sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ainda a Prisão de Lula


Querido diário:

Pois ontem aqui neste blog falei contra a prisão de Lula. E recebi  comentários meu mural do Facebook. Um deles marcou-me negativamente. O eminente jaguariense Anor Filipe disse mais ou menos o seguinte:

Todos os corruptos, independente de qualquer partido, cor ou gênero, devem ser punidos pois roubaram dinheiro do Brasil, prejudicando a todos os brasileiros.... Portanto, não podemos e não devemos defender nenhum deles... Não podemos mais passar por idiotas, como eles querem... Chega de sem vergonhices no Brasil.... Basta!

A este desabafo, redarguí, colocando agora algumas edições no texto que lá joguei:

A sentença do juiz Moro, um abobado que nem sabe português, diz "[...] considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela corte de apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação." Sabe português? E aquela voz passiva sintética que o garoto não soube expressar? E isso diminui a validade da sentença? Se fosse apenas isto, já seria o caso de lançarem-lhe uma reprimenda: com o que ganham os juízes devem exibir sentenças que não atentem contra a língua pátria. Mas ao mesmo tempo pensar que esse juiz tem isenção para julgar Lula (como sabemos, 'juiz moro' é oximoro, hahaha) é saber se Lula está incluído na tua chamada a "todos os corruptos". 

Olha aqui o que diz uma coroa sobre as chamadas provas usadas pelo juiz Moro:

"[Fernanda Carneiro] observa que a ausência de provas 'cabais' é da natureza dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. [Diz ela:] Não há um contrato assinado pelo ex-presidente dizendo que realmente era o proprietário. Então tem de se levar em conta uma série de provas que, isoladas, poderiam ser consideradas circunstanciais, mas, no conjunto, têm uma força muito maior. Esses crimes são praticados justamente com o intuito de esconder a propriedade do recurso, o que torna muito difícil que haja uma prova definitiva que esgote o assunto."

Sigo eu, DdAB. Então há ausência de provas cabais. O que parece ter sido julgado é a possibilidade de impedir Lula de voltar a presidir o Brasil formulando políticas públicas em benefício dos menos aquinhoados. Ao reclamar da visão de direita sustentada por muitos brasileiros de boa vontade, tenho presente que Lula pode voltar a contribuir substantivamente para a redução da escandalosa desigualdade que caracteriza o Brasil há séculos.


Quem leu a encrenca do Facebook ainda pode beneficiar-se de um argumento que se encontrava escondido em minha mente no momento em que revelei meu sofrimento com os absurdos praticados contra o maior político de todos os tempos. Que, lembremos, tinha como presidente do Banco Central o atual ministro da fazenda, só que conduzido a rédea curta, a fim de impedi-lo de fazer as tropelias que hoje vemos. E que Pedro Fonseca denunciou na Zero Hora de ontem: qualquer estudante de faculdade de economia sabe que, com capacidade ociosa, com recessão, com depressão, políticas públicas adequadas são de elevar o gasto público ou reduzir a tributação. No caso, digo eu, para que não role déficit dessas medidas, deve-se substituir os impostos indiretos pelos diretos. Em outras palavras, com Lula, Meireles estaria precisamente fazendo as políticas que Roosevelt implementou na Grande Depressão de 1929-1933 nos Estados Unidos muito loucos.

Então meu ponto agora é que nem sempre nossas críticas devem ser feitas em momentos em que poderiam enfraquecer nossos aliados. E meu ponto tem duas ilustrações. Mas antes dela vou contar uma piada. É uma espécie de oração a ser recitada pelos membros do Partido Comunista, talvez criada por Lênin:

.a se o partido está certo e você também, fique com o partido
.b. se o partido está certo e você errado, fique com o partido
.c se o partido errado e você errado, fique com o partido
.d se o partido está errado e você certo, fique com o partido.

À primeira ilustração cito de memória. Li (você adivinhou: em Zero Hora) alguns anos atrás que Sérgio Faraco, depois de voltar de sua mal-sucedida experiência de estudante (de quê?) na Universidade Patrice Lumumba, de Moscou, escreveu o livro "Lágrimas na Chuva", desancando o que testemunhou de influência do socialismo real sobre a vida comunitária daquela macacada metedora de trago. Pois Faraco procurou Érico Veríssimo e mostrou os originais do livro. Érico, em plena ditadura militar, disse apenas que aquele não seria um bom momento para levantar críticas ao lado esquerdista do planeta. Faraco aquiesceu e publicou o livro apenas quando a ditadura sumiu do mapa.

E a segunda li no próprio (impróprio) Karl Popper e cito verbatim da página 55 do livro

POPPER, Karl (2008) Busca inacabada; autobiografia intelectual. Lisboa: Esfera do caos.

   Precisei de alguns anos de estudo antes de me sentir confiante em relação a ter captado o núcleo do argumento marxiano. Consiste numa profecia histórica, combinada com um apelo implícito à seguinte lei moral: Ajuda a que ocorra o inevitável! Mesmo nessa altura não tinha intenções de publicar a minha crítica de Marx, porque o antimarxismo na Áustria era pior que o marxismo: dado que os sociais-democratas eram marxistas, o antimarxismo era praticamente idêntico a esses movimentos autoritários que mais tarde foram apelidados de fascistas. [...]

É como se, durante nossa ditadura militar, neguinho começasse a criticar, digamos, Pedro Simon, por ver nele problemas enquanto líder político. Ou hoje fortalecer o capitão Bolsonaro: militar, não, muito obrigado! Nem sempre nossas críticas devem ser feitas em momentos em que elas poderiam enfraquecer nossos aliados. Concluo repetindo:

Nem sempre nossas críticas devem ser feitas 
em momentos em que poderiam enfraquecer nossos aliados.

DdAB
[Citações retiradas da publicação de ontem em minha página do Facebook e da página 12 do jornal Zero Hora de hoje. E tomara que eu não tenha feito nenhum erro de português, hahahaha).]
E não fica charmoso eu dizer que sou contra os contra-Lula?
E tem este trecho da nota do PSOL, que retirei do mural do Fb de Rodrigo Ghiringhelli:

No caso da condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro, no processo referente ao chamado triplex, consideramos que a ação penal é frágil em termos de materialidade e provas, reforçando a tese do arbítrio e da ação persecutória que se materializou na condução coercitiva de Lula e na divulgação ilegal de áudio contendo diálogo entre Dilma e o ex-presidente, procedimento duramente repreendido pelo então Ministro do STF Teori Zavaski.
abcz

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lula e Pedro Pedreiro


Querido diário:

Primeiro foi o Antônio que me indagou, quando lhe sugeri que a solução seria uma assembleia nacional constituinte, "pra quê, Duilio?". Depois foi o Diego, quando, voltar de viagem, disse-lhe: "Piorou, né?", pois em minha ausência estouraram mais alguns escândalos. Ele, de boa vontade, sem intenção de contrariar-me ou polemizar, apenas balbuciou: "Tá tudo igual".

Que digo hoje, quando Lula foi condenado a nove anos de prisão? Esperando a loto, esperando a morte...

Agora tornou-se inesquecível para mim a frase atribuída a Benedito Valadares sobre derrotas eleitorais: faltaram votos. A verità é que vimos sendo derrotados em tudo que é tipo de eleição. Eleger Lula ou Dilma com aquele tipo de regras constitucionais de regulamentação da administração pública é o fim da picada: não serve pra nada.

Ok, ok, serve para algo. Mas o que faltou mesmo foram votos em um programa que conseguisse comover a maioria dos eleitores. Enquanto não o tivermos, não adianta chorar. Felizmente, muitos de meus amigos do Facebook é que não serão convidados a pagar a conta. Estamos entre os 6% mais ricos. Azar dos 94%.

Esperando o trem. Amanhã, parece, carece de esperar também.

DdAB

terça-feira, 11 de julho de 2017

Delfim Netto e a Apologia da Burrice


Querido diário:

Quando decidi expandir meu já imoderado consumo de bebida para o nível escandaloso, ainda não lera o artigo "O Estado não cria recursos", de autoria de Antonio Delfim Netto e publicado na revista Carta Capital de 5 de julho do ano corrente, aparecendo na página 38. E agora, antes de lançar-me ao consumo desenfreado desse importante item de meu orçamento caseiro, decidi fazer alguns comentários, menos com a intenção que chegue ao conhecimento do autor, mas na esperança de que possa suscitar alguma curiosidade de meu leitor sobre ideologia. Minha e do ex-ministro e ex-deputado da república. A minha ideologia, minha filosofia política, é igualitarista. A de Delfim Netto é neo-liberal.

Diz ele, abrindo o artigo:

A maior ilusão de uma 'esquerda primitiva' é que o Estado é magico e que, através de seu poder incumbente transitório, pode criar recursos. Nada é mais falso. E nada tem consequências mais deletérias sobre o processo de construção de uma sociedade civilizada, onde devem coexistir: 1. A plena liberdade de iniciativa. 2. A relativa igualdade de oportunidades, sob a coordenação de um Estado forte. 3. Um Estado forte, constitucionalmente limitado, capaz de controlar a organização da economia (difusa em toda a atividade social) para obter eficiência produtiva que permita a todo cidadão gozar os dois valores anteriores.
   É preciso insistir: o máximo que o Estado pode fazer é redistribuir, não sem antes consumir uma parte.

Primeiro devemos filosofar sobre a expressão "esquerda primitiva". Como bem sabemos, a esquerda se divide em primitiva e cerebral, à qual pertenço. Em boa medida, desqualifico-me para falar em nome da primitiva. Ainda assim, como sabemos, a mentira tem pernas curtas e rapidamente veremos traços da ideologia do autor tentando impingir-nos seus valores de maneira enrustida. Naturalmente a esquerda cerebral temos muito claro que nada é mais falso do que dizer que nada é mais falso que negar que o estado é incapaz de criar recursos. Indago-me, por exemplo, o que Delfim pensa sobre seu processo de construção de uma sociedade civilizada sem referir em primeiro lugar a educação. E que nome daríamos aos recursos empregados na construção de uma escola, com suas salas de aula, seus recursos audiovisuais, suas escadarias, seu centro esportivo, seu salão de atos, seu teatro, sua biblioteca, seus ônibus de transportes de alunos?

Com isto, já acabamos com o título que a revista que costumo designar como "Capital dos Carta" avalizou na publicação de seu cronista habitual. O estado não cria recursos, exceto tudo o que acabo de referir, tribunais de justiça, todos os bens públicos e meritórios que podemos imaginar, quando de provisão pública. Epa, esqueci de definir "recurso". Ora, digitei "dicio recursos" no Google e vi: "Faculdades, dotes: os recursos oratórios de Vieira.Bens materiais; posses: homem de recursos.Condição de riqueza, de produção de desenvolvimento econômico: país de imensos recursos."

Até o padre Vieira entrou na roda. Dotes é bom, mas tem mais, bens materiais. Então uma operação de remoção de um cálculo renal não é um recurso? Desasnar um vivente? Vamos adiante: país de imensos recursos. Ah, então podemos pensar em recursos materiais e humanos. Um neguinho que sai sobranceiro da cirurgia que lhe restituiu um rim lampeiro (para rimar), aumentou seu capital humano, não é mesmo? E a piscina aumentou o capital físico da escola, tampouco é mesmo? Cada uma desse Delfim.

Aprendi com William Baumol que podemos classificar as atividades empreendedoras como produtivas, rent-seeking ou destrutivas. O estado, diz Delfim, só se dedica às rent-seeking, ou seja, que apenas transferem a renda (o produto) criado por outrem. No mundo mundano em que habito, vejo o estado aqui e na China exercendo essas três atividades: produz, redistribui e destrói. Se produz, redistribui ou destrói, então cria, redistribui ou destrói, sô. E por que o rapaz disse este tipo de impropério?

No primeiro ano do governo Temer, o Brasil tomou conhecimento de tais dificuldades e, com a organização de um parlamentarismo de 'ocasião', ele produziu a aprovação de um número substancial de medidas micro e macroeconômicas, cujos efeitos se farão sentir no futuro. Infelizmente, os recentes eventos políticos diminuíram a capacidade do governo de prosseguir com as duas reformas fundamentais que estão encaminhadas: a trabalhista e a da Previdência.

Então a exceção de governo que produz é o velho (fora) Temer e produziu algo, algo rent-seeker, algo destrutivo, sei lá. Mas isto não é nada: efeitos que se farão sentir no futuro não são sentidos no presente. E até hoje está para ser provado que as medidas que (fora) Temer fez aprovar trarão algum benefício, por exemplo, para atenuar a desabotinada desigualdade que destruiu a sociedade brasileira precisamente porque arautos do "estado mínimo" vetam regularmente a ampliação do emprego público. E não digo naqueles ridículos 6,5 mil policiais. Para o Rio Grande do Sul, desde 1994, recomendo a contratação de um milhão de espécimes para receber treinamento mínimo de cidadania. Entre eles, deverão ser educados novos pacientes de hospitais psiquiátricos, mas também atendentes psiquiátricos, guardas de rua, motoristas, e por aí vai. E, por puro acaso, Delfim acha maravilhosos os teores das reformas trabalhista e da previdência tal como encontram-se em votação no congresso nacional. Por favor.

   [...] Quanto à reforma da Previdência, sua maior oposição vem do alto escalão do funcionalismo federal, que se apropriou do poder em Brasília. Trata-se de uma 'elite extrativista' [e aqui Delfim se refere, imagino, a Acemoglu e Robinson, por contraste a minha citação de Baumol] que 'conquistou' no grito direitos 'mal' adquiridos, desde 1988 [...]

Pensei ser de bom-tom, de minha parte, dizer que é vergonhoso que uma reforma da previdência que conta com a simpatia do articulista exiba simultaneamente tantos senões levantados pelo... articulista. Quero dizer, benesses como as do próprio articulista e minhas, aposentadorias benévolas, não foram tocadas. E milhares de exceções encontram-se excluídas do alcance do projeto que Delfim defende. É óbvio que o país precisa de uma reforma trabalhista e outra da previdência. E parece-me igualmente óbvio que a reforma econômica que deveria iniciar o rosário de queixumes do governo (fora) Temer seria mesmo a reforma tributária e não essas duas.

Mas é ainda mais óbvio que estas reformas do governo (fora) Temer são peças de escárnio, peças para cumprir um receituário ditado por algum íncubo que tem acólitos apenas do porte do Delfim, do Henrique Meirelles e de outros arautos que desconhecem que um item importante para avaliar o que quer que seja de ação governamental e comunitária no Brasil requer a pergunta: o que será da desigualdade após a implantação dessas medidas?

DdAB
Imagem: Delfim me puxando.

domingo, 9 de julho de 2017

Economistas Pecuários



Queridas amigos, amigos, amidalites, Itie, e tutti quanti:

70 anos. Dia 8, ontem. Hoje 70+1/365, fração própria. Na fração imprópria, temos aproximadamente 70,003. Quando chegar no 70,999, pimba, novas festividades, ad aeternum, se tanto.

Zero Hora, sempre Zero Hora. Às vezes dá suas dentros. Neste fim-de-semana, a edição era bem certinha: dia 8, sábado, o aniversário, domingo, 9, a comilança. E o que li na página 2 do caderno Campo e Lavoura? Li:

A cadeia produtiva da carne entrou em desequilíbrio, com oferta maior do que a demanda.
(Alberto Werneck de Figueiredo, diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura)

Em outras palavras, o sr. Alberto não apenas acredita em equilíbrio como também o faz com relação a desequilíbrio. No outro dia, falávamos sobre o salário mínimo, situação em que a demanda por trabalho é cortada num ponto que a faz significativamente menor que a oferta. Por isso mesmo o salário mínimo sobrepõe-se ao salário de mercado. Só existe um 'pobrema' na fala do sr. Alberto e em minha maneira de expressar a encrenca. Lá naquele primeiro semestre da faculdade de economia, bons professores levam seus alunos a entender que a lei da oferta e procura é algo mais imponente que a própria lei da gravidade.

Neste afã, eles ensinam aos alunos que a dualidade básica do mundo econômico é que as compras, no dia de meu aniversário,, olhando para as escritas das firmas hoje de manhã, foram identicamente iguais às vendas. E os mais sabidinhos sugerem que, no entorno daquele par (quantidade, preço), havia uma "banda" de oferta e outra "banda" de procura, dentro da qual -provavelmente (eu disse 'provavelmente' e não tratar-se do 11o. mandamento das tábuas de Moisés)- encontravam-se as verdadeiras curvas de oferta e procura imaginadas pelos agregados de produtores e consumidores. E aí entra a encrenca: o neófito é obrigado, sob pena de reprovação e opróbrio, saber diferenciar "demanda de quantidade demandada" e "oferta de quantidade ofertada". Então o sr. Alberto estava, claramente, falando nas quantidades ofertada e demandada, o que implica que, em sua visão, as curvas originais não foram afetadas. Nem por aquela baixaria de vermos na TV carnes mal-processadas. A propósito, isto é que dá o governo, num just like that de fazer inveja ao estalar dos dedos anular e polegar (imagem lá de cima distorcida, hehehe), querer lançar-se a eleger (eu disse "eleger"???) campeões nacionais, em detrimento do combate à feroz desigualdade, responsável, inclusive pelos subornos praticados sistematicamente pelos vencedores, fora Temer, e tudo o mais.

E foi só isto do sr. Alberto o que li? Não. Também li:

No espaço ao lado da seção "Entre aspas", que quotou o sr. Alberto, vemos o "Campo responde". Primeiro pensei: o campo deve ter dito sim à reforma agrária de cunho social, tentando fixar  turma ao campo e até tentando atrair citadinos à capina e a tudo aquilo. Pois não era isso:

É comum a ovelha rejeitar cordeiros gêmeos ou trigêmeos? O que fazer para evitar o problema?
Responde: dra. Norma Centeno Rodrigues, médica veterinária especializada em bem-estar animal.

Um dos maiores problemas em partos duplos ou triplos é a rejeição de um dos cordeiros pela mãe.  [...] A adoção de um cordeiro órfão ou do terceiro cordeiro de parto triplo é difícil, requer dedicação do criador e nem sempre dá resultados.

Eu fiquei pensando: parece a ovelha capitalista de que nos falou Umberto Eco em um dos ensaios do livro "Viagem na Irrealidade Cotidiana", um dos livros que mais me influenciou quando eu tinha cerca de 40 anos de idade. E também Keynes naquele amado "Possibilidades econômicas para nossos netos", em que ele fala que o criador de gatos cuida da gata parturiente não por ela, mas pelos gatinhos e, na verdade, nem pelos gatinhos, mas pelos filhos e netos dos gatinhos.

No capitalismo, concluo, fechando as festividades dos 70 anos, lembrando que "no capitalismo, tudo vira mercadoria". E quem se arvora a dizer que teorizar sobre o conceito de equilíbrio é irrelevante vive em um planeta diferente do meu, em que -repito- a lei da oferta e procura é mais imponente que a lei da gravidade.

DdAB

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Quebras de Contrato e Credibilidade


Querido diário:

No outro dia, nosso mestre Fernando Lara comentou lá no Facebook (às 10h30min de 3/jul/2017) que, apesar do fuzuê da direita festiva sobre a retomada do crescimento econômico no Brasil, a realidade realmente real mostra parcas perspectivas (em minhas palavras). Aí comentei:

O certo (anti-Hume) é que a economia vai melhorar, pois sempre melhorou depois de piorar. O certo é que o Brasil nunca teve tantos anos seguidos de crescimento negativo. O certo é que Aécio Neves nunca teve tanto sucesso entre a denúncia da vitória de Dilma e sua consequente derrota eleitoral e a cadeia (de que se livrou apenas para provar o que direi em seguida). O certo é que a base "credibilidade" nas instituições para explicar o crescimento do PIB é tão certo quanto qualquer outra teoria: a veces, si, a veces, no. E o certo é que, por exemplo, essa reforma da previdência que quebra os contratos feitos pelos trabalhadores com o INSS no primeiro dia de trabalho são rompidos sistematicamente, a cada vez que o governo muda o nome da encrenca (eu mesmo já contribuí para o INPS, o IAPB, sei lá que mais), ou a cada vez que mexe nas regras contratualizadas quando o trabalhador -repito- aderiu a um contrato de seguro e previdência.

Sem falar que não comentei que, primeiro, os vilões que quebram contratos desse tipo e milhares de outros não se cingem ao atual presidente da república. Por exemplo, vergonhosamente, Fernando Henrique aumentou o direito à aposentadoria por idade dos antigos 70 anos para 75. E os governos seguintes de Lula e Dilma mantiveram essa estrepolia, esse golpe no país de 74 anos de expectativa de vida.

DdAB

terça-feira, 4 de julho de 2017

Geddel, a Pena de Morte e o Juiz


Querido diário:

Na página 2 de Zero Hora de hoje, fala-se que mais de 50% da população brasileira é favorável à pena de morte. Presumo que apenas uma fração muito reduzida dessa mais-de-metade aceitaria com exação tal pena aplicada contra si. Como apenas 94% da população ganham menos de R$ 5 mil por mês, estimo que o objeto da pena de morte seriam mesmo é os pobres, muitos remediados e um que outro rico.

Sou contrário à pena de morte para Geddel Vieira Lima, notório corrupto deste desditado país. E se fosse para o enquadrarmos, por que deixar incólumes tantos outros larápios? Uma razão para a absoluta proscrição da pena de morte é dada por Hegel:

[...] No ensaio Quem pensa abstratamente?, de 1807, Hegel sugere que pensar abstratamente é simplificar, partir e fixar o objeto da reflexão. Qualquer um, seja rico ou pobre, culto ou sem instrução, comandante ou soldado, pode incorrer nesse erro de avaliação. Um exemplo comum do pensamento abstrato para Hegel é 'ver em um assassino somente o fato abstrato de que ele é um assassino e através dessa simples qualidade anular toda a essência humana, ainda remanescente nele' (op. cit., p. 237) [sic].

Primeiro, o Geddel segue sendo humano, tendo uma essência humana, algo remanesce mesmo nos piores vilões. Depois, a pena de morte, aplicada intensamente, como na China de hoje ou nos Estados Unidos nos últimos 100 anos, só pode levar à ocorrência de erros tipo II, ou seja, condenar inocentes. E isto é inadmissível: sob o risco de tal injustiça, deve-se adotar o princípio de proscrevê-la para todos.]

Pois nenhum juiz condenou o Geddel, mas o neguinho que mandou prendê-lo cometeu um erro de português em seu, sei lá, despacho. Lemos em Zero Hora (livre, as it were, de ser chamada de Zero Herra):

   No despacho assinado ontem, o juiz Vallisney Oliveira diz que 'a prisão de Geddel Lima é medida que se impõe, por haverem provas, até o momento de sua participação no supramencionado esquema ilícito, havendo o perigo de que se permanecer solto pssa atrapalhar as investigações na Operação Cui Bono'.

Haverem provas? Se fosse no pretérito, ficaria claro tratar-se de um erro: Houveram provas. Ou, no futuro: haverão provas... A este haverão, vi a piada: depois da primavera, há verão.

Todos temos direito de cometer erros de português, mas 94% dos brasileiros, a elite, por ganhar mais de R$ 5 mil mensais deveria ser condenada à morte, quando os comete. Dados meus próprios raciocínios sobre o tema e, especialmente, a reflexão de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, o certo mesmo, para o Geddel e o juiz seria submetê-los a ritos de vaias. E encarcerar quem ganha mais de R$ 300 mil por mês, e até menos...

DdAB
Fonte da citação a Hegel: FEITOSA, Charles (2004) Explicando a filosofia com arte. Rio de Janeiro: Ediouro. Como sabemos, declaro-me especialista em introdução à filosofia, razão que me leva -sempre que possível- a reler meus livros listados aqui, o que me fez notar hoje, logo hoje, dia em que tomei conhecimento da prisão do emporcalhado Geddel.
Imagem: precisa dizer?
Cui bono: quem se beneficia: expressão que aprendi lendo, há um século, o artigo de Chico de Oliveira "Crítica da razão dualista". Chico é sabido e erudito. E meio radical em demasia para meu gosto, hoje em dia. Mas segue sendo meu ídolo por esse trabalho.

domingo, 2 de julho de 2017

Salário Mínimo é Bom para o Planeta


Querido diário:

Os prolegômenos
Recebi o convite de meu amigo Ricardo Holz, do Facebook, por meio de uma postagem em seu mural, a opinar sobre um vídeo com umas declarações da profa. Deirdre McCloskey a propósito da implantação do salário mínimo nos Estados Unidos e um comentador fazendo comentários por escrito sobre os 77 anos da implantação desse mecanismo no Brasil. O texto da sra. McCloskey está aqui. E a chamada de Ricardo Holz foi feita às 21h30 (mais ou menos) de hoje, o primeiro domingo do segundo semestre do terceiro ano depois do desastre dos 7x1. Refere-se ele a um certo Clube Farropilha. E pede minha opinião, penso, sobre os dizeres da profa. McCloskey e sobre os comentários de alguém respondendo pelo Clube Farropilha.

Vou expandir aqui e ali os comentários que coloquei no mural de Ricardo Holz. Bom falar em Ricardo, David. Para David Ricardo, a economia política é a ciência que estuda as regras que determinam a distribuição da renda entre as diferentes classes sociais. Creio já haver mencionado que comecei a me interessar pelas questões distributivas quando lecionei, pela primeira vez, macroeconomia da estabilização na UFRGS, tipo 1984, quando o Brasil era um simples tri-campeão do mundo e a inflação chegava a tri-dígitos.

Minha relação com a velha Deirdre
Gosto dela, reconhecendo-a um tanto mais à direita que seu grau de erudição prediz. Gosto de sua rebeldia e sua coragem em fazer o "trespassing" e que agora achei aqui como definido por ela como "gender crossing" aqui. Mas vejo-a crescentemente assumindo posições que reputo de conservadoras. Seja como for, não me canso de lê-la, lê-lo, pois há muito humor em seus escritos.

E até me sinto orgulhoso de conviver com suas ideias, pois mostra que não sou um velhinho dogmático, ou pelo menos não sou dogmático em excesso. Do tempo em que Deirdre era Donald, temos um livro de onde retirei a epígrafe de minha tese de doutorado. Tratando da mensuração da mudança estrutural no Brasil, apaixonei-me por uma frase retirada do livro "Econometric History". E diz (cito de memória): "Replete with prices and profits,, acres and hands, economic science is the most measurable of all of the social sciences". Mas não precisava citar de memória, pois a citação literal está aqui mesmo. Lá na postagem de meu blog, há um final abrupto e imagino que eu iria falar algo sobre o que é a história econométrica, ou cliometria (aqui).

Minha relação com o autor do Clube Farroupilha
Não vou reproduzir tudo o que o autor do comentário produziu. Atenho-me a uma frase que em absoluto não pode ser declarada fora de contexto, pois o tema é mesmo baixar pau, pau e pau no salário mínimo. É uma bobagem, uma ampliação indevida de argumento que até São Karl Marx fez, precisamente falando que, no ponto de equilíbrio de um mercado competitivo, a oferta e a procura deixam de operar. Ora, quando "nosso" autor diz: 

"Quando preços são controlados por lei, extingue-se a lei da oferta e demanda, que naturalmente faz a regulação dos preços nos níveis do mercado.", 

eu afirmo que ele está exagerando, pois o gráfico lá de cima deixa bem claro: as curvas de oferta e procura de trabalho estão lá, bem firmonas, como sempre estiveram. Se não estivessem em seus lugares, não haveria aquele excedente de oferta de trabalhadores, precisamente o desemprego que o comentador (lá de cima) lamenta. Parece-me evidente que um tropeço desta natureza por parte do comentador só pode ser atribuído a seu viés ideológico, o que torna-se fácil de identificar a partir de meu viés ideológico. Claro que o meu é a favor da classe trabalhadora, mas lamento que parte do campo da esquerda não entenda que precisa estudar mais economia neoclássica, que precisa ler aquelas encrencas de Oskar Lange e Stephen Worland (aqui).

Minha relação com o neo-classicismo de esquerda
O mais interessante da visão que esposo, adquirida ao longo de meus estudos sobre a distribuição da renda, essas coisas, é fortemente oposto ao pessimismo do comentador. Concordo (e tem outra gente de esquerda que discorda) que há um certo montante de trabalhadores desempregados devido precisamente à implantação do salário mínimo. Ainda assim, afirmo que o comentador do Clube Farroupilha jamais poderá ver que não é impossível que precisamente a implantação do salário mínimo poderia elevar a receita dos trabalhadores empregados. Bastaria, para tanto, que aquele ponto de coordenadas (quantity demanded; minimum wages) se localizasse bem na metade da curva de demanda por trabalho.

Vamos lembrar da relação estabelecida entre a curva de demanda de qualquer coisa e a elasticidade preço da procura: a receita máxima é alcançada quando o preço cai até o ponto médio da curva. Isto permite-nos pensar que não seria impossível que os trabalhadores empregados, dado que ficarão com salários reais maiores (naquele caso), se dispusessem a subornar os que ficarão desempregados para que assim permaneçam. E a classe trabalhadora, olimpicamente, seria sagrada absoluta vencedora deste conflito distributivo.

Parece evidente que Ricardo, David e talvez também Ricardo Holz, estava/m coberto/s de razão a entender/e, que o grande problema no mercado de trabalho é eminentemente distributivo e não alocativo: conflitos entre capitalistas e trabalhadores e também conflitos entre os próprios trabalhadores empregados e desempregados (e quem sabe disputa entre capitalistas pelos melhores trabalhadores, sei lá).

Minha relação com os sonolentos empresários
Estou com o comentarista do vídeo de Deirdre McCloskey na linha de que o salário mínimo exige mais produtividade para poder pagar o que a lei assegura ao trabalhador (estou? ela, ele fala/m isto?). Entendo haver uma grandiosa contribuição da legislação do salário mínimo para elevar a produtividade do sistema. A empresa mal-organizada, mal-gerida, obsoleta tecnologicamente, pagando propinas excessivas aos governantes, e por aí vai, será incapaz de gerar toda a renda necessária para pagar também o salário superior ao que equilibraria o mercado de trabalho. E vai quebrar. E os recursos sociais que ela estava aplicando incompetentemente serão realocados, por meio de uma perda patrimonial e venda da empresa a um preço competitivo, que tornará outro empreendimento sob o comando de outro empreendedor, enfim, lucrativo.


Minha relação com subornos, distribuição e a renda básica
Claro que tem gente que não aceita este argumento contra os empresários sonolentos: não é capaz de elevar a produtividade de sua empresa? Pois quebre! Se não troteia, que saia da estrada. É por este tipo de visão que o salário mínimo é bom para forçar os empresários a trabalharem competentemente e elevarem a produtividade. 

Mas tá na cara -como sabiamente o comentador refere- o salário mínimo não é lá tão bom para os trabalhadores que ficarão desempregados com sua instituição. Mas estes podem ser subornados pelos que saem ganhando com a instituição do salário mínimo e permanecerem desempregados. Ou, ainda melhor, podem ser remunerados pelo governo com a renda básica universal. E obviamente a renda básica não deve ser aqueles R$ 80 que o sr. Michel (Fora) Temer! anunciou que iria elevar e acabou por mudar de ideia, pois é um desclassificado.

Então a verità é que o grande problema do capitalismo não é nem o funcionamento do mercado de trabalho (claro que o salário mínimo não anula as forças da oferta e procura) nem os ganhos de produtividade que o salário mínimo pode induzir. Mas sim o problema é distributivo. E a solução para problemas distributivos requer outros mecanismos de política econômica que o simples abandono do funcionamento do "livre jogo das forças de mercado" jamais vai gerar.

DdAB
Duilio De Avila Berni Ao escrever no blog, fiquei pensando que meu querido amigo/assobrinhado Jorge Maia Ussan há de concordar comigo e entender que umas alfinetadas que estou dando em colegas do campo da esquerda não são nele, não é mesmo, Jorge? Jorge é um negão estudioso, mente limpa, límpida, de baixo coeficiente de dogmatismo nas posições que vejo-o defender no lar, no bar, em todo lugar.
Jorge Maia Ussan Agradecendo a citação e concordando com as alfinetadas me lembro que na época do doutorado estudei um pouco isso.
Se considerarmos, neoclassicamente, um mercado de concorrência perfeita, trabalhadores homogêneos e um único setor onde todos trabalhadores são cobertos pelo salário Mínimo (SM) temos o teu gráfico aí em cima onde um SM acima do equilíbrio gera desemprego. Mas como na prática a teoria é outra (NPTO) existem pelo menos dois setores (um coberto e outro não pelo SM), os trabalhadores não são homogêneos e o mercado de trabalho é segmentado. E nunca consegui engolir esse troço de lazer X trabalho!
Aí a coisa complica, e muito.
Pelo que sei (ou sabia) não existe um consenso na literatura neoclássica (e novo-keynesiana) sobre mínimo e mercado de trabalho, porque, sabe como é... NPTO. Logo tuas considerações são válidas, especialmente na questão da produtividade. Pode ser meu viés, mas acho que aí andas na direção do velho Carlos, onde a taxa de salários é determinada pelo processo de acumulação capitalista e pela correlação de forças sociais na luta pela repartição do produto.
Comentário redundante para ti, mas resolvi tentar ser mais claro para bem da audiência. Ou não, hehe...
Jorge Maia Ussan Por falar nisso, na Gaia Ciência Nietzsche esclarece muito bem que trabalho X lazer é uma escolha para poucos:
"Procurar um trabalho para ter um salário isso é o que torna hoje quase sempre todos os homens iguais nos países civilizados; para todos eles o trabalho é um meio e não um fim; por isso são pouco difíceis na escolha do trabalho, desde de que lhes proporcione um ganho significativo. Ora, há homens raros que preferem perecer a trabalhar sem prazer: são delicados e difíceis a satisfazer, não se contentam com um ganho abundante, se o próprio trabalho não representar o ganho dos ganhos. Dessa espécies de homens raros fazem parte os artistas e os contemplativos, mas também os ociosos que passam sua vida na caça ou nas intrigas do amor e nas aventuras. Todos procuram o trabalho e o sacrifício na medida em que estejam ligados ao prazer e, se necessário, o trabalho mais duro e difícil. Caso contrário, se decidem pela preguiça, mesmo que essa preguiça signifique a miséria, desonra, perigos para a saúde e para a vida".
Duilio De Avila Berni Jorge Maia Ussan: obrigado, querido.
Sobre o primeiro comentário:
Deixas-me enormes deveres de casa, pois fazes reflexões verdadeiramente interessantes. No caso de "meu gráfico", sua enorme virtude reside precisamente na simplicidade e beleza. A defesa dele não é propriamente maior realismo para o trabalho da econometria, mas a possibilidade de inserir mais variáveis e invocar sempre que conveniente a cláusula 'ceteris paribus'.
Sempre que falo em mercado de trabalho, tenho bem clara uma hipótese que nunca fui capaz de testar e que diz respeito ao maior volume de dinheiro girando nas transações institucionais do que o tamanho do valor adicionado nas economias concretas. Quero dizer, sem falar em causa própria, as transferências interinstitucionais tornam-se maiores que o PIB nos países ricos. (Se tudo der certo, também esse é que será nosso futuro).
Duilio De Avila Berni Sobre Nietzsche:
No Brasil há 22 milhões de trabalhadores desempregados ou detentores de empregos precários (no setor informal). É possível que especialmente os últimos tenham jornadas de trabalho até maiores que os trabalhadores formais. O fato é que as estatísticas mostram que o brasileiro médio dá um duro danado precisamente para fixar-se em um posto de trabalho.
Duilio De Avila Berni Talvez também deva convidar ao tema o prof. Hélio Henkin. E o próprio Facebook ofereceu, quando digitei 'Hélio', meu parente, o também professor Helio Augusto Berni. E o prof. Gabriel Nunes de Oliveira.
Duilio De Avila Berni E o prof. Flavio Comim, que curtiu e sabe tudo isto muito melhor que eu!
Ricardo Holz Bom dia. Nao entendi de onde sairam os R$ 80 de renda basica
Duilio De Avila Berni É evidente: tesouro nacional! Sabes, Ricardo Holz, se cada brasileiro economicamente ativo recebesse R$ 500 por mês (incluindo o autor do projeto de lei que virou a lei 10.835, a Michelle Temer, o deputado Hildebrando Pascoal, a cantora Vanusa, nós dois e todas as demais torcidas de todos os clubes, credos, associações e institutos de bocha, a preços e renda de 2009, não iriam mais de 20% do PIB:
meus cálculos -tão espantosos que agora mesmo vou revê-los para pensar que não estou incidindo numa burrada homérica- dizem que, no brasil, caso cada brasileiro em idade economicamente ativa (isto é, 80 milhões de pessoas) ganhassem R$ 500 por mês, ainda sobrariam 80% do PIB para serem distribuídos em outras formas de remuneração. por exemplo, maiores incentivos a empresários inovadores, a cidadãos que se destacam em outras esferas que não a produtiva (sacerdotes, artistas, sabe-se lá que mais). R$ 500 é muito mais do que hoje se pensa em "bolsa família".
Fonte: http://19duilio47.blogspot.com.br/.../bolsas-para...



Bolsas para Senhoras de Crocodilo
Ilustríssimo Senhor Blog: Procurei no Sr. Google Images, entre aspas, o título da postagem de hoje. Em minha…
19DUILIO47.BLOGSPOT.COM
Roberto Rocha Caro mestre Duilio De Avila Berni, a tesoura é elegante, mas muito pouco explicativa. Cá para mim prefiro gráficos mais "realistas". https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1569517199736493&set=p.1569517199736493&type=3&theater

Jose Magno Almeida
Duilio De Avila Berni Éééé Roberto! Nossos gráficos mostram fenômenos diferentes. Por trás do "meu", há uma teoria. O do José Magno é uma descrição que precisa de qualificações, caso queiramos também explicar e prever. Por outro lado, a relação inversa entre salário mínimo e desemprego (quanto maior o salário mínimo, menor será o desemprego) -se bem lembro- foi-me explicada por ti mesmo há um ou dois anos, com o enxugamento do número de desempregados por meio de crescente formalização do trabalho via mecanismos de acesso ao crédito. Digo eu: provavelmente nem toda a redução do desemprego, convenientemente definido, dizia respeito ao mercado de trabalho.
Roberto Rocha SIm, mestre, eu como "não-neoclássico" me alinho teoricamente com a explicação do Jorge Maia Ussan, onde acumulação de capital e poder de barganha assumem o papel central na explicação. Como para mim o "ceteris Paribus" só é aplicável em micro, a oferta e demanda é utilizável apenas na escolha da firma e outras unidades menores de agregação.
Duilio De Avila Berni E eu, como não-não-neoclássico, sugiro que podemos chegar a um acordo. Ao invés de dizermos simplesmente que
W = W(L) [salário é função do número de trabalhadores]
podemos dizer
W = Z(L, A, P), com A sendo uma variável que captura o grau de acumulação de capital e P sendo o poder de barganha da classe trabalhadora.
Entendo que "ceteris paribus" é uma cláusula que entra em qualquer modelo. Por exemplo, ao estudar a distribuição da renda na sociedade, costuma-se dizer que os preços relativos são mantidos constantes. No mundo real, nada se mantém constante, é óbvio, mas os modelos têm o fascínio de permitir-nos pensar nisto por uns instantes, permitindo-nos precisamente buscar relações de causalidade entre as variáveis selecionadas como relevantes para explicar (e prever) coisas importantes.
Sabe-se lá. Mas não esqueçamos meu ponto principal: o salário mínimo não é absolutamente perverso para com a classe trabalhadora. Se perversidade existe, ela se deve a regras distributivas que transcendem o mero funcionamento do mercado de trabalho, como a informalidade, a estrutura tributária e o grau de abertura da economia, além das razões já levantadas neste mural.
abcz
NOVIDADES
E dia 10 de julho, um dia depois da festa familiar comemorando meus 70 anos, Ricardo Holz voltou a escrever:

Ricardo Holz Bom dia queridos amigos! Mais um item para o topico:

http://exame.abril.com.br/.../seattle-mostra-o-risco-de.../


Cidade já tinha maior salário mínimo do país e o…
EXAME.ABRIL.COM.BR
E myself voltei a responder:
Bom dia, Ricardo! Vejo que entras a semana com inspiração. Comecei a ler e estanquei numa contradição: "O resultado: um trabalhador de renda baixa acabou ganhando em média 125 dólares a menos por mês." É impossível que o salário mínimo tenha aumentado e o trabalhador de renda baixa, ou seja, o trabalhador cuja renda acaba de aumentar, tenha passado a ganhar menos. O autor, parece óbvio, quer dizer alguma outra coisa. Seja como for, retomo a palavra.
Falo de um mundo ideal quando me refiro à função do salário mínimo em elevar a produtividade da empresa, isto é, forçá-la a se capitalizar, tirando mais valor de cada trabalhador. O lado alegre da elevação da produtividade do trabalho e da lei do valor é que os produtos gerados nesse ambiente terão tendência a redução nos preços, beneficiando compradores (de insumos ou do produto final).
Mas parece óbvio que a expressão monetária do valor adicionado (calculado pelas óticas do PIB, renda ou da despesa) é precisamente dada pela oferta monetária colocada em circulação pelo banco central. E o "processo econômico" pode ser visto, para nossos fins, como a luta pelos diferentes agentes (aposentados-os mais importantes, trabalhadores formais, trabalhadores informais, capitalistas nacionais e estrangeiros e governo) pela sua captura. Quem pode mais pega mais. E se o banco central emite além da capacidade instalada de produção da economia? Vai ter inflação. E se emite menos? Vai ter deflação. E a vida seguirá seu rumo maravilhoso? Seguirá seu rumo que, provavelmente, tão cedo não será nada maravilhoso.
E o salário mínimo subindo além das possibilidades abertas à empresa, a fim de elevar sua produtividade? Vai dar encrenca da grossa.
E que fazer com os trabalhadores desempregados precisamente pelo racionamento de postos de trabalho criados pela elevação do salário mínimo? Deixa-os no setor informal, dá-lhes um pedaço de flanela para acenar aos carros e indicar que aquele estacionamento é privado, propriedade informal do flanelinha. E deixa a garota flanelinha ser assassinada por bandidos.
E se não quiser que a garota seja assassinada? Poderíamos dar-lhe um emprego de guarda municipal, estadual ou federal, com repouso semanal remunerado (claro que não precisa ser no domingo), férias anuais, e por aí vai. E treinamento, e meios profissionais de fazer abordagens a bandidos. Em outras palavras, emprego público, a base da sociedade igualitária nos dias que correm. E que nos deixam correndo a fugir dos bandidos.
abcz
Nota à seção sobre os sonolentos empresários:
(Nota acrescentada às 10h53 de 10/jul/2017, explicando o jogo de palavras com os sonolentos empresários e a frase dirigida por Marx ou Engels aos mexicanos. Tá nas obras completas, em algum volume de minha posse e leitura antiga: aqui. A frase é: 

[...] ¿O acaso es una desgracia que la magnífica California haya sido arrancada a los perezosos mexicanos, que no sabían qué hacer con ella? ; ¿lo es que los enérgicos yanquis, mediante la rápida explotación de las minas de oro que existen allí, aumenten los medios de circulación, concentren en la costa más apropiada de ese apacible océano, en pocos años, una densa población y un activo comercio, creen grandes ciudades, establezcan líneas de barcos de vapor, tiendan un ferrocarril desde Nueva York a San Francisco, abran en realidad por primera vez el Océano Pacífico a la civilización y, por tercera vez en la historia, impriman una nueva orientación al comercio mundial? La 'independencia' de algunos españoles en California y Tejas sufrirá con ello, tal vez; la 'justicia' y otros principios morales quizás sean vulnerados aquí y allá, ¿pero, qué importa esto frente a tales hechos histórico-universales?'. ((Engels. De la primera parte del artículo 'Der demokratische Pauslawismus', publicada el 15 de febrero de 1849 en la Neue Rheinische Zeitung MEW, t. VI, p, 273-274.)  Tomado de Karl Marx, Friedrich Engels, Materiales para la historia de América Latina,Cuadernos Pasado y Presente, Siglo XXI Editores, 1980, pp. 189-190.)) [colchetes mostram minhas inserções e parênteses, as do autor do blog.]
abcz