
DdAB

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cabelos igualitários

Querido Blog:
Capturei esta imagem de: http://1.bp.blogspot.com/, via Google/Images [quer conferir? o bp0 é bp-zero e não bp-letra-o]. Ela também foi usada por um post [também?] interessantíssimo num blog [também] interessantíssimo sobre egalitarian society. Não posso estender-me nas reflexões sobre a natureza humana nesta radiosa manhã porto-alegrense que, como sabemos, chez moi, é antecedida por flores na janela, como disse nossa leitora Berna, que também pode ser entendida como cidade suíça e prima dos Berni, o.s.l.t.). Ainda assim, como sabemos, a ilustração de hoje é o símbolo escolhido num concurso que acabo de promover sobre o símbolo da sociedade igualitária. Ele venceu, pois tá na cara que tá tudo mundo de mãos dadas neste projeto coletivo de cooperação e encaminhamento dos caroneiros para a Colônia Penal.
Cabelos e cabelereira: Karina, do Instituto Maneiro que responde pelo telefone 55 (+51) 3231.2063. Ao passar-me a máquina 3 sobre as alvas madeixas (se me deixas iludido), filosofamos sobre economia política, ela e eu. Eu voltei a referir o mendigo e seu cachorro que a sociedade porto-alegrense depositou na esquina da Rua Botafogo (de memorável motel) e Travessa La Salle (de cheiros nauseabundos, lixeiros constrangedores para narizes e corações). Espero, in due time, capturar-lhe -ao mendigo- uma imagem (pois a alma, aparentemente já foi capturada pelos rapazes que roubaram o dinheirinho da merenda escolar...) com meu telefone fotográfico, o que os rapazes que roubaram a qualidade da telefonia brasileira ainda me impede.
Disse eu a Karina que aquela cena é um atestado da ausência de um grau decente de igualitarismo da sociedade brasileira. Vivêsssemos num país igualitário, argumentava eu, aquele rapaz, ao invés de postar-se sobre peças do lixo urbano, estaria em Santa Catarina reflorestando as margens dos rios Itajaí-Açu e Tubarão, que volta-e-meia invadem todas as vias. A tragédia que o estado vizinho vive no momento é, claro, em boa medida, fruto da desigualdade. Ainda que o planeta seja inóspito, não vemos com freqüência os abalos naturais destruírem os habitats dos -por óbvio- habitantes dos países ricos.
Karina disse-me que o rapaz citado, chamemo-lo provisioriamente, de Fábio (em homenagem ao talento empresarial de Fábio Lulla da Silva), não poderia fazer nada, além de meter suas biritas. Entendi seu ponto, o de Fábio-alias e o de Karina. E acho que, para confrontá-lo é que desenvolvi a mais atraente justificativa do igualitarismo que costumo usar: fossêmos uma sociedade igualitária, sem ironia, eu diria que aquele farrapo humano e seu coadjuvante farrapo canino, teria a função social de dar uma hora de emprego diário, digamos, para um veterinário, um dentista, uma cabelereira (apenas 25min foi o que durou meu corte capilar), um assistente social, um psicólogo, um psiquiatra, um personal trainer, um cozinheiro, um bibliotecário, e por aí vai.
Concordamos -ela, Karina, e eu, DdAB- que, exercendo sua função social por 20 anos, Fábio estaria qualificado a tornar-se, enfim, um guarda florestal. Ou treinador de cães, ou motorista de algum político que, assim, seria desviado da trajetória de crimes contra a humanidade, tornando-se decente. Prometo, para algum lugar do futuro, a foto de Fábio de Tal.
Abraços.
DdAB

domingo, 23 de novembro de 2008

A Carta que Conta

Querido Blog Dominical:
(Se é que as multinacionais não vão fazer-me postar este post com data de sábado; seja como for, a ilustração de hoje é uma obra de arte feita por mim a partir da capa de uma revista Economist já deste século)
Não é mau comparar minha leitura semanal da -penso- melhor revista brasileira com a melhor revista mundial, no sentido de voltarem-se a economia & política. Para John Lennon, ou melhor, há uma canção de Lennon, "happiness is a warm gun". Para Simone (ou Liana?) de Moraes Moreira, "felicidade é uma casinha pequenina". Seja como for, Carta Capital citou Economist e não posso deixar de lembrar -idéia fixa- Zero Hora. Vamos às letras: o que segue...
"É um resumo adequado das prioridades da plataforma de campanha democrata [Obama etc.] e começa relutantemente a ser aceita por The Economist, porta-voz da intelligentsia liberal anglo-saxônica. Mas a revista, teimosamente, agarra-se a uma tese curiosa: 'Estímulo à economia pelo gasto estatal, sim, combater a mudança climática, sim, subsidiar energia renovável, não.' Usando a mesma analogia da revista com os anos 30, é como apoiar os gastos estatais de Roosevelt e a guerra ao Eixo, mas se opor ao subsídio estatal à indústria, aos transportes, à energia e à pesquisa científica e tecnológica que venceram a guerra e restauraram o pleno emprego."
Claro que leio Carta Capital à falta de coisa melhor para enfiar os olhos. Zero Hora marca -a meu ver e ao de Bia Dornelles- aquilo que ela própria pensa ser a visão de um local sobre o mundo. E claro que o local DdAB pensa que Zero Hora não sabe lá 100% escolher o que é melhor para DdAB olhar do mundo. Por exemplo, achei mais importante do que ela/ZH a notícia da astronauta que perdeu a bolsa durante uma caminhada estelar. Nem vi na Zero e deleitei-me ao ler a notícia no semanário Elsewhere, ainda não lançado, infelizmente. O mesmo pode ser dito de Carta Capital: quer que eu veja o mundo com o olhar que lhe convém transmitir a um sampaulino ou qualquer paulista, mas acho mais mesmo sampaulino. Ainda assim, até Jaguari poderá aparecer por lá, em matéria de Phydia de Ataíde o.s.l.t..
Só que agora o trecho que citei é de Antonio Luiz M. Costa (p.42-43 do número 522, de 19/nov/2008). Então: o que é felicidade? É pleno emprego? Nunca, nunca de núncaras, houve ou haverá pleno emprego! Inclusive porque há gente que prefere não reter trabalho remunerado, ter um padrão de vida menor, mas não deixar-se prender pelas cadeias da relação hierárquica. E por que digo que nunca houve pleno emprego, além disto? Porque é verdade inarredável que sempre houve e sempre haverá excedentes de oferta no mercado de trabalho. Há duas afirmações preocupantes este artigo:
.a. que "subsidiar energia renovável" é malevo e
.b. "[o] subsídio estatal à indústria, aos transportes, à energia e à pesquisa científica e tecnológica [...] venceram a guerra e restauraram o pleno emprego".
Como resultado do estudo feito, sempre achei que qualquer subsídio é malevo. Depois que estudei o silogismo clássico, pensei:
M: todo subsídio é malevo
m: ora, subsidiar energia renovável é simplesmente subsidiar
C: logo subsidiar energia renovável é malevo.
[onde M é a premissa maior, m é a premissa menor e C é a conclusão, o que dá um silogisminho tipo Barbara muito maneiro]
Por que seriam os subsídios malevos? Porque distorcerem o sistema de preços. Mentira: não são malevos por isto, pois a sociedade deve sinalizar com incentivos materiais seu aplauso à produção de bens de mérito. Mas ela pode apresentar tal sinalização por meio de isenções de impostos indiretos inseridos no Orçamento Público. Neste caso, é mais fácil desativar os grupos de pressão para aumento do subsídio, bem como toda a corrupção que esta prática de gerar incentivos induz, mesmo em países habitados por políticos decentes. Ou seja, mesmo em outros países! Como fazer? Coloca um imposto indireto único (ou seja, tenha-se apenas um imposto indireto distribuível aos municípios, estados e governo central e não milhares de impostinhos indiretões, com isenções para bens de mérito e acréscimos para os bens de demérito).
O subsídio estatal salvou os Estados Unidos do nazismo? Gerou pleno emprego? Parece-me completamente fora de questão! Resposta: rotundo, robusto, redondo "Não!". Não, não gerou, não! Nunca houve pleno emprego. Nem os subsídios citados venceram a II Guerra Mundial. Quem financiou mesmo a guerra americana foram os impostos (de renda) ainda remanescentes do combate à Grande Depressão.
Aos neocons denunciados pela Carta Capital, anteponho os neodes, os nacional-desenvolvimentistas que não entendem que:
.a. a produção deve ser realizada localmente (como não poderia deixar de ser)
but
.b. a distribuição deve ser realizada globalmente (no Brasil, R$ 1.000 por indivíduo economicamente ativo de estipêndio de renda básica consome apenas 40% do PIB).
Como resolver o problema do desemprego (conceito convencional: neguinho não está atraído ao mercado de trabalho por salários inferiores a R$ 1.000)? Aumenta o salário de mercado, abre mão de maior fração dos 60% ainda não distribuídos e que estariam sendo embolsados pelo neguinho que pagou o salário zero. Tu entendeu, né? Se todos ganham R$ 1.000 por mês, podemos pensar que milhões (dos 80 milhões hoje em idade ativa no Brazil) abdicarão da condição de trabalhadores assalariados. E como torná-los dispostos a abdicar de abdicar? Alguns deles, mais esfaimados, ingressarão no mercado de trabalho de modo ativo se a empresa pagar R$ 1,00, outros entusiasmar-se-ão com R$ 2,00, e assim por diante.
Como resolver o problema da indústria? Não me parece haver problema na indústria que requeira atenção de governantes. E o problema dos transportes? O estado não deveria prover vias públicas, e apenas elas? Estado deve fazer vagões de trem ou dormentes (além de governantes do sono eterno e mão ligeira)? E a pesquisa científica? Comprar (via mercado) projetos de desenvolvimento científico e tecnológico devidamente previstos no orçamento não é subsídio!
Serei eu um neocon, minha Santa Periquita (no sentido da uva portuguesa)? De acordo com o teorema das médias, haverá uma posição mais virtuosa entre um neocon e um neodes, precisamente a que ocupo desde que li o instigante livro:
LAYARD, Richard (2005) Happiness; lessons from a new science. Harmondsworth: Penguin.
Beijos
DdAB

sábado, 22 de novembro de 2008

Saudades...

Querido Diário:
Hoje eu acordei com saudades de você, beijei aquela foto que você me ofertou. Como sempre, hermético. Rosto um pouco obnubilado, não é isto? Saudades de você não quer dizer saudades de você, mas saudades de você, entendeu? É algo como se minha vida fosse dupla e, ao ter saudades de você, simplesmente dou-me conta de ter saudades de você. Não era muito diferente da vida dupla de Ronnie Von e Roberto Carlos. Ou seria Roberto Carlos e Paulo Sérgio? Sempre haverá espaço para duas vidas.
Teria eu beijado a foto acima? Não creio, pois não gosto de cigarro... E quem ma (ma? MA, Machado de Assis diria "ma") ofertou?
Estávamos o/a fotógrafo/a e eu na festa de meus 40 anos realizada na casa do Dr. Joal de Azambuja Rosa e da Dra. Florence. Além da heróica plêiade de trabalhadores que abrilhantaram o prândio, estivemos, sujeito a erros e omissões, Maria Helena Sampaio, César Antônio Leal, Ondina Maria Guimarães Fachel, digo, Ondina Fachel Leal, Adalberto Alves Maia Netto, Nívea Maria Oppermann, o que fez da festa algo inesquecível para mim.
Eu trajava um cigarro Parliament (ou seria um Charm?), óculos Boots (comprados em Brighton, ou cercanias), boné PortoBello (comprado at PortoBello Rd.), camisa CandA (comprada na Rua da Praia da capital de Porto Alegre). Também estaria trajando calças, sapatos etc.. Naquele mágico instante, posso garantir que já usava óculos de grau. Começara uns dias antes, praticamente na antevéspera do dia do aniversário propriamente dito, ou seja, os 8 de 7, o que -como sabemos- dá 56.
Esses momentos que agora deixam saudade, cigarro deixado para trás, crise que vivi na FEE, decisão de embarafustar-me pela vida acadêmica brasileira (ou seja, fazer o doutorado, na jovialidade de meus 40, militar na província, escrever para a Indicadores Econômicos RS, all of that) e fui praticamente convocado para seguir meu destino: Oxford. Lá vivi dias de stress e redenção. Redimi meus pulmões do cigarro. Redimi minha cabeça de muita ignorância e meu corpo não fez feio, exceto em 200 ou 300 ocasiões esdrúxulas. Um dia, vou contá-las, o que não quer dizer 1, 2, 3, 4, 5, 5bis, 5ter, 6 etc..
Beijos
DdAB

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Acefalia

Querido Blog:
Bom dia! [a imagem de hoje é de http://www.bibliotecadofuturo.com.br/]. Se um blog não me dá bom-dia, direi que é acefalia? E se a nota oficial do governo do estado do rio grande do sul não tem assinatura, não podemos falar em acefalia, pois não? No sentido de que acefalia encontra-se (por contraditório) na cabeça, ao passo que assinatura ("subscrevo-me atenciosamente") encontra-se no pé da carta, da nota, do memorando, do folheto, do etc..
Que nota é acéfala de subscrição? A que compra a queda de braço com o magistério, que entrou em greve por razões já devidamente comentadas aqui, amado confissor. Parece que a tônica de hoje de Zero Hora é átona, mas há tons de cronistas e noticiário geral sobre a greve das professorinhas.
A parente Manoela D'Avila acha que o Brasil será salvo com sua candidatura (a próxima, for sure), mas passa inexoravelmente pelo tratamento privilegiado dado a estudantes estagiários, que devem trabalhar no máximo (eu disse "no máximo") seis horas diárias. Pensei: "meu contraditório com a bela parente é 100%, pois -na condição de pedagogo- acho que o número de horas do estágio para estudantes deve ser reduzido -por lei federal- a Zero Horas, se me faço entender. Estudante não pode trabalhar! Estudante deve estudar! Talvez para os próprios estudantes devêssemos montar o esquema já conhecido de meus confissores civis e religiosos:
.a. três horas de aula
.b. três horas de ginástica
.c. três horas de serviço comunitário (poderia ser cuidados com a escola, desde a faxina à segurança pública das cercanias, ou seja, faxina in and out).
Então, para que serviriam as seis horas adicionais? escrevi há dias um teorema comprovando que servem para esculhambar o país. Eu, que já tenho minhas razões para ser contra o país (the brotherhood of men, remember?), que dizer deste troço de esculhambar o país?
Há duas e apenas duas maneiras de contribuir para a esculhambação do país. [Claro que digo "apenas duas" por pura ironia, um jogo de palavras com 2 x 10^0 com 2 x 10^{um bilhão}. Estas duas maneiras devem-se -provei em outro teorema- à incúria do setor público, a sua acefalia.
Não fosse (David Coimbra na mesma zero) uma sucessão de irresponsabilidades governamentais perpetradas há 30 anos contra o magistério estadual, não teríamos o fracasso rotundo, completo e estrondoso do projeto de cidadania, dilatado por mais 100 anos. Não fossem os políticos, em particular os legisladores que não se pensam como "autoridades governamentais", não teríamos estes descalabros, principalmente se os substituíssemos por outros políticos, os que a Organização Mundial do Trabalho chama de "decentes".
Um país que não tem orçamento público não pode dar-se ao luxo de dizer que tem má política para a educação. Nem para nada mais. E tem, sob certo ponto de vista, excelente política de remuneração dos políticos, as autoridades governamentais cuja cabeça está omitida na ilustração da postagem de hoje. Aviso: as professorinhas que não contem com os membros do parlamento para obterem apôio, pois:
.a. eles são ignorantes em rudimentos elementares de Introdução à Filosofia Política
.b. eles odeiam qualquer insinuação a estudarem rudimentos elementares de Teoria da Escolha Pública
.c. eles chamam de tecnocrata qualquer pedagogo que os incite a fazerem desenhos de seres sem cabeça, ou seja, auto-retratos.
Mais avisos: que a professora Yeda entenda que entrou numa camisa de onze varas ao não assinar o texto acéfalo. Que os funcionários de confiança da governadora sejam mais zelosos. Que o imbecil que criou o decreto proibindo o desconto em folha dos dias parados na greve seja punido com desconto em folha de seus (generosos) estipêndios.
Retifico: nosso poblema não é dizer o que a sociedade precisa fazer, mas chamar-lhe a atenção para conseqüências do que faz e principalmente da possibilidade de outros caminhos a orientarem seu processo de escolha (não falara em teoria da escolha pública?). No caso, muito quebrei a cabeça e não cheguei a nada melhor do que aquilo que aqui tenho sustentado.
beijos
DdAB
peésse: juro que a partir de primeiro de dezembro vou procurar um tom mais acadêmico a estas postagens que estão respondendo por "Economia Política".

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Martha de Sant'Anna: mais pontal

Amado Blog:
Imagem de: http://www.skyscrapers.com/ de um projeto 'Debiagi'.
Meu tema de hoje é a imbecilidade humana e seus limítrofes. Vou usar dois exemplos de seres humanos vestidos de boas maneiras e com quocientes intelectuais que os distanciam dos portadores de severas limitações intelectuais. Seja como for, Martha é divertida e às vezes profunda. Martha faz suas frases, suas crônicas, algumas delas -ambas as três, Martha, crônicas e frases- realmente de muito, muito vigor. Paulo Sant'Ana vez que outra tem suas tiradas interessantes. Para um homem que se orgulha de trabalhar 14 horas por dia, não era isto?, ou pelo menos escrever diariamente em Zero Hora e participar diuturnamente de programas de rádio, tv etc., não podemos esperar genialidades sempre.
Hoje vemos-lhe em Sant'Ana algo muito interessante, desandando para algo ridículo. Mas faz-nos pensar, e isto é o que importa quando o bom-senso foi arquivado pelos políticos há anos. E gente como Sant'Ana e os economistas de diversos portes fracassam em interessá-los em livros, conhecimento, estudo, meditação. Eles a meditar? Não, não, isto nunca, dirão seus compatriotas, que não manifestam adequadamente seu apreço por idiotas. Como sê-lo-ia? Com abstinência eleitora. Ou com anulação do voto. Terei dito: Política no Brasil? Não vote. Ou, se tiver que votar, anule o voto.
Que disse Sant'Ana de bom na p.47 de ZH de hoje? Uma vez que toda a sociedade estava adormecida durante toda a tramitação do projeto que espera veto do prefeito da cidade (e que permanecerá adormecida, de qualquer jeito, suspeito), terá chegado a hora de reiniciar a discussão. Acho bom, acho que devemos mobilizar todos a qualquer custo, mas acho que todos é que não se querem deixar mobilizar, mesmo que a baixo custo. Precisaríamos baixar o custo da mobilização, a fim de alcançarmos maior participação. Ou seja, Sant'Ana diz o que cito: "[...] toda a política de urbanização da orla do Guaíba deverá então ser fartamente discutida por todos os setores da sociedade, inclusive os ambientais, sem o emocionalismo desgastante das apreciações de cada projeto por vez, além da falta de sintonia entre um e outro, com o que proporciona o distúrbio dos interesses a granel."
Não sou contra o veto do prefeito ao projeto de algum desafeto. Nem que a Câmara de Vereadores melhore seu nível intelectual (dela e dele, prefeito), estudando um pouco de filosofia política e teoria da escolha pública. Gostei da arquitetura que a foto que exibi há dias e a que acima reproduzo expõe. Gosto da arquitetura do Museu Iberê, gosto do desenho industrial, digamos, embarcado, nas naves do Iatch Club, gosto da arquitetura das palhoças (de palha?) de antigos pescadores que tiveram o rio desapropriado pela poluição. Ainda assim, apóio o novo projeto de "orla" com o aterramento dessas terras aquáticas, de sorte que a população (e eu, em particular) tenha possibilidade de mostrar virtudes atléticas, correndo do Pontal do Gasômetro até o Pontal do Sítio da Sra. Marlene Merkel (você sabe a quem me refiro, Marlene?) quase na Lagoa? E por que parar aí? Por que não criar uma avenida costeira que, como sutilmente sugeriria o nome, costeasse todas as águas do mundo, permitindo-nos um jogging internacional, sem fronteiras, sem governo dos homens, apenas com administradores de coisas.
Agora, cá entre nós, não durou excessivamente a clarividência e sabedoria de Sant'Ana. A mesma crônica (?) esculacha o poder constituído na república de Brasília por estar tentando desindexar a economia brasileira. Ou apenas estaria tentando acabar com a vida dos aposentados? Ou apenas tentando retirar "o estado da economia", como querem diversos rapazes desconhecedores dos rudimentos da filosofia política e da teoria da escolha pública. E, claro, de algumas outras coisas que vou postar daqui a uns dias, se é que não já postei há dias.
Quem usa o salário mínimo como indexador, como se usou no Brasil dá um tiro no pé do próprio salário mínimo. Por que diabo de sinuosa razão os aposentados (veja bem, aposentado não é trabalhador!) deveriam receber precisamente os mesmos ganhos que acompanham, numa economia competitiva, os ganhos de produtividade dos trabalhadores? Por que diabo de razão sinuosa, o salário mínimo deveria ser aumentado -vez que outra- precisamente com o valor do incremento da produtividade média da economia? Por que não um pouquinho mais, a fim de botar pressão nas firmas ineficientes, cobrando-lhes -sob pena de morte- mais produtividade?
Uma economia decente (digo isto no sentido de eficiente) não pode ser indexada deste jeito e de nenhum outro.
O que se pode criar é um novo tipo de abordagem para as políticas públicas que transcendem de muito a orla do Rio Guaíba e se espraiam por todo o planeta, numa brotherhood of men. Esta, por expandirem-se além do umbigo dos litorâneos ao rio, podem chegar a Brasília e requerer que os membros do parlamento comecem a usar o orçamento público. No orçamento público, como sabemos, deverá constar a rubrica de transferências da receita tributária (e outras) aos diferentes usos de agentes privados, entre eles, os abobados, os acamados, os admoestados (na cadeia), os aeons de anos de cadeia merecidos por políticos selecionados, os afanadores, os agentes propriamente ditos etc., até os aposentados, seguindo com os aquidauanenses infantis (ou seja, criança também precisa de seus estipêndios mensais, nem que seja para a Madre Superiora do asilo que as contenha).
Queremos discutir direcinamento dos recursos públicos? Martha poderia desconhecer filosofia política e teoria da escolha pública, mas um jornalista que volta-e-meia tangencia pontos sobejamente trabalhados pela filosofia política e pela teoria da escolha pública deveria informar-se. Deveria deixar de lado os temas cujo senso comum serve para levar-nos apenas à choça de instituições que hoje nos brindam com um país de enorme iniqüidade, baixíssimo crescimento da produtividade, leis e decreto inibindo o funcionamento das leis de mercado. O orçamento público é baixado por lei. Esta, como sabemos, não existe no Brasil. Houvesse orçamento universal (será que o Sant'Ana sabe o que é isto? será que os políticos sabem o que é isto?), teríamos provisão de receita para aposentados, para meninos de rua, para a velhice desamparada, tudo aquilo que estudamos no Catecismo.
Que queremos? Óbvio, orçamento universal (o maior antítido de que já ouvi falar para a indústria das emendas parlamentares, lobbies e tutti quanti). Além dele, o orçamento, devemos pensar que:
.a. a produção deve ser cultivada localmente (como teríamos produção nefelebata?)
.b. a distribuição deve ser feita golgalmente.
Ou seja, a fim de participar da distribuição do excedente social, o indivíduo deve apenas fazer parte da sociedade. Como está na moda falar-se em relançamento do estado como instrumento de superação das falhas de mercado, é hora de mudarmos o discurso e sugerirmos que o estado trate de promover a distribuição da justiça. Com esta, automaticamente, teremos o cumprimento desse programa de dois pontos.
Abaixo a ditadura!
DdAB

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Repressão é Prevenção

Querido Blog:
A imagem à direita vem de:
http://www.amnesty.org/images/svaw/goglobal/goglobal.gif
Basicamente, ela nos está remetendo a uma reflexão sobre o cotidiano brasileiro contemporâneo. De novidades, temos hoje, acompanhando o tom demagógico do Dep. Raul Pont, a escaldante demagogia do Dep. Ervino Grass (pensei que seria redundância um neguinho chamar-se Grassy Grass, mas com metade do nome a cada língua, ele ganhou votos que lhe permitem receber os auto-estipêndios de R$ 50.000 mensais, fora os empregos de apaniguados, sem concurso e sem qualificações). Eles ainda se insurgem contra a Profa. Yeda, cujo governo vangloria-se de ter zerado o déficit do orçamento público estadual.
Acima (intelectualmente e sensatamente) acima do artigo de Mr. Grass, temos outro artigo, desta vez do Econ. Júlio Brunet trazendo dados interessantes: por meio de diversas leis estaduais, cada uma comprometendo uma fração do orçamento público, as despesas chegam a 126% da receita. Um encaminhamento legal de dar orgulho a estes dois baluartes da demagogia (o Mr. Pont e o Mr. Grass, para não citar os demais 53 militantes da causa da Assembléia Legislativa).
Naturalmente a responsabilidade da proposta do orçamento público caberá ao Poder Executivo, mas será o Legislativo que lhe dará o toque final, lei que é, encaminhando-a à chancela final do Executivo. Se a aritmética dos 126% é bem sucedida, teremos déficit sistemáticos. Mas não podemos deixar de prever que esta razão de 5/6 entre o que se pode gastar sob o ponto de vista termodinâmico e o que se quer gastar sob o ponto de vista demagógico não dará samba, como disse a Profa. Rorato, um dia, no Bar do Petrônio.
O grande problema da sociedade gaúcha é o da violência contra o indivíduo, na forma de assaltos e roubos diversos, desde a roupa na corda de sua casinha até o vice-governador que costuma ser assaltado nestas plagas. Se não este, o outro. A hipocrisia da governadora e de sua corte é impagável, pois nem sequer cogitam de criar um milhão de empregos na Brigada Militar. Com este número, aumentará a repressão, o que significa também a prevenção do crime, pois tornaríamos não apenas os atuais bandidos mas principalmente os futuros bandidos em repressores do crime. Por isto é que recomendo:
.a. três horas de ginástica para eles
.b. três horas de aula (empreendedorismo) para eles
.c. três horas de serviço comunitário para eles,
pagando-lhes R$ 1.000 por mês.
Decorre logicamente do exposto que a repressão de três horas diárias por meio da ação dos desvalidos no Serviço Municipal será a maior responsável pela prevenção do crime, articulação de uma Brigada Ambiental Mundial e, principalmente, a criação de novos mecanismos para evitarem a violência contra a sociedade, incrementando a ação e os mecanismos de ação voltados a incrementar, isto sim, a liberdade individual!
Abraços libertários do
DdAB

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Lupa no Raul

Querido Blog:
Se teu olho é tão agudo quanto uma lente de aumento que comprei na Boots em 1990 (ou teria sido outubro de 1991?), verás que esta fotoshop acima é produto de minhas artes gráficas. Por falar em photoshop e shopping centres, hoje inicia o funcionamento do Shopping Zona Sul, um portento polêmico tanto quanto o Pontal do Cristal. Apóio ambos, contesto Yeda e seu nariz de Pinocchi, atribuído por Raul Pont, deputado estadual, ex-líder estudantil, inclusive meu, nos idos de 1968, quando abri mão de lentes-catedráticos, embora eles não mais me deixassem em paz.
Meu tema é Raul, déficit zero, demagogia. Lupa no Raul, lupa na Zero Hora mostra, em sua p.6 os seguintes dizeres:
Condestável Yeda Rorato Crisuius: "Hoje, o Rio Grande do Sul pode comemorar um Estado equilibrado, que em vez de gstar os recursos do contribuinte para pagar juros (de empréstimos), fará obras e investimentos."
Condestável Arthur Virgílio: [meu editor de textos recusou-se a registrar as palavras desta criatura que, mal comparnado, recenderia simplesmente à imaterialidade de um espírito de porco].
Condestável Raul Varallo Pont: "A população não está sendo brindada com uma virtude, mas com um tremendo equívoco, cujo resultado será um enorme pasivo social (referindo-se ao déficit zero)."
[todos os parênteses da Condestável Yeda e do Condestável Raul inseridos pela fonte original, nomeadamente, o jornalista Leandro Fontoura, ou quem lá seja]
Dos condestáveis Arthur Virgílio e Yeda nada falarei por hoje, por razões de portaria [vedar-lhes-ia a entrada]. Sobra-me, assim, nosso popular Cachorrão, o reitor da Universidade Crítica de que falamos. Primeiro, o PT é um partido de ladrões, como demostrei num paper que estou encaminhando à American Economic Review. Ergo, a ilustração de hoje deste blog é uma ilustração do partido dos ladrões. Por que Raul permanece no PT é uma das questões que mais inquieta minha alma, desde que perdemos a eleição no Diretório Acadêmico de Economia, Contabilidade e Administração, ele próprio foi eleito para os mais bem remunerados cargos da republica e chegou a levar consigo uma denodada plêiade de denodados prestidigitadores dos livros de economia política. Refiro-me -claro- a ele himself, Verle himself, e tantos outros themselves.
Estupefato com a frase de Zero Hora, fui ao Google, coloquei "raul pont" e "absurdo" e o primeiro documento que o gentil americano brindou-me foi com a página que epigrafa esta página. Pois ela lá tá. Bem, analisemos apenas a frase citada no Mr. Fontoura (Leandro, lembra?).
.a. "a população não está sendo brindada com uma virtude": creio que o ilustre causídico (Raul) ou conhece economia política demais, ou a ignora por completo, além das liçõezinhas que recebeu do Prof. Portugal e seu livrinho de Cambpell-McConnell (o primeiro plagiário, as far as I know, de Paul Anthony, já citado neste blog). Ou conhece demais (no sentido de "montes"): claro que em fases recessivas ou depressivas do ciclo econômico o governo poderá incidir em déficits tão grandes quanto necessário para fazer a economia acordar.
Teria sido esta a lição que John Maynard Keynes tirou da crise de 1929: quando há capacidade ociosa na economia e a demanda agregada recua, não adianta meter política monetária, a saída é aumentar o gasto público. Raul, por certo, não se referia a isto. Pior ainda, este exercício de política anticíclica estaria autorizando o governo a ter superávit em momentos em que ele -governo- deseje reduzir a demanda agregada. Pode reduzir demanda agregada mesmo quando temos "enorme passivo social"? Claro que pode! Qualquer arroubo de proteger os apassivados socialmente com medidas inflacionárias serve apenas para manter-lhes a voz passiva.
Serei eu um monetarista? Precisamos, claro, definir o que é um monetarista, pois -de acordo com um papelzinho que acabo de jogar no lixo- há uma definição que diz que os verdadeiros monetaristas são aqueles que defendem o conceito rawlsiano de justiça, ou seja, para o que nos toca, de igualitarismo. [se algum comentador manifestar-se, busco o papelzinho e o transvrevo no blog de amanhã].
.b. "tremendo equívoco": que quererá dizer o jornalista que Raul quererá dizer com isto? que a política fiscal é um tremendo equívoco? ou que a inexistência completa e absoluta de um orçamento público é que é equivocada? ou que a inoperância dos deputados é que é equivocada? ou que serão seus rendimentos (auto-inflingidos) que representam o equívoco social? ou ainda, que toda a macacada que ganha mais de R$ 5.000 por mês é que é apaniguada com a ditadura militar e seus sucessores? há pilhas, pilhas e mais pilhas de equívicos tremendos. Para mim, um enorme equívoco é proibirmos os deputados de estudarem um curso elementar de teoria da escolha pública. A última vez que falei isto para Raul, ele apenas articulou um muxoxo e xeretou: "você é um monetarista".
.c. "enorme passivo social": há um estoque de enormes passivos sociais que perpassam a candidatura do Dep.Raul à presidência do Diretório Acadêmico de Economia, Contabilidade e Administração. E a de outros, inclusive alguns dos cargos que por lá exerci, que se mais não asumi foi porque tinha compromissos pessoais impostergáveis, como o de namorar às quartas-feiras, sábados e domingos. E trabalhar either no Banco da Lavoura or na Câmara dos Vereadores, o que daria praticamente no mesmo, para fins da contabilidade social, caso as remunerações e níveis de produtividade fossem praticamente os mesmos, o que obviamente não eram. O fato concreto é que o enorme passivo social do Brasil não recebeu um ataque frontal do Dep.Pont nem quando de sua gestão à frente da prefeitura da cidade. A escola de dois turnos para meninos de rua nem entrou no papel, que daí dizer de dele sair e defrontar-se com a realidade tridimensional da concretude material tangível?
.d. em resumo: Raul não parece ter lido muito sobre McConnel, Rawls, qualquer outro livro de economia política ou filosofia política. Mas cabe destacarmos sua falta de aquerenciamento com a dupla Habermas-Rorty. Nâo seria mais sensato Raul usar seus estipêndios como deputados (o plural se justifica, pois achei num papelzinho na Praça da Matriz retratada no site na consulta que a ele fiz hoje) uma carta anônima dizendo que o causídico já desfruta dos estipêndios de 19 aposentadorias de deputado, senador, prefeito, vereador, reitor e até pontífice, algumas delas repetidas.
Adeus
DdAB

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Obama Radical

Querido Diário:
Saberia você adivinhar (ou pesquisar) que tirei a ilustração acima do que segue entre colchetes?
[http://i113.photobucket.com].
E de onde veio este encontro interessante, como a estrelinha você sabe de quê, guiando a burocracia partidária, a foicezinha, o martelinho, o marzinho vermelho e o '08' indicativo do bicentenário da abertura dos portos decretada por D.João VI em 1808? Pois o encontro veio da procura de "Obama Radical" nas imagens do Sr. Google.
E que quer dizer radicalismo para um presidente americano? Aparentemente é uma abordagem ao governo seguindo o estilo Habermas-Rorty, ou seja, o diálogo em primeiro lugar. Com ele exercendo papel ativo, penso que o mundo vai tornar-se mais globalizado. Ou seja, ele deverá aprofundar a hegemonia americana, no sentido de transmitir o valor da "reprodução em escala ampliada" para diversos segmentos da vida planetária, como as finanças e o meio-ambiente.
Menos românticas são outras universalidades, como as redes de tráfico de drogas, escravos e armas, bem como o terrorismo.
Imagino que Obama dará passos importantes para a consolidação de um sistema de centralização dos controles financeiros internacionais. Talvez até Doha (como sugere o jornal de hoje) e Kyoto, ou seja, comércio e meio-ambiente. Mas também prevejo que haverá algum insurgente (terrorismo, governos da esquerda descabelada) que levará o que o Sr. Stanislaw Ponte Preta designou -há 30 anos- como traulitada, como a que o Alemão (parece-me) baixou sobre o brasileirinho cheio de picardia, num daqueles bares da Praça Mauá, na cidade em que nasceu Orfeu da Conceição. Que Vinicius, Chico e Zé Ramalho inspiraram-me (poeta em construção) a escrever:
Isto é a Economia Política,
que selecionei como marcador?
Estava postado na eclíptica,
ou veio de um veio anterior?
DdAB

domingo, 16 de novembro de 2008

Sem Pontal, mas com Professorinhas

Querido Blog:
Esta ilustração, que ainda vai dar-me notoriedade gráfica, foi fotografada em uma aula que recebi da Profa. Yeda Rorato Crusius, ao substituir o insigne e igualmente ágil Prof. Manuel Antonio Luzardo de Almeida como catedrática da disciplina de Macroeconomia (Macroeconomics) no calvário de incompetência e desleixo do curso de graduação em economia política no primeiro semestre de março de 1972, pode?
A governadora não deu bola às publicações que andei fazendo neste blog, iniciadas há dois dias, em justo comentário à discussão citadina sobre o Pontal do Cristal, o.s.l.t.. Havia duas propostas em jogo:
.a. ou pagamos R$ 950 às professorinhas, como piso salarial
.b. ou criamos um programa de renda básica associado à Brigada Ambiental Mundial, em que os beneficiários recebem R$ 1.000 por mês, comprometendo-se a:
.b.1. assistir a três horas de aula por dia (para manter a mente quieta)
.b.2. praticar três horas diárias de ginástica ou esporte (para manter a coluna ereta)
.b.3. dedicar-se a três horas de trabalho comunitário (para manter o coração tranqüilo).
Ainda assim, alegadamente, ela teria dito que 950 > 1.000, pois permite ao receptador ficar de papo para o ar, "como é o caso das professorinhas papudas" e não enfiarem-se em enodadas salas de aula, como alunas de cursos de empreendedorismo durantes três enfadonhas horas por dia. Fez-lhe coro o também insigne Prof. Manfred Nitsch, extremamente preocupado com o pessoal que -recebendo seguro desemprego- passa o dia inteiro na frente da T.V. comendo batatinha frita em pacote (claro que sem o papel do pacote, aditou ele).
Pensando nesta desigualdade, achei que a única saída para nossa governadora seria dizer que houve, na câmera que fotografou-lhe a alma um deslize ao tomar > por p, onde "p" quer dizer "preferível", aditou ela. Com isto, ter-lhe-íamos seguido o raciocínio e entendido que a relação entre 950 e 1.000, enquanto números, não obedece à relação ">" nem "=", mas apenas à "<". Por contraste, posso dizer que p1 p p2, numa língua do p, sugerindo que p1 é preferível a p2. Como, então, poderia 950 p 1.000? Simples -teria dito a denodada professora- basta considerarmos a existência de um índice de utilidade cardinalizável em que as verdadeiras preferências estão expressas como o inverso das preferências reveladas. Ouvindo isto, o Prof. Paul Antony Zavislack, digo, Samuelson, teria declarado ao Wall Street Magazine que então podemos dizer q1 p q2, onde q1 = 1/p1 e q2 = 1/p1. A professora da Av. João Pessoa, 52 anuiu, com uma espécie de tritongo: "Uau, Paul, você fez de mim um mingau!" PAS simplesmente retirou sua HP financeira do bolso e colocou nela uns dados:
12 x 1.000 x 80.000.000 / 2.500.000.000.000 = 0,4
e fibrilou: "mas tchê, pagar R$ 1.000 por cada receptador da renda básica, sendo estes 80 milhões (id est, todos os trabalhadores brasileiros, inclusive os detentores de empregos precários), significará apenas 40% do PIB do Brasil em 2008, durante 12 meses.
Restariam ainda 60% inteirinhos para (com a suposição de equilíbrio no balanço de transações correntes) gastar em investimento e despesas governamentais (justiça, amenidades ambientais etc.). Supondo um G% = 29%, teremos o investimento de 31%, o que permitiria ainda tirar um dinheirinho para pagar os indivíduos (empresários e trabalhadores stakanovistas) que os usariam para elevar a capacidade produtiva da economia. Com uns 10% para esses rapazes, teríamos uma taxa de crescimento do PIB mais ou menos de 7% a.a., fazendo-o dobrar a cada 10 anos. Em 45 anos, teremos um PIB maior do que o de todo o Planeta Marte.
Pensei: este carinha ainda ganha o Prêmio Nobel. Mas a Profa. Yeda disse: este Samuelson é biruta, pois seu cálculo dá apenas 38,4% e não 40%.
Saudações epistemológicas.
DdAB

sábado, 15 de novembro de 2008

Mais do Pontal

(mendigo especialmente selecionado em http://carpediem.blogspot.com/)
Querido Diário:
Nem sabemos se a efígie acima é mesmo de dentes em cara de mendigo brasileiro, ou se comecei aqui mesmo o negócio de importação desse tipo de gente. O fato é que recebi um telefonema furibundo de um rapaz que declarou-se simultaneamente primo da Dra. Yeda, do Dr. Fogaça, do Aod, do Marco Aurélio e até do Coronel, a quem tratava como "otoridade". Esta maneira de designar o Coronel cheirou-me ao sotaque de Baleia. Dizia Baleia, digo, dizia o indizível Primo a minha colega Yeda que "esse troço de reciclar mendigos" sempre o deixou furibundo, tanto é que sugeriu -disse- a sua prima gerar 1.ooo.ooo de empregos na BAM, onde todos os desocupados (e mencionou como exemplo o Des. MAL) seriam alocados.
Prosseguiu Primo: ocupação de nove horas diárias:
.a. três horas de ginástica e esporte (para manter a coluna ereta)
.b. três horas de aula de empreendedorismo (para manter a coluna ereta)
.c. três horas de trabalho comunitário (para manter o coração tranqüilo).
Uma vez que ontem as professorinhas declararam nova greve do magistério, só podemos pensar que:
.a. a Dra. Yeda cometeu um grande erro em insurgir-se contra o piso salarial nacional de R$ 950, afinal não era a educação a prioridade do Prof. Aod de Moraes Cunha?
.b. a Dra. Yeda cometeu um grande erro em garantir punição a qualquer servidor público que entre em greve
.c. a Dra. Yeda cometeu um grande erro em anunciar o pedido de aumento de R$ 6500 a seus secretários de estado originários da própria administração pública.
Acho que o nada-a-ver da governadora não tem nada a ver com o tudo-a-ver de seu combativo primo.
Bom dia, ou melhor, carpe diem, tchê!
DdAB

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pontal e o Progresso

Caro Sr. Blog:
Esta foto (http://www.portoimagem.com/), editada por meus maravilhosos conhecimentos de Paint, PhotoShop, Shopping Photographs e por aí vai, dá a seus observadores a sensação de um dejà vu australiano. Pois não é: trata-se mesmo de uma provinciana iniciativa de sabe-se-lá-que-grileiros-porto-alegrenses. Sabem lá alguém, claro.
De minha parte, tenho algumas lições a tirar desta iniciativa. Como em qualquer outro segmento tridimensional do mundo que nos cerca, a rivalidade na ocupação é a realidade inarredável. Minha leitora saberá que "rivalidade" (ou não) é um atributo de bens como o bife ou o fio dental. Isto quer dize que, se alguém come determinado bife, rivalizou com meu próprio consumo, que não poderá ocorrer, pelo menos não o daquele bife específico. Haverá (ou não) outros bifes que encherão meus dentes, também requerendo um fiapinho exclusivo de fio dental. Contra-exemplo: a segurança pública. O fato de eu consumir estes edificantes serviços públicos não reduz sua disponibilidade para terceiros. Ou seja, se há um aparato que garante a seguranpa pública, então tu e eu estaremos infensos a assaltos (e não me refiro aos da Profa. Yeda Rorato Crusius), mas aos que deveriam ser evitados pela governadora, pelo prefeito, por tudo que é santo, que ninguém assume responsabilidade alguma neste país, o que faz dele, país, uma desgraça de cima a baixo. Nem bispos há em quantidade ofertada razoável para receberem o número adequado de queixas: queixem-se aos bispos, dizem os políticos. E os bispos: queixem-se aos cardeias, estes encomendam o Papa e este, claro, manda para o Obama, que os EUA terão mais pontais do que o Vaticano.
Minha leitora também saberá que estou dizendo que, se a burguesia apropria-se de um trecho de praia, da mesma forma que algum mendigo apropria-se de um quarto-e-sala-debaixo-de-ponte, a rivalidade é -dentro de critérios razoáveis de comparação- a mesma. Em outras palavras, se o espaço que edificará o Pontal (para alegria de alguns apaniguados e mesmo de outros inocentes úteis) for apropriado por A será fisicamente impossível que B também dele se aproprie. Se meu barco estiver antecipado na foto, teu barco não estará no lugar do meu. Se a entrada de mendigos for proibida, isto estará abrindo espaços para não-mendigos. E, claro, se a entrada de não-mendigos for proibida, isto estará permitindo transformarmos todo aquele espaço no Centro Municipal de Reciclagem Humana.
Mas -digo isto apenas com caráter contingente- o que está errado é que os Profs. Yeda e Fogaça não proibam a existência de mendigos. O coronel-chefe da Brigada Militar, um nicho de partidos políticos, logo partícipe do binômio ladroagem-incompetência, diria: ok, pau neles, pena de morte, expulsão para grotões os mais distanciados possível de Porto Alegre. Claro que eu temo discordar do "chefe", pois minha idéia de extermínio de mendigos é um tanto diferente. Se o problema basicamente da mendicância é a busca de uns $$$, diria que acaba a vadiagem se os subornarmos com $$$, para eles incorporarem-se a uma atividade que lhes possibilite existência digna.
Na verdade, meu ponto de vista é:
a) primeiro a existência digna
b) depois atividade que "agregue valor" para a sociedade. [Gostaste desta do "agregar valor" ao mendigo e este à sociedade?].
O que penso e que duvido que os detratores das edificações a serem feitas, em prejuízo dos pobres, dos mendigos e mesmo de muitos ricos, pelas razões tridimensionais que mencionei (um corpo ocupa um e apenas um lugar no espaço euclidiano convencional), é que não devemos estar discutindo o problema da alocação do espaço específico do Pontal Aprivatado. Ao contrário, devemos concentrar-nos no drama do mendigo, invejoso das benesses usufruídas pelo Dr. Fogaça e sua corte, pela Dra. Yeda e sua corte e pelos demais milhares de sinecuristas que infestam as costas do grande camarão Brasil e suas digníssimas e engomadíssimas famílias. Entre eles, claro, o desembargador Marco Aurélio Leal, essa peça de raro tirocínio para as atividades de, como disse um ladrão amigo um dia destes, rent-seeking.
Ficou clara minha posição? Totalmente favorável à transformação daquele eito mal-enjambrado (como diria a cadela Baleia) em uma réplica de Sydney. Não tenho dúvida de que, uma vez Sydney, sempre Sydney, o que começará com um corridão na alcatéia de rapazes (e garotas) encastelados nas costas do Brasil. E teremos os mendigos transformados em desembargadores. E o Dr. Marco Aurélio transformado no que deveria ser: um louco amansado por anos e anos de tratamento e medicação adequados.
beijos
DdAB

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dois Portentos

Querido Blog:
Esta postagem extra faz-se justificar por si própria, pois mostra meu incontestável avanço propiciado pelo Prof. Eliseo Reategui, PhD, conforme cartão de visita muito maneiro que ele mesmo himself desenhou para mim e, em gesto que sinto como profunda homenagem a myself, incorporou como seu, lá dele, bem entendido. Ou seja, caso o/a leitor/a tenha lá suas dúvidas, recomendo, durante alguns séculos, entrar no site da esquerda e clicar em "Ler Aqui" ou qualquer outro local sobre a área "Blog" e -just like that- cairá no blog da direita.
Como vemos, minha vida pessoal segue altaneira. Aproveitemo-la antes que feneça, como fenece, na cálida noite de primavera, a água que escorre bueiro-abaixo.
DdAB

Mais visões do futuro que acaba chegando


Querido Mr. Blogger:


Como vemos, as naves espaciais encontram-se cada vez mais saindo pela tangente. Pelo menos isto foi o que eu disse, se me acreditam, há mais de 50 anos a meus amigos jaguarienses, no foyer do Hotel Victoria, em Jaguari, durante o III Congresso Intergaláctico de Economia do Vale do Rio Jaguari. Aditei que gigantes absolutamente imbatíveis seriam batidos, pois o tempo, como a vida, é combate que aos fracos abate. Aos bravos, aos fortes, só pode exaltar, como disse uma rua próxima à dos visconde em que ora durmo.
Estas considerações, como sabemos, derivam-se de dois fatos:
a) meu afamado site www.GangeS.pro.br/duilio já dá acesso a este blog. Basta clicar e viajar!
b) as viagens pela Pan-Am tornaram-se coisa do passado -como assinalado no III Congresso- ela que figurou no filme "2001 - Uma Odisséia no Espaço", com Stanley Kubrick e Stanley Jordan, algo assim,
c) juntamente com a Pan-Am, víamos (vemos? veremos, víramos, viramos?) a U.R.S.S., ou seja a finada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, C.C.C.P., na sigla original, o que tanto me evocou, durante as Universíades sediadas em Porto Alegre -creio- em 1963, ao pensar que eram da C.C.P.A., ou seja, a Companhia Carris de Porto Alegre, as camisetas de branquelos fornidos que disputavam provas atléticas como quem invade o Afganistão, atividade que entrou em moda no final do Século XX e início do Século XXI; seria o que J.K.Galbraith chamava de "convergência da tecnocracia",
d) sumida a Pan-Am, antes dela, caíram ditaduras que jamais imaginei, como a do Irã, onde se estabeleceu uma república teocrática, pode? A imagem de 'barril de pólvora' do Oriente Médio pode desaguar (wishful thinking) num pacato cordeirinho se, e apenas se, o pessoal da Casa Branca conseguir extrair a raiz quadrada do número adequado,
e) agora vemos a G.M. -a gigante americana resultante da primeira grande onda de fusões da indústria automobilística do final do Século XIX e início do Século XX- filha da DuPont de Nemours e do Mister Alfred Sloan- perdendo sua posição de liderança nos EUA, tornando-se a maior produtora de automóveis na China e preparando-se para uma estratosférica reestruturação, que pode valer-lhe inclusive a morte decretada.
f) sabemos há 50 anos que as empresas -diferentemente das pessoas- podem viver para sempre. O que não sabemos é o que ocorrerá daqui a 50 anos, mas sou levado a pensar que a forma mercantil de organização da produção humana terá sido completamente banida, substituída pelo que hoje chamo simplesmente de eficiência-Y. Parece-me que o primeiro passo está sendo dado com a instituição da renda básica, que retira do mercado (de trabalho) o direito de garantir quem vive e quem morre. A grande questão, portanto, é sabermos se -mesmo em economias que venceram a barreira da escassez- haverá empresas, corporações, conjuntos de "indivíduos livremente associados".
Mas não eram apenas dois fatos?
bjus
DdAB

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Space cowboy, o.s.l.t.

Ilustração disponível em: http://bb1.blogger.com/ (o.s.l.t.)

Querido Blogger:
Hoje é o dia do Caçador. Ou de algo parecido. O fato é que estou-me preparando (fazendo a minuta de um ofício) para participar da reunião do Conselho Comunitário (Justiça e Segurança) do Bairro Menino Deus. Não quero dizer que eu seja o caçador, literalmente, pois caço apenas fantasmas, fantasmatizações e fantasmagorias.
Antes de prosseguir, preciso aprentar à posteridade bloguiana o significado de o.s.l.t., aposto à acreditação que dei ao local de onde retirei a foto do simpático viadinho que apus à postagem de hoje. Anos atrás, vim a deduzir (ou ser deduzido) que a.s.a.p. quer dizer "as soon as possible", o que achei interessante e charmoso, característico do lado +alegre da cultura americana (não falemos do lado ~alegre...). O.s.l.t., talvez um correlato abritanicanado, quer dizer: "or something like that", expressão que manifesta a preocupação científica do autor da frase, ao querer descompromissar-se com o significado de um -diriam eles- statement.
Neste caso, não vemos -como sugeri- um viadinho, mas apenas "something like that". Ao mesmo tempo, achei interessante falar no tema, pois há muita viadagem por estas bandas que merecem comentários acres (capitais rios brancos...).
Especificamente, quero referir-me à crônica (semanal?) de Cláudio Moreno no Caderno de Cultura de Zero Hora. Um cachorro que andou por estas bandas roeu todo o jornal, de sorte que sequer posso dar a página aos leitores diligentes. Seja como for, Moreno (claro que, ao dizer 'Moreno', nada estou dizendo sobre 'Martin Fierro', nem sobre "El Fin" que J.L. Borges deu a toda a história, o que já seria outra história, que me levará a escrever um ensaio a respeito) -de evidente mau humor- ofendeu um leitor que lhe escrevera dizendo suspeitar que a palavra "viado" teria surgido de um encurtamento da common parlance à expressão "transviado". Diz Moreno que -uma vez que foi testemunha atenta dos acontecimentos dos anos 1950 e 1960 (indago-me se -como Funes, el memorioso- ele precisaria de 20 anos para contar tudo o que observou) - esta hipótese de seu ridículo leitor é ridícula itself.
Pois, precisamente no dia que não posso precisar agora, na página que não posso referir do livro cujo título não lembro, de autoria de Érico Veríssimo, vi a expressão "desviado sexual" e dei-me conta de que talvez dali é que tenha surgido a palavra viado. Claro que Moreno não poderia conceder a seu leitor o beneplácido da dúvida. Como ele -Moreno- nunca montara em garupa de lambreta, tornou-se claro que jamais um integrante da juventude transviada (e a crônica de Drummond sobre o P.L.B. - Partido Lambretista do Brasil), esta não poderia tê-lo traído desviando o termo "viado".
Em minha opinião, é muito interessante o ponto de vista do leitor de Moreno. Claro que "viado" terá vindo de algum lugar, que não o da efígie que acrescentei a esta mensagem. O fato é que "veado" é um bicho e "viado" é a expressão que se usava no Brasil para ofender "desviados sexuais". Hoje se fala em viado até com afetividade para definir homens que amam homens.
Só posso concluir que -para a ficção borgeana- Moreno matou Martin, mas para mim é o Moreno que mata o egocentrismo, pois tudo o que dele há fora dele (dele, egocentrismo; dele, Moreno) é exocentrismo e, como tal, errado.
bjus
DdAB

terça-feira, 11 de novembro de 2008

De Volta ao Futuro

Querido Blog:
Como não sabemos, chegou o dia 11/nov/2008, pois lá em cima, vemos -ou veríamos- um dia antes, ou seja, se digo que chegou o dia citado é porque estamos back to the future, caídos no planeta Back Arrakis Obama, um troço destes.
Ouço a www.accuradio.com, from Chicago. O Sol diz-que pintará em POA destas 6h17min do HBV. Vou ler Zero Hora. Depois, vou decifrar de vez o sistema de incentivos criado por Myron Scholes para potencializar os temperamentos competitivos dos trabalhadores da empresa Salomon Brothers, tudo naqueles tempos que o futuro vinha depois do presente, não como o Mr. Blogspot, que me dá uma dia inteirinho de vantagem sobre a concorrência.
Dito isto, digo
Até ontem!
DdAB

domingo, 9 de novembro de 2008

Querido Blog:
Veja só esta postagem extemporânea, propiciada pela assistência superior que me foi dada pela sobrinha Dra. Danisaz Fritz Bratz. Gostou dela? E é domingo ou sábado? Penso que a postagem anterior era de domingo, mas saiu sábado, ou andei estranho no domingo e não vi que não era mais sábado?
DdAB

sábado, 8 de novembro de 2008

Crises everywhere

Dear Mr. Blogger:
(não vou dar a fonte desta foto, pois o texto deixará claro que é do Sr. Basic Income)
Hoje é um dia de glória:
.a. Wanda de Avila Bêrni completa seu sexagésimo aniversário. Estamos em dúvida se o que de mais vale é lhe darmos (eu até preferiria ter escrito darmos-lhe) as boas vindas ao clube dos sex, tendo ela comentado que ouviu alguém referir-se aos "sexy", ou -diria Lewis Caroll, não-sei-onde, infelizmente, talvez eu tenha querido dizer apenas que disse "diria", o que não quer dizer que ele ou eu disse que "disse"...-, "sexies". Ainda mostro a minhas companheiras de show de tango, especialmente Sheila V. Borba (cara, agora deu um branco sobre ser "Vasconcellos", como CHVH, ou "Vilanova", como Cíntia Vilanova Teixeira, doutora em biologia molecular e cujo currículo lattes acabo de acessar (ver http://lattes.cnpq.br/4418084117924728), perfunctoriamente;
.b. caiu o Muro de Berlim, não hoje, é claro, mas há 19 anos precisos, quando o Brasil estava em campanha para suas primeiras eleições diretas depois da saudosa (principalmente por aqueles que ganharam recompensas milionárias do governo deste país cuja desigualdade deixa corada qualquer formiguinha e seu elefantão, mais dois ou três esbirros, distribuídos normalmente por cada gorda fração do chiqueiro social) ditadura militar
Seja como for, a crise me abate, pois preciso falar sobre ela daqui a umas 60 horas. Pensando nisto, busquei na internet algumas ilustrações:

e também temos o que segue em: http://atlaslumber.blogspot.com/.
Naturalmente, economia é a diplomacia na política, como disse Daniel (cujo sobrenome quase que me veio à memória). E que quer dizer "we finance anyone"? Que os americanos são sabidos e entenderam que pobre também é gente, ou pelo menos, se não é -como sou levado a pensar a maior parte, mas não integralmente, do tempo- explode como gente grande, volta-e-meia. Deixe-me argumentar, para auto-clarificação. Iniciemos com o livro de Microeconomia de Samuel Bowles, o maior portento já escrito pela humanidade desde a "Iniciação à Economia Marxista" (Lisboa: Afrontamento, resumo disponível em www.GangeS.pro/duilio), que Marinês Zandabali Grando, amiga de Diva Cadorin Marquetti, deu-me de presente, numa esfumaçada tarde decembrina de (ano mantido em sigilo) na aprazível cidade de Paris, à beira de um rio do mesmo nome, ou de outro nome, que os franceses também têm lá bem sua criatividade para nomearem seus rios, pontes e queijos, só sei que naquele rio há uma "Praia das Greves", ou o que seja.
Pois bem, dizia eu, Ernest Mandel, digo, Samuel Bowles tem um modelo que pode interessar às três divas (Diva, Marinês e Sheila, citando em ordem alfabética), pois trata de formalizar comportamentos associados com o que chama de "segregação urbana". Tentando frasear um resumidíssimo flavour do tema, digo o que segue. Parece que, nos bairros em que maiores frações (mas não 100%) das residências são de propriedade dos moradores, os níveis de criminalidade são menores do que otherwise. Isto significa que nada de mais conveniente existe num país marcado pela presença de migrantes, id est, os EUA, do que financiar-lhes casas, de sorte que eles passem a sentir-se como pertencendo às comunidades que lhes dão guarida. Daí o surgimento dos empréstimos subprime (ou seja, abaixo da taxa de juros das vigentes no mercado de crédito. By the way, diria Adalberto de Avila, tal também ocorre, in Brazil, com os coronéis da canícula, ou seja, os cultores da cana-de-açúcar em Sampa e Nordeste, ou seja, empréstimos para nenhum tomador -sem trocadilho com a ingestão de cachaça- pagar).
Como em qualquer lugar do mundo, alguém tem que pagar. Penso, em primeiro lugar, que o mundo já está pagando mesmo 5% de sua renda como o primeiro imposto indireto mundial, devotado integralmente ao Tesouro americano. Em segundo lugar, penso que a hipocrisia de muitos cultores da civilização americana entrou em choque com a incapacidade dos criadores do mito da soberania absoluta da instituição "mercado" como elemento de agregação das preferências sociais em criarem mecanismos que garantam a paz social precipuamente nos EUA.
Meu ponto ficou claro? Os pés-de-chinelo americanos, se não forem tratados como cidadão, tornam-se criminosos, como é o caso dos juízes do Supremo Tribunal Federal do Brasil, você -claro- entendeu a sutileza, três pontinhos. Por que há crime nas favelas do Rio de Janeiro e de Porto Alegre e mesmo no progressista município de Barros Cassal? Vou enunciar agora o que poderemos chamar de "primeira lei do mercado":
:: a distribuição de renda igualitária é o maior antídoto contra os desmandos alocativos conduzidos pelo livre jogo das forças de mercado,
:: nas economias igualitárias, há dois fatos inarredáveis:
.a. a renda mata a criança (ou seja, rico tem menos filho do que pobre)
.b. a renda mata o crime. Ou seja, se a Profa. Yeda Roratto Crusius (governadora dos homens do Rio Grande do Sul), em sua infinita incompetência, começasse um programa de criação de um milhão de empregos organizados pela Brigada Militar e pela Sargenta Marisa Abreu (responsável pela Secretaria dos Negócios da Educação), teríamos não apenas brigadianos, mas também dentistas (há quem goste...), psicólogos (que poderiam também tratar a patroa), costureiras (que pegãozinho na roupa decorre da lei da entropia para qualquer ser vestido), cozinheiras (eu iria oferecere meu "coelho oriental", num prândio desses de congraçamento).
Em outras palavras, a pobre professora que hoje governa os homens do Rio Grande do Sul deveria pensar que:
.a. a produção deve, naturalmente, ocorrer localmente, mas
.b. a distribuição deve ser realizada globalmente.
Nâo podemos pensar que, apenas pelo fato de que os adultos de Tiradentes não sabem produzir o que quer que seja que o mercado deseja, suas crianças devam ser lançadas às salas de aula superlotadas da Sargenta Mariza de Abreu, ou seja, uma sem-educação tentando organizar a educação dos filhos dos outros.
Disto decorre, necessariamente, o seguinte programa mínimo de reformas democráticas que conduzem ao socialismo:
.a. criação imediata do Banco Central Mundial, com Jader Barbalho como seu primeiro presidente (epa!, já estamos vendo tráfico de influência nessa futura instituição)
.b. a implantação imediata do Imposto de Tobin, um misto de arrecadação de 1% do PIB global de todos os países do mundo e 25% sobre todas as transações financeiras internacionais, inclusive pagamento de exportações, aos cuidados do filho mais velho da Sra. Diva Cadorin Marquetti,
.c. a instituição do mecanismo da renda básica, associando o meridional far niente com o tutto fare característico da Universidade de Chicago e de outros locais em que se trabalha pelo progresso da humanidade. Responsável: Sen. Edward Matarazzo Suplicy (sem registro no Lattes), ainda que detentor do seleto título de PhD pela Universidade de Michigan, próxima a Chicago.
Penso ter-me alongado. Essa de falar em "coelho oriental" e este alongamento precludem pensamentos laterais sobre Pernalonga e outras figurinhas carimbadas, inclusive Quino e Asterix, not to speak of Valentina, Curzio Malaparte e o Sr. Boldo Jurubeba.
Beijos, Mr. Blogger, if you are still with me!
DdAB

Contango

Querido Blog:
Ilustração do dia: um bandoneón, retirado de: Internet (há tantas fotos deste bandoneón específico que achei que nem lhe devia dar o crédito, enquanto que o autor fica con sus copas, ou o que seja). Por que falar de bandoneões, num mundo eivado de políticos ladrões, como é o caso da plêiade que usa a Republiqueta do Brasil como presa fácil? Para deixar claro que foram eles, ou seus acólitos, que -de acordo com ZH, a infalível- sitiaram a progressista cidade de Farropilha ante-ontem.
Por que o estado de sítio?, digo, o município de sítio? Porque não há empregos no sistema judiciário nacional. Com empregos, naturalmente, teríamos uma sociedade igualitária. Com igualitarismo, teríamos bandidos universitários, ou apenas universitários estudantes. Teríamos juízes honestos, boas corregedorias, e tudo o mais. Envolveríamos na saudável geléia geral do trabalho social não apenas mais servidores do sistema judiciário (o que mais pode fazer pela liberdade individual) como também alguns meninos de rua que -ceteris paribus- vão tornar-se bandidos e, naturalmente, -in due time- cadáveres e pó.
E que é contango? Um show de tango muito do maneiro que estou prestes a anunciar. Anunciei-o? Anunciá-lo-ei? Tudo a seu tempo. Contango é a transferência do acerto de contas de compra e venda de ações na bolsa de valores (ai!) para a taxa de juros vigente no dia do acordo. E isto é vida pessoal, meu senhor do bonfim?
beijos
DdAB

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Batendo no peito...

Amado blog:
Hoje é um dia extraordinário. Estou satisfeito da vida, batendo no peito, Joana de baixo do braço, não era isto? É que nem eu sabia que a ilustração da postagem anterior era (era?, é?, foi?) a capa da primeira edição de Avalovara, de Osman Lins. Vai agora alguma outra avalovarificação, cuja tradução é: O lavrador Arepo conduz cautelosamente seu arado. No livro (primeira orelha da edição de 2005 da Cia. das Letras) Avalovara, vemos: "O lavrador mantém cuidadosamente o arado nos sulcos." E uns já vão dizendo que é: Deus guia seus filhos com exação. E por aí vai.
Pior é que é..., pois vi na InterNet alguns registros sugerindo que "Arepo" nada tem a ver com "ópera" e nunca jamais quem quer que seja teria encontrado este nome na literatura latina. Ou seja, se Arepo é, como querem os detratores dos políticos brasileiros, um nome próprio, seria o caso de indagarmos onde esses indivíduos agatunados informarem a fonte fidedigna -já nem digo de seus rendimentos- mas da obra latina (que -provavelmente- furtaram) que registra uma personagem com este nome. Daria mais panos para mangas pensarmos que o operário Arepo teria mais a ver.
Parece que o research programme desta frase é outra daquelas maravilhas do conhecimento humano que somos levados a pensar que quadrados mágicos (de números, como o de Duhrer) são apenas pinguelas, comparadamente às pontes das palíndromes pluri-dimensionais. Por isto, afirmei ontem, no salão de bilhar do "Café Casagrande", que a maior singularidade da espécie humana é gerar informação.
Abraços jaguarienses do
DdAB

Água mole...


Querido Blog (e sua raiz quadrada):
Imagem de hoje disponível em:
http://www.um.pro.br/avalovara

Cara, bicho, gente: um espanto este site de um/a professor/a que ainda não identifiquei, digo o nome, não o site, you know...

Minha postagem de hoje enquadra-se em 32 roteadores. Destaca-se o core econômico, mas há derivativos pela história da arte, pois parece-me que clepsidras, caleidoscópios, ampulhetas, livros que contêm todos os demais livros (George Lewis Borroughs, con su Aleph, seres imaginários but avalovara) e, naturalmente, avalovara ou outras e infinitas variações sobre o todo e suas porciúnculas são apenas manifestações de nossa pequenez ou grandeza, chi lo sa?

Então vamos à postagem do economês. A referência original encontra-se em:
www.portfolio.com/interactive-features/2007/12/cdo.

Todos sabemos que “avalovara” é uma ave formada por aves. Se uma despenca -penso eu-, nasce-lhe uma penca que, naturalmente, converge ao Uno. Ou seja, na versão “hard” não há avalovaras -nem mesmo avalovarinhas, senão apenas uma e apenas uma avalovarona.


Parece que eu já vira esse... esse (como é o nome daquilo?). Gráfico? Não lhe dei muita atenção, pois o economês é o tradicional e a crise americana me parecia distante. Claro que o conteúdo explica muito mais do que a crise, creio. A própria crise terá pilhas de explicações, muitas divergentes. A minha explicação é extremamente monetária, como vou falar rapidamente e depois complementarei com considerações sobre o "modelo hidráulico" que lá apresento.

Explicação extremamente monetária:
Primeiro: por que acho que especificamente esta crise é financeira, mas não propriamente monetária. Primeirinho: o dinheiro não existe, no sentido de expressar uma correspondência perfeita entre estoque de moeda (termo em economês para designar o que entendemos por dinheiro mesmo: $$$, cédulas na carteira, saldo no banco, sacos de soja usados como dinheiro, e por aí vai, ou seja, tudo o que é aceito por um agente pagador e outro receptor como dinheiro então é dinheiro mesmo). Segundinho: existe uma equação básica dos cursos de introdução à economia chamada de "equação quantitativa da moeda", que informa simplesmente que o dinheiro que circula na economia corresponde ("é idêntico", diriam os matemáticos) à riqueza gerada em cada unidade de tempo (um dia, um mês, um ano).

Segundo: uma crise monetária ocorre quando existe descompasso entre o estoque de moeda (as nossas cédulas da carteira e nosso saldo bancário, mais uns títulos do governo federal que andamos comprando com o dinheirinho do décimo terceiro salário adiantado em julho e que queremos despender apenas em fevereiro...) e a produção de bens e serviços em um período. Ou seja, no funcionamento normal do sistema, o estoque de moeda cresce "mano-a-mano" (diremos em nosso show de tangos) com a geração de riqueza (ou seja, os bens e serviços de que acabo de falar). Quando o governo emite discricionariamente:
a) ou algum agente entesoura este dinheiro adicional
b) ou haverá "excesso de liquidez" na economia e, com ele, um descompasso entre o dinheiro na mão (e contas de bancos) das pessoas e os tais bens e serviços.
Este descompasso do item b) vai fazer com que a sociedade entenda que "há mais dinheiro do que bens disponíveis". E o recompasso (?) será alcançado com a elevação dos preços das mercadorias mais sensíveis ao que chamarei de "excesso de demanda".

Por seu turno, o mercado de títulos (alguns dos quais objeto de gasto de nosso décimo terceiro de julho...) tem apenas um grau limitado de correspondência com os bens e serviços gerados no período. Essencialmente, o que se reflete no mercado de títulos é o valor do estoque do capital comercial da economia (isto é, não estamos medindo o valor das estradas ou pontes, mas apenas prédios, carros e marcas, à la coca-cola). Vou fazer duas analogias, agora.

Primeira analogia: se a equação quantitativa da moeda é MV = PQ (M-moeda; V-quantas vezes ela circula por unidade de tempo, sua velocidade, P-nível de preços e Q-produto interno bruto), podemos pensar que no mercado financeiro também haverá uma identidade entre pT = iK (p-preços dos títulos, T-volume de títulos, i-preço do capital e K-estoque de capital).
Segunda analogia: de modo análogo à relação entre o descompasso entre o estoque de moeda (em circulação) e a produção de bens e serviços do período -que estoura nos preços na equação MV=PQ-, haverá um descompasso entre o preço dos títulos na equação pT=iK. O que acontece no mercado financeiro é que, volta e meia, este p (preço dos títulos, especificamente, as ações das empresas transacionadas na bolsa de valores) estoura, vai para as nuvens. E depois, se o preço do estoque de capital não estoura, o equilíbrio desta equação contábil vai verificar-se com a redução dos preços dos títulos novamente. Isto ocorreu visivelmente nas crises de 1987 e 1997.

E também é a previsão que faço para a crise de 2008: uns 15 trilhões de dólares desaparecendo do planeta. Como eles nunca existiram mesmo, seu desaparecimento não terá conseqüências muito sérias sobre as variáveis reais. Entre 1929 e 1933, o PIB americano caiu quase 30% (i.e., 29,5%), entre 1944 e 1947, outros 25%. Depois disto, nunca mais houve quedas expressivas (só em 1982 e 1991) . Pode haver, claro, mas duvido! Como vês, nas grandes crises financeiras do Japão (1987) e dos Tigres (1977), o nem falei de queda no PIB americano.

Modelo hidráulico:
Uns chamam aquele "gráfico" de "modelo hidráulico", pois ele retrata nossa intuição de como corre a água entre vasos comunicantes (não sem bem quem inventou isto; talvez até tenha a ver com Paul Samuelson, prêmio nobel de economia. Ou, se transformarmos a água em sangue, teremos o que os economistas fisiocratas (Monsieur François Quesnay sendo médico). A este os economistas chamam de "fluxo circular da renda", a idéia sendo que a renda circula na sociedade como o sangue irriga o corpo humano. Esta analogia é boa. O que não é tão lá bom (tive que recorrer a Labão, para não falar em "lá tão bom", o que evocaria o "latão bão" exclamado pelo menino de rua mineiro, ao deparar-se com a lata de lixo do "Bar e Restaurante Pampulha") é o que muita gente tem feito nas análises da crise financeira americana contemporânea, pensando que a pura queda nos preços das ações nas bolsas -ela própria- é a queda no PIB.

Ou seja, misturando a explicação hidráulica com as equações acima (MV=PQ e pT=iK), eu diria que podemos conceber movimentos em pT, sem que haja qualquer movimento em PQ. Obviamente, o observador interessado há de preocupar-se com a relação entre o estoque de moeda e a renda (algo como M/Q) e também com a nova equação pT=iK. Sempre soubemos que Q/iK dá a taxa de lucro, mas o que agora temos a oportunidade de ver é que a relação Q/pT também pode levar-nos ao nadir ou ao zênite, dependendo de nossa posição inicial e suas (das posições) de contorno. Se este parágrafo não é economês, então minha avó é (ou foi) bicicleta.

Minha previsão para a presente crise é que haverá elevação de P (e já houve monumentais quedas em p, mas eles subirão um pouquinho para compensar a elevação que vai ocorrer em i), elevação no desemprego (não só nos próximos meses, mas principalmente daqui a dois ou três anos) e oscilações não muito gritantes em Q. Se nada disto acontecer e me cobrares daqui aos dois ou três anos de que falo, prometo rasgar outro xerox colorido de meu diploma de doutor!
bye now
DdAB